Durante a II Guerra Mundial, os alemães decidem mostrar que são superiores em todos os aspectos e por isso montam um evento de propaganda para mostrar supremacia também no desporto, neste caso no futebol. A ideia é fazer um jogo entre os melhores nazis e uma equipa composta por prisioneiros aliados. O jogo é marcado e está potencialmente viciado à partida, mas não é simplesmente um "jogo de futebol". Os prisioneiros aproveitam a oportunidade para fazer uma "Fuga para a Vitória".
Dirigido pelo mestre John Huston já quese no final da carreira, Victory é um filme estranho. Para falar um pouco sobre John Houston tinha de criar um novo blog: com 50 anos de carreira e com outros tantos filmes, sendo que muitos são lendas do mundo do cinema dava pano para mangas. Só vi para aí um décimo dos seus filmes... Portanto, fico-me por aqui, até porque paralelamente ainda tem toda uma carreira de actor e argumentista. É uma lenda de Hollywood. Mas estranho a razão que terá levado Houston (americano) a fazer um filme sobre futebol... Vendo o filme, percebe-se facilmente que ele não entende minimamente o desporto nem sabe muito bem como filmá-lo. Se se juntar futebolistas profissionais - que são péssimos actores -, está reunido o conteúdo perfeito para um filme ridículo. Então porque é que isso não acontece? Não sei dizer. Apesar de todos os problemas, Victory acaba por ser um filme bem jeitoso. Mesmo tendo o Sylvester Stallone a fazer de guarda-redes...
Não é o melhor filme de guerra e decidamente não é o melhor filme sobre futebol. Mas é uma oportunidade para ver lendas vivas do futebol (na altura) como Pelé, Bobby Moore e Osvaldo Ardiles em acção. E a acção é real, visto que foi o próprio "rei" Pelé que coreografou as cenas de futebol como se fossem cenas de acção. O resto do casting também são jogadores internacionais da altura. É engraçado... os jogadores tiveram de aprender a representar, mas os actores tiveram de aprender a jogar à bola... Mas à parte dos nomes grandes do desporto também há dois nomes grandes da representação: Michael Caine e Max Von Sydow. São os grandes actores do filme e dão toda a credibilidade ao filme. Para além de serem dois autênticos "senhores"...
Vi o Victory (Fuga para a Vitória, no título original português) quando era miúdo e nunca pensei muito no filme pelo filme. A única coisa que eu queria era fazer aquelas fintas e fazer aquele pontapé de bicicleta do Pelé. Acho que ainda tenho lesões nas costas dessa altura... Tirando os jogos de futebol propriamente ditos, não existiam filmes com o tema futebol. Os americanos nem sabiam o que isso era, portanto não havia (quase) filmes para ninguém. Mas com este filme, finalmente havia a dramatização do cinema a tingir o futebol e a excitação do futebol a chegar ao grande ecrã. E esta é a história perfeita. Os mais fracos a jogar contra os mais fortes, a jogar em desvantagem numérica, a perderem perto do fim... e um penalty contra mesmo no final... Bem... já me estou a entusiasmar com o jogo...
Victory não é um grande filme e muito menos é um filme sobre prisioneiros de guerra nazis. Obviamente que não. É uma relíquia perdida no tempo que fala basicamente de outra coisa: quando se juntam pessoas, por muito diferentes que sejam, mas com um objectivo inabalável comum, mesmo contra todas as adversidades é muito difícil pará-las. É sobre querer ganhar mesmo quando parece impossível. Victory é sobre o esforço, a humildade e a perseverança. Como outros filmes de fugas aos nazis, Victory é um filmito que me ficou para sempre gravado. ●●●○○
PS: Nos bastidores do filme ficou célebre uma cena. Teoricamente, Sylvester Stallone era o grande nome de cartaz (Rocky já era uma instituição...) e por isso queria ter a grande cena do filme que era marcar o golo da vitória... no entanto tinha o papel de guarda-redes. Os jogadores profissionais, incluindo Pelé achavam a ideia absolutamente ridícula... Um guarda-redes a marcar golos, onde é que já se viu?... No entanto em tempos mais recentes, os guarda-redes começaram a sair das áreas e a marcar golos... E se alguém ainda se lembra, o Ricardo um dia tirou as luvas e defendeu um penalty. Mas para além de defender ainda foi marcar o penalty decisivo... Afinal o Stallone é que percebia disto...
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Durante muito anos, ouvi falar de um filme de guerra que supostamente era o melhor de sempre. Tive a sorte e o privilégio de poder assistir a uma reposição numa sala de cinema. Ia com a expectativa no máximo, o que nunca é bom, porque pode facilmente derrapar para a decepção. Na realidade, o filme é bastante longo e lento, mas isso já sabia. Como tinha a sensação que ia ser uma visualização dura, preparei-me mentalmente, mais como se fosse encaminhado para um experiência nova do que para ir ver um "simples" filme.
Um filme de guerra baseado em eventos verídicos, passado na Bielorrússia, onde durante a II Guerra Mundial, um quarto da população daquele país foi chacinada pelos nazis, e tudo isto observado, durante mais de 2 horas, pelos olhos de um adolescente, eu já sabia que não ia ser fácil de ver. O filme começou e para ser totalmente sincero, ao fim de 30 minutos já começava a pensar que tinha sido enganado. O filme é absurdamente lento parece que não tem uma direcção definida e as personagens parecem todas meio loucas. A história parecia que não ia passar daquilo. Ao fim de quase uma hora de filme estive quase a desistir. As performances hiper-exageradas dos actores, mais teatrais que outra coisa, o contínuo do som estridentemente irritante e a lentidão exacerbante da narrativa estavam a dar cabo de mim, tanto mentalmente, mas até fisicamente. Tinha dores nas costas e estava irrequieto numa sala de cinema reconhecida pelas suas cadeiras desconfortáveis. Mas então, tal como as bombas que repentinamente caiam sobre as personagens, de repente, as coisas mudaram.
Vem e Vê (Idi i smotri, no título original) começa verdadeiramente a ganhar tração. Todo aquele tempo, que pareceu desperdiçado, era uma espécie de preparação mental para o que vinha a seguir. A partir daí, começa a entrar nos campos do sublime. A loucura toma conta do filme e a determinada altura, esqueci-me que estava a ver uma peça cinematográfica. Tornou-se verdadeiramente numa experiência. Entra-se num cenário de guerra. Sente-se o terror. Cheira-se a loucura. O zumbido constante torna-se numa linha de continuidade a que uma pessoa se quer agarrar.
Vem e Vê é um dos poucos filmes de guerra em que se começa a detestar a guerra. Ela não é dramatizada ou glorificada; é odiada. Por isso é que Vem e Vê é um dos grande clássicos do cinema. É um filme de guerra potente porque Elem Klimov nos" obriga" a olhar para o ecrã, para aquelas atrocidades todas e a pensar que aquilo não é natural; aquilo não deveria existir. Como é que situações daquelas foram possíveis? Vem e Vê mexe com o cérebro de uma pessoa. É um daqueles filmes que não se esquece porque é como estar a ver o Inferno na Terra. Tecnicamente é irrepreensível, mas a nível dos actores é algo do outro mundo. É duma intensidade que dá arrepios na espinha. Aleksey Kravchenko. Uou! Que tour-de-force. Que coisa espantosa para um miúdo. Uma actuação única e para a história. Nem parece verdade. Parece que o miúdo não está a representar um papel num filme. A determinada altura, parece que ele viveu mesmo todos aqueles momentos horrendos. Ao seu lado, um fantasma. Não sei a experiência foi demasiado perturbadora, mas Olga Mironova não fez mais filmes depois deste. E mesmo com a net intrusiva que temos hoje em dia, boa sorte a tentar encontrar uma biografia. Um mistério...
E depois, o final. Um dos melhores finais de todos os tempos. Quando uma pessoa, começa finalmente a respirar de alívio porque percebe que o filme caminha para o seu términus, Vem e Vê pega nos nossos neurónios e leva-nos a dar uma volta fantasiosa para trás no tempo. Depois põe-me em lágrimas com a música mais bela e triste de sempre e impõe uma questão bastante pertinente: e se pudéssemos voltar atrás no tempo para evitar tudo aquilo que se acabou de ver? E se para isso fosse preciso fazer "aquilo"? (não quero estragar o final, porque esta é a melhor parte). E é essa questão que ainda permanece em disputa na minha cabeça, tanto tempo depois de ver o filme. Há muito poucos filmes que me põe realmente a pensar e em que eu não tenho uma reposta concreta e absoluta. Vem e Vê é um deles. Confrontado com aquela situação final, o que faria eu? Sinceramente não sei responder e mesmo que conseguisse responder, não sei que o conseguiria concretizar. Este é o poder dos grandes filmes. Perduram nos nossos cérebros para sempre. Vem e Vê muito provavelmente só sairá do meu circuito de neurónios, quando eles deixarem de funcionar. Vem e Vê correspondeu totalmente ao que esperava. É uma obra essencial e obrigatória. ●●●●●
Um filme de guerra baseado em eventos verídicos, passado na Bielorrússia, onde durante a II Guerra Mundial, um quarto da população daquele país foi chacinada pelos nazis, e tudo isto observado, durante mais de 2 horas, pelos olhos de um adolescente, eu já sabia que não ia ser fácil de ver. O filme começou e para ser totalmente sincero, ao fim de 30 minutos já começava a pensar que tinha sido enganado. O filme é absurdamente lento parece que não tem uma direcção definida e as personagens parecem todas meio loucas. A história parecia que não ia passar daquilo. Ao fim de quase uma hora de filme estive quase a desistir. As performances hiper-exageradas dos actores, mais teatrais que outra coisa, o contínuo do som estridentemente irritante e a lentidão exacerbante da narrativa estavam a dar cabo de mim, tanto mentalmente, mas até fisicamente. Tinha dores nas costas e estava irrequieto numa sala de cinema reconhecida pelas suas cadeiras desconfortáveis. Mas então, tal como as bombas que repentinamente caiam sobre as personagens, de repente, as coisas mudaram.
Vem e Vê (Idi i smotri, no título original) começa verdadeiramente a ganhar tração. Todo aquele tempo, que pareceu desperdiçado, era uma espécie de preparação mental para o que vinha a seguir. A partir daí, começa a entrar nos campos do sublime. A loucura toma conta do filme e a determinada altura, esqueci-me que estava a ver uma peça cinematográfica. Tornou-se verdadeiramente numa experiência. Entra-se num cenário de guerra. Sente-se o terror. Cheira-se a loucura. O zumbido constante torna-se numa linha de continuidade a que uma pessoa se quer agarrar.
Vem e Vê é um dos poucos filmes de guerra em que se começa a detestar a guerra. Ela não é dramatizada ou glorificada; é odiada. Por isso é que Vem e Vê é um dos grande clássicos do cinema. É um filme de guerra potente porque Elem Klimov nos" obriga" a olhar para o ecrã, para aquelas atrocidades todas e a pensar que aquilo não é natural; aquilo não deveria existir. Como é que situações daquelas foram possíveis? Vem e Vê mexe com o cérebro de uma pessoa. É um daqueles filmes que não se esquece porque é como estar a ver o Inferno na Terra. Tecnicamente é irrepreensível, mas a nível dos actores é algo do outro mundo. É duma intensidade que dá arrepios na espinha. Aleksey Kravchenko. Uou! Que tour-de-force. Que coisa espantosa para um miúdo. Uma actuação única e para a história. Nem parece verdade. Parece que o miúdo não está a representar um papel num filme. A determinada altura, parece que ele viveu mesmo todos aqueles momentos horrendos. Ao seu lado, um fantasma. Não sei a experiência foi demasiado perturbadora, mas Olga Mironova não fez mais filmes depois deste. E mesmo com a net intrusiva que temos hoje em dia, boa sorte a tentar encontrar uma biografia. Um mistério...
E depois, o final. Um dos melhores finais de todos os tempos. Quando uma pessoa, começa finalmente a respirar de alívio porque percebe que o filme caminha para o seu términus, Vem e Vê pega nos nossos neurónios e leva-nos a dar uma volta fantasiosa para trás no tempo. Depois põe-me em lágrimas com a música mais bela e triste de sempre e impõe uma questão bastante pertinente: e se pudéssemos voltar atrás no tempo para evitar tudo aquilo que se acabou de ver? E se para isso fosse preciso fazer "aquilo"? (não quero estragar o final, porque esta é a melhor parte). E é essa questão que ainda permanece em disputa na minha cabeça, tanto tempo depois de ver o filme. Há muito poucos filmes que me põe realmente a pensar e em que eu não tenho uma reposta concreta e absoluta. Vem e Vê é um deles. Confrontado com aquela situação final, o que faria eu? Sinceramente não sei responder e mesmo que conseguisse responder, não sei que o conseguiria concretizar. Este é o poder dos grandes filmes. Perduram nos nossos cérebros para sempre. Vem e Vê muito provavelmente só sairá do meu circuito de neurónios, quando eles deixarem de funcionar. Vem e Vê correspondeu totalmente ao que esperava. É uma obra essencial e obrigatória. ●●●●●
Queres saber o que vai acontecer no futuro? O que vai acontecer daqui a um minuto? Um dia? Um ano? Um século? São perguntas complicadas... De certa forma toda a gente consegue ver para o futuro. Não é assim tão difícil. O que é difícil é ver muito longe no futuro. O exemplo que eu costumo dar a mim próprio é o de atirar uma pedra a um lago. Se uma pessoa atirar a pedra para o lago sabe o que vai acontecer: a pedra sai da mão a grande velocidade e vai inevitavelmente cair na água e afundar-se no leito. Não é assim tão difícil perceber o que vai acontecer com a pedra. O que é verdadeiramente difícil (se não mesmo impossível) é perceber o que vai acontecer com a água. O efeito que vai fazer, o impacto que vai ter em todo o ecossistema e eventualmente a ligação com tudo o resto que existe numa aparentemente interminável rede de ligações até chegar novamente aos músculos e nervos do meu braço... Bem... acho que estou a divagar... novamente...
Se há pessoas que só conseguem ver a pedra a cair nos próximos momentos, há no entanto pessoas que conseguem imaginar toda a continuidade da acção. H. G. Wells era uma dessas pessoas. Ele conseguia pegar numa acção minúscula e extrapolar para outras acções, estendê-las no tempo e assim efectivamente conseguir ter um vislumbre do futuro. E assim se chega a Things to Come, um clássico da ficção científica, com ideias muita à frente do seu tempo. Logo à partida, uma guerra em 1940 (praticamente o início da II Guerra Mundial), mas depois que começa a desenrolar-se noutros anos (1966 e 2036) entra em campos por vezes quase "visionários" ou "proféticos" como a massificação dos meios aéreos (aviões e helicópteros), os ecrãs de TV finos (como LCD´s" e as viagens espaciais... Para quem estava no longínquo ano de 1936 a "olhar para a frente", acho que é uma previsão absolutamente fantástica.
Infelizmente é aqui que termina o lado positivo deste Things to Come. Pelo que sei, Wells acompanhou de perto a "construção" do filme e uma das coisas que costumo ler é de ele não queria um filme "tolo" como Metropolis. Não sei se foi por imposição ou por simples coincidência mas acabou por ver o seu desejo realizado. Infelizmente. Metropolis de Fritz Lang é o portento intemporal que é, e Things to Come de William Cameron Menzies ficou atolhado pelo pó do tempo. E em certa parte é justo. Olhando para a obra do ponto de vista do filme, acaba por ser um pouco fraco. A realização é muito "plana", muito "fixa". Os actores (Raymond Massey, Edward Chapman, Ralph Richardson) ficam um pouco "pendurados" nas personagens e na sua própria teatralidade. E o próprio desenrolar da história (que abarca décadas inteiras, a quase erradicação da Humanidade por uma doença pestilenta e um novo começo) é irregular e inconsistente. E ainda que tenha obviamente a desculpa da marca do "tempo" nas questões técnicas e efeitos especiais, já vi melhor em filmes da mesma época, apesar de o design de produção e as "maquetes" serem muito boas. Things to Come não está bem feito e acaba por não ser um filme memorável. A maior prova disso é o facto curioso de ser um daqueles filmes "clássicos" que acabaram por cair em domínio público. Constatação triste mas verdadeira.
Para lá das previsões e do futurismo, nota-se que história é muito à frente do seu tempo (no final é mesmo uma revolução do povo contra os progressos tecnológicos que ironicamente fizeram a Humanidade recomeçar quase do zero e levá-la ao Espaço) e é o que mais se destaca e lhe dá valor intemporal. Pena que tudo o resto tenha ficado de certa forma "curto". Ainda assim, é uma peça histórica e uma raridade de outros tempos que merece ser vista com atenção. ●●●○○
Se há pessoas que só conseguem ver a pedra a cair nos próximos momentos, há no entanto pessoas que conseguem imaginar toda a continuidade da acção. H. G. Wells era uma dessas pessoas. Ele conseguia pegar numa acção minúscula e extrapolar para outras acções, estendê-las no tempo e assim efectivamente conseguir ter um vislumbre do futuro. E assim se chega a Things to Come, um clássico da ficção científica, com ideias muita à frente do seu tempo. Logo à partida, uma guerra em 1940 (praticamente o início da II Guerra Mundial), mas depois que começa a desenrolar-se noutros anos (1966 e 2036) entra em campos por vezes quase "visionários" ou "proféticos" como a massificação dos meios aéreos (aviões e helicópteros), os ecrãs de TV finos (como LCD´s" e as viagens espaciais... Para quem estava no longínquo ano de 1936 a "olhar para a frente", acho que é uma previsão absolutamente fantástica.
Infelizmente é aqui que termina o lado positivo deste Things to Come. Pelo que sei, Wells acompanhou de perto a "construção" do filme e uma das coisas que costumo ler é de ele não queria um filme "tolo" como Metropolis. Não sei se foi por imposição ou por simples coincidência mas acabou por ver o seu desejo realizado. Infelizmente. Metropolis de Fritz Lang é o portento intemporal que é, e Things to Come de William Cameron Menzies ficou atolhado pelo pó do tempo. E em certa parte é justo. Olhando para a obra do ponto de vista do filme, acaba por ser um pouco fraco. A realização é muito "plana", muito "fixa". Os actores (Raymond Massey, Edward Chapman, Ralph Richardson) ficam um pouco "pendurados" nas personagens e na sua própria teatralidade. E o próprio desenrolar da história (que abarca décadas inteiras, a quase erradicação da Humanidade por uma doença pestilenta e um novo começo) é irregular e inconsistente. E ainda que tenha obviamente a desculpa da marca do "tempo" nas questões técnicas e efeitos especiais, já vi melhor em filmes da mesma época, apesar de o design de produção e as "maquetes" serem muito boas. Things to Come não está bem feito e acaba por não ser um filme memorável. A maior prova disso é o facto curioso de ser um daqueles filmes "clássicos" que acabaram por cair em domínio público. Constatação triste mas verdadeira.
Para lá das previsões e do futurismo, nota-se que história é muito à frente do seu tempo (no final é mesmo uma revolução do povo contra os progressos tecnológicos que ironicamente fizeram a Humanidade recomeçar quase do zero e levá-la ao Espaço) e é o que mais se destaca e lhe dá valor intemporal. Pena que tudo o resto tenha ficado de certa forma "curto". Ainda assim, é uma peça histórica e uma raridade de outros tempos que merece ser vista com atenção. ●●●○○
Os eventos passados em Dunkirk são decisivos na história da Segunda Guerra Mundial e consequentemente na história do mundo. Sem o salvamento destes soldados presos na praia e cercados de alemães, é provável que a Inglaterra tivesse sucumbido e a Alemanha Nazi tivesse mesmo conquistado toda a Europa e quem sabe o mundo hoje, seria um mundo totalmente diferente... É uma daquelas histórias de guerra que para além de diferentes do habitual (são os civis que salvam os soldados e não o contrário), também não é muito conhecida, talvez ofuscada pela grande manobra de acção e bravura que foi o desembarque na Normandia. Por isso, é sempre bom ser relembrado e informado de factos menos conhecidos. Este Dunkirk, de Christopher Nolan é isto e muito mais, mas tem algumas falhas. E quando eu digo "falhas", não são "falhas", mas apenas aspectos que não conjugam muito bem com o que gosto de ver num filme de guerra.
Estar a ver um filme como o Dunkirk é como estar a apreciar uma obra arquitectónica de Alvar Aalto. É bonito e minimalista mas demasiado impessoal. E Dunkirk é um bocado assim. As personagens são demasiado robotizadas. Eu percebo a lógica: desumanizar as personagens para transmitir a desumanização do soldado e da própria guerra. Neste caso, acho que Nolan foi longe demais e as personagens tornaram-se quase zombies, sem acção, sem emoções, sem personalidade... apenas têm uma presença física. Percebo, mas não gosto. Tornou-se demasiado não-emocional.
A narrativa não-linear é um pouco confusa e também não ajuda a cimentar a importância e o desespero dos soldados. Também a entendo mas também não gostei porque não é totalmente perceptível. Percebo a lógica temporal dispersa pela areia, pela água e pelo ar. E provavelmente até foi mesmo o que os soldados sentiram naqueles instantes angustiantes, mas essa sensação não passou pelo ecrã. Tal como os actores (Mark Rylance, Tom Hardy, Cillian Murphy, Kenneth Branagh, Fionn Whitehead, Damien Bonnard), apenas estão lá...
Mas apesar disto tudo, Dunkirk é uma obra de arte lindíssima. Belo som, maravilhosas imagens e planos de câmara de deixar um gajo de boca aberta. Parece-me que este Dunkirk é mais uma experiência do que propriamente um filme. Nolan quis experimentar um novo tipo de cinema e apoiou-se neste elenco jovem para o fazer. Cheira quase a preparação para algo grande que vem a seguir. É uma obra de arte cinematográfica minimalista e algo diferente no já longo e muito bem preenchido currículo de Nolan.
Apesar de não ser excepcional e de optar por ir para campos que não são do meu gosto, é um belíssimo filme de guerra que sem dúvidas, recomendaria sempre. E vem confirmar aquilo que toda a gente já percebeu, mas não quer dizer: Christopher Nolan é o melhor, mais eclético, perfecionista, puro e verdadeiro realizador do momento. ●●●○○
Estar a ver um filme como o Dunkirk é como estar a apreciar uma obra arquitectónica de Alvar Aalto. É bonito e minimalista mas demasiado impessoal. E Dunkirk é um bocado assim. As personagens são demasiado robotizadas. Eu percebo a lógica: desumanizar as personagens para transmitir a desumanização do soldado e da própria guerra. Neste caso, acho que Nolan foi longe demais e as personagens tornaram-se quase zombies, sem acção, sem emoções, sem personalidade... apenas têm uma presença física. Percebo, mas não gosto. Tornou-se demasiado não-emocional.
A narrativa não-linear é um pouco confusa e também não ajuda a cimentar a importância e o desespero dos soldados. Também a entendo mas também não gostei porque não é totalmente perceptível. Percebo a lógica temporal dispersa pela areia, pela água e pelo ar. E provavelmente até foi mesmo o que os soldados sentiram naqueles instantes angustiantes, mas essa sensação não passou pelo ecrã. Tal como os actores (Mark Rylance, Tom Hardy, Cillian Murphy, Kenneth Branagh, Fionn Whitehead, Damien Bonnard), apenas estão lá...
Mas apesar disto tudo, Dunkirk é uma obra de arte lindíssima. Belo som, maravilhosas imagens e planos de câmara de deixar um gajo de boca aberta. Parece-me que este Dunkirk é mais uma experiência do que propriamente um filme. Nolan quis experimentar um novo tipo de cinema e apoiou-se neste elenco jovem para o fazer. Cheira quase a preparação para algo grande que vem a seguir. É uma obra de arte cinematográfica minimalista e algo diferente no já longo e muito bem preenchido currículo de Nolan.
Apesar de não ser excepcional e de optar por ir para campos que não são do meu gosto, é um belíssimo filme de guerra que sem dúvidas, recomendaria sempre. E vem confirmar aquilo que toda a gente já percebeu, mas não quer dizer: Christopher Nolan é o melhor, mais eclético, perfecionista, puro e verdadeiro realizador do momento. ●●●○○
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É difícil separar o Mel Gibson-pessoa dos Mel Gibson-actor/realizador. Nos últimos anos tem estado um bocado proscrito precisamente porque o seu lado pessoal tem sobressaído demasiado e ainda por cima pelas piores razões. Depois de anos a criar uma figura de durão, homem violento e másculo (dentro e fora do cinema) é difícil de separar uma persona da outra. Eu gosto muito do Mel Gibson-actor/realizador e felizmente consigo separar as duas coisas.
Hacksaw Ridge tem o condão de reabilitar Mel Gibson para o cinema e para o grande público. (Ainda bem!) Apresenta uma história verdadeira com uma personagem pacifista, um objector de consciência que no meio de uma guerra brutal (EUA contra o Japão), se preocupa mais em defender os seus companheiros do que atacar os seus inimigos. É uma mensagem extremamente poderosa. O mais incrível de toda esta situação é que a personagem é real e a história também. Desmond Doss foi um soldado americano que apesar de todas as pressões internas do Exército dos EUA (foi a tribunal de guerra por se recusar a pegar em armas de fogo e foi alvo de constantes agressões pelos superiores hierárquicos e colegas de caserna durante a formação militar) levou a sua ideia de pacifismo avante e acabou condecorado como um grande herói de guerra pelos seus feitos: como soldado/médico salvou das trincheiras dezenas de militares (americanos e não só) de uma morte certa. O que fez é verdadeiramente heróico. Parece tão inacreditável que fui obrigado a ir confirmar. E é mesmo verdade. É uma daquelas histórias em que a realidade suplanta (e muito) a ficção e que merece ser contada e relembrada. Num mundo povoado por super-heróis de plástico e pipocas é bom saber que ainda há verdadeiros heróis e que alguém lhe dá o devido valor.
Para além da realização perfeita de Gibson, uma grande parte do valor de Hacksaw Ridge vem também dos actores: Andrew Garfield é excelente e foi muitíssimo bem escolhido; Sam Worthington, Hugo Weaving e Vince Vaughn complementam especialmente bem o protagonista e o resto do casting é muito homeogéno. As cenas de guerra são cruas e têm um "ar antigo", quase do tempo pré-efeitos especiais, o que lhe confere uma autenticidade incrível. Muito bom.
Hacksaw Ridge é muitas coisas. É um filme de guerra que é um autêntico manifesto anti-guerra sem cair em falsos moralismos. É um pedido de desculpas e de integração de Mel Gibson. Não é coincidência esta escolha da personagem. Apesar de todas as diferenças evidentes, Doss, tal como Gibson é também alguém que não é bem visto pelos seus pares, mas que prova em campo todo o seu valor e acaba por receber a atenção merecida. Noutro plano, é também a confirmação de um grande realizador que é tão bom que obviamente não precisa de enormes orçamentos para fazer bom cinema. Mas principalmente é um filme muito bom que merece ser visto. ●●●●○
Hacksaw Ridge tem o condão de reabilitar Mel Gibson para o cinema e para o grande público. (Ainda bem!) Apresenta uma história verdadeira com uma personagem pacifista, um objector de consciência que no meio de uma guerra brutal (EUA contra o Japão), se preocupa mais em defender os seus companheiros do que atacar os seus inimigos. É uma mensagem extremamente poderosa. O mais incrível de toda esta situação é que a personagem é real e a história também. Desmond Doss foi um soldado americano que apesar de todas as pressões internas do Exército dos EUA (foi a tribunal de guerra por se recusar a pegar em armas de fogo e foi alvo de constantes agressões pelos superiores hierárquicos e colegas de caserna durante a formação militar) levou a sua ideia de pacifismo avante e acabou condecorado como um grande herói de guerra pelos seus feitos: como soldado/médico salvou das trincheiras dezenas de militares (americanos e não só) de uma morte certa. O que fez é verdadeiramente heróico. Parece tão inacreditável que fui obrigado a ir confirmar. E é mesmo verdade. É uma daquelas histórias em que a realidade suplanta (e muito) a ficção e que merece ser contada e relembrada. Num mundo povoado por super-heróis de plástico e pipocas é bom saber que ainda há verdadeiros heróis e que alguém lhe dá o devido valor.
Para além da realização perfeita de Gibson, uma grande parte do valor de Hacksaw Ridge vem também dos actores: Andrew Garfield é excelente e foi muitíssimo bem escolhido; Sam Worthington, Hugo Weaving e Vince Vaughn complementam especialmente bem o protagonista e o resto do casting é muito homeogéno. As cenas de guerra são cruas e têm um "ar antigo", quase do tempo pré-efeitos especiais, o que lhe confere uma autenticidade incrível. Muito bom.
Hacksaw Ridge é muitas coisas. É um filme de guerra que é um autêntico manifesto anti-guerra sem cair em falsos moralismos. É um pedido de desculpas e de integração de Mel Gibson. Não é coincidência esta escolha da personagem. Apesar de todas as diferenças evidentes, Doss, tal como Gibson é também alguém que não é bem visto pelos seus pares, mas que prova em campo todo o seu valor e acaba por receber a atenção merecida. Noutro plano, é também a confirmação de um grande realizador que é tão bom que obviamente não precisa de enormes orçamentos para fazer bom cinema. Mas principalmente é um filme muito bom que merece ser visto. ●●●●○
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Fury é um filmito de guerra muito aceitável aceitável, com a mão de David Ayer, ao nível de um episódio da mítica mini-série Band of Brothers. Um sucedâneo de boa qualidade de Saving Private Ryan. Quando se faz um filme como Fury, que vai buscar tanto da imagética original destas referências, não há como fugir aos rótulos. Mas está tudo bem feito. A principal crítica que lhe faria é que lhe falta intensidade. Falta-lhe aqueles momentos dramáticos e marcantes em que um gajo agarra-se ao sofá ou fica com um nó na garganta. Os únicos momentos em que o filme acelera um pouco mais, são algumas cenas de guerra - fantasticamente bem feitas, principalmente ao nível do som - e algumas vezes em que entra em cena o Brad Pitt que domina qualquer ecrã com aquele carisma e aquela classe toda. O restante pessoal (Shia LaBeouf - cada vez melhor [e também com ar mais "maluco"] -, Logan Lerman, Michael Peña e Jon Bernthal) aguenta-se bastante bem mas têm muito pouco "tempo de antena". Tem algumas coisas que podiam ser melhores, mas vê-se bem. ●●○○○
The Numbers Station, realizado por Kasper Barfoed, com John Cusack, Malin Akerman e Liam Cunningham é um filme mediano.
Tem por base uma teoria da conspiração pouca conhecida, em que emissões de rádio de origem desconhecida transmitem aleatórias listas de números (às vezes através de voz sintetizada, outras vezes de código morse). Já li algumas coisas sobre o assunto e é de facto intrigante. Os teoristas da conspiração asseguram que são mensagens codificadas para espiões e que só existem após a Segunda Guerra Mundial. Mas isso é outra história.
Inicialmente, foi essa teoria que me levou a ver The Numbers Station. Queria ver como pegavam no assunto e o adaptavam para filme. Não está mau. É um thriller de acção com espionagem e agentes duplos à mistura e... alguma substância. Nota-se bem que não é uma produção de Hollywood. Sem ser memorável, vê-se bem. ●●○○○
Tem por base uma teoria da conspiração pouca conhecida, em que emissões de rádio de origem desconhecida transmitem aleatórias listas de números (às vezes através de voz sintetizada, outras vezes de código morse). Já li algumas coisas sobre o assunto e é de facto intrigante. Os teoristas da conspiração asseguram que são mensagens codificadas para espiões e que só existem após a Segunda Guerra Mundial. Mas isso é outra história.
Inicialmente, foi essa teoria que me levou a ver The Numbers Station. Queria ver como pegavam no assunto e o adaptavam para filme. Não está mau. É um thriller de acção com espionagem e agentes duplos à mistura e... alguma substância. Nota-se bem que não é uma produção de Hollywood. Sem ser memorável, vê-se bem. ●●○○○






