Durante a II Guerra Mundial, os alemães decidem mostrar que são superiores em todos os aspectos e por isso montam um evento de propaganda para mostrar supremacia também no desporto, neste caso no futebol. A ideia é fazer um jogo entre os melhores nazis e uma equipa composta por prisioneiros aliados. O jogo é marcado e está potencialmente viciado à partida, mas não é simplesmente um "jogo de futebol". Os prisioneiros aproveitam a oportunidade para fazer uma "Fuga para a Vitória".
Dirigido pelo mestre John Huston já quese no final da carreira, Victory é um filme estranho. Para falar um pouco sobre John Houston tinha de criar um novo blog: com 50 anos de carreira e com outros tantos filmes, sendo que muitos são lendas do mundo do cinema dava pano para mangas. Só vi para aí um décimo dos seus filmes... Portanto, fico-me por aqui, até porque paralelamente ainda tem toda uma carreira de actor e argumentista. É uma lenda de Hollywood. Mas estranho a razão que terá levado Houston (americano) a fazer um filme sobre futebol... Vendo o filme, percebe-se facilmente que ele não entende minimamente o desporto nem sabe muito bem como filmá-lo. Se se juntar futebolistas profissionais - que são péssimos actores -, está reunido o conteúdo perfeito para um filme ridículo. Então porque é que isso não acontece? Não sei dizer. Apesar de todos os problemas, Victory acaba por ser um filme bem jeitoso. Mesmo tendo o Sylvester Stallone a fazer de guarda-redes...
Não é o melhor filme de guerra e decidamente não é o melhor filme sobre futebol. Mas é uma oportunidade para ver lendas vivas do futebol (na altura) como Pelé, Bobby Moore e Osvaldo Ardiles em acção. E a acção é real, visto que foi o próprio "rei" Pelé que coreografou as cenas de futebol como se fossem cenas de acção. O resto do casting também são jogadores internacionais da altura. É engraçado... os jogadores tiveram de aprender a representar, mas os actores tiveram de aprender a jogar à bola... Mas à parte dos nomes grandes do desporto também há dois nomes grandes da representação: Michael Caine e Max Von Sydow. São os grandes actores do filme e dão toda a credibilidade ao filme. Para além de serem dois autênticos "senhores"...
Vi o Victory (Fuga para a Vitória, no título original português) quando era miúdo e nunca pensei muito no filme pelo filme. A única coisa que eu queria era fazer aquelas fintas e fazer aquele pontapé de bicicleta do Pelé. Acho que ainda tenho lesões nas costas dessa altura... Tirando os jogos de futebol propriamente ditos, não existiam filmes com o tema futebol. Os americanos nem sabiam o que isso era, portanto não havia (quase) filmes para ninguém. Mas com este filme, finalmente havia a dramatização do cinema a tingir o futebol e a excitação do futebol a chegar ao grande ecrã. E esta é a história perfeita. Os mais fracos a jogar contra os mais fortes, a jogar em desvantagem numérica, a perderem perto do fim... e um penalty contra mesmo no final... Bem... já me estou a entusiasmar com o jogo...
Victory não é um grande filme e muito menos é um filme sobre prisioneiros de guerra nazis. Obviamente que não. É uma relíquia perdida no tempo que fala basicamente de outra coisa: quando se juntam pessoas, por muito diferentes que sejam, mas com um objectivo inabalável comum, mesmo contra todas as adversidades é muito difícil pará-las. É sobre querer ganhar mesmo quando parece impossível. Victory é sobre o esforço, a humildade e a perseverança. Como outros filmes de fugas aos nazis, Victory é um filmito que me ficou para sempre gravado. ●●●○○
PS: Nos bastidores do filme ficou célebre uma cena. Teoricamente, Sylvester Stallone era o grande nome de cartaz (Rocky já era uma instituição...) e por isso queria ter a grande cena do filme que era marcar o golo da vitória... no entanto tinha o papel de guarda-redes. Os jogadores profissionais, incluindo Pelé achavam a ideia absolutamente ridícula... Um guarda-redes a marcar golos, onde é que já se viu?... No entanto em tempos mais recentes, os guarda-redes começaram a sair das áreas e a marcar golos... E se alguém ainda se lembra, o Ricardo um dia tirou as luvas e defendeu um penalty. Mas para além de defender ainda foi marcar o penalty decisivo... Afinal o Stallone é que percebia disto...
Mostrar mensagens com a etiqueta Max von Sydow. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Max von Sydow. Mostrar todas as mensagens
Antonius Block (Max Von Sydow) é um cavaleiro que desembarca numa praia da Suécia após dez anos nas Cruzadas ao serviço da Igreja. Logo na chegada, encontra-se literalmente com a Morte que o desafia para um jogo de xadrez. O resultado final para o cavaleiro é simples: se ganhar, vive; se perder, morre. O jogo começa e vai-se desenrolado lentamente ao longo do filme. No caminho de regresso a casa, o que ele encontra é um país devastado pela Peste Negra. Antonius já tinha a sensação de ter desperdiçado uma vida inteira numa demanda sem sentido. Já tinha perdido a fé em Deus ao ver as atrocidades no campo de batalha. Mas agora, vendo o estado em que se encontra o seu país, com vilas inteiras destruídas pela peste e pela fome, questiona cada vez o papel de Deus na sociedade e a forma como a sociedade se socorre em Deus nas alturas mais desafortunadas. Neste caminho duro, ele e o seu fiel escudeiro encontram uma série de personagens (uma família de nómadas de circo, um casal com problemas matrimoniais e uma jovem que vai ser queimada na fogueira por ter tido contacto com Diabo). Percebendo que não vai conseguir ganhar o tal jogo de xadrez, Antonius arranja uma outra forma de enganar a Morte.
Em termos gerais, é esta a história do filme que os críticos unanimemente consideram uma obra-prima do cinema e muitos, como o melhor filme alguma vez feito. O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet, no título original) é um daqueles filmes sobre o qual não se pode apontar nada de mal. O que é errado. Permitam-me então discordar.
Apesar de ver muitos filmes, tenho obviamente a minha vidinha para fazer e não posso estar sentado o dia todo a analisar filmes. Para além disso, o acesso a filmes pré-anos 60 é bastante limitado. De uma forma quase geral, todos os filmes que vi reportam desde o meio dos anos 60 até aos dias de hoje. Isto quer dizer que me falta uma fatia gigantesca (e obviamente conhecimento técnico e crítico) de filmes para ver. A minha lista aumenta a cada dia, porque não é fácil para um amador como eu ter acesso aos filmes dos anos 20, 30 ou 40 por exemplo. E parece que não, mas isto é importante. A perspectiva muda e a forma de análise dos filmes muda bastante. Já notei isso quando comecei a alargar o leque de filmes para fora do espectro americano. Quer se queira quer não, o cinema americano é ubíquo e eu, como muita gente, durante muitos anos não tive contacto com filmes de outras origens. Por conseguinte, os filmes americanos eram os melhores do mundo... Até que comecei a ver outro tipo de filmes, de outros países, com outra língua, com outras temáticas e com aproximações radicalmente diferentes da dos americanos. Isso já mudou imenso a minha perspectiva. no entanto, o grosso do meu arquivo cinematográfico ainda continua a ser o cinema americano e ainda continua a ser o meu ponto de comparação.
Não tendo hipóteses de viajar no tempo para analisar se o filme teve um grande impacto na altura da estreia ou se foi revolucionário na forma de mostrar a história ou de qualquer outra forma, a única forma que tenho para balancear o impacto deste filme é comparar com outros filmes do mesmo período. Por exemplo em 1956 estreou The Ten Commandments, Invasion of the Body Snatchers e o Giant. No mesmo ano (1957), por exemplo há o Paths of Glory, o The Incredible Shrinking Man e Twelve Angry Men. No ano seguinte chegaram aos cinemas filmes como Touch of Evil, Cat on a Hot Tin Roof ou o Vertigo. Isto são só exemplos do que se fazia e se via na altura. Comparativamente... acho que nenhum dos anteriores filmes fica atrás do Sétimo Selo, e alguns aco que até são superiores. Portanto... como assim? Melhor filme de sempre? Não me parece.
Apesar de todos os bons pormenores, O Sétimo Selo não me impressionou. Foi mais um caso de expectativas artificialmente elevadas. Tem obviamente momentos brilhantes. Por exemplo, a cinematografia a preto e branco é muito boa. Tem momentos que, se se parasse a imagem, parecem obras de arte. A cena da marcha de penitentes que irrompe pela vila é absolutamente brilhante. Tem pormenores de realização que nitidamente foram copiados "n" de vezes em variadíssimos filmes futuros. A imagem icónica da Morte de capuz preto a jogar xadrez com Antonius na praia é de antologia. O grande suporte do filme é a lógica filosófica de que está revestido. Claro que está rodeado de grandes pensamentos filosóficos e questões humanas profundas. É um filme que nos deixa a pensar no assunto de Deus e da Morte durante algum tempo. Mas o desenvolvimento narrativo do filme em si não é assim tão profundo. As questões do cavaleiro são as mesmas que qualquer pessoa, a determinado ponto da vida, de uma forma ou outra, acaba por ter. Não é um pensamento assim tão radical. O que me parece é que O Sétimo Selo é um exercício de pensamento do próprio Ingmar Bergman. Uma forma de expiação. Uma procura de respostas. E a resposta implícita é de que não vale a pena recorrer a algo superior. A salvação está garantida, não porque se acredita num ser superior, mas pelo sacrifico pessoal e por actos solidários para com os outros. É assim que Antonius engana a Morte. Quer dizer, ele não engana a Morte para seu benefício, mas distraindo a Morte e salvando as outra pessoas. Acho que é nesta "resposta" em que me parece que O Sétimo Selo se torna intocável em termos de crítica: no mínimo é um filme agnóstico, no máximo é um filme ateu. Se o cavaleiro conseguisse enganar a Morte com recurso à devoção a Deus, o filme seria assim tão bem cotado por parte dos críticos? Aposto que não. Obviamente não tenho nada que segure esta minha opinião, mas é um feeling que tenho... Para além disso, e mais importante ainda, é que acho que ninguém querer ir contra o status que o filme já adquiriu. Basicamente ninguém quer dizer algo contrário ao que todos dizem há tantos anos. É por isso que há uma tão grande unanimidade na crítica do filme. Tentei encontrar críticas com menos de máxima cotação e é quase impossível. É algo que me atordoa. Não desgostei do filme e acho que tem muitas coisas excelentes. Mas tal como tudo na vida, tem de haver um equilíbrio e em O Sétimo Selo há outros pormenores para além dos bons, que lhe tiram valor. Ignorar esses aspectos é simplesmente falsear o resultado final. Lido assim, parece que O Sétimo Selo é um mau filme. Não é verdade. É um excelente filme, apenas não me "encheu as medidas". Tinha era que lhe apontar as falhas, já que por todo o lado, estão apenas as coisas boas. Se quiserem saber tudo o que de bom o filme tem, por favor, ler a crítica especializada.
Max Von Sydow faz um papel excepcional como Antonius Block. Mas até aqui tenho críticas a fazer, porque por contra-ponto, talvez o papel principal seja mesmo o de Gunnar Björnstrand, Jöns o escudeiro. É ele que tem as melhores deixas e parece que o filme está mais centrado no seu jargão filosófico do que propriamente nas questões existenciais de Antonuis ou na presença de Bengt Ekerot a representar a Morte. Diga-se que Bengt Ekerot aparece muito menos do que aquilo que se possa pensar. Acho até que tem um papel demasiado minúsculo para uma personagem que é tão central na história. Nils Poppe, Bibi Andersson e tal como tantos outros, têm papéis exigentes porque as personagens são demasiado teatrais. Aliás, a determinado ponto, O Sétimo Selo, mais que um filme, pareceu-me uma muito elaborada peça de teatro. Tenho de dizer que este tipo de aproximação e este tipo de representação não é nada do meu agrado.
Apesar de lhe reconhecer muitos méritos, O Sétimo Selo foi um pouco decepcionante. Anos e anos a ler críticas fantásticas que o classificavam "como o melhor filme alguma vez feito", elevaram demasiado a fasquia. Mais do que as grandes dúvidas existencialistas que (supostamente) o filme levanta, a grande marca do O Sétimo Selo é deixar uma mensagem que toda a gente já percebeu, que é intrínseca a todos os seres humanos, mas que (infelizmente) uma pessoa não dedica muito tempo a pensar: a Morte está sempre à espera. Chegar ao final do jogo é apenas uma questão de tempo. É uma inevitabilidade da própria vida. Por isso, aproveitem o tempo que resta e façam alguma coisa de bom com ela. ●●●●○
Em termos gerais, é esta a história do filme que os críticos unanimemente consideram uma obra-prima do cinema e muitos, como o melhor filme alguma vez feito. O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet, no título original) é um daqueles filmes sobre o qual não se pode apontar nada de mal. O que é errado. Permitam-me então discordar.
Apesar de ver muitos filmes, tenho obviamente a minha vidinha para fazer e não posso estar sentado o dia todo a analisar filmes. Para além disso, o acesso a filmes pré-anos 60 é bastante limitado. De uma forma quase geral, todos os filmes que vi reportam desde o meio dos anos 60 até aos dias de hoje. Isto quer dizer que me falta uma fatia gigantesca (e obviamente conhecimento técnico e crítico) de filmes para ver. A minha lista aumenta a cada dia, porque não é fácil para um amador como eu ter acesso aos filmes dos anos 20, 30 ou 40 por exemplo. E parece que não, mas isto é importante. A perspectiva muda e a forma de análise dos filmes muda bastante. Já notei isso quando comecei a alargar o leque de filmes para fora do espectro americano. Quer se queira quer não, o cinema americano é ubíquo e eu, como muita gente, durante muitos anos não tive contacto com filmes de outras origens. Por conseguinte, os filmes americanos eram os melhores do mundo... Até que comecei a ver outro tipo de filmes, de outros países, com outra língua, com outras temáticas e com aproximações radicalmente diferentes da dos americanos. Isso já mudou imenso a minha perspectiva. no entanto, o grosso do meu arquivo cinematográfico ainda continua a ser o cinema americano e ainda continua a ser o meu ponto de comparação.
Não tendo hipóteses de viajar no tempo para analisar se o filme teve um grande impacto na altura da estreia ou se foi revolucionário na forma de mostrar a história ou de qualquer outra forma, a única forma que tenho para balancear o impacto deste filme é comparar com outros filmes do mesmo período. Por exemplo em 1956 estreou The Ten Commandments, Invasion of the Body Snatchers e o Giant. No mesmo ano (1957), por exemplo há o Paths of Glory, o The Incredible Shrinking Man e Twelve Angry Men. No ano seguinte chegaram aos cinemas filmes como Touch of Evil, Cat on a Hot Tin Roof ou o Vertigo. Isto são só exemplos do que se fazia e se via na altura. Comparativamente... acho que nenhum dos anteriores filmes fica atrás do Sétimo Selo, e alguns aco que até são superiores. Portanto... como assim? Melhor filme de sempre? Não me parece.
Apesar de todos os bons pormenores, O Sétimo Selo não me impressionou. Foi mais um caso de expectativas artificialmente elevadas. Tem obviamente momentos brilhantes. Por exemplo, a cinematografia a preto e branco é muito boa. Tem momentos que, se se parasse a imagem, parecem obras de arte. A cena da marcha de penitentes que irrompe pela vila é absolutamente brilhante. Tem pormenores de realização que nitidamente foram copiados "n" de vezes em variadíssimos filmes futuros. A imagem icónica da Morte de capuz preto a jogar xadrez com Antonius na praia é de antologia. O grande suporte do filme é a lógica filosófica de que está revestido. Claro que está rodeado de grandes pensamentos filosóficos e questões humanas profundas. É um filme que nos deixa a pensar no assunto de Deus e da Morte durante algum tempo. Mas o desenvolvimento narrativo do filme em si não é assim tão profundo. As questões do cavaleiro são as mesmas que qualquer pessoa, a determinado ponto da vida, de uma forma ou outra, acaba por ter. Não é um pensamento assim tão radical. O que me parece é que O Sétimo Selo é um exercício de pensamento do próprio Ingmar Bergman. Uma forma de expiação. Uma procura de respostas. E a resposta implícita é de que não vale a pena recorrer a algo superior. A salvação está garantida, não porque se acredita num ser superior, mas pelo sacrifico pessoal e por actos solidários para com os outros. É assim que Antonius engana a Morte. Quer dizer, ele não engana a Morte para seu benefício, mas distraindo a Morte e salvando as outra pessoas. Acho que é nesta "resposta" em que me parece que O Sétimo Selo se torna intocável em termos de crítica: no mínimo é um filme agnóstico, no máximo é um filme ateu. Se o cavaleiro conseguisse enganar a Morte com recurso à devoção a Deus, o filme seria assim tão bem cotado por parte dos críticos? Aposto que não. Obviamente não tenho nada que segure esta minha opinião, mas é um feeling que tenho... Para além disso, e mais importante ainda, é que acho que ninguém querer ir contra o status que o filme já adquiriu. Basicamente ninguém quer dizer algo contrário ao que todos dizem há tantos anos. É por isso que há uma tão grande unanimidade na crítica do filme. Tentei encontrar críticas com menos de máxima cotação e é quase impossível. É algo que me atordoa. Não desgostei do filme e acho que tem muitas coisas excelentes. Mas tal como tudo na vida, tem de haver um equilíbrio e em O Sétimo Selo há outros pormenores para além dos bons, que lhe tiram valor. Ignorar esses aspectos é simplesmente falsear o resultado final. Lido assim, parece que O Sétimo Selo é um mau filme. Não é verdade. É um excelente filme, apenas não me "encheu as medidas". Tinha era que lhe apontar as falhas, já que por todo o lado, estão apenas as coisas boas. Se quiserem saber tudo o que de bom o filme tem, por favor, ler a crítica especializada.
Max Von Sydow faz um papel excepcional como Antonius Block. Mas até aqui tenho críticas a fazer, porque por contra-ponto, talvez o papel principal seja mesmo o de Gunnar Björnstrand, Jöns o escudeiro. É ele que tem as melhores deixas e parece que o filme está mais centrado no seu jargão filosófico do que propriamente nas questões existenciais de Antonuis ou na presença de Bengt Ekerot a representar a Morte. Diga-se que Bengt Ekerot aparece muito menos do que aquilo que se possa pensar. Acho até que tem um papel demasiado minúsculo para uma personagem que é tão central na história. Nils Poppe, Bibi Andersson e tal como tantos outros, têm papéis exigentes porque as personagens são demasiado teatrais. Aliás, a determinado ponto, O Sétimo Selo, mais que um filme, pareceu-me uma muito elaborada peça de teatro. Tenho de dizer que este tipo de aproximação e este tipo de representação não é nada do meu agrado.
Apesar de lhe reconhecer muitos méritos, O Sétimo Selo foi um pouco decepcionante. Anos e anos a ler críticas fantásticas que o classificavam "como o melhor filme alguma vez feito", elevaram demasiado a fasquia. Mais do que as grandes dúvidas existencialistas que (supostamente) o filme levanta, a grande marca do O Sétimo Selo é deixar uma mensagem que toda a gente já percebeu, que é intrínseca a todos os seres humanos, mas que (infelizmente) uma pessoa não dedica muito tempo a pensar: a Morte está sempre à espera. Chegar ao final do jogo é apenas uma questão de tempo. É uma inevitabilidade da própria vida. Por isso, aproveitem o tempo que resta e façam alguma coisa de bom com ela. ●●●●○
Após o imenso sucesso comercial que foram os Ghostbusters era obrigatório uma sequela. E ela chegou 5 anos depois, o que seria impensável hoje em dia. O mundo cinematográfico mudou imenso...
Nesta nova aventura, com o passar dos anos, os Ghostbusters perderam a credibilidade e vivem dispersos, tendo outras profissionais diferentes dos famosos caçadores de fantasmas. Mas quando Dana e o seu bebé têm um novo encontro com o paranormal, os Ghostbusters são novamente chamados para salvar o mundo.
Como dá logo pode perceber, Ghostbusters 2 é um pouco mais fraco que o original, mas ainda assim aguenta-se bastante bem. Apesar de estar tudo bem feito, não deixa de ser demasiado "colado" em termos de estrutura ao sucesso que foi o primeiro filme. Mais uma prova evidente que mais meios, mais dinheiro na produção e melhores efeitos especiais não fazem necessariamente um filme melhor. Vi uma entrevista em que Bill Murray se queixava precisamente disso.
Aos Ghostbusters originais (Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis, Ernie Hudson, Rick Moranis, Annie Potts, Sigourney Weaver) junta-se agora Peter MacNicol, que não lhes fica em nada atrás, como o capataz de Vigo. Já agora, referência também para Max von Sydow que dá a voz ao vilão da história. Uma curiosidade: tal como aconteceu noutras situações, a personagem (Vigo) foi interpretada por um actor (Wilhelm von Homburg), mas sem saber foi dobrado por outro. Como é óbvio, o actor original detestou a opção. Acontece.
Apesar de ser só um pormenor, acaba por resumir um pouco este Ghostbusters 2. Estão lá todos os elementos originais, actores incluídos, mas de alguma forma, no geral não funciona tão bem, quase como se fosse uma música com playback. Será porque perde a originalidade? Será porque a espontaneidade já não está presente? Será porque os efeitos especiais "tomam conta" do filme? Será por ser muito mais "polido" e "infantil"? Será porque o público já não é o mesmo? Não sei responder. O que sei é que enquanto o original Ghostbusters é uma referência a tantos níveis, esta sequela é apenas um filme... que se vê bem... ●●○○○
Nesta nova aventura, com o passar dos anos, os Ghostbusters perderam a credibilidade e vivem dispersos, tendo outras profissionais diferentes dos famosos caçadores de fantasmas. Mas quando Dana e o seu bebé têm um novo encontro com o paranormal, os Ghostbusters são novamente chamados para salvar o mundo.
Como dá logo pode perceber, Ghostbusters 2 é um pouco mais fraco que o original, mas ainda assim aguenta-se bastante bem. Apesar de estar tudo bem feito, não deixa de ser demasiado "colado" em termos de estrutura ao sucesso que foi o primeiro filme. Mais uma prova evidente que mais meios, mais dinheiro na produção e melhores efeitos especiais não fazem necessariamente um filme melhor. Vi uma entrevista em que Bill Murray se queixava precisamente disso.
Aos Ghostbusters originais (Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis, Ernie Hudson, Rick Moranis, Annie Potts, Sigourney Weaver) junta-se agora Peter MacNicol, que não lhes fica em nada atrás, como o capataz de Vigo. Já agora, referência também para Max von Sydow que dá a voz ao vilão da história. Uma curiosidade: tal como aconteceu noutras situações, a personagem (Vigo) foi interpretada por um actor (Wilhelm von Homburg), mas sem saber foi dobrado por outro. Como é óbvio, o actor original detestou a opção. Acontece.
Apesar de ser só um pormenor, acaba por resumir um pouco este Ghostbusters 2. Estão lá todos os elementos originais, actores incluídos, mas de alguma forma, no geral não funciona tão bem, quase como se fosse uma música com playback. Será porque perde a originalidade? Será porque a espontaneidade já não está presente? Será porque os efeitos especiais "tomam conta" do filme? Será por ser muito mais "polido" e "infantil"? Será porque o público já não é o mesmo? Não sei responder. O que sei é que enquanto o original Ghostbusters é uma referência a tantos níveis, esta sequela é apenas um filme... que se vê bem... ●●○○○
Como estamos numa altura de pandemia global, convém relembrar alguns filmes em que a temática é pós-apocalíptica e que até isto é uma situação recorrente.
Não sei o que se passou nos anos 70, mas sei que o sentimento latente não deveria ser muito diferente dos dias de hoje, porque muitos dos grande filmes pós-apocalípticos vieram dessa altura. Não é que sejam os melhores ou os mais bem feitos, mas são geralmente os que têm as melhores ideias e alguns até foram estranhamente premonitórios. O que não é o caso deste The Ultimate Warrior, de Robert Clouse.
Apesar de se passar no futuro (se bem que 2012 já parece um passado longínquo, era um ano muito à frente no calendário para uma produção de 1975), The Ultimate Warrior é mais um western que um filme de ficção cientifica. A única premissa "futurista" é a de que o planeta foi dizimado por uma peste misteriosa, a sociedade descambou totalmente e o mundo é agora um sitio sem leis. Ou seja, tornou-se o velho e caótico Oeste, regido à lei da bala e do mais forte. O próprio guião e até a música parecem saídos dum daqueles westerns mais tardios tirando um outro som mais esquisóide e estridente, esse sim bem evocativo do sci-fi dos anos 70 e 80. A história é basicamente a de uma comunidade assolada por um bando de desordeiros e que por isso precisa desesperadamente da protecção de um homem de acção, que neste caso é o carismático Yul Brynner. Diga-se de passagem, que Yul Brynner, tal como muitos outros "cowboys", fizeram uma passagem breve pela ficção cientifica pós-apocalíptica dos anos 70. Mas neste caso, convém ressalvar o pormenor de Brynner, provavelmente ter sido o único a fazer essa passagem sem nunca mudar de vestimenta: manteve sempre a fatiota preta e as texanas! Basta lembrar que também no Westworld ele veste-se da mesma forma... é por estas e outras que o Yul Brynner é um dos meus actores favoritos de sempre. E por falar em actores, há que mencionar Max von Sydow, que foi e sempre será um senhor do cinema. Até numa produção chungosa como esta, Sydow consegue manter a postura. Aliás, são estes dois actores que dão algo de positivo ao filme. Tudo o resto é de uma pobreza constrangedora. Normalmente vejo estes filmes "maus" porque sei que há sempre bons pormenores a reter, porque muitos dos grandes blockbusters buscam aqui inspiração à socapa, ou porque as histórias têm muito potencial. Não é o caso. The Ultimate Warrior é apenas mais uma peça arqueológica sem grande valor. Destaco o espectacular design do poster promocional, que como era (quase) norma da altura, estava muitos pontos acima do próprio filme. ●○○○○
Não sei o que se passou nos anos 70, mas sei que o sentimento latente não deveria ser muito diferente dos dias de hoje, porque muitos dos grande filmes pós-apocalípticos vieram dessa altura. Não é que sejam os melhores ou os mais bem feitos, mas são geralmente os que têm as melhores ideias e alguns até foram estranhamente premonitórios. O que não é o caso deste The Ultimate Warrior, de Robert Clouse.
Apesar de se passar no futuro (se bem que 2012 já parece um passado longínquo, era um ano muito à frente no calendário para uma produção de 1975), The Ultimate Warrior é mais um western que um filme de ficção cientifica. A única premissa "futurista" é a de que o planeta foi dizimado por uma peste misteriosa, a sociedade descambou totalmente e o mundo é agora um sitio sem leis. Ou seja, tornou-se o velho e caótico Oeste, regido à lei da bala e do mais forte. O próprio guião e até a música parecem saídos dum daqueles westerns mais tardios tirando um outro som mais esquisóide e estridente, esse sim bem evocativo do sci-fi dos anos 70 e 80. A história é basicamente a de uma comunidade assolada por um bando de desordeiros e que por isso precisa desesperadamente da protecção de um homem de acção, que neste caso é o carismático Yul Brynner. Diga-se de passagem, que Yul Brynner, tal como muitos outros "cowboys", fizeram uma passagem breve pela ficção cientifica pós-apocalíptica dos anos 70. Mas neste caso, convém ressalvar o pormenor de Brynner, provavelmente ter sido o único a fazer essa passagem sem nunca mudar de vestimenta: manteve sempre a fatiota preta e as texanas! Basta lembrar que também no Westworld ele veste-se da mesma forma... é por estas e outras que o Yul Brynner é um dos meus actores favoritos de sempre. E por falar em actores, há que mencionar Max von Sydow, que foi e sempre será um senhor do cinema. Até numa produção chungosa como esta, Sydow consegue manter a postura. Aliás, são estes dois actores que dão algo de positivo ao filme. Tudo o resto é de uma pobreza constrangedora. Normalmente vejo estes filmes "maus" porque sei que há sempre bons pormenores a reter, porque muitos dos grandes blockbusters buscam aqui inspiração à socapa, ou porque as histórias têm muito potencial. Não é o caso. The Ultimate Warrior é apenas mais uma peça arqueológica sem grande valor. Destaco o espectacular design do poster promocional, que como era (quase) norma da altura, estava muitos pontos acima do próprio filme. ●○○○○
Já não me lembro bem, mas sou capaz de jurar que o primeiro filme de super-heróis que vi foi mesmo o Flash Gordon. Ou seja, Flash Gordon é um filme do tempo dos dinossauros. É tão do tempo dos dinossauros que o produtor é o Dino de Laurentis, o mítico "pagador" de filmes extravagantes da década de 80. É tão antigo que o Technicolor ainda era algo que valia a pena salientar.
Para quem não conhece (e é muito provável que pouca gente conheça), Flash Gordon (Sam J. Jones) é um jogador de futebol americano que, sem querer, viaja com a sua linda namorada (Melody Anderson) para o Planeta Mongo (não podiam ter arranjado um nome melhor?!) e que acaba por salvar a Terra das garras do sádico e tirânico Senhor do Universo, o Imperador Ming (um eterno Max von Sydow). Claro que para isso acontecer vai ter a ajuda preciosa de um cientista louco (Topol), homens voadores e outras ordes guerreiras (Timothy Dalton) e a belíssima filha do Imperador (Ornella Muti) que não consegue resistir aos encantos terráqueos e à musculatura típica do homem americano no cinema dos anos 80. Dito assim, até parece um filme ridículo. O que acontece é que é mesmo ridículo. Os efeitos especiais são maus, as interpretações são sofríveis, a realização de Mike Hodges é quase elementar, e a história parece concebida para que miúdos de 6 anos a entendessem. É normal. O filme foi feito para agradar às pessoas que gostavam do Flash Gordon nos anos 60 quando ainda era uma série de TV, daí que pareça deslocado no tempo.
Mas nem todas as coisas "más", são necessariamente más. E às vezes são tão más que acabam por se tornar boas. É aquele estranho efeito kitsch, ou como com o passar do tempo, um filme se torna de "culto". Este é um desses casos e que, para se gostar, é preciso abraçar o ridículo logo de início. Mas nem tudo é mau. Com ele nasceu uma das grandes personagens icónicas do cinema (o Imperador Ming) e tem uma das melhores bandas sonoras até à data, composta e tocada pelos míticos Queen. Ainda hoje, o tema principal do Flash Gordon é reconhecido e dificilmente alguém pegará na personagem sem pegar na música original dos Queen. Uma coisa ficou eternamente ligada à outra. Há que dar mérito às coisas boas.
Apesar de todas as óbvias deficiências, pessoalmente, é um filme que tem um espaço muito especial no meu arquivo. É um dos primeiros filmes que vi na minha vida. Lembra-me um mundo menos negro e mais despreocupado. Lembra-me um tempo em que a fantasia ainda existia e era pura. A magia do cinema era uma coisa real. Mas especialmente, lembra-me que a inocência nos filmes ainda existia. (eu próprio já começo a sentir-me um dinossauro de outros tempos...) Classificação nítida e exlusivamente baseada em elementos saudosistas... ●●●●○
Para quem não conhece (e é muito provável que pouca gente conheça), Flash Gordon (Sam J. Jones) é um jogador de futebol americano que, sem querer, viaja com a sua linda namorada (Melody Anderson) para o Planeta Mongo (não podiam ter arranjado um nome melhor?!) e que acaba por salvar a Terra das garras do sádico e tirânico Senhor do Universo, o Imperador Ming (um eterno Max von Sydow). Claro que para isso acontecer vai ter a ajuda preciosa de um cientista louco (Topol), homens voadores e outras ordes guerreiras (Timothy Dalton) e a belíssima filha do Imperador (Ornella Muti) que não consegue resistir aos encantos terráqueos e à musculatura típica do homem americano no cinema dos anos 80. Dito assim, até parece um filme ridículo. O que acontece é que é mesmo ridículo. Os efeitos especiais são maus, as interpretações são sofríveis, a realização de Mike Hodges é quase elementar, e a história parece concebida para que miúdos de 6 anos a entendessem. É normal. O filme foi feito para agradar às pessoas que gostavam do Flash Gordon nos anos 60 quando ainda era uma série de TV, daí que pareça deslocado no tempo.
Mas nem todas as coisas "más", são necessariamente más. E às vezes são tão más que acabam por se tornar boas. É aquele estranho efeito kitsch, ou como com o passar do tempo, um filme se torna de "culto". Este é um desses casos e que, para se gostar, é preciso abraçar o ridículo logo de início. Mas nem tudo é mau. Com ele nasceu uma das grandes personagens icónicas do cinema (o Imperador Ming) e tem uma das melhores bandas sonoras até à data, composta e tocada pelos míticos Queen. Ainda hoje, o tema principal do Flash Gordon é reconhecido e dificilmente alguém pegará na personagem sem pegar na música original dos Queen. Uma coisa ficou eternamente ligada à outra. Há que dar mérito às coisas boas.
Apesar de todas as óbvias deficiências, pessoalmente, é um filme que tem um espaço muito especial no meu arquivo. É um dos primeiros filmes que vi na minha vida. Lembra-me um mundo menos negro e mais despreocupado. Lembra-me um tempo em que a fantasia ainda existia e era pura. A magia do cinema era uma coisa real. Mas especialmente, lembra-me que a inocência nos filmes ainda existia. (eu próprio já começo a sentir-me um dinossauro de outros tempos...) Classificação nítida e exlusivamente baseada em elementos saudosistas... ●●●●○
Martin Scorsese é - provavelmente - neste momento o melhor realizador vivo. O homem faz filmes de toda a espécie e feitio e faz tudo bem. É um estudioso do meio, um perfeccionista e um executante exímio na sua arte. E isso nota-se bastante bem em Shutter Island. Pelo estilo visual e pela temática da insanidade, nunca diria que este é um "Scorcese". É um tipo de filme que nada tem a ver com Scorcese, que apresenta uma coisa e depois deixa-a desenvolver para outra completamente diferente. Todo o filme é um enorme twist de argumento, que diga-se, está exemplarmente bem escrito. Os actores são do melhor que há (Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams e Elias Koteas) e dispensam mais comentários.
Portanto, o que é que falha aqui? Para mim o que falhou foi a previsibilidade. Se calhar já vi muitos filmes deste género com twist ou então foram os anos seguidos a ver religiosamente o "Alfred Hitchcock Presents". Sinceramente, não sei. O que sei é que a meio do filme já estava a ver o que ia acontecer e isso chateou-me um bocado. Tudo me pareceu demasiado familiar, como se já tivesse visto este filme antes, ou algo muito parecido. Nesse aspecto, foi uma pequena desilusão. Vindo de um mestre como Martin Scorsese, surpreendeu-me por não me surpreender. Tirando este pequeno pormenor pessoal, Shutter Island é como uma peça de relojoaria cinematográfica, perfeitamente funcional e meticulosamente elaborada. A ver com atenção. ●●●○○
Portanto, o que é que falha aqui? Para mim o que falhou foi a previsibilidade. Se calhar já vi muitos filmes deste género com twist ou então foram os anos seguidos a ver religiosamente o "Alfred Hitchcock Presents". Sinceramente, não sei. O que sei é que a meio do filme já estava a ver o que ia acontecer e isso chateou-me um bocado. Tudo me pareceu demasiado familiar, como se já tivesse visto este filme antes, ou algo muito parecido. Nesse aspecto, foi uma pequena desilusão. Vindo de um mestre como Martin Scorsese, surpreendeu-me por não me surpreender. Tirando este pequeno pormenor pessoal, Shutter Island é como uma peça de relojoaria cinematográfica, perfeitamente funcional e meticulosamente elaborada. A ver com atenção. ●●●○○
"Estás prestes a entrar num mundo onde o inesperado, o desconhecido e o inacreditável se encontram. Um mundo onde os reinos são construídos em terras movediças, e os céus estão cheios de fogo. Um mundo que contém o maior tesouro da criação ... e os maiores terrores. Um mundo onde o poder, a loucura e o fantástico enfrentam-se numa batalha final. Uma viagem espetacular através das maravilhas do espaço e dos mistérios do tempo, desde os limites do incrível até as fronteiras do impossível. Um mundo onde minhocas da areia com mil metros de comprimento guardam o maior tesouro da criação - a especiaria que prolonga a vida - que permite que a mente dobre o espaço e atrase o tempo. Onde uma profecia será cumprida. É o campo de batalha onde um jovem líder emergirá para comandar um exército de cinco milhões de guerreiros contra a força tirânica que ameaça escravizar o universo. O planeta chama-se Dune. O evento cinematográfico de 1984."
Acho que esta descrição do Dune - na realidade é uma adaptação livre das taglines do filme - assenta-lhe que nem uma luva. Se tivesse que resumir Dune a única palavra, a primeira coisa que vem à cabeça é... estranho. É estranho, de facto, mas bom... É tão único e estranho que ao longo do tempo percebi que este é um filme que as pessoas ou adoram ou detestam. Por várias razões, incluo-me no primeiro grupo, se bem que tenha algumas reservas.
É um filme de David Lynch, por muito que ele diga que não gosta da sua obra, que este foi o maior falhanço da sua carreira e inclusivé que se recuse a falar dele. Nota-se a quilómetros. É negro, distorcido e cheio daquelas "coisas" estranhas à maneira de Lynch. E isto, misturado com a própria estranheza da história dá um resultado final absolutamente marado. Daí que muita gente não o consiga suportar. Ainda "é" demasiado à frente no tempo, quanto mais no longínquo ano de 1984.
Há duas versões do filme e por acaso já consegui ver as duas. Uma versão mais curta, assinada por Lynch e outra, com mais minutos e uma introdução diferente que conta a história anterior ao próprio filme para contextualizar, assinada por Alan Smithee. Para quem não sabe, Alan Smithee (li que é um anagrama do título "The Alias Men") é um pseudónimo normalmente usado pelos realizadores que não querem o seu nome associado ao filme que realizaram. Isto pode parecer estranho, mas acontece. Neste caso, David Lynch não quis ter o nome associado à versão "maior" de Dune, porque não concordava com a edição final. Aliás, pelo que dá para perceber, ele nem sequer quer ter o nome em nenhuma das versões. Ele lá deve saber o porquê, mas conhecendo as ingerências normais dos estúdios no trabalho dos realizadores, dá para perceber que a "visão" Lynch deve ter sido um bocado "condicionada". Imagino só o que seria o Dune com Lynch à frente e total liberdade criativa. É provável que tivesse saído uma obra prima ou então algo completamente impossível de ver... e perceber. Se calhar foi melhor assim...
Seja qual a for a versão (e eu gosto mais da "versão do realizador"), Dune é mesmo um evento cinematográfico. Não que tenha grandes inovações tecnológicas ou revolucionários efeitos especiais, mas simplesmente por causa da história. É tão diferente de tudo o que já vi, que é por si só um marco. Eu sei que a história original vem dos livros de Frank Herbert, mas a forma como Lynch a visualiza é absolutamente única. É o David Lynch, lá está. Poderia dizer que é o Twin Peaks no espaço, ou o Game of Thrones sob a influência de psicotrópicos, mas é muito mais que isso.
A história tem lugar no inimaginável ano de 10191, numa realidade tão distante do que conhecemos, que roça a magia. Na versão "longa", a história é contextualizada através de ilustrações, para mostrar um pouco como se chegou até ali. Ao longo do tempo, o homem e a tecnologia evolui para um ponto tal, que máquinas pensantes começaram a reinar sobre o universo e mais importante ainda, sobre o próprio Homem, o que levou a uma revolta contra as máquinas e estabeleceu toda a estranha ordem de castas e as suas escolas que agora se degladiam pelo controlo e pelo poder do Universo e da Especiaria. A Especiaria é um elemento que só existe no planeta Arrakis e é crucial para as viagens do tempo e para prolongar a vida. O resto é tão estranho e fantástico que só mesmo vendo.
O casting é enorme e conta com Sean Young, Brad Dourif, José Ferrer, Linda Hunt, Jürgen Prochnow, Virginia Madsen, Jack Nance, Max von Sydow, Dean Stockwell, Patrick Stewart e até Sting, entre muitos outros, e em estreia, um jovem e desconhecido actor de nome Kyle MacLachlan, que apareceria muitas vezes nos trabalhos seguintes de Lynch.
Dune não é para todos os estômagos, nem para todos os cérebros. É mesmo um mundo para além da imaginação, num lugar além dos sonhos, onde a loucura, o fantástico, o inesperado, o desconhecido e o inacreditável se encontram. Uma viagem espetacular através das maravilhas do espaço e dos mistérios do tempo, desde os limites do incrível até as fronteiras do impossível. É realmente alternativo e um dos trabalhos que mais gosto de Lynch. Uma trip unica que convém ver. ●●●●○
Acho que esta descrição do Dune - na realidade é uma adaptação livre das taglines do filme - assenta-lhe que nem uma luva. Se tivesse que resumir Dune a única palavra, a primeira coisa que vem à cabeça é... estranho. É estranho, de facto, mas bom... É tão único e estranho que ao longo do tempo percebi que este é um filme que as pessoas ou adoram ou detestam. Por várias razões, incluo-me no primeiro grupo, se bem que tenha algumas reservas.
É um filme de David Lynch, por muito que ele diga que não gosta da sua obra, que este foi o maior falhanço da sua carreira e inclusivé que se recuse a falar dele. Nota-se a quilómetros. É negro, distorcido e cheio daquelas "coisas" estranhas à maneira de Lynch. E isto, misturado com a própria estranheza da história dá um resultado final absolutamente marado. Daí que muita gente não o consiga suportar. Ainda "é" demasiado à frente no tempo, quanto mais no longínquo ano de 1984.
Há duas versões do filme e por acaso já consegui ver as duas. Uma versão mais curta, assinada por Lynch e outra, com mais minutos e uma introdução diferente que conta a história anterior ao próprio filme para contextualizar, assinada por Alan Smithee. Para quem não sabe, Alan Smithee (li que é um anagrama do título "The Alias Men") é um pseudónimo normalmente usado pelos realizadores que não querem o seu nome associado ao filme que realizaram. Isto pode parecer estranho, mas acontece. Neste caso, David Lynch não quis ter o nome associado à versão "maior" de Dune, porque não concordava com a edição final. Aliás, pelo que dá para perceber, ele nem sequer quer ter o nome em nenhuma das versões. Ele lá deve saber o porquê, mas conhecendo as ingerências normais dos estúdios no trabalho dos realizadores, dá para perceber que a "visão" Lynch deve ter sido um bocado "condicionada". Imagino só o que seria o Dune com Lynch à frente e total liberdade criativa. É provável que tivesse saído uma obra prima ou então algo completamente impossível de ver... e perceber. Se calhar foi melhor assim...
Seja qual a for a versão (e eu gosto mais da "versão do realizador"), Dune é mesmo um evento cinematográfico. Não que tenha grandes inovações tecnológicas ou revolucionários efeitos especiais, mas simplesmente por causa da história. É tão diferente de tudo o que já vi, que é por si só um marco. Eu sei que a história original vem dos livros de Frank Herbert, mas a forma como Lynch a visualiza é absolutamente única. É o David Lynch, lá está. Poderia dizer que é o Twin Peaks no espaço, ou o Game of Thrones sob a influência de psicotrópicos, mas é muito mais que isso.
A história tem lugar no inimaginável ano de 10191, numa realidade tão distante do que conhecemos, que roça a magia. Na versão "longa", a história é contextualizada através de ilustrações, para mostrar um pouco como se chegou até ali. Ao longo do tempo, o homem e a tecnologia evolui para um ponto tal, que máquinas pensantes começaram a reinar sobre o universo e mais importante ainda, sobre o próprio Homem, o que levou a uma revolta contra as máquinas e estabeleceu toda a estranha ordem de castas e as suas escolas que agora se degladiam pelo controlo e pelo poder do Universo e da Especiaria. A Especiaria é um elemento que só existe no planeta Arrakis e é crucial para as viagens do tempo e para prolongar a vida. O resto é tão estranho e fantástico que só mesmo vendo.
O casting é enorme e conta com Sean Young, Brad Dourif, José Ferrer, Linda Hunt, Jürgen Prochnow, Virginia Madsen, Jack Nance, Max von Sydow, Dean Stockwell, Patrick Stewart e até Sting, entre muitos outros, e em estreia, um jovem e desconhecido actor de nome Kyle MacLachlan, que apareceria muitas vezes nos trabalhos seguintes de Lynch.
Dune não é para todos os estômagos, nem para todos os cérebros. É mesmo um mundo para além da imaginação, num lugar além dos sonhos, onde a loucura, o fantástico, o inesperado, o desconhecido e o inacreditável se encontram. Uma viagem espetacular através das maravilhas do espaço e dos mistérios do tempo, desde os limites do incrível até as fronteiras do impossível. É realmente alternativo e um dos trabalhos que mais gosto de Lynch. Uma trip unica que convém ver. ●●●●○
Nada escapa à fúria cinematográfica no que toca a adaptações de BD. Nem mesmo Judge Dredd. Não conheço quase nada da BD que deu origem aos filmes, mas conheço a Wikipedia, e por isso fiquei a saber que a personagem teve como "inspiração de base", a personagem de David Carradine no filme de culto, Death Race 2000, onde por acaso, entra o Stallone... É mesmo verdade, isto está tudo ligado...
Já os filmes estão pouco "ligados". Varreram-se-me completamente da memória. São filmes de acção, com um ou outro pormenorzito engraçado aqui e ali... e é isso. Servem para a "contabilidade".
Judge Dredd é o típico filme-pipoca de bons e maus, só que em versão futurista. O que torna ainda mais impressionante a lista de actores: Sylvester Stallone, Armand Assante, Diane Lane e Max von Sydow. Um grande elenco em qualquer filme. Menos em Judge Dredd. Tenho de admitir que já não me lembro absolutamente nada do filme. Muito provavelmente, porque não tem nada para recordar. Existem filmes que vi há décadas atrás e de alguma forma ficam gravados no disco duro cerebral, enquanto que outros... simplesmente são apagados. Presumo que seja para ganhar "espaço em disco" para algo que valha mesmo a a pena... Para além das fatiotas (que em 1995 pareciam muito futuristas), do Sylvester Stallone no auge do seu típico estilo... "Stallone" e duns robots conceptualmente muito fixes, pouco ou nada resta. ●○○○○
Dredd é um filme "mais". Mais uma chiclete futurista de acção, a que se soma o facto de ser mais um remake. Já para não falar que copia descaradamente um filme indonésio de artes marciais verdadeiramente "maluco" (The Raid), além de copiar mais alguns pormenores daqui e dali, como a droga Slo-Mo obviamente tirada do excepcional livro de ficção científica Tower of Glass de Robert Silverberg. Bem, se é para copiar ao menos que se copie dos melhores... O Dredd é interpretado por Karl Urban (um gajo que tenho "debaixo de olho" desde o The Price of Milk), mas nunca se lhe vê a cara. Não entendi. E para os biliões de fãs de Game of Thrones também tem a Lena Cersei Lannister Headey... (ou a Sarah Connor, se alguém ainda for fã do Terminator). ●○○○○
+ Bónus
Quando estava a olhar para os trailers dos Dredd's alguma coisa me soou familiar. Era o Demolition Man. Para além de também ser uma chiclete de acção futurista, também tem o Sylvester Stallone. Mas vendo bem, acho que já percebi onde foram buscar as tais fatiotas futuristas do Dredd original...
O que é estranho é que destes filmes, Demolition Man é o que parece melhorzinho. Não sei se é por ter uma grande carga de sátira social ou pelo design da produção. Provavelmente é por ser um dos filmes onde vi mais futurologia... Parece que o pessoal que escreveu o guião, de facto, se empenhou (e nitidamente se divertiu) a tentar adivinhar o futuro. Num tipo de filme em que o foco normalmente é a acção pura e dura e a espectacularidade dos efeitos especiais, é um pormenor a louvar. ●●○○○
Já os filmes estão pouco "ligados". Varreram-se-me completamente da memória. São filmes de acção, com um ou outro pormenorzito engraçado aqui e ali... e é isso. Servem para a "contabilidade".
Judge Dredd é o típico filme-pipoca de bons e maus, só que em versão futurista. O que torna ainda mais impressionante a lista de actores: Sylvester Stallone, Armand Assante, Diane Lane e Max von Sydow. Um grande elenco em qualquer filme. Menos em Judge Dredd. Tenho de admitir que já não me lembro absolutamente nada do filme. Muito provavelmente, porque não tem nada para recordar. Existem filmes que vi há décadas atrás e de alguma forma ficam gravados no disco duro cerebral, enquanto que outros... simplesmente são apagados. Presumo que seja para ganhar "espaço em disco" para algo que valha mesmo a a pena... Para além das fatiotas (que em 1995 pareciam muito futuristas), do Sylvester Stallone no auge do seu típico estilo... "Stallone" e duns robots conceptualmente muito fixes, pouco ou nada resta. ●○○○○
Dredd é um filme "mais". Mais uma chiclete futurista de acção, a que se soma o facto de ser mais um remake. Já para não falar que copia descaradamente um filme indonésio de artes marciais verdadeiramente "maluco" (The Raid), além de copiar mais alguns pormenores daqui e dali, como a droga Slo-Mo obviamente tirada do excepcional livro de ficção científica Tower of Glass de Robert Silverberg. Bem, se é para copiar ao menos que se copie dos melhores... O Dredd é interpretado por Karl Urban (um gajo que tenho "debaixo de olho" desde o The Price of Milk), mas nunca se lhe vê a cara. Não entendi. E para os biliões de fãs de Game of Thrones também tem a Lena Cersei Lannister Headey... (ou a Sarah Connor, se alguém ainda for fã do Terminator). ●○○○○
+ Bónus
Quando estava a olhar para os trailers dos Dredd's alguma coisa me soou familiar. Era o Demolition Man. Para além de também ser uma chiclete de acção futurista, também tem o Sylvester Stallone. Mas vendo bem, acho que já percebi onde foram buscar as tais fatiotas futuristas do Dredd original...
O que é estranho é que destes filmes, Demolition Man é o que parece melhorzinho. Não sei se é por ter uma grande carga de sátira social ou pelo design da produção. Provavelmente é por ser um dos filmes onde vi mais futurologia... Parece que o pessoal que escreveu o guião, de facto, se empenhou (e nitidamente se divertiu) a tentar adivinhar o futuro. Num tipo de filme em que o foco normalmente é a acção pura e dura e a espectacularidade dos efeitos especiais, é um pormenor a louvar. ●●○○○
Labels:
1993,
1995,
2012,
acção,
Armand Assante,
BD,
Death Race 2000,
Demolition Man,
Dredd,
efeitos especiais,
futuro,
Judge Dredd,
Lena Headey,
Max von Sydow,
nota1,
nota2,
Sylvester Stallone






