Grande parte dos louros deste(s) filme(s) vão para o história de Stephen King. O grande segredo é a sua simplicidade. Carrie White é uma rapariga controlada pela mãe opressiva, tresloucada e hiper-religiosa que a tenta manter quase aprisionada em casa e afastada da realidade. Sujeita a castigos e constantemente gozada pelos colegas na escola, Carrie começa a desenvolver estranhos poderes, identificados como telecinesia: manipular objectos com o poder da mente.
Isto mexe com tudo o que é mais primordial: a tentativa de pertencer ao grupo, a repulsa social, a humilhação pública, o querer ter um poder superior que nos ajude a resolver os problemas. Este tratamento "simples" da história dá azo a interpretações dúbias. Será que Carrie é sobre uma miúda com poderes ou é uma metáfora sobre a emancipação adolescente? Será sobre como encaixar na sociedade ou castigá-la por ser tão diferente e má? Mexe-nos com o subconsciente e confronta-nos com situações pelas quais toda a gente já passou na adolescência. É um tema muito recorrente nas histórias de King, mas que aqui é especialmente muito bem tratado.
Carrie (1976) começa e termina muitíssimo bem. A sequência inicial dos chuverios em que Carrie tem pela primeira vez a menstruação é simplesmente de génio. A cena final, irritante de tão lenta e tensa, é novamente genial. Brian De Palma construiu aqui um autêntico manual do realizador, repleto de excelentes e icónicas cenas e um estudo sobre como fazer um magnifico trabalho de câmara. Se me dissessem que Alfred Hitchcock tinha sido o realizador eu não teria acho estranho. Melhor elogio é impossível.
Em termos de actores, destaque absoluto para Piper Laurie como a mãe hiper-protectora e totalmente maluca e para Sissy Spacek que será eternamente Carrie White. O filme nem sequer necessita de grandes efeitos especiais: a expressão facial de Spacek faz todo o serviço ao conseguir passar de totalmente angélico para totalmente demoníaco. A actuação é tão boa que foram as duas nomeadas para Óscares. Num filme de terror, género considerado menor, é de realçar. Conta ainda com o suporte e as boas prestações de John Travolta e Nancy Allen.
O grande problema de Carrie é que está extremamente datado. É um daqueles filmes que foi autenticamente atropelado pelo tempo. Visto agora, é quase impossível uma pessoa distraír-se das fatiotas terríveis e daqueles penteados absurdos dos anos 70. E não só: aqueles sonzinhos agudos à Psycho... hoje em dia, parecem uma paródia. Mas neste caso, acho que é preciso contextualizar. Eu imagino o choque de quem viu o filme na altura certa. Deve ter sido um verdadeiro terror. Um filme incontornável do género e do cinema em geral. Vale sempre a pena ver. ●●●●○
Em 2014, chegou o remake de Carrie, agora com Chloë Grace Moretz e Julianne Moore nos principais papéis. Julianne Moore é sempre uma excelente atriz onde quer que entre e aqui não é excepção. Mas é o único ponto positivo a destacar, pois esta nova versão não chega aos calcanhares do primeiro. Não porque o filme seja mau, mas porque a história é a mesma. Até o argumento é da mesma pessoa que o original! O que é que este filme pode acrescentar de novo ou melhorar a história original? Acho que a resposta é nada. Acima de tudo, é um filme destinado às pessoas que nunca tiveram oportunidade de ver o original. Só assim se explica o remake. Por isso, este "novo" Carrie, não é um bem filme: é um facelift a um produto antigo. Compreende-se. ●●○○○
Death Race (2008) é um filme de Paul W. Anderson, vagamente inspirado no antiguinho clássico Death Race 2000. Pelo que li, é supostamente uma espécie de prequela. Para mim, pareceu-me mais uma mistura de Mad Max e The Running Man, mas tudo bem. Tem Jason Statham a fazer o papel de durão injustiçado, quase um super-herói (é espancado constantemente, mas milagrosamente nunca sai ferido) e Joan Allen a fazer de má que tem o merece e morre no final. Há também carros quitados com armas e explosivos, perseguições alucinantes que acabam invariavelmente em capotanços, explosões e bolas de fogo espectaculares... Reparei que já sairam mais 2 sequelas, mas pelo que vi deste filme, acho que me vou ficar por aqui. ●○○○○
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Depois de mostrar uma outra realidade americana em Bowling for Columbine, Fahrenheit 9/11 e Sicko, o mais recente filme de Michael Moore, Capitalism: A Love Story (2009) não é propriamente um filme distópico mas anda lá perto.
Algumas empresas americanas de renome fazem seguros de vida no nome dos empregados, e no caso de eles morrerem, a empresa recebe a respectiva indemnização. Sempre que um funcionário morre, gera uma receita para a empresa, melhorando a margem de lucro dos accionistas. Esses funcionários são referidos como sendo "dead peasants", qualquer coisa como "camponeses mortos". Camponeses mortos?! Bem, se isto não é uma espécie de distopia, então não sei o que isto é. Moore continua, mostrando aquilo que todo o Mundo já viu e ainda sente: a grande potência capitalista a desmoronar-se financeiramente e aponta as razões. Mostra que existe uma aliança secreta - muito à maneira americana - entre o Congresso e Wall Street com o intuito de reservar e preservar o domínio dos "1%" sobre os restantes "99%". Mais uma acha para a fogueira das teorias da conspiração envolvendo o domínio de uma Nova Ordem Mundial. Mas ainda faz mais. Mostra que o que aconteceu foi um takeover premeditado de Wall Street ao Congresso Americano e, sem papas na língua, aponta o dedo aos responsáveis. Insinua até que se tratou de uma espécie de golpe de estado. Só que as armas não são armas de fogo que disparam rajadas de balas. As armas são instrumentos financeiros que disparam juros elevados e esquemas fraudulentos que ninguém consegue explicar ou regular. Às vezes nem os próprios envolvidos conseguem explicar como funciona: só sabem que funciona... As vítimas são iguais e são as mesmas em todo o lado: os mais pobres, os tais "99%", que nada sabem sobre o esquema. E por isso mostra também essa realidade: despejos à força, bairros inteiros penhorados e situações desesperantes de famílias que perdem tudo para os senhores de colarinho branco, como quem diz: "isto é o que vos vai acontecer, quando já não tiverem mais dinheiro para pagar aqueles juros que não sabiam que existiam no meio das letrinhas pequeninas."
Mas não foram só as finanças que desabaram. O tão falado "sonho americano" também desabou e transformou-se num verdadeiro pesadelo. Afinal, o tal sonho nunca passou de um enorme e elaborado instrumento de marketing para iludir e sacar triliões de dólares aos mais distraídos e crentes. Denuncia ainda o reservadíssimo pântano de corrupção em que se movimentam as altas finanças e o salvamento dos "casinos insanos" em que as bolsas se transformaram, através do recurso a biliões de dólares dos contribuintes, na manobra mais pró-socialista que a América já viu. Maior ironia não poderia existir.
Esta é a realidade americana que Michael Moore gosta de exibir. E, em grande parte, eu acredito nele e nos documentários que faz. Quem está atento às notícias e vai vendo como este mundo funciona (com o dinheiro acima de tudo), percebeu logo que o filme ia obviamente ficar datado. Passou tão pouco tempo e já está ultrapassado. Naquela altura, Moore deveria pensar que estava a documentar o colapso eminente do capitalismo. No período logo a seguir à crise, lembro-me que muita gente falou nisso. Neste momento, a resposta está à vista: Wall Street e as bolsas em geral, batem recordes positivos quase todos os dias. Sendo assim, este documentário vai direitinho para o arquivo histórico, como um registo de acontecimentos muito breves. Um (contra)tempo que surgiu e desapareceu muito rapidamente.
Independentemente de se gostar ao não da aproximação sectária que Michael Moore faz, os seus filmes/documentários/teses são sempre muito bons, muito bem escritos, muito coerentes e nunca desiludem. Tudo graças a um estilo muito próprio de intervenção e à combinação muito bem feita de entrevistas, música, pesquisa histórica, voz-off, montagem rápida e imagens de arquivo. Tudo sempre muito bem doseado e ritmado. Os filmes de Michael Moore são como uma aula privada sobre como fazer passar uma mensagem através dum documentário.
Destaque para um discurso do presidente Roosevelt que aposto que muitos "Wall Streeters" não devem gostar nada de ouvir. Para terminar em grande, nada melhor que dizer: "tomem lá e embrulhem!" com uma versão jazz da Internacional Comunista. ●●●○○
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Depois do imenso sucesso do historiador/aventureiro Indiana Jones, seguiram-se uma série de réplicas. Foi uma (nova) época de ouro para os filmes de aventuras. Um dos filmes que se destacou nessa altura foi Romancing the Stone (1984) com Michael Douglas e Kathleen Turner. Traduzido em Portugal como Em busca da Esmeralda Perdida, foi também um enorme sucesso. Atrás das câmaras estava Robert Zemeckis, um dos grandes menosprezados do mundo do cinema. Este é um realizador que é poucas vezes mencionado, mas que tem filmes no currículo como a excelente trilogia Back to the Future ou Forrest Gump, só para mencionar alguns. Pessoalmente, acho-o um realizador excepcional que consegue quase sempre concretizar a aparentemente impossível tarefa de agradar ao público e aos críticos. E sempre com êxitos massivos de bilheteira. Nunca é uma referência quando se fala de realizadores de renome. Mesmo tendo um Óscar de Melhor Realizador. Nos dias que correm, se calhar é mesmo por causa disso.
Romancing the Stone conta a história dum improvável par romântico: uma escritora de romances de sucesso (Joan Wilder) cruza-se com um aventureiro de negócios obscuros (Jack Colton) nos recantos remotos da selva colombiana para tentar resgatar a irmã das mãos de perigosos criminosos. Para isso tem de fazer uma troca, a irmã pelo mapa do tesouro. Pelo meio, os dois aventureiros, têm de lidar com todo o tipo de adversidades e uma força policial corrupta.
As personagens principais são tão diferentes e chocam tantas vezes que geram constantemente tensão. Mas fica-se por aí, porque o filme é ligeiro, principalmente porque está cheio de (boas) piadas de ocasião.
Romancing the Stone está muito escrito, bem realizado, tem bom ritmo, paisagens e sítios remotos, aventura, emoção, romance, cartéis de droga e a personagem hilariante de Danny DeVito, que é uma daquelas "peças" inesquecíveis. Não se pode pedir mais. Como é um "filme para a família" tem um final feliz em que tudo acaba bem. Prova que para ter um bom filme apenas são necessárias 3 coisas: um bom realizador, uma boa historia e bons actores. É o caso. Sem ser nada do outro mundo, é um bom filme. ●●●○○
Após o sucesso estrondoso do primeiro filme tinha de se agradar ao público com a respectiva sequela. E como é normal, saiu um flop completo, chamado Jewel of the Nile. Em alguns momentos, o filme parece um James Bond dos anos 70 mas com as personagens do filme original. Pode ser impressão minha, mas parece que os próprios actores estão a fazer o frete de fazer uma sequela à pressa.
Se no primeiro filme, a história tinha algum nexo, neste, ela praticamente não existe e está assente numa premissa original que não tem pés nem cabeça. Um ditador imaginário dum estado do médio oriente, também imaginário, requisita os serviços da escritora Joan Wilder (Kathleen Turner), mas passados alguns minutos de filme ela já é uma refém. Jack Colton (Michael Douglas) intervém e juntamente com Danny DeVito (encaixado à força na história), conseguem salvar a donzela, perdão, a escritora e um suposto homem-santo que é a tal Jóia do Nilo. Não estou a ser desmancha prazeres. Quase no início do filme, dizem-nos logo que o homem é a Jóia do Nilo e não há mais jóia nenhuma. Lá se vai a lógica da série e a excitação de ver qual é o novo tesouro... Depois, passam o filme todo o fugir de balas. No meio do deserto, depois de conseguirem fugir, a correr (?!), duma coluna militar (não é brincadeira: fogem mesmo a correr de camiões e tanques) encontram uma tribo africana que os ajuda a derrubar o ditador. Pode ser pior que isto? Pode. O filme culmina com as piores cenas de efeitos especiais que me lembro, numa espécie de concerto (?!) organizado pelo ditador para fazer crer os seu subitos que... arghhh! Mas porque é que estou a perder tempo com isto? É melhor resumir: o filme não presta. Nem sequer é uma chiclete. É um insulto ao primeiro filme. ●○○○○
Romancing the Stone conta a história dum improvável par romântico: uma escritora de romances de sucesso (Joan Wilder) cruza-se com um aventureiro de negócios obscuros (Jack Colton) nos recantos remotos da selva colombiana para tentar resgatar a irmã das mãos de perigosos criminosos. Para isso tem de fazer uma troca, a irmã pelo mapa do tesouro. Pelo meio, os dois aventureiros, têm de lidar com todo o tipo de adversidades e uma força policial corrupta.
As personagens principais são tão diferentes e chocam tantas vezes que geram constantemente tensão. Mas fica-se por aí, porque o filme é ligeiro, principalmente porque está cheio de (boas) piadas de ocasião.
Romancing the Stone está muito escrito, bem realizado, tem bom ritmo, paisagens e sítios remotos, aventura, emoção, romance, cartéis de droga e a personagem hilariante de Danny DeVito, que é uma daquelas "peças" inesquecíveis. Não se pode pedir mais. Como é um "filme para a família" tem um final feliz em que tudo acaba bem. Prova que para ter um bom filme apenas são necessárias 3 coisas: um bom realizador, uma boa historia e bons actores. É o caso. Sem ser nada do outro mundo, é um bom filme. ●●●○○
Após o sucesso estrondoso do primeiro filme tinha de se agradar ao público com a respectiva sequela. E como é normal, saiu um flop completo, chamado Jewel of the Nile. Em alguns momentos, o filme parece um James Bond dos anos 70 mas com as personagens do filme original. Pode ser impressão minha, mas parece que os próprios actores estão a fazer o frete de fazer uma sequela à pressa.
Se no primeiro filme, a história tinha algum nexo, neste, ela praticamente não existe e está assente numa premissa original que não tem pés nem cabeça. Um ditador imaginário dum estado do médio oriente, também imaginário, requisita os serviços da escritora Joan Wilder (Kathleen Turner), mas passados alguns minutos de filme ela já é uma refém. Jack Colton (Michael Douglas) intervém e juntamente com Danny DeVito (encaixado à força na história), conseguem salvar a donzela, perdão, a escritora e um suposto homem-santo que é a tal Jóia do Nilo. Não estou a ser desmancha prazeres. Quase no início do filme, dizem-nos logo que o homem é a Jóia do Nilo e não há mais jóia nenhuma. Lá se vai a lógica da série e a excitação de ver qual é o novo tesouro... Depois, passam o filme todo o fugir de balas. No meio do deserto, depois de conseguirem fugir, a correr (?!), duma coluna militar (não é brincadeira: fogem mesmo a correr de camiões e tanques) encontram uma tribo africana que os ajuda a derrubar o ditador. Pode ser pior que isto? Pode. O filme culmina com as piores cenas de efeitos especiais que me lembro, numa espécie de concerto (?!) organizado pelo ditador para fazer crer os seu subitos que... arghhh! Mas porque é que estou a perder tempo com isto? É melhor resumir: o filme não presta. Nem sequer é uma chiclete. É um insulto ao primeiro filme. ●○○○○
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Roland Emmerich volta à carga e vira-se para as alterações climáticas como argumento para rebentar com uma cidade qualquer. Como tem sido hábito neste realizador, o filme vale pelo aspecto técnico e pelo efeitos especiais espectaculares. É uma oportunidade única para ver Nova York, Los Angeles e outras cidades a serem fustigadas por furacões gigantes, cobertas por nevões catastróficos ou varridas por tsunamis de dimensões épicas.
Acho que Emmerich já começa a esgotar os argumentos para filmar destruições à escala planetária. Por isso, não percebo como é que ainda não se virou para as aquelas imensas produções bíblicas dos anos 50. Se ele for um leitor atento deste blog, fica dada a dica.
Como tem sido hábito também, o filme é totalmente vazio de enredo, mas pelo menos tem uma boa mensagem de fundo: se continuarmos a desrespeitar e a agredir o planeta como temos feito até agora, eventualmente ele irá virar-se contra nós.
The Day After Tomorrow (2004) parece um daqueles documentários do Discovery sobre alterações climáticas, mas sobre o efeito de doses maciças de esteróides. A ciência está totalmente errada, mas o que é que isso interessa? Aqui, tudo tem de ser rápido, explosivo e mais nada. Ninguém vai ver o filme para ter melhores noções de ecologia, ou como funciona o clima, pois não? Para isso, há livros e documentários muito bons...
Tirando os efeitos especiais, sobra a história duma família apanhada no meio duma tempestade global, mas infelizmente é uma história sem nexo nenhum. O pai (Dennis Quaid) é um cientista climatológico que alerta para os perigos dos desequilibrios ecológicos, mas em que ninguém acredita. O filho (Jake Gyllenhaal) é um "crâneo" mais inteligente que os próprios professores. A mãe é medica e aparentemente só tem um paciente, um miúdo que passa a toda a tempestade do século confortavelmente a ler. Como estão todos separados em cidades diferentes, o pai lança-se a caminho para salvar o filho que entretanto ficou retido numa biblioteca em Nova York. Quaid enfrenta heroicamente a brutal tempestade para salvar o filho e chegado lá... faz o quê? Pois. Não faz nada. Só vai ter com ele. Miraculosamente, mal se encontram, a tempestade dissipa-se. Calhou bem, senão ficavam todos retidos na biblioteca... à espera da mãe. Esta, por sua vez, aguenta-se sozinha no hospital, e a única coisa que quer é uma ambulância para o miúdo que lê sem parar... e, como este é um filme com final feliz, ela lá chega mesmo no final. Devia ser uma daquelas ambulâncias-limpa-neves... O resto, é uma colagem de clichês, que provavelmente são mais antigos que a última idade do gelo: a bandeira desfraldada ao vento, o amigo que se sacrifica pelos outros, o mea culpa no final para admitir que sim, agora o governo vai prestar atenção a estas coisas do clima, este tipo de coisas simpáticas e que ficam sempre bem.
The Day After Tomorow é um filme sem grandes pretensões: é uma chiclete de 2 horas com efeitos especiais caríssimos, feito para vender bilhetes e pipocas. Cumpre bem o seu propósito. ●○○○○
Acho que Emmerich já começa a esgotar os argumentos para filmar destruições à escala planetária. Por isso, não percebo como é que ainda não se virou para as aquelas imensas produções bíblicas dos anos 50. Se ele for um leitor atento deste blog, fica dada a dica.
Como tem sido hábito também, o filme é totalmente vazio de enredo, mas pelo menos tem uma boa mensagem de fundo: se continuarmos a desrespeitar e a agredir o planeta como temos feito até agora, eventualmente ele irá virar-se contra nós.
The Day After Tomorrow (2004) parece um daqueles documentários do Discovery sobre alterações climáticas, mas sobre o efeito de doses maciças de esteróides. A ciência está totalmente errada, mas o que é que isso interessa? Aqui, tudo tem de ser rápido, explosivo e mais nada. Ninguém vai ver o filme para ter melhores noções de ecologia, ou como funciona o clima, pois não? Para isso, há livros e documentários muito bons...
Tirando os efeitos especiais, sobra a história duma família apanhada no meio duma tempestade global, mas infelizmente é uma história sem nexo nenhum. O pai (Dennis Quaid) é um cientista climatológico que alerta para os perigos dos desequilibrios ecológicos, mas em que ninguém acredita. O filho (Jake Gyllenhaal) é um "crâneo" mais inteligente que os próprios professores. A mãe é medica e aparentemente só tem um paciente, um miúdo que passa a toda a tempestade do século confortavelmente a ler. Como estão todos separados em cidades diferentes, o pai lança-se a caminho para salvar o filho que entretanto ficou retido numa biblioteca em Nova York. Quaid enfrenta heroicamente a brutal tempestade para salvar o filho e chegado lá... faz o quê? Pois. Não faz nada. Só vai ter com ele. Miraculosamente, mal se encontram, a tempestade dissipa-se. Calhou bem, senão ficavam todos retidos na biblioteca... à espera da mãe. Esta, por sua vez, aguenta-se sozinha no hospital, e a única coisa que quer é uma ambulância para o miúdo que lê sem parar... e, como este é um filme com final feliz, ela lá chega mesmo no final. Devia ser uma daquelas ambulâncias-limpa-neves... O resto, é uma colagem de clichês, que provavelmente são mais antigos que a última idade do gelo: a bandeira desfraldada ao vento, o amigo que se sacrifica pelos outros, o mea culpa no final para admitir que sim, agora o governo vai prestar atenção a estas coisas do clima, este tipo de coisas simpáticas e que ficam sempre bem.
The Day After Tomorow é um filme sem grandes pretensões: é uma chiclete de 2 horas com efeitos especiais caríssimos, feito para vender bilhetes e pipocas. Cumpre bem o seu propósito. ●○○○○
De Baz Luhrmann. Com um grande sublinhado muito carregado e bem fluorescente. Uma obra cinematográfica única. Ninguém filma de forma tão brilhante como Baz Luhrmann. E brilhante, é uma das palavras-chave deste filme e do reportório seguinte.
Este foi o meu primeiro contacto com Baz e a sensação com que fiquei quando o vi o filme pela primeira vez é que me tinham atado fogo-de-artifício ao cérebro e lhe tinham pegado fogo. Romeo and Juliet (1996), pensando bem, não é bem um filme. É mais um estímulo dos sentidos.
A história trágica de amores desencontrados, separados por famílias em conflito, já toda a gente a conhece e dispensa apresentação. Já a vi ser adaptada para cinema uma meia dúzia de vezes, mas nunca tinha visto (nem vi) nada assim. A única palavra que me vem à cabeça, é mesma essa: único.
É um daqueles filmes que marca uma década e uma geração. Mas por outro lado, o filme é também uma marca da década e da própria geração. É uma mistura improvável, só possível devido aos excessos e à depressão dos anos 90. Poucos filmes conseguem captar o espírito duma geração. Romeo and Juliet, de uma forma estranha e rocambolesca, conseguiu-o. Para além das milhões de adolescentes que se bababam com o protagonista principal, é também o filme em que os adolescentes dos 90's percebem que vão entrar na idade adulta. Só podia ser uma tragédia.
As caras bonitas da altura, à procura de afirmação, mas ainda relativamente desconhecidas, Leonardo DiCaprio e Claire Danes, tornaram-se automaticamente em super-estrelas. E não porque eram apenas caras bonitas, mas porque se revelaram realmente como excelentes actores. Alguém que tenha passado a adolescência nos 90's relaciona instintivamente Dicaprio e Danes com a tragédia de Romeu e Julieta. Acho que isso os torna também, automaticamente, em excelentes actores. É como se, a determinada altura, eles deixassem de representar e se tornassem mesmo nas personagens. Num filme de tom assumidamente burlesco, com uma dificílima linguagem Shakespeareana, ainda abona mais a favor dos dois miúdos. A acompanhar esta dupla perfeita, um elenco underdog, mas de peso como John Leguizamo, Pete Postlethwaite, Brian Dennehy e Paul Sorvino.
Mas a estrela que brilhou mais que todas, foi mesmo Baz Luhrmann. Inventou um género novo de filme: o filme carregado de glitter e fogo-de-artifício, com uma montagem rápida e banda sonora alternativa: o filme tipo-Luhrmann. A qualidade até pode ser discutível, mas o estilo não é de certeza.
Como é que alguém consegue transpor aquela história directamente de Shakespeare, com aquela linguagem imensamente rígida, para um tempo moderno, quase intemporal, e transformá-la num filme pop espectacular? É uma incógnita. Ainda por cima, lá está, com tanto brilho, tanta pluma, tanto fogo-de-artifício? Este filme tinha todos os ingredientes para ser tornar numa aberração. Com um estilo único, diferente de tudo o que já se tinha visto até ali, Baz Luhrmann conseguiu torná-lo numa obra prima dos tempos modernos. ●●●●○
Este foi o meu primeiro contacto com Baz e a sensação com que fiquei quando o vi o filme pela primeira vez é que me tinham atado fogo-de-artifício ao cérebro e lhe tinham pegado fogo. Romeo and Juliet (1996), pensando bem, não é bem um filme. É mais um estímulo dos sentidos.
A história trágica de amores desencontrados, separados por famílias em conflito, já toda a gente a conhece e dispensa apresentação. Já a vi ser adaptada para cinema uma meia dúzia de vezes, mas nunca tinha visto (nem vi) nada assim. A única palavra que me vem à cabeça, é mesma essa: único.
É um daqueles filmes que marca uma década e uma geração. Mas por outro lado, o filme é também uma marca da década e da própria geração. É uma mistura improvável, só possível devido aos excessos e à depressão dos anos 90. Poucos filmes conseguem captar o espírito duma geração. Romeo and Juliet, de uma forma estranha e rocambolesca, conseguiu-o. Para além das milhões de adolescentes que se bababam com o protagonista principal, é também o filme em que os adolescentes dos 90's percebem que vão entrar na idade adulta. Só podia ser uma tragédia.
As caras bonitas da altura, à procura de afirmação, mas ainda relativamente desconhecidas, Leonardo DiCaprio e Claire Danes, tornaram-se automaticamente em super-estrelas. E não porque eram apenas caras bonitas, mas porque se revelaram realmente como excelentes actores. Alguém que tenha passado a adolescência nos 90's relaciona instintivamente Dicaprio e Danes com a tragédia de Romeu e Julieta. Acho que isso os torna também, automaticamente, em excelentes actores. É como se, a determinada altura, eles deixassem de representar e se tornassem mesmo nas personagens. Num filme de tom assumidamente burlesco, com uma dificílima linguagem Shakespeareana, ainda abona mais a favor dos dois miúdos. A acompanhar esta dupla perfeita, um elenco underdog, mas de peso como John Leguizamo, Pete Postlethwaite, Brian Dennehy e Paul Sorvino.
Mas a estrela que brilhou mais que todas, foi mesmo Baz Luhrmann. Inventou um género novo de filme: o filme carregado de glitter e fogo-de-artifício, com uma montagem rápida e banda sonora alternativa: o filme tipo-Luhrmann. A qualidade até pode ser discutível, mas o estilo não é de certeza.
Como é que alguém consegue transpor aquela história directamente de Shakespeare, com aquela linguagem imensamente rígida, para um tempo moderno, quase intemporal, e transformá-la num filme pop espectacular? É uma incógnita. Ainda por cima, lá está, com tanto brilho, tanta pluma, tanto fogo-de-artifício? Este filme tinha todos os ingredientes para ser tornar numa aberração. Com um estilo único, diferente de tudo o que já se tinha visto até ali, Baz Luhrmann conseguiu torná-lo numa obra prima dos tempos modernos. ●●●●○
Precisava de ver um bom filme, por isso escolhi o Easy Rider (1969), que nunca tinha visto. Mas como é que se consegue saber se um filme é bom, mesmo antes de o ver? É fácil! Um filme sobre dois "dealers" (Billy e Captain America) que decidem fazer um "coast to coast" de mota para fazer um negócio no mítico Mardi Gras, só pode ser bom. Um filme com Dennis Hopper e Peter Fonda como representantes duma sociedade hippie no pós-1968, que surge como alternativa à (distorcida?) América ultra-conservadora, só pode ser bom. E não há dúvida: Easy Rider, um filme nascido para ser selvagem, é um filme muito bom. A prova disso mesmo é ser uma referência incontornável do cinema e da própria cultura. Até no pormenor da música que popularizou, Born to be Wild, que já foi usada para aí em 30 filmes e é uma referência obrigatória quando se fala em liberdade sem condições ou em querer romper com a rotina. Não achei que fosse uma obra-prima do cinema, principalmente porque Dennis Hopper não parece ser extremamente dotado em termos de realização (a estética é quase nula), mas é um filme muito bom.
Uma das sequêcias mais marcantes acontece a meio da viagem, quando conhecem um advogado chamado George (Jack Nicholson) que tenta libertar-se do mundo conservador onde se sente demasiadamente preso. A conversa entre os três, à volta de uma fogueira, em que a personagem de Nicholson, mais habituada ao álcool, decide estrear-se a fumar marijuana, só por si, é um ícone e vale um filme inteiro. Destaque para Jack Nicholson, que em 20 minutos, consegue "roubar" totalmente o filme. Li algures que Terry Shouthern, que tinha já créditos no fenomenal Dr. Strangelove de Stanley Kubrick deu uma ajuda nesta parte do argumento. De facto, nota-se que se destaca do resto do filme. Aliás, também li que foi Shouthern quem tirou da cartola o excelente título, por isso é provável que tenha metido o dedo em mais algumas cenas. Mas isto são pormenores de bastidor.
É um filme sem floreados, cru (se calhar até em demasia), a acelerar estrada fora e sem concessões ao público. A demanda destes dois amigos queimadores de erva, que como diz no cartaz, vão ao encontro da América, mas não a encontram em lado nenhum, acaba por ser bastante linear. Mas o que é interessante não é a viagem propriamente dita, mas sim o que estas duas personagens estranhas encontram durante o percurso. Até porque na sua essência, o filme nem é sobre a viagem. É sobre o medo da mudança. É sobre as forças que nos puxam para trás. É sobre o medo de nos tornarmos autênticos "dinossauros" se não acompanharmos o andamento dos novos tempos. É sobre o choque entre o rural e o urbano. É sobre eras que parecem eternas mas que invevitalmente chegam ao fim. É sobre expectativas que nunca se cumprem. Temas universais que foram, são, e serão sempre actuais.
Easy Rider, tal como todos os grandes filmes, é muito mais do que aparenta. Quer isto dizer que está aberto a interpretações pessoais. Uma pessoa pode classificá-lo como um filmes de hippies cabeludos sem rumo, e outra pode vê-la como um filme sobre novos empreendedores. Afinal, os dois amigos fazem uma longa viagem para fazer negócio e não por diversão. Até o pormenor de Fonda guardar o dinheiro no depósito de gasolina da mota pode ser interpretado como o velho chavão que diz que o dinheiro faz o mundo girar. Cada um vê aquilo que quer ver.
Este filme é um verdadeiro clássico que todos os amantes de bom cinema deveriam ver. Era uma falha no meu reportório, mas agora já está preenchida. Pode não parecer, mas é incrivelmente difícil ver estes filmes.
Já passaram quase 50 anos, mas Easy Rider continua forte e estranhamente actual. As forças em conflito mudaram, mas o choque eterno entre culturas, entre o novo e o velho há-de sempre permanecer. Obviamente que um filme com esta temática, nunca pode acabar bem. Mas qual é o conflito que acaba bem? Isso fica bem expresso numa outra cena icónica, em que depois de tudo correr (mais ou menos) como planeado inicialmente, Fonda, desiludido, diz que estragaram tudo, "we blew it". A que é que ele se referia? Não se sabe. Acho que cada pessoa que vê o filme tirará as suas conclusões muito próprias. Para mim, o que correu mal, foi o próprio sonho americano. Ele funciona em termos económicos, mas perdeu a componente humana. A tolerância pelo diferente. A resistência à mudança nunca irá desaparecer e por isso vão haver sempre conflitos. O sonho idílico de paz e amor, é mesmo só isso, um sonho. Uma utopia, que por natureza, nunca se irá realizar.
Se o filme propriamente dito está aberto a múltiplas interpretações, também o final fica em aberto. E não digo mais nada, porque não quero estragar o clímax do filme. Será que o fim é mesmo o fim? Será que eles se safam e partem novamente em busca do que não encontraram? O melhor é ver Easy Rider e tirar as próprias conclusões. ●●●●●
Uma das sequêcias mais marcantes acontece a meio da viagem, quando conhecem um advogado chamado George (Jack Nicholson) que tenta libertar-se do mundo conservador onde se sente demasiadamente preso. A conversa entre os três, à volta de uma fogueira, em que a personagem de Nicholson, mais habituada ao álcool, decide estrear-se a fumar marijuana, só por si, é um ícone e vale um filme inteiro. Destaque para Jack Nicholson, que em 20 minutos, consegue "roubar" totalmente o filme. Li algures que Terry Shouthern, que tinha já créditos no fenomenal Dr. Strangelove de Stanley Kubrick deu uma ajuda nesta parte do argumento. De facto, nota-se que se destaca do resto do filme. Aliás, também li que foi Shouthern quem tirou da cartola o excelente título, por isso é provável que tenha metido o dedo em mais algumas cenas. Mas isto são pormenores de bastidor.
É um filme sem floreados, cru (se calhar até em demasia), a acelerar estrada fora e sem concessões ao público. A demanda destes dois amigos queimadores de erva, que como diz no cartaz, vão ao encontro da América, mas não a encontram em lado nenhum, acaba por ser bastante linear. Mas o que é interessante não é a viagem propriamente dita, mas sim o que estas duas personagens estranhas encontram durante o percurso. Até porque na sua essência, o filme nem é sobre a viagem. É sobre o medo da mudança. É sobre as forças que nos puxam para trás. É sobre o medo de nos tornarmos autênticos "dinossauros" se não acompanharmos o andamento dos novos tempos. É sobre o choque entre o rural e o urbano. É sobre eras que parecem eternas mas que invevitalmente chegam ao fim. É sobre expectativas que nunca se cumprem. Temas universais que foram, são, e serão sempre actuais.
Easy Rider, tal como todos os grandes filmes, é muito mais do que aparenta. Quer isto dizer que está aberto a interpretações pessoais. Uma pessoa pode classificá-lo como um filmes de hippies cabeludos sem rumo, e outra pode vê-la como um filme sobre novos empreendedores. Afinal, os dois amigos fazem uma longa viagem para fazer negócio e não por diversão. Até o pormenor de Fonda guardar o dinheiro no depósito de gasolina da mota pode ser interpretado como o velho chavão que diz que o dinheiro faz o mundo girar. Cada um vê aquilo que quer ver.
Este filme é um verdadeiro clássico que todos os amantes de bom cinema deveriam ver. Era uma falha no meu reportório, mas agora já está preenchida. Pode não parecer, mas é incrivelmente difícil ver estes filmes.
Já passaram quase 50 anos, mas Easy Rider continua forte e estranhamente actual. As forças em conflito mudaram, mas o choque eterno entre culturas, entre o novo e o velho há-de sempre permanecer. Obviamente que um filme com esta temática, nunca pode acabar bem. Mas qual é o conflito que acaba bem? Isso fica bem expresso numa outra cena icónica, em que depois de tudo correr (mais ou menos) como planeado inicialmente, Fonda, desiludido, diz que estragaram tudo, "we blew it". A que é que ele se referia? Não se sabe. Acho que cada pessoa que vê o filme tirará as suas conclusões muito próprias. Para mim, o que correu mal, foi o próprio sonho americano. Ele funciona em termos económicos, mas perdeu a componente humana. A tolerância pelo diferente. A resistência à mudança nunca irá desaparecer e por isso vão haver sempre conflitos. O sonho idílico de paz e amor, é mesmo só isso, um sonho. Uma utopia, que por natureza, nunca se irá realizar.
Se o filme propriamente dito está aberto a múltiplas interpretações, também o final fica em aberto. E não digo mais nada, porque não quero estragar o clímax do filme. Será que o fim é mesmo o fim? Será que eles se safam e partem novamente em busca do que não encontraram? O melhor é ver Easy Rider e tirar as próprias conclusões. ●●●●●
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Tenho uma falha no reportório. Nunca consegui ver um daqueles filmes japoneses do Godzilla em que o monstro é uma pessoa num fato de borracha a destruir óbvios cenários de cartão. É uma falha que vou tentar reparar. Até que isso aconteça tenho de me contentar com as versões americanas. São mais acessíveis. Nos últimos anos foram feitos dois filmes e, pelo que li, vem aí uma sequela para a versão mais recente. Tinha de ser... Mas vamos ao primeiro filme que vi.
Para quem não sabe, Rolland Emmerich é detentor do recorde mundial do maior número de quilómetros quadrados destruídos em filme. Bem, se não é, devia ser. Depois de explodir praticamente com tudo o que existe neste mundo (e noutros também), assina um remake de peso: Godzilla (1998). Pensando bem, mais ninguém estaria habilitado a fazer este remake que Emmerich. E, sem surpresa, fá-lo muito bem. Sejamos sinceros. Alguém quer ver um filme introspectivo com um réptil radioactivo gigante como protagonista? Claro que não! O que uma pessoa espera é ver arranha-céus a desmoronarem-se, petroleiros a voar por cima de cidades e os militares de todo o mundo a tentarem destruir o monstro, não é verdade? Por isso, é que criaram o Roland Emmerich: para nos dar tudo isso. E ele cumpre. Sempre. Por isso é que nunca perco um filme dele, mesmo sabendo que são todos iguais. São enormes chicletes de sabor artificial, mas que por qualquer motivo estranho, uma pessoa não consegue deixar de as mascar. Os filmes cumprem sempre a expectactiva criada e normalmente até a ultrapassam. São o exagero do exagero. Por isso, Godzila não desilude. Dá tudo o que tem e o que não tem. A juntar a tudo isto, normalmente são filmes tecnicamente irrepreensíveis. Os actores cumprem bem nos seus pequenos papéis de juntar os massivos efeitos digitais numa história linear, porque são naturalmente bons, como por exemplo Matthew Broderick, Jean Reno ou Michael Lerner. A história apesar de básica é coerente, e é exactamente o que uma pessoa espera. Mas também, quem é que quer saber da história num filme-catástrofe? Godzilla: um filme perfeito para ver no cinema a acompanhar o balde de pipocas. O que mais é que uma pessoa pode pedir? ●●○○○
Como estamos na época alto do remake/reboot, apesar do seu poder descomunal, Godzila não escapou. E como, normalmente, acontece nestas situações, o filme que vem depois é pior. Logo à partida, Godzilla (2014) é pior que a versão anterior porque tenta repor o conceito original do monstro radioactivo bom, que aparece para nos proteger, em vez do primeiro em que é o mau da fita. Compreendo a premissa de querer voltar ao tema original, mas contrabalançar o efeito monstro-bom (?) e para isso inventar uns insectos gigantes pretos que nem se percebe muito bem o que são, e depois fazê-los tão graaaaandes que nem aparecem completamente na tela, para mim, é muito pobre. Muito fraquinho. Aliás, se eu o tivesse visto no cinema, provavelmente ia pedir o meu dinheiro de volta. Então eu pago para ver o Godzilla e só vejo partes? Uma coluna vertebral aqui, umas patas gigantes ali, uns olhos acolá... Não tem nexo.
Depois, este novo filme parece que tenta contornar as críticas negativas do primeiro filme que é ostensivamente um filme de explosões, uma chiclete, como já disse. Tenta calar um pouco a crtítica oficial que se atira de unhas e dentes a este tipo de filmes e por isso os estúdios atiram para lá palha, lá está, para dar um ar mais sério e introspectivo. E fazem de tudo para o conseguir. Quer seja atafulhar nomes conceituados como Juliette Binoche ou Ken Watanabe para dar seriedade (mas que depois desaparecem após alguns minutos de filme), quer seja em deixar de explodir coisas durante 30 ou 40 entediantes minutos para gajos como eu não virem para aqui criticar e dizer que é só mais um filme de explosões e efeitos. Porque é que uma pessoa paga para ver estes filmes? É para ver o (ou a) Godzilla a partir a louça toda e mais nada. Este segundo remake quase que elimina esse propósito. Tudo isto culmina em algo quimérico que é uma tentiva falhada de misturar um drama (será?) com um filme de acção/efeitos. Um acçrama? Um dramação? Mal por mal, prefiro que sejam fiéis a si próprios e não tentam enganar-se. E especialmente que não tentam enganar as plateias. Nem esconder o Godzilla. ●○○○○
Para quem não sabe, Rolland Emmerich é detentor do recorde mundial do maior número de quilómetros quadrados destruídos em filme. Bem, se não é, devia ser. Depois de explodir praticamente com tudo o que existe neste mundo (e noutros também), assina um remake de peso: Godzilla (1998). Pensando bem, mais ninguém estaria habilitado a fazer este remake que Emmerich. E, sem surpresa, fá-lo muito bem. Sejamos sinceros. Alguém quer ver um filme introspectivo com um réptil radioactivo gigante como protagonista? Claro que não! O que uma pessoa espera é ver arranha-céus a desmoronarem-se, petroleiros a voar por cima de cidades e os militares de todo o mundo a tentarem destruir o monstro, não é verdade? Por isso, é que criaram o Roland Emmerich: para nos dar tudo isso. E ele cumpre. Sempre. Por isso é que nunca perco um filme dele, mesmo sabendo que são todos iguais. São enormes chicletes de sabor artificial, mas que por qualquer motivo estranho, uma pessoa não consegue deixar de as mascar. Os filmes cumprem sempre a expectactiva criada e normalmente até a ultrapassam. São o exagero do exagero. Por isso, Godzila não desilude. Dá tudo o que tem e o que não tem. A juntar a tudo isto, normalmente são filmes tecnicamente irrepreensíveis. Os actores cumprem bem nos seus pequenos papéis de juntar os massivos efeitos digitais numa história linear, porque são naturalmente bons, como por exemplo Matthew Broderick, Jean Reno ou Michael Lerner. A história apesar de básica é coerente, e é exactamente o que uma pessoa espera. Mas também, quem é que quer saber da história num filme-catástrofe? Godzilla: um filme perfeito para ver no cinema a acompanhar o balde de pipocas. O que mais é que uma pessoa pode pedir? ●●○○○
Como estamos na época alto do remake/reboot, apesar do seu poder descomunal, Godzila não escapou. E como, normalmente, acontece nestas situações, o filme que vem depois é pior. Logo à partida, Godzilla (2014) é pior que a versão anterior porque tenta repor o conceito original do monstro radioactivo bom, que aparece para nos proteger, em vez do primeiro em que é o mau da fita. Compreendo a premissa de querer voltar ao tema original, mas contrabalançar o efeito monstro-bom (?) e para isso inventar uns insectos gigantes pretos que nem se percebe muito bem o que são, e depois fazê-los tão graaaaandes que nem aparecem completamente na tela, para mim, é muito pobre. Muito fraquinho. Aliás, se eu o tivesse visto no cinema, provavelmente ia pedir o meu dinheiro de volta. Então eu pago para ver o Godzilla e só vejo partes? Uma coluna vertebral aqui, umas patas gigantes ali, uns olhos acolá... Não tem nexo.
Depois, este novo filme parece que tenta contornar as críticas negativas do primeiro filme que é ostensivamente um filme de explosões, uma chiclete, como já disse. Tenta calar um pouco a crtítica oficial que se atira de unhas e dentes a este tipo de filmes e por isso os estúdios atiram para lá palha, lá está, para dar um ar mais sério e introspectivo. E fazem de tudo para o conseguir. Quer seja atafulhar nomes conceituados como Juliette Binoche ou Ken Watanabe para dar seriedade (mas que depois desaparecem após alguns minutos de filme), quer seja em deixar de explodir coisas durante 30 ou 40 entediantes minutos para gajos como eu não virem para aqui criticar e dizer que é só mais um filme de explosões e efeitos. Porque é que uma pessoa paga para ver estes filmes? É para ver o (ou a) Godzilla a partir a louça toda e mais nada. Este segundo remake quase que elimina esse propósito. Tudo isto culmina em algo quimérico que é uma tentiva falhada de misturar um drama (será?) com um filme de acção/efeitos. Um acçrama? Um dramação? Mal por mal, prefiro que sejam fiéis a si próprios e não tentam enganar-se. E especialmente que não tentam enganar as plateias. Nem esconder o Godzilla. ●○○○○
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Continuação daqui...
Gosto muito do Nicholas Cage. Não pela performance nestes dois filmes, mas por causa de (grande parte
dos) outros filmes onde já entrou. Sendo que estes filmes giram em torno de um motoqueiro, Peter Fonda, o eterno Easy Rider, claro está, tinha de aparecer. Dito isto, Ghost Ryder e Ghost Rider: Spirit of Vengeance (era impossível um título mais foleiro), é mais do mesmo. Adpatação da BD, capitalização do sucesso de outras adaptações da BD, grandes explosões, grandes perseguições, efeitos digitais q.b. e... mais nada. Dois filmes para ver num domingo à tarde, quando uma pessoa estiver engripada, com uma mantinha nas pernas... ●○○○○
Gosto muito do Nicholas Cage. Não pela performance nestes dois filmes, mas por causa de (grande parte
dos) outros filmes onde já entrou. Sendo que estes filmes giram em torno de um motoqueiro, Peter Fonda, o eterno Easy Rider, claro está, tinha de aparecer. Dito isto, Ghost Ryder e Ghost Rider: Spirit of Vengeance (era impossível um título mais foleiro), é mais do mesmo. Adpatação da BD, capitalização do sucesso de outras adaptações da BD, grandes explosões, grandes perseguições, efeitos digitais q.b. e... mais nada. Dois filmes para ver num domingo à tarde, quando uma pessoa estiver engripada, com uma mantinha nas pernas... ●○○○○
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É tão difícil distinguir estes filmes como criticá-los. A crítica é difícil porque estes filmes não valem nada como obra cinematográfica, mas preenchem uma lacuna muito importante. Quem é que não gosta de ver coisas a explodir? Quem é que não gosta de ver perseguições espectaculares? Aposto que até o mais snob dos críticos de cinema se esconde numa sala de cinema para se deliciar com estes filmes. E, tenho que admitir, tecnicamente, estes filmes são um portento. Seja ao nível de efeitos especiais, seja ao nível de som ou montagem, estes filmes são quase perfeitos. O problema é que são sempre a mesma coisa. A história é completamente prescindível e os actores só lá estão para darem boas fotos para os cartazes promocionais. Daqui por uns anos (ou meses), alguém faz outro filme do género e é exactamente a mesma coisa. A única coisa que muda é o tamanho das explosões, porque o público está à espera de algo ainda maior.
Eu vi estes dois filmes mais ou menos na mesma altura e teve imensa dificuldade em distinguir os dois. Estava a ver um filme e parece que estava a ver o outro. Só perguntava porque é que o Gerard Butler tinha deixado de aparecer ou porque é que o Jamie Foxx estava a aparecer noutro filme. Foi confuso. Vendo agora os trailers nem consigo lembrar-me muito bem qual dos filmes estou a comentar. Olympus Has Fallen e White House Down fazem-me lembrar uma altura em que os estúdios disputavam argumentos e todos os anos havia dois filmes com o mesmo tema. Ou eram vulcões ou situações em arranha-céus ou outro filme-catástrofe qualquer. Só mudavam os protagonistas e os cartazes. Parecia que um estúdio descobria que outro estúdio estava a fazer um filme do género x e não queriam ficar atrás. "Quem é que têm no papel principal? É o fulano. Então nós arrajamos o cicrano. E quanto explosões têm? Sete. Ui, então nós temos que ter oito." Parece a típíca competição peniana do secundário, só com a diferença que é tudo medido a película.
Dito isto, nunca consigo resistir ao efeito Roland Emmerich, que é rebentar com o máximo de coisas possível. Também não consigo resistir ao efeito Antoine Fuqua que é espancar o máximo de pessoas possível numa só sala. É por isso que toda a gente vê estes filmes, não é verdade? Ver grandes aviões em chamas e a embaterem no chão, helicópteros a explodir, tiroteios infindáveis, perseguições humanamente impossíveis, cenas de grande pancadaria e os maus a levarem uma grande sova no fim, ou a morrerem de forma atroz no final. É conforme a vontade do realizador. Ou dum painel de estudo de mercado. Ou do estúdio, não se sabe bem. Estes filmes são como um medicamento: preenchem aquela lacuna que é o vazio de acção que há em cada um de nós. São o antídoto possível para a rotina diária. Pessoalmente, mesmo sabendo de antemão que são uma nulidade artística e que não vou encontrar absolutamente nada de novo, eu preciso destes filmes e nunca perco a oportunidade de os ver. E só por causa disso, levam ●●○○○.
Eu vi estes dois filmes mais ou menos na mesma altura e teve imensa dificuldade em distinguir os dois. Estava a ver um filme e parece que estava a ver o outro. Só perguntava porque é que o Gerard Butler tinha deixado de aparecer ou porque é que o Jamie Foxx estava a aparecer noutro filme. Foi confuso. Vendo agora os trailers nem consigo lembrar-me muito bem qual dos filmes estou a comentar. Olympus Has Fallen e White House Down fazem-me lembrar uma altura em que os estúdios disputavam argumentos e todos os anos havia dois filmes com o mesmo tema. Ou eram vulcões ou situações em arranha-céus ou outro filme-catástrofe qualquer. Só mudavam os protagonistas e os cartazes. Parecia que um estúdio descobria que outro estúdio estava a fazer um filme do género x e não queriam ficar atrás. "Quem é que têm no papel principal? É o fulano. Então nós arrajamos o cicrano. E quanto explosões têm? Sete. Ui, então nós temos que ter oito." Parece a típíca competição peniana do secundário, só com a diferença que é tudo medido a película.
Dito isto, nunca consigo resistir ao efeito Roland Emmerich, que é rebentar com o máximo de coisas possível. Também não consigo resistir ao efeito Antoine Fuqua que é espancar o máximo de pessoas possível numa só sala. É por isso que toda a gente vê estes filmes, não é verdade? Ver grandes aviões em chamas e a embaterem no chão, helicópteros a explodir, tiroteios infindáveis, perseguições humanamente impossíveis, cenas de grande pancadaria e os maus a levarem uma grande sova no fim, ou a morrerem de forma atroz no final. É conforme a vontade do realizador. Ou dum painel de estudo de mercado. Ou do estúdio, não se sabe bem. Estes filmes são como um medicamento: preenchem aquela lacuna que é o vazio de acção que há em cada um de nós. São o antídoto possível para a rotina diária. Pessoalmente, mesmo sabendo de antemão que são uma nulidade artística e que não vou encontrar absolutamente nada de novo, eu preciso destes filmes e nunca perco a oportunidade de os ver. E só por causa disso, levam ●●○○○.
Durante os anos 80 proliferou um estilo de filmes que entretanto morreu: o fantástico. Nessa categoria muito própria, há um realizador que se destaca entre todos: Terry Gilliam. Ninguém consegue captar o tom fantástico, o surreal e o absurdo como Gilliam. Obviamente que ter no currículo a passagem pelos míticos Monty Python ajuda e muito. Não é de estranhar, portanto, que The Adventures of Baron Munchausen (1988) pareça mais um filme Python que um filme "Gilliam".
A história gira em volta da figura mítica do Barão Munchausen e das suas impossíveis aventuras. Seja na Lua, debaixo do mar, dentro de um peixe gigante, a lutar sozinho contra um exército de turcos, ou até contra a própria Morte, o Barão tudo suplanta graças à mais poderosa de todas as armas: a fantasia. Como por exemplo, puxar os próprios cabelos para não se deixar afundar no mar. Para além da loucura total, os elementos principais continuam a ser os mesmos de toda a filmografia de Gilliam: o embate da fantasia contra a burocracia e a papelada, a força da imaginação contra a força do músculo e a luta desigual contra algo muito maior que o próprio protagonista (neste caso, a Morte).
Gosto do filme porque me envolve em nostalgia. Foi um filme que vi na altura de estreia e sonhei com o filme durante meses. Tudo aquilo era tão estranho, tão surreal e tão absurdo que quase dava vontade que existisse mesmo para poder mergulhar naquele mundo extravagante juntamente com o Barão. Há pouco tempo, quando o revi, a única coisa que me passava pela cabeça, é que as aventuras do barão pareciam uma mistura híbrida de "O Principezinho" e das "Viagens de Gulliver" sobre o efeito de psicotrópicos. Pensando melhor, deve ser mesmo assim que funciona o cérebro de Gilliam.
Visualmente, é simplesmente fantástico. Os efeitos eram (e ainda são) muito bons, espectaculares e cómicos. As piadas são as típicas piadas Monty Phyton. Ou se amam ou se odeiam. Como sempre, Gilliam consegue rodear-se de grande actores como John Neville, Oliver Reed e Jonathan Pryce, já para não falar da constante presença de Phyton's como Eric Idle, ou nomes estranhos ao tema como Sting. Robin Williams aparece no filme como Rei da Lua, mas por qualquer motivo estranho aparece creditado como Ray D. Tutto. Quando se misturam personalidades como estes dois, acho que se pode dizer: "é típico". Uma Thurman, lindíssima como sempre, faz aqui umas das primeiras aparições... como musa. Parece que estava destinada.
A única coisa que posso apontar de negativo a este filme é que ficou preso entre dois mundos: nem é um filme de fantasia para adultos nem para crianças. Lá está: é um filme fantástico de Terry Gilliam. Apesar de não ser nenhuma obra prima, só isso basta.
Se é que isso é possível, The Adventures of Baron Munchausen, é muito mais "chalado" que todos os outros filmes "chalados" de Gilliam. Acho que essa é a palavra perfeita para classificar este filme: chalado. No bom sentido, claro. ●●●○○
A história gira em volta da figura mítica do Barão Munchausen e das suas impossíveis aventuras. Seja na Lua, debaixo do mar, dentro de um peixe gigante, a lutar sozinho contra um exército de turcos, ou até contra a própria Morte, o Barão tudo suplanta graças à mais poderosa de todas as armas: a fantasia. Como por exemplo, puxar os próprios cabelos para não se deixar afundar no mar. Para além da loucura total, os elementos principais continuam a ser os mesmos de toda a filmografia de Gilliam: o embate da fantasia contra a burocracia e a papelada, a força da imaginação contra a força do músculo e a luta desigual contra algo muito maior que o próprio protagonista (neste caso, a Morte).
Gosto do filme porque me envolve em nostalgia. Foi um filme que vi na altura de estreia e sonhei com o filme durante meses. Tudo aquilo era tão estranho, tão surreal e tão absurdo que quase dava vontade que existisse mesmo para poder mergulhar naquele mundo extravagante juntamente com o Barão. Há pouco tempo, quando o revi, a única coisa que me passava pela cabeça, é que as aventuras do barão pareciam uma mistura híbrida de "O Principezinho" e das "Viagens de Gulliver" sobre o efeito de psicotrópicos. Pensando melhor, deve ser mesmo assim que funciona o cérebro de Gilliam.
Visualmente, é simplesmente fantástico. Os efeitos eram (e ainda são) muito bons, espectaculares e cómicos. As piadas são as típicas piadas Monty Phyton. Ou se amam ou se odeiam. Como sempre, Gilliam consegue rodear-se de grande actores como John Neville, Oliver Reed e Jonathan Pryce, já para não falar da constante presença de Phyton's como Eric Idle, ou nomes estranhos ao tema como Sting. Robin Williams aparece no filme como Rei da Lua, mas por qualquer motivo estranho aparece creditado como Ray D. Tutto. Quando se misturam personalidades como estes dois, acho que se pode dizer: "é típico". Uma Thurman, lindíssima como sempre, faz aqui umas das primeiras aparições... como musa. Parece que estava destinada.
A única coisa que posso apontar de negativo a este filme é que ficou preso entre dois mundos: nem é um filme de fantasia para adultos nem para crianças. Lá está: é um filme fantástico de Terry Gilliam. Apesar de não ser nenhuma obra prima, só isso basta.
Se é que isso é possível, The Adventures of Baron Munchausen, é muito mais "chalado" que todos os outros filmes "chalados" de Gilliam. Acho que essa é a palavra perfeita para classificar este filme: chalado. No bom sentido, claro. ●●●○○
Continuação daqui...
Bem, vamos lá a despachar isto. É assim que estes filmes têm de ser encarados. Como tirar um penso rapidamente para não doer tanto. Primeiro, Daredevil (2003). Advogado cego, transformado em super-herói que combate criminosos. Oportunidade única para ver Ben Affleck a usar uma fatiota de cabedal ridícula e Colin Farrell a fazer de criminoso com uma marca ridícula na testa. ●○○○○
Segundo: O sucesso de Michelle Pfeiffer como Catwoman em Batman Returns, foi tão grande que deu origem a um filme autónomo. O resultado é um desastre digital chamado Catwoman (2004). É pena, porque tinha tudo para resultar bem. O realizador é Pitof, homem dos efeitos especiais de Marc Caro e Jean-Pierre Jeunet (Delicatessen e Alien: Resurrection, por exemplo) e também realizador do excepcional Vidocq. Como Catwoman foi escolhida Halle Berry e como super-vilã, Sharon Stone. Parece tudo perfeito. Mas infelizmente, o filme resume-se a massacrar os orgãos visuais com efeitos digitais onde tudo parece plastificado ou um jogo de computador e a mostrar durante o maior tempo possível Halle Berry de roupa interior de cabedal. E já me esqueci onde entra Sharon Stone para além do cartaz e do trailer. É uma verdadeira incógnita como é que uma tão boa conjugação de factores dá origem a um filme tão miserável. ●○○○○
Por fim, Elektra (2005). Um filme que consegue apresentar todos os clichés dos (piores) filmes de acção. A rapariga jeitosa (Jennifer Garner) que quase morre, mas que regressa anos mais tarde - com treino de artes marciais, é claro - para se vingar. Tem uns toques de algo sobrenatural, mas é mesmo só para ter hipótese de colocar efeitos digitais no trailer. Assim como colocar Garner com roupas apertadas e sexys. Não tem qualquer implicação no desenrolar da história. É monótono, entediante, enfadonho, repetitivo e... não me consigo lembrar de mais adjectivos semelhantes. Horrível. ●○○○○
Bem, vamos lá a despachar isto. É assim que estes filmes têm de ser encarados. Como tirar um penso rapidamente para não doer tanto. Primeiro, Daredevil (2003). Advogado cego, transformado em super-herói que combate criminosos. Oportunidade única para ver Ben Affleck a usar uma fatiota de cabedal ridícula e Colin Farrell a fazer de criminoso com uma marca ridícula na testa. ●○○○○
Segundo: O sucesso de Michelle Pfeiffer como Catwoman em Batman Returns, foi tão grande que deu origem a um filme autónomo. O resultado é um desastre digital chamado Catwoman (2004). É pena, porque tinha tudo para resultar bem. O realizador é Pitof, homem dos efeitos especiais de Marc Caro e Jean-Pierre Jeunet (Delicatessen e Alien: Resurrection, por exemplo) e também realizador do excepcional Vidocq. Como Catwoman foi escolhida Halle Berry e como super-vilã, Sharon Stone. Parece tudo perfeito. Mas infelizmente, o filme resume-se a massacrar os orgãos visuais com efeitos digitais onde tudo parece plastificado ou um jogo de computador e a mostrar durante o maior tempo possível Halle Berry de roupa interior de cabedal. E já me esqueci onde entra Sharon Stone para além do cartaz e do trailer. É uma verdadeira incógnita como é que uma tão boa conjugação de factores dá origem a um filme tão miserável. ●○○○○
Por fim, Elektra (2005). Um filme que consegue apresentar todos os clichés dos (piores) filmes de acção. A rapariga jeitosa (Jennifer Garner) que quase morre, mas que regressa anos mais tarde - com treino de artes marciais, é claro - para se vingar. Tem uns toques de algo sobrenatural, mas é mesmo só para ter hipótese de colocar efeitos digitais no trailer. Assim como colocar Garner com roupas apertadas e sexys. Não tem qualquer implicação no desenrolar da história. É monótono, entediante, enfadonho, repetitivo e... não me consigo lembrar de mais adjectivos semelhantes. Horrível. ●○○○○
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Continuação daqui...
Em 2003 saiu a adaptação para cinema de Hulk. Não é uma personagem Marvel que goste. Um monstro verde, de força raivosa incontrolável não é propriamente alguém que gere muitas simpatias, mas de alguma forma o Hulk consegue ter fãs. É obviamente uma reciclagem do velho Mr. Jekyll e Mr. Hyde, mas levado ao extremo, ou não estivéssemos a falar de super-heróis. Como não gosto muito da personagem, não conheço bem a banda desenhada, mas tenho ideia que é um daqueles casos em que não há super-vilões. Ou pelo menos, super-vilões em pé de igualdade. Logo aí, tem uma desvantagem, porque, como toda a gente sabe, se o super-heói não tiver alguém à altura, para que é que serve o super-herói? Por isso, inevitavelmente, o super-vilão tinha mesmo de ser o exército e a sua também força bruta. Ou pelo menos, aquela parte das forças militares que parece que não sabe parar e querem sempre mais e mais e mais. Este tema está presente nos dois filmes, mas é muito melhor tratado no primeiro filme.
A primeira coisa que me chamou a atenção no primeiro filme foi o realizador. Quando vi nos créditos o nome de Ang Lee, pensei que era um erro. O "senhor Sense and Sensibility" vai filmar o Hulk? O mesmo realizador que viria a chocar com Brokeback Mountain? Não podia ser. Pensei eu que devia ser um outro chinês com o mesmo nome. Mas não! Era mesmo "o" Ang Lee. Aguçou-me a curiosidade. Será que pela primeira vez, iria ver um filme de super-heróis que não fosse só explosões, perseguições, efeitos especiais e força bruta? Será que pela primeira vez, iria ver um filme de super-heróis em que no primeiro plano estivessem as implicações para a sociedade da existência de um super-humano? Nem uma coisa nem outra. Ang Lee ficou-se pelo meio. O que é óptimo. Não entrou no campo puramente filosófico da coisa, mas também não entrou no campo estritamente explosivo/efeito CGI. Dadas as circunstâncias (um super-herói "menor" com muito menos simpatizantes que outros do universo Marvel; o efeito não-novidade, dada a avalanche de outros filmes de super-heróis na altura), o que Ang Lee conseguiu fazer, foi provavelmente o melhor filme de super-heróis. Para já, porque é muito equilibrado. Não é uma maçada pseudo-filosófica da condição humana, mas também não é um ataque psicótico de CGI aos olhos e cérebro. Depois, porque até hoje, é o único filme que conseguiu verdadeiramente captar o estilo BD para uma tela de cinema. Há uma cena no meio do filme em que parece que literalmente estava a ver BD, mas animada. Um contra-senso, mas Ang Lee conseguiu fazê-lo. Este é a grande diferença entre ter um realizador maduro, com currículo fora dos filmes de acção e que tem ideias próprias, e um realizador "de estúdio", que pura e simplesmente segue o plano logístico de filmagens.
Eric Bana foi muito bem escolhido, porque de facto, parece que tem algo de Hulk escondido no seu interior. Nick Nolte está sempre bem e da Jennifer Connelly nem vou falar, porque tenho um fraquinho por ela e por isso sou totalmente parcial. Há umas cenas ridículas com uns cães gigantes em CGI que estragam um bocado o filme, mas de resto tudo bem. É desculpável. Hulk, é um filme de puro entretenimento, mas com algum miolo e com espaço para os actores. Não se pode pedir mais para um filme de super-heróis. ●●●○○
Incompreensivelmente, em 2008, saiu um reboot de Hulk. Para não confundir, chamaram-lhe The Incredible Hulk. Esta nova versão conta com Edward Norton no papel principal de Bruce Banner/Hulk e... mais nada! Ah! Esqueci-me que no início aparece o Tim Roth, que é um excelente actor até neste filme mau. Infelizmente, desaparece a meio do filme para dar lugar a uma criação horripilante em CGI, para contrapor aos poderes enfurecidos do Hulk. Também aparecem a Liv Tyler e o fantástico William Hurt mas parece que estão no filme apenas para dar um pouco de tempo de descanso ao pessoal dos efeitos especiais, que diga-se, fizeram o filme quase todo. Só por isto, deve ter tido muito mais sucesso comercial que o primeiro, porque tal como ouvi comentar na altura da estreia: "Este filme é muito melhor que o primeiro, porque tem muito menos "letra" e muito mais efeitos e acção". Isto é totalmente verdade. Então uma pessoa paga bilhete para ver gajos a falar? Claro que não! O que uma pessoa quer ver é o máximo de coisas a explodir, e de preferência, que sejam feitas em computador... Estava a ser irónico.
Do primeiro para o segundo filme as diferenças são abismais. Se o primeiro não é uma refeição completa, pelo menos é uma excelente tosta mista, bem servida de queijo e fiambre e com muita manteiga gostosa. Já o segundo é apenas uma chiclete de mentol que sabe a... chiclete de mentol. Daquelas que, independentemente da marca ou tamanho, sabem sempre igual, uma espécie de mentol artifical, e que passados cinco minutos, ficam duras, perdem todo o sabor e uma pessoa fica com aquela sensação de só estar a mastigar um pedaço de plástico. É um filme tão horripilante quanto a criação CGI do Tim Roth. ●○○○○
Em 2003 saiu a adaptação para cinema de Hulk. Não é uma personagem Marvel que goste. Um monstro verde, de força raivosa incontrolável não é propriamente alguém que gere muitas simpatias, mas de alguma forma o Hulk consegue ter fãs. É obviamente uma reciclagem do velho Mr. Jekyll e Mr. Hyde, mas levado ao extremo, ou não estivéssemos a falar de super-heróis. Como não gosto muito da personagem, não conheço bem a banda desenhada, mas tenho ideia que é um daqueles casos em que não há super-vilões. Ou pelo menos, super-vilões em pé de igualdade. Logo aí, tem uma desvantagem, porque, como toda a gente sabe, se o super-heói não tiver alguém à altura, para que é que serve o super-herói? Por isso, inevitavelmente, o super-vilão tinha mesmo de ser o exército e a sua também força bruta. Ou pelo menos, aquela parte das forças militares que parece que não sabe parar e querem sempre mais e mais e mais. Este tema está presente nos dois filmes, mas é muito melhor tratado no primeiro filme.
A primeira coisa que me chamou a atenção no primeiro filme foi o realizador. Quando vi nos créditos o nome de Ang Lee, pensei que era um erro. O "senhor Sense and Sensibility" vai filmar o Hulk? O mesmo realizador que viria a chocar com Brokeback Mountain? Não podia ser. Pensei eu que devia ser um outro chinês com o mesmo nome. Mas não! Era mesmo "o" Ang Lee. Aguçou-me a curiosidade. Será que pela primeira vez, iria ver um filme de super-heróis que não fosse só explosões, perseguições, efeitos especiais e força bruta? Será que pela primeira vez, iria ver um filme de super-heróis em que no primeiro plano estivessem as implicações para a sociedade da existência de um super-humano? Nem uma coisa nem outra. Ang Lee ficou-se pelo meio. O que é óptimo. Não entrou no campo puramente filosófico da coisa, mas também não entrou no campo estritamente explosivo/efeito CGI. Dadas as circunstâncias (um super-herói "menor" com muito menos simpatizantes que outros do universo Marvel; o efeito não-novidade, dada a avalanche de outros filmes de super-heróis na altura), o que Ang Lee conseguiu fazer, foi provavelmente o melhor filme de super-heróis. Para já, porque é muito equilibrado. Não é uma maçada pseudo-filosófica da condição humana, mas também não é um ataque psicótico de CGI aos olhos e cérebro. Depois, porque até hoje, é o único filme que conseguiu verdadeiramente captar o estilo BD para uma tela de cinema. Há uma cena no meio do filme em que parece que literalmente estava a ver BD, mas animada. Um contra-senso, mas Ang Lee conseguiu fazê-lo. Este é a grande diferença entre ter um realizador maduro, com currículo fora dos filmes de acção e que tem ideias próprias, e um realizador "de estúdio", que pura e simplesmente segue o plano logístico de filmagens.
Eric Bana foi muito bem escolhido, porque de facto, parece que tem algo de Hulk escondido no seu interior. Nick Nolte está sempre bem e da Jennifer Connelly nem vou falar, porque tenho um fraquinho por ela e por isso sou totalmente parcial. Há umas cenas ridículas com uns cães gigantes em CGI que estragam um bocado o filme, mas de resto tudo bem. É desculpável. Hulk, é um filme de puro entretenimento, mas com algum miolo e com espaço para os actores. Não se pode pedir mais para um filme de super-heróis. ●●●○○
Incompreensivelmente, em 2008, saiu um reboot de Hulk. Para não confundir, chamaram-lhe The Incredible Hulk. Esta nova versão conta com Edward Norton no papel principal de Bruce Banner/Hulk e... mais nada! Ah! Esqueci-me que no início aparece o Tim Roth, que é um excelente actor até neste filme mau. Infelizmente, desaparece a meio do filme para dar lugar a uma criação horripilante em CGI, para contrapor aos poderes enfurecidos do Hulk. Também aparecem a Liv Tyler e o fantástico William Hurt mas parece que estão no filme apenas para dar um pouco de tempo de descanso ao pessoal dos efeitos especiais, que diga-se, fizeram o filme quase todo. Só por isto, deve ter tido muito mais sucesso comercial que o primeiro, porque tal como ouvi comentar na altura da estreia: "Este filme é muito melhor que o primeiro, porque tem muito menos "letra" e muito mais efeitos e acção". Isto é totalmente verdade. Então uma pessoa paga bilhete para ver gajos a falar? Claro que não! O que uma pessoa quer ver é o máximo de coisas a explodir, e de preferência, que sejam feitas em computador... Estava a ser irónico.
Do primeiro para o segundo filme as diferenças são abismais. Se o primeiro não é uma refeição completa, pelo menos é uma excelente tosta mista, bem servida de queijo e fiambre e com muita manteiga gostosa. Já o segundo é apenas uma chiclete de mentol que sabe a... chiclete de mentol. Daquelas que, independentemente da marca ou tamanho, sabem sempre igual, uma espécie de mentol artifical, e que passados cinco minutos, ficam duras, perdem todo o sabor e uma pessoa fica com aquela sensação de só estar a mastigar um pedaço de plástico. É um filme tão horripilante quanto a criação CGI do Tim Roth. ●○○○○
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Continuação daqui...
Continuando a adaptação de BD's de sucesso da Marvel, chegou em 2011, Thor. Não é tão mau quando esperava, apesar de ser mais uma história plana, com bons de um lado e maus do outro. A mão de Kenneth Branagh nota-se, mas não consegue resolver todos os problemas inerentes a filmes de super-heróis. Custa-me um pouco criticar estes filmes, pois só imagino a trabalheira que é juntar um puzzle técnico de 150 milhões de dólares. Tecnicamente complexo não quer dizer que seja bom. Chris Hemsworth, que já li algures que é o homem mais sexy do mundo encabeça um elenco que se poderia chamar de luxo (Anthony Hopkins, Natalie Portman, Stellan Skarsgård e Idris Elba) se estivessem ali mesmo para representar e não para dar alguma credibilidade ao filme. O filme até é surpreendentemente melhor do que seria de esperar. Tem boas piadas e um ritmo descontraído. É entretenimento puro e duro e tem a história que toda a gente quer ver: o bom ganha no fim e o mau perde. Por acaso, o mau é irmão do bom e fica retido para a sequela à espera de boas vendas de bilheteira. Thor não tem nada de propriamente mau, mas não deixa de ser mais um filme de super-heróis que se vê e se esquece rapidamente... ●●○○○
Felizmente, para Tom Hiddleston - o actor que dá corpo a Loki, o irmão mau do Thor - as vendas de bilhetes foram um sucesso. Sendo assim, ele está de regresso para mais um incursão em Thor: The Dark World (2013), juntamente com grande parte do elenco do primeiro filme. Ainda bem, porque Hiddleston parece ser um bom actor apesar de nestes filmes andar sempre "disfarçado". a personagem dele perde outra vez no fim. Acho eu. Já não me lembro bem. Este filme consegue ser muito mais irrelevante que o primeiro, portanto tirando as explosões, os efeitos especiais caríssimos, as perseguições alucinantes e o martelo do Thor a voar, já nao me lembro de mais nada. Tem qualquer coisa a ver com um seres ancestrais e uma arma mitológica qualquer que... vai destruir a Terra. E não é sempre assim?... O Thor ganhou (como é óbvio), mas no final houve um problema qualquer com o irmão que se fez passar pelo pai. Foi tão memorável que já não me lembro do que aconteceu, mas sei que ficou com o final em aberto para um possível terceiro capítulo. Portanto, agora, é uma questão do estúdio fazer as contas e ver se deu lucro ou não... E não dá sempre?... ●○○○○
Continuando a adaptação de BD's de sucesso da Marvel, chegou em 2011, Thor. Não é tão mau quando esperava, apesar de ser mais uma história plana, com bons de um lado e maus do outro. A mão de Kenneth Branagh nota-se, mas não consegue resolver todos os problemas inerentes a filmes de super-heróis. Custa-me um pouco criticar estes filmes, pois só imagino a trabalheira que é juntar um puzzle técnico de 150 milhões de dólares. Tecnicamente complexo não quer dizer que seja bom. Chris Hemsworth, que já li algures que é o homem mais sexy do mundo encabeça um elenco que se poderia chamar de luxo (Anthony Hopkins, Natalie Portman, Stellan Skarsgård e Idris Elba) se estivessem ali mesmo para representar e não para dar alguma credibilidade ao filme. O filme até é surpreendentemente melhor do que seria de esperar. Tem boas piadas e um ritmo descontraído. É entretenimento puro e duro e tem a história que toda a gente quer ver: o bom ganha no fim e o mau perde. Por acaso, o mau é irmão do bom e fica retido para a sequela à espera de boas vendas de bilheteira. Thor não tem nada de propriamente mau, mas não deixa de ser mais um filme de super-heróis que se vê e se esquece rapidamente... ●●○○○
Felizmente, para Tom Hiddleston - o actor que dá corpo a Loki, o irmão mau do Thor - as vendas de bilhetes foram um sucesso. Sendo assim, ele está de regresso para mais um incursão em Thor: The Dark World (2013), juntamente com grande parte do elenco do primeiro filme. Ainda bem, porque Hiddleston parece ser um bom actor apesar de nestes filmes andar sempre "disfarçado". a personagem dele perde outra vez no fim. Acho eu. Já não me lembro bem. Este filme consegue ser muito mais irrelevante que o primeiro, portanto tirando as explosões, os efeitos especiais caríssimos, as perseguições alucinantes e o martelo do Thor a voar, já nao me lembro de mais nada. Tem qualquer coisa a ver com um seres ancestrais e uma arma mitológica qualquer que... vai destruir a Terra. E não é sempre assim?... O Thor ganhou (como é óbvio), mas no final houve um problema qualquer com o irmão que se fez passar pelo pai. Foi tão memorável que já não me lembro do que aconteceu, mas sei que ficou com o final em aberto para um possível terceiro capítulo. Portanto, agora, é uma questão do estúdio fazer as contas e ver se deu lucro ou não... E não dá sempre?... ●○○○○
O que está na moda são os filmes de super-heróis. Depois do sucesso das bandas desenhadas, o cinema (re)descobriu todo o potencial dos super-heróis. Pudera. Enquanto houver teenagers com dinheiro para comprar bilhetes, é uma moda que não acabará tão cedo. Mas não é um fenómeno novo. Isto começou há umas décadas atrás e depois morreu. Aparentemente o público fartou-se do género. Ou então fartou-se da autêntica avalanche de filmes que são lançados. Nesta equação, também entra obviamente a fraquíssima qualidade da maior parte dos antigos filmes. A excepção mais visível é sem dúvida o Superman (com Christopher Reeve e Gene Hackman). E para provar a teoria que estes filmes são "usados" até à exaustão, foi sendo sucessivamente "assassinada" com filmes cada vez piores.
Para mim, o ressurgimento dos super-heróis e o ponto de viragem, foi quando Tim Burton pegou no Batman nos anos 90 (mais correctamente, em 1989) e se percebeu que filmes adaptados da BD até podiam ser bons e bem feitos. E a nova capacidade (quase) ilimitada dos efeitos especiais digitais também veio dar um grande empurrão. Depois apareceram os X-Men (filmes quase sempre bem feitos e com bons elencos). A partir daí, nunca mais parou. E, voltamos novamente à estaca da "avalanche"...
Um dos problemas que tenho com o blog, é a falta de tempo para escrever. Os filmes de super-heróis resolvem uma boa parte desse problema. Não há muito a dizer sobre estes filmes. São sempre iguais.
Os heróis já são hiper conhecidos das BD's por isso nem é preciso "criar" a personagem. As histórias são inevitavelmente as mesmas: bons de um lado, maus do outro; os bons e os maus disputam algo que pode destruir o planeta e/ou a humanidade; bons e maus confrontam-se; quando os maus estiverem quase, quase a ganhar a contenda, os bons dão a volta ao assunto e ganham no fim; os maus perdem, mas ficam em suspenso para uma possível sequela se o primeiro tiver sucesso nas bilheteiras. No caso do super-vilão morrer, no próximo filme aparece um outro super-vilão. É isto. Nos próximos tempos, irei debruçar-me sobre a tonelada de filmes com super-heróis que monopolizam as salas de cinema.
O primeiro Fantastic Four saiu em 2005. Como é o primeiro filme, tem de se mostrar como os super-heróis ganham os seus super-poderes. E com isto lá vai metade do filme. O super-vilão aparece (Dr. Doom) e ameaça o mundo. Os super-heróis salvam o mundo. O Dr. Doom fica em suspenso para a sequela. Fim.
É um filme para ver ao sábado de tarde. ●○○○○
O segundo filme da série, Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer chegou às salas de cinema em 2007. Aparece o Surfista Prateado que é o capataz de Galactus (aqui aparece como um fumo preto colossal do tamanho de meio universo, que devora mundos em segundos, mas que no final deste filme demora uma eternidade para chegar da Lua à Terra). O Dr. Doom regressa, alia-se ao mau principal e ameaça o mundo. Os super-heróis ganham quase, quase no fim. Os maus desaparecem em fumo e presume-se que regressam na (possível) sequela. E é isto. É um filme para ver ao domingo de tarde. ●○○○○
CONTINUA...
Para mim, o ressurgimento dos super-heróis e o ponto de viragem, foi quando Tim Burton pegou no Batman nos anos 90 (mais correctamente, em 1989) e se percebeu que filmes adaptados da BD até podiam ser bons e bem feitos. E a nova capacidade (quase) ilimitada dos efeitos especiais digitais também veio dar um grande empurrão. Depois apareceram os X-Men (filmes quase sempre bem feitos e com bons elencos). A partir daí, nunca mais parou. E, voltamos novamente à estaca da "avalanche"...
Um dos problemas que tenho com o blog, é a falta de tempo para escrever. Os filmes de super-heróis resolvem uma boa parte desse problema. Não há muito a dizer sobre estes filmes. São sempre iguais.
Os heróis já são hiper conhecidos das BD's por isso nem é preciso "criar" a personagem. As histórias são inevitavelmente as mesmas: bons de um lado, maus do outro; os bons e os maus disputam algo que pode destruir o planeta e/ou a humanidade; bons e maus confrontam-se; quando os maus estiverem quase, quase a ganhar a contenda, os bons dão a volta ao assunto e ganham no fim; os maus perdem, mas ficam em suspenso para uma possível sequela se o primeiro tiver sucesso nas bilheteiras. No caso do super-vilão morrer, no próximo filme aparece um outro super-vilão. É isto. Nos próximos tempos, irei debruçar-me sobre a tonelada de filmes com super-heróis que monopolizam as salas de cinema.
O primeiro Fantastic Four saiu em 2005. Como é o primeiro filme, tem de se mostrar como os super-heróis ganham os seus super-poderes. E com isto lá vai metade do filme. O super-vilão aparece (Dr. Doom) e ameaça o mundo. Os super-heróis salvam o mundo. O Dr. Doom fica em suspenso para a sequela. Fim.
É um filme para ver ao sábado de tarde. ●○○○○
O segundo filme da série, Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer chegou às salas de cinema em 2007. Aparece o Surfista Prateado que é o capataz de Galactus (aqui aparece como um fumo preto colossal do tamanho de meio universo, que devora mundos em segundos, mas que no final deste filme demora uma eternidade para chegar da Lua à Terra). O Dr. Doom regressa, alia-se ao mau principal e ameaça o mundo. Os super-heróis ganham quase, quase no fim. Os maus desaparecem em fumo e presume-se que regressam na (possível) sequela. E é isto. É um filme para ver ao domingo de tarde. ●○○○○
CONTINUA...
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Drive (2011) é um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Em grande parte, porque é algo totalmente novo. Parece um policial negro dos anos 60 (tipo Bullit), feito à maneira dos anos 80 (tipo To Live and Die in LA), mas com uma roupagem do século XXI (tipo... Drive). Pode parecer uma mistura esquisita, mas acaba por resultar bem. Muito bem.
Apesar de ter ouvido uns "zun-zuns" sobre o filme, não fazia a mínima ideia do que se tratava. Costumo evitar saber muito sobre os filmes em pré-produção para não perderem o efeito-surpresa e/ou para não gerarem muita expectativa. Neste caso, resultou perfeitamente. Houve momentos em que fiquei literalmente de boca aberta e a única coisa que conseguia dizer era: "isto é excelente!". Uma raridade, hoje em dia.
Não conhecia muito bem o trabalho de Ryan Gosling e também não conhecia Nicolas W. Refn. Lembro-me de há uns anos ter visto um pequeno, mas brilhante filme chamado Bronson, mas na altura não fixei o nome do realizador. Como não há coincidências, o nome comum é... Nicolas W. Refn. Bem, já não me esqueço mais.
Brilhante e singular realização, excelente banda sonora alternativa, grandes momentos de cinema, belíssima fotografia e um conjunto de actores de 5 estrelas. Albert Brooks, como uma espécie de mafioso freak coleccionador de facas é uma maravilha; Ron Perlman que... é o Ron Perlman! Basta estar lá e nem precisa de abrir a boca. Mas especialmente Ryan Gosling, que já tinha visto por aí em alguns filmes, e que sempre pensei que era mais um daqueles actores "bonitos" e pré-formatados de Hollywood. Grande erro. Ryan Gosling é excepcional.
A história não é nenhuma novidade, mas acaba por ser envolvente. A meio do filme, até parece que vai descambar porque começa a dispersar muito, mas depois acaba por manter a coerência.
Um solitário condutor profissional (que nunca sabemos o nome) ganha a vida como duplo de cinema, mas faz uns serviços extra menos convencionais como condutor de fuga em assaltos. Ele é o homem sem emoções, metódico, hiper-calmo, quase a roçar o psicótico que resolve as situações mais stressantes sem nunca hesitar. E sem nunca largar o palito dos dentes...
Tudo se complica quando se envolve com uma rapariga (a vizinha do lado, que tem um filho pequeno) e decide ajudá-la a ultrapassar algumas dificuldades. À boa maneira dos primeiros filmes dos irmãos Cohen, tudo se vai complicando cada vez mais e tudo corre da pior maneira possível. Especialmente, quando o marido da rapariga sai da prisão e volta para casa, arrastando a família para um mundo de violência e crime que o persegue. E é um mundo mesmo muito violento, que acaba por culminar num âmbiguo final dramático.
Quando vi o Bronson, notei muitas influências de Kubrick, especialmente da Laranja Mecânica. Por mim, tudo bem. Se é para "roubar", ao menos que se "roube" dos melhores. Em Drive, as influências continuam lá (parecem ter vindo do 2001) e manifestam-se em loooooongos e penooooososo takes. Não é que estrague o filme ou que o prejudique (acho que é até o que o diferencia dos restantes filmes), mas sinceramente, parece-me um pouco exagerado. É o único ponto menos positivo que posso apontar. Um pouco menos de lentidão (a personagem de Gosling já carrega toda a tensão do mundo só no olhar) e um pouco mais daquela sensação de adrelina quando se conduz um carro a alta velocidade e era um filme sem falhas. Tenho a certeza que com o tempo se irá afirmar como uma referência e será muitas vezes copiado. Quase, quase perfeito. ●●●●○
Apesar de ter ouvido uns "zun-zuns" sobre o filme, não fazia a mínima ideia do que se tratava. Costumo evitar saber muito sobre os filmes em pré-produção para não perderem o efeito-surpresa e/ou para não gerarem muita expectativa. Neste caso, resultou perfeitamente. Houve momentos em que fiquei literalmente de boca aberta e a única coisa que conseguia dizer era: "isto é excelente!". Uma raridade, hoje em dia.
Não conhecia muito bem o trabalho de Ryan Gosling e também não conhecia Nicolas W. Refn. Lembro-me de há uns anos ter visto um pequeno, mas brilhante filme chamado Bronson, mas na altura não fixei o nome do realizador. Como não há coincidências, o nome comum é... Nicolas W. Refn. Bem, já não me esqueço mais.
Brilhante e singular realização, excelente banda sonora alternativa, grandes momentos de cinema, belíssima fotografia e um conjunto de actores de 5 estrelas. Albert Brooks, como uma espécie de mafioso freak coleccionador de facas é uma maravilha; Ron Perlman que... é o Ron Perlman! Basta estar lá e nem precisa de abrir a boca. Mas especialmente Ryan Gosling, que já tinha visto por aí em alguns filmes, e que sempre pensei que era mais um daqueles actores "bonitos" e pré-formatados de Hollywood. Grande erro. Ryan Gosling é excepcional.
A história não é nenhuma novidade, mas acaba por ser envolvente. A meio do filme, até parece que vai descambar porque começa a dispersar muito, mas depois acaba por manter a coerência.
Um solitário condutor profissional (que nunca sabemos o nome) ganha a vida como duplo de cinema, mas faz uns serviços extra menos convencionais como condutor de fuga em assaltos. Ele é o homem sem emoções, metódico, hiper-calmo, quase a roçar o psicótico que resolve as situações mais stressantes sem nunca hesitar. E sem nunca largar o palito dos dentes...
Tudo se complica quando se envolve com uma rapariga (a vizinha do lado, que tem um filho pequeno) e decide ajudá-la a ultrapassar algumas dificuldades. À boa maneira dos primeiros filmes dos irmãos Cohen, tudo se vai complicando cada vez mais e tudo corre da pior maneira possível. Especialmente, quando o marido da rapariga sai da prisão e volta para casa, arrastando a família para um mundo de violência e crime que o persegue. E é um mundo mesmo muito violento, que acaba por culminar num âmbiguo final dramático.
Quando vi o Bronson, notei muitas influências de Kubrick, especialmente da Laranja Mecânica. Por mim, tudo bem. Se é para "roubar", ao menos que se "roube" dos melhores. Em Drive, as influências continuam lá (parecem ter vindo do 2001) e manifestam-se em loooooongos e penooooososo takes. Não é que estrague o filme ou que o prejudique (acho que é até o que o diferencia dos restantes filmes), mas sinceramente, parece-me um pouco exagerado. É o único ponto menos positivo que posso apontar. Um pouco menos de lentidão (a personagem de Gosling já carrega toda a tensão do mundo só no olhar) e um pouco mais daquela sensação de adrelina quando se conduz um carro a alta velocidade e era um filme sem falhas. Tenho a certeza que com o tempo se irá afirmar como uma referência e será muitas vezes copiado. Quase, quase perfeito. ●●●●○
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Mr. Holland's Opus (1995) conta a história de Glenn Hollande, um compositor com aspirações, transformado em professor de música contrariado. Ao longo de três décadas (dos anos 60 até aos 90), ele suporta tudo à sua volta: a mulher, o filho (dramaticamente com problemas auditivos), a escola e os seus alunos, com quem vai gradualmente desenvolvendo relações afetivas cada vez mais estreitas e pessoais. Com tudo isto à sua volta, Holland vai sempre adiando, ano após ano, a sua derradeira criação: compor uma grande ópera moderna americana.
É um drama com alguma intensidade e um tour de force de Richard Dreyfuss que tem aqui uma excepcional prestação. Dreyfuss "pesa" imenso neste filme: ele é literalmente o filme a girar à sua volta. Mr. Holland's Opus tem uma história muito boa, e especialmente muito bem contada e coerente, porque não se perde ao longo de um período de tempo tão grande.
Por causa do contexto escolar, é inevitável a comparação com o Dead Poets Society. Este Mr. Holland's Opus fica num patamar abaixo porque lhe falta melhores actores de suporte (safa-se William H. Macy) e porque sendo um filme que gira em torno de um professor de música, a música acaba por ser muito pouco explorada. Para mim, também é o exemplo de filme que podia ter ido mais longe. Tinha tudo para ser um daqueles "dramalhaços" que nos arranca lágrimas a toda a hora. não tendo grandes pontos negativos a apontar, também não consegue ser um grande filme. Ainda assim, é um filme que gosto muito e que recomendo sempre. ●●●○○
É um drama com alguma intensidade e um tour de force de Richard Dreyfuss que tem aqui uma excepcional prestação. Dreyfuss "pesa" imenso neste filme: ele é literalmente o filme a girar à sua volta. Mr. Holland's Opus tem uma história muito boa, e especialmente muito bem contada e coerente, porque não se perde ao longo de um período de tempo tão grande.
Por causa do contexto escolar, é inevitável a comparação com o Dead Poets Society. Este Mr. Holland's Opus fica num patamar abaixo porque lhe falta melhores actores de suporte (safa-se William H. Macy) e porque sendo um filme que gira em torno de um professor de música, a música acaba por ser muito pouco explorada. Para mim, também é o exemplo de filme que podia ter ido mais longe. Tinha tudo para ser um daqueles "dramalhaços" que nos arranca lágrimas a toda a hora. não tendo grandes pontos negativos a apontar, também não consegue ser um grande filme. Ainda assim, é um filme que gosto muito e que recomendo sempre. ●●●○○
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Há filmes que causam tanto impacto na estreia que têm obrigatoriamente que ter seguimento. É o caso de Robocop (1987). Deu origem a duas sequelas, uma série de tv, um jogo de computador, toneladas de merchandising e, recentemente foi alvo da nova moda de hollywood, o reboot.
A história de Robocop passa-se num futuro próximo (de 1987), numa Detroit distópica, onde o crime domina a cidade. Como se não bastasse, a cidade está prestes a ser totalmente privatizada e a cair nas mãos da OCP, uma mega-corporação omnipresente, omnipotente, corrupta e gananciosa que não olha a meios para atingir os seus fins. (Não deixa de ser curioso que o enredo do filme se tenha aproximado tanto da Detroit dos dias de hoje.)
A OCP tem apenas um propósito para a velha cidade: destruí-la e começar tudo de novo. Perante a impotência da polícia para travar a criminalidade, a OCP decide recorrer a robots para pacificar a zona, antes de iniciar a sua reconstrução total. A derradeira resposta ao crime urbano é o ED-209, um robot monstruoso e armado até aos dentes. Quando numa violentíssima cena, o ED-209 dá erro e mata alguns executivos da OCP, a corporação vira-se para um projecto alternativo, mistura de homem e máquina, chamado Robocop. Para isso, usam o que restou do polícia Alex Murphy (Peter Weller), violentamente morto por um grupo de perigosos criminosos com ligações à cúpula da OCP.
O filme tornou-se automaticamente num clássico da ficção científica, recheado de hiper-violência e crítica em forma de sátira às modernas sociedades de consumo. Apesar de não ser o primeiro filme de Paul Verhoeven em solo americano (o primeiro foi o excelente e esquecido Flesh & Blood) não deixa de ser uma "estreia" de arromba e um marco para o cinema e para o próprio Verhoeven. A partir daqui, seguiu quase sempre o mesmo registo violento e satírico (como em Starship Troopers e Total Recall), o que aparentemente levou a que nunca se afirmasse como grande realizador que é. Talvez o grande problema de Verhoeven é ser demasiado excessivo para Hollywood.
E, não há dúvidas, Robocop é excessivo. Para já, na própria mensagem e temática do filme: deturpação dos media, corrupção e violência generalizada, autoristarismo, ganância desmedida, desumanização, capitalismo selvagem e perversão da própria natureza humana. Depois, visualmente, para um filme de base "comercial" da altura, contém algumas das cenas mais violentas que já vi. Isto é o que poderia afectar o filme negativamente. Não foi o caso, porque o positivo suplanta em muito o potencial negativo.
Em primeiro, Robocop tem um conjunto brilhante de actores, a começar por Peter Weller, passando por Ronny Cox, Kurtwood Smith e Miguel Ferrer que dão uma seriedade impecável ao filme. Em segundo, tem uma história muito boa e totalmente original (convém sublinhar bem este factor, original) que criou um ícone/super-herói do cinema, assim como um supervilão muito diferente do habitual, a maléfica OCP. Em terceiro, os aspectos técnicos: a banda sonora é excelente assim como toda a componente de som; os efeitos especiais eram do melhor que havia na altura e, por se tratarem de robots, ainda se aguentam bem, mesmo passado tanto tempo.
Por último, Robocop tem um irreverente Paul Verhoeven atrás das câmaras, que, sem fazer nenhum tipo de concessões ao grande público, consegue manter um tom sério ao mesmo tempo que não despreza a acção pura e dura. Pelos exemplos das sequelas, percebe-se o quanto é difícil não entrar no campo do ridículo, principalmente quando se tem um polícia-robot como protagonista principal.
Quando o vi pela primeira vez, gostei imenso. Hoje, continuo a gostar. Para mim, é um clássico moderno da ficção científica, totalmente original, e que merece estar em qualquer lista dos melhores de sempre. ●●●●○
No seguimento do grande sucesso do primeiro filme, surgiu inevitavelmente uma sequela, Robocop2 (1990) . Esta, nem é assim tão má, como costumam ser as sequelas "tradicionais". Fica apenas uns furos abaixo do original. O enredo não foge muito à lógica do primeiro, com a excepção do confronto entre o Robocop original e um novo robot (o Robocop2), agora comandado por um traficante/criador de drogas sintéticas.
Este Robocop 2 não acrescenta nada de novo, mas também não cai no ridículo como aconteceu no terceiro filme. Perdeu obviamente, o efeito surpresa, o que já é bastante. Mas no fim, acaba por ser um filme medianamente bom. É dirigido por um realizador muito competente e habituado às grandes produções de acção, Irvin Kershner (Star Wars: Episódio V e 007, Never Say Never Again), continua a ser suportado por (alguns) bons actores, tem um argumento light, mas aceitável, e tem um ritmo acelerado e coerente durante todo o filme, que é o que se pretende num filme de acção.
Como se costuma dizer na gíria: "não é de especial, mas vê-se bem..." ●●●○○
É uma coisa que me intriga: como é que responsáveis por um estúdio de cinema vêm a montagem final de um filme destes e dizem: está bom, siga para as salas de cinema. Só vejo uma razão para isto acontecer. É alguém dizer: "vamos vender uns bilhetes, que as pessoas querem é ver o Robocop". E a lógica de querer vender bilhetes à força dá nisto: Robocop3 (1993). Uma anedota de filme. Um fim inglório para uma personagem icónica. Não há nada que se aproveite neste filme. O argumento é ridículo e mais parece que misturaram a história do Robocop com uma história duma moderna ascensão nazi. Chega ao absurdo de se substituir o actor principal por um parecido com o Peter Weller do filme original. É possível ir mais ao fundo? É, pois! Os efeitos especiais regrediram e são estupidamente ultrapassados. Repito: este é o exemplo de filmes feitos propositadamente para cavalgar o êxito dos anteriores, vender mais alguns bilhetes e mais nada. Na nova história, Robocop tem agora como adversário um "suposto" andróide japonês (a OCP foi comprada por uma empresa rival japonesa) que é uma espécie de robot-ninja (!?), que só se sabe que é um robot, porque quando morre emite algumas faíscas. Ridículo. Pior ainda, é que durante a maior parte do filme, o Robocop está partido ao bocados, avariado, desligado, a ser consertado ou está estatelado no chão, indefeso. E depois, no fim, ainda voa graças a um jet-pack... Não há palavras para descrever tanta mediocridade. Um filme que é uma nulidade, mas acima de tudo é uma cuspidela sem vergonha numa das melhores criações originais do cinema. Na ânsia do lucro fácil, os estúdios de Hollywood por vezes comportam-se como pequenas versões cinematográfica da OCP: não olham a meios para fazer uns dólares extra, nem que para isso tenham de matar e atirar para sarjeta as suas próprias criações. Inacreditável. ○○○○○
Como toda a gente já percebeu, em Hollywood, as ideias morreram há bastante tempo. Agora só existem adaptações de bandas desenhadas e/ou novelas gráficas, sequelas, prequelas, remakes e reboots de êxitos antigos. Inevitavelmente, o reboot tinha de chegar a Robocop (2014).
Tenho de admitir que não foi tão decepcionante como previa. Mas também não trouxe nada de novo, o que acaba por ser algo... decepcionante, já que a expectativa de ter José Padilha atrás das câmaras era bastante grande. É o chamado "mixed feeling".
A nova história é algo diferente. A OCP continua a ser a megacorporação ultra-gananciosa do original mas agora é mais global e militarizada. Presume-se que esteja numa fase mais avançada, tendo já em terreno estrangeiro robots a pacificar zonas urbanas em conflito. Já o agente Murphy torna-se em Robocop mais ou menos da mesma forma que o original. A dualidade homem-máquina acaba por ser um pouco mais aprofundada, mas ainda assim de uma forma muito light. Para além do update (mais ou menos bem conseguido) ao aspecto do próprio cyborg, a grande diferença deste filme para o primeiro é a abordagem dos media, menos satírica e muito mais contundente e crítica. Para isso muito ajuda Samuel L. Jackson a interpretar a figura de um grande comunicador de massas, que chega quase a ser assustador e que parece uma voz da propaganda do regime. E muito do filme gira em torno desse tema "quente": devem ou não, os robots ser introduzidos na vida quotidina como agentes da autoridade? Como se costuma dizer: é um tema complicado...
Como filme, tecnicamente é irrepeensível. Vindo dum realizador como José Padilha não seria de esperar outra coisa. Tudo faz sentido e tudo está bem feito. Tem um casting que não necessita de grandes comentários: Gary Oldman, Samuel L. Jackson e Michael Keaton. Só este trio, corrigia qualquer defeito maior que o filme pudesse ter.
Se este reboot perde em relação ao original, é precisamente por causa disso: não é original. É apenas um reboot de uma grande êxito antigo. Apesar do novo Robocop ser um filme relativamente bom, sinceramente, espero que os estúdios fiquem por aqui. O melhor é dedicarem-se a criar personagens novas, originais e icónicas como aconteceu com o primeiro Robocop. ●●●○○
A história de Robocop passa-se num futuro próximo (de 1987), numa Detroit distópica, onde o crime domina a cidade. Como se não bastasse, a cidade está prestes a ser totalmente privatizada e a cair nas mãos da OCP, uma mega-corporação omnipresente, omnipotente, corrupta e gananciosa que não olha a meios para atingir os seus fins. (Não deixa de ser curioso que o enredo do filme se tenha aproximado tanto da Detroit dos dias de hoje.)
A OCP tem apenas um propósito para a velha cidade: destruí-la e começar tudo de novo. Perante a impotência da polícia para travar a criminalidade, a OCP decide recorrer a robots para pacificar a zona, antes de iniciar a sua reconstrução total. A derradeira resposta ao crime urbano é o ED-209, um robot monstruoso e armado até aos dentes. Quando numa violentíssima cena, o ED-209 dá erro e mata alguns executivos da OCP, a corporação vira-se para um projecto alternativo, mistura de homem e máquina, chamado Robocop. Para isso, usam o que restou do polícia Alex Murphy (Peter Weller), violentamente morto por um grupo de perigosos criminosos com ligações à cúpula da OCP.
O filme tornou-se automaticamente num clássico da ficção científica, recheado de hiper-violência e crítica em forma de sátira às modernas sociedades de consumo. Apesar de não ser o primeiro filme de Paul Verhoeven em solo americano (o primeiro foi o excelente e esquecido Flesh & Blood) não deixa de ser uma "estreia" de arromba e um marco para o cinema e para o próprio Verhoeven. A partir daqui, seguiu quase sempre o mesmo registo violento e satírico (como em Starship Troopers e Total Recall), o que aparentemente levou a que nunca se afirmasse como grande realizador que é. Talvez o grande problema de Verhoeven é ser demasiado excessivo para Hollywood.
E, não há dúvidas, Robocop é excessivo. Para já, na própria mensagem e temática do filme: deturpação dos media, corrupção e violência generalizada, autoristarismo, ganância desmedida, desumanização, capitalismo selvagem e perversão da própria natureza humana. Depois, visualmente, para um filme de base "comercial" da altura, contém algumas das cenas mais violentas que já vi. Isto é o que poderia afectar o filme negativamente. Não foi o caso, porque o positivo suplanta em muito o potencial negativo.
Em primeiro, Robocop tem um conjunto brilhante de actores, a começar por Peter Weller, passando por Ronny Cox, Kurtwood Smith e Miguel Ferrer que dão uma seriedade impecável ao filme. Em segundo, tem uma história muito boa e totalmente original (convém sublinhar bem este factor, original) que criou um ícone/super-herói do cinema, assim como um supervilão muito diferente do habitual, a maléfica OCP. Em terceiro, os aspectos técnicos: a banda sonora é excelente assim como toda a componente de som; os efeitos especiais eram do melhor que havia na altura e, por se tratarem de robots, ainda se aguentam bem, mesmo passado tanto tempo.
Por último, Robocop tem um irreverente Paul Verhoeven atrás das câmaras, que, sem fazer nenhum tipo de concessões ao grande público, consegue manter um tom sério ao mesmo tempo que não despreza a acção pura e dura. Pelos exemplos das sequelas, percebe-se o quanto é difícil não entrar no campo do ridículo, principalmente quando se tem um polícia-robot como protagonista principal.
Quando o vi pela primeira vez, gostei imenso. Hoje, continuo a gostar. Para mim, é um clássico moderno da ficção científica, totalmente original, e que merece estar em qualquer lista dos melhores de sempre. ●●●●○
No seguimento do grande sucesso do primeiro filme, surgiu inevitavelmente uma sequela, Robocop2 (1990) . Esta, nem é assim tão má, como costumam ser as sequelas "tradicionais". Fica apenas uns furos abaixo do original. O enredo não foge muito à lógica do primeiro, com a excepção do confronto entre o Robocop original e um novo robot (o Robocop2), agora comandado por um traficante/criador de drogas sintéticas.
Este Robocop 2 não acrescenta nada de novo, mas também não cai no ridículo como aconteceu no terceiro filme. Perdeu obviamente, o efeito surpresa, o que já é bastante. Mas no fim, acaba por ser um filme medianamente bom. É dirigido por um realizador muito competente e habituado às grandes produções de acção, Irvin Kershner (Star Wars: Episódio V e 007, Never Say Never Again), continua a ser suportado por (alguns) bons actores, tem um argumento light, mas aceitável, e tem um ritmo acelerado e coerente durante todo o filme, que é o que se pretende num filme de acção.
Como se costuma dizer na gíria: "não é de especial, mas vê-se bem..." ●●●○○
É uma coisa que me intriga: como é que responsáveis por um estúdio de cinema vêm a montagem final de um filme destes e dizem: está bom, siga para as salas de cinema. Só vejo uma razão para isto acontecer. É alguém dizer: "vamos vender uns bilhetes, que as pessoas querem é ver o Robocop". E a lógica de querer vender bilhetes à força dá nisto: Robocop3 (1993). Uma anedota de filme. Um fim inglório para uma personagem icónica. Não há nada que se aproveite neste filme. O argumento é ridículo e mais parece que misturaram a história do Robocop com uma história duma moderna ascensão nazi. Chega ao absurdo de se substituir o actor principal por um parecido com o Peter Weller do filme original. É possível ir mais ao fundo? É, pois! Os efeitos especiais regrediram e são estupidamente ultrapassados. Repito: este é o exemplo de filmes feitos propositadamente para cavalgar o êxito dos anteriores, vender mais alguns bilhetes e mais nada. Na nova história, Robocop tem agora como adversário um "suposto" andróide japonês (a OCP foi comprada por uma empresa rival japonesa) que é uma espécie de robot-ninja (!?), que só se sabe que é um robot, porque quando morre emite algumas faíscas. Ridículo. Pior ainda, é que durante a maior parte do filme, o Robocop está partido ao bocados, avariado, desligado, a ser consertado ou está estatelado no chão, indefeso. E depois, no fim, ainda voa graças a um jet-pack... Não há palavras para descrever tanta mediocridade. Um filme que é uma nulidade, mas acima de tudo é uma cuspidela sem vergonha numa das melhores criações originais do cinema. Na ânsia do lucro fácil, os estúdios de Hollywood por vezes comportam-se como pequenas versões cinematográfica da OCP: não olham a meios para fazer uns dólares extra, nem que para isso tenham de matar e atirar para sarjeta as suas próprias criações. Inacreditável. ○○○○○
Como toda a gente já percebeu, em Hollywood, as ideias morreram há bastante tempo. Agora só existem adaptações de bandas desenhadas e/ou novelas gráficas, sequelas, prequelas, remakes e reboots de êxitos antigos. Inevitavelmente, o reboot tinha de chegar a Robocop (2014).
Tenho de admitir que não foi tão decepcionante como previa. Mas também não trouxe nada de novo, o que acaba por ser algo... decepcionante, já que a expectativa de ter José Padilha atrás das câmaras era bastante grande. É o chamado "mixed feeling".
A nova história é algo diferente. A OCP continua a ser a megacorporação ultra-gananciosa do original mas agora é mais global e militarizada. Presume-se que esteja numa fase mais avançada, tendo já em terreno estrangeiro robots a pacificar zonas urbanas em conflito. Já o agente Murphy torna-se em Robocop mais ou menos da mesma forma que o original. A dualidade homem-máquina acaba por ser um pouco mais aprofundada, mas ainda assim de uma forma muito light. Para além do update (mais ou menos bem conseguido) ao aspecto do próprio cyborg, a grande diferença deste filme para o primeiro é a abordagem dos media, menos satírica e muito mais contundente e crítica. Para isso muito ajuda Samuel L. Jackson a interpretar a figura de um grande comunicador de massas, que chega quase a ser assustador e que parece uma voz da propaganda do regime. E muito do filme gira em torno desse tema "quente": devem ou não, os robots ser introduzidos na vida quotidina como agentes da autoridade? Como se costuma dizer: é um tema complicado...
Como filme, tecnicamente é irrepeensível. Vindo dum realizador como José Padilha não seria de esperar outra coisa. Tudo faz sentido e tudo está bem feito. Tem um casting que não necessita de grandes comentários: Gary Oldman, Samuel L. Jackson e Michael Keaton. Só este trio, corrigia qualquer defeito maior que o filme pudesse ter.
Se este reboot perde em relação ao original, é precisamente por causa disso: não é original. É apenas um reboot de uma grande êxito antigo. Apesar do novo Robocop ser um filme relativamente bom, sinceramente, espero que os estúdios fiquem por aqui. O melhor é dedicarem-se a criar personagens novas, originais e icónicas como aconteceu com o primeiro Robocop. ●●●○○
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Henry: Portrait of a Serial Killer (1986) é baseado na figura real do assassino em série Henry Lee Lucas (que morreu na prisão em 2001) e do seu companheiro de matanças, Ottis Toole. Contrariamente à história do verdadeiro duo criminoso, a personagem de Becky é transformada em irmã adulta de Ottis, em vez da sobrinha de 12 anos. Também os crimes retratados no filme são os que Henry confessou como seus (mas que nunca puderam ser comprovados) e não os que foram realmente documentados pela polícia. Graças a esses crimes, e apesar de ter sido condenado à morte, Henry acabou apenas por cumprir prisão perpétua por interferência do então governador do Texas. E o governador era... George W. Bush. Estranho, não? É caso para dizer que a realidade é mais estranha que a ficção...
Revendo o filme muitos anos depois, noto nitidamente que vai perdendo o efeito choque inicial. É normal. Hoje em dia, ninguém sai a correr do cinema se vir pela primeira vez o Psico ou até O Exorcista. Vão sempre aparecendo filmes que suplantam o efeito choque/soco-no-estômago como por exemplo, Irreversível. Quando querem chocar, os filmes conseguem sempre elevar a fasquia. Ou então, são as plateias que entretanto ficaram mais "endurecidas" e precisam de choques cada vez mais violentos...
Na figura principal de Henry, um assassino em série totalmente aleatório, está Michael Rooker, um actor de segunda linha de Hollywood. O que não quer dizer que é mau actor, apenas que não é muito conhecido. Este filme prova que os actores não se medem pela popularidade nem pela quantidade de blockbusters em que participam. Rooker, como excelente actor que é, faz uma excelente representação e não é exagero afirmar que garantiu um espaço ao lado dos grandes psicopatas do cinema como Perkins (Psico) e Hopkins (Silence of the Lambs). Nada mau para o primeiro filme. Li uma história em que se conta que na altura, Rooker trabalhava como contínuo e foi de uniforme que se apresentou nas audições, e assim continuou durante todo o processo de filmagem. Não sei se foi o uniforme ou outra coisa qualquer, mas conseguiu criar na personagem uma dualidade de vadio antipático, de quem sentimos mais pena que repulsa, e com quem se poderia ter um conversa normal sem desconfiar de nada. E, para um papel destes, mais importante que tudo, é a personagem possuir crazy eye. Rooker é irrepreensível nesse aspecto.
A narrativa do filme é monótona e totalmente linear. Poderia ser uma coisa má, mas neste caso até ajuda. Acrescenta tensão durante todo o filme e acaba por adensar ainda mais o ambiente de anormalidade em que os dois loucos vão vagueando sem regras e sem controlo. A filmagem estática, e takes penosamente longos obrigam a uma fixação constante nas imagens e a uma atenção redobrada, levando a um autêntico mergulho no filme e do qual não se consegue escapar com facilidade. Não deixa de ser curioso que esta opção tenha sido um reflexo do baixo orçamento, já que o realizador John McNaughton confirmou que o projecto inicial envolvia toda uma filmagem mais solta, do tipo documental, de câmara ao ombro, que não se concretizou por motivos financeiros e pela perda do director de fotografia. Apesar de tudo, este tipo de filmagem foi explorado ao máximo em duas cenas: uma, crescentemente tensa mas totalmente improvisada pelos três actores principais e outra, numa das cenas mais violentas do filme, em que é filmada uma família a ser brutalmente atacada. No fim de toda a selvajaria envolvendo um casal anónimo e indefeso, apercebe-se que afinal estamos a ver uma repetição gravada na TV; precisamente o mesmo que os dois assassinos estão a fazer. Esta cena obriga a uma reflexão obrigatória. Afinal, porque tanto nos fascina os assassinos em série e os seus actos bárbaros? E, seremos nós, "os normais", assim tão diferentes, para estar a assistir a estas cenas? Quer se queira, quer não, um filme com serial killers é sempre um sucesso de bilheteira e muitos destes filmes são clássicos intemporais. E todos os grandes actores desejam ter no currículo um papel assim. Dá que pensar...
Henry é um daqueles filmes que desmonta a velha teoria que um filme para ser rentável e economicamente viável, precisa de ter um grande orçamento. Filmado em 1986 por 110 mil dólares acabou por render mais de meio milhão quando foi posto a circular no circuito alternativo em 1989. E desde então tem facturado mais milhões. Nada mau para um filme em que os próprios produtores estavam relutantes em libertar para o público (é essa a razão do hiato de 3 anos entre a produção e a exibição), povoado de amigos do realizador e da equipa técnica (para colmatar a falta de actores profissionais), assim como o uso nas filmagens dos seus carros pessoais e até as próprias roupas. Até o produtor executivo contribui na representação, algo impensável hoje em dia. Neste caso, o aspecto quase amador é uma ajuda importante para a textura do filme, conferindo um aspecto totalmente cru e sujo, o que cai optimamente bem no clássico tema dos assassinos em série.
Não haja dúvidas. Este é um filme para os amantes incondicionais de festivais de terror e/ou para quem gosta de ser "agredido" visualmente no conforto do seu sofá. Muitos dos envolvidos no próprio filme, como Tom Towles (Otis) afirmaram que o filme é tão perturbador que só o viram uma vez. Não se fica com uma boa sensação depois de ver Henry, porque este é um daqueles filmes duros de ver. É como ser perseguido por uma figura misteriosa por uma viela imunda e escura numa noite de chuva... E mesmo assim é um filme muito bom. ●●●●○
Revendo o filme muitos anos depois, noto nitidamente que vai perdendo o efeito choque inicial. É normal. Hoje em dia, ninguém sai a correr do cinema se vir pela primeira vez o Psico ou até O Exorcista. Vão sempre aparecendo filmes que suplantam o efeito choque/soco-no-estômago como por exemplo, Irreversível. Quando querem chocar, os filmes conseguem sempre elevar a fasquia. Ou então, são as plateias que entretanto ficaram mais "endurecidas" e precisam de choques cada vez mais violentos...
Na figura principal de Henry, um assassino em série totalmente aleatório, está Michael Rooker, um actor de segunda linha de Hollywood. O que não quer dizer que é mau actor, apenas que não é muito conhecido. Este filme prova que os actores não se medem pela popularidade nem pela quantidade de blockbusters em que participam. Rooker, como excelente actor que é, faz uma excelente representação e não é exagero afirmar que garantiu um espaço ao lado dos grandes psicopatas do cinema como Perkins (Psico) e Hopkins (Silence of the Lambs). Nada mau para o primeiro filme. Li uma história em que se conta que na altura, Rooker trabalhava como contínuo e foi de uniforme que se apresentou nas audições, e assim continuou durante todo o processo de filmagem. Não sei se foi o uniforme ou outra coisa qualquer, mas conseguiu criar na personagem uma dualidade de vadio antipático, de quem sentimos mais pena que repulsa, e com quem se poderia ter um conversa normal sem desconfiar de nada. E, para um papel destes, mais importante que tudo, é a personagem possuir crazy eye. Rooker é irrepreensível nesse aspecto.
A narrativa do filme é monótona e totalmente linear. Poderia ser uma coisa má, mas neste caso até ajuda. Acrescenta tensão durante todo o filme e acaba por adensar ainda mais o ambiente de anormalidade em que os dois loucos vão vagueando sem regras e sem controlo. A filmagem estática, e takes penosamente longos obrigam a uma fixação constante nas imagens e a uma atenção redobrada, levando a um autêntico mergulho no filme e do qual não se consegue escapar com facilidade. Não deixa de ser curioso que esta opção tenha sido um reflexo do baixo orçamento, já que o realizador John McNaughton confirmou que o projecto inicial envolvia toda uma filmagem mais solta, do tipo documental, de câmara ao ombro, que não se concretizou por motivos financeiros e pela perda do director de fotografia. Apesar de tudo, este tipo de filmagem foi explorado ao máximo em duas cenas: uma, crescentemente tensa mas totalmente improvisada pelos três actores principais e outra, numa das cenas mais violentas do filme, em que é filmada uma família a ser brutalmente atacada. No fim de toda a selvajaria envolvendo um casal anónimo e indefeso, apercebe-se que afinal estamos a ver uma repetição gravada na TV; precisamente o mesmo que os dois assassinos estão a fazer. Esta cena obriga a uma reflexão obrigatória. Afinal, porque tanto nos fascina os assassinos em série e os seus actos bárbaros? E, seremos nós, "os normais", assim tão diferentes, para estar a assistir a estas cenas? Quer se queira, quer não, um filme com serial killers é sempre um sucesso de bilheteira e muitos destes filmes são clássicos intemporais. E todos os grandes actores desejam ter no currículo um papel assim. Dá que pensar...
Henry é um daqueles filmes que desmonta a velha teoria que um filme para ser rentável e economicamente viável, precisa de ter um grande orçamento. Filmado em 1986 por 110 mil dólares acabou por render mais de meio milhão quando foi posto a circular no circuito alternativo em 1989. E desde então tem facturado mais milhões. Nada mau para um filme em que os próprios produtores estavam relutantes em libertar para o público (é essa a razão do hiato de 3 anos entre a produção e a exibição), povoado de amigos do realizador e da equipa técnica (para colmatar a falta de actores profissionais), assim como o uso nas filmagens dos seus carros pessoais e até as próprias roupas. Até o produtor executivo contribui na representação, algo impensável hoje em dia. Neste caso, o aspecto quase amador é uma ajuda importante para a textura do filme, conferindo um aspecto totalmente cru e sujo, o que cai optimamente bem no clássico tema dos assassinos em série.
Não haja dúvidas. Este é um filme para os amantes incondicionais de festivais de terror e/ou para quem gosta de ser "agredido" visualmente no conforto do seu sofá. Muitos dos envolvidos no próprio filme, como Tom Towles (Otis) afirmaram que o filme é tão perturbador que só o viram uma vez. Não se fica com uma boa sensação depois de ver Henry, porque este é um daqueles filmes duros de ver. É como ser perseguido por uma figura misteriosa por uma viela imunda e escura numa noite de chuva... E mesmo assim é um filme muito bom. ●●●●○
Um arquitecto de renome fala calmamente com a sua mulher e diz que a ama. Depois dá-lhe um tiro na cabeça. A polícia prende-o sem dificuldade e ele confessa o crime. O advogado responsável pelo caso, habituado a ganhar quase todos os casos, assume que será uma condenação fácil. Mas não será bem assim, porque o polícia responsável pela detenção tinha um caso amoroso com a vítima.
Anthony Hopkins e Ryan Gosling têm prestações excepcionais que me fizeram agarrar ao sofá num daqueles thrillers à moda antiga na barra do tribunal. Especialmente Hopkins, que, com aquele brilho estranho nos olhos (o chamado crazy eye) parece ter "vestido" novamente a pele do "sábio-tresloucado" Hannibal Lecter.
Fracture (2007) é uma pequena pérola do cinema que tem drama, suspense, acção e uma excelente história com constantes reviravoltas onde uma pessoa nunca sabe o que vai acontecer a seguir. É um daqueles filmes que me prendeu ao ecrã e que está tão bem dirigido e é tão enervante - no bom sentido - que dá vontade de entrar pela TV dentro e intervir na acção. A realização imaculada é da autoria de Gregory Hoblit (que já tinha no currículo o excepcional Primal Fear) que consegue sem tiros, perseguições e explosões manter um filme de quase duas horas em constante acção e com uma tensão inacreditável. Tenho a certeza que se o Hitchcock estivesse a fazer crítica de cinema, lhe daria os "dois polegares para cima". Nada a apontar. Muito bom. ●●●●○
Anthony Hopkins e Ryan Gosling têm prestações excepcionais que me fizeram agarrar ao sofá num daqueles thrillers à moda antiga na barra do tribunal. Especialmente Hopkins, que, com aquele brilho estranho nos olhos (o chamado crazy eye) parece ter "vestido" novamente a pele do "sábio-tresloucado" Hannibal Lecter.
Fracture (2007) é uma pequena pérola do cinema que tem drama, suspense, acção e uma excelente história com constantes reviravoltas onde uma pessoa nunca sabe o que vai acontecer a seguir. É um daqueles filmes que me prendeu ao ecrã e que está tão bem dirigido e é tão enervante - no bom sentido - que dá vontade de entrar pela TV dentro e intervir na acção. A realização imaculada é da autoria de Gregory Hoblit (que já tinha no currículo o excepcional Primal Fear) que consegue sem tiros, perseguições e explosões manter um filme de quase duas horas em constante acção e com uma tensão inacreditável. Tenho a certeza que se o Hitchcock estivesse a fazer crítica de cinema, lhe daria os "dois polegares para cima". Nada a apontar. Muito bom. ●●●●○
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Se alguém se sentir tão fascinado com explosões nucleares como eu, há um documentário obrigatório para ver: Trinity and Beyond (1995). É simplesmente arrebatador. Não só pelas imagens das detonações nucleares, mas também pelo inteligente guião narrado por William Shatner. É um daqueles filmes que nos põe quietinhos, mudos, impotentes, de boca aberta, a olhar para uma televisão. Parece que estamos a ver ficção e efeitos especiais, mas é a mais pura das realidades. Ver este documentário deixa uma pessoa a pensar: como é que chegamos a este ponto, em que conseguimos destruir-nos totalmente e ao planeta? Como é possível isto acontecer? Como é possível libertar tanta enegria de elementos tão pequenos como átomos? E agora que estas armas são uma realidade como é que vamos viver com isto? Será esta a derradeira Caixa de Pandora?
Peter Kuran, um homem dos bastidores (participou na área dos efeitos especiais em muitos, muitos, muitos blockbusters de referência) vira-se para a mesa de montagem e faz um trabalho excepcional. Conseguir criar uma narrativa logica e coerente, recorrendo quase exclusivamente a imagens de arquivo não é fácil. Eu só consigo imaginar a quantidade de pesquisa necessária para fazer um documentário destes.
Trinity mostra-nos a história e todo o desenvolvimento das bombas atómicas, desde os primeiros testes americanos até às detonações dos novos "países nucleares". Kuran optou - e bem -, por manter um tom político neutro, o que só eleva ainda mais o filme, deixando esse tipo de considerações do outro lado do ecrã. Kuran também conseguiu reunir as melhores explosões que já vi (e algumas novas), na melhor qualidade possível, o que torna o documentário visualmente assombroso. O acompanhamento sonoro e musical é excelente e ainda aprofunda mais o efeito devastador que estas imagens por si só possuem. Se me perguntassem quais os pontos negativos deste filme, eu só poderia responder: nenhum. Não há nada de mal a apontar. Está excepcionalmente bem feito. Um filme obrigatório. ●●●●○
Peter Kuran, um homem dos bastidores (participou na área dos efeitos especiais em muitos, muitos, muitos blockbusters de referência) vira-se para a mesa de montagem e faz um trabalho excepcional. Conseguir criar uma narrativa logica e coerente, recorrendo quase exclusivamente a imagens de arquivo não é fácil. Eu só consigo imaginar a quantidade de pesquisa necessária para fazer um documentário destes.
Trinity mostra-nos a história e todo o desenvolvimento das bombas atómicas, desde os primeiros testes americanos até às detonações dos novos "países nucleares". Kuran optou - e bem -, por manter um tom político neutro, o que só eleva ainda mais o filme, deixando esse tipo de considerações do outro lado do ecrã. Kuran também conseguiu reunir as melhores explosões que já vi (e algumas novas), na melhor qualidade possível, o que torna o documentário visualmente assombroso. O acompanhamento sonoro e musical é excelente e ainda aprofunda mais o efeito devastador que estas imagens por si só possuem. Se me perguntassem quais os pontos negativos deste filme, eu só poderia responder: nenhum. Não há nada de mal a apontar. Está excepcionalmente bem feito. Um filme obrigatório. ●●●●○
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Sou um fã incondicional do tema da ficção científica. Juntamente com o documentário, acho que é a temática mais completa para se apresentar em filme. Por isso mesmo, nunca perco a oportunidade de ver um filme destas categorias, mesmo sabendo que na maior parte dos casos o resultado final é uma desilusão. Neste caso são dois blockbusters de ficção protagonizados por Tom Cruise. A temática é a mesma, o actor é o mesmo, mas as histórias são tratadas de forma diferente, o que torna um dos filmes muito melhor que o outro.
Primeiro, o menos bom. Em Oblivion (2013), a história centra-se em Jack Harper (Tom Cruise) que faz reparações de drones num planeta Terra devastado após uma guerra com extraterrestes. Ele e a mulher são dos poucos que ainda vivem na Terra e esperam uma oportunidade para se juntar aos restantes humanos que vivem agora numa lua de Saturno. Nenhum deles tem memórias completas da sua vida passada e da devastação da Terra, mas Jack tem sonhos recorrentes. Tudo está tranquilo até ele descobrir uma nave caída com vários tripulantes mortos e... a mulher que aparece nos seus sonhos.
O tema da ficção científica com extraterrestres já está" muito batido". É o resultado de anos e anos de blockbusters, por isso dou sempre um desconto a histórias que parecem decalcadas de outros filmes. E até compreendo que seja difícil fazer algo totalmente novo, mas já não compreendo que se insista constantemente nos velhos estratagemas do "esquecimento com sonhos vagos que depois acontecem mesmo e tudo o que parecia verdade afinal é mentira e ainda por cima tem um grande twist no final". O filme que até está muito bem dirigido, tem boas actuações (Morgan Freeman está sempre bem) e que tem um design espectacular, preenche todos os requisitos para ser totalmente esquecido só porque insiste em colar-se aos clichés do blockbuster. O pior de tudo é o twist final, que por natureza é algo que supostamente não se está à espera que aconteça, mas que a meio do filme já é totalmente previsível. Oblivion podia ser um filme muito melhor se não fizesse tantas concessões. O desenrolar da história - que podia ser boa - acaba por diminuir o filme. É pena, porque o filme tem muitos e bons pormenores. ●●○○○
Outro filme de ficção com extraterrestes é Edge of Tomorrow (2014). A Terra foi invadida por extraterrestres e está em guerra. A história centra-se no major William Cage (Tom Cruise) que aparentemente fica preso no tempo, condenado a voltar ao dia anterior a uma batalha em que morre sempre. No entanto, cada vez que morre, volta ao ponto inicial e acaba por ir melhorando as suas capacidades de guerra.
Este filme é a prova que se Hollywood quer fazer algo de novo, tem de procurar inspiração fora de Hollywood. Neste caso, a inspiração vem da prolífica (e aparentemente infindável) imaginação dos criadores de manga. É a história e o seu desenrolar que tornam este filme melhor que Oblivion. Não é espectacular, mas gostei muito - o que é raro hoje em dia - simplesmente porque o filme é perfeitamente equilibrado. E acima de tudo porque é uma lufada de ar fresco. A história que por natureza é repetitiva e confusa, não cansa e é bastante fluída e rápida; o tom está preso entre momentos sérios e engraçados (o que é bastante difícil de fazer); os efeitos especiais não se apoderam do filme (cumprem a sua função, que é ajudar o argumento); os actores (Emily Blunt e Bill Paxton) estão muito bem e não parecem "acessórios" da grande estrela de cartaz; é um blockbuster mas tem alguma densidade. Edge of Tomorrow mostra que é possível fazer grandes produções sem que pareçam todas saídas do mesmo molde. Muitos produtores e estúdios de Hollywood, antes de gastarem os próximos de milhões de dólares num filme de acção vazio, deviam seguir a tagline deste filme: ver o filme; recomeçar; ver o filme; várias vezes. ●●●○○
Primeiro, o menos bom. Em Oblivion (2013), a história centra-se em Jack Harper (Tom Cruise) que faz reparações de drones num planeta Terra devastado após uma guerra com extraterrestes. Ele e a mulher são dos poucos que ainda vivem na Terra e esperam uma oportunidade para se juntar aos restantes humanos que vivem agora numa lua de Saturno. Nenhum deles tem memórias completas da sua vida passada e da devastação da Terra, mas Jack tem sonhos recorrentes. Tudo está tranquilo até ele descobrir uma nave caída com vários tripulantes mortos e... a mulher que aparece nos seus sonhos.
O tema da ficção científica com extraterrestres já está" muito batido". É o resultado de anos e anos de blockbusters, por isso dou sempre um desconto a histórias que parecem decalcadas de outros filmes. E até compreendo que seja difícil fazer algo totalmente novo, mas já não compreendo que se insista constantemente nos velhos estratagemas do "esquecimento com sonhos vagos que depois acontecem mesmo e tudo o que parecia verdade afinal é mentira e ainda por cima tem um grande twist no final". O filme que até está muito bem dirigido, tem boas actuações (Morgan Freeman está sempre bem) e que tem um design espectacular, preenche todos os requisitos para ser totalmente esquecido só porque insiste em colar-se aos clichés do blockbuster. O pior de tudo é o twist final, que por natureza é algo que supostamente não se está à espera que aconteça, mas que a meio do filme já é totalmente previsível. Oblivion podia ser um filme muito melhor se não fizesse tantas concessões. O desenrolar da história - que podia ser boa - acaba por diminuir o filme. É pena, porque o filme tem muitos e bons pormenores. ●●○○○
Outro filme de ficção com extraterrestes é Edge of Tomorrow (2014). A Terra foi invadida por extraterrestres e está em guerra. A história centra-se no major William Cage (Tom Cruise) que aparentemente fica preso no tempo, condenado a voltar ao dia anterior a uma batalha em que morre sempre. No entanto, cada vez que morre, volta ao ponto inicial e acaba por ir melhorando as suas capacidades de guerra.
Este filme é a prova que se Hollywood quer fazer algo de novo, tem de procurar inspiração fora de Hollywood. Neste caso, a inspiração vem da prolífica (e aparentemente infindável) imaginação dos criadores de manga. É a história e o seu desenrolar que tornam este filme melhor que Oblivion. Não é espectacular, mas gostei muito - o que é raro hoje em dia - simplesmente porque o filme é perfeitamente equilibrado. E acima de tudo porque é uma lufada de ar fresco. A história que por natureza é repetitiva e confusa, não cansa e é bastante fluída e rápida; o tom está preso entre momentos sérios e engraçados (o que é bastante difícil de fazer); os efeitos especiais não se apoderam do filme (cumprem a sua função, que é ajudar o argumento); os actores (Emily Blunt e Bill Paxton) estão muito bem e não parecem "acessórios" da grande estrela de cartaz; é um blockbuster mas tem alguma densidade. Edge of Tomorrow mostra que é possível fazer grandes produções sem que pareçam todas saídas do mesmo molde. Muitos produtores e estúdios de Hollywood, antes de gastarem os próximos de milhões de dólares num filme de acção vazio, deviam seguir a tagline deste filme: ver o filme; recomeçar; ver o filme; várias vezes. ●●●○○
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Em 1959, uns miúdos de uma escola criam uma cápsula do tempo. Desse grupo de miúdos destaca-se uma miúda estranha que ouve vozes vindas do céu. A contribuição dessa miúda é uma enigmática série de números aparentemente aleatórios rabiscados num papel. Quando abrem a cápsula do tempo, 50 anos mais tarde, um outro miúdo fica com a estranha listagem e mostra-a ao pai (Nicolas Cage) que descodifica o terrorífico significado: é uma lista de datas de acontecimentos trágicos catástrofes naturais e o respectivo número de mortos. A premissa é: o que acontecerá quando os números acabarem?
Kowing (2009) de Alex Proyas é o exemplo gritante do filme-catástrofe de ficção científica/acção que tem ideias interessantes e meia dúzia de boas cenas, mas depois fica refém da própria premissa e vai perdendo força até desaparecer por completo. Quando vi o trailer e percebi que era um filme do Alex Proyas (do genial "The Crow" e também do "Dark City") fiquei curioso: será que ele consegue finalizar bem uma premissa tão grande? Depois percebi que não conseguiu.
Há um "erro" muito comum nos filmes recentes: parece que começam com uma história muito interessante que ninguém sabe muito bem como vai acabar. Nem mesmo os argumentistas. Depois, quando o filme se aproxima das duas horas de duração, parece que tem de acabar de qualquer maneira. Em termos de trailer é uma maravilha. Aguça a curiosidade e leva pessoas ao cinema. Em termos de filme é péssimo. É como ver um bolo espectacular numa montra e não resistir a provar para depois descobrir que o bolo afinal sabe a... bolo normal. É uma decepção. E o bolo até nem é mau de todo, mas uma pessoa está à espera que saiba tão bem quanto aparenta ser. É o principal problema deste filme: promete demasiado e depois não consegue cumprir. Isso, e não explicar uma série de pontas soltas no argumento, como por exemplo, os extra-terrestres.
A realização é competente, os actores são competentes e o resto do filme também é competente, mas sem deslumbrar. Como se costuma dizer na gíria crítica: "é um filme competente, mas não memorável". O que traduzido quer dizer: "é um daqueles filmes bons para se estar entretido ao domingo de tarde com uma mantinha nas pernas". ●●○○○
Kowing (2009) de Alex Proyas é o exemplo gritante do filme-catástrofe de ficção científica/acção que tem ideias interessantes e meia dúzia de boas cenas, mas depois fica refém da própria premissa e vai perdendo força até desaparecer por completo. Quando vi o trailer e percebi que era um filme do Alex Proyas (do genial "The Crow" e também do "Dark City") fiquei curioso: será que ele consegue finalizar bem uma premissa tão grande? Depois percebi que não conseguiu.
Há um "erro" muito comum nos filmes recentes: parece que começam com uma história muito interessante que ninguém sabe muito bem como vai acabar. Nem mesmo os argumentistas. Depois, quando o filme se aproxima das duas horas de duração, parece que tem de acabar de qualquer maneira. Em termos de trailer é uma maravilha. Aguça a curiosidade e leva pessoas ao cinema. Em termos de filme é péssimo. É como ver um bolo espectacular numa montra e não resistir a provar para depois descobrir que o bolo afinal sabe a... bolo normal. É uma decepção. E o bolo até nem é mau de todo, mas uma pessoa está à espera que saiba tão bem quanto aparenta ser. É o principal problema deste filme: promete demasiado e depois não consegue cumprir. Isso, e não explicar uma série de pontas soltas no argumento, como por exemplo, os extra-terrestres.
A realização é competente, os actores são competentes e o resto do filme também é competente, mas sem deslumbrar. Como se costuma dizer na gíria crítica: "é um filme competente, mas não memorável". O que traduzido quer dizer: "é um daqueles filmes bons para se estar entretido ao domingo de tarde com uma mantinha nas pernas". ●●○○○
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Tinha curiosidade em ver o Striptease (1996) desde que estreou. Finalmente, apanhei o filme na TV. Devia ter estado quieto, porque, provavelmente, é um dos piores filmes de sempre! Não há outra forma de o classificar. O enredo é patético, a direcção é patética, as personagens são patéticas. Tudo é patético neste filme. Ao princípio pensei que era uma espécie de crítica ou sátira... mas não. É simplesmente patético. Mesmo no pior dos filmes, há sempre aspectos positivos. As únicas coisas boas: a presença de Ving Rhames (que é sempre cool), os strips e as mamas (perfeitamente plásticas) da Demi Moore e a oportunidade única de ver Burt Reynolds de texanas e coberto em vaselina (parece que se estava a preparar para o papel em Boogie Nights). Resumindo, acho que nunca vi um filme tão mau. ○○○○○
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