0243 Last Days

As frases seguintes estão na parte de trás da edição em DVD de Last Days: "É um filme sobre as últimas horas de uma estrela rock, dedicado ao maior ícone do movimento grunge, Kurt Cobain, líder dos Nirvana". É verdade, concordo. Diz também que "...é a evocação dos últimos dias de Cobain e é também um dos melhores filmes de rock da história". Bem, aqui já não concordo nada. Não concordo sequer que seja um filme sobre rock, nem que seja bom. Aliás, nem sequer é um filme sobre Kurt Cobain, mas antes uma personagem ficcional (Blake) muito, muito parecida, um "cliché do rock & roll", ou seja, o gajo adorado por todos, mas detestado por ele próprio e que acaba por se suicidar jovem para se tornar numa lenda intemporal.
Vou ser directo: não gostei nada de Last Days. É um filme sobre a solidão e depressão de um gajo que por acaso é uma sósia do Cobain e que também tem como actividade profissional ser músico. É excessivamente pesado, introspectivo e lento. É quase como estar a ver alguém a meditar.
Gosto muito do Gus Van Sant. É um dos meus realizadores de referência, mas depois de ver o Last Days não consegui deixar de ficar com a sensação de ter sido enganado. Fiquei com ideia de que só fez o filme para aproveitar o público que gosta dos Nirvana.
Mas o meu principal problema com este filme, é que não percebi a lógica criativa por trás. Se não queria fazer um biopic do Cobain, porquê fazer uma personagem exactamente igual, que se comporta da mesma forma, mas que não é o Cobain? E porquê o elaborar de uma história que não é a verdadeira, mas que termina da mesma forma, com o mesmo desfecho conhecido? Acho que esta é uma forma muito errada de fazer um filme, mas principalmente de contar uma história. Ou é verdadeira ou é ficcional. Acho que não se deve misturar as duas facetas na mesma história, principalmente quando ela direcionada para os muitos fãs da personagem verdadeira. Fiquei muito decepcionado quando o vi, até porque na altura foi divulgado como um filme sobre os últimos dias do Kurt Cobain.
Apesar disto tudo, Gus Van Sant continua a ser muito bom atrás das câmaras, se bem que para mim exagerou um bocadito no quão longos os planos podem ser. Confirmei também o Michael Pitt como um bom actor, com muito crazy eye. Também por lá andam o Lukas Haas, a Asia Argento e até a Kim Gordon dos Sonic Youth. De resto, nada mais se destaca. ●●○○○

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