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Quase 15 anos depois do sucesso do primeiro filme, eis que chega aos cinemas The Incredibles 2. Acho que não vou conseguir deixar passar este tema que me parece estar relacionado. Na sequência da temática feminista recentemente generalizada pelo movimento #MeToo, o novo guião reflecte uma mudança significativa na família: agora é o homem que fica em casa a tomar conta dos filhos e é a super-mulher que vai salvar o mundo. A Elastigirl vai ter de enfrentar um novo super-vilão que tem a capacidade de manipular mentes. A crítica subjacente em The Incredibles 2 seria supostamente aos media e ao público passivo que se deixa facilmente dominar, mas parece que as questões de igualdade de género estão tão prevalentes que ficaram com os holofotes todos. Mas também posso ser eu a ver coisas onde elas não existem e a tentar tirar grandes significados de coisas menores. Não era a primeira vez e não há-de ser a última...
A equipa original é a mesma: Brad Bird na realização, e Craig T. Nelson, Holly Hunter e Samuel L. Jackson dão as vozes. E desta vez, entre outros, até tem a voz de Isabella Rossellini, que apesar do pequeno papel secundário, é uma actriz que é um verdadeiro ícone para mim. Praticamente nada mudou, mas o filme é substancialmente pior. Continua a ter piada e nem tem propriamente nada de mal, mas a realidade é que nota-se um decréscimo qualitativo. Porque é que isto acontece? Acho que é a lógica inerente à sequela. O primeiro filme foi um sucesso, logo, e obrigatoriamente, tem de haver uma sequela. E quando as coisas "nascem" por obrigação, para além da originalidade, de certa forma perdem também um pouco da "alma". Neste caso até foi estranho, porque isso só aconteceu 14 anos depois, o que diga-se de passagem, é algo completamente anormal. Neste caso, para além das questões financeiras, acho mesmo que foi também um aproveitamento do momentum "feminista" de Hollywood proporcionado pelo movimento #MeToo e de uma certa "aceitação obrigatória" do tema por parte do público em geral. Estas são as únicas justificações lógicas que eu encontrei para que se faça uma sequela tantos anos depois. Nestes anos todos, o que é se tornou relevante? O que é que mudou? O que é que está na moda? Acho que a resposta dos estúdios foi evidente. São muitos os exemplos do girl power no cinema recente, mas pensei que isso não chegasse aos filmes de animação. Não sei se isto foi perceptível para as outras pessoas, mas eu percebi a mensagem assim. E como não acredito em coincidências... Outra coisa... Sendo que os miúdos não vão estar propriamente muito atentos a estes pormenores sociológicos, acho que isto pelo menos prova que na génese de muitos filmes de animação, há um cinema "oculto" para adultos.
The Incredibles 2 perdeu bastante em termos gerais, mas continua a ser um entretenimento razoável, na onda dos grandes blockbusters de super-heróis do momento. Mais leve, mais previsível, mais comercial, mas ainda assim algo que se vê bem. ○○○

Nos últimos anos, parece que a única forma de um adulto ver comédias em condições é assistir a filmes de desenhos animados. Ironicamente, são os filmes para miúdos, os que têm as piadas mais inteligentes.
The Incredibles foi o sexto filme a ser lançado pela Pixar, mas foi o primeiro a ter personagens humanas. Todos os anteriores eram sobre a perspectiva de animais ou de monstros. Apesar deste pormenor, a qualidade dos filmes esteve sempre intocável e este não é excepção. Não sendo totalmente original, é muito bom. E digo que não é totalmente original porque as semelhanças dos Incredibles com os Fantastic Four da Marvel são demasiado óbvias para serem ignoradas: Super-força? Elasticidade? Invisibilidade? Alguém que se transforma numa tocha humana? Super-rapidez? Não há coincidências. Até a fatiota (apesar de vermelha) faz lembrar os Fantastic Four. Mas eu não tenho nenhum problema com isso, até porque só no ano seguinte à estreia dos Incredibles é que a Marvel decidiu pegar nos seus quatro heróis e levá-los ao "cinema".
The Incredibles são uma família de super-heróis na "reforma" que vivem disfarçados a tentar viver uma vida normal nos subúrbios, depois de décadas nas primeiras capas dos jornais. Mas quando um super-vilão ameaça o mundo, eles terão de voltar a revelar os seus poderes e as suas identidades e salvar a humanidade. Mais que uma história de super-heróis, é uma história de família.
Brad Bird é um dos grandes nomes da animação moderna. Já não bastava ter feito The Iron Giant (um dos meus filmes de animação favoritos) ainda me proporciona um filme como The Incredibles. O detalhe na arquitectura, na música (do John Barry, do James Bond - On Her Majesty's Secret Service) e nas roupas dos anos 60 é apenas um dos pormenor que mais salta à vista. Craig T. Nelson, Holly Hunter e Samuel L. Jackson são as vozes principais e são perfeitos. Só mesmo grandes actores podem "estar lá" sem sequer aparecerem...
Gosto mesmo deste filme. Tem imensa piada, tem acção e tem aventura... Entretenimento no seu melhor. ●●●○

Ligados por um destino comum, uma adolescente otimista, brilhante, explodindo de curiosidade científica junta-se a um desiludido ex-inventor e embarcam numa missão cheia de perigos para descobrir os segredos de um lugar enigmático, algures no tempo e no espaço, que existe nas suas memórias coletivas como Tomorrowland.
Esta é a sinopse oficial de Tomorrowland. Se alguém conseguir perceber à primeira o que isto quer dizer, avisem-me. (parece uma introdução do Twin Peaks) Para mim, é apenas filme totalmente confuso e desconexo, cheio de flashbacks, flashforwards, flashpoints, rewinds e... é totalmente desconcertante. Quando começa a interessar, salta para outro assunto qualquer, noutro tempo qualquer, noutro espaço qualquer. É um filme um bocado irritante. Parece-me que alguém se baralhou todo na mesa de montagem...
Tinha alguma curiosidade em ver este filme porque foi anunciando como sendo inspirado no futurista e utópico projecto EPCOT de Walt Disney. Tirando a parte financeira não me parece que Walt ficasse muito satisfeito com o resultado final. Só se safa a parte técnica da coisa, que hoje em dia, raramente consegue ser má.
O que é estranho é que para além de contar com a presença de George Clooney e Hugh Laurie - dois gajos impecáveis -, aos comandos do filme esteve Brad Bird, um "senhor" na área dos desenhos animados (Ratatouille, The Incredibles, e o excelente The Iron Giant). Parece que Bird (ainda) não tem "queda" para a coisa real. ●○○○○

 
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