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From Dusk Till Dawn é um filme bónus, tipo 2 em 1: é meio filme tipo Tarantino, com gangsters marados em fuga da polícia, mais meio filme de terror/vampiros tipo... Robert Rodriguez?!... Bem, o R. Rodriguez sempre foi sanguinário, mas não me lembro de vampiros... Não interessa.
Este é um filme esquizoide. Tem uma primeira parte muito boa, onde nitidamente o Quentin Tarantino teve muito trabalho, apesar de supostamente só ter escrito o argumento. Depois passa inesperadamente para um filme de vampiros tipo série B. É estranho.
Vi-o praticamente quando estreou e não sabia que era com vampiros. Foi esquisito, mas acima de tudo foi uma grande surpresa. Hoje em dia é praticamente impossível que isto aconteça porque anos antes de um filme estrear, já meio mundo sabe tudo o que vai acontecer. Tenho pena. A surpresa era um factor importante do cinema. O efeito surpresa nos filmes parece que morreu... Pode ser que um dia ainda volte, tipo vampiro...
Os efeitos são do melhor que havia em 1996, mas isso não interessa para nada num série B. O elenco é excelente. Dificilmente se consegue juntar tanto e tão bom pessoal num só filme: George Clooney, Quentin Tarantino, Harvey Keitel, Juliette Lewis, Salma Hayek, os "típicos mexicanos" Cheech Marin e Danny Trejo (apesar de serem americanos de gema...), os "velhadas" Fred Williamson e John Saxon (Tarantino e Rodriguez nunca perdem a oportunidade de homenagear o pessoal que os inspirou) e até um outro realizador/gajo dos efeitos especiais, o quase lendário Tom Savini. ●●○○○



"This is Jack Burton in the Pork Chop Express, and I'm talking to whoever's listening out there".
Big Trouble in Little China é um filme velhinho, do tempo em que se faziam cartazes para promoção. Traduzido para português como Jack Burton nas Garras do Mandarim, é um daqueles filmes que (quase) tenho vergonha de gostar. É uma verdadeira obra-prima... do cinema de série B. Ou série C.
Na altura da estreia foi um fracasso total. Mas assim que chegou ao inovador mercado caseiro do VHS foi espectacular. John Carpenter estava no auge e Kurt Russell também, como grande herói de acção. Sim, Kurt Russell já foi novo e um dos grandes heróis de acção dos anos 80. E quando se fala 80's é preciso perceber que "estar no auge", quer dizer "estar em declínio". É uma coisa muito própria daquela década...
Pelo filme ainda aparecem algumas caras conhecidas como a Kim Cattrall, a boazona da série Sexo e a Cidade e James Hong, aquele actor americano que toda a gente pensa que é chinês. O mesmo vale para Victor Wong.
Na altura, para quem tinha mais de 10 anos, já foi um bocadinho mau, mas visto agora, parece uma anedota. Os efeitos especiais têm aspecto de amador, a história e o seu desenrolar é totalmente disparatada, as deixas são cómicas de tão ridículas. Se calhar por isso mesmo, os actores parece que estavam numa comédia ou numa sátira ao género acção/fantástico com laivos de filme de artes marciais, muito em voga na altura.
A classificação é totalmente parcial e é mais baseada no saudosismo que outra coisa. É o factor "saudade" a funcionar. Gosto mais do filme pelo facto de se notar o quanto John Carpenter gosta de fazer filmes, do que do filme propriamente dito. Big Trouble in Little China é um daqueles filmes que acaba por ser bom de tão mau que é. Como obra cinematográfica pode não valer nada, mas tem imenso valor sentimental. ●●●○○

Por vezes dá-me para ver filmes ostensivamente maus. Nomeadamente os mais antigos. Filmes que vi quando era miúdo e que na altura ficava maravilhado. É o que dá ter 15 anos (ou menos) e ainda não ter visto nenhumas das obras primas do mundo do cinema. Tenho um gosto especial em rever velharias e perceber como eu próprio evoluí em termos de gosto e apreciação cinematográfica.
Um canal de cinema por cabo fez uma retrospectiva do mítico John Carpenter. Por isso, tive a oportunidade de (re)ver alguns dos clássicos do suspense. Um dos filmes foi o Assalto à 13.ª Esquadra. Tenho de admitir que quando o vi pela primeira vez - há décadas atrás - pareceu-me muito melhor. Francamente, agora parece-me um filme amador. Se este filme ainda tem algum valor, ele vem directamente daquele sítio estranho chamado nostalgia. Mas apesar de tudo, o esqueleto do filme é bom. Tem uma história tão simples que acaba por funcionar, e pouco mais que alguns pormenores interessantes de realização. Por isso mesmo, não é de estranhar que Hollywood tenha pegado no esqueleto e tenha feito um remake com nova carne e actores conhecidos que levem pessoas aos cinemas. Ainda não vi este remake, mas desconfio que será muito difícil piorar o original do Carpenter.
Curiosamente, revi mais ou menos na mesma altura outro "clássico" de série B, que nada tem que ver com este: Cyborg, com Jean-Claude Van Damme. É o filme típico de artes marciais que precisa de uma história de vingança que "segure" o máximo possível de proezas de pancadaria. Este, em particular, mistura vingança, ficção científica (futuro apocalíptico derivado dum vírus incontrolável e um cyborg com a cura) e obviamente altas doses de porrada. Apesar do filme ser também muito mau e não passar duma enorme colagem de clichés dos "filmes de porrada e explosões" custa-me a perceber porque é que ainda ninguém se lembrou de fazer o "obrigatório" remake. Com um ou dois actores de renome e a disponibilidade dos efeitos digitais de hoje em dia, este seria mais um blockbuster.
Em termos de filmes, acredito que todos têm algo de bom. Nem que seja para aproveitar a história e lhe dar um novo fôlego. No pior dos casos, uma pessoa pode ser aprender o que não se deve fazer num filme...

 
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