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Senti tanto hype à volta deste mother! que tinha mesmo de o ver. Especialmente li bastante sobre o que significava o filme, o que me deixou algo apreensivo, pois o Darren Aronofsky não costuma ser muito dúbio nas suas abordagens à história. Se bem que ultimamente com o Black Swan e o Noah, a coisa até já foi um pouco diferente.
Para grande surpresa minha, o filme não tinha grande coisa para duvidar. É um grande filme com uma história bíblica na base, vista por um ateu que acredita em qualquer coisa. Das primeiras vezes em que ouvi falar do enredo, notei que estava mencionado o facto de ser um filme tipo "home invasion". Um casal estaria sossegado na sua casa quando a vê assaltada por estranhos personagens. Mas para além disso, havia sempre a referência a significados dúbios e não estava a perceber muito bem porque é que ninguém conseguia chegar a nenhuma conclusão nem especificar o que raio se passava no filme. É um filme de terror? Não. Seria uma fábula muito negra que descamba para o filme de terror? Também não. Uma alegoria? Um conto premonitório sobre o futuro com base nos constantes ataques ambientais que o mundo moderno sujeita a natureza? Nada disso. Mas também poderia ser isto tudo junto. Não entendia nada do que lia. Isto apenas aguçou mais a minha curiosidade. E então, lá fui, furiosamente curioso, ver o enigmático mother!. Depois de ver uns 15 ou 30 minutos de filme, o meu cérebro disparou em auto-funcionamento e comecei profundamente a duvidar do que tinha lido... As pessoas que viram o filme antes de mim, que criticavam e comentavam não queriam estragar a "surpresa"  do filme ou simplesmente não tinham nenhum conhecimento bíblico para entender o que estavam a ver? Ainda agora persiste a dúvida.
Para quem tem algum conhecimento das histórias bíblicas, mother! não tem nada que enganar ou que possa ser considerado dúbio. Ao fim de muito pouco tempo, percebe-se perfeitamente o que se está a ver, o que se vai ver a seguir e praticamente de antemão já se sabe como vai tudo acabar. Como a dúvida persiste (será que os críticos de cinema conhecem de facto as histórias bíblicas?) não vou entrar em grandes pormenores. Não vou dizer que se trata da primeira e da última história da Bíblia ligadas entre si e misturadas com a personagem da Mãe Natureza. Como também não vou dizer que não tem nada a ver com uma invasão de casa, mas que por outro lado, de um ponto de vista natural, pode perfeitamente ser interpretado assim mesmo. E nem vale a pena mencionar o conceito do eterno retorno do meu caro amigo Nietzsche. O melhor é mesmo ver e tirar as próprias conclusões, mas minha opinião, não há enigma nem conclusão nenhuma para tirar. Se bem que aquele pó amarelo misturado na água ainda agora me dá a volta ao cérebro, e aí, tenho de admitir, não consegui chegar a nenhuma conclusão que valha a pena partilhar...
Seja como for, gostei bastante da forma com a história é contada, reinterpretada e misturada com outros conceitos exteriores ao livro sagrado e à religião. Darren Aronofsky é um gajo que admiro, com muita qualidade na realização e que não tem medo de pegar em temas complexos e fracturantes. Tem uma visão muito própria das coisas com as quais eu (por vezes) me identifico. Ainda que nos últimos filmes tenha "patinado" bastante. Sempre que se mete em temas muito generalistas e pouco focados nas pessoas, normalmente mete água. Ia dar como exemplo, o caso do "Noah" mas aí tinha mesmo de meter água... Bem, mas deu para perceber... No caso de mother! esteve outra vez quase a patinar. O que ajudou a equilibrar este filme estranho foram nitidamente as presenças marcantes de Jennifer Lawrence (grande surpresa! mesmo grande surpresa!), Javier Bardem (sempre imponente) e as presenças fugazes de Ed Harris e Michelle Pfeiffer. Mas se as personagens (e os seus actores) aguentam muito bem o filme durante a maior parte do tempo, o melhor está mesmo reservado para a parte final, que num aparente take longo e contínuo leva-nos de arrasto para o final dos dias, para o caos da guerra, para as atrocidades humanas e para o inferno na Terra. E este final bombástico e quase orgásmico é todo da responsabilidade de Aronofsky. Essa última parte "separa-se" tanto do resto do filme que a determinada altura, fiquei com a sensação que foi para poder criar e realizar aqueles minutos finais que Aronofsky concebeu toda a história. Parece que ele teve mesmo que filmar aquilo, como se fizesse parte de uma terapia qualquer. Ou também posso estar a imaginar coisas e nem sequer seria a primeira vez. Às vezes são só sensações que tenho. Não interessa...
mother! não é um filme nada fácil de ver. É violento e exige conhecimentos essenciais pré-visualização. Aconselho uma mente aberta e um estômago forte. Seja para dar início a uma longa e séria discussão sobre religião ou seja para assistir a um espectáculo raro hoje dia que é a obra de arte cinematográfica com base na visão do realizador, mother! é um filme que tem mesmo de se ver. ●●●●○

Os fãs estavam a ressacar e pediam qualquer coisa minimamente ligada aos X-men, por isso os estúdios fizeram a vontade. Dark Phoenix é mais uma entrega Marvel do Universo X-Men... repleta de nada. Valem os momentos iniciais pela cena do acidente de carro que mostra os poderes da moça que há-de ser a Phoenix. E depois não há mais nada a não ser uma narrativa repetitiva e totalmente infantil recheada de escusadas cenas de acção com efeitos especiais. É inacreditável.
Este 1 (um) de classificação é mais uma vez pelos aspectos técnicos. Mas também é única coisa que o filme tem. O resto é de uma banalidade infantil tão grande que é indescritível. É penosamente previsível e sempre a mesma coisa, vez após vez. Basta ver que o realizador, Simon Kinberg é essencialmente um produtor (dos outros X-Men) e nem tem experiência na "cadeira". Bem, estes filmes também são praticamente todos feitos em pós-produção e nos estúdio de CGI, por isso, um homem na cadeira a realizar já nem sequer faz muito sentido... Já não se aguenta esta industrialização. Para além disso, numa perspectiva de seguimento da "franquia" não faz sentido nenhum. Pelo menos é coerente nesse aspecto: estes filmes cada vez mais fazem menos sentido. Existem pura e simplesmente para alimentar a mente ávida de efeitos especiais dos "fanáticos". Até os actores (James McAvoy, Michael Fassbender, Jessica ChastainJennifer Lawrence, Sophie Turner) já parecem cansados de fazer estes papéis e de encarnar estas personagens. Nota-se que estão ali apenas e só pelos cachets milionários, o que diga-se, é completamente compreensível. Eu, por exemplo, no papel do Fassbender só mesmo por um balúrdio é que dava a cara por esta coisa infantilóide. Espera-se o seguimento da história, a sequela, a prequela, mais bonés, chávenas de pequeno-almoço e lancheiras para os miúdos poderem levar ao festival do Panda... ○○

Pensei que ao fim destes anos todos a escrever sobre filmes já estaria numa contagem mais elevada. Nunca imaginei que isto daria tanto trabalho. É difícil e demora muito tempo. Nunca tinha pensado nisso. E já vi tanto filme que acho que vou estar aqui a vida inteira. Dito isto, preciso de acrescentar mais uns títulos sem perder muito tempo, até porque há filmes que não merecem o tempo que um gajo perde. E para acrescentar "numeração" nada melhor que trilogias ou sagas baseadas em livros que foram sucessos de vendas para adolescentes, porque não há muito para dizer. Hunger Games representa muito bem este "esquema" infalível de facturação.
Não vou perder muito tempo a contar a história que toda a gente conhece, por isso vai já uma citação da wikipédia: "Num futuro distópico pós-apocalíptico na nação de Panem, onde miúdos de 12 a 18 anos devem participar dos "Jogos Vorazes" (esta tradução é espectacular!), um evento anual televisivo na qual os "tributos" lutam até a morte até que sobre apenas um, que é coroado vencedor. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se voluntaria para tomar o lugar de sua irmã mais nova nos jogos. Ao lado do parceiro masculino do distrito, Peeta Mellark (Josh Hutcherson), Katniss viaja até à Capital para treinar para o evento com a ajuda de Haymitch Abernathy (Woody Harrelson), que já venceu os "Hunger Games" uma vez."
Talvez por causa da novidade, tenho de admitir que a primeira "entrega" me surpreendeu pela positiva. Até nem é assim tão mau. Vê-se perfeitamente e os actores até são bonzitos. Mas isso não interessa para nada; o que interessa nesta questão das sagas é isto; receita de bilheteira: mais ou menos 700 milhões de dólares. ●●○○○




A seguir veio The Hunger Games: Catching Fire a que se juntaram acotres como Stanley Tucci, Donald Sutherland ou Philip Seymour Hoffman (o que uma pessoa tem de fazer por dinheiro!). A aventura continua, a qualidade cai mas a classificação de bilheiteira sobe: 800 milhões de dólares. ●○○○○



Como não podia deixar de ser, e face aos sucessos anteriores, não se podia reduzir o sucesso de bilheteira a apenas uma "entrega final": há-que dividir o final em duas partes e assim multiplicar também por dois a receita de bilheteira: mais 800 milhões de Dólares com a chegada de The Hunger Games: Mockingjay - Part 1. É um filme onde praticamente nada acontece a não ser ganhar momentum para a parte final que chegaria 1 anos depois. ○○○○○




Para delírio dos fãs, finalmente chega The Hunger Games: Mockingjay - Part 2 que é mais outra fraude cinematográfica. Só existe sacar o máximo possível de dinheiro à audiência e dar um pouquinho mais de tempo aos fãs. Na maior parte do tempo não acontece nada e simplesmente está a encher "tempo de antena". Muitas vezes perde-se na sua própria mitologia alimentada por milhões de fãs que querem indefinidamente ver os seus personagens favoritos; então eles, os personagens estão simplesmente no ecrã a dizer e a fazer a mesma coisas repetidamente, vez após vez. Isto dos fãs tem muito que se lhe diga... mas fica para outra altura em que me apeteça insultar pessoas... À parte disto... nada. Rigorosamente nada. Falhas graves de argumento, do género: personagens que estavam ali, mas de repente aparecem aqui sem explicação nenhuma... História inexistente ou risível (a moça-heróina à última da hora decide matar a líder da resistência à frente de toda a gente, mas toda gente ignora esse facto e continuam impávidas e serenas na sua vida...). Enfim...
Estes filmes são tão "bons" que se me varrem completamente da memória. Por muito estranho que pareça, a única coisa que ficou gravada mentalmente foi uma cena completamente inexplicável com um gato que não foge quando a Julianne Moore lhe atira com coisas. Eu tenho e percebo de gatos: portanto, ou o bicho estava colado à bancada da cozinha ou sedado com múltiplas doses de heroína... um pouco na onda dos fãs... pronto! já o disse. não me consegui conter. Estes filmes fazem-me mesmo pensar no futuro da humanidade. Alguém ir ver isto, eu ainda compreendo porque uma pessoa pode ser enganada. Agora gostar disto... é algo verdadeiramente inexplicável. Bilheteira: "apenas" 700 milhões de dólares. ○○○○○




PS. Se alguém quiser ir ter ao hospital com uma embolia cerebral, pode sempre ver tudo de seguida... aviso já que são para aí umas 10 horas de filme, mas que podiam facilmente ser condensadas em 60 minutitos. A única coisa verdadeiramente positiva nesta saga é que... finalmente acabou. Admira-me que ainda não tenha sido transformado numa "de sucesso"...
Uma gigantesca nave espacial, carregada com milhares de passageiros em hibernação, segue a caminho de uma colónia noutro planeta quando, na sua longa viagem de 120 anos, algo funciona mal e um dos passageiros é acordado 90 anos antes do previsto.
A premissa é muito boa, por isso justificou-se plenamente o hype em torno deste filme. A realidade é bem diferente.
Passengers, de Morten Tyldum, apesar de se passar no espaço, não é um filme de ficção científica. É mais uma espécie de romance futurista, que por acaso acontece no espaço. Nesse aspecto, desilude qualquer fã de ficção e defrauda um pouco as expectactivas criadas. Mas não é tão mau quanto parece, apesar de ter partes que parecem saídas de um filme da Disney...
Passengers "escapa" perfeitamente devido ao trabalho dos actores (Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen [que parece saído do bar do "The Shining"], Laurence Fishburne [e Andy Garcia que apenas "aparece" por lá]), mas também pelo excelente tratamento visual e pela simplicidade do argumento.
Tenho de admitir que o que me prendeu mais em Passengers foi estar o tempo todo à espera do twist. Mas não houve twist. Devido à expectativa que se criou à volta do filme antes da estreia e das primeiras imagens que vi, esperava mais e melhor. Mas vê-se bem. ●●○○○

 
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