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Num dia tão normal quanto tantos outros, a Terra (que é como quem diz a América...) é invadida por marcianos com grandes cérebros. Inteligentes, beligerantes e com um sentido humor absolutamente mortífero. Eis Mars Attacks!, versão Tim Burton.
Descobri que a ideia deste estranho Mars Attacks! partiu de um jogo de cartas criado por Len Brown e Woody Gelman e ilustrado por Norm Saunders. A estética está lá toda, só faltava mesmo uma história que unisse as personagens. Tim Burton, obviamente um apaixonado pelos filmes foleiros, tipo série C (ou D... conforme o mais baixo orçamento possível...), do género Ed Wood (pouco tempo antes tinha-lhe prestado uma homenagem com o filme do mesmo nome...) decidiu pegar nas personagens e tornar todo o filme numa visão sarcástica da América. Ele goza com os americanos no geral, com o Governo, com os Militares, com a influência da televisão e com a degradação da cultura. Ninguém fica a salvo do comentário incisivo e satírico de Burton. Provavelmente foi por causa disso que o filme não foi muito bem recebido. Ok. A aproximação tipo paródia desmiolada também pode ter ajudado às críticas, mas dar o salto da comédia para a pura sátira não costuma dar bons resultados... Parece-me que a maior parte das vezes, o público não entende bem a mensagem.
Tim Burton vinha de uma série de sucessos de bilheteira e crítica, uns atrás dos outros. Parecia imparável e parecia que podia fazer e dizer o que quisesse. Mars Attacks!, juntamente com o anterior Ed Wood, marcaram uma inflexão nas críticas positivas. Acho que a crítica também não vai muito à bola com a sátira. Mas apesar da baixa nas críticas, Burton continuou a ser um nome com que qualquer actor queria trabalhar. Mars Attacks! é um filme meio louco, mas mesmo assim conseguiu juntar um casting com nomes de peso que só se conseguem encontrar em grandes produções destinadas aos melhores Óscares. Os nomes são mesmo de peso: Jack Nicholson, Glenn Close, Annette Bening, Pierce Brosnan, Danny DeVito, Martin Short, Sarah Jessica Parker, Michael J. Fox, Rod Steiger, Lukas Haas, Natalie Portman e o mais importante de todos, o Tom Jones, que com a sua música funky consegue finalmente... bem o melhor é mesmo ver. Parecia que toda a gente queria entrar neste filme...
Mars Attacks! é tão fora da caixa e tão louco que vai deixar poucas pessoas indiferentes. Este é um daqueles filmes que se ama ou se odeia. Não tem meio termo. Não desgosto, mas prefiro a parte mais gótica e a loucura mais controlada do Tim Burton... ●●●○

Não sou um grande fã de remakes. Mas por vezes, passam tantos anos desde que o filme original saiu que é quase uma obrigação refazê-lo. No entanto, quando se toca num clássico como The War of the Worlds é preciso ter muita atenção como se vai pegar na coisa. Dou graças por ter sido o Steven Spielberg a pegar no filme original e dar-lhe uma nova roupagem para o século XXI. Apenas uma pessoa naturalmente talentosa para o cinema e que tem grande respeito pelos filmes, é que poderia pegar nisto em condições. E Spielberg foi muito inteligente na forma como o fez.
Não só pegou na história original do livro e foi buscar os elementos que só poderiam ser criados visualmente agora, como foi buscar também todos os melhores elementos do filme original, mesmo os que não sendo da história, de certa forma foram marcantes. Seria engraçado ver os dois filmes lado a a lado, juntamente com uma leitura do livro para perceber isto melhor. Gene Barry e Ann Robinson, os actores originais do primeiro filme têm um pequeno papel no final deste, e isso só prova o quanto Spielberg elogia o filme original. Respeito é uma coisa muito bonita. Cenas inteiras, como por exemplo aquela com um Tim Robbins deliciosamente paranóico numa cave, foram recreadas magistralmente. A juntar a esta prova de inteligência cinematográfica, há um leque de muito bons actores e os melhores efeitos especiais que o dinheiro consegue comprar actualmente... dificilmente esta nova versão poderia ser má.
Steven Spielberg é um gajo que dispensa apresentações. Durante muito tempo, achei que era o melhor realizador do mundo. São tantos os êxitos e tantas as criações originais que facilmente é um gajo para ficar na história. Mas para além das questões técnicas e da visão que ele tem do cinema, há que ressalvar o pormenor de ser um dos gajos mais eclécticos da história do cinema. Vai do drama familiar às invasões extraterrestres com a mesma mestria. Neste caso, até misturou as duas e juntou um dos temas mais transversais dos seus filmes: a separação familiar.
Ray (Tom Cruise) é um trabalhador das docas, divorciado de Mary (Miranda Otto) e que fica no fim de semana com os dois filhos (Dakota Fanning e Justin Chatwin). A relação de Ray com os filhos não é das melhores, mas vai ficar ainda pior quando uma gigantesca tempestade se abate sobre a vizinhança. As coisas ficam ainda piores quando uma série de naves robóticas gigantes irrompem do chão e desatam a destruir tudo e a matar toda a gente. É o início de uma invasão extraterrestre em larga escala. O plano de Ray é levar os filhos para a segurança da casa da mãe, mas essa não vai ser um tarefa fácil, num país em total estado de guerra aberta. Pelo caminho, as relações entre o trio vão ser levadas ao limite.
Esta parte mais familiar foi a contribuição de Spielberg para esta nova versão de War of the Worlds. É uma mistura de novos elementos, partes icónicas do primeiro filme e a base estrutural do livro. Está muito bem feito a todos os níveis. O design das naves, os efeitos especiais, o som, a musica de John Williams, o ritmo da montagem do filme, as implicações sociais duma invasão deste género, a estrutura familiar em stress, o suspense e o (quase) terror quando tem de ser... War of the Worlds é mais um excelente acto de malabarismo de um mestre do cinema. Um novo clássico e um excelente cartão de visita para os remakes. Muito bom. ●●●

Acho que toda a gente conhece o livro do H. G. Wells, The War of the Worlds. Mesmo para quem não leu, como é o meu caso (falha que pretendo resolver muito em breve), acaba por ser um daqueles títulos que parece que existe desde sempre e que é do conhecimento geral. Quando saiu em 1898, foi um dos primeiros livros com a temática do conflito entre humanos e uma outra raça que veio do espaço. Com uma premissa tão potente era uma questão de tempo até que chegasse ao grande ecrã. A Paramount comprou os direitos em 1924, mas só em 1953 é que o filme veria a luz do dia.
Para isso, o estúdio juntou um dos grandes nomes da altura da ficção cientifica, George Pal e deu-lhe liberdade criativa. A realização ficou a cargo de Byron Haskin, um realizador profícuo das décadas de 40 e 50, mas também um dos grandes nomes dos efeitos especiais da época. Teria mesmo de ser um equipa assim, pois The War of the Worlds era o blockbuster de acção e efeitos especiais daquela altura.
Tal como acontece hoje em dia, a acção e os efeitos especiais são os verdadeiros actores principais do filme. Gene Barry e Ann Robinson formam o par romântico, mas as personagens não têm muito relevância na história. A título de curiosidade... Tanto Gene Barry como Ann Robinson contracenaram novamente no remake de Steven Spielberg do The War of the Worlds, interpretando os papéis dos avós dos miúdos, na versão de 2005. É um pormenor importante, porque nota-se que Spielberg fez uma nova versão mais fiel do livro em relação à história original, mas no entanto usou muitos elementos deste filme. Mas isso é outra história.
Pelo que li, o filme tem algumas diferenças em relação ao livro, sendo que isso aconteceu não só por motivos de adaptar a história para o século XX e para o perigo latente da Guerra Fria, mas também porque haviam problemas técnicos caso a adaptação fosse literal. Por exemplo, os célebres tripods foram substituídos pelas máquinas de guerra marcianas porque não havia forma de pôr as máquinas a andar; assim optou-se pelas máquinas voadoras. Também a inclinação para um contexto mais religioso, e o uso da bomba atómica foram uma novidade do filme. No campo técnico, mesmo que os efeitos especiais pareçam amadores ou risíveis, nos anos 50 eram o supra-sumo da arte. Na adaptação do guião, nota-se uma tentativa da produção em ser o mais fiel possível ao livro, mas também se nota uma modernização da história, por forma a ir de encontro com a realidade daquele momento, sendo que o pormenor mais gritante é facto de se estar a entrar num período agudo da Humanidade, como foi o caso da Guerra Fria (entre americanos e russos na sequência do pós-guerra mundial). A própria questão da invasão alienígena não é um mero pormenor, numa América paranóica, em suspense, à espera duma invasão repentina por parte dos russos...
No início do filme é bastante gritante o enquadramento quando mencionam a I e a II Guerra Mundial. Agora a Humanidade seria confrontada com uma nova guerra, mais uma invasão, mas por parte de um inimigo aparentemente invencível. E essa é uma perspectiva totalmente nova.
Por outro lado... os marcianos. Toda esta história acontece, porque os habitantes de Marte têm o seu planeta em perigo. Esgotados os recursos do seu planeta, os marcianos avaliam todos os outros corpos celestes do sistema solar, mas chegam à conclusão que o melhor e mais dotado de todos, é a Terra. E é então que decidem invadir. Dotados de melhores armas, mais inteligentes e em maior número, invadem a Terra, eliminando facilmente qualquer ameaça dos humanos. Quando tudo parecia perdido, eis que a Natureza, mais precisamente a natureza microscópica salva a Humanidade, quando todo o poderio militar nem um dano conseguiu infligir à força invasora.
Acho que é por causa destes pormenores que The War of the Worlds é um história que nunca passa de moda. Para todos os efeitos é um conto moralista que encosta a fanfarronice militar às cordas e nos lembra do nosso tamanho e lugar na vastidão do Universo. É uma história de alerta para a constante arrogância humana e para a nossa forma estúpida de tentar resolver tudo, construindo uma bomba maior que a do vizinho...
Mas não consigo deixar de pensar numa coisa. Numa altura de pandemia, em que um vírus minúsculo, tão minúsculo que é invisível a olho nu, põe literalmente a humanidade de joelhos, à espera em casa, sinceramente pensei que tanto o livro, como este filme voltassem a estar na ordem do dia. De certa forma, nesta nova versão moderna que vivemos hoje, não seremos nós a espécie invasora? Dá que pensar... ●●●

Senti tanto hype à volta deste mother! que tinha mesmo de o ver. Especialmente li bastante sobre o que significava o filme, o que me deixou algo apreensivo, pois o Darren Aronofsky não costuma ser muito dúbio nas suas abordagens à história. Se bem que ultimamente com o Black Swan e o Noah, a coisa até já foi um pouco diferente.
Para grande surpresa minha, o filme não tinha grande coisa para duvidar. É um grande filme com uma história bíblica na base, vista por um ateu que acredita em qualquer coisa. Das primeiras vezes em que ouvi falar do enredo, notei que estava mencionado o facto de ser um filme tipo "home invasion". Um casal estaria sossegado na sua casa quando a vê assaltada por estranhos personagens. Mas para além disso, havia sempre a referência a significados dúbios e não estava a perceber muito bem porque é que ninguém conseguia chegar a nenhuma conclusão nem especificar o que raio se passava no filme. É um filme de terror? Não. Seria uma fábula muito negra que descamba para o filme de terror? Também não. Uma alegoria? Um conto premonitório sobre o futuro com base nos constantes ataques ambientais que o mundo moderno sujeita a natureza? Nada disso. Mas também poderia ser isto tudo junto. Não entendia nada do que lia. Isto apenas aguçou mais a minha curiosidade. E então, lá fui, furiosamente curioso, ver o enigmático mother!. Depois de ver uns 15 ou 30 minutos de filme, o meu cérebro disparou em auto-funcionamento e comecei profundamente a duvidar do que tinha lido... As pessoas que viram o filme antes de mim, que criticavam e comentavam não queriam estragar a "surpresa"  do filme ou simplesmente não tinham nenhum conhecimento bíblico para entender o que estavam a ver? Ainda agora persiste a dúvida.
Para quem tem algum conhecimento das histórias bíblicas, mother! não tem nada que enganar ou que possa ser considerado dúbio. Ao fim de muito pouco tempo, percebe-se perfeitamente o que se está a ver, o que se vai ver a seguir e praticamente de antemão já se sabe como vai tudo acabar. Como a dúvida persiste (será que os críticos de cinema conhecem de facto as histórias bíblicas?) não vou entrar em grandes pormenores. Não vou dizer que se trata da primeira e da última história da Bíblia ligadas entre si e misturadas com a personagem da Mãe Natureza. Como também não vou dizer que não tem nada a ver com uma invasão de casa, mas que por outro lado, de um ponto de vista natural, pode perfeitamente ser interpretado assim mesmo. E nem vale a pena mencionar o conceito do eterno retorno do meu caro amigo Nietzsche. O melhor é mesmo ver e tirar as próprias conclusões, mas minha opinião, não há enigma nem conclusão nenhuma para tirar. Se bem que aquele pó amarelo misturado na água ainda agora me dá a volta ao cérebro, e aí, tenho de admitir, não consegui chegar a nenhuma conclusão que valha a pena partilhar...
Seja como for, gostei bastante da forma com a história é contada, reinterpretada e misturada com outros conceitos exteriores ao livro sagrado e à religião. Darren Aronofsky é um gajo que admiro, com muita qualidade na realização e que não tem medo de pegar em temas complexos e fracturantes. Tem uma visão muito própria das coisas com as quais eu (por vezes) me identifico. Ainda que nos últimos filmes tenha "patinado" bastante. Sempre que se mete em temas muito generalistas e pouco focados nas pessoas, normalmente mete água. Ia dar como exemplo, o caso do "Noah" mas aí tinha mesmo de meter água... Bem, mas deu para perceber... No caso de mother! esteve outra vez quase a patinar. O que ajudou a equilibrar este filme estranho foram nitidamente as presenças marcantes de Jennifer Lawrence (grande surpresa! mesmo grande surpresa!), Javier Bardem (sempre imponente) e as presenças fugazes de Ed Harris e Michelle Pfeiffer. Mas se as personagens (e os seus actores) aguentam muito bem o filme durante a maior parte do tempo, o melhor está mesmo reservado para a parte final, que num aparente take longo e contínuo leva-nos de arrasto para o final dos dias, para o caos da guerra, para as atrocidades humanas e para o inferno na Terra. E este final bombástico e quase orgásmico é todo da responsabilidade de Aronofsky. Essa última parte "separa-se" tanto do resto do filme que a determinada altura, fiquei com a sensação que foi para poder criar e realizar aqueles minutos finais que Aronofsky concebeu toda a história. Parece que ele teve mesmo que filmar aquilo, como se fizesse parte de uma terapia qualquer. Ou também posso estar a imaginar coisas e nem sequer seria a primeira vez. Às vezes são só sensações que tenho. Não interessa...
mother! não é um filme nada fácil de ver. É violento e exige conhecimentos essenciais pré-visualização. Aconselho uma mente aberta e um estômago forte. Seja para dar início a uma longa e séria discussão sobre religião ou seja para assistir a um espectáculo raro hoje dia que é a obra de arte cinematográfica com base na visão do realizador, mother! é um filme que tem mesmo de se ver. ●●●●○

Uns teenagers tekkies estão a fazer coisas de teenagers tekkies quando são surpreendidos por uma invasão alienígena. Como os extra-terrestres estão relacionados com a manipulação da energia eléctrica (ou algo semelhante?!?), os miúdos transformam-se nos rambos-sobreviventes-heróis do filme, porque que são todos "tecnológicos" e sabem imenso do assunto, o que diga-se é uma sorte do caraças. Ainda dizem que aquelas aulas de electrotecnia não serviam para nada... Obviamente que vão morrendo conforme o grau de hierarquia, do mais secundário até quase ao personagem principal, mas tudo bem...
The Darkest Hour é um autêntico filme sy-fy mesmo antes de existir o termo "filme sy-fy". Por favor não confundir com o outro filme também chamado Darkest Hour, protagonizado pelo Gary Oldman; este tem um "The" antes do título... Portanto, THE Darkest Hour é um filme de ficção científica de baixo orçamento filmado na Rússia, mas que assenta no mesmo modelo de história e desenvolvimento dos restantes colegas das grandes produções americanas. Aqui o que muda é para pior, no realizador tarefeiro de estúdio (Chris Gorak), na qualidade do actores (Emile Hirsch, Olivia Thirlby, Max Minghella, Rachael Taylor) e especialmente na qualidade dos efeitos especiais. Estou a ser mauzinho... Os efeitos até nem são assim tão maus. O filme no geral é que é, mas vai tudo no mesmo "pacote"... Tal como os irmãos mais "ricos" e apesar de não ser completamente horrível, é filme que se vê e se esquece rapidamente. E foi exactamente o que aconteceu... Ha!! Já me esquecia de uma coisa importante! É em 3D. Muito importante este pormenor. ●○




PS: Para quem desconhece o termo (criei-o há muito pouco tempo), tekkie é uma pessoa cuja filosofia e modo de vida, assim como a religião, se resume à mais recente tecnologia, relegando tudo o resto para um plano secundário e inferior. Este é um conceito novo e ainda pouco desenvolvido (foi mesmo agora) mas voltarei a ele mais tarde ou quando for oportuno...
O enredo de base de A Quiet Place é simples e já muito batido. O mundo foi invadido por extraterrestres que caçam com base no som e uma família isolada tem que lidar com alguns deles para poder sobreviver num cenário pós-apocalíptico. Vi este filme a contra gosto e com expectativas muito baixas, porque pensei que ia ver outra chacha de terror/acção/efeitos com adolescentes aos saltos entremeados por jump scares totalmente previsíveis. Foi-me indicado por um miúdo de 15 anos que gostou muito do filme e isso levou-me logo a pensar em parafernálias digitais infindáveis e acção estonteante e imparável. De certa forma, com aquela sugestão do miúdo, recuperei um pouco a fé na humanidade porque o filme é realmente bom e totalmente diferente do que estava à espera. Lá está... a questão das expectativas é muito importante nos filmes e na sua avaliação final... A acção vem precisamente da contenção da própria acção, o que diga-se, é muito raro hoje em dia. Suspense e montes de situações em que uma pessoa literalmente fica agarrado, em tensão, à cadeira é o que se pode esperar deste A Quiet Place.
Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds, Noah Jupe e Cade Woodward compõe esta família sob pressão alienígena. A questão do som é de facto muito importante, tanto na questão familiar (a filha é muda e só comunica por linguagem gestual), mas também como um elemento extra de tensão...
Apesar de ser uma produção relativamente pequena, vale mais que muitos filmes de grande orçamento. É mais um bom filmito feito com recursos muito limitados, centrando a acção numa história muito bem construída e muito bem montada. Uma vénia para John Krasinski que para além de actor, assina também a realização. As cenas de tensão são muito boas, por vezes dramáticas e consegue afastar-se dos inevitáveis jump scares do costumeiro filme de terror. É uma lufada de ar fresco no género e no cinema de entretenimento em geral. Totalmente recomendado. ●●●○○

Uns anos depois da Terra ser invadida por extraterrestres, um jornalista perdido pelo continente sul-americano decide ajudar uma turista americana a voltar em segurança para casa.
Por vezes dou classificações altas a filmes medianos apenas porque são feitos com muito amor pela arte e praticamente nenhuns recursos. Um desses exemplos é este Monsters. Um filme quase a fazer lembrar um road movie, mas que também é um drama, um thriller e um excelente filme de ficção científica. Rodado completamente "on location", com diálogos praticamente improvisados e em que os extras são pessoas verdadeiras que simplesmente estavam ali na sua vida (basicamente é para isso que contratam extras). O realismo da coisa dá um salto qualitativo enorme. A juntar a isto, para além de realizar, Gareth Edwards criou também todos os efeitos especiais do filme... no seu computador em casa com programas que se podem comprar na net.
Isto tinha todos os condimentos para dar uma salgalhada tipo "Série C" da pior espécie, mas é precisamente assim que se separa o "trigo do joio". Gareth Edwards é muito bom e Monsters também. É uma óptima história, com dois protagonistas muito bem dirigidos (Scoot McNairy e Whitney Able), com poucos, mas bons efeitos especiais, mas especialmente um óptimo filme que gostei muito de ver. Esta é a prova de que com muito pouco se consegue fazer muito boas coisas, se se tiver o talento suficiente. Parabéns ao Gareth Edwards pela audácia, pelo empenho e por Monsters. ●●●●○




1941 é uma comédia de guerra... simpática. Conta a história de uma série de californianos absolutamente marados do capacete que se preparam para uma hipotética invasão japonesa, dias depois do incidente de Pearl Harbor. A histeria e a paranóia é o novo modo de vida.
Steven Spielberg descai para a comédia, mas não se sai especialmente bem. A história de Robert Zemeckis é muito boa, mas 1941 nunca consegue arrancar gargalhadas. É mais uma sátira que uma comédia. Nota-se que Spielberg não domina a comédia como outros géneros. Ainda assim, gosto muito deste filme. Tem uma autêntica parada de actores: Dan Aykroyd, Ned Beatty, John Belushi, Murray Hamilton, Christopher Lee, Treat Williams, Toshiro Mifune, John Candy e a lista continua. E como não podia deixar de ser, mais uma excelente música original de John Williams.  ●●●○○

Chicletes: filmes que normalmente são exemplares técnicos perfeitos, em que a produção é mais cara que o PIB de alguns países, mas que não têm substância nenhuma. É assim que os entendo. Quando vejo um filme e no dia seguinte ele desaparece da minha mente, isso é uma chiclete. Alguém se lembra do sabor da última chiclete que mastigou? Pois... O mesmo se passa com estes filmes. É bastante duro estar a deitar abaixo estas produções porque elas são verdadeiras potências visuais e técnicas que às vezes levam anos a compor. Alguns exemplos de chicletes para ver no fim de semana, se por acaso uma pessoa ficar retida em casa devido a uma tempestade tropical...

John Carter
Chiclete de primeira qualidade. Vai buscar uma história das antigas, embrulha tudo numa produção visual do mais avançado que existe e... não dá em nada. É daqueles filmes que se podem ver todos os anos. É sempre uma novidade. Não há nada que seja memorável. O que há: actores muito bonitos, grandes efeitos especiais, muito fundo verde, cenas de grande acção e algumas explosões. Pura verborreia visual feita à volta dos guiões típicos, mas muito bem construídos dos filmes Disney. O realizador, Andrew Stanton é conhecido por filmes como Finding Nemo e Wall-E, por isso não é de estranhar que todo o filme pareça um enorme desenho animado... só que com pessoas de carne e osso. A parte positiva é a construção do guião e a parte técnica. ●●○○○


Real Steel
É um filme de acção, de ficção científica e ao mesmo tempo, uma comédia light. Ou como se dizia antigamente, uma chiclete tutti-frutti. É a história usual do underdog, em que o gajo mais fraco, mas bom de coração, acaba por ganhar no final ao terrível e poderoso mauzão. Já toda a gente viu este género de filmes n de vezes. Mas ninguém resiste a ver mais uma vez. Tem robots muito bem feitos e tão fixes que nenhum miúdo lhes irá resistir. Tem também Hugh Jackman a tentar não fazer de Wolverine. Tem aquela história mil vezes vista da relação falhada entre pai e filho e... acho que mais nada. O positivo? É um filme para a família com boas mensagens. ●○○○○


The Host
Este filme pertence a uma classe totalmente à parte. É uma chiclete reciclada, sem sabor e que ficou esquecida a derreter no tablier do carro durante 3 dias. É um filme de adolescentes... que mais há para dizer? São 2 horas de tédio, ideias batidas, buracos no argumento e adolescentes lindíssimos. Vi-o ano passado e não há uma única cena que me lembre. A única coisa que recordo é qualquer coisa relacionada com os olhos parecerem lentes de contacto. Lembro-me que tem uns aliens invasores, humanos em fuga e pelo meio um triângulo amoroso (o que é que havia de ser?). É mais um filme que aproveita o sucesso dum livro que só é importante porque foi comprado por milhões de adolescentes. É a série Twilight mas com aliens. A autora do livro é a mesma, por isso o que é que esperava? O realizador é Andrew Niccol que tinha escrito e realizado o excelente Gattaca. Há comparação possível? Não me parece. Um dos piores filmes que já vi. O que tem de positivo? A visualização é opcional. ○○○○○

 
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