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Quando se faz um filme sobre uma personagem que é simultaneamente, um dos maiores cineastas, um dos melhores actores de sempre e uma figura incontornável do história do cinema e até do próprio mundo, há uma obrigatoriedade natural de ter de se criar um épico. Richard Attenborough tem todo o meu crédito pois consegui-o. Chaplin é um grande filme. Tanto em dimensão como em qualidade. E tinha mesmo de ser assim para conseguir cobrir a enormíssima carreira (e vida) de Charles Spencer Chaplin, ou o icónico vagabundo "Charlot", como lhe queiram chamar, que para além de actor também foi músico, produtor, empresário, escritor, dançarino e coreógrafo. Ah! E em 1919, juntamente com outros ícones do mundo do cinema "antigo" (Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith) também fundou a United Artists. Chaplin criou uma das mais reconhecidas personagens do mundo, conviveu com as maiores lendas da sua altura, viveu na pele a "caça paranóica ao comunista" nos Estados unidos e fez, talvez a transição mais fracturante do cinema, do mudo para o sonoro. E isto para não falar na conturbada relação com a mãe, as múltiplas mulheres e romances ocasionais e o seu final de vida no exílio suíço e quase caído no esquecimento. Nada de muito relevante e muito pouco para se contar, portanto...
A história do filme cobre a infância difícil e a relação com a mãe (estranhamente interpretada por Geraldine Chaplin, a filha de Chaplin na vida real), o início de carreira no teatro, ainda em Inglaterra, e a passagem para o "novo mundo" do cinema, onde chega ao pináculo do reconhecimento global. Mostra também o lado mais sombrio do hilariante "Vagabundo" e como toda uma vida de riso no cinema, também foi (atrás das câmaras) uma vida de profunda tristeza e perda constante.
Abarcando um período tão longo e tão recheado da vida de Chaplin, o filme nunca esmorece nem aborrece. Attenborough arranja sempre forma de encaixar bem a história e arranja novos focos de interesse em cada novo período da vida do mestre. Compreendo perfeitamente que deva ter sido uma missão extremamente difícil a de decidir o que cortar.
Chaplin é interpretado por um soberbo Robert Downey Jr., e que demonstra aqui, claramente, que tanto é um bom actor, como também é meio chalado. Tanto crazy eye, que até mete impressão... Ver a espantosa actuação de Robert Downey Jr. a dar vida a uma personagem complexa como a de Chaplin, leva-me sempre a pensar porque é que a maior parte dos gajos extremamente talentosos, têm sempre uma queda para a maluqueira. Bem, mas isso é uma coisa deles...
Como "actores de suporte" num casting absolutamente gigantesco ainda há James Woods, Kevin Kline, Diane Lane, Marisa Tomei, Penelope Ann Miller e Anthony Hopkins (tudo pessoal de "primeira"), para não falar de "pequenas" participações de muita gente como Dan Aykroyd, David Duchovny e muitos, muitos outros.
Este filme sobre Chaplin é uma pérola do cinema. É muito bom em muitos aspectos: na realização, no argumento, nos actores, mas principalmente no trabalho épico de produção. Para quem gosta do cinema como forma de arte e das suas origens, tem mesmo de ver este Chaplin. É simplesmente obrigatório. ●●●●●


A história de Avengers: Age of Ultron começa quando Tony Stark cria o Programa Ultron, baseado na Inteligência Artificial... Não... outra vez IA?! Já chega! É sempre a mesma história. Criaram o derradeiro poder e para o contrariar tiveram de criar outro poder ainda maior... só que dos bons. É o princípio do fim do cinema de super-heróis. Não há mais nada a acrescentar. Tirando viagens no tempo... Isto é como uma bolha nas bolsas. Está prestes a rebentar e mais cedo ou mais tarde terá de se reiniciar o processo. Espero que da próxima vez seja mais simples e menos espalhafatoso.
Avengers: Age of Ultron conta com o bom pessoal do costume - Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, James Spader, Samuel L. Jackson e Don Cheadle -  o que safa totalmente estes filmes, e com o portento técnico dos efeitos especiais que são muito bons. Apesar da história ser mais do mesmo, até está bem escrita e equilibrada. Bom para um domingo chuvoso ●○○○○

Estava a ver TV e ia começar um filme com o nome estranho de Kiss Kiss Bang Bang e onde contracenavam o Robert Downey Jr. e o Val Kilmer. Como o genérico inicial tinha bom aspecto e o nome do filme era estranho, deixei-me ficar a ver. Confirmou-se, o filme era de facto estranho. É um daqueles filmes com muitas peripécias que lembra o After Hours de Martin Scorsese. Até está bem escrito e bem realizado por Shane Black mas por ter tantas peripécias a acontecer e a alterar o curso da história acaba por ficar algo desconexo. Em alguns momentos é mesmo muito bom, mas também tem partes em que chega a roçar a comédia fatelosa.
O que notei de mais estranho é o facto dos dois actores parecerem que não estavam ali a representar nenhum papel. Robert Downey Jr. está como peixe na água; não estava a representar, estava só ali, a ser ele próprio, a dizer umas deixas na sua maneira muito particular. Já Val Kilmer parece que entrou no filme para gozar consigo próprio, com o papel e, já agora, com toda a sua carreira. Pareceu-me mais um acto de reabilitação para os dois actores do que outra coisa. As piadas constantes entre os dois actores não são nada inocentes...
Kiss Kiss Bang Bang é um filme divertido, estranho, desequilibrado e imprevisível mas que se vê bem. ●●○○○

 
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