It Might Get Loud é um documentário sobre três gerações de guitarristas. O "novo" Jack White, o "velho" The Edge e a "lenda" Jimmy Page. Apesar de não ser uma referência na área dos documentários, é uma excelente oportunidade para entrar na cabeça destes três guitarristas. Na parte do documentário propriamente dito, não há muito a dizer. Está muito bem feito, muito bem montado e nota-se que tem uma gigantesca produção por trás. A recolha de informação e a construção do background destes três artistas é muito boa. Do ponto de vista técnico é irrepreensível. Para mim só peca é por defeito, mas não é um problema do documentário em si. É muito restritivo mas é totalmente compreensível. Nota-se que a lógica foi tentar abarcar um período grande o suficiente para poder mostrar o mais possível do fantástico instrumento que é a guitarra eléctrica. Compreendo perfeitamente. Para demonstrar o desenvolvimento artístico ao longo dos tempos e de, pelo menos, os intérpretes mais reconhecidos, o mínimo que se poderia fazer era uma série com para aí uns 20 episódios. O problema não está no documentário propriamente dito, o problema é que a guitarra eléctrica já tem demasiada história para poder condensar em apenas 90 minutos. Se Davis Guggenheim (que já tem no currículo o excelente An Inconvenient Truth) fizesse uma série de documentários, sempre com três "convidados", teria material de trabalho para muitos anos. Mas também seria necessário que os intervenientes quisessem participar e, também, obviamente, que estivessem vivos. É por isso que me soube a pouco.
Para quem gosta de rock and roll, para quem gosta de uma grande guitarrada, para quem gosta do som da guitarra eléctrica, das distorções e dos efeitos das pedaleiras, este é um dos documentários obrigatórios. Como gosto de White Stripes, U2 e especialmente de Led Zeppelin, foi um gosto enorme ver este It Might Get Loud. Gosto das guitarradas meio punk, meio blues do Jack White, da mesma forma como gosto do som extremamente polido e agudo do The Edge... mas nada bate o velho mestre Jimmy Page. E poder vê-lo ainda a dar umas guitarradas valentes é um privilégio. E a parte em que Page está a curtir o Rumble On de Link Wray... é um momento simplesmente brilhante.
Para mim, a grande vantagem dos documentários em relação ao cinema convencional é que se aprendem mesmo coisas. Factos, quero eu dizer. Os documentários abrem horizontes e aguçam a curiosidade. É outro tipo de cinema, mas para mim é cinema na mesma. Aprendi mais uma série de coisas sobre guitarras e guitarristas, e aumentei substancialmente o meu leque de história, músicos e músicas de rock and roll. Nem que fosse só por isso, já valeu a pena. Muito bom. ●●●●○
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Five Foot Two é um documentário em torno da figura excêntrica da Lady Gaga. Vê-se bem e permite entrar no mundo da actual diva da pop, mas que se nota que está tão cansada de o ser que tenta ser outra coisa diferente... como uma simples autora e cantora. Vale pela intimidade e por se ficar a conhecer a pessoa para lá do fogo-de-artifício, das vestimentas extravagantes e das lantejoulas explosivas. Pode ser uma surpresa para muitos, mas Lady Gaga é uma moça que gosto. Para lá dos vestidos de bife e das coreografias MTV, tem um lado estranhamente rock/punk (faz-me lembrar os antigos performers polémicos e os glam rockers) que não é totalmente descartável. Tem ali um crazy eye qualquer que me atrai... É estranho. Para um gajo do rock/industrial/punk e das guitarradas intermináveis como eu, isto é algo que não consigo explicar muito bem.
O que sinto em relação aos filmes é muito parecido com o que sinto em relação à música. O hitzinho de verão, feito à medida para se ouvir bem em esplanadas ao final do dia, não entram nesta cabeça. A música romântica destinada a todos aqueles que tiveram um recente desgosto de amor, ou o grande musicol techno/DJ do momento... não...não... isso aqui não cola. Mesmo.
E apesar de ter uma aversão natural ao pop (porque normalmente é tratado como um produto de consumo e é usualmente algo falso, concebido em laboratório para satisfazer o cliente final, como quem afina o picante das batatas fritas com sabor a churrasco texano...), não desdenho imediatamente a música que vem daí. Grandes temas, muitos intemporais, são puro pop e eu "consumo-os" como toda a gente. Mas não porque têm um ritmo dançável, são divertidos ou porque toda a gente ouve e dá incessantemente na rádio. Ouço sim, porque são fixes, são boas boas músicas e porque ficam no tempo. Tento sempre seleccionar as que me parecem totalmente "verdadeiras". No caso da Lady Gaga, sempre me pareceu que por baixo daquela sonoridade liminarmente pop, havia música verdadeira. Em certa parte, este documentário vem confirmar a minha suspeita. Por exemplo, há por lá uma versão acústica do mega-hit "Bad Romance" que é totalmente o oposto da versão pop dançável. Se aquela tivesse sido a versão original, seguramente não tinha tido a projeção e divulgação que teve... Dá que pensar.
Five Foot Two incide num período em que Lady Gaga lança um novo álbum - diferente do habitual, com muita sonoridade country e uma atitude mais adulta - e simultaneamente prepara o show no intervalo no Super Bowl, que na América é o Santo Graal da performance em palco.
O documentário de Chris Moukarbel está bem engendrado mas não é nada de especial, porque não tem muito conteúdo. É um filme feito à medida. Para lá do lado pessoal, pareceu-me mais um grito de revolta do que outra coisa. É quase um documento do culminar de carreira como entertainer para teenagers e a tentativa de dar o salto para um público adulto. Sinceramente, acho que está a conseguir, até porque já ganhou prémios com músicas "normais" e porque deu o salto para o cinema com bons resultados na crítica. (ainda me falta ver o filme...) As composições são boas (mesmo as mais pop) e a moça até canta bem. Só falta mesmo assumir o nome Stefani Germanotta para se libertar de vez do antigo ícone pop, mas acho que o nome é tão valioso que isso nunca vai acontecer. Mas quem sabe? ●●○○○
O que sinto em relação aos filmes é muito parecido com o que sinto em relação à música. O hitzinho de verão, feito à medida para se ouvir bem em esplanadas ao final do dia, não entram nesta cabeça. A música romântica destinada a todos aqueles que tiveram um recente desgosto de amor, ou o grande musicol techno/DJ do momento... não...não... isso aqui não cola. Mesmo.
E apesar de ter uma aversão natural ao pop (porque normalmente é tratado como um produto de consumo e é usualmente algo falso, concebido em laboratório para satisfazer o cliente final, como quem afina o picante das batatas fritas com sabor a churrasco texano...), não desdenho imediatamente a música que vem daí. Grandes temas, muitos intemporais, são puro pop e eu "consumo-os" como toda a gente. Mas não porque têm um ritmo dançável, são divertidos ou porque toda a gente ouve e dá incessantemente na rádio. Ouço sim, porque são fixes, são boas boas músicas e porque ficam no tempo. Tento sempre seleccionar as que me parecem totalmente "verdadeiras". No caso da Lady Gaga, sempre me pareceu que por baixo daquela sonoridade liminarmente pop, havia música verdadeira. Em certa parte, este documentário vem confirmar a minha suspeita. Por exemplo, há por lá uma versão acústica do mega-hit "Bad Romance" que é totalmente o oposto da versão pop dançável. Se aquela tivesse sido a versão original, seguramente não tinha tido a projeção e divulgação que teve... Dá que pensar.
Five Foot Two incide num período em que Lady Gaga lança um novo álbum - diferente do habitual, com muita sonoridade country e uma atitude mais adulta - e simultaneamente prepara o show no intervalo no Super Bowl, que na América é o Santo Graal da performance em palco.
O documentário de Chris Moukarbel está bem engendrado mas não é nada de especial, porque não tem muito conteúdo. É um filme feito à medida. Para lá do lado pessoal, pareceu-me mais um grito de revolta do que outra coisa. É quase um documento do culminar de carreira como entertainer para teenagers e a tentativa de dar o salto para um público adulto. Sinceramente, acho que está a conseguir, até porque já ganhou prémios com músicas "normais" e porque deu o salto para o cinema com bons resultados na crítica. (ainda me falta ver o filme...) As composições são boas (mesmo as mais pop) e a moça até canta bem. Só falta mesmo assumir o nome Stefani Germanotta para se libertar de vez do antigo ícone pop, mas acho que o nome é tão valioso que isso nunca vai acontecer. Mas quem sabe? ●●○○○
Labels:
2017,
adulto,
álbum,
América,
Chris Moukarbel,
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Five Foot Two,
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Stefani Germanotta,
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As frases seguintes estão na parte de trás da edição em DVD de Last Days: "É um filme sobre as últimas horas de uma estrela rock, dedicado ao maior ícone do movimento grunge, Kurt Cobain, líder dos Nirvana". É verdade, concordo. Diz também que "...é a evocação dos últimos dias de Cobain e é também um dos melhores filmes de rock da história". Bem, aqui já não concordo nada. Não concordo sequer que seja um filme sobre rock, nem que seja bom. Aliás, nem sequer é um filme sobre Kurt Cobain, mas antes uma personagem ficcional (Blake) muito, muito parecida, um "cliché do rock & roll", ou seja, o gajo adorado por todos, mas detestado por ele próprio e que acaba por se suicidar jovem para se tornar numa lenda intemporal.
Vou ser directo: não gostei nada de Last Days. É um filme sobre a solidão e depressão de um gajo que por acaso é uma sósia do Cobain e que também tem como actividade profissional ser músico. É excessivamente pesado, introspectivo e lento. É quase como estar a ver alguém a meditar.
Gosto muito do Gus Van Sant. É um dos meus realizadores de referência, mas depois de ver o Last Days não consegui deixar de ficar com a sensação de ter sido enganado. Fiquei com ideia de que só fez o filme para aproveitar o público que gosta dos Nirvana.
Mas o meu principal problema com este filme, é que não percebi a lógica criativa por trás. Se não queria fazer um biopic do Cobain, porquê fazer uma personagem exactamente igual, que se comporta da mesma forma, mas que não é o Cobain? E porquê o elaborar de uma história que não é a verdadeira, mas que termina da mesma forma, com o mesmo desfecho conhecido? Acho que esta é uma forma muito errada de fazer um filme, mas principalmente de contar uma história. Ou é verdadeira ou é ficcional. Acho que não se deve misturar as duas facetas na mesma história, principalmente quando ela direcionada para os muitos fãs da personagem verdadeira. Fiquei muito decepcionado quando o vi, até porque na altura foi divulgado como um filme sobre os últimos dias do Kurt Cobain.
Apesar disto tudo, Gus Van Sant continua a ser muito bom atrás das câmaras, se bem que para mim exagerou um bocadito no quão longos os planos podem ser. Confirmei também o Michael Pitt como um bom actor, com muito crazy eye. Também por lá andam o Lukas Haas, a Asia Argento e até a Kim Gordon dos Sonic Youth. De resto, nada mais se destaca. ●●○○○
Vou ser directo: não gostei nada de Last Days. É um filme sobre a solidão e depressão de um gajo que por acaso é uma sósia do Cobain e que também tem como actividade profissional ser músico. É excessivamente pesado, introspectivo e lento. É quase como estar a ver alguém a meditar.
Gosto muito do Gus Van Sant. É um dos meus realizadores de referência, mas depois de ver o Last Days não consegui deixar de ficar com a sensação de ter sido enganado. Fiquei com ideia de que só fez o filme para aproveitar o público que gosta dos Nirvana.
Mas o meu principal problema com este filme, é que não percebi a lógica criativa por trás. Se não queria fazer um biopic do Cobain, porquê fazer uma personagem exactamente igual, que se comporta da mesma forma, mas que não é o Cobain? E porquê o elaborar de uma história que não é a verdadeira, mas que termina da mesma forma, com o mesmo desfecho conhecido? Acho que esta é uma forma muito errada de fazer um filme, mas principalmente de contar uma história. Ou é verdadeira ou é ficcional. Acho que não se deve misturar as duas facetas na mesma história, principalmente quando ela direcionada para os muitos fãs da personagem verdadeira. Fiquei muito decepcionado quando o vi, até porque na altura foi divulgado como um filme sobre os últimos dias do Kurt Cobain.
Apesar disto tudo, Gus Van Sant continua a ser muito bom atrás das câmaras, se bem que para mim exagerou um bocadito no quão longos os planos podem ser. Confirmei também o Michael Pitt como um bom actor, com muito crazy eye. Também por lá andam o Lukas Haas, a Asia Argento e até a Kim Gordon dos Sonic Youth. De resto, nada mais se destaca. ●●○○○
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2005,
Asia Argento,
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depressão,
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grunge,
Gus Van Sant,
Kim Gordon,
Kurt Cobain,
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Lukas Haas,
Michael Pitt,
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rock,
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suicídio
Quando vi este filme, lembrei-me logo de um slogan muito popular há uns anos: "Punk is not dead". Percebo que este seja um slogan que só faz sentido para pessoas que viveram nos finais dos 70's/princípios de 80's e que assistiram à "morte" do movimento e da música punk. Para mim, obviamente, nunca fez muito sentido. Mas agora entro numa fase do "Rock is not dead" e começo a perceber perfeitamente o significado do slogan original.
Tinha por isso muita expectativa com este Rock of Ages. Sabia que era escrito pelo Justin Theroux, tinha visto umas imagens (aparentemente boas) com o Tom Cruise... e pouco mais.
Estou tão chateado que não me vou alongar: é uma magistral desilusão. Até em termos musicais, conseguiram arruinar o filme, que mais parece uma mistura de filme musical de Disney com uma paródia à música dos anos 80. Não é admirar: Adam Shankman é realizador de musicais e filmes light, tipo Disney. É que nem Catherine Zeta-Jones, nem Alec Baldwin e nem Paul Giamatti conseguem salvar isto. Devia ter investigado mais e devia-me ter ficado apenas pela expectativa...
Quase que me leva a acreditar que de facto "Rock is dead"... ●○○○○
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2012,
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comédia,
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Tom Cruise
Vamos por partes: como documentário, Queen - Days of our lives, é um pouco fraco; é mais produção que outra coisa, o que também é importante. Mas é praticamente só isso. Como repositório da história, de material e da música dos Queen é excelente. E isso basta. A banda sonora (da que é provavelmente a melhor banda rock de todos os tempos) é simplesmente... do melhor. Está lá toda a gente, desde os primeiros tempos da banda até ao presente. Destaque óbvio para Brian May, Roger Taylor e claro, Freddie Mercury, que é sem dúvida nenhuma o melhor performer rock de sempre e uma das melhores vozes que já apareceram neste planeta. ●●●●○
Labels:
2011,
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documentário,
Freddie Mercury,
música,
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Queen - Days of our lives,
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