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Na década de 30, Bobby, um jovem do Bronx muda-se para Hollywood para trabalhar com o tio na produção de filmes e acaba envolvido com a sua secretária que também anda metida com ele. Apesar de ser a típica trama de Woody Allen e quase a fazer lembrar os filmes do "antigo Woody", nota-se que a chama de outros tempos já se foi. Café Society é um filme competente, vindo de uma pessoa que simplesmente respira cinema... mas é relativamente inócuo. A comédia é muito subtil e as típicas "confusões" são já muito previsíveis e sem grande fulgor. Kristen Stewart e Steve Carell fazem os seus papéis num tom muito cinzento e monótono e Jesse Eisenberg é o que destaca mais pela positiva, ainda que mais uma vez numa nova versão moderna de "Woody Allen". Compreendo que Allen tenha uma paixão enorme por fazer filmes e sei que tem mais capacidades de realizador numa só perna do que a maioria dos realizadores tem no corpo todo. É daqueles gajos que consegue escrever um guião num guardanapo enquanto espera pelo hambúrguer e que faz um filme com o telemóvel enquanto espera pela sobremesa. Mas se calhar o Woody Allen devia repensar a sua estratégia de a torto e a direito "despachar" anualmente filmes mediano e se calhar fazer apenas filmes de 3 em 3 anos mas em condições aceitáveis. Ainda assim, não trocava um Woody Allen "mediano" destes por dez filmes de entretenimento da treta... ●●○○

Enquanto esperava pela nova temporada da Guerra dos Tronos, dei por mim a ver um filme no SyFy com o nome de Zombieland. Podia ter passado para outro canal - e até seria a minha reacção mais natural, pois já estou totalmente farto de cenas com zombies -, mas fiquei a ver. E fiquei a ver principalmente porque estranhei o elenco: Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone e Bill Murray? Juntos, num filme de zombies? Em teoria, não deveria funcionar, mas estranhamente funciona. O que facilmente poderia descambar para os campos da estupidez, acaba por se revelar como uma agradável comédia... com zombies.
Boa realização (Ruben Fleischer), contida a suficiente para não se tornar vulgar, boas piadas e excelentes diálogos na boca de um casting muito estranho - e repito-me -, que em teoria não deveria encaixar. Uma agradável surpresa. Fiquei a saber que este ano deve ter uma sequela. Espero para ver se sofre de sequelite. É que não me parece que houvesse alguma necessidade de dar continuidade à história. ●●○○○


No seu dormitório em Harvard, o estudante Mark Zuckerberg e uns amigos criam uma rede social para o "engate" e classificação de miúdas, tipo o Hi5 da altura... Com mais visão de futuro que o restante pessoal, Zuckerberg transforma a plataforma naquilo que mais tarde seria o Facebook mas é processado pelos irmãos Cameron e Tyler Winklevoss por roubo da ideia. É... Tal como estava escrito no cartaz promocional do filme "não se pode fazer 600 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos". Agora, como são para aí uns 3 mil e 600 milhões de amigos, presumo que Zuckerberg esteja ainda mais amargurado que no início e com mais alguns inimigos... 

Não tenho Facebook e não pretendo ter. Já lá estive em tempos, mas desisti da coisa por não lhe ver grande utilidade e o mesmo acontece agora. Os meus vizinhos das traseiras são bastante "abertos para a comunidade" e por isso sempre que tenho necessidade cuscar a vida de alguém vou para a varanda ouvir o pessoal a "lavar roupa suja", tirar fotografias à comida e restantes coisas que se fazem no Facebook. Assim ainda poupo nos dados móveis e na bateria do telemóvel. Mas não vou falar muito mal do Facebook porque eles dominam a internet e como têm os dados de toda gente... é melhor não dizer nada. Aliás, pelo que se tem visto, nem sequer é preciso: já sabem o que vou dizer, como vou dizer, quando e a quem.. Não quero confusões. Para isso já tenho a minha vida particular...

Fico-me por dizer que The Social Network é um bom filmito, uma espécie de biopic não autorizado, com bons actores e muitíssimo bem escrito. Jesse Eisenberg dá (e muito bem) corpo e alma a Zuckerberg, ajudado por alguns secundários de luxo como Rooney Mara e Andrew Garfield. Também há Justin Timberlake, Armie Hammer e uma breve aparição de Aaron Sorkin. Fica a ressalva de que não tem a chama que se esperava (e pedia) de David Fincher, algo que já vem acontecendo nos últimos tempos. Aceitável. ●●●○○

Batman vs Superman: Dawn of Justice é o filme típico de super-heróis, mas um bocadinho melhor que o habitual. Mas tenho que dizer que, apesar de ser previsível (pelo próprio título), não gostei do engodo: Batman vs Superman - Dawn of Justice?!? A sério? É óbvio que o Batman nunca iria estar contra o Super-Homem, e mesmo que o fizesse, o Batman nunca teria hipótese, assim como ninguém teria. Afinal, o Super-Homem é um deus imortal extraterrestre, certo? Percebia-se logo que era um prólogo para o novo filme da Liga da Justiça (na tentativa de replicar o gigantesco êxito de bilheteira dos Avengers da Marvel), que estaria algures em "ebulição"... (E também acabaria por ser uma introdução para uma agradável surpresa posterior chamada Wonder Woman...) Há que fazer "render o peixe", não é verdade? Não se vai logo fazer um filme assim do pé para a mão... Há bilhetes e muito merchandising para vender, então?
Mas tirando este pré-condicionante negativo, por acaso, até nem é tão mau como é normal neste tipo de filmes-pipoca. Digam o que disserem, Zack Snyder é um mestre em dar valor a estas coisas. Este gajo tem um dom. É o melhor realizador deste género, disso não tenho dúvidas. Também ajuda bastante ter um casting muito bem feito e com muito bons actores (Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams e ainda Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne e Jeremy Irons).
Em termos de história, lá conseguiram encaixar o imprescindível Lex Luthor e a BD emblemática do embate do Super-Homem com o Doomsday (mas se lembro bem, na versão portuguesa/brasileira da BD, o "monstro" chama-se Apocalypse), que é para mim, uma das melhores BD's dos últimos anos e que por acaso até possuo e guardo religiosamente. Nesse aspecto, é um guião exemplar. Tudo feito a regra e esquadro, com boas deixas e muito bem escrito, sempre a pensar na planeada sequela.
Apesar de não terem a matéria prima infindável da Marvel, este pessoal da DC Comics vende cara a "derrota".Como se comprova aqui, é bem possível fazer um filme-pipoca, sem ser totalmente estúpido, linear e vazio. Batman vs Superman: Dawn of Justice é melhor que o "normal" e catita de se ver. ●●○○○

 
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