Há coisas que não entendo neste mundo. Uma delas é: porquê fazer um remake de um clássico? Aliás, porquê correr o risco de refazer um clássico? Não sei responder. Tinham a sequela do livro (Banco) para adaptar... Porque é que não pegaram numa história nova? Porquê esta lógica de remexer em coisas que estão tão bem feitas e já cristalizadas na psique do mundo cinematográfico? A sério que não entendo.
Mas vamos lá a ver isto objectivamente. Este novo Papillon (de Michael Noer) está mal feito? Não. É uma mau filme. Nem por isso. O actor principal (Charlie Hunnam) aguente-se bem a fazer de Steve McQueen e Rami Malek fica muito bem a imitar os tiques de Dustin Hoffman.
Nada está mal feito aqui, mas continuo sem perceber a lógica do remake, ainda por cima de um clássico intemporal como este.
Tem pelo menos a vantagem de dar a conhecer a história a um público mais jovem. Continuo sem perceber a lógica, mas ao fim e ao cabo, vê-se bem. ●●○○○
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O Papillon (de Franklin J. Schaffner) é um dos filmes da minha vida. Vi-o muito novo e marcou-me profundamente. De certa forma teve o dom de me "educar". Tive situações da minha vida em que já não aguentava mais e lembrava-me do Papillon e conseguia "fazer mais um esforço". Quando tinha vontade de desistir, lembrava-me do Papillon e continuava mais uma vez. Papillon é isto. Uma história épica de perseverança, de capacidades sobre-humanas, de aguentar o impossível, de atingir o inalcançável, de resiliência imparável, de superação absoluta para lá de todas as capacidade físicas e mentais. Tenho uma aversão natural à injustiça. Ver um homem sofrer castigos
intermináveis por um crime que não cometeu, causa-me náuseas. Por isso, é que Papillon é para mim um épico inesquecível, que me lembra sempre que não há prisão forte o suficiente para segurar a determinação inabalável de um injustiçado.
Papillon é baseado na história verídica de Henri "Papillon" Charrière, que depois de injustamente condenado por um assalto a um banco, é enviado para uma prisão de alta segurança na colónia penal da Guiana Francesa. Lá, acabaria por sofrer os tratamentos mais desumanos que se podem imaginar. Anos fechado em solitária, muitos deles em escuridão total, fome e torturas constantes. Não admira que o seu único propósito fosse a fuga. Curiosamente, há pouco tempo descobri que tenho o livro mas nunca o li. É uma falha enorme. Espero ter tempo nas férias para o ler com atenção. Pelo que li, percebi que o filme se desvia consideravelmente da história original, assim como a história original do livro se afasta da verdadeira história de Charrière. Depois de ler o livro, já terei uma ideia do desfasamento "dramático", mas isso não vai mudar nada em relação ao que sinto pelo filme.
Se o filme é muito bom e intemporal, deve-o principalmente à realização impecável de Schaffner, mas especialmente ao argumento exemplarmente bem escrito da lenda de Hollywood que foi Dalton Trumbo. Já não se fazem pessoas assim. Já não se escreve com esta qualidade para fazer um filme. Agora tem de ser tudo muito mais imediato, mais atractivo e com mais acção. É uma pena. Mas o que acho que elevou este Papillon a filme de culto foi mesmo a dupla principal de actores, Steve McQueen e Dustin Hoffman. O restante casting é muito bom, mas esta dupla foi um evento único. Hoffman é desde então um dos meus actores favoritos, mas o Steve Mcqueen está num nível ainda superior. Há ali um carisma, um falar sem abrir a boca que é único. É daqueles actores que têm uma força visual tão grande que só aparecem de décadas a décadas na história do cinema. Um dos maiores de sempre e um dos meus preferidos de todos os tempos. Não me canso de o ver. Na minha memória ficou gravado aquele salto do penhasco para oceano e o grito seco no final, enquanto flutuava nos sacos de cocos em direcção à tão esperada liberdade: "Hey you bastards, i'm still here". Estou contigo, Papillon. ●●●●● + ●
Papillon é baseado na história verídica de Henri "Papillon" Charrière, que depois de injustamente condenado por um assalto a um banco, é enviado para uma prisão de alta segurança na colónia penal da Guiana Francesa. Lá, acabaria por sofrer os tratamentos mais desumanos que se podem imaginar. Anos fechado em solitária, muitos deles em escuridão total, fome e torturas constantes. Não admira que o seu único propósito fosse a fuga. Curiosamente, há pouco tempo descobri que tenho o livro mas nunca o li. É uma falha enorme. Espero ter tempo nas férias para o ler com atenção. Pelo que li, percebi que o filme se desvia consideravelmente da história original, assim como a história original do livro se afasta da verdadeira história de Charrière. Depois de ler o livro, já terei uma ideia do desfasamento "dramático", mas isso não vai mudar nada em relação ao que sinto pelo filme.
Se o filme é muito bom e intemporal, deve-o principalmente à realização impecável de Schaffner, mas especialmente ao argumento exemplarmente bem escrito da lenda de Hollywood que foi Dalton Trumbo. Já não se fazem pessoas assim. Já não se escreve com esta qualidade para fazer um filme. Agora tem de ser tudo muito mais imediato, mais atractivo e com mais acção. É uma pena. Mas o que acho que elevou este Papillon a filme de culto foi mesmo a dupla principal de actores, Steve McQueen e Dustin Hoffman. O restante casting é muito bom, mas esta dupla foi um evento único. Hoffman é desde então um dos meus actores favoritos, mas o Steve Mcqueen está num nível ainda superior. Há ali um carisma, um falar sem abrir a boca que é único. É daqueles actores que têm uma força visual tão grande que só aparecem de décadas a décadas na história do cinema. Um dos maiores de sempre e um dos meus preferidos de todos os tempos. Não me canso de o ver. Na minha memória ficou gravado aquele salto do penhasco para oceano e o grito seco no final, enquanto flutuava nos sacos de cocos em direcção à tão esperada liberdade: "Hey you bastards, i'm still here". Estou contigo, Papillon. ●●●●● + ●
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Perfume: The Story of a Murderer conta a história de um perfumista. Isto é a descrição resumida. A descrição completa é muito mais estranha. Nos finais do século XVIII, nasce Jean-Baptiste Grenouille, literalmente no meio de cabeças de peixe podre, debaixo da bancada de trabalho da mãe. Abandonado à nascença, pois a mãe é morta por uma multidão em fúria, Grenouille é entregue num orfanato. Talvez por ter nascido no meio da pestilência e da sujidade, ele desenvolve um excepcional sentido de olfacto. Ao mesmo tempo que o ostraciza do contacto pessoal, este quase super-poder, leva-o ao mundo exclusivo dos perfumistas. Aí aprende a requintada arte dos perfumes e dos aromas com um antigo artificie famoso mas agora caído em desgraça e esquecimento.
Mas o propósito de Grenouille não é a criação do melhor perfume, algo que consegue fácil e instintivamente. Ele procura a derradeira fragrância, aquele aroma que quem o cheirar, entrará imediatamente num êxtase absoluto e se sentirá como se estivesse no Paraíso. Para isso terá de capturar um elusivo aroma apenas presente nas jovens mulheres... Mas como é dito frequentemente, o caminho para o Paraíso passa pelo Inferno...
A história de Perfume: The Story of a Murderer, sobre cheiros e aromas que pairam invisíveis para os comuns mortais excepto para um assassino "ingénuo" que tenta capturar a verdadeira alma das coisas, é estranha o suficiente para que muita gente ou a deteste ou a adore. Estou no segundo grupo. Nos últimos anos, é das histórias mais originais que me lembro de ver em filme. Adaptado do livro de Patrick Süskind, Perfume é um dos meus filmes favoritos e por várias razões. Pela realização extremamente cuidada de Tom Tykwer, pela música perfeitamente integrada e, obviamente pela história excepcional. E ainda tem actores muito bons como Alan Rickman, Rachel Hurd-Wood, Dustin Hoffman e a voz inconfundível de John Hurt como narrador. Destaque principal para um actor pouco conhecido, Ben Whishaw, que tem aqui, provavelmente, a performance de uma vida. Não estou a ver outro actor naquele papel. É daquelas situações em que o actor se mistura com a personagem.
Perfume: The Story of a Murderer, uma das maiores produções alemãs de sempre, apesar de se tratar de perfumes e aromas, lembra-me sempre uma lâmina de barbear: muito leve, mas extremamente cortante. Não é daqueles filmes únicos que levaria para uma ilha deserta, mas pela sua singularidade, Perfume: The Story of a Murderer ficou-me para sempre gravado na memória. ●●●●○
Mas o propósito de Grenouille não é a criação do melhor perfume, algo que consegue fácil e instintivamente. Ele procura a derradeira fragrância, aquele aroma que quem o cheirar, entrará imediatamente num êxtase absoluto e se sentirá como se estivesse no Paraíso. Para isso terá de capturar um elusivo aroma apenas presente nas jovens mulheres... Mas como é dito frequentemente, o caminho para o Paraíso passa pelo Inferno...
A história de Perfume: The Story of a Murderer, sobre cheiros e aromas que pairam invisíveis para os comuns mortais excepto para um assassino "ingénuo" que tenta capturar a verdadeira alma das coisas, é estranha o suficiente para que muita gente ou a deteste ou a adore. Estou no segundo grupo. Nos últimos anos, é das histórias mais originais que me lembro de ver em filme. Adaptado do livro de Patrick Süskind, Perfume é um dos meus filmes favoritos e por várias razões. Pela realização extremamente cuidada de Tom Tykwer, pela música perfeitamente integrada e, obviamente pela história excepcional. E ainda tem actores muito bons como Alan Rickman, Rachel Hurd-Wood, Dustin Hoffman e a voz inconfundível de John Hurt como narrador. Destaque principal para um actor pouco conhecido, Ben Whishaw, que tem aqui, provavelmente, a performance de uma vida. Não estou a ver outro actor naquele papel. É daquelas situações em que o actor se mistura com a personagem.
Perfume: The Story of a Murderer, uma das maiores produções alemãs de sempre, apesar de se tratar de perfumes e aromas, lembra-me sempre uma lâmina de barbear: muito leve, mas extremamente cortante. Não é daqueles filmes únicos que levaria para uma ilha deserta, mas pela sua singularidade, Perfume: The Story of a Murderer ficou-me para sempre gravado na memória. ●●●●○
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Não conhecia muito bem a BD de Dick Tracy criada por Chester Gould. Sabia que era um detective durão que combate o crime organizado numa cidade corrupta, cheia de gangsters e vilões sem escrúpulos. Lembro-me que ele tinha uma série de gadgets como por exemplo, um relógio de pulso com rádio com que comunicava com a Polícia. Isso era muito fixe. Por isso mesmo, parabéns ao Warren Beatty por trazer Dick Tracy para o grande ecrã, para o público em geral e em particular para a minha pessoa que gosta muito de filmes de gangsters...
Em 1990, os filmes de super-heróis/adaptações da BD (re)começavam a surgir no cinema com alguma regularidade, mas ainda estavam numa fase muito embrionária. Na altura, Dick Tracy, foi completamente diferente de tudo o que já tinha visto. Mas ainda hoje, é uma das melhores adaptações da BD para cinema. Continua diferente, absolutamente peculiar e único. Tenho pena que na altura o público não estivesse muito na "onda" e o filme tivesse sido um flop comercial. Mas uma coisa é a parte financeira, outra é o filme como obra de arte e de autor.
Warren Beatty, Madonna, Al Pacino, Dustin Hoffman, James Caan e outros mais secundários, mas não menos excelentes como William Forsythe, Ed O'Ross, Kathy Bates, Paul Sorvino, Dick Van Dyke e mais uma troupe interminável de bons actores. Eis o casting de Dick Tracy. Parece que toda a gente queria entrar neste filme. É normal. Warren Beatty é um gajo com muito currículo em Hollywood e Dick Tracy parecia um filme que iria ficar na história. E até acho que ficou, apesar de estar incompreensivelmente esquecido.
Warren Beatty já tinha todo o crédito cinematográfico do mundo, mas com este filme, conseguiu (re)marcar o seu estatuto como realizador. Apesar de ser um daqueles filmes que se ama ou se odeia, não se lhe consegue ficar indiferente.
Grande destaque para a genial fotografia e para o make-up que literalmente transformou os actores em personagens da BD, mas deixou-lhes margem de manobra para representar. E as cores... do outro mundo. É provavelmente um dos filmes mais coloridos de sempre. E digo isto no bom sentido. Tem uma estética excelente.
Apesar de ser por vezes exageradamente BD, Dick Tracy é um filme que tem mesmo de se ver. ●●●●○
Em 1990, os filmes de super-heróis/adaptações da BD (re)começavam a surgir no cinema com alguma regularidade, mas ainda estavam numa fase muito embrionária. Na altura, Dick Tracy, foi completamente diferente de tudo o que já tinha visto. Mas ainda hoje, é uma das melhores adaptações da BD para cinema. Continua diferente, absolutamente peculiar e único. Tenho pena que na altura o público não estivesse muito na "onda" e o filme tivesse sido um flop comercial. Mas uma coisa é a parte financeira, outra é o filme como obra de arte e de autor.
Warren Beatty, Madonna, Al Pacino, Dustin Hoffman, James Caan e outros mais secundários, mas não menos excelentes como William Forsythe, Ed O'Ross, Kathy Bates, Paul Sorvino, Dick Van Dyke e mais uma troupe interminável de bons actores. Eis o casting de Dick Tracy. Parece que toda a gente queria entrar neste filme. É normal. Warren Beatty é um gajo com muito currículo em Hollywood e Dick Tracy parecia um filme que iria ficar na história. E até acho que ficou, apesar de estar incompreensivelmente esquecido.
Warren Beatty já tinha todo o crédito cinematográfico do mundo, mas com este filme, conseguiu (re)marcar o seu estatuto como realizador. Apesar de ser um daqueles filmes que se ama ou se odeia, não se lhe consegue ficar indiferente.
Grande destaque para a genial fotografia e para o make-up que literalmente transformou os actores em personagens da BD, mas deixou-lhes margem de manobra para representar. E as cores... do outro mundo. É provavelmente um dos filmes mais coloridos de sempre. E digo isto no bom sentido. Tem uma estética excelente.
Apesar de ser por vezes exageradamente BD, Dick Tracy é um filme que tem mesmo de se ver. ●●●●○
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