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An Inconvenient Sequel: Truth to Power é a sequela de An Inconvenient Truth. É um pouco mais "deslavado" que o primeiro porque já não tem tanto impacto, mas é um bom ponto de partida para uma conversa séria sobre o ambiente.
Depois de mais de 10 anos de alertas sobre questões climáticas e desequilíbrios naturais provocados pelo Homem, o que realmente mudou? Quase nada. Vendem-se mais painéis solares e agora há o hype dos carros eléctricos. Estranhamente, isto vai de encontro a esta sequela, Truth to Power. Ainda não percebi muito bem porquê, mas parece que a mensagem climática e do planeta moribundo, não tem sido bem transmitida. Para além de ter de "lutar" contra a estupidez e os "Trumps" deste "mundus econominus", parece que não temos de regredir no impacto, mas apenas tornar esse impacto "mais verde" ou "eléctrico". Fico com a ideia de que, mais do que resolver os problemas, estamos a tentar contorná-los. Parece que a salvação para este autêntico Apocalipse em câmara lenta reside no activismo, nas eólicas, nas apps, nos híbridos, em Marte e na quinoa. Não percebo o que é que se passa. A devastação neste planeta é tão grande, que sinceramente acho que já não temos salvação. Faço a minha vidinha e tento não pensar muito no assunto porque senão entro logo em depressão. Já nem consigo ver um documentário do mundo natural.
Para quem estiver desse lado do blog a pensar: "mas quem é este palhaço para vir para aqui com esta treta? Já fizeste palestras? O que é que fazes para resolver a questão? Qual é a tua solução mágica para resolver este enorme problema?", eu poderia responder de uma forma "verde", inocente e politicamente correcta: ando sempre a pé; consumo o mínimo possível; evito ao máximo o plástico; reutilizo ao máximo e reciclo tudo; e muito importante, apenas "dou" o meu dinheiro a quem causa o mínimo de impactos no planeta. Mas especialmente, aprendi a partilhar este mundo com os animais e as plantas, cada um no seu espaço, porque isto também é deles. E sei que sem eles, nós não conseguimos viver cá. Mas actualmente a minha resposta é outra. Não é fácil de ouvir - e ainda por cima ninguém a quer aceitar -, mas é muito simples: temos de ser todos pobres. Ou pelo menos viver como tal, com o mínimo de coisas e consumo. Não há outra forma. Aliás, isso é o que vai inevitavelmente acontecer se não houver uma ruptura violenta e completa na forma como vivemos. Mas, ei!, quem sou eu para fazer previsões e dizer aos restantes o que fazer? Ninguém muito relevante. Ninguém precisa de seguir os meus conselhos. Afinal sou só mais um anónimo qualquer, um "gajo normal", que escreve num blog sobre filmes. As minhas convicções são muito fáceis de desmontar. É só deixar o tempo passar e esperar para ver. Falamos novamente daqui a 10 anos. Se ainda estivermos cá todos... (sem nota)

4:44 Last Day on Earth foi o último filme do Abel Ferrara que vi e não gostei nada. O Abel Ferrara até é um gajo que curto. Tudo o que vi até hoje da sua autoria, foi no mínimo aceitável, sendo que tem muito bons filmes no currículo. E eu ainda funciono um bocado assim: quando vejo um filme de um realizador que gosto, reservo-o para ver, mesmo não sabendo rigorosamente nada sobre o que se trata. Deste filme, a única coisa que sabia é que se passava no último dia da Terra. Não sabia mais nada. A premissa era boa, o realizador também, por isso, estava bastante curioso para ver.
Tenho de admitir que foi uma enorme desilusão. 4:44 Last Day on Earth é por vezes entediante e tem muitos momentos que pareciam quase amadores. Tive de ir confirmar se este Abel Ferrara, era de facto, o Abel Ferrara que eu conhecia. Infelizmente, era o mesmo.
Apesar de tudo o que tem de mau, 4:44 Last Day on Earth é um filme curioso porque pode ter várias apreciações. Ou é uma produção normal, dita "comercial" e está bastante abaixo do que é normal para o "standard Ferrara", ou então é uma minúscula produção e acaba por ser um bom filme, feito praticamente sem dinheiro e apenas com 2 actores e muito recurso a stock footage.
Se for o caso da baixa produção (que é o que parece), o argumento acaba por ser inteligente porque arranja uma premissa enorme (o fim do mundo programado, chegando ao cúmulo de se saber as horas e minutos do fim) e fecha-se no enfoque que é o pequeno mundo de uma relação conjugal e como isso a afecta. Mas se for o caso de uma produção comercial, acaba por ser uma fraude e pouco inteligente, porque arranja uma premissa enorme, mas só mostra a reação de apenas um casal, ignorando tudo o resto.
Seja qual for a situação financeira, não gostei, porque estava à espera de mais. Fiquei desiludido. Mas nem tudo é mau. Nota-se que há gajos na cadeira do realizador que são muito bons a filmar em espaços pequenos, a arranjar planos diferentes e contrastes de luzes interessantes, e que fazem um filme quer tenham muito ou pouquíssimo dinheiro. Eles arranjam sempre uma solução artística ou técnica para conseguirem fazer um filme no mínimo aceitável, como apesar de tudo, é o caso. Destaque para os actores principais, que suportam e dão vida a um argumento algo entediante: Shanyn Leigh, mas especialmente para o Willem Dafoe que é um daqueles gajos que está cá dentro... Se não fossem estes dois, o filme seria quase insuportável de ver.
Não consegui encontrar dados sobre os valores de produção. Mas nem tudo se pode resumir a custos e dinheiro. A realidade é que Abel Ferrara conseguiu criar o fim do mundo, tal como é visto na TV por duas personagens e que quase nunca saem do seu apartamento. Como tudo na vida, isto podia ser bem ou mal feito. Neste caso, toca os dois pontos: tem algumas coisas boas, mas tem muito mais coisas más. Por isso mesmo, 4:44 Last Day on Earth, nunca seria um filme que recomendasse a alguém. O trailer é melhor que o filme! Vindo de quem vem, podia e deveria ser muito melhor. ●○○○○

Depois de uma série de estranhos eventos mundiais, um geofísico faz uma terrível descoberta: o núcleo da Terra deixou de rodar. Como consequência, o escudo eletromagnético que protege o planeta das ameaças exteriores está a deteriorar-se. Se nada for feito, a Terra será destruída.
Se isso acontecesse mesmo estaríamos condenados à extinção, mas como isto é um filme, há uma hipótese remota de sobrevivência: usar uma ultra avançada e secreta nave para chegar ao núcleo do planeta e detonar um engenho nuclear para reactivar o movimento no interior da Terra.
Dito assim, The Core, tinha tudo para ser um completo desastre. Tem uma premissa científica ao nível de uma aula de ciências da natureza do 7.º ano; parece outro daqueles filmes desmiolados, repletos de acção, explosões espectaculares e efeitos de destruição maciça digital; e ainda por cima é um remake de (Deep Core) uma produção de série B (ou C?) feito uns anos antes. Mas não é o caso. Curiosamente até é um filme bem jeitoso. É despretensioso, tem algum "miolo", foge de alguns dos clichés como o do "vou-me sacrificar nesta cena emotiva em prol da Humanidade" e tem realmente bons actores como Aaron Eckhart, Hilary Swank, Delroy Lindo, Tchéky Karyo e Stanley Tucci.
Apesar de ser exactamente igual a outros blockbusters de destruição planetária, The Core tem algo que o distingue dos restantes. Serão os actores? Será o equilíbrio entre interpretação dramática e os efeitos especiais? Será um certo cheirinho a Viagem ao centro da Terra de Júlio Verne? Sinceramente, não sei identificar o porquê, mas destaco-o dentro do género, e estranhamente é um dos meus "filmitos de ficção cientifica/acção/efeitos especiais" favorito. ●●○○○

Los Últimos Días é um filme espanhol de ficção científica. Ou será um filme apocalíptico espanhol? O mais correcto será dizer que é um filme espanhol muito bem feito sobre os últimos dias da Humanidade.
Sem recorrer ao habitual foguetório de Hollywood, este filme da dupla de irmãos David/Alex Pastor consegue mostrar de forma muito verosímil o que acontecerá se se der um colapso mundial. (nunca passei por uma situação dessas, mas imagino que seja algo semelhante) Neste caso, provocado por ataques de pânico em massa, uma espécie de histeria colectiva faz com que todas as pessoas tenham pânico de sair à rua e consequentemente o mundo acaba por parar. A única solução é movimentar-se por túneis de metro de forma a evitar pôr um pé na rua. Se isso acontece, inexplicavelmente, as pessoas veem-se confrontadas com uma espécie de agorafobia e acabam por morrer de ataques de coração ou por puro pânico. Porque é que isso acontece? Ninguém sabe ao certo.
Pode ter sido um agente patogénico libertado no ar, alienígenas escondidos ou pode ter sido o "governo". Quem sabe? Ninguém. E tem toda a lógica. Se acontecesse um colapso civilizacional abrupto, o mais provável era a informação deixar de circular, tal como tudo o resto. A explicação nunca seria totalmente objectiva e isso passa bem no filme. Isto mostra como Los Últimos Días foi bem escrito e especialmente bem dirigido.
A história é simples: dois homens (Quim Gutiérrez e José Coronado) têm de chegar aos seus destinos: um quer ver o pai que ficou retido num hospital, o outro quer ver a namorada (Marta Etura) que ficou em casa. Numa realidade normal, seria uma tarefa fácil, mas quando não se pode andar a céu aberto, até atravessar uma rua é um feito heróico. A história é contada com recurso a flashbacks e, em termos de montagem, está excelente.
Apesar de não ser o típico filme apocalíptico de acção, Los ultimos Dias nunca pára. É uma sucessão de acontecimentos muito bem encaixados uns nos outros, uma espécie de tapete rolante que os protagonistas têm de acompanhar ou então ficam para trás.
A única coisa verdadeiramente negativa é uma rídicula e completamente desnecessária luta com um urso. (?!) Nitidamente, foi um piscar de olhos ao cinema blockbuster de Hollywood. E isso leva-me à questão fundamental: não estarão os efeitos digitais e a facilidade que os realizadores têm à disposição para incorporar qualquer elemento (como o urso), a "matar" a criatividade de Hollywood no que diz respeito às histórias? Para mim, a resposta é sim.
Este filme em particular vem provar essa teoria. Se David/Alex Pastor em vez de uma produção espanhola de 5 milhões, tivessem à disposição uma produção "de Hollywood" com recursos muito maiores, Los Últimos Días seria um filme melhor? Com uma história mais desenvolvida? Não me parece. Acho seria exactamente ao contrário e caminharia para o "costume": mais umas explosões, uns cenários apocalípticos digitais mais prolongados e "espectaculares", o que tornaria o filme noutro 2012 ou noutro San Andreas. Provavelmente a história nem precisaria de tanto enredo nem tanto background, porque estaria cheio de cenas de acção e perseguições. E em vez de uma cena com um urso, se calhar seria com o zoo inteiro. E estou a especular...
Los Últimos Días vê-se bem. ●●○○○

Baseado no best-seller de Cormac McCarthy (No Country for Old Men), The Road conta a história de um pai e o filho na sua longa e lenta viagem até ao mar. A viagem vai ser dura porque terão de atravessar um mundo pós-apocalítico, destruído, sem vida, cinzento, repleto de canibais, malfeitores e pessoas que lutam a qualquer custo pela sua sobrevivência.
Se há filmes que me surpreendem pela positiva, há outros..., lá está, que é exactamente o oposto. Neste caso, foi com The Road, realizado por John Hillcoat. O filme não tem propriamente nada de mal feito. Acho que neste caso, o problema foram as expectativas demasiado elevadas. Já antes sequer de haver um trailer, ouvia falar do The Road como "o grande", "o melhor", "o derradeiro" filme apocalíptico. Isto não ajuda nada. Estive "em pulgas" para o ver, e quando finalmente isso aconteceu... decepcionou-me. Fiquei com a sensação que podia ser melhor. Ou pelo menos, não era assim tão bom quanto tinha lido noutras críticas. É... Acho que foram as expectativas altas.
Fora isso, até escapa bastante bem. Uma colecção de bons actores (Viggo Mortensen, Charlize Theron, Robert Duvall e Guy Pearce), com uma boa realização e uma história que é, de facto, diferente do habitual festim de fim do mundo de Hollywood. Vê-se bem, apesar de achar que as críticas foram demasiado positivas para o filme que é. ●●○○○


Cenas apocalípticas, sinais premonitórios, escatologia cristã, confusão, amadorismo, actores de terceira categoria, mediocricidade e o Nicolas Cage para fazer passar a ideia que o filme até é "normal". Como é que o Nicolas Cage se meteu nisto?! Estaria a precisar desesperadamente de dinheiro para umas obras em casa? Não tinha nada para fazer e apareceu lá no set para filmar, sem saber onde se estava a meter? Não percebi. É que isto é filme para arruinar uma carreira... Eis algumas coisas que caracterizam este Left Behind, realizado por Vic Armstrong e inspirado num best seller de Tim LaHaye and Jerry B. Jenkins. Nunca li, mas depois de ver este filme, dificilmente irei ler... Fiquei traumatizado...
Left Behind é uma perda de tempo. Não vejam. É muito mau. ○○○○○

Apesar de já ter visto muitos filmes de zombies nunca fui grande fã, por isso vou ser rápido: Maggie foi uma desilusão esperada. Hoje em dia, com a febre por zombies (apesar de ninguém lhes chamar zombies, mas sim walkers, zekes, etc..) que por aí anda, é difícil ser surpreendido. Quando vejo que vai sair (mais) um filme de mortos-vivos, sei logo que vou ficar desapontado. São sempre iguais: há zombies e pessoas a fugir dos zombies, mas no final, o pior de tudo são mesmo as pessoas... é sempre igual. Mas desta vez era zombies e Arnold Schwarzenegger na mesma frase. Pensei logo: ou seria uma surpresa boa ou seria uma surpresa "tipo Avillez" numa combinação improvável de omolete e beterraba. (não foi muito boa esta comparação, mas foi o que me apareceu na cabeça...)
Comecei por ficar bem impressionado por ver o tema mil vezes batido dos zombies ser tratado de uma forma diferente do típico "apocalipse incontrolável". Acho que se pode dizer que Maggie é um drama com zombies. Esta parte é uma relativa novidade. O problema é que o filme começa lento e acaba mesmo por ficar preso: na premissa original, no tom arrastado da narrativa e no tom deslavado da fotografia. (É curioso: em quase todos os filmes de zombies a cor desaparece até ficar tudo meio acinzentado... [já não suporto tanta lividez]) Pior que isso é encravar no final. Aliás, a grande desilusão é mesmo a previsibilidade do final. As partes boas do filme são os papeis "sérios" de Schwarzenegger e Joely Richardson (sempre impecável) e a forma como o filme foi abordado de início. Tirando isso, é mais do mesmo: zombies... e pessoas piores que zombies. ●○○○○

Hellboy nasce de mais uma adaptação da BD. Desta vez da Dark Horse Comics. Nunca fui um grande adepto de BDs por isso o meu conhecimento é um pouco limitado. Talvez por causa disso, Hellboy não me tenha entediado tanto quanto as aventuras dos super-heróis do universo Marvel. Ser uma BD muito mais negra que o habitual provavelmente também ajuda. A não ser que alguém não considere como negro, a história do filho de um demónio, nascido nas profundezas do Inferno e que é a chave para o Apocalipse... Acho que se pode considerar como uma história bastante negra.
Em cima disso, Guillermo del Toro conseguiu criar dois filmes que têm um tom (ainda) mais descontraído do que o normal do estilo, o que faz com que sejam muito divertidos de se ver. São puro entretenimento e uma boa dose de fantasia. Del Toro afirma-se cada vez mais como o "homem" do fantástico no cinema moderno. É muito bom, porque é sempre um tema muito maltratado e que precisa de bons realizadores. O grande destaque nos dois filmes é mesmo Guillermo del Toro.
Além disso, também tem John Hurt que me leva sempre para 1984, e Ron Perlman como protagonista
principal, o que só por si já é um ponto positivo. Eu diria que o Hellboy é melhor que o Hellboy 2: The Golden Army, mas isso deve ser o efeito novidade a funcionar. Boas cenas de acção, diálogos inteligentes e histórias bem escritas são tudo menções louváveis. Os efeitos especiais vão de q.b. a exagerados, como é normal no estilo, mas não afectam muito os filmes. As caracterizações são excepcionalmente boas.
São essencialmente filmes para pipocas, mas bonzitos. São filmes para ver no sofá, num domingo chuvoso, mas ainda assim, que valem a pena perder umas horas para ver. ●●○○○


 
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