Vamos já ao cerne da questão: Hotel Artemis não é um grande filme, no entanto tem os seus pontos positivos. Logo para começar tem uma boa história de base, se bem que depois enverede pelo previsível e pelo caminha mais fácil. Tudo se passa num futuro próximo em que a cidade de Los Angeles está a ferro e fogo, cheia de violência e motins a estalar por todo o lado. A razão principal para estes acontecimentos catastróficos foi a privatização da água e o constante aumento do preço que a torna incomportável para os cidadãos. Espero que não seja um acontecimento premonitório... Mas também é uma questão de se esperar e logo se verá... Adiante. No meio de toda esta confusão, uns ladrões decidem aproveitar a oportunidade, já que a polícia está ocupada com os motins, e assaltam um banco. Pelo meio roubam também (sem o saberem) o rei do crime da cidade e metem-se em problemas tanto com a polícia, como também com os mais duros criminosos. As coisas correm mal com a polícia, e como um dos assaltantes fica gravemente ferido, eles vão ter de recorrer ao Hotel Artemis, uma espécie de hospital fora do sistema, criado por criminosos, para tratar criminosos em fuga. A responsável pelo "hotel" é a Jodie Foster que tem a ajuda preciosa do encorpado segurança Dave Bautista.
Se a história começa a ficar cada vez mais "perra" e a entrar em campos mais "negativos" com a desnecessariamente trágica história pessoal da enfermeira, por outro lado temos um ponto muito positivo que é um casting muito jeitoso. Sterling K. Brown, Sofia Boutella, Jeff Goldblum, Zachary Quinto e Charlie Day, para além da eterna Jodie Foster e do surpreendentemente bom actor Dave Bautista. Juntos, dentro do hotel/hospital sitiado, criam uma química engraçada que torna o filme de certa forma estiloso e muito ritmado e fluído.
Hotel Artemis (de Drew Pearce) tinha potencial para algo mais mas ficou preso nas rédeas do facilitismo do costume. Não quis fugir do arquétipo do filme de acção e isso quase sempre prejudica a qualidade geral de um filme. Assim, Hotel Artemis, tornou-se apenas em mais um filme, como quase nada de especialmente único, mas que no entanto está bem construído em termos de história e relativamente desenvolvido ao nível da estrutura das personagens. Vê-se bem. ●●○○○
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Um história de assaltantes a bancos igual a tantas outras. As coisas correm bem até que correm mal. Den of Thieves parece uma mistura de Sicario, Heat, Training Day com umas pitadas de The Usual Suspects... Nem é bem uma mistura... é mais um best of das melhores cenas destes bons filmes. A partir de determinada altura percebe-se que vai haver um twist mais ou menos previsível mas não se sabe qual nem quando. Enquanto via o filme só pensava: no momento em que se percebe que vai haver um twist, o próprio conceito de twist já está arruinado, não é verdade? Pensei que seria pelo meio do filme mas afinal ele acaba por aparecer mesmo no final. O que acabei de fazer agora mesmo é o perfeito exemplo de um spoiler... Mas também não vale muito a pena pedir desculpas porque o filme nem sequer justifica. Esse é mesmo um dos grande problemas do filme. Para além das referências óbvias a todos os outros filmes referidos antes, é mesmo previsível. Diria mesmo, demasiado previsível. Ainda pensei cá para mim: isto está tão previsível que vai dar aqui uma volta inesperada pelo meio... Mas não... Ainda por cima acrescenta algumas falhas graves de argumento para ligar partes da história, como por exemplo numa cena em que os dois antagonistas se cruzam num quarto de hotel para partilhar uma prostituta... Fiquei literalmente de sobrancelha levantada a pensar: WTF? Como é que...? Porque é que eles não...? Bem. Não interessa.
Dá a impressão que houve um esforço maior por parte de Christian Gudegast em instruir os actores em como pegar e disparar correctamente numa metralhadora do que propriamente o tempo investido na criação de uma boa história e sem falhas. Todo o filme se desenvolve em volta dos dois antagonistas (Gerard Butler e Pablo Schreiber) e reduz o restante casting (O'Shea Jackson Jr., Curtis '50 Cent' Jackson, Maurice Compte, Brian Van Holt) a meros bonecos com grandes armas e músculos que simplesmente acompanham a história até ao confronto final. É gritante a falta de investimento na personagem de O'Shea Jackson Jr., que para todos os efeitos acaba por ser central em toda a história. Não há mesmo muito a dizer sobre este Den of Thieves que até tinha muitos elementos para se poder tornar num bom thriller. A grande coisa positiva foi ter descoberto Pablo Schreiber, um gajo que parece ter um carisma especial e é muito bom actor. Den of Thieves é um bom filme para ver tiros de variadíssimas armas e pouco mais... Vê-se e esquece-se de imediato. ●○○○○
Dá a impressão que houve um esforço maior por parte de Christian Gudegast em instruir os actores em como pegar e disparar correctamente numa metralhadora do que propriamente o tempo investido na criação de uma boa história e sem falhas. Todo o filme se desenvolve em volta dos dois antagonistas (Gerard Butler e Pablo Schreiber) e reduz o restante casting (O'Shea Jackson Jr., Curtis '50 Cent' Jackson, Maurice Compte, Brian Van Holt) a meros bonecos com grandes armas e músculos que simplesmente acompanham a história até ao confronto final. É gritante a falta de investimento na personagem de O'Shea Jackson Jr., que para todos os efeitos acaba por ser central em toda a história. Não há mesmo muito a dizer sobre este Den of Thieves que até tinha muitos elementos para se poder tornar num bom thriller. A grande coisa positiva foi ter descoberto Pablo Schreiber, um gajo que parece ter um carisma especial e é muito bom actor. Den of Thieves é um bom filme para ver tiros de variadíssimas armas e pouco mais... Vê-se e esquece-se de imediato. ●○○○○
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Dog Day Afternoon é baseado numa história real que se passou nos anos 70, quando dois homens assaltam uma sucursal do banco Chase Manhattan, em Brooklyn e acabam por se meter numa situação de reféns, ficando cercados pela polícia durante horas. Para piorar ainda mais o assunto, o banco quase não tem dinheiro... Como a realidade é mais estranha que a ficção, durante o impasse veio-se a saber que o propósito por detrás do assalto seria arranjar dinheiro para que um dos assaltantes conseguisse pagar a operação de mudança de sexo do namorado (wtf?!?)... Se fosse escrito assim, num guião, seria considerado certamente uma história absurda, mas lá está... a realidade é mais estranha que a ficção. E esse é um dos pontos que fica bem marcado neste argumento. A história vacila entre o drama, o thriller e a comédia. Tudo é tão despropositado e inverosímil que descontado o estado de total saturação e exaustão das personagens, Dog Day Afternoon mais parece uma comédia absurda. Mas a mão de Sidney Lumet é implacável e memorável. Conseguir aguentar um filme de duas horas neste tipo de tensão, sem nunca parecer cansativo ou repetitivo é obra de génio. Há sempre uma surpresa e um novo desenvolvimento que impele a história e o filme para a frente. Há um constante avolumar e depois um suprimir de emoções. Há sempre coisas novas a acontecer e há sempre um acontecimento ou um diálogo memorável à espera. Sidney Lumet é um mestre neste tipo de cinema "parado" e muito baseado nos actores e nos diálogos. Com uma lente objectiva e crítica, para além da temática homossexual e da mudança de sexo (muito à frente do seu tempo, diga-se), Lumet ainda consegue mostrar as distorções provocadas pelos media no público que rapidamente transforma um vilão no herói e vice-versa conforme a situação descai para um lado ou outro...
Em Dog Day Afternoon tudo pode parecer obra do acaso - como o rapaz da pizza a festejar por aparecer na TV - mas nota-se nos pormenores, que apesar do aparente improviso nos diálogos, tudo foi muito bem pensado e delineado. Vê-se isso, por exemplo, na banda sonora... que não existe. Dog Day Afternoon raramente tem música e pode-se dizer que não tem uma banda sonora porque assim adensa a tensão realista, retira o dramatismo artificial "dos filmes" e ainda lhe acrescenta um tom mais documental. É nestes pormenores que eu vejo a qualidade de um filme...
Falando em qualidade há que mencionar os actores. E não há outra hipótese que não seja destacar o Al Pacino. Que tour-de-force... Uma performance para ficar na história. Aquele aspecto e olhar tresloucado mas ao mesmo tempo tão objectivo. Neste filme, Pacino respira e transpira representação... e cinema. Aqui, mesmo sem abrir a boca, Pacino consegue dizer mais coisas com os olhos e com a alma (como por exemplo, nos dramáticos e angustiantes 15 minutos finais) que muitos actores numa carreira inteira. Brilhante. Sem Al Pacino naquele "ponto de rebuçado", Dog Day Afternoon nunca seria Dog Day Afternoon... E já agora, aquele grito para a multidão "Attica! Attica!" foi improvisado... Só por aqui se vê o nível de envolvimento do homem...
Os restantes actores estão também em grande nível. E não há um que se destaque pela negativa. Podia mencionar também John Cazale, Penelope Allen, Sully Boyar, James Broderick, Charles Durning, Chris Sarandon ou Lance Henriksen que só aparece uns minutos mas é determinante no desfecho da história. Todos os actores estão muito bem, porque nitidamente são bons e acima de tudo foram muito bem dirigidos por Lumet.
Apesar de ser baseado numa história real, as coisas em Dog Day Afternoon foram ligeiramente adulteradas. O incidente original foi tão marcante que ficou a fazer parte do treino policial quando confrontados com uma situação de reféns e multidões incontroláveis. No cinema, este género de "assalto a bancos que corre mal e acaba com uma situação de reféns" não é propriamente novo. Mas com esta vitalidade, com este guião fantástico e com este calibre de actores não é fácil de encontrar. Foi preciso recuar a 1975 para encontrá-lo...
Após o desfecho dramático, no epílogo fica-se a saber que Sonny foi preso após o assalto falhado e que cumpre 20 anos de numa prisão federal. Fica-se também a saber que Leon (mais tarde, Elizabeth) sempre acabou por fazer a operação e mudar de sexo. No entanto, a operação não foi paga com o dinheiro do assalto... A operação só foi paga quando o verdadeiro Sonny vendeu os direitos de autor da história para que se fizesse este mesmo filme. É estranho, mas o filme que é uma adaptação mais ou menos livre da história, acaba por ser o verdadeiro epilogo da história original... Estranho, não é? Acho que já disse isto algumas vezes, mas a realidade é mesmo mais estranha que a ficção... ●●●●○
Em Dog Day Afternoon tudo pode parecer obra do acaso - como o rapaz da pizza a festejar por aparecer na TV - mas nota-se nos pormenores, que apesar do aparente improviso nos diálogos, tudo foi muito bem pensado e delineado. Vê-se isso, por exemplo, na banda sonora... que não existe. Dog Day Afternoon raramente tem música e pode-se dizer que não tem uma banda sonora porque assim adensa a tensão realista, retira o dramatismo artificial "dos filmes" e ainda lhe acrescenta um tom mais documental. É nestes pormenores que eu vejo a qualidade de um filme...
Falando em qualidade há que mencionar os actores. E não há outra hipótese que não seja destacar o Al Pacino. Que tour-de-force... Uma performance para ficar na história. Aquele aspecto e olhar tresloucado mas ao mesmo tempo tão objectivo. Neste filme, Pacino respira e transpira representação... e cinema. Aqui, mesmo sem abrir a boca, Pacino consegue dizer mais coisas com os olhos e com a alma (como por exemplo, nos dramáticos e angustiantes 15 minutos finais) que muitos actores numa carreira inteira. Brilhante. Sem Al Pacino naquele "ponto de rebuçado", Dog Day Afternoon nunca seria Dog Day Afternoon... E já agora, aquele grito para a multidão "Attica! Attica!" foi improvisado... Só por aqui se vê o nível de envolvimento do homem...
Os restantes actores estão também em grande nível. E não há um que se destaque pela negativa. Podia mencionar também John Cazale, Penelope Allen, Sully Boyar, James Broderick, Charles Durning, Chris Sarandon ou Lance Henriksen que só aparece uns minutos mas é determinante no desfecho da história. Todos os actores estão muito bem, porque nitidamente são bons e acima de tudo foram muito bem dirigidos por Lumet.
Apesar de ser baseado numa história real, as coisas em Dog Day Afternoon foram ligeiramente adulteradas. O incidente original foi tão marcante que ficou a fazer parte do treino policial quando confrontados com uma situação de reféns e multidões incontroláveis. No cinema, este género de "assalto a bancos que corre mal e acaba com uma situação de reféns" não é propriamente novo. Mas com esta vitalidade, com este guião fantástico e com este calibre de actores não é fácil de encontrar. Foi preciso recuar a 1975 para encontrá-lo...
Após o desfecho dramático, no epílogo fica-se a saber que Sonny foi preso após o assalto falhado e que cumpre 20 anos de numa prisão federal. Fica-se também a saber que Leon (mais tarde, Elizabeth) sempre acabou por fazer a operação e mudar de sexo. No entanto, a operação não foi paga com o dinheiro do assalto... A operação só foi paga quando o verdadeiro Sonny vendeu os direitos de autor da história para que se fizesse este mesmo filme. É estranho, mas o filme que é uma adaptação mais ou menos livre da história, acaba por ser o verdadeiro epilogo da história original... Estranho, não é? Acho que já disse isto algumas vezes, mas a realidade é mesmo mais estranha que a ficção... ●●●●○
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Joe Cabot (Lawrence Tierney), um chefe mafioso, reúne meia dúzia de criminosos para fazer um "simples" assalto a uma ourivesaria. Desconhecidos entre eles, decidem continuar a manter o anonimato recorrendo a nomes peculiares: Mr. White (Harvey Keitel), Mr. Blonde (Michael Madsen), Mr. Orange (Tim Roth), Mr. Brown (Quentin Tarantino), Mr. Pink (Steve Buscemi), Mr. Blue (Edward Bunker [ele próprio um verdadeiro insider do mundo do crime; foi condenado por vários assaltos e outros crimes]). E ainda há um Nice Guy Eddie (Chris Penn). O que parecia ser um golpe fácil e certo, dá para o torto. Para piorar a situação, os assaltantes começam a desconfiar que há um polícia infiltrado... E então tudo se torna num pandemónio sanguinário.
Escrito e realizado pelo então estreante Quentin Tarantino, Reservoir Dogs é um potente soco no estômago. Para filme de estreia de um realizador é simplesmente brilhante. Demonstra claramente que não é preciso um grande orçamento para fazer um bom filme. O que é necessário é essencialmente um bom guião, bons actores e um bom realizador com uma visão diferente. Só com estes três elementos consegue-se fazer uma obra intemporal. Visto em 1992, foi uma coisa... inesperada. Nessa altura não havia outros Tarantinos. Foi algo completamente diferente e original.
Sou grande fã do Tarantino e dos seus filmes. E por isso vou lendo umas coisas para além dos próprios filmes. Desde o início da carreira que vejo o Tarantino a ser acusado de copiar ideias, conceitos e partes inteiras de outros filmes. Podem ligar-se todos os filmes do Tarantino a géneros que foram populares nos anos 60, 70 e algumas coisas dos anos 80. Sejam os filmes de "assaltos", o blaxploitation, os spaghetti western ou os filmes de artes marciais dos 80's, simplesmente está lá tudo. Alguém que tenha visto muitos filmes destas décadas - o que é o meu caso - encontra facilmente montes de cenas que parecem copiadas ou que estão na base dos filmes Tarantino. Acho normal. Quer uma pessoa queira, quer não, quando se vê muitos filmes, mentalmente começam a ficar arquivadas tantas coisas, que eventualmente acabam por sair outra vez, de uma forma quase inconsciente e não propositada.
Toda a gente sabe que Tarantino, antes de se tornar realizador, trabalhou num videoclube. Mas o que poucas pessoas sabem é que foi lá que ele escreveu uns guiõezitos de filmes como True Romance, Natural Born Killers... ou o Reservoir Dogs. Menos pessoas sabem ainda que quando o clube fechou em 1994, o Tarantino comprou todos os 8000 filmes, para servirem de uma espécie de streaming à moda antiga. Já falei disso por aqui. A diferença entre o novíssimo streaming e o velhinho videoclube, é que antes, um gajo tinha de levantar o cu para ver os filmes. E para além disso, o catálogo disponível nos videoclubes era absolutamente gigantesco quando comparado com as plataformas digitais... E estou a divagar novamente... Este tema fica para outra altura...
Só para resumir: este efeito-cópia que normalmente é associado ao Tarantino é fruto de uma longuíssima pesquisa pessoal por todos os filmes, bons e maus, dos mais variados temas e linguagens, que basicamente eram aquela amálgama gigantesca de filmes lançados na era do VHS. Toda esta questão para justificar o facto do Reservoir Dogs ser muitas vezes referido com uma cópia descarada de City on Fire (1987), um típico filme de acção policial de Hong Kong dos anos 80. Eu também vi muitos outros filmes policiais asiáticos nos anos 80 (estavam a fazer a transição das artes marciais [começavam a perder popularidade] para os policiais) e também entre eles, muitos me pareciam cópias ou ter elementos copiados uns dos outros. Há uma citação dele que acho que resume perfeitamente este sentimento e justifica tudo: Quando lhe perguntaram se tinha frequentado uma escola de cinema, a resposta dele foi: "Não, fui ver filmes". Acho que está tudo dito. Propositadamente copiado ou não, Reservoir Dogs é um filme novo. Tem todos os elementos que mais tarde seriam a marca do Tarantino, que é esta mistura estranha de homenagem, monólogos, mesclagem, violência, linguagem não-linear e música. Música muito boa. E com isso, ele conseguiu criar um género totalmente novo, o "Tarantino". E isso não foi copiado de lado nenhum, portanto estamos conversados...
Já tudo foi dito sobre o Reservoir Dogs. É um daqueles filmes que não é possível ficar a meio: ou se ama ou se detesta. Eu estou claramente no primeiro grupo. Um filme perfeito. ●●●●●
Escrito e realizado pelo então estreante Quentin Tarantino, Reservoir Dogs é um potente soco no estômago. Para filme de estreia de um realizador é simplesmente brilhante. Demonstra claramente que não é preciso um grande orçamento para fazer um bom filme. O que é necessário é essencialmente um bom guião, bons actores e um bom realizador com uma visão diferente. Só com estes três elementos consegue-se fazer uma obra intemporal. Visto em 1992, foi uma coisa... inesperada. Nessa altura não havia outros Tarantinos. Foi algo completamente diferente e original.
Sou grande fã do Tarantino e dos seus filmes. E por isso vou lendo umas coisas para além dos próprios filmes. Desde o início da carreira que vejo o Tarantino a ser acusado de copiar ideias, conceitos e partes inteiras de outros filmes. Podem ligar-se todos os filmes do Tarantino a géneros que foram populares nos anos 60, 70 e algumas coisas dos anos 80. Sejam os filmes de "assaltos", o blaxploitation, os spaghetti western ou os filmes de artes marciais dos 80's, simplesmente está lá tudo. Alguém que tenha visto muitos filmes destas décadas - o que é o meu caso - encontra facilmente montes de cenas que parecem copiadas ou que estão na base dos filmes Tarantino. Acho normal. Quer uma pessoa queira, quer não, quando se vê muitos filmes, mentalmente começam a ficar arquivadas tantas coisas, que eventualmente acabam por sair outra vez, de uma forma quase inconsciente e não propositada.
Toda a gente sabe que Tarantino, antes de se tornar realizador, trabalhou num videoclube. Mas o que poucas pessoas sabem é que foi lá que ele escreveu uns guiõezitos de filmes como True Romance, Natural Born Killers... ou o Reservoir Dogs. Menos pessoas sabem ainda que quando o clube fechou em 1994, o Tarantino comprou todos os 8000 filmes, para servirem de uma espécie de streaming à moda antiga. Já falei disso por aqui. A diferença entre o novíssimo streaming e o velhinho videoclube, é que antes, um gajo tinha de levantar o cu para ver os filmes. E para além disso, o catálogo disponível nos videoclubes era absolutamente gigantesco quando comparado com as plataformas digitais... E estou a divagar novamente... Este tema fica para outra altura...
Só para resumir: este efeito-cópia que normalmente é associado ao Tarantino é fruto de uma longuíssima pesquisa pessoal por todos os filmes, bons e maus, dos mais variados temas e linguagens, que basicamente eram aquela amálgama gigantesca de filmes lançados na era do VHS. Toda esta questão para justificar o facto do Reservoir Dogs ser muitas vezes referido com uma cópia descarada de City on Fire (1987), um típico filme de acção policial de Hong Kong dos anos 80. Eu também vi muitos outros filmes policiais asiáticos nos anos 80 (estavam a fazer a transição das artes marciais [começavam a perder popularidade] para os policiais) e também entre eles, muitos me pareciam cópias ou ter elementos copiados uns dos outros. Há uma citação dele que acho que resume perfeitamente este sentimento e justifica tudo: Quando lhe perguntaram se tinha frequentado uma escola de cinema, a resposta dele foi: "Não, fui ver filmes". Acho que está tudo dito. Propositadamente copiado ou não, Reservoir Dogs é um filme novo. Tem todos os elementos que mais tarde seriam a marca do Tarantino, que é esta mistura estranha de homenagem, monólogos, mesclagem, violência, linguagem não-linear e música. Música muito boa. E com isso, ele conseguiu criar um género totalmente novo, o "Tarantino". E isso não foi copiado de lado nenhum, portanto estamos conversados...
Já tudo foi dito sobre o Reservoir Dogs. É um daqueles filmes que não é possível ficar a meio: ou se ama ou se detesta. Eu estou claramente no primeiro grupo. Um filme perfeito. ●●●●●
Década de 30. Bonnie Parker é uma empregada de mesa farta da sua vida quotidiana. Clyde Barrow é um criminoso que acaba de cumprir pena e é libertado da prisão. Quando os dois se cruzam, a chama é imediata. A partir daí, juntos, semeiam o pânico e o caos enveredando por uma corrida mortal de assaltos a bancos e assassinato que nunca poderia acabar bem...
Há filmes que são revolucionários e que marcam uma era. Não porque são muito avançados em ideias ou questões técnicas, mas porque dão voz ou se ligam ao público da altura e que por determinados motivos se sente excluído de tudo o resto. Bonnie and Clyde é nitidamente um desses filmes. É um clássico e uma peça de história cinematográfica que, na altura, redefiniu todo o conceito de "filme de Hollywood" para um nova geração de público, que já estava farta dos "velhos" filmes de polícias a perseguir gangsters.
Numa altura em que os estereótipos do "bom" e do "mau" definia quem ia ficar com a rapariga no fim e quem iria morrer, eis que aparece Bonnie and Clyde, muda todos os conceitos e surpreende pela empatia com que põe o público do lado dos supostos maus. Ter o público a "puxar" pelo ladrão e pelos fugitivos, e de alguma forma, os polícias é que são os "maus" que merecem morrer por estarem a interromper o romance maldito deste casal perdido de amores, tornaria Bonnie and Clyde como derradeiro filme anti-establishment. Com todas estas condicionantes, ou seria um flop total ou seria uma referência para próximos filmes e realizadores. Em vez disso, tornou-se num clássico.
Actores monstruosos e icónicos como Warren Beatty, Faye Dunaway, Michael J. Pollard, Gene Hackman (e um novíssimo Gene Wilder, em estreia absoluta) protagonizam um dos grandes filmes do cinema, dirigidos pelo mítico Arthur Penn. Um clássico totalmente obrigatório. ●●●●●
Há filmes que são revolucionários e que marcam uma era. Não porque são muito avançados em ideias ou questões técnicas, mas porque dão voz ou se ligam ao público da altura e que por determinados motivos se sente excluído de tudo o resto. Bonnie and Clyde é nitidamente um desses filmes. É um clássico e uma peça de história cinematográfica que, na altura, redefiniu todo o conceito de "filme de Hollywood" para um nova geração de público, que já estava farta dos "velhos" filmes de polícias a perseguir gangsters.
Numa altura em que os estereótipos do "bom" e do "mau" definia quem ia ficar com a rapariga no fim e quem iria morrer, eis que aparece Bonnie and Clyde, muda todos os conceitos e surpreende pela empatia com que põe o público do lado dos supostos maus. Ter o público a "puxar" pelo ladrão e pelos fugitivos, e de alguma forma, os polícias é que são os "maus" que merecem morrer por estarem a interromper o romance maldito deste casal perdido de amores, tornaria Bonnie and Clyde como derradeiro filme anti-establishment. Com todas estas condicionantes, ou seria um flop total ou seria uma referência para próximos filmes e realizadores. Em vez disso, tornou-se num clássico.
Actores monstruosos e icónicos como Warren Beatty, Faye Dunaway, Michael J. Pollard, Gene Hackman (e um novíssimo Gene Wilder, em estreia absoluta) protagonizam um dos grandes filmes do cinema, dirigidos pelo mítico Arthur Penn. Um clássico totalmente obrigatório. ●●●●●
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Ouvi alguns zunzuns sobre um filme chamado Baby Driver e fiquei naturalmente curioso. Isto acontece-me muitas vezes e como tem (quase) sempre com o mesmo resultado, já ia de "pé atrás" para não me desiludir. Nesse aspecto, não desiludiu... já sabia ao que ia. É um filme de hype. É aquela cena do momento. Como é que se diz agora? É uma cena viral. Toda a gente fala, toda a gente gosta, é a melhor cena do mundo... e passado uma semana, já ninguém se lembra do que era... É o Baby Driver...
Depois de perder parcialmente a audição num acidente de viação em que também perde os pais, um miúdo torna-se (ironicamente) num às do volante - muito útil nas cenas de fuga, enquanto trabalha para um meticuloso chefe criminoso que se dedica a assaltos elaborados -, desde que tenha sempre o, phones nos ouvidos em alta rotação para não interferir com um zumbido proveniente do acidente ou lá o que era. Não interessa. Tem é que ter os phones sempre a "bumbar".
É um bom pretexto para ter sempre música a rolar durante todo o filme. Adoro música e por isso não tenho problema nenhum com isso. Mas é assim: a banda sonora não é a melhor (pelo menos para mim), e até é um filme que tem bons pormenores, mas achei um exagero estar sempre a dar na música. Nunca pára. Nunca, nunca, nunca. Faz sentido, quando enquadrado na história, mas mesmo assim é um exagero. Chega a ser maçador. E, por vezes, até irritante. Aqui, para além da música, o som é tudo. Até os tiros das metralhadores, das pistolas e do chiar dos pneus estão sincronizados com a música. É um bocadinho de mais para mim...
Mas o que mais estranhei foi mesmo o facto de um filme que tem como base um grande condutor de carros, ter muito poucas perseguições e, segundo os padrões actuais, até são perseguições algo banais. É um filme totalmente desequilibrado. Até no próprio casting: Ansel Elgort, como figura principal com poucas deixas, tem pouquíssima "presença"; Jon Bernthal, Jon Hamm, Eiza González e Lily James, parecem saídos de uma série de TV; e escondido lá para segundo plano nas promoções, a última oportunidade para ver no ecrã um actor "banido" (Kevin Spacey)... Safa-se o Jamie Foxx, que está cada vez melhor.
Baby Driver tinha potencial para muito mais, mas ficou-se pela expectativa e pelo mais óbvio. É um filme bom para fazer um trailer porreiro, mas pouco mais que isso. ●○○○○
Depois de perder parcialmente a audição num acidente de viação em que também perde os pais, um miúdo torna-se (ironicamente) num às do volante - muito útil nas cenas de fuga, enquanto trabalha para um meticuloso chefe criminoso que se dedica a assaltos elaborados -, desde que tenha sempre o, phones nos ouvidos em alta rotação para não interferir com um zumbido proveniente do acidente ou lá o que era. Não interessa. Tem é que ter os phones sempre a "bumbar".
É um bom pretexto para ter sempre música a rolar durante todo o filme. Adoro música e por isso não tenho problema nenhum com isso. Mas é assim: a banda sonora não é a melhor (pelo menos para mim), e até é um filme que tem bons pormenores, mas achei um exagero estar sempre a dar na música. Nunca pára. Nunca, nunca, nunca. Faz sentido, quando enquadrado na história, mas mesmo assim é um exagero. Chega a ser maçador. E, por vezes, até irritante. Aqui, para além da música, o som é tudo. Até os tiros das metralhadores, das pistolas e do chiar dos pneus estão sincronizados com a música. É um bocadinho de mais para mim...
Mas o que mais estranhei foi mesmo o facto de um filme que tem como base um grande condutor de carros, ter muito poucas perseguições e, segundo os padrões actuais, até são perseguições algo banais. É um filme totalmente desequilibrado. Até no próprio casting: Ansel Elgort, como figura principal com poucas deixas, tem pouquíssima "presença"; Jon Bernthal, Jon Hamm, Eiza González e Lily James, parecem saídos de uma série de TV; e escondido lá para segundo plano nas promoções, a última oportunidade para ver no ecrã um actor "banido" (Kevin Spacey)... Safa-se o Jamie Foxx, que está cada vez melhor.
Baby Driver tinha potencial para muito mais, mas ficou-se pela expectativa e pelo mais óbvio. É um filme bom para fazer um trailer porreiro, mas pouco mais que isso. ●○○○○
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Deadfall é um thriller que conta a história de dois irmãos, Addison (Eric Bana) e Lisa (Olivia Wilde) que depois de terem um acidente de carro após um assalto a um casino, decidem que é melhor fugir, seguindo caminhos separados até passarem a fronteira. No final, depois de muitas atribulações, acabam por se juntar num estranho Jantar de Acção de Graças com a família de um pugilista (Charlie Hunnam), também ele fugido da polícia.
Apesar da minha sinopse ser muita confusa, Deadfall até está muito bem escrito. Tudo encaixa perfeitamente. Aliás, o filme é bom, mas falta-lhe qualquer "coisa" que não sei muito bem o que é, para ser muito bom. A história é boa, complexa e bem escrita, tem drama sem ser forçado, a realização é boa (Stefan Ruzowitzky), todos os actores são bons (Kris Kristofferson, Sissy Spacek, Kate Mara, Treat Williams) mas falta-lhe "algo"...
Deadfall fez-me lembrar aquelas alturas em que uma pessoa vai a um restaurante, come uma refeição muito bem confeccionada - como estava à espera -, mas que lhe falta sal... Ou não há sobremesa... Neste caso, não sei bem o que lhe falta, mas vê-se bem. ●●○○○
Apesar da minha sinopse ser muita confusa, Deadfall até está muito bem escrito. Tudo encaixa perfeitamente. Aliás, o filme é bom, mas falta-lhe qualquer "coisa" que não sei muito bem o que é, para ser muito bom. A história é boa, complexa e bem escrita, tem drama sem ser forçado, a realização é boa (Stefan Ruzowitzky), todos os actores são bons (Kris Kristofferson, Sissy Spacek, Kate Mara, Treat Williams) mas falta-lhe "algo"...
Deadfall fez-me lembrar aquelas alturas em que uma pessoa vai a um restaurante, come uma refeição muito bem confeccionada - como estava à espera -, mas que lhe falta sal... Ou não há sobremesa... Neste caso, não sei bem o que lhe falta, mas vê-se bem. ●●○○○
Um assalto a um banco que corre mal. Uma perseguição sem fim comandada por alguém muito poderoso, motivada por algo que os intervenientes não estavam à espera. Soa familiar? É porque é familiar. É a história de base para Momentum e para a maior parte dos filmes de acção. Apanhei este Momentum na TV e dei-lhe o benefício da dúvida, principalmente por causa do Morgan Freeman e do James Purefoy. (..apesar da personagem principal ser a Olga Kurylenko). Não é mau, mas também não é bom. É razoável mas a descair para o fracote previsível. Mas vê-se porque se nota que foi feito com alguma preocupação ao pormenor e com muito menos recursos do que é normal neste tipo de filmes. No seu todo, acabou por resultar num filmito de acção aceitável. Facto curioso: o realizador, Stephen Campanelli, é um verdadeiro mestre da steadicam, com mais de 100 filmes no currículo como operador de câmara. ●○○○○
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Stephen Campanelli
3000 Miles to Graceland tinha tudo para ser um filme fixe: um bando de ex-condenados (Kurt Russell, Kevin Costner, Christian Slater, David Arquette) a fazer um assalto arrojado a um casino de Las Vegas (o gerente é o Paul Anka) durante uma convenção de sósias do Rei, Elvis Presley. Mas infelizmente, este não é um bom filme. Para já, porque vai no caminho de todos os filmes de assaltos; o assaltante "bom" envolve-se com uma moça gira, Courteney Cox, que acaba por ser envolvida numa teia de enganos e traições. E depois, porque 3000 Miles to Graceland é um filme... meio maluco. Pensando bem, é demasiado maluco: começa no genérico "estranho", passa por cenas que não têm nada que ver com nada (o Ice-T aparece no filme durante uns 2 minutos para fazer papel de palerma) e acaba da forma mais clichê possível. Os actores - que são muito bons - foram nitidamente tão enganados como eu fui... ●○○○○
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Neste momento, Danny Boyle é o gajo mais inventivo com uma câmara de filmar nas mãos. Disso não tenho dúvidas. E em cima desse enorme pormenor ainda é o gajo que consegue fazer bons filmes a partir das histórias mais estranhas e ao mesmo tempo mais "normais", como é o caso de Slumdog Millionaire e 127 Hours.
No entanto, Trance não se encaixa no lote dos filmes excelentes que Boyle tem no currículo. Isto porque Trance parece um cocktail: duas partes de Angel Heart, uma parte de Trainspotting e uma espremidela de Inception. Contrariamente a estes filmes, Trance não é um filme excepcional. É só mais um filme. A certa altura, pareceu-me que Danny Boyle fez o filme com intenção de treinar novos meios inventivos de usar uma câmara de filmar. Parece que Boyle estava a descomprimir e para isso fez um filme que ele gostaria de ver e não para o público. Parece que chama a isso de cinema de autor.
Mas o meu problema não é Boyle fazer um filme para se divertir ou não fazer concessões ao público (tem um nu absolutamente integral e a imagem de um gajo a levar um tiro em cheio na "coisa"); o meu problema é o filme ser totalmente desconexo e incoerente.
Trance começa por ser um filme de "golpe" com um roubo audaz de uma pintura valiosa de Goya, passa para a paranóia da hipnose e acaba não se percebe muito bem como. Parece que história foi contada várias vezes, por várias pessoas, de maneiras diferentes. Dei comigo a pensar: "não estou a perceber nada", e isto não acontece muitas vezes. Só acontece quando os filmes não são muito bons.
Até a questão dos actores é incoerente: apesar de bons (James McAvoy, Rosario Dawson e especialmente Vincent Cassel), parecem fazer parte de filmes diferentes. Foram um nítido erro de casting. Falta aquela coisa estranha a que se chama de "química".
Trance tem momentos de puro génio, mas também tem muitos momentos que são uma seca. Apesar do filme ser muito pequeno para os padrões actuais, parece muito longo e que nunca mais acabava. Isso nunca é um bom sinal. E mais do que deixar-me na dúvida, deixou-me muitas vezes confuso. Tirando o ritmo do filme que está muito bem misturado com a banda sonora e da excelente fotografia, não gostei de mais nada. Obviamente, Danny Boyle é muito melhor que isto. Fico è espera do próximo. ●●○○○
No entanto, Trance não se encaixa no lote dos filmes excelentes que Boyle tem no currículo. Isto porque Trance parece um cocktail: duas partes de Angel Heart, uma parte de Trainspotting e uma espremidela de Inception. Contrariamente a estes filmes, Trance não é um filme excepcional. É só mais um filme. A certa altura, pareceu-me que Danny Boyle fez o filme com intenção de treinar novos meios inventivos de usar uma câmara de filmar. Parece que Boyle estava a descomprimir e para isso fez um filme que ele gostaria de ver e não para o público. Parece que chama a isso de cinema de autor.
Mas o meu problema não é Boyle fazer um filme para se divertir ou não fazer concessões ao público (tem um nu absolutamente integral e a imagem de um gajo a levar um tiro em cheio na "coisa"); o meu problema é o filme ser totalmente desconexo e incoerente.
Trance começa por ser um filme de "golpe" com um roubo audaz de uma pintura valiosa de Goya, passa para a paranóia da hipnose e acaba não se percebe muito bem como. Parece que história foi contada várias vezes, por várias pessoas, de maneiras diferentes. Dei comigo a pensar: "não estou a perceber nada", e isto não acontece muitas vezes. Só acontece quando os filmes não são muito bons.
Até a questão dos actores é incoerente: apesar de bons (James McAvoy, Rosario Dawson e especialmente Vincent Cassel), parecem fazer parte de filmes diferentes. Foram um nítido erro de casting. Falta aquela coisa estranha a que se chama de "química".
Trance tem momentos de puro génio, mas também tem muitos momentos que são uma seca. Apesar do filme ser muito pequeno para os padrões actuais, parece muito longo e que nunca mais acabava. Isso nunca é um bom sinal. E mais do que deixar-me na dúvida, deixou-me muitas vezes confuso. Tirando o ritmo do filme que está muito bem misturado com a banda sonora e da excelente fotografia, não gostei de mais nada. Obviamente, Danny Boyle é muito melhor que isto. Fico è espera do próximo. ●●○○○
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Drive (2011) é um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Em grande parte, porque é algo totalmente novo. Parece um policial negro dos anos 60 (tipo Bullit), feito à maneira dos anos 80 (tipo To Live and Die in LA), mas com uma roupagem do século XXI (tipo... Drive). Pode parecer uma mistura esquisita, mas acaba por resultar bem. Muito bem.
Apesar de ter ouvido uns "zun-zuns" sobre o filme, não fazia a mínima ideia do que se tratava. Costumo evitar saber muito sobre os filmes em pré-produção para não perderem o efeito-surpresa e/ou para não gerarem muita expectativa. Neste caso, resultou perfeitamente. Houve momentos em que fiquei literalmente de boca aberta e a única coisa que conseguia dizer era: "isto é excelente!". Uma raridade, hoje em dia.
Não conhecia muito bem o trabalho de Ryan Gosling e também não conhecia Nicolas W. Refn. Lembro-me de há uns anos ter visto um pequeno, mas brilhante filme chamado Bronson, mas na altura não fixei o nome do realizador. Como não há coincidências, o nome comum é... Nicolas W. Refn. Bem, já não me esqueço mais.
Brilhante e singular realização, excelente banda sonora alternativa, grandes momentos de cinema, belíssima fotografia e um conjunto de actores de 5 estrelas. Albert Brooks, como uma espécie de mafioso freak coleccionador de facas é uma maravilha; Ron Perlman que... é o Ron Perlman! Basta estar lá e nem precisa de abrir a boca. Mas especialmente Ryan Gosling, que já tinha visto por aí em alguns filmes, e que sempre pensei que era mais um daqueles actores "bonitos" e pré-formatados de Hollywood. Grande erro. Ryan Gosling é excepcional.
A história não é nenhuma novidade, mas acaba por ser envolvente. A meio do filme, até parece que vai descambar porque começa a dispersar muito, mas depois acaba por manter a coerência.
Um solitário condutor profissional (que nunca sabemos o nome) ganha a vida como duplo de cinema, mas faz uns serviços extra menos convencionais como condutor de fuga em assaltos. Ele é o homem sem emoções, metódico, hiper-calmo, quase a roçar o psicótico que resolve as situações mais stressantes sem nunca hesitar. E sem nunca largar o palito dos dentes...
Tudo se complica quando se envolve com uma rapariga (a vizinha do lado, que tem um filho pequeno) e decide ajudá-la a ultrapassar algumas dificuldades. À boa maneira dos primeiros filmes dos irmãos Cohen, tudo se vai complicando cada vez mais e tudo corre da pior maneira possível. Especialmente, quando o marido da rapariga sai da prisão e volta para casa, arrastando a família para um mundo de violência e crime que o persegue. E é um mundo mesmo muito violento, que acaba por culminar num âmbiguo final dramático.
Quando vi o Bronson, notei muitas influências de Kubrick, especialmente da Laranja Mecânica. Por mim, tudo bem. Se é para "roubar", ao menos que se "roube" dos melhores. Em Drive, as influências continuam lá (parecem ter vindo do 2001) e manifestam-se em loooooongos e penooooososo takes. Não é que estrague o filme ou que o prejudique (acho que é até o que o diferencia dos restantes filmes), mas sinceramente, parece-me um pouco exagerado. É o único ponto menos positivo que posso apontar. Um pouco menos de lentidão (a personagem de Gosling já carrega toda a tensão do mundo só no olhar) e um pouco mais daquela sensação de adrelina quando se conduz um carro a alta velocidade e era um filme sem falhas. Tenho a certeza que com o tempo se irá afirmar como uma referência e será muitas vezes copiado. Quase, quase perfeito. ●●●●○
Apesar de ter ouvido uns "zun-zuns" sobre o filme, não fazia a mínima ideia do que se tratava. Costumo evitar saber muito sobre os filmes em pré-produção para não perderem o efeito-surpresa e/ou para não gerarem muita expectativa. Neste caso, resultou perfeitamente. Houve momentos em que fiquei literalmente de boca aberta e a única coisa que conseguia dizer era: "isto é excelente!". Uma raridade, hoje em dia.
Não conhecia muito bem o trabalho de Ryan Gosling e também não conhecia Nicolas W. Refn. Lembro-me de há uns anos ter visto um pequeno, mas brilhante filme chamado Bronson, mas na altura não fixei o nome do realizador. Como não há coincidências, o nome comum é... Nicolas W. Refn. Bem, já não me esqueço mais.
Brilhante e singular realização, excelente banda sonora alternativa, grandes momentos de cinema, belíssima fotografia e um conjunto de actores de 5 estrelas. Albert Brooks, como uma espécie de mafioso freak coleccionador de facas é uma maravilha; Ron Perlman que... é o Ron Perlman! Basta estar lá e nem precisa de abrir a boca. Mas especialmente Ryan Gosling, que já tinha visto por aí em alguns filmes, e que sempre pensei que era mais um daqueles actores "bonitos" e pré-formatados de Hollywood. Grande erro. Ryan Gosling é excepcional.
A história não é nenhuma novidade, mas acaba por ser envolvente. A meio do filme, até parece que vai descambar porque começa a dispersar muito, mas depois acaba por manter a coerência.
Um solitário condutor profissional (que nunca sabemos o nome) ganha a vida como duplo de cinema, mas faz uns serviços extra menos convencionais como condutor de fuga em assaltos. Ele é o homem sem emoções, metódico, hiper-calmo, quase a roçar o psicótico que resolve as situações mais stressantes sem nunca hesitar. E sem nunca largar o palito dos dentes...
Tudo se complica quando se envolve com uma rapariga (a vizinha do lado, que tem um filho pequeno) e decide ajudá-la a ultrapassar algumas dificuldades. À boa maneira dos primeiros filmes dos irmãos Cohen, tudo se vai complicando cada vez mais e tudo corre da pior maneira possível. Especialmente, quando o marido da rapariga sai da prisão e volta para casa, arrastando a família para um mundo de violência e crime que o persegue. E é um mundo mesmo muito violento, que acaba por culminar num âmbiguo final dramático.
Quando vi o Bronson, notei muitas influências de Kubrick, especialmente da Laranja Mecânica. Por mim, tudo bem. Se é para "roubar", ao menos que se "roube" dos melhores. Em Drive, as influências continuam lá (parecem ter vindo do 2001) e manifestam-se em loooooongos e penooooososo takes. Não é que estrague o filme ou que o prejudique (acho que é até o que o diferencia dos restantes filmes), mas sinceramente, parece-me um pouco exagerado. É o único ponto menos positivo que posso apontar. Um pouco menos de lentidão (a personagem de Gosling já carrega toda a tensão do mundo só no olhar) e um pouco mais daquela sensação de adrelina quando se conduz um carro a alta velocidade e era um filme sem falhas. Tenho a certeza que com o tempo se irá afirmar como uma referência e será muitas vezes copiado. Quase, quase perfeito. ●●●●○
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