Um astronauta de sentimentos bastante contidos aceita uma missão através do sistema solar para tentar descobrir a verdade sobre o desaparecimento do pai, 30 anos antes, assim como tentar travar uma ameaça estelar que põe em perigo o planeta Terra e a sobrevivência da Humanidade. A premissa não é má de todo, mas é o desenvolvimento do filme e a própria ambiência e ritmo que acabam por marcar negativamente este Ad Astra.
Apesar do título (uma referência em latim que se traduz qualquer coisa como "para as estrelas"), pouco há de verdadeiramente espacial para ver. É uma das muitas falhas do filme. É inegável a influência de Interstellar, mas que neste caso funciona apenas como uma espécie de cópia mais pobre. Apesar das parecenças, Ad Astra tem muito menos alma, apesar do moralismo omnipresente.
Brad Pitt, Tommy Lee Jones, Donald Sutherland e Ruth Negga compõe o casting principal mas não aquecem nem arrefecem. Aliás, nos últimos tempos, Brad Pitt - em tempos um bad boy irreverente e irrequieto - aparece sempre associado a personagens que nitidamente estão sob o efeito de tranquilizantes. Acho que está a tentar entrar noutro tipo de filmes mas sérios e dramáticos, mas também pode ser um coincidência. Ou então anda mesmo sob o efeito de tranquilizantes. Tommy Lee Jones quase não tem personagem nem tempo de antena para desenvolver convenientemente uma personagem, assim como Sutherland e Negga. A juntar a isto há um ritmo lentíssimo de filme que faz com que se torne desinteressante e que eu quase adormecesse em algumas alturas do filme.
Dito isto, Ad Astra pode parecer um péssimo filme, mas também não é assim tão mau. Eu é que tinha expectativas algo elevadas e a visualização saiu-me furada. Mas do que uma consideração profunda dos conflitos entre pai e filho, Homem e Deus, Ad Astra é mais uma perseguição lenta e solitária no espaço do que outra coisa, que ainda por cima tem final muito pouco satisfatório. Tem bons pormenores na realização (James Gray), um banda sonora melhor que média, o que ajuda a elevar um pouco o filme, mas no conjunto, Ad Astra acaba por se tornar inócuo e totalmente esquecível. Mais uma oportunidade desperdiçada... ●●○○○
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Não sou grande fã de Turner, mas não consigo resistir a um biopic sobre pintores. Normalmente têm histórias de vida surreais que dão sempre bons filmes. Turner não é excepção. Mr. Turner mostra os últimos anos de vida do excêntrico pintor inglês William Turner, as relações com a empregada de limpeza, a sua senhoria em Chelsea (onde acabaria por morrer) e os efeitos nefastos que sofreu após a morte do pai. Mostra também as suas viagens, as pinturas - e o modo particular de pintar -, a importância da luz e do realismo que empregava nas suas telas e a forma de lá chegar, ao ponto de se amarrar a um mastro de um navio para ver como seria realmente estar no meio de uma tempestade. Amado e odiado de alguma forma pelo público e pela aristocracia, Turner parece um alienado de qualquer realidade.
Tenho de admitir que não sendo fã do Turner deu-se uma sensação de desconhecimento tão grande em relação à personagem que me apeteceu logo ir a correr e comprar um livro para o conhecer melhor e à sua obra. Apercebi-me que um gajo do século XIX que pintava cenas trágico-marítimo se aproximou bastante dos pintores modernos como Mark Rothko, por exemplo. E não fui só eu. Aparentemente, após a exibição do filme, os seus quadros reaparecerem rejuvenescidos no mercado e começaram a ser leiloados atingindo os preços mais elevados de sempre.
Mas se o filme por um lado teve o condão de despertar-me a curiosidade pelo pintor, por outro quase que me entediou. Apesar da brilhante fotografia, tem um ritmo exageradamente lento e é obviamente longo demais. Mr. Turner podia ter sido um grande filme, mas assim é apenas um bom filmito de Mike Leigh, com uma grande - muito grande -, mas estranha interpretação de Timothy Spall. ●●○○○
Tenho de admitir que não sendo fã do Turner deu-se uma sensação de desconhecimento tão grande em relação à personagem que me apeteceu logo ir a correr e comprar um livro para o conhecer melhor e à sua obra. Apercebi-me que um gajo do século XIX que pintava cenas trágico-marítimo se aproximou bastante dos pintores modernos como Mark Rothko, por exemplo. E não fui só eu. Aparentemente, após a exibição do filme, os seus quadros reaparecerem rejuvenescidos no mercado e começaram a ser leiloados atingindo os preços mais elevados de sempre.
Mas se o filme por um lado teve o condão de despertar-me a curiosidade pelo pintor, por outro quase que me entediou. Apesar da brilhante fotografia, tem um ritmo exageradamente lento e é obviamente longo demais. Mr. Turner podia ter sido um grande filme, mas assim é apenas um bom filmito de Mike Leigh, com uma grande - muito grande -, mas estranha interpretação de Timothy Spall. ●●○○○
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