Este Suspiria de Dario Argento é um filme que já queria ver há muito tempo. Desde o tempo em que "vivia" em video clubes que Suspiria era um filme no topo da minha lista de filmes obrigatórios para ver. Muito cedo me "especializei" nos filmes de terror porque aliavam o "salto" inesperado na cadeira com a magia do cinema que eram os efeitos especiais. Naquela altura de teenager desmiolado não haviam muitos blockbusters de "acção e efeitos" daí que essa lacuna era preenchida essencialmente com os filmes de terror. Como em tudo na vida, havia os bons e os maus, e no caso específico do terror, que é muito mais polarizado em termos de qualidade, existiam os péssimos e os óptimos filmes. Dentro dos óptimos filmes de terror, há uma classe muito específica que são aqueles poucos que ficam para a história. Pode parecer estranho dizer isto, mas desde muito cedo percebi que os filmes de terror estão numa classe à parte dos restantes. Logo à partida porque não são coisas agradáveis de ver. Sejam do tipo sobrenatural, slasher ou gore, este filmes não são muito apelativos. Quer dizer, são apelativos, mas é a um nível visceral, muito primitivo e quase instintivo. É como parar para ver um acidente. Imagino mais ou menos o que leva as outras pessoas a meterem-se numa sala de cinema para ver coisas horrendas, mas no meu caso era 20% excitação primitiva, 80% movie magic, que é como quem diz, queria ver como faziam os efeitos especiais, como é que aquilo funciona, como é que se escondia a parafernália técnica para as cenas parecerem reais. Bem... acho que estou a divagar novamente.
Voltando ao Suspiria. Este é um dos filmes que está sempre mencionado como filme obrigatório para qualquer fã do género de terror, e não só. É sempre considerado uma obra prima, um filme de qualidade superior, algo totalmente inovador e ao mesmo tempo aterrador. Numa reposição da RTP2, finalmente tive a oportunidade de vê-lo. Obviamente foi uma decepção, mas já era mais ou menos esperado. Tenho perfeita noção que algumas coisas funcionam no tempo e no espaço certo. Fora do "ambiente" de estreia simplesmente a coisa perde valor. É por isso que na minhas classificações tomo em conta o factor "tempo" e como ele afecta a qualidade de um filme. Sendo um filme dos anos 70, de génese "italiana" e ainda por cima de terror, já sabia que o impacto que teria em mim (na actualidade) nunca seria o mesmo se o visse quanto tinha 15 anos. E confirmou-se.
Há de facto muitos méritos em Suspiria, a começar pela história estranha e original de uma bailarina americana que vai frequentar uma reputada academia alemã de dança, apenas para descobrir que tudo é uma fachada para esconder um bando de bruxas sedentas de sangue... De certa forma, consigo recolocar-me nos anos 70 e avaliar o filme dessa perspectiva no tempo. A história, a ambiência, o uso das corres vividas (e berrantes) e os efeitos especiais comparado com outros filmes da mesma altura estão de facto numa nível diferente e superior. Tudo é muito mais polido do que era normal nos filmes de terror da época. O trabalho de câmara de Argento, por exemplo, é algo que ainda se destaca em comparação com muitas produções actuais. Isto é o positivo, mas por outro lado, aquela música hiper-irritante dos Goblin, o gore extremo típico dos "italianos" dos anos 70 e aquele sangue pastoso cor de groselha estragam tudo o que de bom o filme tem.
Jessica Harper, Joan Bennett, Stefania Casini e um dos meus gajos preferidos de todos os tempos, Udo Kier, acabam por se tornar secundários às mãos de Argento. O ênfase está tão relacionado com a tensão, a música e a estética que os actores acabam por ficar reféns dessa técnica. Para mim, foi outro ponto negativo. Se tivesse visto Suspiria no tempo certo, muito provavelmente teria outra opinião, mas as coisas são o que são. Ainda assim é um filme que recomendaria, mas apenas para críticos e verdadeiros amantes de cinema. ●●●○○
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Um jovem casal (Kelly Reilly e Michael Fassbender) faz uma viagem de férias até ao idílico Eden Lake. O sítio é espectacular, com um lago de águas calmas rodeado de uma belíssima paisagem natural. Tudo corria perfeitamente bem até que os gunas do local (Jack O'Connell e restantes miúdos) aparecem para estragar tudo... E aí a paisagem muda da beleza natural para a dor, para a frustração, para a raiva e para a sobrevivência. Tenho que admitir que tive de parar o filme a meio. Estava a dar-me cabo dos nervos e do estômago. Na ruralidade mais profunda deste país já estive perante situações que parecem o início de Eden Lake, daí que o filme estivesse a "afectar-me" psicologicamente e até fisicamente. Mas lá retomei o filme e fiquei ainda mais desconcertado. O guião exagera nas peripécias, na imprevisibilidade e tudo o que pode correr mal, corre ainda pior, mais violento e mais gore. James Watkins, o realizador, parece que tem prazer em fazer aqueles dois personagens sofrer... e a mim também.
Resumidamente, Eden Lake é uma dor contínua de filme, muito difícil de ver até ao fim. Já agora, odiei o final. Mas odiei no "bom sentido". É uma espécie de Deliverance brit, exagerado mas bem feito. Uma agradável surpresa desagradável. Vendo o final percebe-se o que quero dizer... Recomendado apenas a mentes e estômagos mais fortes... ●●●○○
Resumidamente, Eden Lake é uma dor contínua de filme, muito difícil de ver até ao fim. Já agora, odiei o final. Mas odiei no "bom sentido". É uma espécie de Deliverance brit, exagerado mas bem feito. Uma agradável surpresa desagradável. Vendo o final percebe-se o que quero dizer... Recomendado apenas a mentes e estômagos mais fortes... ●●●○○
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Não tinha grandes expectativas com este Revenge. Principalmente porque apenas tinha visto um trailer durante breve segundos. Mas alguma coisa me chamou a atenção e tive de o ver. A primeira surpresa imediata foi perceber que o filme não era americano, mas sim francês. A surpresa seguinte foi o exagero sanguinário, por vezes totalmente gore, com muitos ferimentos violentos e sangue a rodos. Tanto que é um exagero, mas pareceu-me uma óbvia sátira à mulher de armas americana e às "Lara Crofts" do cinema. De uma forma estranha, Matilda Lutz encaixa tão bem na personagem-bimba como no personagem-rambo.
Após ter sido violada por três homens e deixada para morrer no deserto era miraculosamente sobrevive aos impossíveis ferimentos e regressa com sede de vingança. Dito assim, parece uma coisa estúpida, mas de alguma forma, isto até funciona.
Revenge é um filme sobre vingança, mas nitidamente, também é uma crítica sagaz aos filmes de acçao americanos. É quase como que dizer: "ai querem sangue? Então vão ter sangue. Gostam de violência? Então é mesmo isso que vão ter..."
Excelentes actores (Vincent Colombe, Guillaume Bouchède), com principal destaque para Kevin Janssens que tem tanto carisma que é impossível perceber porque ainda não é uma estrela de Hollywood. O pessoal dos estúdios "oficiais" anda um bocadinho cegueta com as super-estrelas dos super-heróis. Olhem que anda para aí pessoal excepcional a representar e vocês nem os veem a passar mesmo à frente dos olhos. É pena.
Escrito e realizado por Coralie Fargeat, Revenge roça o ridículo e o estúpido, mas de alguma forma esquisita consegue ao mesmo tempo ser crítico e brilhante. Só visto para perceber. Coralie Fargeat é um nome que vou ter debaixo de olho nos próximos tempos. ●●●○○
Após ter sido violada por três homens e deixada para morrer no deserto era miraculosamente sobrevive aos impossíveis ferimentos e regressa com sede de vingança. Dito assim, parece uma coisa estúpida, mas de alguma forma, isto até funciona.
Revenge é um filme sobre vingança, mas nitidamente, também é uma crítica sagaz aos filmes de acçao americanos. É quase como que dizer: "ai querem sangue? Então vão ter sangue. Gostam de violência? Então é mesmo isso que vão ter..."
Excelentes actores (Vincent Colombe, Guillaume Bouchède), com principal destaque para Kevin Janssens que tem tanto carisma que é impossível perceber porque ainda não é uma estrela de Hollywood. O pessoal dos estúdios "oficiais" anda um bocadinho cegueta com as super-estrelas dos super-heróis. Olhem que anda para aí pessoal excepcional a representar e vocês nem os veem a passar mesmo à frente dos olhos. É pena.
Escrito e realizado por Coralie Fargeat, Revenge roça o ridículo e o estúpido, mas de alguma forma esquisita consegue ao mesmo tempo ser crítico e brilhante. Só visto para perceber. Coralie Fargeat é um nome que vou ter debaixo de olho nos próximos tempos. ●●●○○
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Desde sempre que houve um género de filme que explora um baixo orçamento para tentar maximizar o número na plateia e a consequente receita de bilheteira. Há uns anos atrás eram "série B" e os "slashers", depois passaram para o gore e agora são claramente os "filmes de horror/demónios". Neste campo também entram os "siege movies" que pelas razões óbvias (mínimo de actores, poucos cenários e exteriores, facilidade de filmar em espaços fechados e controlados) também têm sido bastantes explorados, especialmente os mais violentos. Todos eles têm um público específico, o target "jovem", que por natureza se sente atraído para estes filmes, onde se podem ver coisas... "diferentes", digamos assim.
São às carradas e é-me impossível vê-los todos, até porque nem me apetece. Já tive a minha dose. Com as devidas diferenças, são sempre a mesma coisa. É quase uma regra. No entanto, há sempre aquela pequena excepção que confirma a regra. The Purge, realizado por James DeMonaco, é uma dessas excepções.
Primeiro parece um filme de terror/gore para adolescentes, mas depois passa para um "filme de cerco" muito bem arranjado e montado para adultos. A premissa é estranha: em 2022 (muitas vezes aparece esta data em cenas distópicas...) a América está devastada pelo crime descontrolado e com as cadeias a transbordar decide auto regular-se, permitindo que num período anual de 12 horas, todo o crime sem excepção saia sem punição. As ajudas da polícia e dos hospitais estão suspensas, portanto é a selvajaria total. O melhor é arranjar abrigo e esperar que passe. Uma família de classe média americana faz isso mesmo, mas as coisas nunca correm como planeado... Isto faz-me lembrar mesmo alguns filmes antigolas dos anos 70/80, tipo John Carpenter e afins.
The Purge vê-se bem e o que mais se destaca são os actores principais (os sempre ótimos Ethan Hawke e Lena Headey) e a consistência geral da coisa, que descamba para um bom thriller à moda antiga. Muito melhor do que esperava. Uma agradável surpresa. ●●○○○
São às carradas e é-me impossível vê-los todos, até porque nem me apetece. Já tive a minha dose. Com as devidas diferenças, são sempre a mesma coisa. É quase uma regra. No entanto, há sempre aquela pequena excepção que confirma a regra. The Purge, realizado por James DeMonaco, é uma dessas excepções.
Primeiro parece um filme de terror/gore para adolescentes, mas depois passa para um "filme de cerco" muito bem arranjado e montado para adultos. A premissa é estranha: em 2022 (muitas vezes aparece esta data em cenas distópicas...) a América está devastada pelo crime descontrolado e com as cadeias a transbordar decide auto regular-se, permitindo que num período anual de 12 horas, todo o crime sem excepção saia sem punição. As ajudas da polícia e dos hospitais estão suspensas, portanto é a selvajaria total. O melhor é arranjar abrigo e esperar que passe. Uma família de classe média americana faz isso mesmo, mas as coisas nunca correm como planeado... Isto faz-me lembrar mesmo alguns filmes antigolas dos anos 70/80, tipo John Carpenter e afins.
The Purge vê-se bem e o que mais se destaca são os actores principais (os sempre ótimos Ethan Hawke e Lena Headey) e a consistência geral da coisa, que descamba para um bom thriller à moda antiga. Muito melhor do que esperava. Uma agradável surpresa. ●●○○○
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No futuro, em 2197, o mundo é ostensivamente militar e implicitamente totalitarista. Toda a gente quer ser um "cidadão", mas para isso é preciso passar pelo rigor militar. É uma má altura para isso, pois a humanidade está prestes a entrar em guerra aberta contra um planeta de insectos alienígenas. Eis Starship Troopers.
Quando penso em exagero, um dos primeiros gajos que me vem à cabeça é o Paul Verhoeven. Já vi coisas muito maradas em termos de violência gráfica e gore, mas de alguma forma os filmes de Verhoeven têm qualquer coisa de visceral que me leva sempre a pensar no exagero dos exageros. Acho que é por causa do tom satírico aliado a carradas de sangue, mas sinceramente não sei.
Starship Troopers é um filme que gosto bastante, por muitas razões. Gosto do uso quase subliminar da imagética nazi do lado dos "bons". Gosto de como ele cola rótulos de fascista a montes de instituições sem nunca as apontar. Gosto da achega à comunicação social alarmante e às notícias da net, com aquele "Queres saber mais?". Gosto daquela aproximação "toda sorrisos", tipo Beverly Hills 90210 no espaço militar - se isto não é sátira, não sei o que será. Gosto da forma, como que em tom de brincadeira, Verhoeven sublinha os piores aspectos dos "bons" actuais recorrendo a cenas do futuro. Gosto muito deste filme. Casper Van Dien, Dina Meyer, Denise Richards, Neil Patrick Harris, Michael Ironside estão todos perfeitos nos seus estereótipos profundamente marcados.
Starship Troopers, como tantos outros filmes, apesar de à primeira vista ser uma patetice total - nem tem sequer nenhuma base científica lógica em que se possa pegar -, tem algo que me atrai quase magneticamente. Se estiver a repor em algum canal eu não lhe consigo resistir. Paul Verhoeven deve ter feito alguma coisa muito bem... Sei que fizeram mais uma sequelas, mas não quis estragar as minhas memórias, por isso nunca as vi. E acho que nunca vou ver... ●●●○○
Quando penso em exagero, um dos primeiros gajos que me vem à cabeça é o Paul Verhoeven. Já vi coisas muito maradas em termos de violência gráfica e gore, mas de alguma forma os filmes de Verhoeven têm qualquer coisa de visceral que me leva sempre a pensar no exagero dos exageros. Acho que é por causa do tom satírico aliado a carradas de sangue, mas sinceramente não sei.
Starship Troopers é um filme que gosto bastante, por muitas razões. Gosto do uso quase subliminar da imagética nazi do lado dos "bons". Gosto de como ele cola rótulos de fascista a montes de instituições sem nunca as apontar. Gosto da achega à comunicação social alarmante e às notícias da net, com aquele "Queres saber mais?". Gosto daquela aproximação "toda sorrisos", tipo Beverly Hills 90210 no espaço militar - se isto não é sátira, não sei o que será. Gosto da forma, como que em tom de brincadeira, Verhoeven sublinha os piores aspectos dos "bons" actuais recorrendo a cenas do futuro. Gosto muito deste filme. Casper Van Dien, Dina Meyer, Denise Richards, Neil Patrick Harris, Michael Ironside estão todos perfeitos nos seus estereótipos profundamente marcados.
Starship Troopers, como tantos outros filmes, apesar de à primeira vista ser uma patetice total - nem tem sequer nenhuma base científica lógica em que se possa pegar -, tem algo que me atrai quase magneticamente. Se estiver a repor em algum canal eu não lhe consigo resistir. Paul Verhoeven deve ter feito alguma coisa muito bem... Sei que fizeram mais uma sequelas, mas não quis estragar as minhas memórias, por isso nunca as vi. E acho que nunca vou ver... ●●●○○
Enquanto esperava pela nova temporada da Guerra dos Tronos, dei por mim a ver um filme no SyFy com o nome de Zombieland. Podia ter passado para outro canal - e até seria a minha reacção mais natural, pois já estou totalmente farto de cenas com zombies -, mas fiquei a ver. E fiquei a ver principalmente porque estranhei o elenco: Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone e Bill Murray? Juntos, num filme de zombies? Em teoria, não deveria funcionar, mas estranhamente funciona. O que facilmente poderia descambar para os campos da estupidez, acaba por se revelar como uma agradável comédia... com zombies.
Boa realização (Ruben Fleischer), contida a suficiente para não se tornar vulgar, boas piadas e excelentes diálogos na boca de um casting muito estranho - e repito-me -, que em teoria não deveria encaixar. Uma agradável surpresa. Fiquei a saber que este ano deve ter uma sequela. Espero para ver se sofre de sequelite. É que não me parece que houvesse alguma necessidade de dar continuidade à história. ●●○○○
Boa realização (Ruben Fleischer), contida a suficiente para não se tornar vulgar, boas piadas e excelentes diálogos na boca de um casting muito estranho - e repito-me -, que em teoria não deveria encaixar. Uma agradável surpresa. Fiquei a saber que este ano deve ter uma sequela. Espero para ver se sofre de sequelite. É que não me parece que houvesse alguma necessidade de dar continuidade à história. ●●○○○
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A minha relação com Saw é um pouco estranha e esotérica. Digamos que um dia chego a casa e encontro uma caixa de dvd sem capa. Dentro da caixa suspeita, um disco com um filme de título Saw - Enigma Mortal, que tem uma imagem do que parece ser um pé ensanguentado. Isto pode parecer tudo tanga, mas é verídico. Ainda hoje não sei quem me deixou o filme em casa. É um mistério que provavelmente nunca irei resolver. Ainda por cima, porque não tinha qualquer informação, nem nenhuma expectativa, o filme foi um estrondo.
Saw é um marco dentro do género de terror. Começou a revelar-me um tipo de filmes que nunca tinha visto antes: pequenas produções, muito bem feitas, com muito pouco dinheiro (um milhão e pico de dólares e filmado em menos de um mês), com poucas (ou nenhumas) "estrelas de cinema", que essencialmente, se faziam valer duma história muito bem criada e muito bem escrita, que prendia uma pessoa à cadeira com surpresas constantes durante o filme todo, até ao twist final.
O responsável por este mega-sucesso é James Wan, que consegue a proeza de fazer praticamente um filme inteiro dentro numa casa de banho degradante. E fá-lo de uma forma excitante, pois há imensa acção, resultante dos flashbacks e dos constantes elementos que vão sendo acrescentados à trama.
É interessante perceber que, tal como Jigsaw, o serial killer da história, James Wan mostra uma grande dose de voyeurismo... assim como todos os que vêm o filme. Ficamos todos ao mesmo nível, sentadinhos e confortáveis, a ver pelo ecrã, o sangrento desenrolar dos acontecimentos, acompanhando a história macabra daqueles dois desconhecidos que acordam presos numa casa de banho sem saberem o motivo do seu encarceramento.
E não há dúvidas, Saw é sangrento. Vai direitinho para a categoria de gore. Há um cadáver com a cabeça desfeita mesmo no meio daquela casa de banho, há pés e membros cortados e sanguinolências de toda a espécie durante os flashbacks que contam o resto da história que se passa paralelamente àquela cena na casa de banho.
O casting é estranho mas funciona: um desconhecido (Leigh Whannell), um actor que normalmente faz comédia (Cary Elwes) e uma "antiga estrela" dos grandes filmes de acção dos 80's (Danny Glover). Além de outros secundários, ainda há Michael Emerson que é um gajo que gosto, que está sempre muito bem e acho que até merecia maiores voos.
Há muitas coisas fixes neste Saw... Há aquele boneco assustador no triciclo, que dá a cara pelo verdadeiro serial killer, e que já se tornou icónico, ficando para a posteridade. Há a novidade de ter um serial killer, que na realidade não mata ninguém, mas faz jogos mortais com as vítimas. Mas principalmente, há uma história muito boa, muito bem contada, muito bem realizada e fotografada. E apesar de em termos de argumento, haver pequenas falhas óbvias durante o filme, tudo fica desculpado por aquele final totalmente inesperado e bombástico, que, há que dizê-lo, é inesquecível.
Como seria de esperar, Saw foi um sucesso gigantesco, gerou uma quantidade enorme de fãs e fez aparecer uma série interminável de sequelas que tentei (e felizmente consegui) evitar a todo o custo para não baixar a minha (boa) percepção que tinha do filme original. ●●●○○
Saw é um marco dentro do género de terror. Começou a revelar-me um tipo de filmes que nunca tinha visto antes: pequenas produções, muito bem feitas, com muito pouco dinheiro (um milhão e pico de dólares e filmado em menos de um mês), com poucas (ou nenhumas) "estrelas de cinema", que essencialmente, se faziam valer duma história muito bem criada e muito bem escrita, que prendia uma pessoa à cadeira com surpresas constantes durante o filme todo, até ao twist final.
O responsável por este mega-sucesso é James Wan, que consegue a proeza de fazer praticamente um filme inteiro dentro numa casa de banho degradante. E fá-lo de uma forma excitante, pois há imensa acção, resultante dos flashbacks e dos constantes elementos que vão sendo acrescentados à trama.
É interessante perceber que, tal como Jigsaw, o serial killer da história, James Wan mostra uma grande dose de voyeurismo... assim como todos os que vêm o filme. Ficamos todos ao mesmo nível, sentadinhos e confortáveis, a ver pelo ecrã, o sangrento desenrolar dos acontecimentos, acompanhando a história macabra daqueles dois desconhecidos que acordam presos numa casa de banho sem saberem o motivo do seu encarceramento.
E não há dúvidas, Saw é sangrento. Vai direitinho para a categoria de gore. Há um cadáver com a cabeça desfeita mesmo no meio daquela casa de banho, há pés e membros cortados e sanguinolências de toda a espécie durante os flashbacks que contam o resto da história que se passa paralelamente àquela cena na casa de banho.
O casting é estranho mas funciona: um desconhecido (Leigh Whannell), um actor que normalmente faz comédia (Cary Elwes) e uma "antiga estrela" dos grandes filmes de acção dos 80's (Danny Glover). Além de outros secundários, ainda há Michael Emerson que é um gajo que gosto, que está sempre muito bem e acho que até merecia maiores voos.
Há muitas coisas fixes neste Saw... Há aquele boneco assustador no triciclo, que dá a cara pelo verdadeiro serial killer, e que já se tornou icónico, ficando para a posteridade. Há a novidade de ter um serial killer, que na realidade não mata ninguém, mas faz jogos mortais com as vítimas. Mas principalmente, há uma história muito boa, muito bem contada, muito bem realizada e fotografada. E apesar de em termos de argumento, haver pequenas falhas óbvias durante o filme, tudo fica desculpado por aquele final totalmente inesperado e bombástico, que, há que dizê-lo, é inesquecível.
Como seria de esperar, Saw foi um sucesso gigantesco, gerou uma quantidade enorme de fãs e fez aparecer uma série interminável de sequelas que tentei (e felizmente consegui) evitar a todo o custo para não baixar a minha (boa) percepção que tinha do filme original. ●●●○○
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Hellraiser III esteve a cargo de Anthony Hickox, um realizador muito experiente no campo do gore/low-budget/slasher. A produção mudou de brit para american e isso nota-se numa abordagem mais para o comercial, apesar de continuar a ser um filme gore da pesada. Mas aqui a história já se tinha perdido completamente. Havia uma tendência para sexualizar cada vez mais as situações (era típico nos 90 e chegou a todos o tipo de filmes). Hellraiser, estranhamente sempre teve um lado muito sexual, digamos assim, mas foi piorando com o tempo. Se no II a história tinha-se desenvolvido, aqui já estava a definhar e vivia apenas das mortes extravagantes ou sanguinolentas. Também já estava um bocado farto do género do terror. E como percebi que isto iria ser sempre a mesma história (tipo franchise, com novas personagens e novas mortes mais horrorosas) fiquei por aqui. Não vi mais nenhum filme desta "série". Mas a "série" não parou por causa disso. Muito pelo contrário. Transformou-se numa verdadeira franchise (como lhe chamam orgulhosamente hoje em dia) e chegou aos 10 filmes. Incrível! Também chegou ao mundo dos (novos) livros, das BD's e dos videojogos. Li algures que ainda recentemente esteve para ser transformada em série de TV, mas parece que o projecto não foi avante.
Há que admitir que os filmes são maus. Quer dizer, o primeiro é fixe, precisamente por ter sido o primeiro. A história de Clive Barker, o cubo, os cenobitas, e a personagem Pinhead são muito boas e chegaram ao mainstream. Não me admiraria nada que muito em breve fizessem um reboot ao conceito e que fosse um enorme sucesso. Sim, porque também de lembro de ver "filmes de efeitos gore" de terceira categoria com zombies (que na altura eram maioritariamente uma palhaçada), e agora temos donas de casa que são fãs do Walking Dead, portanto é esperar para ver... ○○○○○
Há que admitir que os filmes são maus. Quer dizer, o primeiro é fixe, precisamente por ter sido o primeiro. A história de Clive Barker, o cubo, os cenobitas, e a personagem Pinhead são muito boas e chegaram ao mainstream. Não me admiraria nada que muito em breve fizessem um reboot ao conceito e que fosse um enorme sucesso. Sim, porque também de lembro de ver "filmes de efeitos gore" de terceira categoria com zombies (que na altura eram maioritariamente uma palhaçada), e agora temos donas de casa que são fãs do Walking Dead, portanto é esperar para ver... ○○○○○
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Lembro-me que Hellbound: Hellraiser II incide na história de Elliott Spencer (finalmente consegue-se ver a cara de Doug Bradley), um militar britânico da I Guerra Mundial, antes de se transformar no Cenobita Pinhead e que se passa num hospital psiquiátrico onde está internada a rapariga do primeiro filme. Há também um médico alucinado (Kenneth Cranham) que vai querer descobrir todos os segredos do cubo e que vai viajar literalmente até ao Inferno... Também há um labirinto gigante... Bem, não me lembro do filme. Vi-o há tantos anos que simplesmente se varreu da memória. O filme é ainda mais gore que o anterior e logo com muito mais efeitos (e mais complexos) e tinha mais presenças dos Cenobitas e de Pinhead, entretanto confirmado como a grande estrela do filme. Foi o suficiente para torná-lo na personagem pop que ainda hoje perdura. É uma sequela que tem de facto mais história complementar (também de Clive Barker) mas cada vez mais estranha e confusa. De resto é mais (tripas) do mesmo. ○○○○○
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Há coisas que nos marcam para sempre. Como por exemplo, ter um prego espetado na cabeça. Não foi assim tão literal, mas Hellraiser marcou-me profundamente. Tenho que admitir que durante algum tempo (se calhar até demasiado) fui um viciado em filmes de terror. Isso quer dizer que nos anos 80 e 90 vi praticamente tudo o que podia ver dentro do género. Procurava os filmes de terror mais marados que conseguisse encontrar, sendo que marado quer dizer gore extremo. Vi coisas inacreditáveis e até consegui ver filmes raros que ainda hoje continuam banidos ou mesmo proibidos em muitos países. Com o tempo, acabei por me cansar da temática, e hoje em dia, dificilmente vejo um filme de terror.
A razão desse vício nem tinha propriamente que ver com a temática; era tudo por causa dos efeitos especiais. Numa altura em que não existiam efeitos digitais, quando numa cena alguém tinha de perder a cabeça, tinha mesmo que se fazer um modelo igual ao actor e arrancar-lhe a cabeça. Não quer dizer que tudo tivesse de ser tão violento. Os filmes de ficção científica também sempre foram terreno fértil para efeitos e também os vi quase todos exactamente pela mesma razão. A diferença entre a ficção cientifica e o terror era a referência. Um monstro extraterrestre tem muito mais margem para dissimular os efeitos que a agressão num corpo humano. (esta conversa está a tornar-se estranha...) Resumindo: nem gostava propriamente dos filmes de terror, só queria era ver novos efeitos e tentar perceber como é que os técnicos os faziam. Por isso é que também tenho uma grande colecção de livros e revistas da especialidade. Adiante...
Um dos problemas dos filmes de terror nos anos 80 e 90 é o mesmo problema que os filmes hoje em dia têm: praticamente não tinham uma história (era quase sempre uma perseguição de um assassino/demónio/monstro ao actor principal) e/ou eram sequelas. E também partilhavam outra característica: eram dos filmes que tinham o melhor rácio de custo na produção/lucro na bilheteira. só para se ter uma ideia, Hellraiser tinha um ridículo orçamento de 1 milhão de dólares e facturou 20 milhões. Tentador, não é? Consequentemente, havia uma autêntica invasão de filmes de terror e ainda por cima potenciado pelo aparecimento do VHS nos 80's e, mais tarde, do DVD nos 90's. Volta e meia lá aparecia uma história original, tinha sucesso na bilheteira, e a partir daí era sempre a mesma coisa. Pior ainda no campo do gore, onde para além de não haver uma história decente, tudo se resumia a apenas tripas sobre tripas.
Raramente havia algo de novo, e nesse aspecto, Hellraiser foi completamente diferente. Por trás do sangue e das vísceras existia mesmo uma história, que por acaso até era muito boa. Cliver Barker com os seus mundos, personagens e ambientes extravagantes, sexualmente carregados, já era bem conhecido no meio. Ninguém esperava é que ele fosse realizar um filme e ainda por cima com base no seu próprio livro. Também é sobejamente conhecido o reconhecimento dos trabalhos de Barker, por parte do próprio rei do terror, Stephen King.
Hellraiser começa com um artefacto mágico antigo (um cubo?) que permite abrir um portal para uma dimensão paralela, de onde saem seres maléficos que levam o sofrimento ao extremo do prazer e da dor. O mais icónico dos quatros "monstros" que vêm dessa dimensão infernal é precisamente Pinhead, um ser com a cara retalhada e pregos espetados na cabeça. É tão fora do normal, tão distinto e com tão boas deixas, que acabou por chocar e ao mesmo tempo entrar na cultura pop. "No tears, please. It's a waste of good suffering"...
A história por trás do sangue é boa, mas os actores são maus. Escapam o Andrew Robinson e Clare Higgins. O resto (e nem há muito mais casting) é um bocadinho a descair para o amador, para não ser mais violento...
Um destaque para os efeitos especiais. Num filme de terror/gore, os efeitos são a cereja no topo do cadáver. E num mundo pré-efeitos digitais, fazer um filme destes era um desafio enorme. Neste caso, uma produção britânica de baixo custo, os efeitos são fixes por serem tão gore e... maus. Era a velha máxima da altura: não consegues fazer bons efeitos, então choca-os...
Hellraiser é a estilização máxima do gore. É um gore clássico. Tirando a história original, objectivamente, como filme é uma nulidade, mas leva 3 estrelas, pura e simplesmente por motivos pessoais. ●●●○○
A razão desse vício nem tinha propriamente que ver com a temática; era tudo por causa dos efeitos especiais. Numa altura em que não existiam efeitos digitais, quando numa cena alguém tinha de perder a cabeça, tinha mesmo que se fazer um modelo igual ao actor e arrancar-lhe a cabeça. Não quer dizer que tudo tivesse de ser tão violento. Os filmes de ficção científica também sempre foram terreno fértil para efeitos e também os vi quase todos exactamente pela mesma razão. A diferença entre a ficção cientifica e o terror era a referência. Um monstro extraterrestre tem muito mais margem para dissimular os efeitos que a agressão num corpo humano. (esta conversa está a tornar-se estranha...) Resumindo: nem gostava propriamente dos filmes de terror, só queria era ver novos efeitos e tentar perceber como é que os técnicos os faziam. Por isso é que também tenho uma grande colecção de livros e revistas da especialidade. Adiante...
Um dos problemas dos filmes de terror nos anos 80 e 90 é o mesmo problema que os filmes hoje em dia têm: praticamente não tinham uma história (era quase sempre uma perseguição de um assassino/demónio/monstro ao actor principal) e/ou eram sequelas. E também partilhavam outra característica: eram dos filmes que tinham o melhor rácio de custo na produção/lucro na bilheteira. só para se ter uma ideia, Hellraiser tinha um ridículo orçamento de 1 milhão de dólares e facturou 20 milhões. Tentador, não é? Consequentemente, havia uma autêntica invasão de filmes de terror e ainda por cima potenciado pelo aparecimento do VHS nos 80's e, mais tarde, do DVD nos 90's. Volta e meia lá aparecia uma história original, tinha sucesso na bilheteira, e a partir daí era sempre a mesma coisa. Pior ainda no campo do gore, onde para além de não haver uma história decente, tudo se resumia a apenas tripas sobre tripas.
Raramente havia algo de novo, e nesse aspecto, Hellraiser foi completamente diferente. Por trás do sangue e das vísceras existia mesmo uma história, que por acaso até era muito boa. Cliver Barker com os seus mundos, personagens e ambientes extravagantes, sexualmente carregados, já era bem conhecido no meio. Ninguém esperava é que ele fosse realizar um filme e ainda por cima com base no seu próprio livro. Também é sobejamente conhecido o reconhecimento dos trabalhos de Barker, por parte do próprio rei do terror, Stephen King.
Hellraiser começa com um artefacto mágico antigo (um cubo?) que permite abrir um portal para uma dimensão paralela, de onde saem seres maléficos que levam o sofrimento ao extremo do prazer e da dor. O mais icónico dos quatros "monstros" que vêm dessa dimensão infernal é precisamente Pinhead, um ser com a cara retalhada e pregos espetados na cabeça. É tão fora do normal, tão distinto e com tão boas deixas, que acabou por chocar e ao mesmo tempo entrar na cultura pop. "No tears, please. It's a waste of good suffering"...
A história por trás do sangue é boa, mas os actores são maus. Escapam o Andrew Robinson e Clare Higgins. O resto (e nem há muito mais casting) é um bocadinho a descair para o amador, para não ser mais violento...
Um destaque para os efeitos especiais. Num filme de terror/gore, os efeitos são a cereja no topo do cadáver. E num mundo pré-efeitos digitais, fazer um filme destes era um desafio enorme. Neste caso, uma produção britânica de baixo custo, os efeitos são fixes por serem tão gore e... maus. Era a velha máxima da altura: não consegues fazer bons efeitos, então choca-os...
Hellraiser é a estilização máxima do gore. É um gore clássico. Tirando a história original, objectivamente, como filme é uma nulidade, mas leva 3 estrelas, pura e simplesmente por motivos pessoais. ●●●○○
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Em 2047, uma equipa de salvamento espacial liderada pelo Capitão Miller (Laurence Fishburne) voa até à nave Event Horizon para responder a um pedido de socorro. Mas a Event Horizon não é uma nave qualquer. Ela foi desenhada pelo brilhante Dr. William Weir (Sam Neill) e tem a particularidade de conseguir criar um buraco negro e assim viajar instantaneamente para qualquer ponto do Universo. O problema é que na sua viagem experimental, a nave desapareceu sem deixar rasto apenas para reaparecer 7 anos depois... vazia... mas com muita história para contar.
Vi o Event Horizon no cinema e foi uma surpresa monumental. Lembro-me perfeitamente de escolher o filme pelo cartaz e pelo Sam Neill - tinha-o visto no Jurassic Park, no Piano e no semi-desconhecido In the Mouth of Madness. Mas nunca tinha ouvido falar deste filme. Nem sequer sabia do que se tratava. Só sabia que era de ficção científica por causa da nave no cartaz. Foi uma surpresa enorme...
Acho que hoje em dia perde-se muito do impacto dos filmes pela excessiva promoção que lhes é feita. Anos antes de uma estreia já se sabe tudo sobre um filme. São os teasers, os trailers, as entrevistas, os making-offs... Praticamente já se viu o filme todo, só que aos bocados. O impacto da surpresa praticamente desapareceu. E acho que isso também é importante para "marcar" um filme. Esta foi uma das últimas vezes que um filme me surpreendeu.
Event Horizon é a união perfeita de ficção científica e terror. E quando digo terror, quero mesmo dizer gore. É como se fosse uma mistura de 2001 com Hellraiser. Como sou fã destes dois filmes (e parece que o Paul W. Anderson também), isso enche-me totalmente as medidas. Apesar de não ser totalmente original - esta é a história clássica do navio fantasma encontrado à deriva sem a tripulação, mas transposto para o espaço - Event Horizon funde muito bem acção, terror, suspense e uma história muito boa. Dentro deste género muito específico, é um dos melhores filmes. ●●●●○
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