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Uma das razões porque continuo a ver filmes Marvel é porque espero uma surpresa. Mas não. É sempre a mesma coisa. A mesma estrutura de argumento, a mesma história, as mesmas cenas de acção, os mesmo efeitos super-especiais, o mesmo tudo. É sempre igual. O que é totalmente normal. Há milhões de fãs que querem ver sempre a mesma coisa, portanto porquê mudar? É que ainda perdiam a clientela... Não faz sentido mudar e eu entendo.
E assim chegamos a Black Panther, super-herói menor da Marvel que ganhou muita visibilidade (e bilheteira) porque há um problema racial crescente nos EUA. Tremendo êxito de bilheteira, integralmente criado pelo hype mediático e pelo momento social da América. Só por causa disto. Porque o filme é exactamente igual às restantes "entregas" da Marvel. É um filme de super-heróis, blá, blá, blá, tudo igual aos outros. A principal diferença deste para os restantes, é que praticamente não tem actores brancos. Quer dizer, há dois, mas aparecem tão poucas vezes, que quase não conta. Seguem-se os próximos capítulos, que por este andar serão dedicados a outros "grupos" ou minorias étnicas, se os estudos de mercado que são previamente encomendados antes de se fazer estes filmes assim o "mandarem". Uma palhaçada de Ryan Coogler com Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong'o, Martin Freeman, Angela Bassett, Forest Whitaker e Andy Serkis em montes de papéis redundantes... mas uma palhaçada que dá muuuuuito dinheiro. Daí que também o elenco também tenha de ser extenso... É para continuar igual. Sem surpresas... ●○○○○

London has Fallen (de Babak Najafi) é um filme para o momento actual: explosões, socos, tiros, perseguições e terroristas "maus" que querem terminar com o "nosso modo de vida"... Bem, neste caso é mais por vingança, mas vai dar ao mesmo, até porque em termos de história e personagens é praticamente nulo. A não ser que considerem "desenvolvimento de personagens" aquelas poses catitas com as armas e os olhares profundos e vingativos... London has Fallen pega na personagens do "primeiro" filme (Olympus Has Fallen) e mete-as numa situação igual, mas noutro sítio diferente. Só para não dizer que é o "2"...
Um excelente leque de actores como Gerard Butler, Aaron Eckhart, Angela Bassett e Morgan Freeman perde aqui o seu tempo a contracenar com vários duplos e muitos efeitos especiais digitais, na tentativa de salvar um filme que no fim de contas é apenas mais uma chiclete com sabor a clichê... Vê-se e esquece-se rapidamente. ●○○○○


Contact começa com uma sequência inicial que é absolutamente genial: suga-nos directamente para os confins do Universo. Este é só um dos muitos pormenores de realização fantásticos - como a miúda que vem a correr em direcção à câmara e depois percebe-se que afinal é um reflexo no espelho - do excepcional mas sempre esquecido e menosprezado Robert Zemeckis.
Toda a parte técnica do filme está irreprensível como é comum nos filmes de Zemeckis: o som é excelente, especialmente o som criado para dar a impressão da "descoberta", os efeitos são muito bons, a montagem fluída consegue dar um andamento rápido a um filme que não é o típico de efeitos especiais/explosões/perseguições, e os actores, para além de serem muitos e bons, estão também muito bem dirigidos. Aliás, é uma mini-parada de estrelas: Jodie Foster, Matthew McConaughey, Tom Skerritt, Angela Bassett e James Woods, só para mencionar os mais conhecidos.
Contact conta a história do primeiro contacto extraterrestre à Humanidade. É uma história de Carl Sagan que curiosamente começou como um guião de cinema e que se acabou por transformar num livro. Mais tarde, daria este filme. Curioso, não? Tratado mais como ciência do que propriamente como ficção científica, Contact tem de facto um toque muito realista. Quase que parece que se fossemos mesmo contactados por extraterrestres, provavelmente a história iria desenrolar-se mais ou menos desta forma.  Cientificamente falando, faz todo o sentido.
O argumento, brilhantemente escrito, baseia-se muito naquela observação do Carl Sagan que diz que "a ausência de evidências não é evidência de ausência". Por outro lado, Sagan também observou que "alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias". Isto basicamente é a premissa de base para a procura de vida extraterreste. Mas isto tem implicações graves. Porque imaginemos que se encontra mesmo vida extraterrestre inteligente. A acontecer, diga-se, deitaria por terra praticamente todas a religiões. Basta pensar que a maior parte delas, pelo menos as mais divulgadas, têm por base a criação original e exclusiva da Humanidade. Portanto se existirem extraterrestres, o conceito de Deus criador, exclusivo, que é como o conhecemos, deixa de fazer sentido, não é verdade? E se assim for, qual seria a lógica para continuarem a existir religiões?....
Mas por outro lado, pergunto eu: então e o conceito de Deus, não é explicado por esta mesma argumentação de Carl Sagan? Parece-me que o argumento funciona para os dois lados...
Contact é por isso, mais que um filme de ficção científica, um duelo teórico: quem acredita nos extraterrrestres? Quem acredita em Deus? Quais as provas mais objectivas de um e do outro lado? Algum dia existirão provas irrefutáveis da existência de um ou do outro? E se um dia, se provar alguma coisa, irá a fé sobrepor-se à ciência? Ou vice-versa?
Carl Sagan e Robert Zemeckis tentam puxar o cobertor para os dois lados, porque também existe uma inversão óbvia na argumentação. Por exemplo, no final, é o não crente no divino (o "crente científico" por assim dizer) que acaba por ficar desamparado, implorando aos outros que acreditem em algo sem provas físicas, pedindo que tenham fé... É a suprema ironia. É provar exactamente o mesmo veneno. Se não há provas científicas que comprovem um acontecimento, como é que as pessoas vão acreditar a não ser recorrendo a esses estranho fenómeno chamado de fé?
Contact é uma disputa teológica e filosófica, sem respostas definitivas ou peremptórias. É uma tentativa séria de fazer ficção científica baseada no rigor científico. Talvez seja esta a única falha: por um lado tem uma grande carga teórica (científica e até teológica), mas por outro tenta ser "acessível" demais. O que Zemeckis quis aqui é impossível: uma mistura de precisão cientifica e filme de bilheteira. Acaba por não ser nem uma coisa nem outra. Mas isto é apenas um pormenor crítico. Sem ser a derradeira obra de ficção científica, Contact é um dos grandes filmes de ficção científica que nunca perco a oportunidade de (re)ver. ●●●●○


Estava a dar este filme na TV e por curiosidade vi na informação que era um filme do Walter Hill, apesar de estar assinado com o nome de Thomas Lee. Um melhores realizadores/produtores de sempre não pode estar relacionado com um filme mau, certo? Ter bons actores como James Spader, Angela Bassett, Robert Forster ou Lou Diamond Phillips também é um bom sinal, certo? Errado. Totalmente errado. Grande erro. Mesmo grande erro. Perdi 2 horas da minha vida a ver uma nulidade completa. Não percebi o que aconteceu com este Supernova. Pelas pessoas envolvidas, e até pela história original, tinha tudo para ser um filme, pelo menos... normal. Mas não é. É um filme totalmente a evitar. Aliás, se tivesse visto o trailer antes, nunca teria sido enganado: "If you can't stand the heat . . . get out of the universe!"... o que raio quer isto dizer?! Para ver apenas se uma pessoa estiver sozinha numa ilha deserta sem nada para fazer... ○○○○○

 
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