Quando se trata de filmes épicos há um que me preenche logo o cérebro: The Ten Commandments. Uma temática religiosa, a gigantesca histórica da vida de Moisés e até os 220 minutos de filme, acho que são os principais atributos para classificar uma verdadeira obra prima épica. 14.000 extras. 15.000 animais. Só a quantidade e o tamanho impressionam. E também torna muito difícil falar sobre o filme. A extensão, a complexidade, as implicações religiosas e a horda de técnicos e actores... É tanta coisa que o filme já tem a sua própria mitologia associada. É material que daria para encher vários livros... E depois ainda há a questão da transversalidade do público... Devido às constantes reposições, acho que dos 7 aos 700 anos, toda a gente já viu pelo menos uma vez o The Ten Commandments.
Toda a história se centra na mítica figura de Moisés e da libertação do povo judeu que se encontra escravizado pelos poderosos egípcios. A história é longa e complexa demais para ser aqui resumida, até porque tem muitas reviravoltas, mas vou tentar.... Após ter sido apanhado nas margens do Nilo, Moisés é adoptado pela irmã do Faraó e torna-se um dos príncipes do Egipto. No entanto, a história dá uma volta de 180 graus quando se descobre que as suas origens são judias e é expulso pelo novo Faraó, sendo encaminhado para uma morte certa no deserto... No caminho, Moisés encontra Deus que o incumbe de voltar ao Egipto para libertar os judeus da longa e penosa escravatura a que estiveram sujeitos...
A história é bíblica e como tal é naturalmente épica. E longa. Com uma história deste calibre na base, The Ten Commandments só poderia ocupar o panteão dos grandes filmes do cinema. Tudo aqui tem proporções enormes. Do tamanho gigante dos cenários ao número e qualidade dos actores. Charlton Heston, Yul Brynner, Anne Baxter, Edward G. Robinson, Yvonne De Carlo, Debra Paget, John Derek, Cedric Hardwicke, Nina Foch... a lista é interminável, tal é a quantidade de personagens que povoam esta história. Até Vincent Price e John Carradine aparecem por aqui. Mas entre todos há dois nomes que brilham com mais intensidade: Charlton Heston e Yul Brynner. Não consigo separar um do outro e a culpa será sempre deste filme. Sou um fã incondicional destes dois monstros do cinema. São duas lendas eternas. Juntamente com eles, há que destacar outra figura mítica: o produtor e realizador Cecil B. DeMille que festejou os seus 75 anos durante a filmagem, tornando-se na altura, o mais velho realizador em actividade. Este seria também o seu último filme, mas deixaria para trás uma carreira de 80 filmes (WTF?!) que ainda me esforço por arranjar e conseguir ver. Isto quer dizer que DeMille conseguiu fazer algo que mais nenhum realizador conseguiu: ter no seu último filme a sua maior e mais cara produção e ao mesmo tempo o maior sucesso de bilheteira da carreira. É obra. Não só o filme é mítico e os actores lendários como também o realizador é de outro calibre que não se encontra hoje em dia. Cecil B. DeMille sofreu um enfarte durante a produção. Foi ao hospital para ser tratado e voltou dois dias depois para completar o filme. Mítico é a única coisa que se pode dizer.
Como toda a gente já viu o The Ten Commandments (provavelmente mais que uma vez), acho que não vale muito a pena falar sobre o filme. Há muitos outros pormenores para além disso. Como por exemplo a voz omnipresente de Deus que não está creditada a nenhum actor. Apesar dos muitos efeitos que tornam a identificação quase impossível, ao longo dos anos tem-se especulado que o realizador ou o Charlton Heston tenham sido os donos da voz. Também se pode referir que na realidade, The Ten Commandments é um remake... do filme original de 1923 realizado por... Cecil B. DeMille.
Um outro pormenor que sempre adorei é a introdução que o próprio DeMille faz do filme, saindo de trás das cortinas para apresentar a história e questionar as pessoas: "O tema deste filme é se os homens devem ser governados pela lei de Deus ou pelos caprichos de ditadores como Ramsés. Serão os homens propriedade do estado ou serão almas livres perante Deus? Esta mesma dúvida e batalha continua ainda hoje em dia por todo o mundo. A nossa intenção não foi a de criar uma história, mas sim de ser dignos desta história divinamente inspirada, e que foi criada há três mil anos atrás. Esta história demorará três horas e trinta e nove minutos para se desenrolar. Haverá um intervalo. Obrigado pela vossa atenção." Uma apresentação deste género é verdadeiramente... épica.
Apesar de ser uma obra cinematograficamente intocável, não é absolutamente perfeito. Se os efeitos especiais (que são uma parte importante de todo o enredo) eram absolutamente bombásticos na altura e deixavam toda a gente de boca aberta, hoje deixam um sorriso melancólico quando vistos com olhos actuais. Nestes aspectos mais técnicos, obviamente ficou datado, mas até isso acaba por funcionar bem, porque lhe confere uma certa "antiguidade". Se os efeitos fossem muito mais "modernos" acho que até seria mais prejudicial. O problema não foram os efeitos, mas pequenas coisas espalhadas pelo filme. Não consigo deixar de mencionar que, por exemplo, no final, aquele envelhecimento muito mal concebido e aquelas barbas ostensivamente falsas e postiças do Moisés. São coisinhas minúsculas deste género, que não acho que mereçam ser muito pormenorizadas, mas que obviamente marcam-me. Até me sinto mal por estar a apontar isto a uma obra da dimensão de The Ten Commandments, mas a verdade é que alguns pequenos pormenores afectam negativamente a perfeição total do filme... Mas lá está, isto é estar a ver as coisas ao microscópio e ir ao mais ínfimo pormenor. Quando isto acontece é porque tudo o resto é mesmo muito bom e muito bem feito. Epicamente bem feito. The Ten Commandments é verdadeiramente a personificação do filme épico e garantiu consensualmente um lugar na história do cinema. É parte essencial do meu imaginário cinematográfico. Completamente obrigatório. ●●●●●
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Antonius Block (Max Von Sydow) é um cavaleiro que desembarca numa praia da Suécia após dez anos nas Cruzadas ao serviço da Igreja. Logo na chegada, encontra-se literalmente com a Morte que o desafia para um jogo de xadrez. O resultado final para o cavaleiro é simples: se ganhar, vive; se perder, morre. O jogo começa e vai-se desenrolado lentamente ao longo do filme. No caminho de regresso a casa, o que ele encontra é um país devastado pela Peste Negra. Antonius já tinha a sensação de ter desperdiçado uma vida inteira numa demanda sem sentido. Já tinha perdido a fé em Deus ao ver as atrocidades no campo de batalha. Mas agora, vendo o estado em que se encontra o seu país, com vilas inteiras destruídas pela peste e pela fome, questiona cada vez o papel de Deus na sociedade e a forma como a sociedade se socorre em Deus nas alturas mais desafortunadas. Neste caminho duro, ele e o seu fiel escudeiro encontram uma série de personagens (uma família de nómadas de circo, um casal com problemas matrimoniais e uma jovem que vai ser queimada na fogueira por ter tido contacto com Diabo). Percebendo que não vai conseguir ganhar o tal jogo de xadrez, Antonius arranja uma outra forma de enganar a Morte.
Em termos gerais, é esta a história do filme que os críticos unanimemente consideram uma obra-prima do cinema e muitos, como o melhor filme alguma vez feito. O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet, no título original) é um daqueles filmes sobre o qual não se pode apontar nada de mal. O que é errado. Permitam-me então discordar.
Apesar de ver muitos filmes, tenho obviamente a minha vidinha para fazer e não posso estar sentado o dia todo a analisar filmes. Para além disso, o acesso a filmes pré-anos 60 é bastante limitado. De uma forma quase geral, todos os filmes que vi reportam desde o meio dos anos 60 até aos dias de hoje. Isto quer dizer que me falta uma fatia gigantesca (e obviamente conhecimento técnico e crítico) de filmes para ver. A minha lista aumenta a cada dia, porque não é fácil para um amador como eu ter acesso aos filmes dos anos 20, 30 ou 40 por exemplo. E parece que não, mas isto é importante. A perspectiva muda e a forma de análise dos filmes muda bastante. Já notei isso quando comecei a alargar o leque de filmes para fora do espectro americano. Quer se queira quer não, o cinema americano é ubíquo e eu, como muita gente, durante muitos anos não tive contacto com filmes de outras origens. Por conseguinte, os filmes americanos eram os melhores do mundo... Até que comecei a ver outro tipo de filmes, de outros países, com outra língua, com outras temáticas e com aproximações radicalmente diferentes da dos americanos. Isso já mudou imenso a minha perspectiva. no entanto, o grosso do meu arquivo cinematográfico ainda continua a ser o cinema americano e ainda continua a ser o meu ponto de comparação.
Não tendo hipóteses de viajar no tempo para analisar se o filme teve um grande impacto na altura da estreia ou se foi revolucionário na forma de mostrar a história ou de qualquer outra forma, a única forma que tenho para balancear o impacto deste filme é comparar com outros filmes do mesmo período. Por exemplo em 1956 estreou The Ten Commandments, Invasion of the Body Snatchers e o Giant. No mesmo ano (1957), por exemplo há o Paths of Glory, o The Incredible Shrinking Man e Twelve Angry Men. No ano seguinte chegaram aos cinemas filmes como Touch of Evil, Cat on a Hot Tin Roof ou o Vertigo. Isto são só exemplos do que se fazia e se via na altura. Comparativamente... acho que nenhum dos anteriores filmes fica atrás do Sétimo Selo, e alguns aco que até são superiores. Portanto... como assim? Melhor filme de sempre? Não me parece.
Apesar de todos os bons pormenores, O Sétimo Selo não me impressionou. Foi mais um caso de expectativas artificialmente elevadas. Tem obviamente momentos brilhantes. Por exemplo, a cinematografia a preto e branco é muito boa. Tem momentos que, se se parasse a imagem, parecem obras de arte. A cena da marcha de penitentes que irrompe pela vila é absolutamente brilhante. Tem pormenores de realização que nitidamente foram copiados "n" de vezes em variadíssimos filmes futuros. A imagem icónica da Morte de capuz preto a jogar xadrez com Antonius na praia é de antologia. O grande suporte do filme é a lógica filosófica de que está revestido. Claro que está rodeado de grandes pensamentos filosóficos e questões humanas profundas. É um filme que nos deixa a pensar no assunto de Deus e da Morte durante algum tempo. Mas o desenvolvimento narrativo do filme em si não é assim tão profundo. As questões do cavaleiro são as mesmas que qualquer pessoa, a determinado ponto da vida, de uma forma ou outra, acaba por ter. Não é um pensamento assim tão radical. O que me parece é que O Sétimo Selo é um exercício de pensamento do próprio Ingmar Bergman. Uma forma de expiação. Uma procura de respostas. E a resposta implícita é de que não vale a pena recorrer a algo superior. A salvação está garantida, não porque se acredita num ser superior, mas pelo sacrifico pessoal e por actos solidários para com os outros. É assim que Antonius engana a Morte. Quer dizer, ele não engana a Morte para seu benefício, mas distraindo a Morte e salvando as outra pessoas. Acho que é nesta "resposta" em que me parece que O Sétimo Selo se torna intocável em termos de crítica: no mínimo é um filme agnóstico, no máximo é um filme ateu. Se o cavaleiro conseguisse enganar a Morte com recurso à devoção a Deus, o filme seria assim tão bem cotado por parte dos críticos? Aposto que não. Obviamente não tenho nada que segure esta minha opinião, mas é um feeling que tenho... Para além disso, e mais importante ainda, é que acho que ninguém querer ir contra o status que o filme já adquiriu. Basicamente ninguém quer dizer algo contrário ao que todos dizem há tantos anos. É por isso que há uma tão grande unanimidade na crítica do filme. Tentei encontrar críticas com menos de máxima cotação e é quase impossível. É algo que me atordoa. Não desgostei do filme e acho que tem muitas coisas excelentes. Mas tal como tudo na vida, tem de haver um equilíbrio e em O Sétimo Selo há outros pormenores para além dos bons, que lhe tiram valor. Ignorar esses aspectos é simplesmente falsear o resultado final. Lido assim, parece que O Sétimo Selo é um mau filme. Não é verdade. É um excelente filme, apenas não me "encheu as medidas". Tinha era que lhe apontar as falhas, já que por todo o lado, estão apenas as coisas boas. Se quiserem saber tudo o que de bom o filme tem, por favor, ler a crítica especializada.
Max Von Sydow faz um papel excepcional como Antonius Block. Mas até aqui tenho críticas a fazer, porque por contra-ponto, talvez o papel principal seja mesmo o de Gunnar Björnstrand, Jöns o escudeiro. É ele que tem as melhores deixas e parece que o filme está mais centrado no seu jargão filosófico do que propriamente nas questões existenciais de Antonuis ou na presença de Bengt Ekerot a representar a Morte. Diga-se que Bengt Ekerot aparece muito menos do que aquilo que se possa pensar. Acho até que tem um papel demasiado minúsculo para uma personagem que é tão central na história. Nils Poppe, Bibi Andersson e tal como tantos outros, têm papéis exigentes porque as personagens são demasiado teatrais. Aliás, a determinado ponto, O Sétimo Selo, mais que um filme, pareceu-me uma muito elaborada peça de teatro. Tenho de dizer que este tipo de aproximação e este tipo de representação não é nada do meu agrado.
Apesar de lhe reconhecer muitos méritos, O Sétimo Selo foi um pouco decepcionante. Anos e anos a ler críticas fantásticas que o classificavam "como o melhor filme alguma vez feito", elevaram demasiado a fasquia. Mais do que as grandes dúvidas existencialistas que (supostamente) o filme levanta, a grande marca do O Sétimo Selo é deixar uma mensagem que toda a gente já percebeu, que é intrínseca a todos os seres humanos, mas que (infelizmente) uma pessoa não dedica muito tempo a pensar: a Morte está sempre à espera. Chegar ao final do jogo é apenas uma questão de tempo. É uma inevitabilidade da própria vida. Por isso, aproveitem o tempo que resta e façam alguma coisa de bom com ela. ●●●●○
Em termos gerais, é esta a história do filme que os críticos unanimemente consideram uma obra-prima do cinema e muitos, como o melhor filme alguma vez feito. O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet, no título original) é um daqueles filmes sobre o qual não se pode apontar nada de mal. O que é errado. Permitam-me então discordar.
Apesar de ver muitos filmes, tenho obviamente a minha vidinha para fazer e não posso estar sentado o dia todo a analisar filmes. Para além disso, o acesso a filmes pré-anos 60 é bastante limitado. De uma forma quase geral, todos os filmes que vi reportam desde o meio dos anos 60 até aos dias de hoje. Isto quer dizer que me falta uma fatia gigantesca (e obviamente conhecimento técnico e crítico) de filmes para ver. A minha lista aumenta a cada dia, porque não é fácil para um amador como eu ter acesso aos filmes dos anos 20, 30 ou 40 por exemplo. E parece que não, mas isto é importante. A perspectiva muda e a forma de análise dos filmes muda bastante. Já notei isso quando comecei a alargar o leque de filmes para fora do espectro americano. Quer se queira quer não, o cinema americano é ubíquo e eu, como muita gente, durante muitos anos não tive contacto com filmes de outras origens. Por conseguinte, os filmes americanos eram os melhores do mundo... Até que comecei a ver outro tipo de filmes, de outros países, com outra língua, com outras temáticas e com aproximações radicalmente diferentes da dos americanos. Isso já mudou imenso a minha perspectiva. no entanto, o grosso do meu arquivo cinematográfico ainda continua a ser o cinema americano e ainda continua a ser o meu ponto de comparação.
Não tendo hipóteses de viajar no tempo para analisar se o filme teve um grande impacto na altura da estreia ou se foi revolucionário na forma de mostrar a história ou de qualquer outra forma, a única forma que tenho para balancear o impacto deste filme é comparar com outros filmes do mesmo período. Por exemplo em 1956 estreou The Ten Commandments, Invasion of the Body Snatchers e o Giant. No mesmo ano (1957), por exemplo há o Paths of Glory, o The Incredible Shrinking Man e Twelve Angry Men. No ano seguinte chegaram aos cinemas filmes como Touch of Evil, Cat on a Hot Tin Roof ou o Vertigo. Isto são só exemplos do que se fazia e se via na altura. Comparativamente... acho que nenhum dos anteriores filmes fica atrás do Sétimo Selo, e alguns aco que até são superiores. Portanto... como assim? Melhor filme de sempre? Não me parece.
Apesar de todos os bons pormenores, O Sétimo Selo não me impressionou. Foi mais um caso de expectativas artificialmente elevadas. Tem obviamente momentos brilhantes. Por exemplo, a cinematografia a preto e branco é muito boa. Tem momentos que, se se parasse a imagem, parecem obras de arte. A cena da marcha de penitentes que irrompe pela vila é absolutamente brilhante. Tem pormenores de realização que nitidamente foram copiados "n" de vezes em variadíssimos filmes futuros. A imagem icónica da Morte de capuz preto a jogar xadrez com Antonius na praia é de antologia. O grande suporte do filme é a lógica filosófica de que está revestido. Claro que está rodeado de grandes pensamentos filosóficos e questões humanas profundas. É um filme que nos deixa a pensar no assunto de Deus e da Morte durante algum tempo. Mas o desenvolvimento narrativo do filme em si não é assim tão profundo. As questões do cavaleiro são as mesmas que qualquer pessoa, a determinado ponto da vida, de uma forma ou outra, acaba por ter. Não é um pensamento assim tão radical. O que me parece é que O Sétimo Selo é um exercício de pensamento do próprio Ingmar Bergman. Uma forma de expiação. Uma procura de respostas. E a resposta implícita é de que não vale a pena recorrer a algo superior. A salvação está garantida, não porque se acredita num ser superior, mas pelo sacrifico pessoal e por actos solidários para com os outros. É assim que Antonius engana a Morte. Quer dizer, ele não engana a Morte para seu benefício, mas distraindo a Morte e salvando as outra pessoas. Acho que é nesta "resposta" em que me parece que O Sétimo Selo se torna intocável em termos de crítica: no mínimo é um filme agnóstico, no máximo é um filme ateu. Se o cavaleiro conseguisse enganar a Morte com recurso à devoção a Deus, o filme seria assim tão bem cotado por parte dos críticos? Aposto que não. Obviamente não tenho nada que segure esta minha opinião, mas é um feeling que tenho... Para além disso, e mais importante ainda, é que acho que ninguém querer ir contra o status que o filme já adquiriu. Basicamente ninguém quer dizer algo contrário ao que todos dizem há tantos anos. É por isso que há uma tão grande unanimidade na crítica do filme. Tentei encontrar críticas com menos de máxima cotação e é quase impossível. É algo que me atordoa. Não desgostei do filme e acho que tem muitas coisas excelentes. Mas tal como tudo na vida, tem de haver um equilíbrio e em O Sétimo Selo há outros pormenores para além dos bons, que lhe tiram valor. Ignorar esses aspectos é simplesmente falsear o resultado final. Lido assim, parece que O Sétimo Selo é um mau filme. Não é verdade. É um excelente filme, apenas não me "encheu as medidas". Tinha era que lhe apontar as falhas, já que por todo o lado, estão apenas as coisas boas. Se quiserem saber tudo o que de bom o filme tem, por favor, ler a crítica especializada.
Max Von Sydow faz um papel excepcional como Antonius Block. Mas até aqui tenho críticas a fazer, porque por contra-ponto, talvez o papel principal seja mesmo o de Gunnar Björnstrand, Jöns o escudeiro. É ele que tem as melhores deixas e parece que o filme está mais centrado no seu jargão filosófico do que propriamente nas questões existenciais de Antonuis ou na presença de Bengt Ekerot a representar a Morte. Diga-se que Bengt Ekerot aparece muito menos do que aquilo que se possa pensar. Acho até que tem um papel demasiado minúsculo para uma personagem que é tão central na história. Nils Poppe, Bibi Andersson e tal como tantos outros, têm papéis exigentes porque as personagens são demasiado teatrais. Aliás, a determinado ponto, O Sétimo Selo, mais que um filme, pareceu-me uma muito elaborada peça de teatro. Tenho de dizer que este tipo de aproximação e este tipo de representação não é nada do meu agrado.
Apesar de lhe reconhecer muitos méritos, O Sétimo Selo foi um pouco decepcionante. Anos e anos a ler críticas fantásticas que o classificavam "como o melhor filme alguma vez feito", elevaram demasiado a fasquia. Mais do que as grandes dúvidas existencialistas que (supostamente) o filme levanta, a grande marca do O Sétimo Selo é deixar uma mensagem que toda a gente já percebeu, que é intrínseca a todos os seres humanos, mas que (infelizmente) uma pessoa não dedica muito tempo a pensar: a Morte está sempre à espera. Chegar ao final do jogo é apenas uma questão de tempo. É uma inevitabilidade da própria vida. Por isso, aproveitem o tempo que resta e façam alguma coisa de bom com ela. ●●●●○
Um astronauta de sentimentos bastante contidos aceita uma missão através do sistema solar para tentar descobrir a verdade sobre o desaparecimento do pai, 30 anos antes, assim como tentar travar uma ameaça estelar que põe em perigo o planeta Terra e a sobrevivência da Humanidade. A premissa não é má de todo, mas é o desenvolvimento do filme e a própria ambiência e ritmo que acabam por marcar negativamente este Ad Astra.
Apesar do título (uma referência em latim que se traduz qualquer coisa como "para as estrelas"), pouco há de verdadeiramente espacial para ver. É uma das muitas falhas do filme. É inegável a influência de Interstellar, mas que neste caso funciona apenas como uma espécie de cópia mais pobre. Apesar das parecenças, Ad Astra tem muito menos alma, apesar do moralismo omnipresente.
Brad Pitt, Tommy Lee Jones, Donald Sutherland e Ruth Negga compõe o casting principal mas não aquecem nem arrefecem. Aliás, nos últimos tempos, Brad Pitt - em tempos um bad boy irreverente e irrequieto - aparece sempre associado a personagens que nitidamente estão sob o efeito de tranquilizantes. Acho que está a tentar entrar noutro tipo de filmes mas sérios e dramáticos, mas também pode ser um coincidência. Ou então anda mesmo sob o efeito de tranquilizantes. Tommy Lee Jones quase não tem personagem nem tempo de antena para desenvolver convenientemente uma personagem, assim como Sutherland e Negga. A juntar a isto há um ritmo lentíssimo de filme que faz com que se torne desinteressante e que eu quase adormecesse em algumas alturas do filme.
Dito isto, Ad Astra pode parecer um péssimo filme, mas também não é assim tão mau. Eu é que tinha expectativas algo elevadas e a visualização saiu-me furada. Mas do que uma consideração profunda dos conflitos entre pai e filho, Homem e Deus, Ad Astra é mais uma perseguição lenta e solitária no espaço do que outra coisa, que ainda por cima tem final muito pouco satisfatório. Tem bons pormenores na realização (James Gray), um banda sonora melhor que média, o que ajuda a elevar um pouco o filme, mas no conjunto, Ad Astra acaba por se tornar inócuo e totalmente esquecível. Mais uma oportunidade desperdiçada... ●●○○○
Apesar do título (uma referência em latim que se traduz qualquer coisa como "para as estrelas"), pouco há de verdadeiramente espacial para ver. É uma das muitas falhas do filme. É inegável a influência de Interstellar, mas que neste caso funciona apenas como uma espécie de cópia mais pobre. Apesar das parecenças, Ad Astra tem muito menos alma, apesar do moralismo omnipresente.
Brad Pitt, Tommy Lee Jones, Donald Sutherland e Ruth Negga compõe o casting principal mas não aquecem nem arrefecem. Aliás, nos últimos tempos, Brad Pitt - em tempos um bad boy irreverente e irrequieto - aparece sempre associado a personagens que nitidamente estão sob o efeito de tranquilizantes. Acho que está a tentar entrar noutro tipo de filmes mas sérios e dramáticos, mas também pode ser um coincidência. Ou então anda mesmo sob o efeito de tranquilizantes. Tommy Lee Jones quase não tem personagem nem tempo de antena para desenvolver convenientemente uma personagem, assim como Sutherland e Negga. A juntar a isto há um ritmo lentíssimo de filme que faz com que se torne desinteressante e que eu quase adormecesse em algumas alturas do filme.
Dito isto, Ad Astra pode parecer um péssimo filme, mas também não é assim tão mau. Eu é que tinha expectativas algo elevadas e a visualização saiu-me furada. Mas do que uma consideração profunda dos conflitos entre pai e filho, Homem e Deus, Ad Astra é mais uma perseguição lenta e solitária no espaço do que outra coisa, que ainda por cima tem final muito pouco satisfatório. Tem bons pormenores na realização (James Gray), um banda sonora melhor que média, o que ajuda a elevar um pouco o filme, mas no conjunto, Ad Astra acaba por se tornar inócuo e totalmente esquecível. Mais uma oportunidade desperdiçada... ●●○○○
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Neste novo episódio da série cinematográfica de Star Trek V: The Final Frontier, o capitão James T. Kirk e a tripulação da USS Enterprise (já me perdi na versão da nave, porque ela está sempre a ser destruída ou terrivelmente danificada [não me lembro se era a A ou C?!?... não interessa]) confrontam o vulcano renegado Sybok, que por acaso é meio-irmão do Spock, e que está numa demanda para chegar no centro da Via Láctea e assim encontrar Deus. Uaau! Isto já estava a caminhar para cenas assim um pouco para o malucas, para dizer o mínimo. É que lá se vão os conceitos de ficção científica e começam a drogas a bater... Digo eu. Não estou a dizer que eles se metiam em cenas psicadélicas e psicoactivo-coisos, mas que parece, parece... Desta vez, na cadeira de comando (a de realizador, não a da nave que essa já pouco interessava na altura...) estava o protagonista William Shatner, a seguir o exemplo de Leonard Nimoy. Mas Shatner não quis ficar atrás de Nimoy e também desenvolveu a história. Sybok, o vulcano que procura Deus mas acaba por encontrar "apenas" um ser alienígena é representado por Laurence Luckinbill, um actor relativamente desconhecido, o que encaixa perfeitamente bem no papel, pois a personagem também deveria ter ficado no desconhecimento. Não conheço a opinião de Gene Roddenberry sobre esta nova entrega, mas aposto que não deve ter gostado muito da história. Ou se calhar até gostou. Eu não gostei de certeza absoluta. Muito fraco a todos os níveis. ●○○○○
Contact começa com uma sequência inicial que é absolutamente genial: suga-nos directamente para os confins do Universo. Este é só um dos muitos pormenores de realização fantásticos - como a miúda que vem a correr em direcção à câmara e depois percebe-se que afinal é um reflexo no espelho - do excepcional mas sempre esquecido e menosprezado Robert Zemeckis.
Toda a parte técnica do filme está irreprensível como é comum nos filmes de Zemeckis: o som é excelente, especialmente o som criado para dar a impressão da "descoberta", os efeitos são muito bons, a montagem fluída consegue dar um andamento rápido a um filme que não é o típico de efeitos especiais/explosões/perseguições, e os actores, para além de serem muitos e bons, estão também muito bem dirigidos. Aliás, é uma mini-parada de estrelas: Jodie Foster, Matthew McConaughey, Tom Skerritt, Angela Bassett e James Woods, só para mencionar os mais conhecidos.
Contact conta a história do primeiro contacto extraterrestre à Humanidade. É uma história de Carl Sagan que curiosamente começou como um guião de cinema e que se acabou por transformar num livro. Mais tarde, daria este filme. Curioso, não? Tratado mais como ciência do que propriamente como ficção científica, Contact tem de facto um toque muito realista. Quase que parece que se fossemos mesmo contactados por extraterrestres, provavelmente a história iria desenrolar-se mais ou menos desta forma. Cientificamente falando, faz todo o sentido.
O argumento, brilhantemente escrito, baseia-se muito naquela observação do Carl Sagan que diz que "a ausência de evidências não é evidência de ausência". Por outro lado, Sagan também observou que "alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias". Isto basicamente é a premissa de base para a procura de vida extraterreste. Mas isto tem implicações graves. Porque imaginemos que se encontra mesmo vida extraterrestre inteligente. A acontecer, diga-se, deitaria por terra praticamente todas a religiões. Basta pensar que a maior parte delas, pelo menos as mais divulgadas, têm por base a criação original e exclusiva da Humanidade. Portanto se existirem extraterrestres, o conceito de Deus criador, exclusivo, que é como o conhecemos, deixa de fazer sentido, não é verdade? E se assim for, qual seria a lógica para continuarem a existir religiões?....
Mas por outro lado, pergunto eu: então e o conceito de Deus, não é explicado por esta mesma argumentação de Carl Sagan? Parece-me que o argumento funciona para os dois lados...
Contact é por isso, mais que um filme de ficção científica, um duelo teórico: quem acredita nos extraterrrestres? Quem acredita em Deus? Quais as provas mais objectivas de um e do outro lado? Algum dia existirão provas irrefutáveis da existência de um ou do outro? E se um dia, se provar alguma coisa, irá a fé sobrepor-se à ciência? Ou vice-versa?
Carl Sagan e Robert Zemeckis tentam puxar o cobertor para os dois lados, porque também existe uma inversão óbvia na argumentação. Por exemplo, no final, é o não crente no divino (o "crente científico" por assim dizer) que acaba por ficar desamparado, implorando aos outros que acreditem em algo sem provas físicas, pedindo que tenham fé... É a suprema ironia. É provar exactamente o mesmo veneno. Se não há provas científicas que comprovem um acontecimento, como é que as pessoas vão acreditar a não ser recorrendo a esses estranho fenómeno chamado de fé?
Contact é uma disputa teológica e filosófica, sem respostas definitivas ou peremptórias. É uma tentativa séria de fazer ficção científica baseada no rigor científico. Talvez seja esta a única falha: por um lado tem uma grande carga teórica (científica e até teológica), mas por outro tenta ser "acessível" demais. O que Zemeckis quis aqui é impossível: uma mistura de precisão cientifica e filme de bilheteira. Acaba por não ser nem uma coisa nem outra. Mas isto é apenas um pormenor crítico. Sem ser a derradeira obra de ficção científica, Contact é um dos grandes filmes de ficção científica que nunca perco a oportunidade de (re)ver. ●●●●○




