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Dei-me ao trabalho de ver um filme de acção "normal". E quando digo "normal" é um filme de acção com o Bruce Willis. Pelo menos antigamente era assim. Bem... o filme é tão mau que até me esqueci do nome. Tive de pesquisar no IMDB pelo Bruce Willis para tentar chegar ao nome do filme, que afinal é Extraction (realizado por Steven C. Miller). Podia estar para aqui a perder tempo a explicar que o enredo é sobre um antigo agente da CIA e mais não sei o quê, mas nem me vou dar ao trabalho. Já foi penoso o suficiente ter de vê-lo... Bruce, Bruce... amigo de velha data e  companheiro de filmes de acção "normais": o que andas a fazer nestes filmes? Deixa lá isto para outros e volta aos filmes normais... Estás assim tão desesperado por dinheiro? Pagam assim tão bem nestas baboseiras? Que pena... Que desperdício... ●○○○○

Estava aqui a pensar... estou-me a tornar muito repetitivo. Não vou falar outra vez de pipocas ou que este Skyscraper é um filme recheado de clichés atrás de clichés com a mesma estrutura narrativa de um video-jogo ou que só se consegue ver sem adormecer porque há explosões e tiroteios de 5 em 5 minutos. Não! Como estou cheio de frio a escrever estas linhas, estava aqui a pensar em chá muito quente... Mas que chá? Estou a olhar para um pequeno vaso de orégãos a definhar e penso se dará para fazer chá com orégãos. E cominhos? Será que dá para fazer chá? Chá de cominhos?! Será bom? Será enjoativo? Será demasiado esquisito por lembrar caril ou bifanas? Não sei. Vou experimentar... De certeza que não é pior que ver o Die Hard, perdão, o Skyscraper. ●○○○○

Hoje em dia não é fácil conseguir ver filmes de acção em condições. É tudo clichê, são tudo repetições, reboots, remakes e restantes cenas estúpidas. Às vezes sou surpreendido pela negativa, noutras vezes já sei ao que vou por isso não fico desiludido. E é exactamente aqui que entra The Meg. Resumindo, é um Jaws mas com sabor a bacon... chinês. Sim, os chineses também compram estúdios de cinema e têm-no feito a um ritmo alucinante. Esta é só mais uma das muitas co-produções EUA/China, ainda que o público nem sequer dê por isso. Neste caso, devido ao casting passa menos despercebido (Bingbing Li, Winston Chao, Shuya Sophia Cai)... E já agora, também tem o Jason Statham, que faz de... Jason Statham. As referências ao Jaws são tantas (agora a realidade é esta: quando se copiam coisas no grande ecrã, não são plágios ou cópias, são "homenagens"...) que mais parece um remake sob o efeito de esteróides ou um quizz para testar os nossos conhecimentos do filme original do Spielberg. E nesse aspecto até foi divertido... Tirando isso, não tem mais nada que se aproveite. É o costume: mais um produto de consumo rápido... Mas tudo bem. O público come tudo e paga para isso que é o que interessa. Ó senhor Jon Turteltaub, faça lá as contas de bilheteira e venha de lá o "2" e mais três doses de pipocas com sabor a nachos!... ●○○○○

Mascar chicletes faz com que não se chore enquanto se cortam cebolas...
Ouvi dizer que é um facto científico. Interessante. E esta é a única coisa interessante neste post... Quanto ao filme, nem vale a pena alongar muito os comentários, de tão mau que é...
Não tem nada que se aproveite. É o típico blockbuster de Hollywood, com terramotos e tsunamis monstruosos, repleto de efeitos especiais, com uns lindíssimos actores desconhecidos e sem queda nenhuma para a coisa, para compensar o cachet elevado de actores conhecidos e bons, de forma a ter um cartaz atractivo para tentar levar as pessoas a ir ao cinema comprar refrigerantes e pipocas. Isto é um verdadeiro desastre. Começa e acaba exactamente da mesma maneira que todos os outros blockbusters-clichês.
Parece uma repetição do 2012 apenas com a diferença de... não! É igual ao 2012! É um conjunto de clichês enrolado em cenas hiper-exageradas de efeitos especiais digitais totalmente desnecessários. É (quase) preferível estar cortar cebolas sem mascar chiclete do que ver este San Andreas... ○○○○○

3000 Miles to Graceland tinha tudo para ser um filme fixe: um bando de ex-condenados (Kurt Russell, Kevin Costner, Christian Slater, David Arquette) a fazer um assalto arrojado a um casino de Las Vegas (o gerente é o Paul Anka) durante uma convenção de sósias do Rei, Elvis Presley. Mas infelizmente, este não é um bom filme. Para já, porque vai no caminho de todos os filmes de assaltos; o assaltante "bom" envolve-se com uma moça gira, Courteney Cox, que acaba por ser envolvida numa teia de enganos e traições. E depois, porque 3000 Miles to Graceland é um filme... meio maluco. Pensando bem, é demasiado maluco: começa no genérico "estranho", passa por cenas que não têm nada que ver com nada (o Ice-T aparece no filme durante uns 2 minutos para fazer papel de palerma) e acaba da forma mais clichê possível. Os actores - que são muito bons - foram nitidamente tão enganados como eu fui... ●○○○○

 
Filmes que envolvem o elemento água, normalmente "metem água". Os custos de produção, as adversidades técnicas e os prazos que se extendem mais que o normal, costumam corroer estes filmes. The Abyss não foi excepção. Na altura da estreia, foi um flop de bilheteira e, pelo que li, um desastre financeiro. Mas este é um daqueles filmes ao retardador: não foi bem recebido no momento de estreia, mas gradualmente foi ganhando adeptos. Em 25 anos, passou de fracasso a marco da ficção científica.
The Abyss, mais que um grande filme de ficção científica é um filme anti-militarista. É um tema a que James Cameron voltou várias vezes, sendo que o exemplo mais gritante é o bombástico Avatar, que vai buscar imenso material e inspiração precisamente a The Abyss. Mas a versão final (a que estreou em 1989) omite grande parte desta questão. O estúdio mutilou o filme, mas mesmo assim, na versão original cortada, o filme não perde (quase) nada. No entanto, também já li algures que foi o próprio Cameron a fazer os cortes - as cenas cortadas nem sequer estariam prontas na pós-produção -, sacrificando a totalidade da história, mas apenas por razões de duração do filme. Aparentemente, nos anos 80, o público não estava muito receptivo a filmes de quase três horas e os realizadores/estúdios optavam por cortar os filmes nas duas horas. Na versão especial com o corte do realizador, o filme ganha ainda algo mais: uma mensagem política. Não é muito usual blockbusters conterem mensagens políticas, por isso acho que o corte foi mais influenciado pelo estúdio que pelo Cameron... Ainda por cima, no contexto histórico e político da altura...
A história tem toda a lógica. O mundo vivia em plena Guerra Fria, em que parecia que a qualquer momento poderia rebentar uma guerra nuclear entre a América e a extinta URSS. Se se pensar bem no assunto, a única forma de parar um conflito deste tipo, é entrar em guerra (que só terá um desfecho negativo) ou esperar que um dos lados definhe e colapse, que por acaso até foi o que aconteceu com os russos.
Há uma outra solução, uma carta fora do baralho da realidade, que é a de todos se unirem contra um inimigo comum. Este cenário não existe, mas para isso há o cinema. E é aqui que entra a verdadeira ficção científica. E se extraterrestres - o derradeiro inimigo comum - visitassem o nosso planeta? Qual seria o impacto nas nossas relações, neste caso, bélicas? E se eles já cá estivessem, se calhar desde sempre? Onde é que eles se esconderiam, sem que ninguém os visse?
A resposta mais lógica, mas cientificamente mais correcta, só podia ser no fundo do oceano. Tem tanta lógica que acho que James Cameron teve de se meter num submarino e ir lá ver se tinha razão. Há um paralelismo óbvio entre o fundo oceânico e o espaço profundo. Ambos são inexplorados, difíceis de aceder e totalmente inóspitos.
Como filme, The Abyss tem outra qualidade. É intemporal. Tanto pela parte da história bem concebida (e até parece que estamos a entrar novamente numa espécie de Guerra Fria e com os mesmos intervenientes), como pela parte da estética. Sendo praticamente todo rodado num ambiente fechado, dificilmente se consegue datar o filme. Nem os cabelos parecem ser dos anos 80. Há algo nos efeitos especiais que começa a falhar, mas ainda assim, mesmo hoje em dia, desenrascam-se muitíssimo bem. Prova de que Cameron sempre esteve no topo da inovação tecnológica do cinema. E é tudo "verdadeiro", (quase que) não há magia digital. Tudo em The Abyss é a boa e velha magia do cinema a funcionar.
Ironicamente, Cameron que sempre se expressou como muito preocupado com o rumo da tecnologia e seu o impacto na sociedade, tem sido ele mesmo, o grande inovador, recorrendo sempre à mais moderna tecnologia para fazer os seus filmes. Neste caso, uma das grandes inovações tecnológicas foi aquela cena da água que ganha vida e percorre o interior da estrutura. Até aquela altura foi a maior cena digital presente num filme.
Quanto a actores, James Cameron aposta (quase) sempre em actores de "segunda linha". Mas "segunda linha" não quer dizer que sejam maus. Quer dizer que não são as grandes estrelas do momento, apenas excelentes actores. The Abyss é mais um desses exemplos. Ed Harris, Mary Elizabeth Mastrantonio e também Michael Biehn fazem uma tripla excelente que só acrescenta valor ao filme. Especialmente Ed Harris, um daqueles actores que é ao mesmo tempo muito credenciado e muito menosprezado.
Recordo-me em especial de uma cena em que a morte da personagem de Mastrantonio parece eminente, para não dizer definitiva. Muitos filmes têm esta cena clichê em que o protagonista quase morre, ficando inconsciente, e depois há aquele suspense no ar para saber se morreu ou não. Normalmente, toda a gente percebe que é só uma pausa e que a qualquer momento o "artista" vai voltar à cena a respirar ofegantemente. É um clichê, lá está. Toda a gente sabe o que acontece. Mas neste caso, Cameron fez a melhor cena de todas. É assim que todas deviam ser feitas. Tem uma intensidade dramática que é invulgar para filmes deste género. O que só demonstra como James Cameron é um excelente realizador de "efeitos especiais", mas também um excelente director de actores. E claro que os actores serem muito bons também ajuda. Sempre que me lembro de Ed Harris, lembro-me da interpretação (e realização!) de Pollock e desta cena em particular. Muito bom.
Na versão original ou com o corte do realizador, The Abyss é um dos meus filmes preferidos. É cinema e ficção científica no seu melhor, repleto de imaginação, fantasia, com uma grande história, paralelismos com a realidade, acção, bons efeitos especiais, com excelentes actores e uma mensagem bem vincada e pelos vistos, sempre actual. Um "James Cameron" intemporal e obrigatório. ●●●●●

O clichê (nome que daria um óptimo título para um filme pornográfico) é quase uma regra no cinema "industrial" de Hollywood. Como é óbvio, teria de haver uma listagem de clichés no cinema... Aqui fica uma lista minúscula, mas com uma significativa amostra.

 
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