Para quem não conhece a história, Pennywise, o palhaço/metamorfo/alien do primeiro filme só aparece de 27 em 27 anos para aterrorizar os miúdos da povoação. Depois dos eventos do primeiro filme terem ficado mais ou menos resolvidos, Pennywise emerge novamente para uma série de macabros desenvolvimentos. No entanto, o grupo de sete miúdos já não é um grupo de sete miúdos. Entretanto, cresceram, saíram da pequena vila de Derry e por algo motivo esotérico, todos esqueceram a história original. Todos, menos um, que por coincidência foi o que nunca abandonou a vila. Novos acontecimentos aterradores levam a que se reúnam 27 anos depois no mesmo local e esperam-nos a presença maquiavélica de Pennywise para uma batalha final. Se na primeira adaptação original de It, toda a história foi misturada, aqui acabou por ficar dividida em duas partes distintas. De certa forma, faz mais sentido.
Em It: Chapter 2, toda a equipa regressa: Andy Muschietti volta à cadeira de realizador, assim como o elenco de miúdos em flashbacks: Jaeden Martell, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff. Bill Skarsgård continua a ser terrorífico (no bom sentido) como Pennywise. E ainda chega todo um novo elenco, 27 anos mais velho: Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Hader, Isaiah Mustafa, Isaiah Mustafa, Isaiah Mustafa e Isaiah Mustafa. Mas se a escolha do casting foi outra vez acertada, já o filme no seu todo acaba por ser um pouco mais desequilibrado que o primeiro. Primeiro, é longo demais, um problema recorrente do cinema moderno que parece não ter fim. E em segundo, o terror descamba muitas vezes e desnecessariamente para o gore. Também fiquei muitas vezes com a sensação de que estava a ver um remake do Nightmare on Elm Street em vez do remake do It, porque muitos dos jump scares habituais foram substituídos por cenas meio sonho, meio pesadelo, tudo envolto numa cena demasiado onírica, mas ao mesmo tempo previsível. Não me interpretem mal: acho muito bem que as referências sejam de filmes que sempre gostei, mas está na altura de fazer coisas novas em vez de andar sempre a dar no mesmo, não é verdade? Curiosamente (ou não), perto do final do filme, há uma cena perto de um cinema e o filme que estava a ser anunciado era o Nightmare on Elm Street 5... Coincidência? Talvez... talvez não. Se um dos próximos filmes de Muschietti for um remake de Elm Street, acho que já consigo responder...
Em resumo, no final fiquei um pouco desiludido. Depois da boa surpresa que foi o primeiro filme, fiquei com aquela sensação amarga de "mais do mesmo". Senti que foi uma coisa feita um pouco à pressa para responder rapidamente às boas críticas (e ao bom desempenho no box office) do primeiro filme. Ainda assim, acaba por ter bons momentos de terror aqui e ali e por isso vê-se relativamente bem. ●●○○○
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Os fãs estavam a ressacar e pediam qualquer coisa minimamente ligada aos X-men, por isso os estúdios fizeram a vontade. Dark Phoenix é mais uma entrega Marvel do Universo X-Men... repleta de nada. Valem os momentos iniciais pela cena do acidente de carro que mostra os poderes da moça que há-de ser a Phoenix. E depois não há mais nada a não ser uma narrativa repetitiva e totalmente infantil recheada de escusadas cenas de acção com efeitos especiais. É inacreditável.
Este 1 (um) de classificação é mais uma vez pelos aspectos técnicos. Mas também é única coisa que o filme tem. O resto é de uma banalidade infantil tão grande que é indescritível. É penosamente previsível e sempre a mesma coisa, vez após vez. Basta ver que o realizador, Simon Kinberg é essencialmente um produtor (dos outros X-Men) e nem tem experiência na "cadeira". Bem, estes filmes também são praticamente todos feitos em pós-produção e nos estúdio de CGI, por isso, um homem na cadeira a realizar já nem sequer faz muito sentido... Já não se aguenta esta industrialização. Para além disso, numa perspectiva de seguimento da "franquia" não faz sentido nenhum. Pelo menos é coerente nesse aspecto: estes filmes cada vez mais fazem menos sentido. Existem pura e simplesmente para alimentar a mente ávida de efeitos especiais dos "fanáticos". Até os actores (James McAvoy, Michael Fassbender, Jessica Chastain, Jennifer Lawrence, Sophie Turner) já parecem cansados de fazer estes papéis e de encarnar estas personagens. Nota-se que estão ali apenas e só pelos cachets milionários, o que diga-se, é completamente compreensível. Eu, por exemplo, no papel do Fassbender só mesmo por um balúrdio é que dava a cara por esta coisa infantilóide. Espera-se o seguimento da história, a sequela, a prequela, mais bonés, chávenas de pequeno-almoço e lancheiras para os miúdos poderem levar ao festival do Panda... ●○○○○
Este 1 (um) de classificação é mais uma vez pelos aspectos técnicos. Mas também é única coisa que o filme tem. O resto é de uma banalidade infantil tão grande que é indescritível. É penosamente previsível e sempre a mesma coisa, vez após vez. Basta ver que o realizador, Simon Kinberg é essencialmente um produtor (dos outros X-Men) e nem tem experiência na "cadeira". Bem, estes filmes também são praticamente todos feitos em pós-produção e nos estúdio de CGI, por isso, um homem na cadeira a realizar já nem sequer faz muito sentido... Já não se aguenta esta industrialização. Para além disso, numa perspectiva de seguimento da "franquia" não faz sentido nenhum. Pelo menos é coerente nesse aspecto: estes filmes cada vez mais fazem menos sentido. Existem pura e simplesmente para alimentar a mente ávida de efeitos especiais dos "fanáticos". Até os actores (James McAvoy, Michael Fassbender, Jessica Chastain, Jennifer Lawrence, Sophie Turner) já parecem cansados de fazer estes papéis e de encarnar estas personagens. Nota-se que estão ali apenas e só pelos cachets milionários, o que diga-se, é completamente compreensível. Eu, por exemplo, no papel do Fassbender só mesmo por um balúrdio é que dava a cara por esta coisa infantilóide. Espera-se o seguimento da história, a sequela, a prequela, mais bonés, chávenas de pequeno-almoço e lancheiras para os miúdos poderem levar ao festival do Panda... ●○○○○
Atomic Blonde é mais uma apropriação cinematográfica do vasto mundo da BD. Ou como lhe chamam agora, novela gráfica. Existe esta diferença importante, especialmente devido à temática. Lembro-me de quando era (mais) miúdo e as BD's eram muito mais inócuas no que dizia respeito à realidade do dia-a-dia. Daí que as BD's fizessem furor e tivessem sempre sucesso. As pessoas liam BD como uma forma de escape aos problemas do dia-a-dia e aos problemas do mundo. Entrava-se num mundo de fantasia e o truque do sucesso era exactamente esse. De há uns anos para cá as coisas foram-se misturando e as BD's tornaram-se mais realistas e começaram a tocar em temas que mais ninguém tinha coragem para tocar. Neste caso particular, o pano de fundo são o final dos anos 80 (outra vez?!), a eminente queda do Muro de Berlim e uma trama de espiões com tanta traição à mistura e tão confusa que a determinado ponto pensei que estava a ficar demasiado burro para entender o filme.
O que vale é que Atomic Blonde é um filme de acção. Tem uma uma loiraça "atómica" (percebi o trocadilho; e é uma loiraça cheia de estilo) e muitas cenas de porrada, por isso a história acaba por ser mais um acessório do que propriamente o fio condutor. Percebe-se bem porquê. David Leitch, como antigo duplo e director de cenas de porrada, é o realizador perfeito para este filme e isso nota-se nas cenas de acção impecavelmente realistas. Boas cenas de acção enquadradas numa grande fotografia, muito graças ao omnipresente néon rosa evocativo dos 80's. E claro, a música ajuda sempre, porque como já disse um milhão de vezes, não há música como a dos 80's...
Charlize Theron está impecavelmente sexy como sempre a que acresce uma agressividade pouco vista, mas o restante pessoal como James McAvoy, Eddie Marsan, John Goodman ou Toby Jones também ajudam.
Atomic Blonde é mais uma chiclete de acção, mas por estar tão bem feita e por ter aquele aspecto old school, até se vê bem. ●●○○○
O que vale é que Atomic Blonde é um filme de acção. Tem uma uma loiraça "atómica" (percebi o trocadilho; e é uma loiraça cheia de estilo) e muitas cenas de porrada, por isso a história acaba por ser mais um acessório do que propriamente o fio condutor. Percebe-se bem porquê. David Leitch, como antigo duplo e director de cenas de porrada, é o realizador perfeito para este filme e isso nota-se nas cenas de acção impecavelmente realistas. Boas cenas de acção enquadradas numa grande fotografia, muito graças ao omnipresente néon rosa evocativo dos 80's. E claro, a música ajuda sempre, porque como já disse um milhão de vezes, não há música como a dos 80's...
Charlize Theron está impecavelmente sexy como sempre a que acresce uma agressividade pouco vista, mas o restante pessoal como James McAvoy, Eddie Marsan, John Goodman ou Toby Jones também ajudam.
Atomic Blonde é mais uma chiclete de acção, mas por estar tão bem feita e por ter aquele aspecto old school, até se vê bem. ●●○○○
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A icónica história de terror/ficção científica de Frankenstein chega mais uma vez ao cinema. E como já há décadas que não vejo um filme que preste sobre Frankenstein, fiquei logo de pé atrás.
Quando percebi que a história teria um twist, e desta vez seria contada da perspectiva do "ajudante" Igor, fiquei com medo. Muito medo. É que o Igor nem sequer é uma criação que tivesse saído do clássico de Mary Shelley, portanto... medo.
Pensei logo que seria outra chachada de acção e efeitos especiais, mas surpreendentemente até é jeitoso. James McAvoy é um bom actor e o casting secundário é fixe (Jessica Brown Findlay e Andrew Scott). Só não percebi foi presença do Harry Potter (Daniel Radcliffe) em versão cabelos compridos... Ficou marcado para sempre. É o preço do sucesso. É a vida...
Victor Frankenstein surpreendeu-me positivamente porque é um filme de acção sem perseguições, socos e (muitas) explosões e apresenta a história de uma outra forma. E estranhamente até faz algum sentido. Não sei se o Max Landis aprendeu o ofício com o pai (John Landis), mas que está muito bem escrito, lá isso está. O único ponto fraco na história é a pouca visibilidade do "monstro", que tem obviamente uma importância enorme no impacto de toda a história. Mas percebo a lógica de se centrar mais no "criador" do que na "criação".
Todo a história é adulterada e é quase uma súmula de várias imprecisões e invenções das várias adaptações feitas para cinema ao longo dos anos. O que em certa parte até é engraçado porque mostra que há um ecossistema à volta da personagem de Frankenstein, por assim dizer, e a base de inspiração deixou de ser apenas o livro. O Igor, por exemplo, é uma criação do clássico filme de James Whale de 1931, apesar de nesse filme, o Igor se chamar Fritz. Também a personagem "fictícia" do irmão de Victor Frankenstein, Henry, vem do clássico de Whale. Mas há mais referências durante todo o filme, e para um fã da história como eu, acaba por ser engraçado estar a identificá-las. Já para um purista do género, estas alterações na história devem ser absolutamente lancinantes... Gostos...
Não sendo propriamente memorável, Victor Frankenstein é um bom filmito steampunk de Paul McGuigan. Não é desmiolado, é genuíno e, para variar, foi uma agradável surpresa. ●●○○○
Quando percebi que a história teria um twist, e desta vez seria contada da perspectiva do "ajudante" Igor, fiquei com medo. Muito medo. É que o Igor nem sequer é uma criação que tivesse saído do clássico de Mary Shelley, portanto... medo.
Pensei logo que seria outra chachada de acção e efeitos especiais, mas surpreendentemente até é jeitoso. James McAvoy é um bom actor e o casting secundário é fixe (Jessica Brown Findlay e Andrew Scott). Só não percebi foi presença do Harry Potter (Daniel Radcliffe) em versão cabelos compridos... Ficou marcado para sempre. É o preço do sucesso. É a vida...
Victor Frankenstein surpreendeu-me positivamente porque é um filme de acção sem perseguições, socos e (muitas) explosões e apresenta a história de uma outra forma. E estranhamente até faz algum sentido. Não sei se o Max Landis aprendeu o ofício com o pai (John Landis), mas que está muito bem escrito, lá isso está. O único ponto fraco na história é a pouca visibilidade do "monstro", que tem obviamente uma importância enorme no impacto de toda a história. Mas percebo a lógica de se centrar mais no "criador" do que na "criação".
Todo a história é adulterada e é quase uma súmula de várias imprecisões e invenções das várias adaptações feitas para cinema ao longo dos anos. O que em certa parte até é engraçado porque mostra que há um ecossistema à volta da personagem de Frankenstein, por assim dizer, e a base de inspiração deixou de ser apenas o livro. O Igor, por exemplo, é uma criação do clássico filme de James Whale de 1931, apesar de nesse filme, o Igor se chamar Fritz. Também a personagem "fictícia" do irmão de Victor Frankenstein, Henry, vem do clássico de Whale. Mas há mais referências durante todo o filme, e para um fã da história como eu, acaba por ser engraçado estar a identificá-las. Já para um purista do género, estas alterações na história devem ser absolutamente lancinantes... Gostos...
Não sendo propriamente memorável, Victor Frankenstein é um bom filmito steampunk de Paul McGuigan. Não é desmiolado, é genuíno e, para variar, foi uma agradável surpresa. ●●○○○
Neste momento, Danny Boyle é o gajo mais inventivo com uma câmara de filmar nas mãos. Disso não tenho dúvidas. E em cima desse enorme pormenor ainda é o gajo que consegue fazer bons filmes a partir das histórias mais estranhas e ao mesmo tempo mais "normais", como é o caso de Slumdog Millionaire e 127 Hours.
No entanto, Trance não se encaixa no lote dos filmes excelentes que Boyle tem no currículo. Isto porque Trance parece um cocktail: duas partes de Angel Heart, uma parte de Trainspotting e uma espremidela de Inception. Contrariamente a estes filmes, Trance não é um filme excepcional. É só mais um filme. A certa altura, pareceu-me que Danny Boyle fez o filme com intenção de treinar novos meios inventivos de usar uma câmara de filmar. Parece que Boyle estava a descomprimir e para isso fez um filme que ele gostaria de ver e não para o público. Parece que chama a isso de cinema de autor.
Mas o meu problema não é Boyle fazer um filme para se divertir ou não fazer concessões ao público (tem um nu absolutamente integral e a imagem de um gajo a levar um tiro em cheio na "coisa"); o meu problema é o filme ser totalmente desconexo e incoerente.
Trance começa por ser um filme de "golpe" com um roubo audaz de uma pintura valiosa de Goya, passa para a paranóia da hipnose e acaba não se percebe muito bem como. Parece que história foi contada várias vezes, por várias pessoas, de maneiras diferentes. Dei comigo a pensar: "não estou a perceber nada", e isto não acontece muitas vezes. Só acontece quando os filmes não são muito bons.
Até a questão dos actores é incoerente: apesar de bons (James McAvoy, Rosario Dawson e especialmente Vincent Cassel), parecem fazer parte de filmes diferentes. Foram um nítido erro de casting. Falta aquela coisa estranha a que se chama de "química".
Trance tem momentos de puro génio, mas também tem muitos momentos que são uma seca. Apesar do filme ser muito pequeno para os padrões actuais, parece muito longo e que nunca mais acabava. Isso nunca é um bom sinal. E mais do que deixar-me na dúvida, deixou-me muitas vezes confuso. Tirando o ritmo do filme que está muito bem misturado com a banda sonora e da excelente fotografia, não gostei de mais nada. Obviamente, Danny Boyle é muito melhor que isto. Fico è espera do próximo. ●●○○○
No entanto, Trance não se encaixa no lote dos filmes excelentes que Boyle tem no currículo. Isto porque Trance parece um cocktail: duas partes de Angel Heart, uma parte de Trainspotting e uma espremidela de Inception. Contrariamente a estes filmes, Trance não é um filme excepcional. É só mais um filme. A certa altura, pareceu-me que Danny Boyle fez o filme com intenção de treinar novos meios inventivos de usar uma câmara de filmar. Parece que Boyle estava a descomprimir e para isso fez um filme que ele gostaria de ver e não para o público. Parece que chama a isso de cinema de autor.
Mas o meu problema não é Boyle fazer um filme para se divertir ou não fazer concessões ao público (tem um nu absolutamente integral e a imagem de um gajo a levar um tiro em cheio na "coisa"); o meu problema é o filme ser totalmente desconexo e incoerente.
Trance começa por ser um filme de "golpe" com um roubo audaz de uma pintura valiosa de Goya, passa para a paranóia da hipnose e acaba não se percebe muito bem como. Parece que história foi contada várias vezes, por várias pessoas, de maneiras diferentes. Dei comigo a pensar: "não estou a perceber nada", e isto não acontece muitas vezes. Só acontece quando os filmes não são muito bons.
Até a questão dos actores é incoerente: apesar de bons (James McAvoy, Rosario Dawson e especialmente Vincent Cassel), parecem fazer parte de filmes diferentes. Foram um nítido erro de casting. Falta aquela coisa estranha a que se chama de "química".
Trance tem momentos de puro génio, mas também tem muitos momentos que são uma seca. Apesar do filme ser muito pequeno para os padrões actuais, parece muito longo e que nunca mais acabava. Isso nunca é um bom sinal. E mais do que deixar-me na dúvida, deixou-me muitas vezes confuso. Tirando o ritmo do filme que está muito bem misturado com a banda sonora e da excelente fotografia, não gostei de mais nada. Obviamente, Danny Boyle é muito melhor que isto. Fico è espera do próximo. ●●○○○
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