Vamos por partes. Primeiro, o Ghost in the Shell - filme de animação original de 1995 baseado na manga de Shirow Masamune - está no meu top de filmes de ficção científica e na minha lista de filmes favoritos de sempre. É algo tão à frente do seu tempo, tão complexo, tão realista e tão bem feito que não podia ser de outra forma. Segundo, quando soube que iam fazer um remake do Ghost in the Shell em "live-action", comecei imediatamente a ficar preocupado, porque quando fazem isto, normalmente sai bosta. Neste caso, a minha preocupação era ainda mais gritante porque não há nada para actualizar em relação ao filme original.
Recentemente vi esta "nova versão" e não me desiludiu porque nem é tão mau quanto estava à espera, nem é muito diferente do original. Nem podia ser. Lá está: não há nada para actualizar, nem sequer renovar. Apesar de também ser escrito pelo Masamune, apenas tem umas pequenas nuances em relação à história original (tirando alguns elementos que foram transpostos da sequela original, Ghost in the Shell 2: Innocence), e incide mais na parte de como a Major Kusanagi ficou a ser como é, mas é mesmo só para não copiar o filme original na íntegra e poder dizer que é "novo".
Mais que um remake, incluiria este filme numa espécie de cover, como acontece na música. É a mesma coisa, mas tem um bocadinho de letra nova e tem um ritmo diferente...
Mas apesar de não ser um mau filme, continuo a bater na mesma tecla: Porquê? Porquê fazer de novo? Porque não tentar fazer um novo filme, sim, mas totalmente original? Não percebo esta cena dos remakes constantes e intermináveis. O que foi? Acabou-se a inspiração? Os estúdios não apostam em coisas novas e só gastam dinheiro em filmes que sabem de antemão que vão receber o dinheiro empatado na produção? É que se isto continua assim, simplesmente deixam de existir novos filmes. Neste "novo" filme há cenas inteiras copiadas na íntegra do original, quase frame a frame. Qual é intenção disto? Chamar-lhe "homenagem"? É isso? Isto parece reciclagem em cima de reciclagem. Há uma geração inteira que apenas vai conseguir ver novas versões dos filmes que já conhecem.
Leva duas "bolas" porque visualmente está perfeito (no seguimento do brilhante filme original), porque escolheram perfeitamente a Scarlett Johansson (nem consigo imaginar outra actriz "ocidental" neste papel [e já agora, uma referência também para o Takeshi Kitano e o Michael Wincott, dois gajos que curto bastante]) e porque escolheram como base uma das melhores histórias e um dos melhores filmes de sempre da ficção científica. Mas aconselhava o pessoal dos estúdios a irem ler uns guiões diferentes e tentar fazer algo de novo... ●●○○○
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Hitchcock não é um biopic de Alfred Hitchcock. É sobre a vida de Hitchcock enquanto filmava o clássico de terror Psycho, uma adaptação do livro de Robert Bloch, que por sua vez era baseado no serial-killer verdadeiro, Ed Gein. Só por curiosidade: Gein, além de ser a inspiração para a personagem de Norman Bates, também o foi para outras personagens sinistras como o Leatherface do ínfame Texas Chainsaw Massacre e o Buffalo Bill do Silence of the Lambs... que nesse filme, por acaso, tinha uma personagem muito conhecida, chamada Hannibal Lecter, que foi interpretada por... Anthony Hopkins. Curioso, não é? Realmente, as coisas acabam por dar a volta...
Alfred Hitchcock tinha acabado de estrear North by Northwest e era considerado o maior realizador da altura. Mas como já estava um bocado farto de intrigas internacionais e espiões em apuros, decide procurar inspiração noutros campos mais negros e é aí que entra o livro Psycho de Robert Bloch. Contra tudo e contra todos, Hitchcock decide mergulhar no mundo do terror pela primeira vez e causa um turbilhão nos estúdios e no seu casamento.
Mesmo não estando 100% correcto historicamente (e pensando bem, também o que é que está?) é sempre bom perceber o que se passa durante a rodagem dos filmes. E no caso de um dos melhores filmes de sempre, então ainda melhor.
Hitchcock é um filme que se mantém equilibrado nas emoções: tem um bom "mood" (o que não será alheio o sentido de humor muito próprio de Hitchcock) e não é excessivamente dramático. O que traduzido quer dizer que não esteve a tentar "tirar um prémio de óscar" para figurar na capa do DVD ou no cartaz de cinema. (Nem o verdadeiro Alfred Hitchcock conseguiu ganhar um Óscar, o que demonstra bem a capacidade de avaliação de Hollywood)
O casting é muito bom. Anthony Hopkins é um grande, grande actor. As parecenças físicas com Hitchcock não são muitas por isso teve de levar com toneladas de make-up para ficar mais parecido. Mas os maneirismos e a forma de falar é excepcional. Por vezes até me esqueci que não era o Anthony Hopkins que ali estava. Se bem que por vezes também me pareceu uma mistura de Alfred Hitchcock com Hannibal Lecter. (há coisas nas personagens que parece que ficam "coladas" nos actores) Ainda assim, muito bom. Helen Mirren no papel da mulher, Alma Reville, está muito... A Helen Mirren está sempre excelente seja em que filme for. É a septuagenária mais sexy do mundo.
Ainda tem Scarlett Johansson como Janet Leigh, Michael Wincott como Ed Gein e um James D'Arcy arrepiantemente parecido com o Anthony Perkins. E ainda há uma legião de secundários muito bons como Danny Huston, Toni Collette, Jessica Biel e Kurtwood Smith. Um destaque para a música bem encaixada de Danny Elfman.
Filmado em apenas 35 dias (!) e realizado pelo estreante Sasha Gervasi, Hitchcock é um filme muito competente, como se costuma dizer na crítica profissional. Gostei. ●●●○○
Alfred Hitchcock tinha acabado de estrear North by Northwest e era considerado o maior realizador da altura. Mas como já estava um bocado farto de intrigas internacionais e espiões em apuros, decide procurar inspiração noutros campos mais negros e é aí que entra o livro Psycho de Robert Bloch. Contra tudo e contra todos, Hitchcock decide mergulhar no mundo do terror pela primeira vez e causa um turbilhão nos estúdios e no seu casamento.
Mesmo não estando 100% correcto historicamente (e pensando bem, também o que é que está?) é sempre bom perceber o que se passa durante a rodagem dos filmes. E no caso de um dos melhores filmes de sempre, então ainda melhor.
Hitchcock é um filme que se mantém equilibrado nas emoções: tem um bom "mood" (o que não será alheio o sentido de humor muito próprio de Hitchcock) e não é excessivamente dramático. O que traduzido quer dizer que não esteve a tentar "tirar um prémio de óscar" para figurar na capa do DVD ou no cartaz de cinema. (Nem o verdadeiro Alfred Hitchcock conseguiu ganhar um Óscar, o que demonstra bem a capacidade de avaliação de Hollywood)
O casting é muito bom. Anthony Hopkins é um grande, grande actor. As parecenças físicas com Hitchcock não são muitas por isso teve de levar com toneladas de make-up para ficar mais parecido. Mas os maneirismos e a forma de falar é excepcional. Por vezes até me esqueci que não era o Anthony Hopkins que ali estava. Se bem que por vezes também me pareceu uma mistura de Alfred Hitchcock com Hannibal Lecter. (há coisas nas personagens que parece que ficam "coladas" nos actores) Ainda assim, muito bom. Helen Mirren no papel da mulher, Alma Reville, está muito... A Helen Mirren está sempre excelente seja em que filme for. É a septuagenária mais sexy do mundo.
Ainda tem Scarlett Johansson como Janet Leigh, Michael Wincott como Ed Gein e um James D'Arcy arrepiantemente parecido com o Anthony Perkins. E ainda há uma legião de secundários muito bons como Danny Huston, Toni Collette, Jessica Biel e Kurtwood Smith. Um destaque para a música bem encaixada de Danny Elfman.
Filmado em apenas 35 dias (!) e realizado pelo estreante Sasha Gervasi, Hitchcock é um filme muito competente, como se costuma dizer na crítica profissional. Gostei. ●●●○○
O Conde de Monte Cristo foi um dos primeiros livros que li por vontade própria. Desde então, tornou-se numa das minhas histórias favoritas. É que tem tudo: uma história de amor e traição, acusações infundadas e castigos injustos, reclusão numa ilha isolada, fuga impossível da prisão, aventura no mar, piratas, caça ao tesouro, sede de vingança e um final como deve ser. Até tem um padre português... Uma história intemporal, e diria mesmo, perfeita do grande Alexandre Dumas.
Em relação a este The Count of Monte Cristo de Kevin Reynolds, a única coisa que posso dizer é que é bastante jeitoso. Jim Caviezel e especialmente Guy Pearce fazem uma dupla de antagonistas muito boa, mas o resto do elenco (Richard Harris, James Frain, Dagmara Dominczyk e o Michael Wincott, gajo muito menosprezado mas que curto bastante) também é bom. O filme "rola" bem e não há propriamente nada que possa apontar como estando mal. Apesar disso, não deixa de ser apenas mais uma versão da história. Torna tudo muito... previsível, não é verdade?
E a única coisa que não gostei foi precisamente a alteração da história. Não é que esteja mal "reajustada", mas neste caso específico, deu-me para o purismo. Não acho que se deva alterar uma história perfeita, mas até pela questão anterior da previsibilidade, compreendo perfeitamente a opção. ●●○○○
Em relação a este The Count of Monte Cristo de Kevin Reynolds, a única coisa que posso dizer é que é bastante jeitoso. Jim Caviezel e especialmente Guy Pearce fazem uma dupla de antagonistas muito boa, mas o resto do elenco (Richard Harris, James Frain, Dagmara Dominczyk e o Michael Wincott, gajo muito menosprezado mas que curto bastante) também é bom. O filme "rola" bem e não há propriamente nada que possa apontar como estando mal. Apesar disso, não deixa de ser apenas mais uma versão da história. Torna tudo muito... previsível, não é verdade?
E a única coisa que não gostei foi precisamente a alteração da história. Não é que esteja mal "reajustada", mas neste caso específico, deu-me para o purismo. Não acho que se deva alterar uma história perfeita, mas até pela questão anterior da previsibilidade, compreendo perfeitamente a opção. ●●○○○


