Indiana Jones é um professor universitário de arqueologia mas também é um duro aventureiro que gosta de arregaçar as mangas e se for preciso, partir para a violência. Como é especializado em antiguidades clássicas, o governo americano contrata-o para encontrar a Arca da Aliança e assim assegurar que os Nazis não lhe conseguem deitar a mão e aceder ao seu imenso poder destrutivo. Jones inicia assim uma das maiores aventuras do mundo do cinema e que durará várias décadas...
A personagem e o filme é tão conhecido, tão transversal e tão ubíquo que já faz parte do conhecimento geral. Não faz sentido estar aqui a falar do filme propriamente dito.
A minha ligação com Raiders of the Lost Ark é profunda. O contexto no qual eu vi o filme é radicalmente diferente dos dias de hoje. Vi-o pela primeira vez por volta de 1985, o que quer dizer que o vi numa autêntica realidade alternativa. Nessa altura, quando se queria ver um filme tinha de se ir ao cinema. Mas por outro lado, os VHS começavam a dar os primeiros passos e lentamente começavam a invadir a casa das pessoas. O impacto inicial dos VHS não foi assim tão marcante porque havia muito poucos filmes nesse formato. E é aqui que começa minha ligação quase umbilical ao Indiana Jones. Se já era rara a pessoa que tinha um VHS (ainda existiam inclusive muitas TVs a preto e branco!!!...), mais raro ainda era a pessoa que tinha uma cassete. Note-se que a cassete tinha de ser um original pois não havia forma de fazer cópias. Só em termos comparativos, os preços destas "coisas": uma TV: cerca de 100 contos! Um leitor VHS: cerca de 100 contos! Uma cassete original: cerca de 15 contos! Portanto, era material "profissional" que só existia nos video clubes. No entanto, um tio meu lá perdeu a cabeça e conseguiu comprar uma cassete caríssima do Raiders of the Lost Ark. O filme tinha sido um marco no cinema de acção e um gigantesco sucesso de bilheteira e por isso lembro-me de ouvir os mais velhos a falar de como era espectacular. Da cena da bola, das aranhas, dos nazis e da arca perdida. Muito antes de ver o filme, já o tinha imaginado na minha cabeça. Mas nada me preparou para o impacto de ver o filme com os meus próprios olhos. Siderei completamente, apesar de ter acontecido numa TV minúscula (quanto comparado com os tamanhos XXXL de hoje em dia). Nessa altura, sempre que ia até casa do teu tio (e eram muitas vezes...) obrigatoriamente (re)via o filme. Também não havia alternativa... Eu e o meu primo sabíamos todas as cenas de cor, todos os diálogos, tudo... Devo ter visto o Raiders of the Lost Ark umas 20 ou 30 vezes. E isto, só enquanto era miúdo, porque depois continuei a revê-lo constantemente ao longo do tempo. Se estiver a ser transmitido em algum canal de TV, simplesmente não lhe consigo resistir. Aquela música parte-me todo... Oh! Começa automaticamente a ecoar na cabeça... Não só pelo filme, mas também pela lembrança daqueles momentos antigos em que o miúdo (acho que isso aconteceu com muita gente...) queria era ter um casaco de couro, um chicote e ir por aí à aventura, em busca de um grande tesouro, derrotando os inimigos pelo caminho, nem que para isso tivesse que ficar preso num túmulo egípcio cheio de cobras e esqueletos ou que tivesse de passar por baixo de um camião em movimento.
Este é um daqueles filmes fáceis de "criticar" porque o tenho gravado integralmente na cabeça. Agora mesmo começam (novamente) a ecoar as notas da música de John Williams que é sem dúvida uma das melhores de sempre. A marcha do Raiders é um hit intemporal assim como a restante banda sonora original. Poderia estar aqui a falar de tudo o que Raiders of the Lost Ark tem de bom, mas seria entediante. É preferível enumerar o que tem de mal, porque é muito mais fácil. Nada. Não tenho um único defeito a apontar a este filme. É dos filmes mais consensuais que já encontrei, tanto entre a crítica como entre o público. Mas como em tudo na vida, há sempre quem discorde. Já li, por exemplo, que a personagem do Indiana Jones é irrelevante para o desenvolvimento da história. Se se pensar bem, na realidade, os nazis conseguem ficar mesmo com a arca, mas inadvertidamente matam-se todos no final... E o restante filme, pergunto eu? É para ignorar? Aqueles cenários? As cenas de acção memoráveis? A bola gigante de pedra? As tarântulas? As cobras? Os túmulos egípcios? O Nepal? Todas as personagens?... Há críticas que não consigo mesmo entender... Bem... para mim, não existe melhor filme de acção. É um filme moderno que parece ter estreado ontem, mas que já vai com uns consideráveis 40 anos em cima. Para mim é um daqueles filmes intemporais e perfeito do princípio ao fim. O entusiasmo é tanto sempre que falo no filme que já me esquecia de mencionar os actores. Karen Allen, Paul Freeman, John Rhys-Davies, Denholm Elliott compõe o "núcleo duro" mas não há ninguém que destaque pela negativa. E depois há Harrison Ford, "o" Indiana Jones. Li muita coisa sobre o filme e sobre como Tom Selleck era a primeira escolha e quase ficou com o papel... Não. Não. Não. Toda a lógica do universo diz que apenas Harrison Ford poderia ser o Indiana Jones. Não consigo sequer imaginar outro actor naquele papel.
Raiders of the Lost Ark tem tudo o que procuro num filme de acção: bons actores numa boa história, com um bom ritmo e uma boa banda sonora. Só falta mesmo agradecer ao homem que praticamente sozinho criou o moderno cinema de acção: Steven Spielberg. Raiders of the Lost Ark é um dos filmes da minha vida e sem dúvida o filme que mais vezes vi. É a minha referência para todos os filmes de acção e até ao dia de hoje ainda não superado. Um marco do cinema absolutamente obrigatório. ●●●●● + ●
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Durante a II Guerra Mundial, os alemães decidem mostrar que são superiores em todos os aspectos e por isso montam um evento de propaganda para mostrar supremacia também no desporto, neste caso no futebol. A ideia é fazer um jogo entre os melhores nazis e uma equipa composta por prisioneiros aliados. O jogo é marcado e está potencialmente viciado à partida, mas não é simplesmente um "jogo de futebol". Os prisioneiros aproveitam a oportunidade para fazer uma "Fuga para a Vitória".
Dirigido pelo mestre John Huston já quese no final da carreira, Victory é um filme estranho. Para falar um pouco sobre John Houston tinha de criar um novo blog: com 50 anos de carreira e com outros tantos filmes, sendo que muitos são lendas do mundo do cinema dava pano para mangas. Só vi para aí um décimo dos seus filmes... Portanto, fico-me por aqui, até porque paralelamente ainda tem toda uma carreira de actor e argumentista. É uma lenda de Hollywood. Mas estranho a razão que terá levado Houston (americano) a fazer um filme sobre futebol... Vendo o filme, percebe-se facilmente que ele não entende minimamente o desporto nem sabe muito bem como filmá-lo. Se se juntar futebolistas profissionais - que são péssimos actores -, está reunido o conteúdo perfeito para um filme ridículo. Então porque é que isso não acontece? Não sei dizer. Apesar de todos os problemas, Victory acaba por ser um filme bem jeitoso. Mesmo tendo o Sylvester Stallone a fazer de guarda-redes...
Não é o melhor filme de guerra e decidamente não é o melhor filme sobre futebol. Mas é uma oportunidade para ver lendas vivas do futebol (na altura) como Pelé, Bobby Moore e Osvaldo Ardiles em acção. E a acção é real, visto que foi o próprio "rei" Pelé que coreografou as cenas de futebol como se fossem cenas de acção. O resto do casting também são jogadores internacionais da altura. É engraçado... os jogadores tiveram de aprender a representar, mas os actores tiveram de aprender a jogar à bola... Mas à parte dos nomes grandes do desporto também há dois nomes grandes da representação: Michael Caine e Max Von Sydow. São os grandes actores do filme e dão toda a credibilidade ao filme. Para além de serem dois autênticos "senhores"...
Vi o Victory (Fuga para a Vitória, no título original português) quando era miúdo e nunca pensei muito no filme pelo filme. A única coisa que eu queria era fazer aquelas fintas e fazer aquele pontapé de bicicleta do Pelé. Acho que ainda tenho lesões nas costas dessa altura... Tirando os jogos de futebol propriamente ditos, não existiam filmes com o tema futebol. Os americanos nem sabiam o que isso era, portanto não havia (quase) filmes para ninguém. Mas com este filme, finalmente havia a dramatização do cinema a tingir o futebol e a excitação do futebol a chegar ao grande ecrã. E esta é a história perfeita. Os mais fracos a jogar contra os mais fortes, a jogar em desvantagem numérica, a perderem perto do fim... e um penalty contra mesmo no final... Bem... já me estou a entusiasmar com o jogo...
Victory não é um grande filme e muito menos é um filme sobre prisioneiros de guerra nazis. Obviamente que não. É uma relíquia perdida no tempo que fala basicamente de outra coisa: quando se juntam pessoas, por muito diferentes que sejam, mas com um objectivo inabalável comum, mesmo contra todas as adversidades é muito difícil pará-las. É sobre querer ganhar mesmo quando parece impossível. Victory é sobre o esforço, a humildade e a perseverança. Como outros filmes de fugas aos nazis, Victory é um filmito que me ficou para sempre gravado. ●●●○○
PS: Nos bastidores do filme ficou célebre uma cena. Teoricamente, Sylvester Stallone era o grande nome de cartaz (Rocky já era uma instituição...) e por isso queria ter a grande cena do filme que era marcar o golo da vitória... no entanto tinha o papel de guarda-redes. Os jogadores profissionais, incluindo Pelé achavam a ideia absolutamente ridícula... Um guarda-redes a marcar golos, onde é que já se viu?... No entanto em tempos mais recentes, os guarda-redes começaram a sair das áreas e a marcar golos... E se alguém ainda se lembra, o Ricardo um dia tirou as luvas e defendeu um penalty. Mas para além de defender ainda foi marcar o penalty decisivo... Afinal o Stallone é que percebia disto...
Dirigido pelo mestre John Huston já quese no final da carreira, Victory é um filme estranho. Para falar um pouco sobre John Houston tinha de criar um novo blog: com 50 anos de carreira e com outros tantos filmes, sendo que muitos são lendas do mundo do cinema dava pano para mangas. Só vi para aí um décimo dos seus filmes... Portanto, fico-me por aqui, até porque paralelamente ainda tem toda uma carreira de actor e argumentista. É uma lenda de Hollywood. Mas estranho a razão que terá levado Houston (americano) a fazer um filme sobre futebol... Vendo o filme, percebe-se facilmente que ele não entende minimamente o desporto nem sabe muito bem como filmá-lo. Se se juntar futebolistas profissionais - que são péssimos actores -, está reunido o conteúdo perfeito para um filme ridículo. Então porque é que isso não acontece? Não sei dizer. Apesar de todos os problemas, Victory acaba por ser um filme bem jeitoso. Mesmo tendo o Sylvester Stallone a fazer de guarda-redes...
Não é o melhor filme de guerra e decidamente não é o melhor filme sobre futebol. Mas é uma oportunidade para ver lendas vivas do futebol (na altura) como Pelé, Bobby Moore e Osvaldo Ardiles em acção. E a acção é real, visto que foi o próprio "rei" Pelé que coreografou as cenas de futebol como se fossem cenas de acção. O resto do casting também são jogadores internacionais da altura. É engraçado... os jogadores tiveram de aprender a representar, mas os actores tiveram de aprender a jogar à bola... Mas à parte dos nomes grandes do desporto também há dois nomes grandes da representação: Michael Caine e Max Von Sydow. São os grandes actores do filme e dão toda a credibilidade ao filme. Para além de serem dois autênticos "senhores"...
Vi o Victory (Fuga para a Vitória, no título original português) quando era miúdo e nunca pensei muito no filme pelo filme. A única coisa que eu queria era fazer aquelas fintas e fazer aquele pontapé de bicicleta do Pelé. Acho que ainda tenho lesões nas costas dessa altura... Tirando os jogos de futebol propriamente ditos, não existiam filmes com o tema futebol. Os americanos nem sabiam o que isso era, portanto não havia (quase) filmes para ninguém. Mas com este filme, finalmente havia a dramatização do cinema a tingir o futebol e a excitação do futebol a chegar ao grande ecrã. E esta é a história perfeita. Os mais fracos a jogar contra os mais fortes, a jogar em desvantagem numérica, a perderem perto do fim... e um penalty contra mesmo no final... Bem... já me estou a entusiasmar com o jogo...
Victory não é um grande filme e muito menos é um filme sobre prisioneiros de guerra nazis. Obviamente que não. É uma relíquia perdida no tempo que fala basicamente de outra coisa: quando se juntam pessoas, por muito diferentes que sejam, mas com um objectivo inabalável comum, mesmo contra todas as adversidades é muito difícil pará-las. É sobre querer ganhar mesmo quando parece impossível. Victory é sobre o esforço, a humildade e a perseverança. Como outros filmes de fugas aos nazis, Victory é um filmito que me ficou para sempre gravado. ●●●○○
PS: Nos bastidores do filme ficou célebre uma cena. Teoricamente, Sylvester Stallone era o grande nome de cartaz (Rocky já era uma instituição...) e por isso queria ter a grande cena do filme que era marcar o golo da vitória... no entanto tinha o papel de guarda-redes. Os jogadores profissionais, incluindo Pelé achavam a ideia absolutamente ridícula... Um guarda-redes a marcar golos, onde é que já se viu?... No entanto em tempos mais recentes, os guarda-redes começaram a sair das áreas e a marcar golos... E se alguém ainda se lembra, o Ricardo um dia tirou as luvas e defendeu um penalty. Mas para além de defender ainda foi marcar o penalty decisivo... Afinal o Stallone é que percebia disto...
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Durante muito anos, ouvi falar de um filme de guerra que supostamente era o melhor de sempre. Tive a sorte e o privilégio de poder assistir a uma reposição numa sala de cinema. Ia com a expectativa no máximo, o que nunca é bom, porque pode facilmente derrapar para a decepção. Na realidade, o filme é bastante longo e lento, mas isso já sabia. Como tinha a sensação que ia ser uma visualização dura, preparei-me mentalmente, mais como se fosse encaminhado para um experiência nova do que para ir ver um "simples" filme.
Um filme de guerra baseado em eventos verídicos, passado na Bielorrússia, onde durante a II Guerra Mundial, um quarto da população daquele país foi chacinada pelos nazis, e tudo isto observado, durante mais de 2 horas, pelos olhos de um adolescente, eu já sabia que não ia ser fácil de ver. O filme começou e para ser totalmente sincero, ao fim de 30 minutos já começava a pensar que tinha sido enganado. O filme é absurdamente lento parece que não tem uma direcção definida e as personagens parecem todas meio loucas. A história parecia que não ia passar daquilo. Ao fim de quase uma hora de filme estive quase a desistir. As performances hiper-exageradas dos actores, mais teatrais que outra coisa, o contínuo do som estridentemente irritante e a lentidão exacerbante da narrativa estavam a dar cabo de mim, tanto mentalmente, mas até fisicamente. Tinha dores nas costas e estava irrequieto numa sala de cinema reconhecida pelas suas cadeiras desconfortáveis. Mas então, tal como as bombas que repentinamente caiam sobre as personagens, de repente, as coisas mudaram.
Vem e Vê (Idi i smotri, no título original) começa verdadeiramente a ganhar tração. Todo aquele tempo, que pareceu desperdiçado, era uma espécie de preparação mental para o que vinha a seguir. A partir daí, começa a entrar nos campos do sublime. A loucura toma conta do filme e a determinada altura, esqueci-me que estava a ver uma peça cinematográfica. Tornou-se verdadeiramente numa experiência. Entra-se num cenário de guerra. Sente-se o terror. Cheira-se a loucura. O zumbido constante torna-se numa linha de continuidade a que uma pessoa se quer agarrar.
Vem e Vê é um dos poucos filmes de guerra em que se começa a detestar a guerra. Ela não é dramatizada ou glorificada; é odiada. Por isso é que Vem e Vê é um dos grande clássicos do cinema. É um filme de guerra potente porque Elem Klimov nos" obriga" a olhar para o ecrã, para aquelas atrocidades todas e a pensar que aquilo não é natural; aquilo não deveria existir. Como é que situações daquelas foram possíveis? Vem e Vê mexe com o cérebro de uma pessoa. É um daqueles filmes que não se esquece porque é como estar a ver o Inferno na Terra. Tecnicamente é irrepreensível, mas a nível dos actores é algo do outro mundo. É duma intensidade que dá arrepios na espinha. Aleksey Kravchenko. Uou! Que tour-de-force. Que coisa espantosa para um miúdo. Uma actuação única e para a história. Nem parece verdade. Parece que o miúdo não está a representar um papel num filme. A determinada altura, parece que ele viveu mesmo todos aqueles momentos horrendos. Ao seu lado, um fantasma. Não sei a experiência foi demasiado perturbadora, mas Olga Mironova não fez mais filmes depois deste. E mesmo com a net intrusiva que temos hoje em dia, boa sorte a tentar encontrar uma biografia. Um mistério...
E depois, o final. Um dos melhores finais de todos os tempos. Quando uma pessoa, começa finalmente a respirar de alívio porque percebe que o filme caminha para o seu términus, Vem e Vê pega nos nossos neurónios e leva-nos a dar uma volta fantasiosa para trás no tempo. Depois põe-me em lágrimas com a música mais bela e triste de sempre e impõe uma questão bastante pertinente: e se pudéssemos voltar atrás no tempo para evitar tudo aquilo que se acabou de ver? E se para isso fosse preciso fazer "aquilo"? (não quero estragar o final, porque esta é a melhor parte). E é essa questão que ainda permanece em disputa na minha cabeça, tanto tempo depois de ver o filme. Há muito poucos filmes que me põe realmente a pensar e em que eu não tenho uma reposta concreta e absoluta. Vem e Vê é um deles. Confrontado com aquela situação final, o que faria eu? Sinceramente não sei responder e mesmo que conseguisse responder, não sei que o conseguiria concretizar. Este é o poder dos grandes filmes. Perduram nos nossos cérebros para sempre. Vem e Vê muito provavelmente só sairá do meu circuito de neurónios, quando eles deixarem de funcionar. Vem e Vê correspondeu totalmente ao que esperava. É uma obra essencial e obrigatória. ●●●●●
Um filme de guerra baseado em eventos verídicos, passado na Bielorrússia, onde durante a II Guerra Mundial, um quarto da população daquele país foi chacinada pelos nazis, e tudo isto observado, durante mais de 2 horas, pelos olhos de um adolescente, eu já sabia que não ia ser fácil de ver. O filme começou e para ser totalmente sincero, ao fim de 30 minutos já começava a pensar que tinha sido enganado. O filme é absurdamente lento parece que não tem uma direcção definida e as personagens parecem todas meio loucas. A história parecia que não ia passar daquilo. Ao fim de quase uma hora de filme estive quase a desistir. As performances hiper-exageradas dos actores, mais teatrais que outra coisa, o contínuo do som estridentemente irritante e a lentidão exacerbante da narrativa estavam a dar cabo de mim, tanto mentalmente, mas até fisicamente. Tinha dores nas costas e estava irrequieto numa sala de cinema reconhecida pelas suas cadeiras desconfortáveis. Mas então, tal como as bombas que repentinamente caiam sobre as personagens, de repente, as coisas mudaram.
Vem e Vê (Idi i smotri, no título original) começa verdadeiramente a ganhar tração. Todo aquele tempo, que pareceu desperdiçado, era uma espécie de preparação mental para o que vinha a seguir. A partir daí, começa a entrar nos campos do sublime. A loucura toma conta do filme e a determinada altura, esqueci-me que estava a ver uma peça cinematográfica. Tornou-se verdadeiramente numa experiência. Entra-se num cenário de guerra. Sente-se o terror. Cheira-se a loucura. O zumbido constante torna-se numa linha de continuidade a que uma pessoa se quer agarrar.
Vem e Vê é um dos poucos filmes de guerra em que se começa a detestar a guerra. Ela não é dramatizada ou glorificada; é odiada. Por isso é que Vem e Vê é um dos grande clássicos do cinema. É um filme de guerra potente porque Elem Klimov nos" obriga" a olhar para o ecrã, para aquelas atrocidades todas e a pensar que aquilo não é natural; aquilo não deveria existir. Como é que situações daquelas foram possíveis? Vem e Vê mexe com o cérebro de uma pessoa. É um daqueles filmes que não se esquece porque é como estar a ver o Inferno na Terra. Tecnicamente é irrepreensível, mas a nível dos actores é algo do outro mundo. É duma intensidade que dá arrepios na espinha. Aleksey Kravchenko. Uou! Que tour-de-force. Que coisa espantosa para um miúdo. Uma actuação única e para a história. Nem parece verdade. Parece que o miúdo não está a representar um papel num filme. A determinada altura, parece que ele viveu mesmo todos aqueles momentos horrendos. Ao seu lado, um fantasma. Não sei a experiência foi demasiado perturbadora, mas Olga Mironova não fez mais filmes depois deste. E mesmo com a net intrusiva que temos hoje em dia, boa sorte a tentar encontrar uma biografia. Um mistério...
E depois, o final. Um dos melhores finais de todos os tempos. Quando uma pessoa, começa finalmente a respirar de alívio porque percebe que o filme caminha para o seu términus, Vem e Vê pega nos nossos neurónios e leva-nos a dar uma volta fantasiosa para trás no tempo. Depois põe-me em lágrimas com a música mais bela e triste de sempre e impõe uma questão bastante pertinente: e se pudéssemos voltar atrás no tempo para evitar tudo aquilo que se acabou de ver? E se para isso fosse preciso fazer "aquilo"? (não quero estragar o final, porque esta é a melhor parte). E é essa questão que ainda permanece em disputa na minha cabeça, tanto tempo depois de ver o filme. Há muito poucos filmes que me põe realmente a pensar e em que eu não tenho uma reposta concreta e absoluta. Vem e Vê é um deles. Confrontado com aquela situação final, o que faria eu? Sinceramente não sei responder e mesmo que conseguisse responder, não sei que o conseguiria concretizar. Este é o poder dos grandes filmes. Perduram nos nossos cérebros para sempre. Vem e Vê muito provavelmente só sairá do meu circuito de neurónios, quando eles deixarem de funcionar. Vem e Vê correspondeu totalmente ao que esperava. É uma obra essencial e obrigatória. ●●●●●
Nazis e zombies são uma combinação explosiva desde os tempos do Wolfenstein 3D, que para quem não conhece é um jogo de computador tão antigo que o 3D ainda era em 2D... E, tirando a questão da antiguidade, pouco difere deste Overlord (realizado por Julius Avery). Sangue, gore, tiros, explosões e um casting (Jovan Adepo, Wyatt Russell, Mathilde Ollivier, Pilou Asbæk) que é tantas vezes lançado ao ar pelas ubíquas explosões que é raro vê-los com os pés no chão... Mais uma chachada sem grande sentido que apenas viu a luz do dia porque tinha a chancela mágica (que é como quem diz... $$$!) do J.J. Abrams... ●○○○○
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Quando saiu da prisão, condenado por matar dois negros que lhe tentaram roubar o carro, um antigo skinhead tenta evitar que o irmão mais novo siga os mesmo trilhos perigosos e errados. Neo-nazis, questões raciais e sociais fracturantes e cinzentas, a perda da influência paternal e as más influências, um ciclo de violência que é errático e que ataca quem está ao nosso lado. Tudo isto são temas muito difícies de pegar e especialmente ambíguos para mostrar em filme. Por isso mesmo, American History X não é propriamente um filme fácil. Desde aquele "momento" no lancil do passeio, passando pelo chuveiro da prisão até ao final imprevisível mas traumático, tudo neste filme é musculado e duro. É um mergulho num mundo violento, a "preto e branco" e pouco conhecido da sociedade. Um vislumbre do submundo dos skinheads e da supremacia racial branca. Apesar de ser um filme de 1998, é irónico que alguns discursos do filme encaixem perfeitamente na retórica do actual presidente americano, Donad Trump, o que ajuda a perceber melhor porque esta administralção é recorrentemente acusada de ser racista e conotada (ou colada) com a propaganda da supremacia branca. Este tema/trauma racial é latente na sociedade americana, daí que seria uma boa altura para rever o filme e perceber o quão actual se mantém. Curiosamente, se o filme fosse lançado neste momento é provável que fosse extremamente polémico e traria ainda mais gasolina para a fogueira do debate público. É caso para dizer que um tema desta magnitude nunca sai de cima da mesa da actualidade...
American History X é realizado na perfeição por Tony Kaye, que nos vai levando para a frente e para trás na história (brilhante fotografia a preto e branco) para mostrar um drama intimista e familiar com toques de conto moral mas sem ser objetivamente moralista. Impecável. Ninguém diria que Kaye teve grandes discordâncias com o corte final, a ponto de querer (e processar o estúdio) para retirar o seu nome dos créditos do filme. É um dos poucos casos em que o realizador não gosta na peça final, mas que aparentemente tudo acaba por se conjugar na perfeição.
Beverly D'Angelo, Elliott Gould, Stacy Keach, Edward Furlong e em especial destaque Edward Norton, no papel irreconhecível de um musculado skinhead arrependido, todos dão uma prestação espectacular e inesquecível. A realização é limpa, impecável e a história circular de violência é quase um pequeno conto moderno. Não poderia pedir mais. American History X é um grande filme e está recomendadíssimo. ●●●●○
American History X é realizado na perfeição por Tony Kaye, que nos vai levando para a frente e para trás na história (brilhante fotografia a preto e branco) para mostrar um drama intimista e familiar com toques de conto moral mas sem ser objetivamente moralista. Impecável. Ninguém diria que Kaye teve grandes discordâncias com o corte final, a ponto de querer (e processar o estúdio) para retirar o seu nome dos créditos do filme. É um dos poucos casos em que o realizador não gosta na peça final, mas que aparentemente tudo acaba por se conjugar na perfeição.
Beverly D'Angelo, Elliott Gould, Stacy Keach, Edward Furlong e em especial destaque Edward Norton, no papel irreconhecível de um musculado skinhead arrependido, todos dão uma prestação espectacular e inesquecível. A realização é limpa, impecável e a história circular de violência é quase um pequeno conto moderno. Não poderia pedir mais. American History X é um grande filme e está recomendadíssimo. ●●●●○
Os eventos passados em Dunkirk são decisivos na história da Segunda Guerra Mundial e consequentemente na história do mundo. Sem o salvamento destes soldados presos na praia e cercados de alemães, é provável que a Inglaterra tivesse sucumbido e a Alemanha Nazi tivesse mesmo conquistado toda a Europa e quem sabe o mundo hoje, seria um mundo totalmente diferente... É uma daquelas histórias de guerra que para além de diferentes do habitual (são os civis que salvam os soldados e não o contrário), também não é muito conhecida, talvez ofuscada pela grande manobra de acção e bravura que foi o desembarque na Normandia. Por isso, é sempre bom ser relembrado e informado de factos menos conhecidos. Este Dunkirk, de Christopher Nolan é isto e muito mais, mas tem algumas falhas. E quando eu digo "falhas", não são "falhas", mas apenas aspectos que não conjugam muito bem com o que gosto de ver num filme de guerra.
Estar a ver um filme como o Dunkirk é como estar a apreciar uma obra arquitectónica de Alvar Aalto. É bonito e minimalista mas demasiado impessoal. E Dunkirk é um bocado assim. As personagens são demasiado robotizadas. Eu percebo a lógica: desumanizar as personagens para transmitir a desumanização do soldado e da própria guerra. Neste caso, acho que Nolan foi longe demais e as personagens tornaram-se quase zombies, sem acção, sem emoções, sem personalidade... apenas têm uma presença física. Percebo, mas não gosto. Tornou-se demasiado não-emocional.
A narrativa não-linear é um pouco confusa e também não ajuda a cimentar a importância e o desespero dos soldados. Também a entendo mas também não gostei porque não é totalmente perceptível. Percebo a lógica temporal dispersa pela areia, pela água e pelo ar. E provavelmente até foi mesmo o que os soldados sentiram naqueles instantes angustiantes, mas essa sensação não passou pelo ecrã. Tal como os actores (Mark Rylance, Tom Hardy, Cillian Murphy, Kenneth Branagh, Fionn Whitehead, Damien Bonnard), apenas estão lá...
Mas apesar disto tudo, Dunkirk é uma obra de arte lindíssima. Belo som, maravilhosas imagens e planos de câmara de deixar um gajo de boca aberta. Parece-me que este Dunkirk é mais uma experiência do que propriamente um filme. Nolan quis experimentar um novo tipo de cinema e apoiou-se neste elenco jovem para o fazer. Cheira quase a preparação para algo grande que vem a seguir. É uma obra de arte cinematográfica minimalista e algo diferente no já longo e muito bem preenchido currículo de Nolan.
Apesar de não ser excepcional e de optar por ir para campos que não são do meu gosto, é um belíssimo filme de guerra que sem dúvidas, recomendaria sempre. E vem confirmar aquilo que toda a gente já percebeu, mas não quer dizer: Christopher Nolan é o melhor, mais eclético, perfecionista, puro e verdadeiro realizador do momento. ●●●○○
Estar a ver um filme como o Dunkirk é como estar a apreciar uma obra arquitectónica de Alvar Aalto. É bonito e minimalista mas demasiado impessoal. E Dunkirk é um bocado assim. As personagens são demasiado robotizadas. Eu percebo a lógica: desumanizar as personagens para transmitir a desumanização do soldado e da própria guerra. Neste caso, acho que Nolan foi longe demais e as personagens tornaram-se quase zombies, sem acção, sem emoções, sem personalidade... apenas têm uma presença física. Percebo, mas não gosto. Tornou-se demasiado não-emocional.
A narrativa não-linear é um pouco confusa e também não ajuda a cimentar a importância e o desespero dos soldados. Também a entendo mas também não gostei porque não é totalmente perceptível. Percebo a lógica temporal dispersa pela areia, pela água e pelo ar. E provavelmente até foi mesmo o que os soldados sentiram naqueles instantes angustiantes, mas essa sensação não passou pelo ecrã. Tal como os actores (Mark Rylance, Tom Hardy, Cillian Murphy, Kenneth Branagh, Fionn Whitehead, Damien Bonnard), apenas estão lá...
Mas apesar disto tudo, Dunkirk é uma obra de arte lindíssima. Belo som, maravilhosas imagens e planos de câmara de deixar um gajo de boca aberta. Parece-me que este Dunkirk é mais uma experiência do que propriamente um filme. Nolan quis experimentar um novo tipo de cinema e apoiou-se neste elenco jovem para o fazer. Cheira quase a preparação para algo grande que vem a seguir. É uma obra de arte cinematográfica minimalista e algo diferente no já longo e muito bem preenchido currículo de Nolan.
Apesar de não ser excepcional e de optar por ir para campos que não são do meu gosto, é um belíssimo filme de guerra que sem dúvidas, recomendaria sempre. E vem confirmar aquilo que toda a gente já percebeu, mas não quer dizer: Christopher Nolan é o melhor, mais eclético, perfecionista, puro e verdadeiro realizador do momento. ●●●○○
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A história dos últimos dias de Adolf Hitler é contada por Traudl Junge (Alexandra Maria Lara) uma secretária contratada pouco antes da queda do III Reich e da capitulação alemã. Em 1945, a Alemanha Nazi está prestes a sucumbir à invasão do Exército Soviético. Hitler e uma série de fanáticos seguidores fecham-se num bunker em Berlim e, através de planos desesperados esperam ainda derrotar o inimigo e reganhar supremacia. Ao passo que alguns líderes de topo como Speer, Himmler ou Goring fogem de uma derrota anunciada, outros, como Goebbels (Ulrich Matthes), trazem as suas famílias para o bunker e juram fidelidade até à morte. Der Untergang é uma rara oportunidade para conhecer melhor os últimos dias de um ditador totalmente bipolar, que oscila entre a paranóia, a euforia, o optimismo, a depressão e o suicídio.
Já tinha ouvido falar deste filme pelos melhores motivos. Não desiludiu. Apesar de ser uma produção pequena, alguns bons pormenores sobressaem. Desde logo, está muito bem realizado (Oliver Hirschbiegel); depois a história está muito bem escrita, mas acima de tudo o que sobressai mais é a interpretação de Bruno Ganz como um Hitler desorientado e no período final de vida. Excelente. Quase que se consegue sentir a decadência da própria personagem. Sem dúvida nenhuma, uma das melhores interpretações dos últimos anos. Der Untergang (traduzido para português como "A queda de Adolf Hitler") é um bom filme, que merece ser visto. ●●●○○
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