The Bad Batch é daqueles filmes que percebi, mas não gostei. Percebi a metáfora dos indesejáveis, que expulsos da "sociedade perfeita", são levados para lá dos limites do inaceitável (canibalismo) por força das circunstâncias. Sendo que as circunstâncias são basicamente, a falta de comida, de regras e de empatia, então a lei do mais forte, a lei da necessidade mais básica, a simples e pura sobrevivência, irá sempre imperar.
O que não gostei, principalmente, é que me pareceu um mix de coisas. Uma espécie de híbrido entre filme independente/intelectual, um videoclipe da Lana del Rey e um anúncio Tommy Hilfiger (ou será Ralph Lauren? Não sei muito bem qual destes é, mas é aquele que não tem nada a ver com o mar; o filme é todo passado no deserto...), rodado nos cenários pós-apocalípticos do Mad Max. Apesar de ser um filme com uma fotografia fantástica, acho-o algo despropositado: a disparidade entre o grotesco da actuação das personagens e as imagens lindíssimas não conjugam perfeitamente. É como tentar juntar as palavras romance e canibal na mesma frase: dificilmente irá sair bem...
Acho que é um filme feito por alguém com bastante talento (Ana Lily Amirpour), mas que não se consegue conter. É um problema que tenho visto muitas vezes.
Com aquele início muito bom e com tantas possibilidades metafóricas da história (até com a actualidade política e social americana), podia e deveria ter sido muito melhor. Até porque esta história funciona em qualquer altura: num presente instável e anárquico ou num futuro longínquo e distópico. Acho que o tema foi muito mal aproveitado. Fiquei com a sensação que tentaram que The Bad Batch tivesse aquele ar de filme "independente" e "intelectual" e acabaram por tornar o filme vazio e monótono, ao mesmo tempo que o tornaram ostensivamente metafórico, como se o público fosse um bocado burrinho e não conseguisse perceber nas entrelinhas. Detesto que me façam isso...
Aliás, é um filme que se perde bastante a tentar passar mensagens em cartazes. São muitos cartazes com muitas mensagens, espalhados por todo o lado e por todo o filme... Dei por mim a imaginar-me naquelas lojas de presentes que têm mensagens motivacionais em canecas e t-shirts...
O que poderia safar este filme seriam os actores. Mas nem isso aconteceu. Suki Waterhouse no papel principal de uma personagem que até tem bastante impacto, simplesmente não "aparece"; Keanu Reeves parece deslocado do seu papel e começo a ficar preocupado com o Jim Carrey e com o Giovanni Ribisi: só aparecem a fazer papéis de loucos ou estarão mesmo a pirar do capacete? A única surpresa positiva é o Jason Momoa, que não sendo grande actor, até teve bastante "presença".
The Bad Batch é uma partida em falso, apesar de metade do elenco andar constante de um lado para outro sem rumo. Apesar de estar muito bem fotografado, acaba por ser monótono e não tem uma história definida. Mas tem potencial. Há por aqui muito material de base para se fazer um filme em condições. Pode ser que alguém tenha visto o mesmo que eu e daqui por uns anos refaça o filme como deve ser. ●●○○○
Mostrar mensagens com a etiqueta Giovanni Ribisi. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Giovanni Ribisi. Mostrar todas as mensagens
Lost in Translation tem algo que o transcende como filme. Tal como Trainspotting uns anos antes, é mais que um filme, é uma marca geracional. Não é pela história de amor estranha e diferente, não é pela cultura e modo de vida japonês tão próprio, não é pelo contexto de deslocamento, nem é por nada em especial. É por conseguir identificar-se com toda uma geração que nessa altura (2003) também parecia que estava deslocada do seu habitat natural, que estava desiludida com o que tinha à mão deixado por uma incompreensível geração anterior, um futuro incerto sem caminho delineado, a querer o que não podia ter, à espera de algo que nunca chega.
Nos anos 90, Douglas Coupland popularizou o termo Geração X, para identificar um grupo de jovens que estava meio perdido num mundo em mudança acelerada e que queria lutar contra qualquer coisa que não sabia muito bem o que era. Mas nunca fui adepto destas classificações porque são muito estanques, e esta coisa das gerações é muito subjectiva. Mas para mim, Lost in Translation tem um significado especial, porque fecha o ciclo duma geração que tinha visto o mundo mudar radicalmente desde os anos 90. Era altura de deixar de "lutar" contra a desilusão e aceitar a realidade o melhor possível. Lost in Translation também tem qualquer coisa disto à mistura... Estou a divagar...
O mérito vai todo para o génio de Sofia Coppola que conseguiu capturar os pormenores, mais que o the big picture. Muitas vezes ouço dizer que o mais importante é ver o contexto geral, mais isso faz com que estejamos todos muitos distantes, não é verdade? E assim acabamos por não conseguir ver nenhum dos pormenores, que por vezes são muito mais importantes e belos que a imagem no seu todo... E estou a divagar novamente...
Lost in Translation é um filme sem falhas mas de difícil catalogação: é um drama, um romance, uma comédia? Não consigo definir. A história de Coppola é envolvente, humana, dramática, tocante, divertida, romântica e bipolar, tal como a vida é. Tem dois excepcionais actores, Bill Murray e Scarlett Johansson, que são totalmente a "alma" do filme. Fazem o par mais romântico, mas também mais improvável dos últimos anos. São imensamente diferentes um do outro, mas nota-se uma química genuína. Tem uma fotografia lindíssima que dá logo vontade de viajar até Tóquio para cantar karaoke e tem uma banda sonora alternativa (que guardo religiosamente) ainda melhor. Está perfeitamente escrito e realizado por Sofia Coppola. Um clássico instantâneo. Não tenho nada a apontar... Para ver sempre que possível. ●●●●●
Nos anos 90, Douglas Coupland popularizou o termo Geração X, para identificar um grupo de jovens que estava meio perdido num mundo em mudança acelerada e que queria lutar contra qualquer coisa que não sabia muito bem o que era. Mas nunca fui adepto destas classificações porque são muito estanques, e esta coisa das gerações é muito subjectiva. Mas para mim, Lost in Translation tem um significado especial, porque fecha o ciclo duma geração que tinha visto o mundo mudar radicalmente desde os anos 90. Era altura de deixar de "lutar" contra a desilusão e aceitar a realidade o melhor possível. Lost in Translation também tem qualquer coisa disto à mistura... Estou a divagar...
O mérito vai todo para o génio de Sofia Coppola que conseguiu capturar os pormenores, mais que o the big picture. Muitas vezes ouço dizer que o mais importante é ver o contexto geral, mais isso faz com que estejamos todos muitos distantes, não é verdade? E assim acabamos por não conseguir ver nenhum dos pormenores, que por vezes são muito mais importantes e belos que a imagem no seu todo... E estou a divagar novamente...
Lost in Translation é um filme sem falhas mas de difícil catalogação: é um drama, um romance, uma comédia? Não consigo definir. A história de Coppola é envolvente, humana, dramática, tocante, divertida, romântica e bipolar, tal como a vida é. Tem dois excepcionais actores, Bill Murray e Scarlett Johansson, que são totalmente a "alma" do filme. Fazem o par mais romântico, mas também mais improvável dos últimos anos. São imensamente diferentes um do outro, mas nota-se uma química genuína. Tem uma fotografia lindíssima que dá logo vontade de viajar até Tóquio para cantar karaoke e tem uma banda sonora alternativa (que guardo religiosamente) ainda melhor. Está perfeitamente escrito e realizado por Sofia Coppola. Um clássico instantâneo. Não tenho nada a apontar... Para ver sempre que possível. ●●●●●
Labels:
2003,
amor,
anos 90,
Bill Murray,
comédia,
drama,
geração,
Giovanni Ribisi,
Japão,
Lost in Translation,
nota5,
romance,
Scarlett Johansson,
Sofia Coppola,
solidão,
Tóquio

