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Um jovem casal (Kelly Reilly e Michael Fassbender) faz uma viagem de férias até ao idílico Eden Lake. O sítio é espectacular, com um lago de águas calmas rodeado de uma belíssima paisagem natural. Tudo corria perfeitamente bem até que os gunas do local (Jack O'Connell e restantes miúdos) aparecem para estragar tudo... E aí a paisagem muda da beleza natural para a dor, para a frustração, para a raiva e para a sobrevivência. Tenho que admitir que tive de parar o filme a meio. Estava a dar-me cabo dos nervos e do estômago. Na ruralidade mais profunda deste país já estive perante situações que parecem o início de Eden Lake, daí que o filme estivesse a "afectar-me" psicologicamente e até fisicamente. Mas lá retomei o filme e fiquei ainda mais desconcertado. O guião exagera nas peripécias, na imprevisibilidade e tudo o que pode correr mal, corre ainda pior, mais violento e mais gore. James Watkins, o realizador, parece que tem prazer em fazer aqueles dois personagens sofrer... e a mim também.
Resumidamente, Eden Lake é uma dor contínua de filme, muito difícil de ver até ao fim. Já agora, odiei o final. Mas odiei no "bom sentido". É uma espécie de Deliverance brit, exagerado mas bem feito. Uma agradável surpresa desagradável. Vendo o final percebe-se o que quero dizer... Recomendado apenas a mentes e estômagos mais fortes... ●●●○○


Não tinha grandes expectativas com este Revenge. Principalmente porque apenas tinha visto um trailer durante breve segundos. Mas alguma coisa me chamou a atenção e tive de o ver. A primeira surpresa imediata foi perceber que o filme não era americano, mas sim francês. A surpresa seguinte foi o exagero sanguinário, por vezes totalmente gore, com muitos ferimentos violentos e sangue a rodos. Tanto que é um exagero, mas pareceu-me uma óbvia sátira à mulher de armas americana e às "Lara Crofts" do cinema. De uma forma estranha, Matilda Lutz encaixa tão bem na personagem-bimba como no personagem-rambo.
Após ter sido violada por três homens e deixada para morrer no deserto era miraculosamente sobrevive aos impossíveis ferimentos e regressa com sede de vingança. Dito assim, parece uma coisa estúpida, mas de alguma forma, isto até funciona.
Revenge é um filme sobre vingança, mas nitidamente, também é uma crítica sagaz aos filmes de acçao americanos. É quase como que dizer: "ai querem sangue? Então vão ter sangue. Gostam de violência? Então é mesmo isso que vão ter..."
Excelentes actores (Vincent Colombe, Guillaume Bouchède), com principal destaque para Kevin Janssens que tem tanto carisma que é impossível perceber porque ainda não é uma estrela de Hollywood. O pessoal dos estúdios "oficiais" anda um bocadinho cegueta com as super-estrelas dos super-heróis. Olhem que anda para aí pessoal excepcional a representar e vocês nem os veem a passar mesmo à frente dos olhos. É pena.
Escrito e realizado por Coralie Fargeat, Revenge roça o ridículo e o estúpido, mas de alguma forma esquisita consegue ao mesmo tempo ser crítico e brilhante. Só visto para perceber. Coralie Fargeat é um nome que vou ter debaixo de olho nos próximos tempos. ●●●○○

Deepwater Horizon é um drama de acção com toques de "Michael Bay", mas que estranhamente se vê bem. Tecnicamente, está muitíssimo bem feito. O filme é baseado nos eventos reais (coisa que Peter Berg já fez algumas vezes e sempre muito bem...) passados na plataforma petrolífera da BP com o mesmo nome. Após um acidente durante uma perfuração a grande profundidade, a plataforma explodiu em chamas, matando 11 pessoas e afundou-se, deitando para o Golfo do México toneladas de crude durante 87 dias. É o maior desastre ambiental na história da América e um dos piores de sempre. Uma tragédia que toda a gente seguiu colado às televisões, mas faltava o mais importante que é saber realmente o que aconteceu a bordo. Obviamente não estive lá para ver, mas por isso mesmo tenho de dar os parabéns ao Peter Berg porque em alguns momentos, conseguiu verdadeiramente "levar-me" até ao meio da acção, do caos do acidente e das tentativas de sobrevivência de quem realmente passou por tudo aquilo. Tecnicamente, este Deepwater Horizon está irrepreensível. Por vezes nem parecia um filme... Também ajuda ter pessoas a dar corpo às personagens como Mark Wahlberg, Kurt Russell, Gina Rodriguez e John Malkovich, assim como um "exército de secundários" todos muito bons. Uma pequena surpresa. ●●●○○

Uma família indiana decide mudar-se para o Canadá. Até aqui nada de novo, não fosse essa família ser dona de um jardim zoológico e quando se mudar, decide também levar consigo todos os animais a bordo de um enorme cargueiro. A meio da viagem, uma tempestade faz o cargueiro naufragar e os únicos sobreviventes são Pi Patel - o filho mais novo - e alguns animais, com especial destaque para um tigre chamado Richard Parker. Para sobreviver, todos terão de partilhar um minúsculo barco à deriva no imenso Oceano Pacífico.
Tenho apenas duas palavras para este Life of Pi: muito bom. Gostei muito. É um portento técnico de efeitos especiais ao serviço da aventura e da fantasia. Sim, os efeitos especiais também servem para isto e não só para filmes de super-heróis. Mas para além dos efeitos especiais, o que salta à vista é o facto de ter base uma excelente história, e estar espectacularmente bem escrito. A personagem de Pi está muito bem representada, tanto na versão de miúdo (Suraj Sharma), como na versão adulta (Irrfan Khan). A realização de Ang Lee é portentosa - como sempre -, mas ao mesmo tempo é sensível, daquela forma sensível que só Ang Lee consegue ser. Life of Pi não é somente uma história de sobrevivência; é fantasia em estado puro e uma aventura única e inesquecível. Tem momentos verdadeiramente mágicos que me deixaram agarrados à cadeira. Para mim, é um filme que preenche todos os requisitos. Para ver e rever. Recomendadíssimo. ●●●●○

Não me vou demorar muito. Em termos críticos, vou "despachar" isto num instante, tal como se "despacha" uma obra de arte que poucos (ou nenhuns) defeitos tem. The Revenant é um filme perfeito. Épico. Gigante. Cru. Violento. Visceral. Real. Genuíno. Por vezes é até arrebatador. Um mix perfeitamente equilibrado entre a beleza frágil e estéril de um filme artístico e o nojo do cuspo de tabaco de mascar de um western de barba rija. Excepcional. Digno de todos os aplausos e de todos os prémios. Logo à partida, aplausos para Alejandro Iñárritu, que sem dúvida nenhuma, é o melhor realizador do momento. E tem vindo inequivocamente a prová-lo filme após filme. Nem é preciso dizer mais nada. Nem é preciso ver com muita atenção para se perceber que este é um filme "verdadeiro". Totalmente genuíno. Quase que se cheira a lama molhada... Para mim, isto é cinema puro.
Depois, mais aplausos para Leonardo DiCaprio (um gajo que nem aprecio particularmente) e para Tom Hardy (um gajo que particularmente aprecio), que apesar de estarem nitidamente a "piscar o olho" a um prémio nos Óscares, têm uma performance acima do normal, até para eles próprios. Mais uma vez, influência directa do Iñárritu, que leva actores muito bons, simplesmente para outro nível muito superior.
Visualmente, The Revenant, é avassalador. A fotografia é gélida e distante, mas ao mesmo tempo é penetrante. Os grandes planos naturais que conscientemente esmagam as personagens. As filmagens de acção "sem costuras"... Tudo pensado ao pormenor. Brilhante. Faltam-me os adjectivos. Até voltei a pensar em coisas que, em termos de cinema, já tinham desaparecido da minha mente, como quando fui confrontado com aquela cena do ataque do urso e pensei: "como é que fazem isto?". Já nem lembrava dessa sensação! Obrigado, Alejandro, muito obrigado.
Apesar de ser baseado numa história verídica de violência e sobrevivência, acho que em The Revenant, o Iñárritu teve a inteligência de introduzir outra grande "moral da história" mais subtil: se retirarmos tudo o que é conforto do elemento humano e confrontarmos as pessoas com a natureza selvagem, as pessoas tornam-se elas próprios em elementos selvagens. E lidar com uma ou outra situação, acaba por ser fatal, para qualquer interveniente. Ninguém sai ileso. Acho que essa a grande mensagem de fundo deste The Revenant: teremos que lidar com a selvajaria humana e perceber como evitá-la a todo o custo, porque é visceral horrível e ninguém irá sair sem marcas profundas desse confronto. Uma recordação do já que aconteceu para mostrar um vislumbre do que está para acontecer, se continuarmos a destruir a natureza. E quando falo em natureza, refiro-me ao mundo natural, mas também à própria natureza humana que é intrinsecamente equilibrada. The Revenant é um grande, grande filme, com uma mensagem poderosíssima de fundo, que me deixou muito surpreendido pela positiva. Mesmo no espaço comercial, ainda há alguma esperança para o cinema de qualidade. Um clássico instantâneo, uma mensagem inteligente e um filme obrigatório. ●●●●●

Baseado no best-seller de Cormac McCarthy (No Country for Old Men), The Road conta a história de um pai e o filho na sua longa e lenta viagem até ao mar. A viagem vai ser dura porque terão de atravessar um mundo pós-apocalítico, destruído, sem vida, cinzento, repleto de canibais, malfeitores e pessoas que lutam a qualquer custo pela sua sobrevivência.
Se há filmes que me surpreendem pela positiva, há outros..., lá está, que é exactamente o oposto. Neste caso, foi com The Road, realizado por John Hillcoat. O filme não tem propriamente nada de mal feito. Acho que neste caso, o problema foram as expectativas demasiado elevadas. Já antes sequer de haver um trailer, ouvia falar do The Road como "o grande", "o melhor", "o derradeiro" filme apocalíptico. Isto não ajuda nada. Estive "em pulgas" para o ver, e quando finalmente isso aconteceu... decepcionou-me. Fiquei com a sensação que podia ser melhor. Ou pelo menos, não era assim tão bom quanto tinha lido noutras críticas. É... Acho que foram as expectativas altas.
Fora isso, até escapa bastante bem. Uma colecção de bons actores (Viggo Mortensen, Charlize Theron, Robert Duvall e Guy Pearce), com uma boa realização e uma história que é, de facto, diferente do habitual festim de fim do mundo de Hollywood. Vê-se bem, apesar de achar que as críticas foram demasiado positivas para o filme que é. ●●○○○

In the Heart of the Sea: The Tragedy of the Whaleship Essex é um livro de Nathaniel Philbrick que conta a história verídica do baleeiro Essex que se afundou em 1820 devido a um ataque de uma baleia. Estes acontecimentos históricos seriam mais tarde aproveitados por Herman Melville para escrever o clássico Moby Dick.
É deste porto que Ron Howard zarpa para uma nova adaptação deste clássico de sobrevivência. O único problema é que este In the Heart of the Sea saiu muito flat. Poderia ser um bom filme, mas é apenas uma nova adaptação de Moby Dick, agora com efeitos especiais decentes. E é só isso.
Chris Hemsworth e restante grupo (especialmente Cillian Murphy e Brendan Gleeson) estão naquele nível suficiente, mas parece-me que o problema não é dos actores. O problema deste filme é querer, à força, ser uma recriação histórica séria mas entrecruzada com momentos de acção espectacular. Não resultou. Nem consegue ser uma coisa nem outra. E isso estraga o filme todo, que até tem alguns momentos muitos bons. É pena, porque a história tinha muito para dar. É talvez a única coisa boa neste filme, a par com os efeitos especiais.
Pergunto-me: será possível pegar em temas como navegar para o desconhecido, caçar baleias com arpões, ataques de baleias albinas, vidas no limite e mortes, naufrágios e canibalismo e fazer um filme sem emoção nenhuma? In the Heart of the Sea é a resposta. ●●○○○


127 Hours conta a história verdadeira de Aron Ralston, um daqueles viciados em adrenalina com queda para o montanhismo solitário. É uma história de sobrevivência tanto louca e macabra que só podia ter tido origem na realidade. É daquelas coisas que uma pessoa nunca pensa que lhe pode acontecer. É surreal. E pôs-me a pensar: e se fosse comigo? Será que eu tinha aquela coragem? Será que qualquer pessoa quando confrontada com uma situação destas, reage da mesma forma? Será que o instinto humano mais básico - a sobrevivência - vem sempre ao de cima?
Mais do que a história dramática e corajosa de Ralston, 127 Hours é acima de tudo um tour de force de James Franco e de Danny Boyle.
James Franco está irrepreensível. Enche o ecrã, literalmente sozinho, a dar corpo à aventura e luta de Ralston contra os elementos naturais, após ficar preso durante 5 dias num desfiladeiro isolado. Por preso, quero dizer, preso com a mão esmagada por um pedregulho enorme, inamovível.
Como sou um bocado fascinado por histórias de sobrevivência, já tinha lido sobre a experiência de Ralston nos jornais e sempre achei que seria matéria para filme. Pelos vistos, Danny Boyle achou o mesmo. E fez um trabalho excepcional. Mais uma vez, Boyle, concebe um autêntico manual do realizador. Aguentar 2 horas de filme com um actor sempre na mesma posição, apenas entrecruzando rápidas passagens de memórias, é uma obra assinalável.
Pela simplicidade, mas especialmente pelo grande trabalho de realização, 127 Hours é um filme que mostra que Danny Boyle é um dos grandes realizadores do momento. Ele consegue pegar na mais simples das ideias e fazer um filme com pés e cabeça. Sem dúvida nenhuma que merece ser visto (e revisto). ●●●●○

Quando nas primeiras imagens vi mergulhadores no Iucatão, pensei que ia ver mais um filme de terror de adolescentes, cheio de actores com corpos de ginásio, com dentes estupidamente perfeitos e em que as moças aparecem com biquinis ridiculamente minúsculos. Felizmente enganei-me. O filme passa-se numa caverna dos Cárpatos. Thank God.
The Cave (2005) é um filme de terror fraquinho, sem linguagem obscena e sem mortes gore. Por vezes parece um filme SyFy mas com esteróides. Tem dois actores com algum potencial, Lena Headey, da Guerra dos Tronos, 300 e Cole Hauser, que já tinha visto em Pitch Black. De resto, The Cave é uma colagem de clichés dos filmes de terror, com uma história típica do género de sobrevivência: os protagonistas ficam presos num sítio e têm de procurar uma saída. Só alguns escapam.
O pior elogio que se pode fazer a um filme de terror é dizer que é um filme para (quase) toda a família, mas é isso que The Cave parece. Mas tem duas coisas positivas: não é um filme de terror de adolescentes (já são insuportáveis há muito tempo) e termina muito bem: faz lembrar alguns dos finais dos episódios da  Twilight Zone. Só por isso já merece algum destaque. Vê-se. ●○○○○


Se alguém preferir o mesmo tema claustrofóbico, a mesma história de cavernas que se fecham por acidente e as mesmas personagens estereotipadas, mas sem monstros, há também Sanctum (2011). James Cameron é produtor executivo porque pelos vistos gosta de ir ao fundo das coisas, especialmente se tiverem água. As imagens são quase as mesmas do outro filme e as peripécias também. Continua a ser muito bem filmado, mas agora é em 3D. (Será que já passou a febre dos filmes em 3D?) É tudo igual, mas sem o (suposto) terror dos monstros cavernosos. O perigo é a própria caverna e como ela afecta os protagonistas. Os actores parecem um pouquinho melhores (Richard Roxburgh, o excelente Duke do Moulin Rouge e Ioan Gruffudd, dos filmes Fantastic Four) mas quase não se nota. Mas também, este não é um filme para actores, é um filme sobre uma caverna. E a caverna está muito bem fotografada, aparece retratada em imagens muito bonitas, proporciona muita acção com água e imensa escuridão, apesar de por vezes parecer que é a caverna mais bem iluminada do mundo. Também se vê. ●○○○○

 
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