Jeff é um homem que já correu o mundo como fotógrafo profissional, mas que depois de partir a perna enquanto trabalhava, fica confinado a um cadeira de rodas no seu apartamento em Greenwich Village. Entediado com a situação, decide virar a sua máquina fotográfica para a vida dos vizinhos nas traseiras do pacato bairro. No entanto, fruto da sua cabeça (ou não), presencia alguns acontecimentos que o fazem suspeitar que um dos vizinhos pode ter assassinado a mulher...
Qualquer aspirante a cineasta (e qualquer pessoa que goste verdadeiramente de cinema) deveria ver pelo menostrês vezes o Rear Window. É uma obra-prima consensual entre público e crítica. Mas, mais que isso, é um manual de como fazer um excelente filme com poucos recursos. Analisando bem, é uma gigantesca produção de teatro com base numa história repleta de suspense e intriga, tudo suportado por actores míticos e de calibre superior como James Stewart, Grace Kelly, Thelma Ritter ou Raymond Burr, mas especialmente pela direcção em cena do mestre Alfred Hitchcock. É um thriller à maneira antiga, repleto de suspense e paranoia, cheio de tiques de voyeurismo e tensão romântica, bem à moda de Hitchcock, que tem bem marcado o seu estilo de filmar nos mais pequenos pormenores.
Rear Window é mais um daqueles filmes que tem material para escrever uma enciclopédia inteira e é até provável que já o tenham feito. É uma obra-prima que tem de figurar em qualquer lista dos melhores filmes de sempre. É impressionante o que se consegue fazer com a simplicidade se se for genial o suficiente. E Alfred Hitchcock tinha genialidade para dar e vender... Sobre o mítico Alfred Hitchcock e tudo o que ele representa para o cinema nem sequer me vou alongar, porque ficaria aqui a
escrever durante uma semana. Filmagens espetaculares, ângulos de câmara dramáticos, o som ambiente, o uso fantástico da luz e sombra, mas especialmente, o controlo total da percepção que o próprio espectador tem. Apesar de já estar bem longe da magia original do cinema é um digno sucessor e se calhar, o último mágico verdadeiramente moderno dos filmes. Hitchcock é uma figura incontornável do universo cinematográfico e este Rear Window, mesmo tantos anos depois da estreia ainda continua a ser uma prova viva disso mesmo. ●●●●●
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Se há gajo que raramente falha é o Steven Soderbergh. Até num filme menor, como é o caso deste Side Effects. Não vale a pena dourar a pílula: o filme é fracote. Tendo em conta que é um "Soderbergh". Não fossem os actores serem mesmo bons (Rooney Mara, Catherine Zeta-Jones, Channing Tatum, Jude Law), diria que é quase um telefilme. Aliás, em partes da história, pareceu-me quase que estava a ver um episódio da mítica série Alfred Hitchcock Presents.
É o principal problema do filme: a história é confusa e tem demasiados "side effects". O que começa por ser uma história de psicólogo estável /paciente deprimida, rapidamente se torna numa paranóia com medicamentos experimentais e depois passa a drama pessoal/familiar com contornos escondidos... é um bocadinho confuso, mas mais do que isso é incoerente.
Mas o que me ficou mais visível aqui, é a facilidade que o Soderbergh tem em realizar um filme. Até é irritante. Dá a impressão que fez isto num fim-de-semana em que estava aborrecido e sem nada para fazer, lembrou-se: "vou fazer um filmito para me entreter; e vou escrevendo-o à medida que o vou filmando... Depois vê-se no que isto dá..." E, se calhar, até foi mesmo assim que aconteceu... Apesar de todas as falhas, é melhor que muita coisa que tenho visto. ●●○○○
É o principal problema do filme: a história é confusa e tem demasiados "side effects". O que começa por ser uma história de psicólogo estável /paciente deprimida, rapidamente se torna numa paranóia com medicamentos experimentais e depois passa a drama pessoal/familiar com contornos escondidos... é um bocadinho confuso, mas mais do que isso é incoerente.
Mas o que me ficou mais visível aqui, é a facilidade que o Soderbergh tem em realizar um filme. Até é irritante. Dá a impressão que fez isto num fim-de-semana em que estava aborrecido e sem nada para fazer, lembrou-se: "vou fazer um filmito para me entreter; e vou escrevendo-o à medida que o vou filmando... Depois vê-se no que isto dá..." E, se calhar, até foi mesmo assim que aconteceu... Apesar de todas as falhas, é melhor que muita coisa que tenho visto. ●●○○○
Hitchcock não é um biopic de Alfred Hitchcock. É sobre a vida de Hitchcock enquanto filmava o clássico de terror Psycho, uma adaptação do livro de Robert Bloch, que por sua vez era baseado no serial-killer verdadeiro, Ed Gein. Só por curiosidade: Gein, além de ser a inspiração para a personagem de Norman Bates, também o foi para outras personagens sinistras como o Leatherface do ínfame Texas Chainsaw Massacre e o Buffalo Bill do Silence of the Lambs... que nesse filme, por acaso, tinha uma personagem muito conhecida, chamada Hannibal Lecter, que foi interpretada por... Anthony Hopkins. Curioso, não é? Realmente, as coisas acabam por dar a volta...
Alfred Hitchcock tinha acabado de estrear North by Northwest e era considerado o maior realizador da altura. Mas como já estava um bocado farto de intrigas internacionais e espiões em apuros, decide procurar inspiração noutros campos mais negros e é aí que entra o livro Psycho de Robert Bloch. Contra tudo e contra todos, Hitchcock decide mergulhar no mundo do terror pela primeira vez e causa um turbilhão nos estúdios e no seu casamento.
Mesmo não estando 100% correcto historicamente (e pensando bem, também o que é que está?) é sempre bom perceber o que se passa durante a rodagem dos filmes. E no caso de um dos melhores filmes de sempre, então ainda melhor.
Hitchcock é um filme que se mantém equilibrado nas emoções: tem um bom "mood" (o que não será alheio o sentido de humor muito próprio de Hitchcock) e não é excessivamente dramático. O que traduzido quer dizer que não esteve a tentar "tirar um prémio de óscar" para figurar na capa do DVD ou no cartaz de cinema. (Nem o verdadeiro Alfred Hitchcock conseguiu ganhar um Óscar, o que demonstra bem a capacidade de avaliação de Hollywood)
O casting é muito bom. Anthony Hopkins é um grande, grande actor. As parecenças físicas com Hitchcock não são muitas por isso teve de levar com toneladas de make-up para ficar mais parecido. Mas os maneirismos e a forma de falar é excepcional. Por vezes até me esqueci que não era o Anthony Hopkins que ali estava. Se bem que por vezes também me pareceu uma mistura de Alfred Hitchcock com Hannibal Lecter. (há coisas nas personagens que parece que ficam "coladas" nos actores) Ainda assim, muito bom. Helen Mirren no papel da mulher, Alma Reville, está muito... A Helen Mirren está sempre excelente seja em que filme for. É a septuagenária mais sexy do mundo.
Ainda tem Scarlett Johansson como Janet Leigh, Michael Wincott como Ed Gein e um James D'Arcy arrepiantemente parecido com o Anthony Perkins. E ainda há uma legião de secundários muito bons como Danny Huston, Toni Collette, Jessica Biel e Kurtwood Smith. Um destaque para a música bem encaixada de Danny Elfman.
Filmado em apenas 35 dias (!) e realizado pelo estreante Sasha Gervasi, Hitchcock é um filme muito competente, como se costuma dizer na crítica profissional. Gostei. ●●●○○
Alfred Hitchcock tinha acabado de estrear North by Northwest e era considerado o maior realizador da altura. Mas como já estava um bocado farto de intrigas internacionais e espiões em apuros, decide procurar inspiração noutros campos mais negros e é aí que entra o livro Psycho de Robert Bloch. Contra tudo e contra todos, Hitchcock decide mergulhar no mundo do terror pela primeira vez e causa um turbilhão nos estúdios e no seu casamento.
Mesmo não estando 100% correcto historicamente (e pensando bem, também o que é que está?) é sempre bom perceber o que se passa durante a rodagem dos filmes. E no caso de um dos melhores filmes de sempre, então ainda melhor.
Hitchcock é um filme que se mantém equilibrado nas emoções: tem um bom "mood" (o que não será alheio o sentido de humor muito próprio de Hitchcock) e não é excessivamente dramático. O que traduzido quer dizer que não esteve a tentar "tirar um prémio de óscar" para figurar na capa do DVD ou no cartaz de cinema. (Nem o verdadeiro Alfred Hitchcock conseguiu ganhar um Óscar, o que demonstra bem a capacidade de avaliação de Hollywood)
O casting é muito bom. Anthony Hopkins é um grande, grande actor. As parecenças físicas com Hitchcock não são muitas por isso teve de levar com toneladas de make-up para ficar mais parecido. Mas os maneirismos e a forma de falar é excepcional. Por vezes até me esqueci que não era o Anthony Hopkins que ali estava. Se bem que por vezes também me pareceu uma mistura de Alfred Hitchcock com Hannibal Lecter. (há coisas nas personagens que parece que ficam "coladas" nos actores) Ainda assim, muito bom. Helen Mirren no papel da mulher, Alma Reville, está muito... A Helen Mirren está sempre excelente seja em que filme for. É a septuagenária mais sexy do mundo.
Ainda tem Scarlett Johansson como Janet Leigh, Michael Wincott como Ed Gein e um James D'Arcy arrepiantemente parecido com o Anthony Perkins. E ainda há uma legião de secundários muito bons como Danny Huston, Toni Collette, Jessica Biel e Kurtwood Smith. Um destaque para a música bem encaixada de Danny Elfman.
Filmado em apenas 35 dias (!) e realizado pelo estreante Sasha Gervasi, Hitchcock é um filme muito competente, como se costuma dizer na crítica profissional. Gostei. ●●●○○
Grande parte dos louros deste(s) filme(s) vão para o história de Stephen King. O grande segredo é a sua simplicidade. Carrie White é uma rapariga controlada pela mãe opressiva, tresloucada e hiper-religiosa que a tenta manter quase aprisionada em casa e afastada da realidade. Sujeita a castigos e constantemente gozada pelos colegas na escola, Carrie começa a desenvolver estranhos poderes, identificados como telecinesia: manipular objectos com o poder da mente.
Isto mexe com tudo o que é mais primordial: a tentativa de pertencer ao grupo, a repulsa social, a humilhação pública, o querer ter um poder superior que nos ajude a resolver os problemas. Este tratamento "simples" da história dá azo a interpretações dúbias. Será que Carrie é sobre uma miúda com poderes ou é uma metáfora sobre a emancipação adolescente? Será sobre como encaixar na sociedade ou castigá-la por ser tão diferente e má? Mexe-nos com o subconsciente e confronta-nos com situações pelas quais toda a gente já passou na adolescência. É um tema muito recorrente nas histórias de King, mas que aqui é especialmente muito bem tratado.
Carrie (1976) começa e termina muitíssimo bem. A sequência inicial dos chuverios em que Carrie tem pela primeira vez a menstruação é simplesmente de génio. A cena final, irritante de tão lenta e tensa, é novamente genial. Brian De Palma construiu aqui um autêntico manual do realizador, repleto de excelentes e icónicas cenas e um estudo sobre como fazer um magnifico trabalho de câmara. Se me dissessem que Alfred Hitchcock tinha sido o realizador eu não teria acho estranho. Melhor elogio é impossível.
Em termos de actores, destaque absoluto para Piper Laurie como a mãe hiper-protectora e totalmente maluca e para Sissy Spacek que será eternamente Carrie White. O filme nem sequer necessita de grandes efeitos especiais: a expressão facial de Spacek faz todo o serviço ao conseguir passar de totalmente angélico para totalmente demoníaco. A actuação é tão boa que foram as duas nomeadas para Óscares. Num filme de terror, género considerado menor, é de realçar. Conta ainda com o suporte e as boas prestações de John Travolta e Nancy Allen.
O grande problema de Carrie é que está extremamente datado. É um daqueles filmes que foi autenticamente atropelado pelo tempo. Visto agora, é quase impossível uma pessoa distraír-se das fatiotas terríveis e daqueles penteados absurdos dos anos 70. E não só: aqueles sonzinhos agudos à Psycho... hoje em dia, parecem uma paródia. Mas neste caso, acho que é preciso contextualizar. Eu imagino o choque de quem viu o filme na altura certa. Deve ter sido um verdadeiro terror. Um filme incontornável do género e do cinema em geral. Vale sempre a pena ver. ●●●●○
Em 2014, chegou o remake de Carrie, agora com Chloë Grace Moretz e Julianne Moore nos principais papéis. Julianne Moore é sempre uma excelente atriz onde quer que entre e aqui não é excepção. Mas é o único ponto positivo a destacar, pois esta nova versão não chega aos calcanhares do primeiro. Não porque o filme seja mau, mas porque a história é a mesma. Até o argumento é da mesma pessoa que o original! O que é que este filme pode acrescentar de novo ou melhorar a história original? Acho que a resposta é nada. Acima de tudo, é um filme destinado às pessoas que nunca tiveram oportunidade de ver o original. Só assim se explica o remake. Por isso, este "novo" Carrie, não é um bem filme: é um facelift a um produto antigo. Compreende-se. ●●○○○



