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Com o super-sucesso dos filmes de super-heróis importados da BD, era apenas uma questão de tempo até que alguém pegasse no tema da mitologia clássica. Afinal de contas, os heróis da antiguidade são o protótipo e a base "histórica" de todos os super-heróis modernos, quando não são mesmo os super-heróis como é o caso do Thor e restante família. Seja como for, a relação é quase umbilical. Mas sendo uma aproximação mitológica mais virada para o efeito explosivo e para a acção, destes filmes  não se espera grande coisa, a não ser 2 horas de de puro entretenimento, que é como quem diz, 2 horas de musculação maxilar com recurso a pipocas. Ou nachos. Ouvi dizer que há muita gente que gosta de comer nachos no cinema. O que para mim é um fenómeno ainda mais incompreensível que o sucesso dos super-heróis Marvel e afins. Mas adiante... Neste aspecto específico, Clash of the Titans cumpre perfeitamente o propósito. Tem bons momentos de acção bem encaixados na história (parabéns ao Louis Leterrier por não exagerar), os actores (Liam Neeson, Ralph Fiennes, Sam Worthington, Luke Evans, Gemma Arterton, Liam Cunningham e Mads Mikkelsen) parecem muito confortáveis nos seus papéis e por isso têm prestações acima da média para uma produção deste género.
Clash of the Titans é um bom filmito de acção que acompanha muito bem as pipocas e a coca-cola. Talvez devido ao carácter mitológico da história seja um pouco mais suportável para mim. Nada como deuses, semi-deuses e vulgares mortais na eterna procura de adoração e poder para entreter uma pessoa. Vê-se bem. ●●○○

Li algures aí pela net que Leonardo da Vinci inventou as tesouras. E que também levou dez anos a pintar os lábios da Mona Lisa....
Sinceramente, até acredito que tivesse inventado as tesouras. Mas dez anos para pintar os lábios da Mona Lisa e esquecer-se de pintar as sobrancelhas? Acho difícil de acreditar.
Mas ainda tive mais dificuldade em acreditar neste The Three Musketeers. Só pensava: porquê? É para ter uma hipótese de filmar algo em 3D? Havia uma lacuna de mercado para histórias com mosqueteiros e lutas com espadas? Alguém queria destruir a excelente história de Dumas com desnecessários efeitos digitais? Seria preciso um concorrente aos Piratas das Caraíbas? Não faço a mínima ideia...
O que sei é isto: The Three Musketeers é mau. Muito mau. Tem a acção do costume, cenas de espadas, uns navios-balão digitais, a presença da heroína do Resident Evil (Milla Jovovich) e uma cópia descarada da música dos Piratas das Caraíbas. Uma das personagens até aparece e tudo (Orlando Bloom). E como este é (ou parece) um filme para miúdos, o D'Artagnan é um miúdo que ficou conhecido por entrar noutro filme para miúdos (Logan Lerman). Volta e meia aparecem por lá uns actores que até são bastante jeitosos (Luke Evans, Mads Mikkelsen, Christoph Waltz), mas é só de vez em quando.
Penso que a intenção de Paul W. Anderson não era estragar totalmente a enésima versão deste clássico. Mas conseguiu-o... Apesar de reconhecer todo o aparato técnico e humano envolvido na criação dum filme destes, já não consigo suportar estes filmes-chiclete... ●○○○○

Apesar de nada terem a ver um com o outro, estes dois filmes são muito parecidos. E são também uma surpresa. Têm de facto uma história com pés e cabeça - algo raro hoje em dia - não causam epilepsia com tanto efeito digital, têm bons actores com espaço para desenvolver as personagens, boas cenas de acção e no geral estão bem dirigidos.

Dracula Untold conta (mais) uma história alternativa da mítica personagem de Vlad Tepes, normalmente conhecido por Drácula. Contrariamente ao que pensava, até tem alguma densidade e uma sensação de monumentalidade que não é nada normal neste tipo de filmes. Falta-lhe aquele pulsar sanguíneo essencial a qualquer filme do Drácula, mas ainda assim satisfaz por não se tornar numa anedota de vampiros adolescentes. Luke Evans está muito bem no papel de Vlad, mas quem chama mais a atenção é Charles Dance como o vampiro original. Uma menção positiva para os efeitos especiais que não estragam o filme, nem ofuscam os actores. A história é mais virada para um (suposto) contexto histórico e acaba por se diferenciar bem das milhentas adaptações do tema. Só por isso já merece destaque. Nota-se que aqui e ali que vai buscar inspiração ao brilhante Drácula de Francis Ford Coppola e às vezes até parecia que estava a ver um episódio de Game of Thrones, mas sinceramente, se é para copiar, ao menos que se copie dos melhores. E como primeiro filme acho que está bom. Fico à espera de novidades de Gary Shore. ●●○○○


Salomon Kane é um produto Marvel mas que depois passou para as mãos negras da Dark Horse. Faz todo o sentido já que é um filme que gira em torno de maldições e demónios. Essa é mesmo a melhor parte do filme: ver a personagem de James Purefoy amaldiçoada, atormentada, dividida entre o mal e o bem. Normalmente, em filmes de acção do género comercial não se perde tanto tempo a construir uma personagem. Deve ser por isso que o filme não é tão mau quanto parece no trailer. É também uma aposta nos tempos medievais para ganhar uma crosta de sujidade que lhe dá algum realismo. Aliás, o que mais me saltou à vista, foi precisamente a sujidade enlameada que está presente durante todo o filme. Torna-o desconfortável, mas num bom sentido. Tive medo que me saltasse lama para a carpete da sala... Pena que no final tivessem exagerado nos efeitos plastificados da praxe. Se não tivessem feito isso, o filme saía mais barato e teria resultado muito melhor. ●○○○○


Não são dois filmes para ficar na história do cinema, mas vêem-se bem. Já é suficiente. Face à tendência actual dos filmes de acção, que parecem sempre resvalar para a lama dos efeitos especiais, esquecendo literalmente tudo o resto que compõe um filme, pode-se dizer que são... dois filmitos jeitosos. Duas agradáveis surpresas. São bons para ver numa noite de Inverno chuvosa...
 
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