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Eugène-François Vidocq foi uma daquelas personagens reais que se não existisse tinha mesmo de ser inventada. Começou a sua história como um criminoso a ser perseguido pela polícia nas ruas e acabou como o fundador e diretor da Sûreté Nationale, a polícia francesa especializada em investigação criminal. É, assim, comummente considerado como o pai da criminologia moderna. Ah! E foi ele a inspiração para muitos escritores, como Victor Hugo, Balzac e Arthur Conan Doyle. Mas do "verdadeiro" Eugène-François Vidocq pouco há neste Vidocq. Pegaram na personagem histórica e transformaram-na numa personagem de filme que é uma coisa totalmente diferente. Não é nenhum biopic ou algo do género. Muito pelo contrário. Por mim não há problema nenhum, até porque foi depois de ver este "Vidocq" que fiquei a conhecer o verdadeiro "Vidocq". Mas adiante.
Vidocq é um bom filmito francês, misto de fantasia, mistério e acção. Na cadeira do realizador está Pitof, o director de efeitos especiais que costumava trabalhar com a dupla Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro. As parecenças visuais são óbvias, mas a realização acaba por ser demasiado estranha para mim com todos aqueles close-ups. Escapa, mas não me agrada.
A história de Vidocq é totalmente transformada: tudo começa precisamente quando Vidocq desaparece depois de uma intensa luta com o Alquimista, um assassino que ele persegue à muito tempo e que parece ter poderes sobrenaturais. Entra então em cena o seu jovem biógrafo que para além de querer documentar o que aconteceu naqueles últimos momentos, também quer vingança...
Gérard Depardieu está bem como Vidocq. Guillaume Canet, Inés Sastre ajudam bem como secundários. Vidocq é uma boa (e diferente) alternativa aos filmes de acção estereotipados americanos. A ver. ●●●○○

Continuação daqui...

Bem, vamos lá a despachar isto. É assim que estes filmes têm de ser encarados. Como tirar um penso rapidamente para não doer tanto. Primeiro, Daredevil (2003). Advogado cego, transformado em super-herói que combate criminosos. Oportunidade única para ver Ben Affleck a usar uma fatiota de cabedal ridícula e Colin Farrell a fazer de criminoso com uma marca ridícula na testa. ●○○○○



Segundo: O sucesso de Michelle Pfeiffer como Catwoman em Batman Returns, foi tão grande que deu origem a um filme autónomo. O resultado é um desastre digital chamado Catwoman (2004). É pena, porque tinha tudo para resultar bem. O realizador é Pitof, homem dos efeitos especiais de Marc Caro e Jean-Pierre Jeunet (Delicatessen e Alien: Resurrection, por exemplo) e também realizador do excepcional Vidocq. Como Catwoman foi escolhida Halle Berry e como super-vilã, Sharon Stone. Parece tudo perfeito. Mas infelizmente, o filme resume-se a massacrar os orgãos visuais com efeitos digitais onde tudo parece plastificado ou um jogo de computador e a mostrar durante o maior tempo possível Halle Berry de roupa interior de cabedal. E já me esqueci onde entra Sharon Stone para além do cartaz e do trailer. É uma verdadeira incógnita como é que uma tão boa conjugação de factores dá origem a um filme tão miserável. ●○○○○



Por fim, Elektra (2005). Um filme que consegue apresentar todos os clichés dos (piores) filmes de acção. A rapariga jeitosa (Jennifer Garner) que quase morre, mas que regressa anos mais tarde - com treino de artes marciais, é claro - para se vingar. Tem uns toques de algo sobrenatural, mas é mesmo só para ter hipótese de colocar efeitos digitais no trailer. Assim como colocar Garner com roupas apertadas e sexys. Não tem qualquer implicação no desenrolar da história. É monótono, entediante, enfadonho, repetitivo e... não me consigo lembrar de mais adjectivos semelhantes. Horrível. ●○○○○

 
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