Num futuro não muito distante, a Humanidade vê-se confrontada com a extinção iminente. Apenas sobrevive em subterrâneos para escapar a um vírus mortal que assola a superfície e para o qual não há cura. Numa última tentativa para inverter a situação, um grupo de cientistas desenvolve uma máquina do tempo e envia o soldado James Cole (Bruce Willis) numa missão quase impossível: encontrar o terrível bando dos 12 Macacos (uma organização terrorista liderada por Jeffrey Goines (Brad Pitt), um louco com uma visão fanática da ecologia e anti-corporativista), responsável pela criação e disseminação do vírus que dizimou a maior parte da Humanidade e levar uma amostra para o futuro para tentar desenvolver uma cura. Pelo caminho, apaixona-se por Kathryn (Madeleine Stowe), uma bela mulher que nunca conheceu, mas que no entanto aparece recorrentemente nos seus sonhos.
As premissas do filme são assustadoras. Não é por acaso que a personagem de Madeleine Stowe é apresentada a meio de uma conferência em que o tema é o Complexo de Cassandra. Aqui a temática é de uma verdadeira pandemia mortal, mas sem ter origens naturais como as que temos vivido nos últimos anos. Esta é voluntária, concebida, planeada e executada por um grupo de ecologistas fanáticos que face ao descontrolo e agressão constante ao meio ambiente decide tomar as rédeas dos acontecimentos, "vingar" o planeta e simplesmente erradicar a Humanidade do problema. Em 1995 poderia parecer um tema um pouco para o chalado e completamente fora da caixa, mas agora já não é (infelizmente) assim tão descabido.
Agora vou-me afastar um pouco do filme, porque este é um tema marado. Uma das coisas que sempre me chamou à atenção nos últimos surtos virais recentes foram as teorias da conspiração. Apesar de toda a comunidade cientifica vir a público alertar que o que acontece é resultante exclusivo de factores naturais e que até são cíclicos, uma grande parte da opinião pública arranja sempre uma teoria alternativa que envolve um agressor humano. Antes, os culpados eram o russos, depois passaram a ser os americanos e agora são os chineses. As teorias são constantemente desmontadas como falsas mas no entanto elas andam por aí e cada vez com mais força. E depois ainda há um mundo inteiro que vive com os fantasmas do terrorismo. É só juntar 2+2. Terrorismo e armas biológicas. A única coisa que falta para juntar estas duas forças imensas é a vontade. Num mundo cada vez mais regido por autênticos psicopatas eleitos e apoiados por uma população crescente que parece cada mais estupidificada para lhes dar poder... Não auguro nada de bom para a Humanidade. Voltando ao 12 Monkeys... espero que não venham para aqui tirar ideias... Sinceramente, acho que não. Está a dar para perceber que o impacto económico de uma pandemia pode ser mais devastador que a própria doença. E o que rege o mundo é o dinheiro. Logo, sem pessoas, não há economia e por tabela não há dinheiro. Mas há por esse mundo fora, grupos fundamentalistas para quem o dinheiro não é a prioridade numero um, por isso convém ter este cenário sempre presente. Como dizia o outro: há pessoas que só querem ver o mundo a arder. Não é difícil de imaginar (ou prever) que mais cedo ou mais tarde, intencionalmente ou não, uma doença contagiosa poderá causar imensos danos à Humanidade, até porque já aconteceu algumas vezes na história. Apesar de vivermos numa altura em que parece que estamos acima do mundo natural, na realidade, estamos ao mesmo nível de todos os outros seres vivos deste planeta. A situação actual de pandemia de Covid-19 prova exactamente isso. Espero sinceramente que isto não descambe mais e que se resolva rapidamente com o mínimo de sofrimento humano possível, mas também espero que a Humanidade aproveite esta paragem forçada para corrigir erros e reposicionar-se mais equilibradamente no planeta. De certa forma, eu vejo o que está a acontecer agora como uma espécie de lição planetária. Veremos se alguém aprende alguma coisa com estes acontecimentos dramáticos.
Mas vamos aligeirar um pouco a coisa e voltar ao 12 Monkeys. Um dos meus realizadores preferidos é sem dúvida o Terry Gilliam. Não só pela colaboração com os Monty Python mas principalmente pela carreira posterior a solo. A ligação umbilical aos Python justifica porque muitos filmes estejam imersos na loucura, no entanto, ironicamente, Gilliam criou também alguns dos melhores filmes relacionados com a opressão, a distopia e também a temática pós-apocalíptica. Um dos melhores exemplos tem mesmo de ser o 12 Monkeys, que mistura brilhantemente tudo isto num cocktail explosivo. Não consigo imaginar outra pessoas para além de Gilliam na cadeira do realizador. É o gajo ideal para conseguir misturar todos estes temas bem pesados sem que um gajo fique automaticamente deprimido. Sem ser um filme de acção, 12 Monkeys tem um movimento constante, seja pelas filmagens tipicamente estranhas de Gilliam, seja pelas prestações dos actores que oscilam entre o brilhante e o totalmente louco. O design de produção é excelente e o guião é intocável na sua complexidade. Ainda por cima, quando uma das temáticas envolvidas é a viagem no tempo, o que normalmente resulta numa salgalhada que arruína qualquer filme. Sem ser um remake oficial do francês La Jetée, na verdade parece mais uma extrapolação directa. E aqui há que dividir o mérito pelo David Peoples (mais uma vez aplausos para o guião) que conseguiu expandir 28 minutos do conceito original para a complexidade deste 12 Monkeys, duma forma tão fragmentada, mas ao mesmo tempo tão consistente.
Tenho a certeza que vamos ver um ressurgimento do filme nos próximos tempos. Ainda bem, porque muito para além da temática algo deprimente, 12 Monkeys é um filme muito bem interpretado, muito bem realizado, muito bem escrito e muito bem feito. Um dos meus filmes de ficção cientifica preferidos. Já me está a apetecer revê-lo... novamente. ●●●●○
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Como estamos numa altura de pandemia global, convém relembrar alguns filmes em que a temática é pós-apocalíptica e que até isto é uma situação recorrente.
Não sei o que se passou nos anos 70, mas sei que o sentimento latente não deveria ser muito diferente dos dias de hoje, porque muitos dos grande filmes pós-apocalípticos vieram dessa altura. Não é que sejam os melhores ou os mais bem feitos, mas são geralmente os que têm as melhores ideias e alguns até foram estranhamente premonitórios. O que não é o caso deste The Ultimate Warrior, de Robert Clouse.
Apesar de se passar no futuro (se bem que 2012 já parece um passado longínquo, era um ano muito à frente no calendário para uma produção de 1975), The Ultimate Warrior é mais um western que um filme de ficção cientifica. A única premissa "futurista" é a de que o planeta foi dizimado por uma peste misteriosa, a sociedade descambou totalmente e o mundo é agora um sitio sem leis. Ou seja, tornou-se o velho e caótico Oeste, regido à lei da bala e do mais forte. O próprio guião e até a música parecem saídos dum daqueles westerns mais tardios tirando um outro som mais esquisóide e estridente, esse sim bem evocativo do sci-fi dos anos 70 e 80. A história é basicamente a de uma comunidade assolada por um bando de desordeiros e que por isso precisa desesperadamente da protecção de um homem de acção, que neste caso é o carismático Yul Brynner. Diga-se de passagem, que Yul Brynner, tal como muitos outros "cowboys", fizeram uma passagem breve pela ficção cientifica pós-apocalíptica dos anos 70. Mas neste caso, convém ressalvar o pormenor de Brynner, provavelmente ter sido o único a fazer essa passagem sem nunca mudar de vestimenta: manteve sempre a fatiota preta e as texanas! Basta lembrar que também no Westworld ele veste-se da mesma forma... é por estas e outras que o Yul Brynner é um dos meus actores favoritos de sempre. E por falar em actores, há que mencionar Max von Sydow, que foi e sempre será um senhor do cinema. Até numa produção chungosa como esta, Sydow consegue manter a postura. Aliás, são estes dois actores que dão algo de positivo ao filme. Tudo o resto é de uma pobreza constrangedora. Normalmente vejo estes filmes "maus" porque sei que há sempre bons pormenores a reter, porque muitos dos grandes blockbusters buscam aqui inspiração à socapa, ou porque as histórias têm muito potencial. Não é o caso. The Ultimate Warrior é apenas mais uma peça arqueológica sem grande valor. Destaco o espectacular design do poster promocional, que como era (quase) norma da altura, estava muitos pontos acima do próprio filme. ●○○○○
Não sei o que se passou nos anos 70, mas sei que o sentimento latente não deveria ser muito diferente dos dias de hoje, porque muitos dos grande filmes pós-apocalípticos vieram dessa altura. Não é que sejam os melhores ou os mais bem feitos, mas são geralmente os que têm as melhores ideias e alguns até foram estranhamente premonitórios. O que não é o caso deste The Ultimate Warrior, de Robert Clouse.
Apesar de se passar no futuro (se bem que 2012 já parece um passado longínquo, era um ano muito à frente no calendário para uma produção de 1975), The Ultimate Warrior é mais um western que um filme de ficção cientifica. A única premissa "futurista" é a de que o planeta foi dizimado por uma peste misteriosa, a sociedade descambou totalmente e o mundo é agora um sitio sem leis. Ou seja, tornou-se o velho e caótico Oeste, regido à lei da bala e do mais forte. O próprio guião e até a música parecem saídos dum daqueles westerns mais tardios tirando um outro som mais esquisóide e estridente, esse sim bem evocativo do sci-fi dos anos 70 e 80. A história é basicamente a de uma comunidade assolada por um bando de desordeiros e que por isso precisa desesperadamente da protecção de um homem de acção, que neste caso é o carismático Yul Brynner. Diga-se de passagem, que Yul Brynner, tal como muitos outros "cowboys", fizeram uma passagem breve pela ficção cientifica pós-apocalíptica dos anos 70. Mas neste caso, convém ressalvar o pormenor de Brynner, provavelmente ter sido o único a fazer essa passagem sem nunca mudar de vestimenta: manteve sempre a fatiota preta e as texanas! Basta lembrar que também no Westworld ele veste-se da mesma forma... é por estas e outras que o Yul Brynner é um dos meus actores favoritos de sempre. E por falar em actores, há que mencionar Max von Sydow, que foi e sempre será um senhor do cinema. Até numa produção chungosa como esta, Sydow consegue manter a postura. Aliás, são estes dois actores que dão algo de positivo ao filme. Tudo o resto é de uma pobreza constrangedora. Normalmente vejo estes filmes "maus" porque sei que há sempre bons pormenores a reter, porque muitos dos grandes blockbusters buscam aqui inspiração à socapa, ou porque as histórias têm muito potencial. Não é o caso. The Ultimate Warrior é apenas mais uma peça arqueológica sem grande valor. Destaco o espectacular design do poster promocional, que como era (quase) norma da altura, estava muitos pontos acima do próprio filme. ●○○○○
Nos anos 90, os estúdios arriscavam tudo por um bom blockbuster. Incluindo filmar (quase) exclusivamente em ambientes aquáticos. Não sou grande conhecedor da parte da produção, mas já li bastante sobre o assunto para perceber que isto é uma receita para o desastre. E foi o que aconteceu. São inúmeras as histórias dos problemas decorrentes de filmar neste tipo de ambientes. É preciso ver estes filmes mais antigos para perceber porque é que um estúdio hoje em dia gasta 100 ou 200 milhões de dólares numa produção. É que na altura gastava essa quantia (e foi o caso do Waterworld) e ficava à espera para ver se o público cobria o gasto baseado no feeling que seria um blockbuster. Era um jogo. Às vezes funcionava, outras vezes não, como foi o caso. E ia levando o estúdio à falência. O que os estúdios aprenderam com estes "erros" é que podiam retirar o risco da equação. Se voltassem sempre às mesmas temáticas, se apostassem no que os fãs querem ver, se fizessem uns estudos de mercados e nuns pré-releases privados para limar as arestas, e filmassem em estúdio com um fundo verde de fundo, os estúdios praticamente não teriam risco. E foi o que aconteceu. Por isso é que estamos neste loop de blockbusters que parecem todos iguais, que têm a mesma história e que parecem assentar todos na mesma estrutura. Ninguém vai arriscar gastar 200 ou 300 milhões de dólares e esperar que o feeling esteja certo. Tem de estar certo. Tem de ser um produto vendável e financeiramente positivo. Daí que os filmes mais recentes parecerem não ter "alma". É porque não têm mesmo. São produtos multimédia de grande consumo. Estão na mesma classe dos electrodomésticos. Bem, neste caso é na classe de entretenimento. É mais um lançamento de um novo parque de diversões da Disney. Aquilo dificilmente falha. Não é coincidência que este Waterworld tenha estreado ao mesmo tempo dois ou três parques de diversão com a mesma temática pela Universal Studios. Mas isso é outra história.
Para além de ter durante muito tempo a etiqueta do filme mais caro de sempre, também teve a infeliz marca do maior flop financeiro de sempre. Terá sido porque a história era demasiado à frente do seu tempo? Não sei dizer. Mas em 1995, vir falar de alterações climáticas extremas, derretimento das calotas polares e subida do nível dos mares é capaz de ter sido um dos factores. Waterworld, de Kevin Reynolds, é quase premonitório. Num futuro distante, as alterações climáticas fazem com que a subida do nível do mares cubra toda a Terra de água. Na senda dos clássicos filmes pós-apocalípticos, a humanidade sobrevive mas altera-se radicalmente. Há pequenas comunidades a viver em atóis artificiais e há piratas que os aterrorizam. Pelo meio há o também clássico anti-herói que não se enquadra nas categorias anteriores. O motor de todo o filme é a procura dum mítico sítio com terra firme. O mapa para esse local está tatuado nas costas de uma miudinha, que é perseguida pelos piratas. E assim o anti-herói vai lentamente envolver-se no conflito. A premissa até é boa e a história até está bem esbugalhada; o problema é terem querido transformar um filme de ficção cientifica num blockbuster de acção e explosões. Os grandes estúdios não conseguem desligar-se do típico guião de acção e do bom contra o mau. E assim, simplesmente, Waterworld dissolve toda e qualquer introspecção sobre a temática ecológica e reduz toda a história a uma perseguição do mau ao bom e em que o bom (Kevin Costner), no último segundo, derrota o mau (Dennis Hopper) e fica com a namorada (Jeanne Tripplehorn) no final. A coisa perdeu-se de tal forma que no final nem é uma coisa nem outra. Por isso mesmo, apesar de ter alguns bons pormenores, Waterworld acaba por ser apenas mediano a descambar para o fracote. É pena porque tinha aqui material para um bom filmito. Este é um dos casos em que considero que deveriam fazer um remake. ●●○○○
Para além de ter durante muito tempo a etiqueta do filme mais caro de sempre, também teve a infeliz marca do maior flop financeiro de sempre. Terá sido porque a história era demasiado à frente do seu tempo? Não sei dizer. Mas em 1995, vir falar de alterações climáticas extremas, derretimento das calotas polares e subida do nível dos mares é capaz de ter sido um dos factores. Waterworld, de Kevin Reynolds, é quase premonitório. Num futuro distante, as alterações climáticas fazem com que a subida do nível do mares cubra toda a Terra de água. Na senda dos clássicos filmes pós-apocalípticos, a humanidade sobrevive mas altera-se radicalmente. Há pequenas comunidades a viver em atóis artificiais e há piratas que os aterrorizam. Pelo meio há o também clássico anti-herói que não se enquadra nas categorias anteriores. O motor de todo o filme é a procura dum mítico sítio com terra firme. O mapa para esse local está tatuado nas costas de uma miudinha, que é perseguida pelos piratas. E assim o anti-herói vai lentamente envolver-se no conflito. A premissa até é boa e a história até está bem esbugalhada; o problema é terem querido transformar um filme de ficção cientifica num blockbuster de acção e explosões. Os grandes estúdios não conseguem desligar-se do típico guião de acção e do bom contra o mau. E assim, simplesmente, Waterworld dissolve toda e qualquer introspecção sobre a temática ecológica e reduz toda a história a uma perseguição do mau ao bom e em que o bom (Kevin Costner), no último segundo, derrota o mau (Dennis Hopper) e fica com a namorada (Jeanne Tripplehorn) no final. A coisa perdeu-se de tal forma que no final nem é uma coisa nem outra. Por isso mesmo, apesar de ter alguns bons pormenores, Waterworld acaba por ser apenas mediano a descambar para o fracote. É pena porque tinha aqui material para um bom filmito. Este é um dos casos em que considero que deveriam fazer um remake. ●●○○○
Um gato ronrona a uma rotação de 26 ciclos por segundo, que curiosamente, é a mesma de um motor a diesel em ponto morto. Interessante, não é? Há montes de coisas verdadeiramente interessantes e surpreendentes neste mundo. E acabam por ser essas coisas que me distraem de outras coisas muito menos interessantes e surpreendentes como Mortal Engines (de Christian Rivers), uma história que é uma cópia descarada de outras histórias já batidas, mas que tem o elemento de surpresa e diferença no facto de ser sobre cidades motorizadas (?!) que comem outras cidades motorizadas num futuro pós-apocalíptico... WTF?!? Isto até pode ser uma produção Peter Jackson e ter um gajo porreiro como o Hugo Weaving, mas não tem nada a ver. É muito mau. É mais uma patetice dos tempos modernos. Previsível, cheio de cenas digitais absolutamente desnecessárias (aquilo a que na gíria se chama de "encher chouriços") e que bem espremido teria no máximo 20 minutitos de história. Muito fraco. Um fiasco "normal" que de certeza teve uma boa bilheteira e terá a sequela obrigatória. Mas se deu prejuízo também pode ficar por aqui. E não vinha nada de mal ao mundo se isso acontecesse... ●○○○○
O enredo de base de A Quiet Place é simples e já muito batido. O mundo foi invadido por extraterrestres que caçam com base no som e uma família isolada tem que lidar com alguns deles para poder sobreviver num cenário pós-apocalíptico. Vi este filme a contra gosto e com expectativas muito baixas, porque pensei que ia ver outra chacha de terror/acção/efeitos com adolescentes aos saltos entremeados por jump scares totalmente previsíveis. Foi-me indicado por um miúdo de 15 anos que gostou muito do filme e isso levou-me logo a pensar em parafernálias digitais infindáveis e acção estonteante e imparável. De certa forma, com aquela sugestão do miúdo, recuperei um pouco a fé na humanidade porque o filme é realmente bom e totalmente diferente do que estava à espera. Lá está... a questão das expectativas é muito importante nos filmes e na sua avaliação final... A acção vem precisamente da contenção da própria acção, o que diga-se, é muito raro hoje em dia. Suspense e montes de situações em que uma pessoa literalmente fica agarrado, em tensão, à cadeira é o que se pode esperar deste A Quiet Place.
Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds, Noah Jupe e Cade Woodward compõe esta família sob pressão alienígena. A questão do som é de facto muito importante, tanto na questão familiar (a filha é muda e só comunica por linguagem gestual), mas também como um elemento extra de tensão...
Apesar de ser uma produção relativamente pequena, vale mais que muitos filmes de grande orçamento. É mais um bom filmito feito com recursos muito limitados, centrando a acção numa história muito bem construída e muito bem montada. Uma vénia para John Krasinski que para além de actor, assina também a realização. As cenas de tensão são muito boas, por vezes dramáticas e consegue afastar-se dos inevitáveis jump scares do costumeiro filme de terror. É uma lufada de ar fresco no género e no cinema de entretenimento em geral. Totalmente recomendado. ●●●○○
Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds, Noah Jupe e Cade Woodward compõe esta família sob pressão alienígena. A questão do som é de facto muito importante, tanto na questão familiar (a filha é muda e só comunica por linguagem gestual), mas também como um elemento extra de tensão...
Apesar de ser uma produção relativamente pequena, vale mais que muitos filmes de grande orçamento. É mais um bom filmito feito com recursos muito limitados, centrando a acção numa história muito bem construída e muito bem montada. Uma vénia para John Krasinski que para além de actor, assina também a realização. As cenas de tensão são muito boas, por vezes dramáticas e consegue afastar-se dos inevitáveis jump scares do costumeiro filme de terror. É uma lufada de ar fresco no género e no cinema de entretenimento em geral. Totalmente recomendado. ●●●○○
Mais uma história pós-apocalíptica passada num futuro próximo. Neste caso, após um acontecimento global relativamente mal percebido, o ar torna-se irrespirável. Sendo assim, as pessoas são mantidas debaixo do solo, em hibernação, à espera que as coisas mudem para melhor. Para tratar dessas pessoas importantes e das instalações que as mantêm vivas, estão dois personagens (Norman Reedus - e, não, não é a personagem do Daryl, se bem que parece que tinha acabado de sair das filmagens do Walking Dead - e Djimon Hounsou) que acordam de 6 em 6 meses para fazer a manutenção.
A história de base deste Air até tinha muitas pernas para andar, mas acaba por se tornar confusa e simplesmente a arrastar-se para preencher os 90 minutos do filme. Dá mesmo a impressão que o ritmo lento e repetitivo das situações existe apenas e só para isto não ser uma curta-metragem. Parece-me que isso se deve ao facto de a produção ser do Robert Kirkman, e como tal, há que aproveitar a "galinha dos ovos de ouro". Nem que seja só para figurar o nome no cartaz e ganhar uns cobres...
Na realidade, Air acaba por ter aspecto de telefilme manhoso do SyFy, mas como tem dedinho mágico (e lucrativo) do gajo do Walking Dead, transformou-se em "film"e... O realizador, Christian Cantamessa, faz cinematics para video-jogos e curtas de zombies, daí que a escolha seja perfeita. Não sei mais que diga. Infelizmente, e mais uma vez, uma história com algum potencial acaba transformada em algo sem pés nem cabeça, sem intensidade, sem... nada que se aproveite. Simplesmente fraco. ●○○○○
A história de base deste Air até tinha muitas pernas para andar, mas acaba por se tornar confusa e simplesmente a arrastar-se para preencher os 90 minutos do filme. Dá mesmo a impressão que o ritmo lento e repetitivo das situações existe apenas e só para isto não ser uma curta-metragem. Parece-me que isso se deve ao facto de a produção ser do Robert Kirkman, e como tal, há que aproveitar a "galinha dos ovos de ouro". Nem que seja só para figurar o nome no cartaz e ganhar uns cobres...
Na realidade, Air acaba por ter aspecto de telefilme manhoso do SyFy, mas como tem dedinho mágico (e lucrativo) do gajo do Walking Dead, transformou-se em "film"e... O realizador, Christian Cantamessa, faz cinematics para video-jogos e curtas de zombies, daí que a escolha seja perfeita. Não sei mais que diga. Infelizmente, e mais uma vez, uma história com algum potencial acaba transformada em algo sem pés nem cabeça, sem intensidade, sem... nada que se aproveite. Simplesmente fraco. ●○○○○
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The Bad Batch é daqueles filmes que percebi, mas não gostei. Percebi a metáfora dos indesejáveis, que expulsos da "sociedade perfeita", são levados para lá dos limites do inaceitável (canibalismo) por força das circunstâncias. Sendo que as circunstâncias são basicamente, a falta de comida, de regras e de empatia, então a lei do mais forte, a lei da necessidade mais básica, a simples e pura sobrevivência, irá sempre imperar.
O que não gostei, principalmente, é que me pareceu um mix de coisas. Uma espécie de híbrido entre filme independente/intelectual, um videoclipe da Lana del Rey e um anúncio Tommy Hilfiger (ou será Ralph Lauren? Não sei muito bem qual destes é, mas é aquele que não tem nada a ver com o mar; o filme é todo passado no deserto...), rodado nos cenários pós-apocalípticos do Mad Max. Apesar de ser um filme com uma fotografia fantástica, acho-o algo despropositado: a disparidade entre o grotesco da actuação das personagens e as imagens lindíssimas não conjugam perfeitamente. É como tentar juntar as palavras romance e canibal na mesma frase: dificilmente irá sair bem...
Acho que é um filme feito por alguém com bastante talento (Ana Lily Amirpour), mas que não se consegue conter. É um problema que tenho visto muitas vezes.
Com aquele início muito bom e com tantas possibilidades metafóricas da história (até com a actualidade política e social americana), podia e deveria ter sido muito melhor. Até porque esta história funciona em qualquer altura: num presente instável e anárquico ou num futuro longínquo e distópico. Acho que o tema foi muito mal aproveitado. Fiquei com a sensação que tentaram que The Bad Batch tivesse aquele ar de filme "independente" e "intelectual" e acabaram por tornar o filme vazio e monótono, ao mesmo tempo que o tornaram ostensivamente metafórico, como se o público fosse um bocado burrinho e não conseguisse perceber nas entrelinhas. Detesto que me façam isso...
Aliás, é um filme que se perde bastante a tentar passar mensagens em cartazes. São muitos cartazes com muitas mensagens, espalhados por todo o lado e por todo o filme... Dei por mim a imaginar-me naquelas lojas de presentes que têm mensagens motivacionais em canecas e t-shirts...
O que poderia safar este filme seriam os actores. Mas nem isso aconteceu. Suki Waterhouse no papel principal de uma personagem que até tem bastante impacto, simplesmente não "aparece"; Keanu Reeves parece deslocado do seu papel e começo a ficar preocupado com o Jim Carrey e com o Giovanni Ribisi: só aparecem a fazer papéis de loucos ou estarão mesmo a pirar do capacete? A única surpresa positiva é o Jason Momoa, que não sendo grande actor, até teve bastante "presença".
The Bad Batch é uma partida em falso, apesar de metade do elenco andar constante de um lado para outro sem rumo. Apesar de estar muito bem fotografado, acaba por ser monótono e não tem uma história definida. Mas tem potencial. Há por aqui muito material de base para se fazer um filme em condições. Pode ser que alguém tenha visto o mesmo que eu e daqui por uns anos refaça o filme como deve ser. ●●○○○
O que não gostei, principalmente, é que me pareceu um mix de coisas. Uma espécie de híbrido entre filme independente/intelectual, um videoclipe da Lana del Rey e um anúncio Tommy Hilfiger (ou será Ralph Lauren? Não sei muito bem qual destes é, mas é aquele que não tem nada a ver com o mar; o filme é todo passado no deserto...), rodado nos cenários pós-apocalípticos do Mad Max. Apesar de ser um filme com uma fotografia fantástica, acho-o algo despropositado: a disparidade entre o grotesco da actuação das personagens e as imagens lindíssimas não conjugam perfeitamente. É como tentar juntar as palavras romance e canibal na mesma frase: dificilmente irá sair bem...
Acho que é um filme feito por alguém com bastante talento (Ana Lily Amirpour), mas que não se consegue conter. É um problema que tenho visto muitas vezes.
Com aquele início muito bom e com tantas possibilidades metafóricas da história (até com a actualidade política e social americana), podia e deveria ter sido muito melhor. Até porque esta história funciona em qualquer altura: num presente instável e anárquico ou num futuro longínquo e distópico. Acho que o tema foi muito mal aproveitado. Fiquei com a sensação que tentaram que The Bad Batch tivesse aquele ar de filme "independente" e "intelectual" e acabaram por tornar o filme vazio e monótono, ao mesmo tempo que o tornaram ostensivamente metafórico, como se o público fosse um bocado burrinho e não conseguisse perceber nas entrelinhas. Detesto que me façam isso...
Aliás, é um filme que se perde bastante a tentar passar mensagens em cartazes. São muitos cartazes com muitas mensagens, espalhados por todo o lado e por todo o filme... Dei por mim a imaginar-me naquelas lojas de presentes que têm mensagens motivacionais em canecas e t-shirts...
O que poderia safar este filme seriam os actores. Mas nem isso aconteceu. Suki Waterhouse no papel principal de uma personagem que até tem bastante impacto, simplesmente não "aparece"; Keanu Reeves parece deslocado do seu papel e começo a ficar preocupado com o Jim Carrey e com o Giovanni Ribisi: só aparecem a fazer papéis de loucos ou estarão mesmo a pirar do capacete? A única surpresa positiva é o Jason Momoa, que não sendo grande actor, até teve bastante "presença".
The Bad Batch é uma partida em falso, apesar de metade do elenco andar constante de um lado para outro sem rumo. Apesar de estar muito bem fotografado, acaba por ser monótono e não tem uma história definida. Mas tem potencial. Há por aqui muito material de base para se fazer um filme em condições. Pode ser que alguém tenha visto o mesmo que eu e daqui por uns anos refaça o filme como deve ser. ●●○○○






