Jack Quinn é um agente secreto que está em perseguição dum maquiavélico traficante de armas, Stavros. No entanto - como é no início do filme-, Quinn fracassa na sua missão e é colocado numa espécie de retiro forçado para “agentes que falham missões”. A partir daqui Quinn só quer vingança e para isso terá de escapar e resgatar a mulher que foi raptada pelo seu inimigo mortal. Para isso terá a ajuda de Dennis Rodman, que tal como na realidade, é uma personagem meio chalada e bastante excêntrica. Double Team é dirigido por Tsui Hark (um dos mestres dos filmes de Kung-Fu) e é um daqueles maus filmes que são tão maus, que acabam por ser suportáveis. O double team do título é uma dupla de protagonistas, Jean-Claude Van Damme e Dennis Rodman, que não têm química absolutamente nenhuma. Rodman, um péssimo actor, só apareceu aqui porque na altura era uma super-estrela da NBA. Mickey Rourke tinha entrado numa espiral descendente - era basicamente o "Nicolas Cage" da altura - e por isso não é surpresa que apareça neste filme. Mas em qualquer situação, Mickey Rourke será sempre um senhor e um daqueles gajos que nunca é mau.
Não há muito a comentar em Double Team, a não ser que há filmes de que não me orgulho de ter visto e gostado. Sempre gostei de filmes de porrada e por isso JCVD era um dos meus heróis de acção favoritos. Eu, tal como muita gente, via tudo o que tivesse na capa o JCVD. Era sinónimo de porrada e acção que era o que um gajo queria ver. Era miúdo e não pensava muito no assunto. Queria era ver umas explosões e pancadaria. Felizmente, os meus gostos cinematográficos começaram a mudar mais ou menos por volta desta altura... ●○○○○
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Em 1990, já tinha visto umas centenas largas de filmes. Provavelmente já iria na casa do milhar, provavelmente, não. Sinceramente, não consigo quantificar. Mas sei que devido à pouca idade e experiência, tinha uma perspetiva muito limitada e estereotipada do cinema. Nessa altura, havia três formas de ver filmes. No cinema, em que via os filmes americanos, que apesar de diferentes dos dias de hoje, eram mais os menos a mesma coisa: acçao e efeitos. Em casa, na tv, por um lado, via os filmes portugueses a preto e branco, do tempo da "outra senhora", westerns (maioritariamente americanos) que ainda rodavam com alguma frequência, mas por outro lado via os "filmes de seca", os "intelectuais", e os "estranhos" do então "elitista" segundo canal da TV, que quase ninguém via (acho que isso ainda se mantém nos dias de hoje...). Normalmente, filmes europeus, maioritariamente franceses, que na altura eram uma seca monumental porque, tal como dizem os miúdos hoje em dia, eram só "gajos a falar"... Não acontecia nada... Não havia acção, não havia efeitos especiais... Nada. Só gajos a falar de coisas da vida... E quando parecia que ia começar a interessar... acabava! E eu não percebia nada daquilo. Simplesmente não tinha massa intelectual suficiente para entender aqueles filmes. Muito provavelmente foi isso que me levou a criar a ideia que os filmes franceses eram um seca. E criei um rótulo na minha cabeça. O que levou a criar a fantasia de que francês (ou outro europeu qualquer) e acção simplesmente não eram conceitos que pudessem ser misturados. No entanto, começava a cristalizar-se outro conceito de consumo de filmes: os videoclubes. Era a Netflix da altura. Pensando bem, era mais ou menos a mesma coisa, menos a comodidade. Vendo bem, a grande diferença desse tempo para agora é que os videoclubes não faziam documentários e filmes próprios. Tirando isso, e o facto de um gajo não ter de ir lá à loja buscar o filme e depois entregá-lo no dia seguinte rebobinado. Mas adiante...
Uma vez trouxe do videoclube um filme de acção chamado Nikita sem perceber que estava a levar para casa um filme francês. E, pronto! Mudou totalmente a minha perspetiva. Em duas horas, tive de comer todos os rótulos e estereótipos que tinha colado aos filmes franceses. Pior ainda: tinha descoberto que os franceses (e um filme em língua francesa) conseguia ser melhor, em termos de acção, que os melhores filmes americanos. Como é que isso era possível? A resposta era simples: Luc Besson. Mudou totalmente a minha percepção do cinema. A partir daí abriu-me a mente e comecei a ver os filmes europeus como uma alternativa para melhor ao cinema "americano". Foi uma reviravolta inesperada.
Mas à parte de toda esta questão percepcional, Nikita, a jovem degenerada e drogada, depois transformada em agente de elite dos serviços secretos franceses (uma moderna Cinderela, se quisermos ver isto dum prisma totalmente distorcido...), continua - mesmo depois destes anos todos - a ser um excelente filme de acção e totalmente actual. Apesar de parecer sempre muito crítico relativamente ao género de "acção", é talvez a minha temática favorita logo a seguir à ficção científica. Quem é que não gosta de um bom filme de acção? Acho que toda a gente com menos de 75 anos... Mas tem de ter alguns critérios. Tem de ser comedido, mas ao mesmo tempo explosivo e imprevisível, tem de ter uma boa história e tem de ter obrigatoriamente bons actores e boas representações (como as de Anne Parillaud, Tchéky Karyo, Jean Reno, Jean-Hugues Anglade e Jeanne Moreau). Quem é que não se lembra do Victor? Uma personagem tão impactante que apesar de estar apenas 10 minutos em cena, parece que faz parte do filme todo? Só por este "pormenor" se percebe que se está a ver um bom filme... Mas para mim, a qualidade essencial é que tem de ser "adulto". E tem de ter algum "miolo"... É perceptível, isto do "miolo"?... Basicamente, tem de ter aquilo que falta em quase todos os grandes filmes de acção do momento. Senão, são só explosões e chapadas... Qualquer é o interesse disso?
Pela simplicidade, pela inovação, mas especialmente pela qualidade e intemporalidade, Nikita é altamente recomendado. ●●●●○
Uma vez trouxe do videoclube um filme de acção chamado Nikita sem perceber que estava a levar para casa um filme francês. E, pronto! Mudou totalmente a minha perspetiva. Em duas horas, tive de comer todos os rótulos e estereótipos que tinha colado aos filmes franceses. Pior ainda: tinha descoberto que os franceses (e um filme em língua francesa) conseguia ser melhor, em termos de acção, que os melhores filmes americanos. Como é que isso era possível? A resposta era simples: Luc Besson. Mudou totalmente a minha percepção do cinema. A partir daí abriu-me a mente e comecei a ver os filmes europeus como uma alternativa para melhor ao cinema "americano". Foi uma reviravolta inesperada.
Mas à parte de toda esta questão percepcional, Nikita, a jovem degenerada e drogada, depois transformada em agente de elite dos serviços secretos franceses (uma moderna Cinderela, se quisermos ver isto dum prisma totalmente distorcido...), continua - mesmo depois destes anos todos - a ser um excelente filme de acção e totalmente actual. Apesar de parecer sempre muito crítico relativamente ao género de "acção", é talvez a minha temática favorita logo a seguir à ficção científica. Quem é que não gosta de um bom filme de acção? Acho que toda a gente com menos de 75 anos... Mas tem de ter alguns critérios. Tem de ser comedido, mas ao mesmo tempo explosivo e imprevisível, tem de ter uma boa história e tem de ter obrigatoriamente bons actores e boas representações (como as de Anne Parillaud, Tchéky Karyo, Jean Reno, Jean-Hugues Anglade e Jeanne Moreau). Quem é que não se lembra do Victor? Uma personagem tão impactante que apesar de estar apenas 10 minutos em cena, parece que faz parte do filme todo? Só por este "pormenor" se percebe que se está a ver um bom filme... Mas para mim, a qualidade essencial é que tem de ser "adulto". E tem de ter algum "miolo"... É perceptível, isto do "miolo"?... Basicamente, tem de ter aquilo que falta em quase todos os grandes filmes de acção do momento. Senão, são só explosões e chapadas... Qualquer é o interesse disso?
Pela simplicidade, pela inovação, mas especialmente pela qualidade e intemporalidade, Nikita é altamente recomendado. ●●●●○
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Se há uma coisa que os serviços de streaming fazem melhor que qualquer outros "estúdios" é no campo dos documentários. Este Becoming Bond (da Hulu) é mais um desses exemplos e explora a história marada em torno do James Bond mais odiado mas ainda assim, talvez o mais emblemático e carismático de todos: George Lazenby. É um documento surpreendente (num misto de documentário e recriação [Josh Lawson, muito bem no papel de George]) que mostra que a realidade é sempre mais estranha que a ficção. Como é que um mecânico australiano e mais tarde modelo masculino de roupa, sem experiência absolutamente nenhuma como actor, foi escolhido para ser "o" James Bond, e ainda por cima para colmatar a saída de cena do "verdadeiro" Bond, Sean Connery? Não parece possível, mas foi exactamente isso que aconteceu... Revelações surpreendentes estão incluídas, como aquela em que Lazenby diz que após lhe terem oferecido um contrato de 1 milhão de dólares e a hipótese de protagonizar os próximos seis filmes do mais conhecido agente secreto de Sua Majestade, ele simplesmente recusou... porque teve um feeling que aquele não era o caminho que deveria percorrer...
Becoming Bond é um documentário obrigatório para todos os fãs do 007, com a presença ubíqua de Lazenby, the man himself... Vê-se muito bem. ●●●○○
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