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Depois da recusa do verdadeiro Bourne (Matt Damon) em continuar a saga de espiões, teve de se inventar um novo protagonista na esperança de conseguir fazer uma nova trilogia.
A lógica é a mesma, o tom é o mesmo, apesar de mais "polido". Portanto, The Bourne Legacy, é como estar a ver um qualquer filme do Bourne, mas sem o actor principal. Por muito bom que o filme fosse (e neste caso, nem é um filme bom ou mau; está naquela classe de filme bem feito - por Tony Gilroy -, mas desinteressante), iria sempre sofrer do "efeito Lazenby"... A cara simplesmente não bate com a careta. Por muito que tentem, Bourne é o Matt Damon e ponto final. Tentar mudar isso é retirar uma grande parte do filme. Jeremy Renner até nem está mal, mas simplesmente parece deslocado. Parece que entrou no filme errado e está a tentar imitar o Matt Damon. Ajuda ter ao lado nomes como Rachel Weisz, Scott Glenn, Stacy Keach e Edward Norton, mas não resolve tudo.
Apesar de até ter pegado bem na história anterior e dar-lhe uma certa continuidade, The Bourne Legacy é mais uma tentativa de facturar do que propriamente um "novo" filme. É um filme "normal", mas totalmente esquecível. É apenas facturação, mas até se vê bem. ●●○○○

Há filmes que nos surpreendem sem deslumbrar. Cypher é um desses filmes. É um thriller de ficção científica muito kafkiano (é mais fácil de escrever do que "Philip K. Dickiano"...) sobre espionagem industrial/tecnológica que acaba por descambar numa espécie de lavagens cerebrais em que a dúvida se instala, as motivações verdadeiras das personagens estão constantemente a serem alteradas, sobre quem é, de facto, quem diz ser. Muita paranóia, desconfiança, mas também muito bem escrito e realizado.
Vindo de Vincenzo Natali, o realizador do megaconhecido sucesso Cube, não é de estranhar. E nota-se que parte da mesma mente criativa. Com os semi-desconhecidos Jeremy Northam, Nigel Bennett e Lucy Liu em início de carreira no cinema. É mais uma produção pequena (mínuscula, comparando aos dias de hoje), mas bem conseguida. Vê-se bem. ●●○○○

The Numbers Station, realizado por Kasper Barfoed, com John Cusack, Malin Akerman e Liam Cunningham é um filme mediano.
Tem por base uma teoria da conspiração pouca conhecida, em que emissões de rádio de origem desconhecida transmitem aleatórias listas de números (às vezes através de voz sintetizada, outras vezes de código morse). Já li algumas coisas sobre o assunto e é de facto intrigante. Os teoristas da conspiração asseguram que são mensagens codificadas para espiões e que só existem após a Segunda Guerra Mundial. Mas isso é outra história.
Inicialmente, foi essa teoria que me levou a ver The Numbers Station. Queria ver como pegavam no assunto e o adaptavam para filme. Não está mau. É um thriller de acção com espionagem e agentes duplos à mistura e... alguma substância. Nota-se bem que não é uma produção de Hollywood. Sem ser memorável, vê-se bem. ●●○○○

De vez em quando aparecem filmes-pipoca que são inesperadamente agradáveis. É o caso de Kingsman: The Secret Service. É um bom filme de acção com grandes e originais cenas de pancadaria, bom ritmo, mas especialmente tem bons actores (Mark Hamill, Samuel L. Jackson, Michael Caine, Mark Strong e especialmente Colin Firth) que dão corpo a grandes personagens. No cenário actual dos "filmes de porrada" é de louvar.
Não sei se é o aspecto ostensivamente brit, se é por lembrar os filmes originais do James Bond mais a típica cena world domination ou se é por o realizador ter "inclinação" para filmes de super-herói (Matthew Vaughn realizou o X-Men: First Class). O que é certo é que Kingsman é divertido ao mesmo tempo que é violento. Não parece fazer concessões. Se calhar é por causa disso que Kingsman é fixe: parece uma mistura de super-heróis com o James Bond onde os espiões podem finalmente dizer asneiras e cortar os inimigos ao meio... ●●●○○

 
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