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Após o imenso sucesso de Poltergeist na recepção crítica e na receita de bilheteira, a inevitável sequela... Poltergeist II: The Other Side. Ainda havia algumas pontas soltas para resolver do filme anterior e por isso chega uma segunda parte. Depois de terem deixado a primeira casa após os acontecimentos terroríficos com a filha mais nova, a família muda-se para outra casa mas vai-se envolver novamente com entidades espirituais e malignas. O mal quer novamente a miúda do primeiro filme e agora vai chegar na forma do Reverand Kane e da sua seita maluca...
Este Reverend Kane (Julian Beck), à porta de casa da família, a dizer de uma forma absolutamente aterradora  "let me in, let me in"... nunca mais me saiu da cabeça. É das personagens mais medonhas que me lembro. Isso e aquele "ser" sem pernas e braços que Craig T. Nelson vomita (!?!) também me traumatizou...
Os actores são praticamente os mesmos (JoBeth Williams, Craig T. Nelson, Heather O'Rourke, Oliver Robins, Zelda Rubinstein) mas mudou toda a parte técnica (Brian Gibson) e isso faz toda a diferença. Sendo uma sequela "pura", a lógica foi a mesma de sempre: tinham de fazer mais, melhor e maior que o primeiro filme. Não é melhor, mas realmente é muito mais e muito maior, só que é só em termos de efeitos especiais. Não estou a reclamar. Richard Edlund era um verdadeiro mestre das engenhocas e dos make-ups que segui durante muitos anos. Mas como acontece hoje em dia, os efeitos sobrepuseram-se a tudo o resto. Tem os típicos jump scares, mas já não tem a coerência do primeiro filme.
No plano real, a maldição continuou a assombrar o legado Poltergeist. O aspecto malévolo e cadavérico de Julian Beck não é fruto de maquilhagem. Na realidade, o actor sofria com um cancro terminal e morreu pouco tempo depois. Will Sampson que faz de xamã (porque era mesmo um xamã) também morreu de ataque cardíaco fulminante pouco depois. E a juntar a isto mais uma série de fenómenos estranhos e até um exorcismo pedido pela equipa de filmagem e actores junta-se ao rol de misticismo que rodeia esta série de filmes Poltergeist... Que é estranho, lá isso é...
Esta sequela é realmente uma sequela. Pretende apenas cavalgar o êxito do primeiro filme e mais nada. Na altura adorei o filme porque tinha montes de efeitos especiais e novos monstros (alguns do H.R.Giger...), mas basicamente é uma repetição do primeiro filme e é totalmente dispensável. A não ser para fãs inveterados do terror como eu era nesta altura e em que "marchava" tudo... Parei por aqui. Sempre gostei do terror, especialmente por causa dos efeitos, mas nunca fui muito fã das possessões e cenas espirituais. É uma coisa que me afecta... Já chegava de espíritos vingativos. Poltergeist ainda completaria a obrigatória trilogia com uma terceira parte num arranha-céus mas nunca vi. Dispensável mais ainda assim assustador o suficiente... ○○○

O ano é 2065. A terra foi devastada pela invasão de uma misteriosa raça de extraterrestres parecidos com espíritos. A humanidade está de joelhos e a única esperança recai sobre Aki Ross, uma jovem e brilhante cientista, que luta contra o tempo para salvar o planeta e também a si, já que foi infectada, como aconteceu como a maior parte da população. Para isso vai ter a ajuda preciosa de um grupo de militares liderado pelo seu namorado. Pelo meio vão ter de enfrentar também o General Hein que tem um plano para destruir de uma vez por todas os extraterrestres, nem que para isso tenha de destruir o próprio planeta.
Nos últimos anos, o mundo dos videojogos tem tomado de assalto o mundo do cinema. Não só tem sido material para adaptações, como de certa forma, tem vindo a influenciar a forma como a narrativa dos filmes tem evoluído. A lógica de plataformas há muito que foi abandonada nos jogos. A lógica mais recente é ter uma narrativa do género: ir em busca de uma chave que permita abrir uma porta, que revela uma nova chave para abrir uma outra porta. Em parte, este truque simples de empurrar a narrativa para a frente sem acrescentar muita história e intercalar com cenas espectaculares de acção, tem sido o motor da maior parte dos filmes de acção dos últimos anos. Mas este não é o caso. Apesar de estar carregado de cenas de acção, Final Fantasy: The Spirits Within segue mais uma lógica de anime, com uma aproximação mais filosófica do que os filmes americanos. Esta é uma vantagem porque o filme não se torna tão entediante e até tem alguma substância. Obviamente, essa foi a razão do seu insucesso. O público não estava muito virado para este tipo de narrativas. O filme esteve tão mau nas bilheteiras que levou a produtora Square Pictures à falência.
Final Fantasy: The Spirits Within é um portento técnico que levou quatro anos a ser concluído. Foi a primeira longa-metragem animada por computador que tinha humanos "verdadeiros", ou melhor dizendo, personagens humanas foto-realistas. Nunca se tinha visto nada igual. O filme foi tão avançado para o seu tempos que ainda hoje se aguenta bastante bem. A técnica de captura de movimentos que foi pioneira aqui, foi aproveitada logo de seguida para criar uma personagem conhecida de todos, o Gollum do Lord of the Rings. E é esta técnica, entretanto aprimorada, que ainda hoje se usa. É fantástico. No entanto, na altura era terreno desconhecido. Nunca ninguém tinha feito nada do género. A evolução no campo técnico foi de tal forma rápida que quando chegaram ao fim da produção para fazer a montagem final, tiveram de refazer a parte inicial do filmes porque já se notava a diferença na qualidade da imagem.
Para além da parte técnica, Final Fantasy ainda levantou questões novas. Dar vozes a desenhos animados, não era novidade. Mas dar vozes a figuras humanas digitais já era outra história. Ficaram célebres as reacções precipitadas de alguns actores que perceberam que podiam ficar no desemprego para sempre se a moda de "criar" actores virtuais pegasse na indústria. Tom Hanks foi uma desas vozes e Matt Dillon, que tinha o segundo papel mais importante, recusou participar no filme quando viu a qualidade das imagens. Afinal, não aconteceu nada... Para já...
Ming-Na Wen, Alec Baldwin, Ving Rhames, Steve Buscemi, Donald Sutherland James Woods dão as vozes aos corpos digitais.
Escrito e realizado por Hironobu Sakaguchi (um mago dos videojogos), Final Fantasy: The Spirits Within é um daqueles filmes que me ficou na memória. Não só pela questão técnica que me deixou de boca aberta durante muito tempo, mas também pela lógica filosófica subjacente. As potencialidades da história e da narrativa são tão grandes que não tarda nada, deve regressar na forma de série de TV. É quase certo. Só basta alguém na Netflix ler este texto para se aperceber que o filme existe... Já está um pouco datado no tempo, mas ainda assim vê-se muito bem.  ●●●○


Um pistoleiro sem nome chega à pequena povoação de Lago e após causar a impressão de durão, é contratado para matar três foras-da-lei que em breve chegarão. Com o tempo percebe-se que esses ladrões foram capturados e presos precisamente porque já lá tinham estado a tentar roubar o ouro e foram denunciados pelos locais. Mas o pistoleiro sem nome e sem medo - será um fantasma, o diabo, um espírito de vingança? - está ali porque tem outras contas para ajustar...
Este High Plains Drifter é um western muito estranho do Clint Eastwood. Apesar do ar clássico e antiquado, tem um tom estranhamente sobrenatural e é... estranho. Eastwood representa mais uma vez o pistoleiro misterioso - aqui nem nome tem - e contracena com Geoffrey Lewis, Mitchell Ryan, Verna Bloom e Marianna Hill. Destaco aqui um gajo que sempre reconheci, especialmente dos westerns - mas não só - por ser sempre um vilão desprezível e oleoso, Anthony James. É daqueles gajos que sempre foi secundário, mas que de alguma forma - e acho que é por causa da cara - sempre retive mentalmente. Tem qualquer coisa que é estranhamente... arrepiante. A realização também é do Eastwood (aqui no seu segundo filme) e de certa forma, parece que está a treinar para os próximos voos. E foi o que se viu...
Apesar de não gostar muito do filme no seu todo - já me fartei um pouco de westerns de vingança - High Plains Drifter tem uma grande mais valia que é a ambiência fantasmagórica e a história que facilmente podia ser adaptada para os dias de hoje. ●●○○○

 
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