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Durante muitos anos ouvi e li sobre este The Omen. Era suposto ser um filme terrorífico... mas não é. Este é um dos problemas de ver os filmes fora de tempo. Em 1976 imagino que deve ter gerado um escândalo do tamanho do mundo. Mas agora, no contexto actual, admito que perdeu um pouco de "poder de fogo"...
The Omen conta uma história bizarra. O embaixador americano em Roma (Gregory Peck) e a esposa (Lee Remick) têm uma vida do melhor que a vida tem para oferecer. Mas falta-lhes algo muito importante: um filho. Há muito tempo que pensam ter filhos, mas parece que nunca se vai tornar realidade, por motivos vários. Mas um dia lá acaba por acontecer e a Katharine vai finalmente ter o tão desejado filho. No entanto, a criança morre à nascença no hospital e Robert em desespero decide seguir a sugestão de um padre e adoptar uma criança nascida exactamente no mesmo momento, mas cuja mãe morreu em trabalho de parto. Mas para complicar todo este assunto, Robert omite essa importante parte à esposa...
Depois de se mudarem para Londres, estranhos acontecimentos começam a persegui-los. Para piorar ainda mais a situação, Robert começa a ser perseguido por um padre que sabe da situação da troca dos bebés e lhe confidencia que o seu filho, é nada mais nada menos que o próprio Anticristo...
Richard Donner realizou um dos grandes filmes de terror de sempre. E é tudo por causa da história que é mesmo totalmente bizarra. Será que a criança é mesmo o Anticristo? Será que o embaixador estará apenas a alucinar? A paranóia e dúvida são constantes até determinado ponto do filme. É um retrato realista de uma família em crise e à beira de um ataque de nervos. A atmosfera muda completamente quando se percebe que toda aquela história estranha é mesmo verdade e aí o filme torna-se numa perseguição até à morte. The Omen tem uma constante aura carregada e vai-se tornando cada vez mais alucinante até culminar naquele momento icónico de termos o pai, num altar a sacrificar o filho possuído... Será que ele consegue ter força mental suficiente para matar mesmo o miúdo?...
Talvez o melhor do filme esteja mesmo na parte final e naquele sorriso verdadeiramente maléfico de Damien. Mas curiosamente, na versão original do argumento a história termina de forma diferente. Foi a MPAA (Motion Picture Association of America, que durante muito tempo foi a responsável pelos ratings etários dos filmes e por tabela "mandava" nos filmes) que decidiu que o final original era demasiado chocante... e que deveria acabar como aparece na versão final. Não deixa de ser irónico pensar que se o bem vence é chocante, mas é totalmente aceitável que o mal triunfe... Estranho, não é? ●●●○

P.S. Sempre que se fala neste tipo de filmes de terror, mais espiritual, parece que têm sempre uma maldição associada para além da sua mitologia sinistra. Acredite quem quiser... Gregory Peck e o argumentista David Seltzer foram atingidos por raios nos seus aviões quando voltavam para filmagens no Reino Unido.... O produtor Harvey Bernhard quase foi atingido por um raio em Roma... Os rottweilers que foram usados no filme atacaram violentamente os seus próprios tratadores... O hotel onde Richard Donner estava hospedado foi bombardeado pelo IRA... e para além disso foi atropelado nas filmagens... Depois das filmagens, Gregory Peck ia para Israel de avião, mas teve de cancelar a viagem. O avião onde deveria ir cai e não houve sobreviventes... No primeiro dia de filmagens, várias pessoas envolvidas na rodagem do filme sobreviveram a um acidente grave de carro. Já na pós-produção do filme, John Richardson dos efeitos especiais, teve também um acidente de carro grave, e a namorada foi decapitada... É a velha questão... Não acredito nas bruxas, mas...
Season of the Witch é um daqueles filmes que me confundiu. Nicolas Cage interpreta o papel de um cruzado que se arrepende do que fez ao serviço da igreja e abandona os Templários... Espera... Isto não é o Outcast?! Onde é que está o moço do Star Wars?!? Não estava a perceber nada... Afinal era outro filme... Mas apesar do começo ser praticamente igual, este filme deriva para o tema da bruxaria, da Idade média e da Peste Negra... E ainda bem. Apesar de não ser um bom filme, acaba por escapar. Tem ali uma desconexão persistente que depois vim a aperceber que era o resultado de extensos re-shoots. Pelo que li, a realização original esteve ao serviço de Dominic Sena, mas como o resultado final não satisfez o estúdio, Brett Ratner foi chamado para refilmar novas cenas e salvar o filme. Curiosamente, tanto um como outro são conhecidos do meio dos vídeo-clips. Quando este tipo de coisas acontecem, há sempre algo que fica no filme que soa a estranho. Não consigo explicar, mas parece que fica para trás uma espécie de incoerência subliminar. É uma coisa minha... Season of the Witch tem aqui e ali um ou outro bom pormenor, mas é monocórdico e previsível. Mas no geral não é insultuoso para o cérebro. Os actores são bons e até são eles que salvam a coisa (Ron Perlman, Claire Foy e um grande senhor chamado Christopher Lee, que apesar de ter props e aparecer apenas em 3 minutos de cenas, tem a personagem mais memorável do filme). Entra por um lado e sai pelo outro, mas vê-se sem chatear. ●○○○○

A história de Frankenstein é daquelas tão fantasticamente boas que irão andar sempre por aí. Não vale a pena contornar o assunto. Remake, remake, remake. Os estúdios são empresas que vendem cinema e precisam de fazer dinheiro e ter lucros. Isto quer dizer que inevitavelmente irão aparecer versões de filmes repetidamente, que não são mais do que acessórios de bilheteira. São pensados para única e exclusivamente venderem bilhetes, naquela altura específica, para aquele público específico. Compreendo perfeitamente este esquema. Deixa de ser cinema para ser um produto de consumo, como as pipocas. E este é o caso de I, Frankenstein. Uma grande produção de efeitos especiais, explosões e "super-heróis"... Sim, porque hoje em dia, se um filme de acção não tiver super-heróis, quem é que vai vê-lo? Como o modelo de vampiros contra lobisomens já estava um pouco esgotado na altura, aqui o "novo" modelo é ter demónios contra gárgulas... É verdade... Gárgulas. E pelo meio deles, no meio da confusão e dos estilhaços digitais, anda um sexy e musculado Frankenstein que para além de ser um super-herói, também é mestre em artes marciais. Stuart Beattie realiza, Bill Nighy intrepreta bem como sempre, e Aaron Eckhart dá alguma credibilidade à cena. E está tudo dito... Fico à espera de uma nova versão da brilhante, mas regularmente desprezada e maltratada história de Frankenstein. Isto é um produto já de 2014, portanto não deve falta muito para aparecer outra versão... ●○○○○

The Dark Tower... vê-se. Não é cansativo, mas é a mesma formula antiga "Stephen King" em que uma criança com "shining" é perseguida pelas suas visões, mas agora com a novidade de universos paralelos, demónios e pistoleiros em risco de extinção.
É perfeitamente suportável, mas é algo já muito visto e explorado, até mesmo pelo próprio "king". Dois excelentes actores (Matthew McConaughey e Idris Elba) e um miúdo (Tom Taylor) sem muito carisma, aguentam perfeitamente bem este filme de acção com uns pózinhos místicos. Em alguns momentos, quase parecia que estava a ver um "filme de natal"... Isso nunca é bom.. Totalmente "esquecível". ●○○○○

Numa floresta encantada, um jovem (Tom Cruise, numa fase inicial da carreira e ainda com os dentes originais) tenta conquistar o coração da sua amada (Mia Sara), ao mesmo tempo que tem de enfrentar um poderoso demónio chamado Darkness (um irreconhecível Tim Curry), para impedir que este mergulhe toda a Humanidade na escuridão eterna. Pelo meio há unicórnios, elfos, goblins (nunca percebi a diferença...) e todo o tipo de criaturas fantasmagóricas e fantásticas. Legend é um filme pouco conhecido de Ridley Scott, mas do qual gosto imenso. Não é muito conhecido pois é do início da carreira do realizador e na altura, foi um flop enorme. Ridley Scott tinha acabado de realizar dois dos mais icónicos filmes de ficção cientifica de todos os tempos (Alien e Blade Runner) e portanto esta passagem para a fantasia/aventura seria sempre um fracasso. Este novo filme, teria de ser absolutamente espectacular para no mínimo equivaler aos dois portentos anteriores. Não foi o caso e percebe-se bem porquê.
Alguns filmes não estão destinados ao sucesso. Verdade seja dita, Legend tem alguns problemas. Vá lá, muitos problemas. Primeiro, já lhe vi 3 versões diferentes, com durações, enquadramentos e até bandas sonoras diferentes. Segundo, tem um argumento e personagens demasiado básicas: é uma história linear dum confronto do bem contra o mal em que as personagens ou são "boas" ou são "más", não tendo nenhum tipo de nuance. Terceiro, estranhamente está, por assim dizer, num limbo geracional: nem é um filme para crianças, nem para adultos; é demasiado negro para crianças e demasiado infantil para adultos. Ou seja, acabou por ficar sem público. Por último, li que Legend esteve originalmente para ser um filme de terror, e em alternativa, até um filme de acção. Percebe-se que este foi um projecto que desde o início não esteve bem definido. Há uma certa sensação de incongruência durante o filme todo. Parece que ninguém sabia muito bem o que fazer, nem a direcção que o filme levaria. Estas são as razões negativas, mas também tem um lado positivo.
A fotografia é absolutamente genial e provavelmente Ridley Scott teve aqui a sua melhor prestação atrás de uma câmara. Nunca vi um filme que retratasse aquele tom de "conto de fadas" tão bem como este. É das melhores criações de um mundo fantástico que já vi em cinema. As imagens são absolutamente maravilhosas e mágicas. E sem recurso ao CGI! É tudo verdadeiro e feito com cenários e truques de câmara. É verdadeiramente fantástico, parece que tem uma atmosfera própria. Além disso, tem excelentes criaturas e personagens originais, se bem que, lá está, não tenham grande "conteúdo". Destaco, especialmente, a figura do demónio Darkness. É uma personagem que me ficou gravada no cérebro para sempre. Aquele trabalho de makeup é soberbo e icónico. É uma concepção brilhante, tanto no campo prático e físico, como no campo estético. É mesmo de génio.
Legend é já uma pérola antiga, um artefacto arqueológico. Está tão enterrado no tempo, que provavelmente um dia destes, o próprio Scott, redescobri-o com as novas tecnologias e faz-lhe um remake mais moderno. E neste caso, acho que até merecia mesmo um facelift. Tem todo o potencial para isso. Legend não é obviamente o melhor trabalho de Ridley Scott, mas pela fantasia, pela parte técnica e pela própria inocência que emana, é um filme que nunca resisto a (re)ver. ●●○○○

Há coisas que nos marcam para sempre. Como por exemplo, ter um prego espetado na cabeça. Não foi assim tão literal, mas Hellraiser marcou-me profundamente. Tenho que admitir que durante algum tempo (se calhar até demasiado) fui um viciado em filmes de terror. Isso quer dizer que nos anos 80 e 90 vi praticamente tudo o que podia ver dentro do género. Procurava os filmes de terror mais marados que conseguisse encontrar, sendo que marado quer dizer gore extremo. Vi coisas inacreditáveis e até consegui ver filmes raros que ainda hoje continuam banidos ou mesmo proibidos em muitos países. Com o tempo, acabei por me cansar da temática, e hoje em dia, dificilmente vejo um filme de terror.
A razão desse vício nem tinha propriamente que ver com a temática; era tudo por causa dos efeitos especiais. Numa altura em que não existiam efeitos digitais, quando numa cena alguém tinha de perder a cabeça, tinha mesmo que se fazer um modelo igual ao actor e arrancar-lhe a cabeça. Não quer dizer que tudo tivesse de ser tão violento. Os filmes de ficção científica também sempre foram terreno fértil para efeitos e também os vi quase todos exactamente pela mesma razão. A diferença entre a ficção cientifica e o terror era a referência. Um monstro extraterrestre tem muito mais margem para dissimular os efeitos que a agressão num corpo humano. (esta conversa está a tornar-se estranha...) Resumindo: nem gostava propriamente dos filmes de terror, só queria era ver novos efeitos e tentar perceber como é que os técnicos os faziam. Por isso é que também tenho uma grande colecção de livros e revistas da especialidade. Adiante...
Um dos problemas dos filmes de terror nos anos 80 e 90 é o mesmo problema que os filmes hoje em dia têm: praticamente não tinham uma história (era quase sempre uma perseguição de um assassino/demónio/monstro ao actor principal) e/ou eram sequelas. E também partilhavam outra característica: eram dos filmes que tinham o melhor rácio de custo na produção/lucro na bilheteira. só para se ter uma ideia, Hellraiser tinha um ridículo orçamento de 1 milhão de dólares e facturou 20 milhões. Tentador, não é? Consequentemente, havia uma autêntica invasão de filmes de terror e ainda por cima potenciado pelo aparecimento do VHS nos 80's e, mais tarde, do DVD nos 90's. Volta e meia lá aparecia uma história original, tinha sucesso na bilheteira, e a partir daí era sempre a mesma coisa. Pior ainda no campo do gore, onde para além de não haver uma história decente, tudo se resumia a apenas tripas sobre tripas.
Raramente havia algo de novo, e nesse aspecto, Hellraiser foi completamente diferente. Por trás do sangue e das vísceras existia mesmo uma história, que por acaso até era muito boa. Cliver Barker com os seus mundos, personagens e ambientes extravagantes, sexualmente carregados, já era bem conhecido no meio. Ninguém esperava é que ele fosse realizar um filme e ainda por cima com base no seu próprio livro. Também é sobejamente conhecido o reconhecimento dos trabalhos de Barker, por parte do próprio rei do terror, Stephen King.
Hellraiser começa com um artefacto mágico antigo (um cubo?) que permite abrir um portal para uma dimensão paralela, de onde saem seres maléficos que levam o sofrimento ao extremo do prazer e da dor. O mais icónico dos quatros "monstros" que vêm dessa dimensão infernal é precisamente Pinhead, um ser com a cara retalhada e pregos espetados na cabeça. É tão fora do normal, tão distinto e com tão boas deixas, que acabou por chocar e ao mesmo tempo entrar na cultura pop. "No tears, please. It's a waste of good suffering"...
A história por trás do sangue é boa, mas os actores são maus. Escapam o Andrew Robinson e Clare Higgins. O resto (e nem há muito mais casting) é um bocadinho a descair para o amador, para não ser mais violento...
Um destaque para os efeitos especiais. Num filme de terror/gore, os efeitos são a cereja no topo do cadáver. E num mundo pré-efeitos digitais, fazer um filme destes era um desafio enorme. Neste caso, uma produção britânica de baixo custo, os efeitos são fixes por serem tão gore e... maus. Era a velha máxima da altura: não consegues fazer bons efeitos, então choca-os...
Hellraiser é a estilização máxima do gore. É um gore clássico. Tirando a história original, objectivamente, como filme é uma nulidade, mas leva 3 estrelas, pura e simplesmente por motivos pessoais. ●●●○○

Na Idade das Trevas - aquele período da História muito parecido com a Idade Média -, o sétimo filho do sétimo filho protege os coitados dos aldeões, de dragões, bruxas, demónios e ainda mais alguns bichos e monstros. Agora que está a ficar mais velhote e se quer reformar, o sétimo filho do sétimo filho precisa dum aprendiz que... bah! Não interessa! Seventh Son é um daqueles filmes de acção/fantástico/efeitos especiais que só servem para passar o tempo. É igualzinho a todos os outros filmes que envolvem a Idade Média, aldeões, dragões, bruxas, demónios, bichos e monstros.
Se no elenco não estivessem nomes como Julianne Moore e Kit "Jon Snow" Harington, provavelmente nem chegaria às salas de cinema... Mas por outro lado, é exactamente por isso mesmo que estão no elenco, nao é verdade?
O melhor deste filme e o seu grande trunfo é mesmo o Jeff Bridges. Só a presença dele faz o filme valer a pena. Acho até que deveriam renomear o filme para "The Dude goes to the Middle Ages". Só ficava a ganhar. ●○○○○

Apesar de nada terem a ver um com o outro, estes dois filmes são muito parecidos. E são também uma surpresa. Têm de facto uma história com pés e cabeça - algo raro hoje em dia - não causam epilepsia com tanto efeito digital, têm bons actores com espaço para desenvolver as personagens, boas cenas de acção e no geral estão bem dirigidos.

Dracula Untold conta (mais) uma história alternativa da mítica personagem de Vlad Tepes, normalmente conhecido por Drácula. Contrariamente ao que pensava, até tem alguma densidade e uma sensação de monumentalidade que não é nada normal neste tipo de filmes. Falta-lhe aquele pulsar sanguíneo essencial a qualquer filme do Drácula, mas ainda assim satisfaz por não se tornar numa anedota de vampiros adolescentes. Luke Evans está muito bem no papel de Vlad, mas quem chama mais a atenção é Charles Dance como o vampiro original. Uma menção positiva para os efeitos especiais que não estragam o filme, nem ofuscam os actores. A história é mais virada para um (suposto) contexto histórico e acaba por se diferenciar bem das milhentas adaptações do tema. Só por isso já merece destaque. Nota-se que aqui e ali que vai buscar inspiração ao brilhante Drácula de Francis Ford Coppola e às vezes até parecia que estava a ver um episódio de Game of Thrones, mas sinceramente, se é para copiar, ao menos que se copie dos melhores. E como primeiro filme acho que está bom. Fico à espera de novidades de Gary Shore. ●●○○○


Salomon Kane é um produto Marvel mas que depois passou para as mãos negras da Dark Horse. Faz todo o sentido já que é um filme que gira em torno de maldições e demónios. Essa é mesmo a melhor parte do filme: ver a personagem de James Purefoy amaldiçoada, atormentada, dividida entre o mal e o bem. Normalmente, em filmes de acção do género comercial não se perde tanto tempo a construir uma personagem. Deve ser por isso que o filme não é tão mau quanto parece no trailer. É também uma aposta nos tempos medievais para ganhar uma crosta de sujidade que lhe dá algum realismo. Aliás, o que mais me saltou à vista, foi precisamente a sujidade enlameada que está presente durante todo o filme. Torna-o desconfortável, mas num bom sentido. Tive medo que me saltasse lama para a carpete da sala... Pena que no final tivessem exagerado nos efeitos plastificados da praxe. Se não tivessem feito isso, o filme saía mais barato e teria resultado muito melhor. ●○○○○


Não são dois filmes para ficar na história do cinema, mas vêem-se bem. Já é suficiente. Face à tendência actual dos filmes de acção, que parecem sempre resvalar para a lama dos efeitos especiais, esquecendo literalmente tudo o resto que compõe um filme, pode-se dizer que são... dois filmitos jeitosos. Duas agradáveis surpresas. São bons para ver numa noite de Inverno chuvosa...
Hellboy nasce de mais uma adaptação da BD. Desta vez da Dark Horse Comics. Nunca fui um grande adepto de BDs por isso o meu conhecimento é um pouco limitado. Talvez por causa disso, Hellboy não me tenha entediado tanto quanto as aventuras dos super-heróis do universo Marvel. Ser uma BD muito mais negra que o habitual provavelmente também ajuda. A não ser que alguém não considere como negro, a história do filho de um demónio, nascido nas profundezas do Inferno e que é a chave para o Apocalipse... Acho que se pode considerar como uma história bastante negra.
Em cima disso, Guillermo del Toro conseguiu criar dois filmes que têm um tom (ainda) mais descontraído do que o normal do estilo, o que faz com que sejam muito divertidos de se ver. São puro entretenimento e uma boa dose de fantasia. Del Toro afirma-se cada vez mais como o "homem" do fantástico no cinema moderno. É muito bom, porque é sempre um tema muito maltratado e que precisa de bons realizadores. O grande destaque nos dois filmes é mesmo Guillermo del Toro.
Além disso, também tem John Hurt que me leva sempre para 1984, e Ron Perlman como protagonista
principal, o que só por si já é um ponto positivo. Eu diria que o Hellboy é melhor que o Hellboy 2: The Golden Army, mas isso deve ser o efeito novidade a funcionar. Boas cenas de acção, diálogos inteligentes e histórias bem escritas são tudo menções louváveis. Os efeitos especiais vão de q.b. a exagerados, como é normal no estilo, mas não afectam muito os filmes. As caracterizações são excepcionalmente boas.
São essencialmente filmes para pipocas, mas bonzitos. São filmes para ver no sofá, num domingo chuvoso, mas ainda assim, que valem a pena perder umas horas para ver. ●●○○○


Continuação daqui...

Gosto muito do Nicholas Cage. Não pela performance nestes dois filmes, mas por causa de (grande parte
dos) outros filmes onde já entrou. Sendo que estes filmes giram em torno de um motoqueiro, Peter Fonda, o eterno Easy Rider, claro está, tinha de aparecer. Dito isto, Ghost Ryder e Ghost Rider: Spirit of Vengeance (era impossível um título mais foleiro), é mais do mesmo. Adpatação da BD, capitalização do sucesso de outras adaptações da BD, grandes explosões, grandes perseguições, efeitos digitais q.b. e... mais nada. Dois filmes para ver num domingo à tarde, quando uma pessoa estiver engripada, com uma mantinha nas pernas... ●○○○○

 
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