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Vamos lá directos ao assunto. Depois de Suicide Squad descambar em sucesso de bilheteira (WTF?!! Como é que isso foi possível?!?), decidiram fazer um spin-off e pegar na única personagem que tinha alguma lógica. E assim chega aos ecrãs Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of one Harley Quinn. Para além de ter o título mais parvo dos últimos anos, é também o filme mais idiota que vi nos últimos tempos. Tem cenas de porrada em câmara lenta e uma história levezinha para permitir que as personagens progridam pelas várias cenas de porrada até ao final do filme. Para piorar ainda mais a coisa, há uma narrativa hiperactiva, cheia de flashbacks, flashfowards e flashcoisos, a tentar imitar os primeiros filmes de Tarantino, para parecer que é uma coisa super-inteligente. Só que não. É isto: porrada e um vislumbre de uma narrativa como se ele estivesse a formar-se na cabeça de um viciado de crack... Isto é mais uma chachada igual a tantas outras, com a agravante de ser bastante pior. A principal diferença é que é tudo copiado. É uma espécie de Deadpool mas sem piada É uma espécie de Jack Sparrow mas sem estilo. Tudo bem. Nada de novo no panorama cinematográfico actual.
Ok. Mas há algo mais para dizer. Vamos lá a falar do elefante na sala.
Realizado por Cathy Yan e escrito por Christina Hodson, Birds of Prey é uma obra de propaganda girl power. Mais. No mínimo isto é propaganda feminista, no máximo é uma obra misandrista. Tive de ir pesquisar para ver se existia um termo contrário a misógino. Porque é mesmo isso que é este Birds of Prey. São demasiadas evidências, são demasiados pormenores, são demasiadas referências. Quem quiser que veja o que quiser. E isto foi o que eu vi. Aqui, qualquer velhinha de 98 anos consegue derrotar a soco um calmeirão musculado de 2 metros de altura. Aqui o animal de estimação da Harley é uma hiena, pormaior de relevância visto que as hienas são socialmente matriarcais... e um dos animais mais agressivos do mundo selvagem. Mas isto é apenas um pormenor, porque o filme é todo assim. Ewan McGregor e o seu fiel companheiro, Chris Messina estão lá apenas para fazerem de misóginos nojentos. Como qualquer homem do filme, são sádicos, vis e gostam de maltratar e humilhar as mulheres. As pinturas no quarto dele são ofensivamente violentas, ele está constantemente a humilhar e, mais uma vez o pormenor, ele é o líder de uma série de gajos sujos e violentos que andam sempre de máscaras a esconder a cara... É um bocadinho demais, não é? Eu acho ridículo...
Eu compreendo esta nova aproximação feminista no cinema, porque durante muitos anos foram relegadas para segundo plano. Seria justo que tivessem tanto protagonismo como os homens. Acho isso muito bem. Mas quando um filme apresenta os homens como sendo a escória do mundo, acho que a coisa já passa o limite do razoável. #notmetoo. Já chega disto...
Margot Robbie, Rosie Perez, Mary Elizabeth Winstead, Jurnee Smollett-Bell, Dinah Lance e Ella Jay Basco são mulheres invencíveis e como autênticos super-heróis, à porrada, fazem em picadinho qualquer gajo que encontrem pelo caminho, mesmo que sejam às centenas e estejam armados até aos dentes. E não há mais nada para dizer... Quem quiser que tire as suas ilações. A mim já chateia esta coisa do girl power e da emancipação. Tudo o que é demais é erro...
Se a intenção era mostrar que as mulheres podem ser mais fortes que os homens, e neste caso da ficção, queriam criar uma heroína forte e carismática, acho que a intenção saiu totalmente ao lado. O melhor que a dupla Cathy Yan/Christina Hodson deveria fazer era ver umas 12 vezes seguidas o Wonder Woman da Patty Jenkins e da Gal Gadot, e tentar aprender umas coisas. Aí sim, tinham a planta perfeita para um bom filmito de acção com uma excelente heroína que não fica atrás de nenhum homem. Em última análise, o que este filme prova, é que existe uma igualdade muito nivelada, porque tanto homens como mulheres, conseguem fazer filmes de merda. Só me chateia a Margot Robbie que merecia uma coisinha melhor. ○○○○○

Tal como previsto para a saga de produtos Fast & Furious, aqui está um spin-off, a que gosto de chamar "Calvin & Hobbs". Acho que é mais apropriado... E, por muito que tente, pouco mais há a dizer. Dwayne Johnson e Jason Statham andam à porrada e insultam-se constantemente (como se fosse a brincar, mas pelo que li até foi mais ou menos a sério...) até descobrirem que Idris Elba é um perigoso criminoso cibernético (!??) que põe o mundo em sobressalto... Vanessa Kirby está ali porque tem umas curvas jeitosas e também porque hoje em dia é quase obrigatório ter uma mulher que dê porrada em homens, e finalmente Helen Mirren aparece para dar um pouco de credibilidade à coisa, o que seguramente não acontece, porque é literalmente impossível. David Leitch faz de realizador, mas na verdade é um ex-duplo, daí que esteja totalmente à vontade para fazer uma coisa destas, sendo que "uma coisa destas" é o Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw, uma espécie de Fast & Furious com a sua inevitável ligação emocional à "famiglia", mas em versão Ilhas Samoa... E pronto, é isto... Espera-se a sequela ou um novo spin-off de animação baseado naquele cão que corre atrás do carro do Vin Diesel na parte 3 da franchise... ●○○○○

Venom... Mais um spin-off, mais um derivativo qualquer do universo da BD da não sei das quantas, mais um filme de "bonecada" digital sem o menor pingo de nada... Vale pelo Tom Hardy (gajo que curto valentemente e que não percebo o que está a fazer aqui...) e pouco mais. Andam por lá outros actores (Woody Harrelson, Michelle Williams) mas tudo o resto é acessório. Só conta mesmo a acção e mais nada. É o blockbuster do costume. Bem, não vale a pena gastar o meu latim numa coisa tão fraca. Por isso vou falar de outra coisa.
Numa entrevista após a saída do filme, o co-criador da personagem Todd McFarlane, insurgiu-se com as críticas negativas e disse que os críticos são demasiado velhos para apreciar o filme. Sem ser textual, ele disse que os críticos entram no cinema com os seus 40 e tal anos e depois saem para dizer que o filme foi uma merda. Mas que quando o público tem 16 anos, vai ver o filme e acha um espectáculo. Os miúdos adoram.
É exactamente isso que eu também acho. Se tivesse 16 anos adoraria o filme. Quanto tinha 16 anos, os filmes de entretenimento nem chegavam aos calcanhares destes. Só havia um blockbuster por ano e apenas existiam heróis de acção (nem sequer tinham super-poderes) e um deles era o Van Damme... Puff! Isto agora é mesmo para meninos... Os filmes nem sequer tinham efeitos especiais, meu! Por isso, claro que os miúdos de 16 anos - de agora - adoram o filme. Tem efeitos especiais a rodos, transformações digitais, violência desnecessária, má linguagem aos pontapés, uma história linear - para ser percebida por qualquer miúdo que curta video-jogos (e são quase todos) -, gajos constantemente a voar em todas as direções, pancadaria velha e explosões a cada 3 minutos. Isto de facto, é o que qualquer miúdo de 16 anos adora. Não tenho dúvidas disso. Mas isso não invalida o facto de o crítico ter na mesma os 40 e tal anos, pois não? Nem o facto de ele achar que o filme é de facto uma merda, porque o filme não foi feito para ele; foi feito para o tal miúdo de 16 anos. Pergunta lá ao miúdo de 16 anos o que é que ele achou daquele clássico do Kubrick? Ou do novo filme do Michael Haneke? Aposto que a a resposta seria... "uma merda"! "As pessoas só falam!" "Não há socos e nem uma única explosão!"...
Se se faz um filme exclusivamente para um público não se pode querer agradar ao outro. Não se pode ter o crítico e a bilheteira na mesma mão. Ou se tem uma coisa ou se tem a outra. É tão simples como isso. É a vida. Ou será que ele prefere trocar os 900 milhões de receita de bilheteira por uma excelente crítica reconhecida internacionalmente? Não me parece... ●○○○○

 
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