Não sei se já disse isto, mas Darren Aronofsky é um dos meus realizadores favoritos. É estranho e filosófico o suficiente para eu não conseguir não gostar. Mas reconheço que às vezes as coisas não correm bem. Um desses casos é The Fountain que tem nos principais papéis Hugh Jackman, Rachel Weisz, Ellen Burstyn e Mark Margolis. Escrito e realizado pelo Aronofsky, The Fountain é uma procura pela fonte da vida eterna, e por tabela, uma procura por respostas para a vida depois da morte. É uma história não linear que decorre em diferentes períodos da vida de uma personagem, no ano 1500, em 2005 e no ano 2500. A personagem (que em princípio é a mesma apesar da disparidade temporal) é simultaneamente Tomas, um conquistador em procura da árvore da vida para a sua rainha; Tommy, um neurocientista que tenta salvar a mulher de um cancro e Tom Creo, um monge-astronauta que tenta salvar a última memoria da mulher na forma de uma árvore viajando pelo universo numa esfera transparente. Como as histórias vão-se entrelaçando continuamente e decorrem de certa forma paralelas, Aronofsky usou todos os estratagemas visuais e não só, para separá-las e diferenciá-las: por exemplo, cada época usa cores e padrões diferentes. O passado é triangular e dourado, o presente é quadrado e branco e no futuro abundam as formas redondas e o tom prateado. As cores são importantes na mensagem. O dourado para as coisas fúteis e materiais, o branco para a verdade e finitude das coisas e o prateado para as estrelas e a viagem no espaço. Está bem pensado. Aronofsky é um gajo inteligente e incorpora muito bem estes truques de imagética para transmitir sensações. Usar efeitos especiais visuais (sem serem digitais) para manter o efeito de não-tempo do filme dá a impressão que se está ver um sonho e tudo se torna quase onírico e orgânico. A música, composta como habitualmente por Clint Mansell, também ajuda nesse campo. Mais uma jogada de mestre. Até na postura física da personagem de Tom se podem ver estes pormenores em acção. É por causa disto que gosto do Darren Aronofsky... é um gajo que pensa. Mas isso também se pode tornar num problema... quando se pensa em demasia.
Parece que a determinada altura, instalou-se aqui uma certa confusão. Acho que Aranofski foi demasiado ambicioso. As coisas tornam-se tão vagas que fico na dúvida se aquilo é a verdade ou é um sonho. Torna-se tudo demasiado ambíguo. Eu não me importo de aplicar as minhas interpretações pessoais a um filme, mas preciso de saber o que é ou não real para tirar conclusões. A determinada altura já não sabia muito bem o que estava a ver. Alguma coisa falhou neste campo e basta este pormenor que é basicamente o alicerce de todo o filme para perceber que há algo errado: a tal fonte da vida eterna. No título e no início do filme é uma fonte de água que dá a vida eterna, mas praticamente o resto do filme debruça-se sobre a Árvore da Vida, que nas histórias bíblicas é uma árvore no Jardim do Éden e em que os frutos é que dão vida eterna. Confuso?! Eu também fiquei...
Acho sinceramente que Darren Aronofsky começou a juntar demasiada informação (os limites da vida, o amor transcendental, a vida, eterna, ciência, metafísica e religião) e a tentar abarcar demasiadas coisas que acabou por lhe sair um filme inconsistente. Parece que foi um pouco feito à pressa para tentar juntar o máximo possível de elementos. Pelo menos é a ideia com que fico. Algo correu mal e foi nitidamente a meio do processo, porque a história de base parecia estar bem definida.
Não gostei, mas também não desgostei deste The Fountain. Não há dúvida que é algo novo e de certa forma é um filme com valores filosóficos profundos, mas há alguma inconsistência que não sei de onde vem. Mas também deu para perceber que é um daqueles filmes que não se vê à primeira. Tem tantos pormenores e tanta informação visual e simbólica que nitidamente precisa de ser visto, deixar fluir as ideias no cérebro e uns tempos depois, rever para assimilar e tirar novas ideias. Ainda estou na primeira fase. Já o vi há uns anos e ainda hoje me vem à memória, porque não está totalmente resolvido no meu cérebro. Mais cedo ou mais tarde terei de voltar à carga. Mas acho que merece uma visualização atenta. ●●●○○
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Ou vi falar muito bem de um filme chamado The Lobster. Mais uma vez, pouco sabia sobre o filme, a não ser que tinha algo que ver com pessoas solteiras e que tagline era "Uma história de amor pouco convencional de Yorgos Lanthimos". Isto intrigou-me, assim como o realizador que não conhecia. O título também me intrigou e como tinha actores como Colin Farrell, Rachel Weisz, Ben Whishaw e John C. Reilly (pessoal que não costuma fazer maus filmes) lancei-me à descoberta.
De facto, a tagline é verdadeira. Num estranho futuro distópico, as pessoas não podem ficar solteiras. Se isso acontecer, são enviadas para um Hotel especial, onde têm de encontrar um novo parceiro em 45 dias, sob pena de serem transformados em animais. Estranho, não?! Sim. Muito estranho. The Lobster é mesmo um filme estranho. É uma espécie de comédia dramática (?!) misturada com crítica social, num ambiente muito estéril e... estranho. The Lobster é um filme totalmente diferente da concorrência. Tem uma visão e um mundo muito próprios e por isso, Yorgos Lanthimos, é um nome a reter, porque pode sair daquela cabeça uma obra prima a qualquer momento. Ou não! Nunca se sabe. Mas tem lá tudo o que é preciso...
Apesar de tudo o que tem de bom, estranho e diferente, The Lobster gerou-me algumas contradições. Aquilo a que vulgarmente se chama "mixed feelings". Verdadeiros "mixed feelings". Comecei por gostar muito e acabei a não gostar assim tanto. Por vezes achei hilariante, mas noutras, achei entediante. Tem uma boa história e tem um bom tratamento da história, mas acho que a premissa era demasiado alta, o início do filme demasiado bom e acabou por não ter um final condizente. Acho que foi mais isso. Compreendo o final ambíguo, mas foi tão ténue, tão subtil que fiquei mesmo na dúvida se foi apenas um gesto, ou se ela olhou mesmo para o trânsito que passa ou se foi apenas um reflexo. Pode ter sido impressão minha., mas quando as acções são tão subtis que nem sei muito bem o que pensar... algo não está bem. Essencialmente, parece-me que foi isso que falhou. O início e o meio do filme é demasiado bom e diferente para ter um final assim tão... subtil. Ainda assim, pela história, pela envolvência e pelo mundo tão particular e diferente em que uma pessoa é mergulhado, The Lobster é um filme que vale sempre a pena ver. ●●●○○
De facto, a tagline é verdadeira. Num estranho futuro distópico, as pessoas não podem ficar solteiras. Se isso acontecer, são enviadas para um Hotel especial, onde têm de encontrar um novo parceiro em 45 dias, sob pena de serem transformados em animais. Estranho, não?! Sim. Muito estranho. The Lobster é mesmo um filme estranho. É uma espécie de comédia dramática (?!) misturada com crítica social, num ambiente muito estéril e... estranho. The Lobster é um filme totalmente diferente da concorrência. Tem uma visão e um mundo muito próprios e por isso, Yorgos Lanthimos, é um nome a reter, porque pode sair daquela cabeça uma obra prima a qualquer momento. Ou não! Nunca se sabe. Mas tem lá tudo o que é preciso...
Apesar de tudo o que tem de bom, estranho e diferente, The Lobster gerou-me algumas contradições. Aquilo a que vulgarmente se chama "mixed feelings". Verdadeiros "mixed feelings". Comecei por gostar muito e acabei a não gostar assim tanto. Por vezes achei hilariante, mas noutras, achei entediante. Tem uma boa história e tem um bom tratamento da história, mas acho que a premissa era demasiado alta, o início do filme demasiado bom e acabou por não ter um final condizente. Acho que foi mais isso. Compreendo o final ambíguo, mas foi tão ténue, tão subtil que fiquei mesmo na dúvida se foi apenas um gesto, ou se ela olhou mesmo para o trânsito que passa ou se foi apenas um reflexo. Pode ter sido impressão minha., mas quando as acções são tão subtis que nem sei muito bem o que pensar... algo não está bem. Essencialmente, parece-me que foi isso que falhou. O início e o meio do filme é demasiado bom e diferente para ter um final assim tão... subtil. Ainda assim, pela história, pela envolvência e pelo mundo tão particular e diferente em que uma pessoa é mergulhado, The Lobster é um filme que vale sempre a pena ver. ●●●○○
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Depois da recusa do verdadeiro Bourne (Matt Damon) em continuar a saga de espiões, teve de se inventar um novo protagonista na esperança de conseguir fazer uma nova trilogia.
A lógica é a mesma, o tom é o mesmo, apesar de mais "polido". Portanto, The Bourne Legacy, é como estar a ver um qualquer filme do Bourne, mas sem o actor principal. Por muito bom que o filme fosse (e neste caso, nem é um filme bom ou mau; está naquela classe de filme bem feito - por Tony Gilroy -, mas desinteressante), iria sempre sofrer do "efeito Lazenby"... A cara simplesmente não bate com a careta. Por muito que tentem, Bourne é o Matt Damon e ponto final. Tentar mudar isso é retirar uma grande parte do filme. Jeremy Renner até nem está mal, mas simplesmente parece deslocado. Parece que entrou no filme errado e está a tentar imitar o Matt Damon. Ajuda ter ao lado nomes como Rachel Weisz, Scott Glenn, Stacy Keach e Edward Norton, mas não resolve tudo.
Apesar de até ter pegado bem na história anterior e dar-lhe uma certa continuidade, The Bourne Legacy é mais uma tentativa de facturar do que propriamente um "novo" filme. É um filme "normal", mas totalmente esquecível. É apenas facturação, mas até se vê bem. ●●○○○
A lógica é a mesma, o tom é o mesmo, apesar de mais "polido". Portanto, The Bourne Legacy, é como estar a ver um qualquer filme do Bourne, mas sem o actor principal. Por muito bom que o filme fosse (e neste caso, nem é um filme bom ou mau; está naquela classe de filme bem feito - por Tony Gilroy -, mas desinteressante), iria sempre sofrer do "efeito Lazenby"... A cara simplesmente não bate com a careta. Por muito que tentem, Bourne é o Matt Damon e ponto final. Tentar mudar isso é retirar uma grande parte do filme. Jeremy Renner até nem está mal, mas simplesmente parece deslocado. Parece que entrou no filme errado e está a tentar imitar o Matt Damon. Ajuda ter ao lado nomes como Rachel Weisz, Scott Glenn, Stacy Keach e Edward Norton, mas não resolve tudo.
Apesar de até ter pegado bem na história anterior e dar-lhe uma certa continuidade, The Bourne Legacy é mais uma tentativa de facturar do que propriamente um "novo" filme. É um filme "normal", mas totalmente esquecível. É apenas facturação, mas até se vê bem. ●●○○○


