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Há anos que ouço falar do "santo graal" dos storyboards. E este não é um documento qualquer. É o storyboard do "maior filme" de ficção científica alguma vez imaginado mas que nunca chegou a ser feito. Isto é Jodorowsky's Dune.
O documentário de Frank Pavich é uma peça importante do mundo do cinema, não porque seja muito bom, porque mostra como algo que nunca chegou a ser filmado, conseguiu influenciar tanta gente e inclusive dar frutos em muitos outros filmes que foram gigantescos sucessos de bilheteira e que ainda hoje fazem parte da cultura pop. Alien por exemplo, veio directamente da ideia maluca do Dune de Jodorowsky e do estranho grupo de pessoas que o rodeou...

Alejandro Jodorowsky é daqueles nomes que ouço falar há anos sem nunca ter visto um único filme. Os meus livros de cinema mencionam-no sempre, assim como os clássicos El Topo e Holy Mountain, que incrivelmente nunca consegui ver. Não é fácil ver um filme psicadélico-alternativo dos anos 70 de um realizador chileno... Mas lá chegarei um dia e os filmes aparecerão aqui com a devida crítica...
Como sempre gostei dos conceitos do Dune e, apesar das críticas negativas gerais, também sempre gostei do Dune do David Lynch, cedo percebi que havia outros planos para a trilogia do Frank Herbert. Um desses planos envolvia o Alejandro Jodorowsky, mas nunca percebi muito bem o que tinha acontecido para o projecto não se ter concretizado, nem sequer o que estava envolvido.

O que descobri neste documentário foi por isso... bombástico.
Só uma pequena amostra. Jean Giraud, mais conhecido no mundo da BD como Moebius e H.R. Giger iriam tratar da parte visual. A banda sonora estaria a cargo dos Pink Floyd. Como se isto fosse pouco, nos actores estariam Salvador Dali como o Imperador, David Carradine como Duke Leto e o Orson Welles seria o Barão... Mas a lista continua e os nomes vão-se avolumando. O mais incrível disto tudo é que Jodorowsky ia falar com estas pessoas e, praticamente sem dinheiro, convencia-as a embarcar no projecto, que a determinada altura era apenas uma ideia sem ter verdadeiramente uma estrutura organizada por detrás... Incrível.
A comprovar esta história bizarra, estão muitos dos intervenientes, assim como comentários mais recentes de Dan O'Bannon, Chris Foss, Gary Kurtz, H.R. Giger, o produtor Michel Seydoux e os realizadores Richard Stanley e Nicolas Winding Refn.
Para além de toda esta situação bizarra e surrealista, o que me ficou mais marcado foi uma grande sensação de injustiça. Como o storyboard obviamente circulou pelos estúdios de Hollywood à procura de financiamento, ninguém pode negar as influências do trabalho de Jodorowsky na criação de muitos dos blockbusters dos anos 80 e por diante, sem que ele fosse creditado pelas ideias. Desde o Star Wars, ao Indiana Jones passando pelo óbvio Alien, muitos outros filmes foram beber de uma forma ou outra à fonte de inspiração que é aquele alucinado storyboard. Alejandro Jodorowsky merecia justiça e outro tipo de destaque, até porque neste momento é um ilustre desconhecido. Da minha parte, já está no patamar que devia. E isto é resultado directo do documentário. Ver este Jodorowsky's Dune é, portanto, um acto de justiça. E é obviamente obrigatório para quem gosta de cinema. ●●●●○

O enredo de Life é bastante simples: a bordo da Estação Espacial, um grupo de cientistas faz a descoberta científica do século: uma forma de vida - uma única célula, proveniente de Marte. É a primeira vez na história da Humanidade que se encontra vida fora da Terra.
Os aspectos filosóficos e implicações sociais da descoberta são totalmente descartados. Esta é, sem dúvida, a maior falha do filme. Era uma premissa demasiado "pesada" e morosa, por isso entendo que toda a atenção tenha ficado centrada na acção. Depois de um início muito prometedor, Life transforma-se no Alien. Outra versão do Alien. Aliás podia muito bem ter sido a base do Prometheus e se calhar até tinha mais nexo. Se Life não é um filme melhor é exactamente por causa disto: deixa uma sensação de dejá-vu. Uma forma de vida extraterrestre, altamente agressiva, a atacar um grupo de astronautas numa estação espacial? É que só faltavam ser 7 tripulantes a bordo! Espera! Uff! Afinal são "só" seis... sendo que os principais são o Jake Gyllenhaal, o Ryan Reynolds e a Rebecca Ferguson, mas o resto do casting também é fixe.
Mas apesar da falta de originalidade do guião, está tudo muito bem feito (bem realizado por Daniel Espinosa) e por isso vê-se bem. Tem um final à moda dos grandes filmes de ficção científica dos anos 70 - se é que me entendem - e, isso é mesmo a melhor parte de todo o filme. ●●●○○

Numa floresta encantada, um jovem (Tom Cruise, numa fase inicial da carreira e ainda com os dentes originais) tenta conquistar o coração da sua amada (Mia Sara), ao mesmo tempo que tem de enfrentar um poderoso demónio chamado Darkness (um irreconhecível Tim Curry), para impedir que este mergulhe toda a Humanidade na escuridão eterna. Pelo meio há unicórnios, elfos, goblins (nunca percebi a diferença...) e todo o tipo de criaturas fantasmagóricas e fantásticas. Legend é um filme pouco conhecido de Ridley Scott, mas do qual gosto imenso. Não é muito conhecido pois é do início da carreira do realizador e na altura, foi um flop enorme. Ridley Scott tinha acabado de realizar dois dos mais icónicos filmes de ficção cientifica de todos os tempos (Alien e Blade Runner) e portanto esta passagem para a fantasia/aventura seria sempre um fracasso. Este novo filme, teria de ser absolutamente espectacular para no mínimo equivaler aos dois portentos anteriores. Não foi o caso e percebe-se bem porquê.
Alguns filmes não estão destinados ao sucesso. Verdade seja dita, Legend tem alguns problemas. Vá lá, muitos problemas. Primeiro, já lhe vi 3 versões diferentes, com durações, enquadramentos e até bandas sonoras diferentes. Segundo, tem um argumento e personagens demasiado básicas: é uma história linear dum confronto do bem contra o mal em que as personagens ou são "boas" ou são "más", não tendo nenhum tipo de nuance. Terceiro, estranhamente está, por assim dizer, num limbo geracional: nem é um filme para crianças, nem para adultos; é demasiado negro para crianças e demasiado infantil para adultos. Ou seja, acabou por ficar sem público. Por último, li que Legend esteve originalmente para ser um filme de terror, e em alternativa, até um filme de acção. Percebe-se que este foi um projecto que desde o início não esteve bem definido. Há uma certa sensação de incongruência durante o filme todo. Parece que ninguém sabia muito bem o que fazer, nem a direcção que o filme levaria. Estas são as razões negativas, mas também tem um lado positivo.
A fotografia é absolutamente genial e provavelmente Ridley Scott teve aqui a sua melhor prestação atrás de uma câmara. Nunca vi um filme que retratasse aquele tom de "conto de fadas" tão bem como este. É das melhores criações de um mundo fantástico que já vi em cinema. As imagens são absolutamente maravilhosas e mágicas. E sem recurso ao CGI! É tudo verdadeiro e feito com cenários e truques de câmara. É verdadeiramente fantástico, parece que tem uma atmosfera própria. Além disso, tem excelentes criaturas e personagens originais, se bem que, lá está, não tenham grande "conteúdo". Destaco, especialmente, a figura do demónio Darkness. É uma personagem que me ficou gravada no cérebro para sempre. Aquele trabalho de makeup é soberbo e icónico. É uma concepção brilhante, tanto no campo prático e físico, como no campo estético. É mesmo de génio.
Legend é já uma pérola antiga, um artefacto arqueológico. Está tão enterrado no tempo, que provavelmente um dia destes, o próprio Scott, redescobri-o com as novas tecnologias e faz-lhe um remake mais moderno. E neste caso, acho que até merecia mesmo um facelift. Tem todo o potencial para isso. Legend não é obviamente o melhor trabalho de Ridley Scott, mas pela fantasia, pela parte técnica e pela própria inocência que emana, é um filme que nunca resisto a (re)ver. ●●○○○

Tenho uma tendência para guardar coisas. Não sei porque é que isso acontece, mas acontece. Até tenho tendência para guardar links... Para quê guardar cenas da net se nada sai de lá? Não faz sentido. Leio uma coisa na net, por qualquer motivo acho que é interessante... pimba! Guarda o link. Para quê? Para nada. Fica ali o coitado do link a "ganhar pó" para sempre ou até me aperceber que não tem interesse e acaba no caixote do lixo...
Aqui vão alguns desses links "muitos" interessantes sobre outras vertentes do mundo do cinema.
www.moviemistakes.com - para aqueles puristas que procuram toda e qualquer falhazinha num filme... como eu.
www.imagesjournal.com - site com fotos muito boas de cinema. Parece que anda meio parado, mas ainda tem um bom arquivo...
Highest grossing movies box - artigo da Business Insider sobre os filmes que ultrapassaram a mítica barreira dos mil milhões de dólares de facturação. Loucura total nas caixas registadoras...
O Tarantino Africano - artigo sobre Isaac Nabwana, conhecido como o Tarantino africano que faz filmes de acção em bairros de lata nos arredores da capital do Uganda... É mesmo verdade...
Algoritmo prevê se filme vai ser um sucesso - artigo sobre um algoritmo que lê os argumentos e consegue prever se o filme vai ser um blockbuster ou não. Assustador...
Film-makers & Frankenstein - e finalmente, um artigo muito interessante sobre o fascínio dos realizadores com a personagem de Frankenstein. It's (still) alive!...

Para quem teve a paciência suficiente de estar a carregar nos links todos, deixo um pequeno extra que tinha para aqui perdido. Eu sempre pensei que aquela cena era digital... Mas pensando bem, é a Ellen Ripley, portanto...

Depois da desilusão total que foi Elysium, esperava imenso de Neill Blomkamp e deste Chappie. Quando acabei de o ver, tive com uma sensação esquisita: fiquei com mix reviews... Gostei e ao mesmo tempo não gostei. Gostei da aproximação dada à história, mas por vezes pareceu-me algo infantil, quase cómica. Gostei de rever o Dev "Slumdog Millionaire" Patel e a Sigourney Weaver, mas não consegui superar aquele cabelo demasiado estranho do Hugh Jackman.
A nível técnico, Chappie é 5 estrelas. Houve momentos em que me esqueci totalmente que o robot é uma criação digital. Enquanto via o filme, não conseguia deixar de pensar que em termos tecnológicos, no campo dos efeitos visuais, está quase a passar-se aquela fasquia em que o efeito digital passa perfeitamente por realidade. É todo um mundo novo que se abre para o cinema. Se for bem aproveitado, claro está...
Chappie tem algumas cenas excelentes, em que se ganha verdadeiramente empatia pela personagem do robot. Já para não falar das cenas em que parece que o robot se comporta mesmo como uma pessoa. É mesmo, mesmo estranho. E em certa parte, um pouco assustador.
A parte boa do filme é quase exclusivamente a parte técnica. A história e o "fecho" até foram bem tratados, tudo é perfeitamente lógico e plausível, mas apesar de ter uma aproximação diferente do habitual... é novamente um filme sobre Inteligência Artificial... Mais um.
A parte má é que é mais um filme à Blomkamp. Adorei o District 9, mas também não é preciso exagerar. É necessário dizer isto: Blomkamp é um bom realizador, mas está sempre a fazer o mesmo filme! A história muda, mas tudo o resto (visualmente) é tão igual, que parece que uma pessoa está sempre a ver o District 9. Chappie é "interpretado" por Sharlto Copley, o excelente Wikus Van De Merwe de District 9. Isto já não é só um fetiche: é pura reciclagem. Sinceramente, já me começa a chatear. Já li que Blomkamp vai realizar um novo Alien. Tenho um bocado de medo que a história se desenrole (novamente) numa espelunca qualquer na África do Sul e que seja muito parecido com... Bem, já deu para perceber...
Se quisesse ser simpático diria que Chappie "não é inesquecível, mas acaba por ser um bom filme de acção/ficção científica". Mas sinceramente, o que apetece dizer é: "Neill Blomkamp, acorda para vida, porque Chappie parece novamente o District 9, mas com robots no lugar de aliens..." ●●○○○

 
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