Um dos primeiros filmes de mafiosos que vi foi o Scarface com a mirabolante e inesquecível personagem de Tony Montana. Acho que os mafiosos daquele tempo não se comportavam daquela maneira romantizada, no entanto acho que efectivamente a ficção acabou por moldar a realidade. Mesmo que não seja verdade, o públicoede cinema e não só, apenas consegue ver um mafioso desta maneira. E de uma forma estranha, acho que qualquer mafioso só se consegue ver retratado assim. Violento, ganancioso e apenas com um objectivo: chegar ao topo da escada e ser o rei absoluto de tudo.
Scarface é exactamente isto. É o percurso de Tony Montana, um cubano exilado em Miami na década de 80, que com a ajuda do seu inseparável amigo Manny, violentamente vai subindo os degraus da hierarquia mafiosa. Dos "pequenos", sanguinários e sujos trabalhos iniciais contra os cartéis colombianos de droga a mando do grande figurão de Frank Lopez e Omar, o seu irascível capataz, até lhes tirar o tapete debaixo dos pés (e a tosse) e conseguir finalmente chegar ao topo do pirâmide. Mas um percurso assim tão violento e traiçoeiro vai ter obviamente consequências trágicas e o império da droga de Tony Montana pode ruir a qualquer instante.
Este excelente Scarface de Brian De Palma é na realidade um remake do clássico Scarface de 1932. Mas aqui, o detalhe de ser um remake é mesmo apenas um detalhe histórico. Não tem nada de pejorativo. O filme é tão bom e "original" na concepção (mais um argumento fantástico de Oliver Stone) que só pode ser considerado um remake porque tem a mesma figura central como protagonista e estrutura narrativa de base. Se no original a base é a proibição do álcool e os seus meandros ilegais, nesta adaptação é o tráfico de droga e tudo o que se conhece em torno no negócio. As diferenças na história são irrelevantes porque o núcleo não é propriamente a ilegalidade do negócio, mas sim a ganância do protagonista. Sendo Brian De Palma um mestre incontestado, Scarface é um daqueles filmes inesquecíveis.
Mas muita da força do filme vem dos actores. Steven Bauer, Michelle Pfeiffer, Mary Elizabeth Mastrantonio, Robert Loggia e F. Murray Abraham não são só secundários. São verdadeiras personagens, com estruturas robustas e grande personalidade que enchem a tela e enriquecem todo o filme. Mas o destaque principal tinha mesmo de ir para Al Pacino. Aquela mistura de cómico louco e gangster cubano é irrepetível. Tal como disse no início, acho que esta performance acabou por cristalizar na mentalidade colectiva a aparência, os trejeitos e o comportamento do típico mafioso. Não se consegue olhar para um mafioso e vê-lo de forma diferente do Tony Montana. Um mafioso tem realmente de ser assim para ser considerado um mafioso de jeito. Tem de ser ganancioso e violento, sem empatia, mas por outro lado tem de ser sensível e aberto às coisas belas da vida. Tony Montana é uma mistura estranha que deveria fazer um gajo virar a cara, mas estranhamente tem uma certa atracção. Não sei explicar muito bem isto. Ou se calhar até sei... Por exemplo, desde o primeiro contacto visual, Tony procura incessantemente por Elvira mesmo que esta o mande dar uma volta constantemente. Ele é tão insistente que acaba por casar com ela, mas durante todo o filme não se lhes vê um único momento de intimidade. Até o beijo no final do casamento é quase invisível com aquele véu impenetrável. De certa forma, o encanto e a atracção de Tony Montana existe porque ele é um símbolo do eterno desejo de se ter o que não se tem. E depois, quando consegue o que quer, parte para outra demanda em busca de outra coisa qualquer que não tem... É complicado...
Scarface é um dos meus filmes favoritos e Tony Montana é uma das personagens que me ficou para sempre. Obrigatório. ●●●●●
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E agora para algo diferente... Um filmito de acção de outros tempos, com a magia do cinema pelo meio. Depois de décadas como o grande herói de acção da sua geração (e se calhar de sempre), Arnold Schwarzenegger decide lentamente começar a reinventar-se. Os músculos já não estavam no auge (que é como quem diz, não vendia bilhetes), a idade começava a pesar e o público já não era o mesmo. E de uma forma muito inteligente, Schwarzenegger começa a passar do género da acção para outro registo mais leve e consensual, a comédia. De um ponto de vista de carreira, foi um passo muito bem dado e muito bem pensado. Primeiro saltaria para comédia, e um dia quem sabe, quando fosse mais velho e já não pudesse andar aos saltos e aos tiros, poderia enveredar por uma carreira mais dramática. Como se pode comprovar, nunca foi levado assim tão a sério que pudesse saltar para os dramas, mas durante algum tempo Schwarzenegger até deu cartas na comédia. Estranhamente, até é um registo que não lhe fica nada mal. Mas antes disso tudo, decidiu unir as duas coisas, a acção e comédia. Last Action Hero é o exemplo perfeito desta junção. Logo à partida é uma sátira aos próprios filmes à "Schwarzenegger" e são inúmeras as piadas com base na sua figura e até do seu "arqui-inimigo" Silvester Stallone.
Last Action Hero é um bom filmito de acção e comédia, e ainda tem um pozinhos de fantasia à mistura, personificado naquele bilhete mágico que faz desaparecer a fronteira entre a realidade e a ficção. É realizado por um dos mestres do cinema de acção da altura, John McTiernan e isso nota-se perfeitamente no equilíbrio da história e na forma como oscila entre a "realidade real" e o mundo fantasioso e estereotipado do cinema. Também ajuda ter actores como F. Murray Abraham, Tom Noonan e Charles Dance nos papéis mais relevantes para lhe dar alguma estrutura. Aliás, apesar de ser "apenas" um filmito de acção, é um filmito com nomes como Anthony Quinn, Robert Prosky, Frank McRae, Jim Belushi e Ian McKellen. Acho que mesmo hoje em dia, num candidato ao Óscar de melhor Filme não se conseguiria encontrar tantos e bons actores como neste "simples" filme de acção. Mas também são muitos os cameos de famosos. É só estar atento, porque aparece por lá muita gente conhecida, nem que seja por breves instantes... Outros tempos... No casting, talvez o que tenha estragado mais o filme sejam as presenças de Austin O'Brien e Bridgette Wilson, que foram nitidamente um erro enorme. Passados tantos anos, e não sei explicar muito bem porquê, mas o miúdo continua a ser irritante.
Last Action Hero foi um flop na altura, porque aparentemente ainda havia muito público para filmes à "Schwarzenegger" e parece que não estavam preparados para que os seus heróis de acção preferidos desaparecessem. Mas acho que ninguém percebeu mesmo é que era uma sátira aos próprios filmes de acção... O que diz muito da crítica e do público de cinema da altura... Curiosamente, e quase de uma forma quase premonitória, este foi um dos últimos filmes do género com alguma substância digna de relevo. Olhando para trás e visto "daqui", parece que Last Action Hero marcou mesmo o final deste tipo de filmes de acção, tiros e músculos. Mas também já era tempo de mudar. ●●●○○
Last Action Hero é um bom filmito de acção e comédia, e ainda tem um pozinhos de fantasia à mistura, personificado naquele bilhete mágico que faz desaparecer a fronteira entre a realidade e a ficção. É realizado por um dos mestres do cinema de acção da altura, John McTiernan e isso nota-se perfeitamente no equilíbrio da história e na forma como oscila entre a "realidade real" e o mundo fantasioso e estereotipado do cinema. Também ajuda ter actores como F. Murray Abraham, Tom Noonan e Charles Dance nos papéis mais relevantes para lhe dar alguma estrutura. Aliás, apesar de ser "apenas" um filmito de acção, é um filmito com nomes como Anthony Quinn, Robert Prosky, Frank McRae, Jim Belushi e Ian McKellen. Acho que mesmo hoje em dia, num candidato ao Óscar de melhor Filme não se conseguiria encontrar tantos e bons actores como neste "simples" filme de acção. Mas também são muitos os cameos de famosos. É só estar atento, porque aparece por lá muita gente conhecida, nem que seja por breves instantes... Outros tempos... No casting, talvez o que tenha estragado mais o filme sejam as presenças de Austin O'Brien e Bridgette Wilson, que foram nitidamente um erro enorme. Passados tantos anos, e não sei explicar muito bem porquê, mas o miúdo continua a ser irritante.
Last Action Hero foi um flop na altura, porque aparentemente ainda havia muito público para filmes à "Schwarzenegger" e parece que não estavam preparados para que os seus heróis de acção preferidos desaparecessem. Mas acho que ninguém percebeu mesmo é que era uma sátira aos próprios filmes de acção... O que diz muito da crítica e do público de cinema da altura... Curiosamente, e quase de uma forma quase premonitória, este foi um dos últimos filmes do género com alguma substância digna de relevo. Olhando para trás e visto "daqui", parece que Last Action Hero marcou mesmo o final deste tipo de filmes de acção, tiros e músculos. Mas também já era tempo de mudar. ●●●○○
Em Star Trek: Insurrection (ou episódio IX), além do elenco principal da série, também há F. Murray Abraham, Donna Murphy e Anthony Zerbe a aparecerem em papéis de destaque. No enredo básico, a tripulação da USS Enterprise rebela-se contra a Frota Estelar depois de descobrir que existe uma conspiração com uma espécie chamada Son'a para roubar o planeta da pacífica espécie Ba'ku. Depois a Entreprise deslizou pelo espaço sideral em busca de novas ideias...
Há uma razão para eu não ter aqui no site (ainda) inseridas as grandes sagas do cinema como o James Bond, os Star Wars e todos os outros. Para além disto dar uma trabalheira do caraças, com o tempo, estas sagas trabalham apenas para os fãs, que sendo um pouco cegos - fanáticos, lá está -, não conseguem ver que isto se repete indefinidamente. Até os cartazes começam a sair parecidos uns com os outros. Percebo. Ao fim de 10 ou 12 filmes é difícil de arranjar novas ideias... Chegando a este ponto, se fosse eu a mandar na saga, parava-se com isto e desenvolvia-se novas ideias, novos conceitos e partia-se noutra direcção completamente diferente. Mas os fãs provavelmente deixavam-me uma cabeça decepada de cavalo espacial na cama... É melhor estar quieto e continuar a fazer sempre a mesma coisa... ●○○○○
Há uma razão para eu não ter aqui no site (ainda) inseridas as grandes sagas do cinema como o James Bond, os Star Wars e todos os outros. Para além disto dar uma trabalheira do caraças, com o tempo, estas sagas trabalham apenas para os fãs, que sendo um pouco cegos - fanáticos, lá está -, não conseguem ver que isto se repete indefinidamente. Até os cartazes começam a sair parecidos uns com os outros. Percebo. Ao fim de 10 ou 12 filmes é difícil de arranjar novas ideias... Chegando a este ponto, se fosse eu a mandar na saga, parava-se com isto e desenvolvia-se novas ideias, novos conceitos e partia-se noutra direcção completamente diferente. Mas os fãs provavelmente deixavam-me uma cabeça decepada de cavalo espacial na cama... É melhor estar quieto e continuar a fazer sempre a mesma coisa... ●○○○○
Em 1781, Antonio Salieri é o compositor oficial do imperador austríaco Joseph II (Jeffrey Jones). Com a chegada à corte de um jovem prodígio chamado Wolfgang Amadeus Mozart, o reconhecido compositor italiano sente-se imediatamente confrontado com aquela peculiar personalidade, mas especialmente, afrontado com a sua genialidade natural. O seu lugar de destaque na corte pode estar em perigo. Enraivecido com toda a situação, Salieri fará tudo ao seu alcance para acabar com a crescente reputação de Mozart. Se calhar até mesmo matá-lo.
Amadeus está tão bem escrito (Óscar para Peter Shaffer) e tão bem realizado (Óscar para Milos Forman) que durante anos pensei mesmo que Mozart tinha morrido às mãos de Salieri (Óscar para F. Murray Abraham). Nunca ouvi falar desse compositor e nem sequer ouvi uma única musica dele, mas detestava-o só por causa do que ele fez ao Mozart.
Sou um fã incondicional de Mozart (só será talvez suplantado por Beethoven) por isso este é um filme mesmo à minha medida. E depois de ver tanta loucura e tanta tragédia, estranhamente, ainda fiquei mais ligado à música de Mozart.
Repleto dos excessos habitualmente presentes nos filmes de Milos Forman, Amadeus é uma peça única. É cómico e dramático, é louco e humano, é trágico e carinhoso, é sujo e charmoso, é épico e intimista, mas acima de tudo é uma fantástica homenagem ao génio de Mozart e do seu trabalho. É um daqueles filmes que está perfeito a todos os níveis. Não há nada de mal para dizer...
Incompreensivelmente, esta é uma produção "menor". Não faz parte de nenhum dos grandes estúdios de Hollywood. Pelo que li, parece que ninguém estava muito interessado em financiar um épico de quase 3 horas sobre música clássica. Deve ser por causa disso que não há "grandes" nomes no casting. Vincent Schiavelli, Roy Dotrice, Elizabeth Berridge ou Cynthia Nixon não são propriamente actores que arrastem público para os cinemas, não é verdade? Mas a realidade é que com "nome" ou sem "nome", são na mesma bons actores.
Uma referência imprescindível para Tom Hulce, num daqueles papelaços para ficar na história. Ninguém conseguiria fazer melhor, e não estou a ver outro actor que pudesse interpretar este papel. É tão simples quanto isso. Hulce "é" Mozart. Hulce "é" Amadeus. Totalmente obrigatório. ●●●●●
Amadeus está tão bem escrito (Óscar para Peter Shaffer) e tão bem realizado (Óscar para Milos Forman) que durante anos pensei mesmo que Mozart tinha morrido às mãos de Salieri (Óscar para F. Murray Abraham). Nunca ouvi falar desse compositor e nem sequer ouvi uma única musica dele, mas detestava-o só por causa do que ele fez ao Mozart.
Sou um fã incondicional de Mozart (só será talvez suplantado por Beethoven) por isso este é um filme mesmo à minha medida. E depois de ver tanta loucura e tanta tragédia, estranhamente, ainda fiquei mais ligado à música de Mozart.
Repleto dos excessos habitualmente presentes nos filmes de Milos Forman, Amadeus é uma peça única. É cómico e dramático, é louco e humano, é trágico e carinhoso, é sujo e charmoso, é épico e intimista, mas acima de tudo é uma fantástica homenagem ao génio de Mozart e do seu trabalho. É um daqueles filmes que está perfeito a todos os níveis. Não há nada de mal para dizer...
Incompreensivelmente, esta é uma produção "menor". Não faz parte de nenhum dos grandes estúdios de Hollywood. Pelo que li, parece que ninguém estava muito interessado em financiar um épico de quase 3 horas sobre música clássica. Deve ser por causa disso que não há "grandes" nomes no casting. Vincent Schiavelli, Roy Dotrice, Elizabeth Berridge ou Cynthia Nixon não são propriamente actores que arrastem público para os cinemas, não é verdade? Mas a realidade é que com "nome" ou sem "nome", são na mesma bons actores.
Uma referência imprescindível para Tom Hulce, num daqueles papelaços para ficar na história. Ninguém conseguiria fazer melhor, e não estou a ver outro actor que pudesse interpretar este papel. É tão simples quanto isso. Hulce "é" Mozart. Hulce "é" Amadeus. Totalmente obrigatório. ●●●●●
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