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Um homem é acusado de violação por uma miúda rica e a sua amiga dos trailers. O polícia que investiga o caso começa a suspeitar de fraude e é obrigado a entrar numa teia de crimes, mentiras, enganos e traições para tentar chegar à verdade. Mas não vai ser fácil, porque nem tudo é o que parece.
Wild Things é um thriller à "moda antiga" de John McNaughton, em que a acção está no guião e não nas explosões. Grande realização, com grande envolvência, numa história cheia de surpresas e twists que vai obrigar a ver o genérico até ao fim para ver se não acontece mais alguma coisa... Muito bom. Excelentes prestações de Kevin Bacon, Matt Dillon, Neve Campbell e Denise Richards, mas ainda há Robert Wagner e Bill Murray como secundários. Apesar de ser um filme com pouco mais de 20 anos, parece ter saído de um passado profundo; não porque o filme esteja datado no tempo, mas porque hoje em dia (praticamente) não se fazem filmes assim. É incrível. O cinema mudou muito em 20 anos, mas isso é outra história. Por isso mesmo, Wild Things está recomendadíssimo. ●●●●○

Quando chegou a Portugal, a novidade fez com que eu fosse um ávido consumidor de McDonald's como o resto da população mundial. Mas depois comecei a ter alguns problemas: em primeiro lugar os hambúrgueres começaram a deixar-me mal-disposto. Esta parte não é brincadeira. Arrotava e ficava com dores de barriga. Havia ali qualquer coisa que não me caía bem. Depois comecei a reparar nas fotografias espectacularmente bem apresentadas versus a realidade do hambúrguer que vinha na caixa e que nunca correspondia. A seguir percebi que há alguns problemas preocupantes que atingem a sociedade quando uma empresa tem um nível de faturação maior que o PIB de alguns países. Depois, li o IT do Steven King e apercebi-me o que havia de estranho no palhaço da McDonald's: o Ronald McDonald era o palhaço assustador com que o palhaço do IT tinha pesadelos!!! Isso é muito estranho, visto que palhaço está lá para as crianças. Nunca percebi como é que as criancinhas não fugiam dali aos gritos... E para terminar o McDonald's desalojou e acabou com o meu café favorito em toda a cidade. E então decidi por um ponto final nesta minha curta relação com o fast food.
Mal eu sabia que um dia estaria a ver um filme como The Founder. Uma história de persistência, tenacidade, mas também de traição, engano e mentira. Basicamente o American Dream, mas tal como é visto hoje em dia... É um ataque cerrado ao início da McDonald's e ao seu fundador Ray Croc. Diga-se de passagem que Ray Croc parece um nome saído de um filme de mafiosos... Adiante...
O que surpreendeu pela positiva em The Founder foi o estar muito bem realizado por John Lee Hancock e muito bem escrito por Robert Siegel. Nota-se que isto é pessoal que tinha uma missão em mente. E não é fácil "atacar" aquilo que a maioria das pessoas adora. Grande destaque também para o Michael Keaton que apesar de não se esforçar muito na criação da personagem, consegue igualmente que uma pessoa o admire e o deteste ao mesmo tempo. Nick Offerman, John Carroll Lynch, Laura Dern, entre muitos outros bons actores também por lá passam.
Deixei de entrar no McDonald's na longínqua década de 90 porque me tirou o meu café preferido que era também o meu ponto de encontro com os meus amigos. E sempre achei que havia algo na empresa que não batia certo. Agora confirmei o que era... Cheirava a... traição. Decididamente a ver. ●●●○○

É difícil ter acesso às grandes estrelas, sem ser através de um documentário. Este Listen to me Marlon é uma pérola e um privilégio. Com locução do próprio Marlon Brando, com recurso a horas de cassetes gravadas pelo mesmo, é uma oportunidade única para mergulhar no complexo interior da cabeça de um dos melhores actores de sempre. Pioneiro do Método, Marlon é um actor completo e único na história do próprio cinema, mas que também desprezava o próprio trabalho. Para uma pessoa que simplesmente odiava a mentira, representar (que basicamente é mentir propositadamente para uma câmara) foi corroendo-o totalmente por dentro, ao ponto de o levar à reclusão e ao nojo pela própria profissão.
Um génio que se transforma num eremita é basicamente a derradeira definição de... lenda. Que é o que Marlon Brando inegavelmente é.
Apesar de só o "conhecer" muito tarde na carreira (ainda não consegui ver alguns dos seus clássicos mais antigos!), sempre me identifiquei muito com as personagens de Brando. Depois do documentário, identifiquei-me muito mais com o homem. É uma pessoa que está em guerra constante, mas numa busca pela paz. Esta dualidade acaba sempre por fazer mossa, e no caso do super-exposto e super-mediático Marlon foi absolutamente determinante.
De super-estrela a super-odiado, passando pelo regresso no final dos 70's e o auto-exílio, passando pelas grandes turbulências amorosas e tragédias da sua vida pessoal, o afastamento da carreira e as disposições activistas e políticas (até na cerimónia de entrega dos Óscares), tudo é extremamente bem contado e narrado para mostrar como um "simples" actor se transformou numa lenda de Hollywood e do cinema em geral.
Listen to me Marlon é documentário muito bom, muitíssimo bem escrito e enquadrado da autoria de Stevan Riley. Apenas não gostei do tom predominantemente negro, por vezes quase a roçar o documentário de "exploração". Houve ali uma tentaçãozinha de explorar o lado mais escandaloso, mas vá lá, Riley acabou por se conter e fez muitíssimo bem, porque acabou por construir um dos melhores documentários sobre actores que já vi. Absolutamente obrigatório. ●●●●○

 
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