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Continuação do primeiro John Wick... que como previra, tinha tudo para ser um sucesso de bilheteira. Chad Stahelski faz regressar o durão Keanu Reeves, e junta-lhe mais inimigos e aliados (Riccardo Scamarcio, Ian McShane, Laurence Fishburne e John Leguizamo). Continuação e aumento das cenas de porrada, mas sempre com algum miolo e muito, muito estilo. Apesar de ser mais do mesmo (que a primeira entrega), tem pelo menos o condão positivo de conseguir criar um novo mundo hierárquico de assassinos pagos e estilosos. E tudo com lógica, o que é uma raridade hoje em dia. Boas cenas de porrada, muito bem engendradas e ainda melhor filmadas. John Wick: Chapter 2 não é totalmente estúpido e por isso vê-se relativamente bem, apesar de a determinada altura a necessidade de acção constante tornar a coisa demasiado repetitiva. Tal como acontece na maioria dos filmes de acção actuais, falta-lhe uma grande dose de calma... Ia dizer que se previa um Chapter 3, mas a velocidade de produção hoje em dia é tão rápida que fiquei a saber agora mesmo que já está nos cinemas!!!... E já vem a caminho um Chapter 4!!!... What a rush... Espero que não danifiquem demasiado a "franquia"... ●●○○○

Alguém ainda se lembra da pandemia de gripe A (ou H1N1 para os mais técnicos...) aí por volta de 2009 ou 2010? Aquela que fez toda a gente enlouquecer e começar a esfregar as mãos com gel desinfectante de cinco em cinco minutos? É provável que não. Foi um frenesim informativo durante algum tempo, mas quase em simultâneo começou a bater forte uma crise financeira, e de um dia para outro toda a gente se marimbou para a gripe suína. Morrer é uma coisa grave, mas perder o dinheiro é muito, muito mais grave...
Influenciado pela realidade, o cinema não deixa estes acontecimentos sem registo. Nessa onda surgiu Contagion, um filme sobre uma hipotética pandemia, mas feito com todos os condimentos da realidade. Ou seja, não é um filme de acção explosivo em que um super-herói tem de lutar contra um super-vilão que quer destruir a Terra com recurso a um vírus altamente contagioso. É apenas um filme onde pessoas falam, pessoas lutam contra adversidades avassaladoras e pessoas morrem sem grande actos de heroísmo. Não é isto que as pessoas querem ver, senhor Steven Soderbergh. Obviamente não teve grande recetividade. Diga-se que não é um filme brilhante, é "apenas" mais um "Soderbergh". Quer isto dizer que está bem feito, bem realizado, bem montado, muito bem escrito e muito bem interpretado.
Steven Soderbergh é um gajo muito particular e não me canso de dizer isto: é provavelmente o gajo que mais facilmente faz filmes. É uma máquina tão bem oleada para a arte, que dá a impressão de um dia acordar com uma ideia e enquanto vai para o trabalho, pega num telefone, liga a meia dúzia de amigos, escreve qualquer "coisita" rápida, manda-lhes um SMS com o guião e depois liga a câmara e faz um filme num instante. É nitidamente um sobredotado da "coisa". E como é óbvio, tudo que é actor quer ser dirigido por ele. Neste caso, um chorrilho de grandes actores: Gwyneth Paltrow, Matt Damon, Laurence Fishburne, Kate Winslet, Jude Law, Marion Cotillard e muitos mais...
Muitas histórias cruzadas, muitas personagens, muito realismo, nenhum heroísmo, nenhuma acção. Apenas e só a realidade a desenrolar-se... Um filme destinado ao insucesso nas bilheteiras. Mas um filmito jeitoso, que apesar de ser "esquecível", vale sempre a pena ver. ●●○○○

Ant-Man and the Wasp (de Peyton Reed), entra directamente na categoria de "não vou perder muito tempo a escrever sobre isto". Faço a mesma coisa que fazem com estes filmes: aplico-lhe a fórmula. É uma sequela mas tem ligação com o primeiro filme. É da Marvel. Tem toneladas de efeitos especiais e acção. Tem ligação com os Avengers. Tem Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Peña e depois um trio fenomenal de actores como Michelle Pfeiffer, Laurence Fishburne e Michael Douglas para dar alguma credibilidade e meter nomes imponentes nos cartazes.
... e não tem mais nada. ●○○○○

Uma gigantesca nave espacial, carregada com milhares de passageiros em hibernação, segue a caminho de uma colónia noutro planeta quando, na sua longa viagem de 120 anos, algo funciona mal e um dos passageiros é acordado 90 anos antes do previsto.
A premissa é muito boa, por isso justificou-se plenamente o hype em torno deste filme. A realidade é bem diferente.
Passengers, de Morten Tyldum, apesar de se passar no espaço, não é um filme de ficção científica. É mais uma espécie de romance futurista, que por acaso acontece no espaço. Nesse aspecto, desilude qualquer fã de ficção e defrauda um pouco as expectactivas criadas. Mas não é tão mau quanto parece, apesar de ter partes que parecem saídas de um filme da Disney...
Passengers "escapa" perfeitamente devido ao trabalho dos actores (Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen [que parece saído do bar do "The Shining"], Laurence Fishburne [e Andy Garcia que apenas "aparece" por lá]), mas também pelo excelente tratamento visual e pela simplicidade do argumento.
Tenho de admitir que o que me prendeu mais em Passengers foi estar o tempo todo à espera do twist. Mas não houve twist. Devido à expectativa que se criou à volta do filme antes da estreia e das primeiras imagens que vi, esperava mais e melhor. Mas vê-se bem. ●●○○○


Em 2047, uma equipa de salvamento espacial liderada pelo Capitão Miller (Laurence Fishburne) voa até à nave Event Horizon para responder a um pedido de socorro. Mas a Event Horizon não é uma nave qualquer. Ela foi desenhada pelo brilhante Dr. William Weir (Sam Neill) e tem a particularidade de conseguir criar um buraco negro e assim viajar instantaneamente para qualquer ponto do Universo. O problema é que na sua viagem experimental, a nave desapareceu sem deixar rasto apenas para reaparecer 7 anos depois... vazia... mas com muita história para contar.
Vi o Event Horizon no cinema e foi uma surpresa monumental. Lembro-me perfeitamente de escolher o filme pelo cartaz e pelo Sam Neill - tinha-o visto no Jurassic Park, no Piano e no semi-desconhecido In the Mouth of Madness. Mas nunca tinha ouvido falar deste filme. Nem sequer sabia do que se tratava. Só sabia que era de ficção científica por causa da nave no cartaz. Foi uma surpresa enorme...
Acho que hoje em dia perde-se muito do impacto dos filmes pela excessiva promoção que lhes é feita. Anos antes de uma estreia já se sabe tudo sobre um filme. São os teasers, os trailers, as entrevistas, os making-offs... Praticamente já se viu o filme todo, só que aos bocados. O impacto da surpresa praticamente desapareceu. E acho que isso também é importante para "marcar" um filme. Esta foi uma das últimas vezes que um filme me surpreendeu.
Event Horizon é a união perfeita de ficção científica e terror. E quando digo terror, quero mesmo dizer gore. É como se fosse uma mistura de 2001 com Hellraiser. Como sou fã destes dois filmes (e parece que o Paul W. Anderson também), isso enche-me totalmente as medidas. Apesar de não ser totalmente original - esta é a história clássica do navio fantasma encontrado à deriva sem a tripulação, mas transposto para o espaço - Event Horizon funde muito bem acção, terror, suspense e uma história muito boa. Dentro deste género muito específico, é um dos melhores filmes. ●●●●○

 
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