Rodin foca-se na vida do famoso escultor num específico espaço de tempo e eventos. O momento é o da criação da famosa estátua de Balzac, na altura muito mal recebida, mas que agora é reconhecida como uma das obras mais importantes da escultura moderna. O evento é o romance tórrido e conturbado com Camille Claudel e a posterior separação entre ambos. Em pano de fundo surge também, uma obra escultórica que teve influência directa dos dois artistas, A Porta do Inferno, baseada na obra de Dante.
A premissa e o núcleo central do enredo são muito bons, os intervenientes têm muita coisa para dizer e mostrar, mas no geral, o filme acaba por ser uma decepção. Por muito que goste de Rodin - e é sem dúvida um dos meus artistas favoritos - é preciso compreender que a maior parte do público não conhece a personagem. Quem tiver pouco conhecimento da vida e da obra do mestre escultor nunca vai perceber o filme e vai literalmente estar a olhar para uma tela "vazia" a tentar perceber o que é que se passa. Neste caso, uma escultura em fase de criação... Bastava uma pequena introdução para dar um melhor contexto ao filme. Auguste Rodin, apesar de ser unanimemente considerado o percursor da escultura moderna, era na realidade um homem "comum". Tentou por três vezes ingressar na Faculdade de Belas Artes e por três vezes foi recusado, o que exemplifica bem o quanto o ensino artístico tem para oferecer e reconhecer em termos de conhecimento estético... Mas isso é outra história... Rodin era efectivamente um autodidacta. Não aprendeu com ninguém. "Ensinou-se", no seu próprio estilo. Acho que meia dúzia de linhas no início do filme a explicar quem é o protagonista, permitiriam entrar melhor no mundo de Rodin e Claudel. Sem esta introdução, uma pessoa fica algo perdida na história, como se entrasse a meio do filme sem perceber nada do que aconteceu antes...
Mas esse nem é o principal problema deste Rodin. O problema está em tudo o resto. A realização de Jacques Doillon é fraca, dura e seca como um pedaço de pedra antes de ser trabalhado por um escultor. Percebo a lógica (se é que ela existe), mas não gosto do tom demasiado cru e austero. É um filme que parece uma adoração a uma fotografia antiga e acinzentada de uma estátua. Há uma música deslavada no início e outra no fim, perto dos créditos. Pelo meio, sempre os mesmos planos fixos envoltos em silêncio. As obras dos dois artistas que deveriam na realidade ser a grande mais valia, pouco ou quase nada são intervenientes... Não gostei nada disto. Rodin é um dos meus artistas favoritos e por isso acho que este filme fez-lhe pouca ou nenhuma justiça... Vale a interpretação de Vincent Lindon e Izïa Higelin e pouco mais. Não há tensão, não há carga emocional... Tudo é uma estátua de pedra sólida neste filme. Estaria de acordo com esta aproximação, não fosse o tema central deste tal "momento" o romance de Rodin e Claudel... É um contrasenso... Tudo junto, parece um daqueles telefilmes ou documentários que recriam a vida de uma pessoa famosa... Uma decepção enorme. ●○○○○
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Se o som possante duma bateria tocada a toda a força é um bocado demais para os vossos ouvidos então não vejam Wiplash... vão acabar com uma dor de cabeça do tamanho do universo.
Porque este filme é mesmo só isto: um professor, um aluno e a sua bateria. O aluno é interpretado por um desconhecido, mas brilhante actor chamado Miles Teller; o professor obstinado é um genial J.K. Simmons, do qual só me lembro de ver como eterno actor secundário. Grande erro. Onde é que andavam estes dois actores escondidos? A resposta parece estar na cabeça de Damien Chazelle, o gajo que conseguiu ver o que mais ninguém conseguiu... Chazelle parece ser daqueles realizadores com tanta visão, que consegue passar tanta intensidade para o ecrã, que se eu fosse produtor, dava-lhe o livro de cheques para a mão e dizia-lhe simplesmente: "faz o que quiseres, mas quero outro filme com a mesma intensidade dramática do Wiplash...".
Mas como acontece com todas as obras geniais, obviamente que Wiplash é muito mais que um professor, um aluno e a sua bateria. É chegar aos limites e ultrapassá-los. É sobre ser mais do que aquilo que se é. É aguentar quando já não se aguenta mais. É esforço, força, suor, lágrimas e sangue.
A primeira coisa que me chamou à atenção foi o título. É mesmo muito apropriado, porque é um reflexo do próprio filme. É como o som de um chicote: rápido, dilacerante, frenético, doloroso, explosivo.
Wiplash tem um tom amargo, muito, muito amargo. Não estava à espera. Em muitos daqueles momento duros do filme em que o estômago se encolhe e dá voltas, lembrei-me de Lars Von Trier. Se me dissessem que ele tinha andado por lá atrás das câmaras não estranharia muito. Mas a sensação "má", aqui, não causa repulsa, dá a sensação de se ter uma fibra dura, inflexível, que liga todo o filme.
Só há uma palavra para este filme: genial! É uma pérola dos tempos modernos e um clássico instântaneo. É muito bom. Emendo o que disse: é excelente! ●●●●●
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