O cinema de Hollywood está sem ideias e entrou num loop de repetições "fáceis" e lucro garantido. Por outro lado, se os actores tiverem mais que 19 anos já são "velhos", visto que os filmes parecem todos dirigidos a um público que é maioritariamente adolescente. Pelo que tenho percebido, é uma crítica mais ou menos generalizada e consensual até entre o pessoal do meio. Mas se por um lado, os estúdios de Hollywood estão-se a cagar para este tipo de crítica (facturam literalmente biliões com os chamados filmes-pipoca que todo o crítico [amador ou profissional] adora odiar), por outro lado parece-me que também leva a crítica a sério e mais importante que isso, reconhece-a como verdadeira.
A realidade é que Hollywood está numa encruzilhada: ou fica só com as sequelas, prequelas, remakes, reboots e repetições de êxitos garantidos (já para não falar naquela altura do ano em que aparecem uma dúzia de dramas feitos à medida para os Óscares [é apenas outro "mercado"]) e vai ficar conotada como sendo apenas mais uma entidade anónima que apenas anseia pelo lucro fácil vendendo um produto inflacionado e artificial (e isso tem dado muito trabalho a todas as outras multinacionais só para "limpar" o nome) ou... permite que exista algum cinema de autor americano saído dos grandes estúdios, mas este vai obviamente criticar o status quo. Ou então promove filmes que são uma crítica para "dentro", profunda, objectiva e por vezes até insultuosa, só para poder dizer que percebe as críticas e até as aceita, como este Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance). Já há muito tempo que não me lembro de ver um filme com uma mensagem assim tão directa e acutilante para "dentro".
No papel principal está Michael Keaton, representando um actor que tenta regressar ao activo depois de grandes sucessos de acção e, posteriormente caído em desgraça por ser velho para os novos "sucessos de acção". Michael Keaton obviamente representa-se a si próprio e fá-lo espectacularmente bem. Na realidade, foi um daqueles regressos em grande.
Outro exemplo é Edward Norton, que anda um bocado afastado da representação por ter uma reputação de irascível, e que representa uma personagem que é abrasiva e com quem é difícil de trabalhar, apesar de ser um excelente actor. Mais uma vez, Edward Norton representa-se a si próprio e autoparodia-se (se é que a palavra existe...). Mas há muito mais referências para "dentro", não só aos chamados "filmes de consumo", como ao cinema em geral, aos próprios actores e ao pessoal mais técnico.
Mas à parte das mensagens, há muitas coisas excelentes por aqui. Alejandro Iñárritu está cada vez melhor na cadeira de realizador e na escrivaninha dos argumentos. Chegou rapidamente àquele ponto em que pouco há a dizer. Neste momento, tudo em que toca transforma-se em ouro. Birdman, em particular, é uma autêntica obra de arte cinematográfica. Acho que à porta de casa de Iñárritu deve haver neste momento uma enorme fila de actores à espera do seu próximo trabalho... Neste caso tiveram sorte Emma Stone, Zach Galifianakis, Amy Ryan, Andrea Riseborough e Naomi Watts, entre muitos outros.
Mas não é só excelente na direcção de actores. Pode passar despercebido, mas Birdman tem uma montagem contínua, sem costuras, fluída, brilhante...Um trabalho técnico do outro mundo.
Não me canso de o dizer, seja em que pormenor for, Birdman é um excelente filme. É uma sátira mordaz ao mundo de Hollywood, um megafone crítico que está a disparar constantemente em todas as direcções, brilhantemente realizado por Iñárritu. Um clássico instantâneo. É um filme obrigatório. Não sei se já tinha dito isto, mas Birdman é um excelente filme. ●●●●●
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Porter foi roubado, atraiçoado e atingido com dois tiros nas costas. Mas Porter é um gajo duro e não morre assim tão facilmente. Contra todas as expectativas, Porter está vivo e quer vingança. Mas também quer os seus 70 mil dólares de volta, e há-de tentar reavê-los nem que tenha de enfrentar polícias corruptos, a ex-mulher, uma dominatrix e o seu gang chinês ou uma poderosa organização mafiosa... Nada pára Porter.
Payback é um filme de criminosos, detectives e porrada à moda dos anos 70. Aquele genérico, com aquelas letras e aquela música não engana ninguém. Por mim, óptimo. Gosto imenso de filmes de detectives mal encarados e de porrada dessa altura. Podia ser o Clint Eastwood ou o Charles Bronson, mas é o Mel Gibson e isso é sempre bom. De suporte, um casting muito bom, recheado de bons actores: Gregg Henry, Maria Bello, David Paymer, Bill Duke, Deborah Kara Unger, William Devane, Lucy Liu, Kris Kristofferson e até James Coburn. Payback enche-me (medianamente) as medidas.
Originalmente era isto que ia escrever sobre Payback. Mas escrever sobre filmes tem destas coisas: uma pessoa tenta apanhar alguma informação sobre um filme que não parece ter muito sob a superfíce e às vezes é surpreendido. Este é um caso flagrante e um verdadeiro case study.
Vim eu a saber que Payback é um remake de Point Blank de 1967 (que nunca vi) com Lee Marvin no principal papel, daí que se pareça tanto com filmes "criminosos, detectives e porrada à moda dos anos 70". Mas na realidade, Payback, são dois filmes totalmente diferentes: Payback: Straight Up (versão do realizador) e Payback (versão de estúdio). Como tenho o hábito de rever filmes, por acaso vi as duas versões, o que me causou uma confusão imensa. Tinha a certeza que já tinha visto este filme, mas estranhamente, ele diferia em muitos pormenores. Por exemplo, tinha a certeza que o Kris Kristofferson entrava, mas neste filme, o chefe da máfia só fala ao telefone e é uma mulher. E à medida que ia avançando ia ficando pior: cenas inteiras desapareciam e para culminar, o próprio final é totalmente diferente. Pensei que estava a ficar maluco, ou pior, a perder as minhas faculdades de cine-memória. Afinal, havia outra... versão.
Pelo que percebi, o realizador - Brian Helgeland - foi despedido/substituído depois do filme estar "rodado e montado", o que levou a que 30% do filme tivesse de ser re-filmado para o "actualizar". Já li umas coisas sobre quem teria sido o realizador a fazer a montagem final, mas é uma incógnita. Falou-se de John Myhre e Paul Abascal - gajos que desconheço -, e até do próprio Mel Gibson. Não faço a mínima ideia, mas também isso não é importante.
O que é importante aqui é perceber quanto um filme muda só porque juntam mais umas imagens e se cortam outras. A montagem é quase meio filme. E não é só uma questão de ritmo. É uma questão da própria história. Até personagens podem simplesmente desaparecer do enredo na mesa de montagem.
Pessoalmente, acho que Payback é um filme óptimo. Primeiro, porque mostra que não sou averso a remakes como compreensivelmente seria de supor pelas 3 ou 4 pessoas que leem este blogue. Não vejo problema nenhum em fazer remakes, desde que se justifique. Sendo que a justificação é o filme original precisa de um refrescamento e já passaram 30 anos (mais ou menos) desde o lançamento da versão original. Depois, porque mostra a importância da parte oculta dos filmes: a parte técnica, aquelas letrinhas chatas e intermináveis no final, depois dos nomes das "estrelas" e do realizador, que o pessoal usa nos cinemas para não calcar/tropeçar em alguém até à luz das saídas, mas que faz toda a diferença na forma como um filme chega ao grande ecrã. Finalmente, porque mostra que não tenho nada contra a preferência "editorial" dos estúdios. Por vezes, parece que os estúdios querem tornar todos os filmes iguais e, normalmente, quando mexem na obra dos realizadores, basicamente sai merda. Curiosamente, este não é o caso. Apesar de gostar da versão mais crua de Brian Helgeland, gosto ainda mais do corte dado pelo estúdio. Acho que torna o filme mais comercial, mas mais equilibrado. Nem que fosse só por esta vez, teria que concordar que este corte de estúdio está melhor que o original. Mas como sempre é tudo uma questão de gosto e gostos não se discutem... Vê-se bem e vê-se bem. ●●○○○
Payback é um filme de criminosos, detectives e porrada à moda dos anos 70. Aquele genérico, com aquelas letras e aquela música não engana ninguém. Por mim, óptimo. Gosto imenso de filmes de detectives mal encarados e de porrada dessa altura. Podia ser o Clint Eastwood ou o Charles Bronson, mas é o Mel Gibson e isso é sempre bom. De suporte, um casting muito bom, recheado de bons actores: Gregg Henry, Maria Bello, David Paymer, Bill Duke, Deborah Kara Unger, William Devane, Lucy Liu, Kris Kristofferson e até James Coburn. Payback enche-me (medianamente) as medidas.
Originalmente era isto que ia escrever sobre Payback. Mas escrever sobre filmes tem destas coisas: uma pessoa tenta apanhar alguma informação sobre um filme que não parece ter muito sob a superfíce e às vezes é surpreendido. Este é um caso flagrante e um verdadeiro case study.
Vim eu a saber que Payback é um remake de Point Blank de 1967 (que nunca vi) com Lee Marvin no principal papel, daí que se pareça tanto com filmes "criminosos, detectives e porrada à moda dos anos 70". Mas na realidade, Payback, são dois filmes totalmente diferentes: Payback: Straight Up (versão do realizador) e Payback (versão de estúdio). Como tenho o hábito de rever filmes, por acaso vi as duas versões, o que me causou uma confusão imensa. Tinha a certeza que já tinha visto este filme, mas estranhamente, ele diferia em muitos pormenores. Por exemplo, tinha a certeza que o Kris Kristofferson entrava, mas neste filme, o chefe da máfia só fala ao telefone e é uma mulher. E à medida que ia avançando ia ficando pior: cenas inteiras desapareciam e para culminar, o próprio final é totalmente diferente. Pensei que estava a ficar maluco, ou pior, a perder as minhas faculdades de cine-memória. Afinal, havia outra... versão.
Pelo que percebi, o realizador - Brian Helgeland - foi despedido/substituído depois do filme estar "rodado e montado", o que levou a que 30% do filme tivesse de ser re-filmado para o "actualizar". Já li umas coisas sobre quem teria sido o realizador a fazer a montagem final, mas é uma incógnita. Falou-se de John Myhre e Paul Abascal - gajos que desconheço -, e até do próprio Mel Gibson. Não faço a mínima ideia, mas também isso não é importante.
O que é importante aqui é perceber quanto um filme muda só porque juntam mais umas imagens e se cortam outras. A montagem é quase meio filme. E não é só uma questão de ritmo. É uma questão da própria história. Até personagens podem simplesmente desaparecer do enredo na mesa de montagem.
Pessoalmente, acho que Payback é um filme óptimo. Primeiro, porque mostra que não sou averso a remakes como compreensivelmente seria de supor pelas 3 ou 4 pessoas que leem este blogue. Não vejo problema nenhum em fazer remakes, desde que se justifique. Sendo que a justificação é o filme original precisa de um refrescamento e já passaram 30 anos (mais ou menos) desde o lançamento da versão original. Depois, porque mostra a importância da parte oculta dos filmes: a parte técnica, aquelas letrinhas chatas e intermináveis no final, depois dos nomes das "estrelas" e do realizador, que o pessoal usa nos cinemas para não calcar/tropeçar em alguém até à luz das saídas, mas que faz toda a diferença na forma como um filme chega ao grande ecrã. Finalmente, porque mostra que não tenho nada contra a preferência "editorial" dos estúdios. Por vezes, parece que os estúdios querem tornar todos os filmes iguais e, normalmente, quando mexem na obra dos realizadores, basicamente sai merda. Curiosamente, este não é o caso. Apesar de gostar da versão mais crua de Brian Helgeland, gosto ainda mais do corte dado pelo estúdio. Acho que torna o filme mais comercial, mas mais equilibrado. Nem que fosse só por esta vez, teria que concordar que este corte de estúdio está melhor que o original. Mas como sempre é tudo uma questão de gosto e gostos não se discutem... Vê-se bem e vê-se bem. ●●○○○
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Tenho andado a pensar numa forma de classificar os filmes. Classificar, não. O termo mais correcto será quantificar os filmes.
Apesar de tudo, a classificação é bem mais fácil. Tirando os problemas óbvios dos filmes que têm vários géneros, é muito mais fácil. Um filme ou é de ficção científica ou um drama, um filme de acção ou um documentário. Há até aqueles filmes feitos especificamente para explorar o gosto do público por determinado género como o blaxpoitation. Há filmes que, apesar de não serem bons, são um marco do cinema precisamente por terem criado um novo género como o spaghetti western, por exemplo. Claro que isto não é assim tão simples. Porque o 2001: Odisseia no Espaço não é apenas um filme de ficção científica, nem o Apocalypse Now é um filme de guerra. Há filmes que pura e simplesmente não se conseguem encaixar num determinado rótulo ou género. Por estranho que possa parecer, normalmente até é o que distingue os grandes filmes dos demais. Mas sempre é mais fácil conseguir encaixar um filme num determinado género (ou vários) do que conseguir mostrar o seu valor.
Por isso é que nos jornais e afins, as atribuições dos críticos são tão díspares. Como se costuma dizer na gíria: "é conforme!". Isto é, depende de quem avalia. Se for um crítico mais "virado" para o cinema europeu, qualquer filme com o selo de Hollywood vai ser uma merda e só tem direito a 1 "estrelinha. Se for um crítico com outro interesse ou outra perspectiva diferente, a avaliação do filme muda. Isto sempre me pareceu demasiado abstracto e subjectivo. Portanto, tenho andado a pensar que tem de haver um método mais objectivo para quantificar um filme.
Primeiro pensei que as matemáticas e as médias seriam um bom método a aplicar, mas depois lembrei-me do Dead Poets Society e do sistema métrico de avaliação de poesia do Dr. J. Evans Pritchard, Ph.D.. Não me parece bem andar de regra e esquadro a fazer gráficos para avaliar o que quer que seja. Desisti dessa ideia e percebi que - mesmo que não se queira - há sempre uma grande dose de subjectividade nestas avaliações. O que não é assim tão negativo quanto pensava. Eu sei que é um contraditório afirmar isto, mas é verdade.
Da mesma forma que sempre achei que quantificar os filmes com 5 "estrelas" era demasiado redutor. Estava enganado outra vez. Após muita reflexão sobre o assunto cheguei à conclusão que É MESMO a melhor forma. (Isto acontece-me muitas vezes, contradizer as minha próprias opiniões). Com um acréscimo: a sexta "estrelinha". A "estrela" que distingue os excelentes filmes, dos filmes "fora da escala". Eis a minha lógica de pensamento.
Percebi que existem 5 tópicos (mais 1 extra) que definem a qualidade de um filme. E para tentar ser o mais objectivo possível, analiso os filmes como tendo o tópico preenchido ou não, de forma a eliminar a subjectividade o mais possível.
Primeiro: a realização geral. Na realização geral incluo a visão estética do filme, a direcção dos actores e a forma como são apresentadas as imagens. Convém não esquecer que um filme é acima de tudo uma mostra gráfica. Uma série de imagens estáticas colocadas em movimento. Neste ponto conta muito toda a equipa "visual" que um realizador junta à sua volta, como o director de fotografia, por exemplo. Mas também a visão particular do realizador. Como é que se apresentam emoções? Qual a melhor forma de mostrar arrependimento? Como se mostra à audiência que algo está para acontecer? Ou pôr-lhe os cabelos em pé? Ou dar-lhe um nó no estômago? Pois. Só um grande realizador sabe compor imagens para responder a isso. Outra coisa que se nota nos grandes realizadores é também um aspecto mais abrangente: domínio sobre o filme. Por isso mesmo, é raro um "assalariado" de estúdio conseguir fazer um grande filme. Um "assalariado" faz demasiadas concessões enquanto um grande realizador tem o filme todo na cabeça e controla todos os aspectos do filme. Isto nota-se num filme. Para o bem e para o mal.
Segundo: actores. O que é um filme sem actores? Nada. É como um actor sem público. Uma das forças motrizes de um bom filme são mesmo os actores. Mas não só. É também a escolha dos próprios actores. Alguém imaginou outro actor que não o Harrison Ford a fazer de Indiana Jones? Outro actor no The Shinning que não o Jack Nicholson? Outro Patton que não o George C. Scott? Pode não parecer, mas a escolha inicial de um determinado actor para um determinado papel é muito importante e decisivo para criar um bom filme. E, como é óbvio, o actor tem de ser mesmo bom e de ter um boa performance. Como se costuma dizer, se o actor fizer um daqueles "papelaços" inesquecíveis, mesmo um filme mediano torna-se logo bom.
Terceiro: a história. Antes de um filme existir visualmente, ele vai nascendo no papel através do seu guião. Não sei avaliar a qualidade técnica de um guião, mas mais importante do que isso é quando o realizador lhe dá vida. Mas começar com uma grande história, um tema totalmente inovador é meio caminho andado para ter em mãos um bom filme. Neste aspecto, saliento sempre um factor muito importante. O final da história. Quem escreve sabe bem que finalizar um boa história é sempre muito mais difícil do que iniciá-la. Não me estou a referir os célebres twists. Estou a referir-me àquela "boa" conclusão. Muitas vezes, os filmes têm boas histórias, desenvolvem-se bem, mas o final do filme deixa um sabor amargo. Finais demasiadamente "em aberto" (à europeu), totalmente previsíveis ou que dão tantas voltas (os tais twists) para baralhar o final óbvio, que acabam por ser novamente previsíveis.
Quarto: os aspectos técnicos. Som, luz, cor e efeitos especiais dão camadas extra a um filme. E se elas forem todas muito boas e equilibradas, a qualidade de um filme aumenta exponencialmente. Isto nota-se, pela negativa nos blockbusters. A camada dos efeitos especiais é tão espessa que por vezes tapa todo o filme. Por isso é que é raro ver um "blockbuster de efeitos" que seja um bom filme. Pelo lado positivo, aspectos técnicos bem concebidos, que ajudem a contar a história e exponenciem o trabalho dos actores, elevam os filmes à categoria de clássicos. É como a construção de um pintura: começa-se pelo esboço a carvão, lima-se os pormenores, acrescentam-se cores e finaliza-se os retoques.
Quinto: ritmo. Um dos elementos menos visível de um filme é a montagem. Pode não parecer, mas saber quando cortar uma cena ou prolongá-la faz toda a diferença. Isto é muito importante porque marca o andamento de um filme. Pode torná-lo hiper-rápido ou insuportavelmente lento. Há aqui um paralelismo directo com a música. Há que saber quando meter as guitarradas estridentes e as melodias calmas. Um bom filme tem um equilíbrio perfeito entre a acção e o diálogo. É como uma música dos Pink Floyd: não se percebe muito bem porquê, mas têm o ritmo perfeito. Um bom filme é igual. Tem de ser consistente, mas conseguir, de tempos a tempos, fazer-nos dar um salto na cadeira.
Por último: a sexta "estrela". A "estrela" que faz toda a diferença. Pensei muito no assunto e reparei que o que faz os grandes filmes é sua durabilidade. Ou seja, a capacidade de resistirem à passagem do tempo. É como toda a restante arte: a que faz a diferença é a que perdura. Fazer um filme perdurar no tempo é talvez o mais difícil. Já me aconteceu "n" de vezes rever um filme que achava excelente, mas que agora noto que ficou "marcado" no tempo. Uma pessoa percebe que aquele filme é da década de 70 ou 80, que os aspectos técnicos estão "marcados" e/ou desactualizados, que a temática só tinha validade num tempo específico ou que era dum determinado género que entretanto passou de moda. Acho que esta última "estrela" é o que faz os bons filmes saltarem para uma classe à parte. A classe dos "intemporais". Por isso é que há tão poucos.
Resumindo. Para um filme ser bom é necessário existir uma grande colaboração de talentos em volta de uma boa história, liderados por um líder exemplar. Mas para um filme ser intemporal (até resistir à crítica) é absolutamente necessário que o "homem do leme" consiga criar "aquela estrelinha" extra para colocar no final. Vou ver um filme qualquer só para experimentar esta nova classificação. Perdão. Quantificação.
Apesar de tudo, a classificação é bem mais fácil. Tirando os problemas óbvios dos filmes que têm vários géneros, é muito mais fácil. Um filme ou é de ficção científica ou um drama, um filme de acção ou um documentário. Há até aqueles filmes feitos especificamente para explorar o gosto do público por determinado género como o blaxpoitation. Há filmes que, apesar de não serem bons, são um marco do cinema precisamente por terem criado um novo género como o spaghetti western, por exemplo. Claro que isto não é assim tão simples. Porque o 2001: Odisseia no Espaço não é apenas um filme de ficção científica, nem o Apocalypse Now é um filme de guerra. Há filmes que pura e simplesmente não se conseguem encaixar num determinado rótulo ou género. Por estranho que possa parecer, normalmente até é o que distingue os grandes filmes dos demais. Mas sempre é mais fácil conseguir encaixar um filme num determinado género (ou vários) do que conseguir mostrar o seu valor.
Por isso é que nos jornais e afins, as atribuições dos críticos são tão díspares. Como se costuma dizer na gíria: "é conforme!". Isto é, depende de quem avalia. Se for um crítico mais "virado" para o cinema europeu, qualquer filme com o selo de Hollywood vai ser uma merda e só tem direito a 1 "estrelinha. Se for um crítico com outro interesse ou outra perspectiva diferente, a avaliação do filme muda. Isto sempre me pareceu demasiado abstracto e subjectivo. Portanto, tenho andado a pensar que tem de haver um método mais objectivo para quantificar um filme.
Primeiro pensei que as matemáticas e as médias seriam um bom método a aplicar, mas depois lembrei-me do Dead Poets Society e do sistema métrico de avaliação de poesia do Dr. J. Evans Pritchard, Ph.D.. Não me parece bem andar de regra e esquadro a fazer gráficos para avaliar o que quer que seja. Desisti dessa ideia e percebi que - mesmo que não se queira - há sempre uma grande dose de subjectividade nestas avaliações. O que não é assim tão negativo quanto pensava. Eu sei que é um contraditório afirmar isto, mas é verdade.
Da mesma forma que sempre achei que quantificar os filmes com 5 "estrelas" era demasiado redutor. Estava enganado outra vez. Após muita reflexão sobre o assunto cheguei à conclusão que É MESMO a melhor forma. (Isto acontece-me muitas vezes, contradizer as minha próprias opiniões). Com um acréscimo: a sexta "estrelinha". A "estrela" que distingue os excelentes filmes, dos filmes "fora da escala". Eis a minha lógica de pensamento.
Percebi que existem 5 tópicos (mais 1 extra) que definem a qualidade de um filme. E para tentar ser o mais objectivo possível, analiso os filmes como tendo o tópico preenchido ou não, de forma a eliminar a subjectividade o mais possível.
Primeiro: a realização geral. Na realização geral incluo a visão estética do filme, a direcção dos actores e a forma como são apresentadas as imagens. Convém não esquecer que um filme é acima de tudo uma mostra gráfica. Uma série de imagens estáticas colocadas em movimento. Neste ponto conta muito toda a equipa "visual" que um realizador junta à sua volta, como o director de fotografia, por exemplo. Mas também a visão particular do realizador. Como é que se apresentam emoções? Qual a melhor forma de mostrar arrependimento? Como se mostra à audiência que algo está para acontecer? Ou pôr-lhe os cabelos em pé? Ou dar-lhe um nó no estômago? Pois. Só um grande realizador sabe compor imagens para responder a isso. Outra coisa que se nota nos grandes realizadores é também um aspecto mais abrangente: domínio sobre o filme. Por isso mesmo, é raro um "assalariado" de estúdio conseguir fazer um grande filme. Um "assalariado" faz demasiadas concessões enquanto um grande realizador tem o filme todo na cabeça e controla todos os aspectos do filme. Isto nota-se num filme. Para o bem e para o mal.
Segundo: actores. O que é um filme sem actores? Nada. É como um actor sem público. Uma das forças motrizes de um bom filme são mesmo os actores. Mas não só. É também a escolha dos próprios actores. Alguém imaginou outro actor que não o Harrison Ford a fazer de Indiana Jones? Outro actor no The Shinning que não o Jack Nicholson? Outro Patton que não o George C. Scott? Pode não parecer, mas a escolha inicial de um determinado actor para um determinado papel é muito importante e decisivo para criar um bom filme. E, como é óbvio, o actor tem de ser mesmo bom e de ter um boa performance. Como se costuma dizer, se o actor fizer um daqueles "papelaços" inesquecíveis, mesmo um filme mediano torna-se logo bom.
Terceiro: a história. Antes de um filme existir visualmente, ele vai nascendo no papel através do seu guião. Não sei avaliar a qualidade técnica de um guião, mas mais importante do que isso é quando o realizador lhe dá vida. Mas começar com uma grande história, um tema totalmente inovador é meio caminho andado para ter em mãos um bom filme. Neste aspecto, saliento sempre um factor muito importante. O final da história. Quem escreve sabe bem que finalizar um boa história é sempre muito mais difícil do que iniciá-la. Não me estou a referir os célebres twists. Estou a referir-me àquela "boa" conclusão. Muitas vezes, os filmes têm boas histórias, desenvolvem-se bem, mas o final do filme deixa um sabor amargo. Finais demasiadamente "em aberto" (à europeu), totalmente previsíveis ou que dão tantas voltas (os tais twists) para baralhar o final óbvio, que acabam por ser novamente previsíveis.
Quarto: os aspectos técnicos. Som, luz, cor e efeitos especiais dão camadas extra a um filme. E se elas forem todas muito boas e equilibradas, a qualidade de um filme aumenta exponencialmente. Isto nota-se, pela negativa nos blockbusters. A camada dos efeitos especiais é tão espessa que por vezes tapa todo o filme. Por isso é que é raro ver um "blockbuster de efeitos" que seja um bom filme. Pelo lado positivo, aspectos técnicos bem concebidos, que ajudem a contar a história e exponenciem o trabalho dos actores, elevam os filmes à categoria de clássicos. É como a construção de um pintura: começa-se pelo esboço a carvão, lima-se os pormenores, acrescentam-se cores e finaliza-se os retoques.
Quinto: ritmo. Um dos elementos menos visível de um filme é a montagem. Pode não parecer, mas saber quando cortar uma cena ou prolongá-la faz toda a diferença. Isto é muito importante porque marca o andamento de um filme. Pode torná-lo hiper-rápido ou insuportavelmente lento. Há aqui um paralelismo directo com a música. Há que saber quando meter as guitarradas estridentes e as melodias calmas. Um bom filme tem um equilíbrio perfeito entre a acção e o diálogo. É como uma música dos Pink Floyd: não se percebe muito bem porquê, mas têm o ritmo perfeito. Um bom filme é igual. Tem de ser consistente, mas conseguir, de tempos a tempos, fazer-nos dar um salto na cadeira.
Por último: a sexta "estrela". A "estrela" que faz toda a diferença. Pensei muito no assunto e reparei que o que faz os grandes filmes é sua durabilidade. Ou seja, a capacidade de resistirem à passagem do tempo. É como toda a restante arte: a que faz a diferença é a que perdura. Fazer um filme perdurar no tempo é talvez o mais difícil. Já me aconteceu "n" de vezes rever um filme que achava excelente, mas que agora noto que ficou "marcado" no tempo. Uma pessoa percebe que aquele filme é da década de 70 ou 80, que os aspectos técnicos estão "marcados" e/ou desactualizados, que a temática só tinha validade num tempo específico ou que era dum determinado género que entretanto passou de moda. Acho que esta última "estrela" é o que faz os bons filmes saltarem para uma classe à parte. A classe dos "intemporais". Por isso é que há tão poucos.
Resumindo. Para um filme ser bom é necessário existir uma grande colaboração de talentos em volta de uma boa história, liderados por um líder exemplar. Mas para um filme ser intemporal (até resistir à crítica) é absolutamente necessário que o "homem do leme" consiga criar "aquela estrelinha" extra para colocar no final. Vou ver um filme qualquer só para experimentar esta nova classificação. Perdão. Quantificação.
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