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A série de filmes Transformers é excelente... para quem tem um blog amador de crítica de filmes e não tem tempo quase nenhum para escrever grandes textos. É que não há muito a dizer. Transformers é acção, acção, acção e acção. Muito lens-flare e mais acção. Muita acção em câmara lenta. Miúdas sexys, carros e acção. É receita de bilheteira certinha. Nem é preciso fazer contas. Isto são filmes para dar muito dinheiro. E deram bastante. Tanto que isto prolongou-se do filme original até, digamos assim, à 5.ª entrega do coleccionável.
Com o sucessivo sucesso dos filmes e a necessidade de mais uma sequela para vender pipocas, apareceu um problema: é que o filme é sempre o mesmo... São as mesmas personagens e a história também é sempre a mesma: os bons lutam com os maus, mas há sempre um artefacto qualquer que pode destruir a Terra e vai sempre ter às mãos de um humano, que por sua vez ajuda sempre os bons a ganharem aos maus. Então o problema passou a ser: como diferenciar os filmes? A resposta veio através da criação de sub-títulos chamativos como Revenge of the Fallen ou Dark of the Moon. Ou Age of Extinction. Ou The Last Knight. Qual será o próximo? Transformers: Soul of Destiny? Transformers: Prime Universe? Transformers: Ultimate Destruction? Não sei. Mas cheira-me que será mais algo do género: Transformers: The New Beginning...
O que começou por ser uma história sobre um rapaz e o seu carro robótico, tornou-se numa obsessão de um realizador com a sua própria grandeza de acção. Michael Bay exagerou e ultrapassou todos os limites do que pode ser um bom filme de acção. Ficou tão embrenhado no seu sucesso (e na sua continuidade) que perdeu totalmente a noção da realidade. O culminar de tudo isto é mesmo este último filme (The Last Knight) que é tão massivo em termos de efeitos e acção que se tornou numa patetice digital que é a maluqueira total. Se visse o filme num IMAX, provavelmente tinha-me estourado o cérebro, tanta é a acção. É imparável. E pior que a demência digital, é a total e completa incongruência na montagem da história. A atenção na montagem está tão virada para acção que se esqueceram da história... Há lapsos óbvios nas histórias como passar-se do dia para a noite em segundos e as personagens desparecerem e aparecerem em cenas sem se perceber como é que aquilo aconteceu... Mas o que é que estou para aqui a dizer? A história interessa para alguma coisa? Ou as personagens? Isto é mesmo só para filmar explosões, robots em CGI, miúdas com ar de teenager maroto e vender bilhetes... Também não se pode ser muito exigente, não é verdade?
Em cinco "entregas" do coleccionável estiveram muitos e bons actores: Shia LaBeouf, John Turturro, Jon Voight, Frances McDormand, John Malkovich, Mark Wahlberg, Stanley Tucci e Anthony Hopkins. Como "miúda jeitosa oficial" esteve a lindíssima Megan Fox, que depois foi sendo substituída por outras sucessivas "miúdas jeitosas". Neste tipo de filmes, os actores têm obrigatoriamente de ir sendo substituídos porque arriscam-se a fritar o cérebro devido à pobreza dos guiões. Vejam por exemplo o que aconteceu com o Shia LaBeouf... Era um miúdo normal e depois dos Transformers acabou por enlouquecer... É perigoso para um bom actor fazer filmes deste género, e não é por causa das cenas perigosas de acção. É que pode muito bem ser o fim de uma carreira.
Os Transformers eram um dos meus desenhos animados favoritos quando era miúdo. Sonhava com carros robóticos inteligentes. Até imaginava que, talvez no futuro, os carros pudessem mesmo fazer aquilo tudo. Depois cresci e os desenhos animados acabaram. Admito que quando vi que o Spielberg ia produzir um "remake" dos Transformers até fiquei um bocadinho entusiasmado. Depois vi o primeiro filme e foi a desilusão total. Os restantes filmes voltaram, mas foi apenas para me atormentarem. Este último filme já disse tudo: The Last Knight. Apenas fixei a palavra "last". Para mim, já chega. É mesmo o último. ●○○○○ (○○○○○)

PS: A nota 1 é exclusivamente para o primeiro filme. Os restantes valem literalmente zero.
Duplo PS: Não me responsabilizo por danos cerebrais causados durante a visualização dos cincos trailers consecutivos. Aviso já que é perigoso para os olhos e aconselho o uso regular de gotas oftalmológicas.
Triplo PS: Só agora mesmo é que reparei que já tinha falado aqui dos primeiros 4 filmes. Não deixa de ser irónico... para um gajo que não queria perder muito tempo a falar destes filmes. E que até nem queria escrever "grandes textos". Mas agora já está feito, portanto, fica assim...

Julie & Julia é um cruzamento de duas histórias interligadas: da blogger Julie Powell (e do seu livro que deu origem a este filme), com a história do início de carreira da mítica "cozinheira" Julia Child. Para qualquer foodie, Julia Child é uma personagem obrigatória, assim como o seu livro "Mastering the Art of French Cooking". Apesar de separadas no tempo, as duas mulheres estão em situações pessoais semelhantes e partilham o mesmo amor pela culinária.
Não sou fã deste tipo de cinema mais "meloso". Tenho de admitir que só vejo comédias românticas se estiver engripado e não conseguir arrastar-me até ao comando da TV..., mas Julie & Julia até se aguenta bastante bem, principalmente porque está muito bem escrito e realizado por Nora Ephron, aqui no seu último trabalho.
Meryl Streep (num nível de representação excepcional), Amy Adams, Stanley Tucci e Chris Messina fazem umas boas parelhas de actores.
E agora, como não podia deixar de ser, aquela previsível analogia entre filmes e comida: Julie & Julia não é um Beef Bourguignon, mas é uma Tarte de limão merengada muito saborosa, polvilhada com açúcar em pó, mas que nunca chega a ser enjoativa porque tem aquele bom e fresco aroma da raspa do limão. Está muito bem equilibrado e é refrescante. "Come-se" bem. ●●○○○

Depois de uma série de estranhos eventos mundiais, um geofísico faz uma terrível descoberta: o núcleo da Terra deixou de rodar. Como consequência, o escudo eletromagnético que protege o planeta das ameaças exteriores está a deteriorar-se. Se nada for feito, a Terra será destruída.
Se isso acontecesse mesmo estaríamos condenados à extinção, mas como isto é um filme, há uma hipótese remota de sobrevivência: usar uma ultra avançada e secreta nave para chegar ao núcleo do planeta e detonar um engenho nuclear para reactivar o movimento no interior da Terra.
Dito assim, The Core, tinha tudo para ser um completo desastre. Tem uma premissa científica ao nível de uma aula de ciências da natureza do 7.º ano; parece outro daqueles filmes desmiolados, repletos de acção, explosões espectaculares e efeitos de destruição maciça digital; e ainda por cima é um remake de (Deep Core) uma produção de série B (ou C?) feito uns anos antes. Mas não é o caso. Curiosamente até é um filme bem jeitoso. É despretensioso, tem algum "miolo", foge de alguns dos clichés como o do "vou-me sacrificar nesta cena emotiva em prol da Humanidade" e tem realmente bons actores como Aaron Eckhart, Hilary Swank, Delroy Lindo, Tchéky Karyo e Stanley Tucci.
Apesar de ser exactamente igual a outros blockbusters de destruição planetária, The Core tem algo que o distingue dos restantes. Serão os actores? Será o equilíbrio entre interpretação dramática e os efeitos especiais? Será um certo cheirinho a Viagem ao centro da Terra de Júlio Verne? Sinceramente, não sei identificar o porquê, mas destaco-o dentro do género, e estranhamente é um dos meus "filmitos de ficção cientifica/acção/efeitos especiais" favorito. ●●○○○

 
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