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Nesta nova entrega da saga Men in Black mudou tudo. Mudou o realizador (F. Gary Gray) e da "equipa" original apenas ficou a Emma Thompson e por isso entraram o Chris Hemsworth, a Tessa Thompson e o Liam Neeson. Infelizmente, o que também mudou foi a qualidade geral do filme. É um dos casos em que se percebe perfeitamente a diferença que um realizador faz... A diferença dos Men in Black do Barry Sonnefeld para esta nova entrega é gigantesca. Agora é apenas mais um filme sem graça, sem história, sem nada... apenas fogo de artifício. Exactamente como o publico actual gosta. Uma peça estática que está ali para "entreter" passivamente o consumidor de nachos e pipocas. Ainda que fosse mais ou menos esperado, foi uma enorme decepção, porque sempre gostei desta saga cómica de extraterrestres. Agora transformou-se num mero "êxito de bilheteira". Mais uma folha de Excel para entreter os financeiros dos estúdios... É pena. ○○○○

Como o primeiro filme foi um relativo sucesso de bilheteira era inevitável uma sequela. Daí a existência de Wrath of the Titans. Não é uma continuação da história anterior mas mais uma série de histórias mitológicas envolvendo a personagem principal, Perseu. É o que tem de bom a mitologia clássica: tem histórias para dar e vender e todas são muito boas, sempre recheados de monstros e super-vilões, exactamente o ponto onde falham as cópias, as "mitologias modernas" de super-heróis da BD. Incrivelmente, estas histórias antigas não colam no público actual. Para mim é um mistério. Por exemplo, este Wrath of the Titans foi um falhanço de bilheteira. Porquê? Não tem acção explosiva? Tem. Não tem monstros espectaculares e gigantes em CGI? Tem. Não tem supervilões super-maus que querem destruir o mundo dos humanos? Tem. Não acaba tudo bem, com os bons felizes e os maus a serem castigados no final? Obviamente. Então porque é que o grande público não adere em massa como acontece nas tretas com a chancela Marvel/DC? Não sei dizer. Aos meus olhos, a diferença é mínima. Ver isto ou ver o Doctor Strange é exactamente a mesma coisa. Um entretenimento momentâneo e facilmente esquecível.
Do primeiro para este filme, mudou o realizador (Jonathan Liebesman) e o cast mudou apenas nas personagens mais secundárias (Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Rosamund Pike, Bill Nighy, Danny Huston). Os monstros e o CGI também aumentaram ligeiramente, mas de resto é tudo mais ou menos igual ao anterior. Gosto muito destas histórias da mitologia e que já me acompanham desde muito novo. Por isso nem me importava de ver um terceiro filme deste género, mesmo sabendo que a história é apenas um suporte para as cenas de acção e para os efeitos especiais. Mas como a mitologia clássica (ainda) não foi comprada pela Disney e por isso não tem fãs activos, não há mais nada para ninguém. É pena. ●●○○

Com o super-sucesso dos filmes de super-heróis importados da BD, era apenas uma questão de tempo até que alguém pegasse no tema da mitologia clássica. Afinal de contas, os heróis da antiguidade são o protótipo e a base "histórica" de todos os super-heróis modernos, quando não são mesmo os super-heróis como é o caso do Thor e restante família. Seja como for, a relação é quase umbilical. Mas sendo uma aproximação mitológica mais virada para o efeito explosivo e para a acção, destes filmes  não se espera grande coisa, a não ser 2 horas de de puro entretenimento, que é como quem diz, 2 horas de musculação maxilar com recurso a pipocas. Ou nachos. Ouvi dizer que há muita gente que gosta de comer nachos no cinema. O que para mim é um fenómeno ainda mais incompreensível que o sucesso dos super-heróis Marvel e afins. Mas adiante... Neste aspecto específico, Clash of the Titans cumpre perfeitamente o propósito. Tem bons momentos de acção bem encaixados na história (parabéns ao Louis Leterrier por não exagerar), os actores (Liam Neeson, Ralph Fiennes, Sam Worthington, Luke Evans, Gemma Arterton, Liam Cunningham e Mads Mikkelsen) parecem muito confortáveis nos seus papéis e por isso têm prestações acima da média para uma produção deste género.
Clash of the Titans é um bom filmito de acção que acompanha muito bem as pipocas e a coca-cola. Talvez devido ao carácter mitológico da história seja um pouco mais suportável para mim. Nada como deuses, semi-deuses e vulgares mortais na eterna procura de adoração e poder para entreter uma pessoa. Vê-se bem. ●●○○

Peyton é um cientista que tenta produzir pele sintética. Um dia, é atacado por gangsters e acaba terrivelmente desfigurado devido a queimaduras e deixado para morrer. Pelo caminho perde a capacidade de sentir dor, o que lhe dá uma força sobre-humana. Usando a sua nova pele sintética, pode-se então disfarçar de qualquer pessoa e assim começa a congeminar um plano de vingança. E assim nasce Darkman. Parece saído de uma BD ou um super-herói menos conhecido da Marvel, mas é "apenas" uma criação de Sam Raimi. Não sei se é propositado ou não, mas parece uma espécie de homenagem à época dourada dos filmes de terror e monstros da Universal nos anos 30. É como se juntasse o Frankenstein, o Fantasma da Ópera e outros, tudo numa roupagem moderna de acção.
Darkman é o típico filme do anti-herói em busca de vingança. É um bom filmito. Um mini-clássico, digamos assim. Está muito bem feito para os anos que tem. Bem escrito, bem realizado e bem interpretado por Liam Neeson, Frances McDormand, Colin Friels e Larry Drake. Bruce "Ash" Campbell, um actor relativamente desconhecido da maioria do público mas que sempre fez percurso junto com Sam Raimi (desde os míticos Evil Dead) aparece mesmo no final. Liam Neeson, devido ao tamanho e aparência dura, é neste momento um dos grandes heróis de acção, mas foi aqui, e logo na estreia, que tudo começou. Os irmãos Coen (amigos de longa data de Raimi) têm uma participação "ao de leve", e talvez seja por causa disso que Darkman é um pouco melhor que a média: complementaram o guião, participaram na montagem e se se reparar bem, até aparecem brevemente a passear num Oldsmobile. Sam Raimi provou aqui que podia claramente pegar numa super-produção e fazer algo de bom. Mais tarde pegaria no Spider-Man com os resultados que se conhecem. E ainda bem. Presumo que mais cedo ou mais tarde, o próprio Raimi irá fazer um remake. Já merecia... ●●●○○


Uther Pendragon aceita a ajuda do mago Merlin para vencer o Duque de Cornwall. Uther quebra o pacto com Merlin e tem uma relação com Igraine, a mulher do Duque. Dessa noite de paixão, nasce um bastardo, Arthur que acaba por ficar ao cuidado de Merlin. Depois de perseguido por clãs leais ao Duque e mesmo antes de morrer, Uther Pendragon enterra a sua espada numa pedra, afirmando que só quem a conseguisse retirar poderia ser o próximo rei. Ninguém consegue retirar a espada da pedra. E assim começa o mito da espada do poder, Excalibur. Anos mais tarde, um jovem Arthur aproxima-se da espada e o inesperado acontece.
Eis Excalibur, a espada mágica forjada por um deus, prevista por um feiticeiro e encontrada por um Rei. Esta não é só mais uma versão cinematográfica da mítica espada: esta "é" a versão. Já vi muitas tentativas de contar a história do Rei Artur, mas Excalibur, de John Boorman, é sem dúvida nenhuma a melhor de todas.
O filme tem uma estranha aura à sua volta. E não estou a falar daquele glow verde... Tem mesmo uma qualidade visual mística. É estranho. A forma como está produzido e realizado quase que nos leva para o mundo alternativo, atmosférico de Camelot, dos Cavaleiros, da Távola Redonda e da demanda pelo Santo Graal.
Para mim, a razão é simples: é um filme de fantasia, mas não tem praticamente efeitos especiais. É tudo realista e muito baseado no trabalho de câmara e especialmente no trabalho com os actores. Basta reparar que que muitos dos nomes conhecidos nos dias de hoje deram o primeiro passo precisamente em Excalibur: Gabriel Byrne (Uther), Helen Mirren (Morgana), Liam Neeson (Gawain), Patrick Stewart (Leondegrance). E depois ainda há um outro bom leque de actores que apenas nunca deram o "grande" salto como Nigel Terry (Rei Arthur), Nicholas Clay (Launcelot), Cherie Lunghi (Guenevere) e Nicol Williamson (Merlin).
Toda esta envolvência mágica está embrulhada numa banda sonora portentosa de Richard Wagner e Carl Orff. E aqui, a música faz para aí um 1/3 do filme. É brilhante. John Boorman não precisa de muitos comentários: é um artesão brilhante de filmes. Basta dizer isso...
Misticismo e mitologia, reinos e demandas, mundos mágicos e submundos, ninfas e Damas do Lago, cavaleiros leais e insurgentes, lutas de espadas e de honra, amor, traição, sexo, sangue e entranhas... há de tudo em Excalibur, uma história intemporal que mostra a transição da Era da Magia para a Era da Razão. Um dos meus filmes preferidos de aventura e fantasia... de sempre. ●●●●○

Durante muito tempo fui um maluquinho por Legos. Depois cheguei aos 10 anos de idade e isso passou-me. Por isso mesmo, tinha uma grande curiosidade em ver The Lego Movie. Não desilude muito: é um filme de animação... com legos. Não é aborrecido nem irritante, dá para algumas gargalhadas e tem as vozes de grande actores como Liam Neeson ou o incomparável Morgan Freeman.
Mas o que me chamou à atenção neste filme foi a história. Já não é a primeira vez que vejo filmes de animação em que o ênfase está numa espécie de alerta anti-capitalista. A lógica é sempre a mesma: há um grande homem de negócios que quer acabar com a diversão dos gajos normais para fazer uma treta enfadonha qualquer e restrita a uma elite. Aqui o mauzão de serviço é um boneco chamado Lord Business. Não deixa de ser estranho, se pensar que estes filmes vêm dos grande grupos da indústria do cinema. Irónico, no mínimo. É estranho. Deveria haver uma reflexão profunda sobre o porquê de filmes para crianças incidirem tanto em temas como o capitalismo selvagem ou a crítica social, quando as crianças de certeza que não perceberão a história. Será uma indirecta para os pais que os acompanham? Não sei dizer...
The Lego Movie fica um pouco abaixo do mediano porque não tem nada de novo. A única coisa que o diferencia dos milhões de filmes de animação que são lançados todos os anos é que tem legos. Advinha-se uma sequela, uma prequela e mais dois ou três spin-offs... ●●○○○

 
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