Um astronauta de sentimentos bastante contidos aceita uma missão através do sistema solar para tentar descobrir a verdade sobre o desaparecimento do pai, 30 anos antes, assim como tentar travar uma ameaça estelar que põe em perigo o planeta Terra e a sobrevivência da Humanidade. A premissa não é má de todo, mas é o desenvolvimento do filme e a própria ambiência e ritmo que acabam por marcar negativamente este Ad Astra.
Apesar do título (uma referência em latim que se traduz qualquer coisa como "para as estrelas"), pouco há de verdadeiramente espacial para ver. É uma das muitas falhas do filme. É inegável a influência de Interstellar, mas que neste caso funciona apenas como uma espécie de cópia mais pobre. Apesar das parecenças, Ad Astra tem muito menos alma, apesar do moralismo omnipresente.
Brad Pitt, Tommy Lee Jones, Donald Sutherland e Ruth Negga compõe o casting principal mas não aquecem nem arrefecem. Aliás, nos últimos tempos, Brad Pitt - em tempos um bad boy irreverente e irrequieto - aparece sempre associado a personagens que nitidamente estão sob o efeito de tranquilizantes. Acho que está a tentar entrar noutro tipo de filmes mas sérios e dramáticos, mas também pode ser um coincidência. Ou então anda mesmo sob o efeito de tranquilizantes. Tommy Lee Jones quase não tem personagem nem tempo de antena para desenvolver convenientemente uma personagem, assim como Sutherland e Negga. A juntar a isto há um ritmo lentíssimo de filme que faz com que se torne desinteressante e que eu quase adormecesse em algumas alturas do filme.
Dito isto, Ad Astra pode parecer um péssimo filme, mas também não é assim tão mau. Eu é que tinha expectativas algo elevadas e a visualização saiu-me furada. Mas do que uma consideração profunda dos conflitos entre pai e filho, Homem e Deus, Ad Astra é mais uma perseguição lenta e solitária no espaço do que outra coisa, que ainda por cima tem final muito pouco satisfatório. Tem bons pormenores na realização (James Gray), um banda sonora melhor que média, o que ajuda a elevar um pouco o filme, mas no conjunto, Ad Astra acaba por se tornar inócuo e totalmente esquecível. Mais uma oportunidade desperdiçada... ●●○○○
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A Guerra Civil Americana continua a mastigar homens nos campos de batalha. No meio de toda esta carnificina, o presidente americano, Abraham Lincoln, tem a sua própria luta interna: emancipar os escravos e acabar constitucionalmente com a escravatura. Para isso tem de conseguir os votos sufucientes dos adeversários assim como do seu próprio partido.
Este é o ponto de partida de Lincoln, mais uma super-produção de Steven Spielberg, agora em versão biográfica. Lincoln entra directamente na minha categoria de mixed-feelings. Apesar de muito bem feito, acho-o demasiado denso, lento e meloso para o meu gosto. Ainda que tenha alguns fogachos de emoção, são demasiado poucos. Com os actores que tem (Daniel Day-Lewis, Sally Field, Tommy Lee Jones [só aqui um triunvirato que grita para prémio de Óscares], Joseph Gordon-Levitt, James Spader) podia e deveria ter muito mais intensidade. Fica-se "apenas" por um biopic extremamente bem escrito e realizado.
Por vezes parece demasiado encenado como que a piscar o olho à Academia, e como se costuma dizer, "sem sair da zona de conforto". É esse mesmo o principal problema: Spielberg não quer confrontar nenhuma ideia nem nenhuma opinião e por isso mantém-se sempre a uma distância teatral de qualquer futuro problema que o filme lhe pudesse causar. Não quis tomar partido e assim não tomou rigorosamente nada. Fica uma obra para a posteridade que soa a perfeito, mas insípida e algo "oca". Ligeiramente desapontante... Desapontantemente ligeira. ●●●○○
Este é o ponto de partida de Lincoln, mais uma super-produção de Steven Spielberg, agora em versão biográfica. Lincoln entra directamente na minha categoria de mixed-feelings. Apesar de muito bem feito, acho-o demasiado denso, lento e meloso para o meu gosto. Ainda que tenha alguns fogachos de emoção, são demasiado poucos. Com os actores que tem (Daniel Day-Lewis, Sally Field, Tommy Lee Jones [só aqui um triunvirato que grita para prémio de Óscares], Joseph Gordon-Levitt, James Spader) podia e deveria ter muito mais intensidade. Fica-se "apenas" por um biopic extremamente bem escrito e realizado.
Por vezes parece demasiado encenado como que a piscar o olho à Academia, e como se costuma dizer, "sem sair da zona de conforto". É esse mesmo o principal problema: Spielberg não quer confrontar nenhuma ideia nem nenhuma opinião e por isso mantém-se sempre a uma distância teatral de qualquer futuro problema que o filme lhe pudesse causar. Não quis tomar partido e assim não tomou rigorosamente nada. Fica uma obra para a posteridade que soa a perfeito, mas insípida e algo "oca". Ligeiramente desapontante... Desapontantemente ligeira. ●●●○○
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Após muita insistência dos estúdios e dos fãs, Matt Damon finalmente volta à personagem de Bourne. Jason Bourne. Mas está tão zangado com a situação que passa a maior parte do filme a esmurrar pessoas que lhe lembram precisamente que ele não quer voltar. Ele, Matt, está farto do Bourne. Ele já se lembra de tudo, os maus já morreram todos, a história já acabou, então porquê voltar? Ele só quer que o deixem em paz, que o deixar participar nos seus concursos de boxe amador contra musculados bruta-montes nas estepes geladas de um antigo país comunista qualquer...
Toda a gente sabia que Matt Damon estava em todo o lado, mas ninguém sabia que ele já não queria ser mais o Jason Bourne.
Até Paul Greengrass voltou aos comandos dos filmes Bourne para ver se dava a volta ao Matt Damon, mas ele... nada. Disseram-lhe que também lá estariam o senhor Tommy Lee Jones, a Alicia Vikander e o Vincent Cassel, um dos poucos gajos que parece, de facto, um verdadeiro mau da fita sem ser ridículo, mas mesmo assim, nada. Matt Damon não quer voltar. Não quer fazer mais de Bourne. E isso até se nota no filme. Está ali contrariado, a pensar que poderia estar a fazer novos filmes com novos argumentos, com novas personagens... Podia estar a fazer coisas diferentes... Desta vez ele até voltou à personagem, mas apenas para dizer que não volta nunca mais. ●●○○○
Toda a gente sabia que Matt Damon estava em todo o lado, mas ninguém sabia que ele já não queria ser mais o Jason Bourne.
Até Paul Greengrass voltou aos comandos dos filmes Bourne para ver se dava a volta ao Matt Damon, mas ele... nada. Disseram-lhe que também lá estariam o senhor Tommy Lee Jones, a Alicia Vikander e o Vincent Cassel, um dos poucos gajos que parece, de facto, um verdadeiro mau da fita sem ser ridículo, mas mesmo assim, nada. Matt Damon não quer voltar. Não quer fazer mais de Bourne. E isso até se nota no filme. Está ali contrariado, a pensar que poderia estar a fazer novos filmes com novos argumentos, com novas personagens... Podia estar a fazer coisas diferentes... Desta vez ele até voltou à personagem, mas apenas para dizer que não volta nunca mais. ●●○○○
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O que se pode dizer de Men in Black 3 é que cumpre os requisitos mínimos. Continua a ser divertido e continua a estar bem feito. Mas fiquei com a sensação que este terceiro filme só existe porque era necessário um MiB3 para assim completar uma trilogia. Aparentemente, em Hollywood, há algo de mágico no número 3. Fala-se muito na magia do cinema e como aficionado das duas artes, sei que existe o remate do acto mágico chamado o terceiro passo. Não sei se inconscientemente isso se passa também nos filmes, mas lá que acontece, acontece. É raro o filme que tendo sequela, não vá desembocar na quase "fatídica" terceira parte e assim fechar a trilogia. Pode ser coincidência, mas acho que não é.
Neste caso, até acho bem. Mas apenas por causa do Barry Sonnenfeld. Acho que também merecia ter uma trilogia no currículo, porque é um daqueles gajos que curto. Tem uma boa filmografia e nunca lhe vi um filme estúpido. É sempre competente e inteligente nos temas que pega e na forma como lhes pega. Só por isto, já merece a minha consideração.
Os mesmos gajos fixes do costume (Will Smith, Tommy Lee Jones) com a adição do sempre respeitável Josh Brolin (e também a respeitável, mas mais discreta Emma Thompson), suportam um filme com uma história já algo cansada (os extraterrestres já são quase dispensáveis...), e que por isso já tem de ir buscar a velha artimanha das viagens no tempo para conseguir dar progressão ao enredo. Isso é batota, mas por ser quem é, vá lá, eu até desculpo. Mas peço, por favor, fiquem por aqui. Já chega. Assim como está, numa caixa arquivadora catita, fica muito bonito e pronto. Não comecem já a pensar em prequelas e reboots...
Mas pensando bem, acho que isto não vai ficar por aqui. Se não estou enganado nas contas, do primeiro para o segundo filme passaram 5 anos, e do segundo para o terceiro passaram 10 . Pela mesma lógica, teremos uma nova "entrega" lá para 2022, o que até faria uma edição especial dos 25 anos do filme original. Acho que os estúdios não vão conseguir resistir... Veremos. ●●○○○
Neste caso, até acho bem. Mas apenas por causa do Barry Sonnenfeld. Acho que também merecia ter uma trilogia no currículo, porque é um daqueles gajos que curto. Tem uma boa filmografia e nunca lhe vi um filme estúpido. É sempre competente e inteligente nos temas que pega e na forma como lhes pega. Só por isto, já merece a minha consideração.
Os mesmos gajos fixes do costume (Will Smith, Tommy Lee Jones) com a adição do sempre respeitável Josh Brolin (e também a respeitável, mas mais discreta Emma Thompson), suportam um filme com uma história já algo cansada (os extraterrestres já são quase dispensáveis...), e que por isso já tem de ir buscar a velha artimanha das viagens no tempo para conseguir dar progressão ao enredo. Isso é batota, mas por ser quem é, vá lá, eu até desculpo. Mas peço, por favor, fiquem por aqui. Já chega. Assim como está, numa caixa arquivadora catita, fica muito bonito e pronto. Não comecem já a pensar em prequelas e reboots...
Mas pensando bem, acho que isto não vai ficar por aqui. Se não estou enganado nas contas, do primeiro para o segundo filme passaram 5 anos, e do segundo para o terceiro passaram 10 . Pela mesma lógica, teremos uma nova "entrega" lá para 2022, o que até faria uma edição especial dos 25 anos do filme original. Acho que os estúdios não vão conseguir resistir... Veremos. ●●○○○
Men in Black II recomeça sem Tommy Lee "K" Jones que foi "neuralizado" e encontra-se a trabalhar nos Correios sem saber nada da sua vida anterior. Como sempre, a Terra está em perigo de ser invadida por malvados extraterrestres, e Will "J" Smith, mesmo rodeado dos mais estapafúrdios gadgets, não consegue dar conta do recado sozinho. Precisa do seu fiel parceiro. Até porque desta vez, o inimigo é uma espécie de serpente galática que se divide (!?), interpretada pela sexy Lara Flynn Boyle, numa altura em que Twin Peaks ainda estava fresco na memória.
Men in Black II, como o próprio título revela, é relativamente igual ao anterior e poderia sofrer de sequelite aguda, mas Barry Sonnenfeld teve mais uma vez a inteligência de fazer, de facto, uma continuação da primeira história, invés de fazer um segundo filme seguindo a sagrada fórmula da sequela: "igual, mas maior, mais rápido e mais explosivo". Pode parecer a mesma coisa, mas não é. É apenas um pequeno pormenor que transforma uma "sequela" numa "segunda parte". E esta é uma verdadeira segunda parte.
Continua a existir a "química" original entre os dois actores principais e continua a ser muito divertido, se bem que comece a repetir-se em algumas cenas. Barry Sonnefeld decidiu dar a cara e tem um cameo numa cena.
Quem também aparece brevemente é Michael Jackson como Agente M. Todas aquelas operações plásticas (desnecessárias) deram-lhe uma aparência tão estranha que se calhar o melhor seria ter feito papel de extraterrestre...
Men in Black II está "naturalmente" um patamar abaixo do primeiro - porque perdeu o efeito novidade -, mas continua a ser um filme divertido que se vê muito bem. ●●●○○
Men in Black II, como o próprio título revela, é relativamente igual ao anterior e poderia sofrer de sequelite aguda, mas Barry Sonnenfeld teve mais uma vez a inteligência de fazer, de facto, uma continuação da primeira história, invés de fazer um segundo filme seguindo a sagrada fórmula da sequela: "igual, mas maior, mais rápido e mais explosivo". Pode parecer a mesma coisa, mas não é. É apenas um pequeno pormenor que transforma uma "sequela" numa "segunda parte". E esta é uma verdadeira segunda parte.
Continua a existir a "química" original entre os dois actores principais e continua a ser muito divertido, se bem que comece a repetir-se em algumas cenas. Barry Sonnefeld decidiu dar a cara e tem um cameo numa cena.
Quem também aparece brevemente é Michael Jackson como Agente M. Todas aquelas operações plásticas (desnecessárias) deram-lhe uma aparência tão estranha que se calhar o melhor seria ter feito papel de extraterrestre...
Men in Black II está "naturalmente" um patamar abaixo do primeiro - porque perdeu o efeito novidade -, mas continua a ser um filme divertido que se vê muito bem. ●●●○○
Men in Black é uma divertida comédia de acção que dá uma explicação "plausível" para a muito difundida teoria da conspiração que gira em torno dos misteriosos Homens de Negro. "Eles", os Homens de Negro, os que pertencem a uma organização secreta (que seria das teorias da conspiração sem as organizações secretas?) que persegue extraterrestres oriundos de toda a galáxia. "Eles", os que sabem mais que os outros e que mantêm toda a gente na ignorância, porque sabem que somos "uns idiotas que iam entrar em histeria" se soubéssemos tudo o que eles sabem. Nada como fazer uma comédia para poder dizer estas coisas.
O que tenho a dizer é que a comédia é muito menosprezada. Normalmente é mal tratada nos filmes, que raramente se desviam do riso fácil, da "estalada com creme" e do tombo desconcertante à "isto só video". Para piorar ainda mais a situação, por norma, a isto ainda se juntam argumentos tão simplistas que parecem ser feitos para menores de 6 anos... e estou a falar na idade mental.
Mas volta e meia, lá aparece uma comédia que consigo ver e até gostar. É o caso de Men in Black, que tem muitas coisas positivas. É um filme que proporciona algumas boas gargalhadas, é um bom filme para ver com a miudagem mais jovem, porque é light mas tem a inteligência de caracterizar as situações cómicas de um forma ambígua mas quotidiana, como por exemplo, ter extraterrestres a pedir asilo político. Tem uma uma boa história e está muito bem escrito.
Os actores foram muito bem escolhidos, como por exemplo o Vincent D'Onofrio, mas como é óbvio, todo os holofotes apontam para a dupla principal. Há uma química estranha, que não é fácil de encontrar, mas totalmente natural entre o tom sério e seco de Tommy Lee Jones e a descontração musculada de Will Smith. A realização de Barry Sonnenfeld é excelente como sempre, com o destaque óbvio para o delicado malabarismo de manter equilibrado a acção, a comédia e a ficção científica. Muito difícil. Muito bom. Os efeitos especiais, apesar de não serem revolucionários eram do melhorzinho que se fazia na altura. Parece que o vi ontem, mas este é filme com mais de 20 anos. Incrível. Foi um grande sucesso de bilheteira, totalmente justificado, porque era um filme totalmente diferente do que se estava habituado a ver. Tem um "timbre" próprio. É o "timbre Sonnenfeld".
Gostei do pormenor final de mostrar que a nossa galáxia pode ser só um berlinde para um alien brincar. É uma ideia interessante e, mais uma vez, uma forma inteligente de rematar um filme. ●●●●○
O que tenho a dizer é que a comédia é muito menosprezada. Normalmente é mal tratada nos filmes, que raramente se desviam do riso fácil, da "estalada com creme" e do tombo desconcertante à "isto só video". Para piorar ainda mais a situação, por norma, a isto ainda se juntam argumentos tão simplistas que parecem ser feitos para menores de 6 anos... e estou a falar na idade mental.
Mas volta e meia, lá aparece uma comédia que consigo ver e até gostar. É o caso de Men in Black, que tem muitas coisas positivas. É um filme que proporciona algumas boas gargalhadas, é um bom filme para ver com a miudagem mais jovem, porque é light mas tem a inteligência de caracterizar as situações cómicas de um forma ambígua mas quotidiana, como por exemplo, ter extraterrestres a pedir asilo político. Tem uma uma boa história e está muito bem escrito.
Os actores foram muito bem escolhidos, como por exemplo o Vincent D'Onofrio, mas como é óbvio, todo os holofotes apontam para a dupla principal. Há uma química estranha, que não é fácil de encontrar, mas totalmente natural entre o tom sério e seco de Tommy Lee Jones e a descontração musculada de Will Smith. A realização de Barry Sonnenfeld é excelente como sempre, com o destaque óbvio para o delicado malabarismo de manter equilibrado a acção, a comédia e a ficção científica. Muito difícil. Muito bom. Os efeitos especiais, apesar de não serem revolucionários eram do melhorzinho que se fazia na altura. Parece que o vi ontem, mas este é filme com mais de 20 anos. Incrível. Foi um grande sucesso de bilheteira, totalmente justificado, porque era um filme totalmente diferente do que se estava habituado a ver. Tem um "timbre" próprio. É o "timbre Sonnenfeld".
Gostei do pormenor final de mostrar que a nossa galáxia pode ser só um berlinde para um alien brincar. É uma ideia interessante e, mais uma vez, uma forma inteligente de rematar um filme. ●●●●○





