Tom of Finland é na realidade o nome verdadeiro de Touko Laaksonen. Esta mudança de nome deriva em parte da perseguição de que foi alvo devido às suas preferência homossexuais. Se mesmo hoje em dia, a homossexualidade ainda é vista pela maioria com alguma desconfiança (para não dizer outras coisas), imagine-se a mesma situação nas décadas de 40, 50 ou 60. Para piorar ainda mais a situação, Touko era um exímio desenhador da figura humana e, obviamente, face à pressão social (e policial) começou a projectar (às escondidas) as suas fantasias, mas mais importante, a sua arte, em pequenos desenhos homoeróticos que mais tarde lhe valeriam o reconhecimento geral. É a grande ironia da coisa: se não fosse perseguido no seu país de origem, muito provavelmente não teria tanta projecção internacional... Na verdade, é daí que conheço Tom of Finland. Presumia que fosse gay, mas pouco ou nada conhecia da personagem. Só conheci os seus trabalhos na década de 90 e como me pareciam tão modernos, sempre imaginei que seriam dessa altura. Errado. "Nasceram" muitas décadas antes, o que positivamente ainda me surpreendeu mais. Apesar de não ser grande adepto de todo aquele enquadramento explicitamente homossexual, é inegável a qualidade do desenho e da interpretação figurativa. Nos tempos mais recentes é provavelmente o melhor gajo que encontrei a desenhar a lápis. A força daquele preto-grafite e a perfeição técnica dos corpos são absolutamente soberbos. Melhor é difícil de encontrar.
Vou ser sincero. Tinha mais curiosidade em ver o filme para saber mais sobre a obra do que propriamente sobre o autor. Só que Tom of Finland (o filme e o homem) trocou-me as voltas. O filme foca-se quase exclusivamente no autor mas acabei por nem sentir a falta dos desenhos. A história é tão comprida, complexa e preenchida que quase nem "precisei" da componente artística. Há uma aura de tensão constante à volta da comunidade gay daquela altura que é quase palpável através do filme. Importante para mim também foi o pormenor do filme "ser" gay mas não ostensivamente gay, pois não senti (o que já aconteceu noutros filmes com a mesma temática) que entrasse no campo da propaganda. É simplesmente um filme muito bem feito ao ponto de o tornar realista, em torno de uma enorme personagem que por mero acaso era gay. Um grande aplauso para Dome Karukoski por todo o trabalho de criação e realização desta pequena jóia.
Tom of Finland acaba por se tornar um tributo merecido a um gajo de tomates numa altura de extrema intolerância, e que praticamente sozinho, moldou toda a imagética e a fantasia gay do mundo inteiro...
Tom of Finland é um filme muito bom, como já não via à algum tempo. Um filme meticulosamente montado como se fosse uma obra de artesanato. Tudo é pensando ao pormenor e encaixa perfeitamente. É mesmo o meu tipo de filme. Desde os pormenores da música e da roupa que mostram o passar do tempo e em que época é que a história se desenrola, assim como a montagem não linear que une pontos da história longe no tempo mas que em termos de contexto fazem todo o sentido juntos. Não me canso de dizer: muito bom.
Os actores são todos excelentes (Lauri Tilkanen, Jessica Grabowsky, Taisto Oksanen) mas o grande destaque é mesmo do Pekka Strang, que neste caso mereceria levar para casa uns três Óscares. Não consigo encontrar uma forma de "melhorar" este Tom of Finland. Tudo me pareceu perfeito. Altamente recomendado e com nota máxima. ●●●●●
As grandes histórias estão sempre a vir à baila. É o caso de Murder on the Orient Express de Agatha Christie. Mas antes de dizer mais alguma coisa, deixo a pergunta no ar: justifica-se uma nova investida em "velhas" histórias? Não há mais histórias para adaptar? Vamos ficar eternamente presos neste loop de remakes, readaptações, re-, re-, re-...? Já estou um bocadinho farto... Dito isto, esta nova adaptação, com as devidas ressalvas, é totalmente aceitável. Sobejamente conhecida por ser uma excelente história de crime e mistério com um grande final, leva a que o filme perca algum interesse porque já a vi uma porrada de vezes. Fica preso entre dois mundos: refazer a história tal como ela é e uma pessoa já sabe qual o final ou então inventar uma nova história, mas aí deixa de ser o Crime no Expresso do Oriente, não é?
Kenneth Branagh é a grande força motriz do filme. Atrás das câmaras tem uma prestação segura e faz uma boa realização sem exageros; como nova encarnação de Hercule Poirot também não desaponta e até lhe incute algum vigor e dualidade que não existia na icónica (e incontornável) personagem de David Suchet, aliás, o único, eterno e verdadeiro Poirot...
O grupo de actores é extenso e como não podia deixar de ser só acrescenta valor: Penélope Cruz, Johnny Depp, Judi Dench, Willem Dafoe, Michelle Pfeiffer, entre outros.
Branagh foi muito inteligente em pegar nos contos de Agatha Christie: se isto correr bem - e aparentemente correu -, tem aqui um filão cinematográfico para durar anos. Parece-me óbvio que Murder on the Orient Express terá sequela obrigatória. Como está bem feito, não me desagrada a ideia... ●●●○○
Kenneth Branagh é a grande força motriz do filme. Atrás das câmaras tem uma prestação segura e faz uma boa realização sem exageros; como nova encarnação de Hercule Poirot também não desaponta e até lhe incute algum vigor e dualidade que não existia na icónica (e incontornável) personagem de David Suchet, aliás, o único, eterno e verdadeiro Poirot...
O grupo de actores é extenso e como não podia deixar de ser só acrescenta valor: Penélope Cruz, Johnny Depp, Judi Dench, Willem Dafoe, Michelle Pfeiffer, entre outros.
Branagh foi muito inteligente em pegar nos contos de Agatha Christie: se isto correr bem - e aparentemente correu -, tem aqui um filão cinematográfico para durar anos. Parece-me óbvio que Murder on the Orient Express terá sequela obrigatória. Como está bem feito, não me desagrada a ideia... ●●●○○
Numa qualquer cidade anónima nas profundezas da América vive um gajo normal de seu nome Odd Thomas. Cozinheiro de profissão mas clarividente por natureza. Apesar de toda a sua normalidade aparente, ele tem um segredo paranormal: consegue ver as forças do mal que nos rodeiam a todo o instante. Um dia, quando um estranho entra no seu restaurante rodeado de demónios da pior espécie, Odd Thomas sabe que tem de entrar numa luta épica para fazer com que o Bem consiga derrotar o Mal.
Realizado pelo homem das "múmias", Stephen Sommers, Odd Thomas é um filmito de fantasia, pontilhado de comédia que entra na classe de "perfeitamente aceitável". Destaque para Anton Yelchin que manifestamente era um bom actor e isso faz muito diferença. Willem Dafoe é e será sempre um gajo porreiro em qualquer filme. Odd Thomas é estranho pela mistura de conceitos e acaba por se encostar muito àquela aparência estereotipada Disney/teenager (para captar público, será?), mas vê-se bem. Bom para miúdos. ●●○○○
Realizado pelo homem das "múmias", Stephen Sommers, Odd Thomas é um filmito de fantasia, pontilhado de comédia que entra na classe de "perfeitamente aceitável". Destaque para Anton Yelchin que manifestamente era um bom actor e isso faz muito diferença. Willem Dafoe é e será sempre um gajo porreiro em qualquer filme. Odd Thomas é estranho pela mistura de conceitos e acaba por se encostar muito àquela aparência estereotipada Disney/teenager (para captar público, será?), mas vê-se bem. Bom para miúdos. ●●○○○
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A Guerra Civil Americana continua a mastigar homens nos campos de batalha. No meio de toda esta carnificina, o presidente americano, Abraham Lincoln, tem a sua própria luta interna: emancipar os escravos e acabar constitucionalmente com a escravatura. Para isso tem de conseguir os votos sufucientes dos adeversários assim como do seu próprio partido.
Este é o ponto de partida de Lincoln, mais uma super-produção de Steven Spielberg, agora em versão biográfica. Lincoln entra directamente na minha categoria de mixed-feelings. Apesar de muito bem feito, acho-o demasiado denso, lento e meloso para o meu gosto. Ainda que tenha alguns fogachos de emoção, são demasiado poucos. Com os actores que tem (Daniel Day-Lewis, Sally Field, Tommy Lee Jones [só aqui um triunvirato que grita para prémio de Óscares], Joseph Gordon-Levitt, James Spader) podia e deveria ter muito mais intensidade. Fica-se "apenas" por um biopic extremamente bem escrito e realizado.
Por vezes parece demasiado encenado como que a piscar o olho à Academia, e como se costuma dizer, "sem sair da zona de conforto". É esse mesmo o principal problema: Spielberg não quer confrontar nenhuma ideia nem nenhuma opinião e por isso mantém-se sempre a uma distância teatral de qualquer futuro problema que o filme lhe pudesse causar. Não quis tomar partido e assim não tomou rigorosamente nada. Fica uma obra para a posteridade que soa a perfeito, mas insípida e algo "oca". Ligeiramente desapontante... Desapontantemente ligeira. ●●●○○
Este é o ponto de partida de Lincoln, mais uma super-produção de Steven Spielberg, agora em versão biográfica. Lincoln entra directamente na minha categoria de mixed-feelings. Apesar de muito bem feito, acho-o demasiado denso, lento e meloso para o meu gosto. Ainda que tenha alguns fogachos de emoção, são demasiado poucos. Com os actores que tem (Daniel Day-Lewis, Sally Field, Tommy Lee Jones [só aqui um triunvirato que grita para prémio de Óscares], Joseph Gordon-Levitt, James Spader) podia e deveria ter muito mais intensidade. Fica-se "apenas" por um biopic extremamente bem escrito e realizado.
Por vezes parece demasiado encenado como que a piscar o olho à Academia, e como se costuma dizer, "sem sair da zona de conforto". É esse mesmo o principal problema: Spielberg não quer confrontar nenhuma ideia nem nenhuma opinião e por isso mantém-se sempre a uma distância teatral de qualquer futuro problema que o filme lhe pudesse causar. Não quis tomar partido e assim não tomou rigorosamente nada. Fica uma obra para a posteridade que soa a perfeito, mas insípida e algo "oca". Ligeiramente desapontante... Desapontantemente ligeira. ●●●○○
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E agora, algo totalmente diferente. Guernica é uma curta-metragem de Emir Kusturica, baseada num conto de Antonije Iskovic. Foi a sua prova de licenciatura na Academia de Artes Interpretativas e com ela recebeu o primeiro prémio no Festival de Cinema checo Karlovy Vary.
Um miúdo contempla pela primeira vez a Guernica de Picasso e pergunta ao pai o que é ser judeu. A resposta evasiva é que a diferença visível está nos narizes grandes.
Visto pela perspectiva inocente de um miúdo, a solução passa por recortar todos os narizes das fotos de família como forma de contornar a perseguição, criando assim a sua própria (e ainda mais distorcida) Guernica. Muito bem pensado e muito bem feito. ●●●○○
Um miúdo contempla pela primeira vez a Guernica de Picasso e pergunta ao pai o que é ser judeu. A resposta evasiva é que a diferença visível está nos narizes grandes.
Visto pela perspectiva inocente de um miúdo, a solução passa por recortar todos os narizes das fotos de família como forma de contornar a perseguição, criando assim a sua própria (e ainda mais distorcida) Guernica. Muito bem pensado e muito bem feito. ●●●○○
Estava aqui a pensar... estou-me a tornar muito repetitivo. Não vou falar outra vez de pipocas ou que este Skyscraper é um filme recheado de clichés atrás de clichés com a mesma estrutura narrativa de um video-jogo ou que só se consegue ver sem adormecer porque há explosões e tiroteios de 5 em 5 minutos. Não! Como estou cheio de frio a escrever estas linhas, estava aqui a pensar em chá muito quente... Mas que chá? Estou a olhar para um pequeno vaso de orégãos a definhar e penso se dará para fazer chá com orégãos. E cominhos? Será que dá para fazer chá? Chá de cominhos?! Será bom? Será enjoativo? Será demasiado esquisito por lembrar caril ou bifanas? Não sei. Vou experimentar... De certeza que não é pior que ver o Die Hard, perdão, o Skyscraper. ●○○○○
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No seu dormitório em Harvard, o estudante Mark Zuckerberg e uns amigos criam uma rede social para o "engate" e classificação de miúdas, tipo o Hi5 da altura... Com mais visão de futuro que o restante pessoal, Zuckerberg transforma a plataforma naquilo que mais tarde seria o Facebook mas é processado pelos irmãos Cameron e Tyler Winklevoss por roubo da ideia. É... Tal como estava escrito no cartaz promocional do filme "não se pode fazer 600 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos". Agora, como são para aí uns 3 mil e 600 milhões de amigos, presumo que Zuckerberg esteja ainda mais amargurado que no início e com mais alguns inimigos...
Não tenho Facebook e não pretendo ter. Já lá estive em tempos, mas desisti da coisa por não lhe ver grande utilidade e o mesmo acontece agora. Os meus vizinhos das traseiras são bastante "abertos para a comunidade" e por isso sempre que tenho necessidade cuscar a vida de alguém vou para a varanda ouvir o pessoal a "lavar roupa suja", tirar fotografias à comida e restantes coisas que se fazem no Facebook. Assim ainda poupo nos dados móveis e na bateria do telemóvel. Mas não vou falar muito mal do Facebook porque eles dominam a internet e como têm os dados de toda gente... é melhor não dizer nada. Aliás, pelo que se tem visto, nem sequer é preciso: já sabem o que vou dizer, como vou dizer, quando e a quem.. Não quero confusões. Para isso já tenho a minha vida particular...
Fico-me por dizer que The Social Network é um bom filmito, uma espécie de biopic não autorizado, com bons actores e muitíssimo bem escrito. Jesse Eisenberg dá (e muito bem) corpo e alma a Zuckerberg, ajudado por alguns secundários de luxo como Rooney Mara e Andrew Garfield. Também há Justin Timberlake, Armie Hammer e uma breve aparição de Aaron Sorkin. Fica a ressalva de que não tem a chama que se esperava (e pedia) de David Fincher, algo que já vem acontecendo nos últimos tempos. Aceitável. ●●●○○
The Snowman é um filme totalmente bipolar. De início até é um thriller jeitoso. Boa realização (Tomas Alfredson), boa ambiência, bons actores (Michael Fassbender, Rebecca Ferguson, Charlotte Gainsbourg, J.K. Simmons, Chloë Sevigny, entre muitos outros) e uma boa história com um misterioso assassino à solta. Estava empolgado com o desenrolar do filme, mas chegando a meio, a coisa muda totalmente de figura. O filme não se aguenta e não percebi muito bem porquê, descamba totalmente. Ficam partes da história por resolver, há personagens que literalmente caiem no esquecimento e desaparecem, e no geral o desfecho é muito, muito fraco. Foi decepcionante ver um filme crescer e depois definhar desta maneira, ainda por cima porque estava muito bem lançado. Não percebi o que aconteceu e tirando a excelente fotografia das paisagens gélidas de Oslo, já tudo se me varreu da cabeça. Uma pena. ●○○○○
Hoje em dia não é fácil conseguir ver filmes de acção em condições. É tudo clichê, são tudo repetições, reboots, remakes e restantes cenas estúpidas. Às vezes sou surpreendido pela negativa, noutras vezes já sei ao que vou por isso não fico desiludido. E é exactamente aqui que entra The Meg. Resumindo, é um Jaws mas com sabor a bacon... chinês. Sim, os chineses também compram estúdios de cinema e têm-no feito a um ritmo alucinante. Esta é só mais uma das muitas co-produções EUA/China, ainda que o público nem sequer dê por isso. Neste caso, devido ao casting passa menos despercebido (Bingbing Li, Winston Chao, Shuya Sophia Cai)... E já agora, também tem o Jason Statham, que faz de... Jason Statham. As referências ao Jaws são tantas (agora a realidade é esta: quando se copiam coisas no grande ecrã, não são plágios ou cópias, são "homenagens"...) que mais parece um remake sob o efeito de esteróides ou um quizz para testar os nossos conhecimentos do filme original do Spielberg. E nesse aspecto até foi divertido... Tirando isso, não tem mais nada que se aproveite. É o costume: mais um produto de consumo rápido... Mas tudo bem. O público come tudo e paga para isso que é o que interessa. Ó senhor Jon Turteltaub, faça lá as contas de bilheteira e venha de lá o "2" e mais três doses de pipocas com sabor a nachos!... ●○○○○
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A figura do Predador é uma das minhas favoritas. Acho que é um dos grandes monstros do cinema e uma das melhores criações originais das últimas décadas. Para mim rivaliza ombro a ombro com o Alien, mas infelizmente tem sido muito maltratado nas sequelas. Pior ainda, de cada vez que lhe "(re)mexem" fazem um filme ainda mais horrível que o anterior. Dito isto, esta nova versão/continuação (ou lá o que é isto...), chamada simplesmente The Predator é uma caríssima brincadeira de mau gosto. É inacreditável os filmes que fazem hoje em dia para vender umas pipocas. Estive quase a desistir quando apareceu um cão-predador, mas consegui aguentar-me... The Predator não tem história, os actores são sofríveis, não há rigorosamente nada que se aproveite nesta porcaria. É muito raro eu detestar um filme ao ponto de lhe dar um zero, mas lá acaba por acontecer. Pela tamanha idiotice e pelo desrespeito à personagem original que é o Predador. ○○○○○
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Max Steel é a enésima adaptação de uma bonecada qualquer para o cinema. Mas a pergunta que fica é: quanto mais tempo vai demorar esta coisa do jovem adolescente que descobre que tem poderes e depois tem de lutar contra um mauzão qualquer, salvar a Terra e ficar com a miúda gira no final? É que já não há paciência! Os estúdios pensam que ainda há assim tanto público estúpido para continuarem a perpetuar estas idiotices?
Produto montado por Stewart Hendler, com a participação de Ben Winchell (mau, até mesmo para o standard de teenager movie...), enquanto Maria Bello e Andy Garcia fazem o favor de receber um caché para darem a cara... e alguma credibilidade à coisa.
Uma gigantesca montagem de clichés embrulhada em efeitos CGI. E é isto... ●○○○○
Produto montado por Stewart Hendler, com a participação de Ben Winchell (mau, até mesmo para o standard de teenager movie...), enquanto Maria Bello e Andy Garcia fazem o favor de receber um caché para darem a cara... e alguma credibilidade à coisa.
Uma gigantesca montagem de clichés embrulhada em efeitos CGI. E é isto... ●○○○○
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Quando saiu da prisão, condenado por matar dois negros que lhe tentaram roubar o carro, um antigo skinhead tenta evitar que o irmão mais novo siga os mesmo trilhos perigosos e errados. Neo-nazis, questões raciais e sociais fracturantes e cinzentas, a perda da influência paternal e as más influências, um ciclo de violência que é errático e que ataca quem está ao nosso lado. Tudo isto são temas muito difícies de pegar e especialmente ambíguos para mostrar em filme. Por isso mesmo, American History X não é propriamente um filme fácil. Desde aquele "momento" no lancil do passeio, passando pelo chuveiro da prisão até ao final imprevisível mas traumático, tudo neste filme é musculado e duro. É um mergulho num mundo violento, a "preto e branco" e pouco conhecido da sociedade. Um vislumbre do submundo dos skinheads e da supremacia racial branca. Apesar de ser um filme de 1998, é irónico que alguns discursos do filme encaixem perfeitamente na retórica do actual presidente americano, Donad Trump, o que ajuda a perceber melhor porque esta administralção é recorrentemente acusada de ser racista e conotada (ou colada) com a propaganda da supremacia branca. Este tema/trauma racial é latente na sociedade americana, daí que seria uma boa altura para rever o filme e perceber o quão actual se mantém. Curiosamente, se o filme fosse lançado neste momento é provável que fosse extremamente polémico e traria ainda mais gasolina para a fogueira do debate público. É caso para dizer que um tema desta magnitude nunca sai de cima da mesa da actualidade...
American History X é realizado na perfeição por Tony Kaye, que nos vai levando para a frente e para trás na história (brilhante fotografia a preto e branco) para mostrar um drama intimista e familiar com toques de conto moral mas sem ser objetivamente moralista. Impecável. Ninguém diria que Kaye teve grandes discordâncias com o corte final, a ponto de querer (e processar o estúdio) para retirar o seu nome dos créditos do filme. É um dos poucos casos em que o realizador não gosta na peça final, mas que aparentemente tudo acaba por se conjugar na perfeição.
Beverly D'Angelo, Elliott Gould, Stacy Keach, Edward Furlong e em especial destaque Edward Norton, no papel irreconhecível de um musculado skinhead arrependido, todos dão uma prestação espectacular e inesquecível. A realização é limpa, impecável e a história circular de violência é quase um pequeno conto moderno. Não poderia pedir mais. American History X é um grande filme e está recomendadíssimo. ●●●●○
American History X é realizado na perfeição por Tony Kaye, que nos vai levando para a frente e para trás na história (brilhante fotografia a preto e branco) para mostrar um drama intimista e familiar com toques de conto moral mas sem ser objetivamente moralista. Impecável. Ninguém diria que Kaye teve grandes discordâncias com o corte final, a ponto de querer (e processar o estúdio) para retirar o seu nome dos créditos do filme. É um dos poucos casos em que o realizador não gosta na peça final, mas que aparentemente tudo acaba por se conjugar na perfeição.
Beverly D'Angelo, Elliott Gould, Stacy Keach, Edward Furlong e em especial destaque Edward Norton, no papel irreconhecível de um musculado skinhead arrependido, todos dão uma prestação espectacular e inesquecível. A realização é limpa, impecável e a história circular de violência é quase um pequeno conto moderno. Não poderia pedir mais. American History X é um grande filme e está recomendadíssimo. ●●●●○
Os eventos passados em Dunkirk são decisivos na história da Segunda Guerra Mundial e consequentemente na história do mundo. Sem o salvamento destes soldados presos na praia e cercados de alemães, é provável que a Inglaterra tivesse sucumbido e a Alemanha Nazi tivesse mesmo conquistado toda a Europa e quem sabe o mundo hoje, seria um mundo totalmente diferente... É uma daquelas histórias de guerra que para além de diferentes do habitual (são os civis que salvam os soldados e não o contrário), também não é muito conhecida, talvez ofuscada pela grande manobra de acção e bravura que foi o desembarque na Normandia. Por isso, é sempre bom ser relembrado e informado de factos menos conhecidos. Este Dunkirk, de Christopher Nolan é isto e muito mais, mas tem algumas falhas. E quando eu digo "falhas", não são "falhas", mas apenas aspectos que não conjugam muito bem com o que gosto de ver num filme de guerra.
Estar a ver um filme como o Dunkirk é como estar a apreciar uma obra arquitectónica de Alvar Aalto. É bonito e minimalista mas demasiado impessoal. E Dunkirk é um bocado assim. As personagens são demasiado robotizadas. Eu percebo a lógica: desumanizar as personagens para transmitir a desumanização do soldado e da própria guerra. Neste caso, acho que Nolan foi longe demais e as personagens tornaram-se quase zombies, sem acção, sem emoções, sem personalidade... apenas têm uma presença física. Percebo, mas não gosto. Tornou-se demasiado não-emocional.
A narrativa não-linear é um pouco confusa e também não ajuda a cimentar a importância e o desespero dos soldados. Também a entendo mas também não gostei porque não é totalmente perceptível. Percebo a lógica temporal dispersa pela areia, pela água e pelo ar. E provavelmente até foi mesmo o que os soldados sentiram naqueles instantes angustiantes, mas essa sensação não passou pelo ecrã. Tal como os actores (Mark Rylance, Tom Hardy, Cillian Murphy, Kenneth Branagh, Fionn Whitehead, Damien Bonnard), apenas estão lá...
Mas apesar disto tudo, Dunkirk é uma obra de arte lindíssima. Belo som, maravilhosas imagens e planos de câmara de deixar um gajo de boca aberta. Parece-me que este Dunkirk é mais uma experiência do que propriamente um filme. Nolan quis experimentar um novo tipo de cinema e apoiou-se neste elenco jovem para o fazer. Cheira quase a preparação para algo grande que vem a seguir. É uma obra de arte cinematográfica minimalista e algo diferente no já longo e muito bem preenchido currículo de Nolan.
Apesar de não ser excepcional e de optar por ir para campos que não são do meu gosto, é um belíssimo filme de guerra que sem dúvidas, recomendaria sempre. E vem confirmar aquilo que toda a gente já percebeu, mas não quer dizer: Christopher Nolan é o melhor, mais eclético, perfecionista, puro e verdadeiro realizador do momento. ●●●○○
Estar a ver um filme como o Dunkirk é como estar a apreciar uma obra arquitectónica de Alvar Aalto. É bonito e minimalista mas demasiado impessoal. E Dunkirk é um bocado assim. As personagens são demasiado robotizadas. Eu percebo a lógica: desumanizar as personagens para transmitir a desumanização do soldado e da própria guerra. Neste caso, acho que Nolan foi longe demais e as personagens tornaram-se quase zombies, sem acção, sem emoções, sem personalidade... apenas têm uma presença física. Percebo, mas não gosto. Tornou-se demasiado não-emocional.
A narrativa não-linear é um pouco confusa e também não ajuda a cimentar a importância e o desespero dos soldados. Também a entendo mas também não gostei porque não é totalmente perceptível. Percebo a lógica temporal dispersa pela areia, pela água e pelo ar. E provavelmente até foi mesmo o que os soldados sentiram naqueles instantes angustiantes, mas essa sensação não passou pelo ecrã. Tal como os actores (Mark Rylance, Tom Hardy, Cillian Murphy, Kenneth Branagh, Fionn Whitehead, Damien Bonnard), apenas estão lá...
Mas apesar disto tudo, Dunkirk é uma obra de arte lindíssima. Belo som, maravilhosas imagens e planos de câmara de deixar um gajo de boca aberta. Parece-me que este Dunkirk é mais uma experiência do que propriamente um filme. Nolan quis experimentar um novo tipo de cinema e apoiou-se neste elenco jovem para o fazer. Cheira quase a preparação para algo grande que vem a seguir. É uma obra de arte cinematográfica minimalista e algo diferente no já longo e muito bem preenchido currículo de Nolan.
Apesar de não ser excepcional e de optar por ir para campos que não são do meu gosto, é um belíssimo filme de guerra que sem dúvidas, recomendaria sempre. E vem confirmar aquilo que toda a gente já percebeu, mas não quer dizer: Christopher Nolan é o melhor, mais eclético, perfecionista, puro e verdadeiro realizador do momento. ●●●○○
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Um filme que toca em muitos aspectos interessantes não é necessariamente um filme interessante. É o caso de Downsizing. Gostei muito da premissa inicial e tinha imensa curiosidade em perceber para
onde o filme me levaria. Tristemente, não me levou a lado nenhum. Ao invés de ser levado numa aventura e deslumbrado com esse "admirável novo mundo", apenas me deixei estar sentado a olhar para o ecrã, vendo
pessoas com 5 cm de altura a portarem-se exactamente da mesma formas que as "normais", num
cenário mais pequeno mas que sem perspectiva de comparação era exactamente igual ao "normal", e a determinada altura esqueci-me que estava a ver um
filme em que a premissa inicial era a de miniaturizar pessoas... Estava a ver uma sátira com contornos sociais. Não foi bem isso que "venderam" no trailer... Mas tudo bem. Aceito a parte do "engano" do trailer. O problema é que o filme não tem muito interesse. Alexander Payne até começa bem, mas depois parece que a história bloqueia e regressa ao mundo dos grandes. E aí o filme torna-se rotineiro e linear e pior, parece que não tem um rumo muito definido. Basta lembrar que toda lógica do filme começa porque há uma enorme preocupação com as alterações climáticas e com o preservar o mundo da sobre-população humana, mas depois toda esta temática simplesmente desaparece do guião... É no mínimo estranho, o caminho que o filme trilha...
Matt Damon, Christoph Waltz, Hong Chau e um dos meus actores favoritos de sempre, Udo Kier apoiam-se na capacidade superior dos diálogos que têm à disposição e assim ajudam a minimizar os danos causados pela falta de objectividade do próprio argumento. Downsizing é aceitável, mas face às potencialidade da própria história. poderia ser muito melhor. Esperava mais, mas vê-se bem. ●●○○○
Matt Damon, Christoph Waltz, Hong Chau e um dos meus actores favoritos de sempre, Udo Kier apoiam-se na capacidade superior dos diálogos que têm à disposição e assim ajudam a minimizar os danos causados pela falta de objectividade do próprio argumento. Downsizing é aceitável, mas face às potencialidade da própria história. poderia ser muito melhor. Esperava mais, mas vê-se bem. ●●○○○
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Danny Boyle é um gajo que curto há muito tempo. É daqueles realizadores que sei de antemão que não me vai desiludir. Mas desta vez acabou mesmo por acontecer. Steve Jobs é um desilusão de filme. Esperava muito mais.
O filme retrata alguns aspectos marcantes do co-fundador da Apple em três momentos temporais distintos: em 1984 aquando do lançamento do Macintosh; em 1986, quando o mundo dos computadores ficou chocado com o despedimento de Jobs e sequente criação do enorme falhanço que foram os computadores pretos da NEXT; e em 1997 com o regresso à casa onde "nasceu" para lançar o iMac, o pequeno computador colorido que foi um sucesso porque toda a gente queria ter um só por ser extremamente giro.
Eu não tenho problema nenhum com filmes "partidos". Muito pelo contrário. Gosto muito de argumentos não-lineares. E neste caso, como é costume, Aaron Sorkin não desilude e consegue habilmente costurar três histórias "diferentes" e distantes no tempo. MAs para mim há algo que falha. A demasiada incidência na vida de Steve Jobs por "trás da cortina" (percebe-se a lógica, já que os fãs tratavam-no [e ainda tratam] como um verdadeiro Feiticeiro de Oz [com todas as implicações que isso traz...]), acabou por transformar um biopic de Jobs no filme em que Jobs vive a sua vida inteira nos bastidores, vãos de escadas, passagens estreitas e garagens subterrâneas. Não me lembro bem, mas acho que há apenas uma única cena de exteriores... A determinada altura o filme torna-se repetitivo e por vez até maçador. A ex-mulher e a filha estão presentes, mas aparecem e desaparecem, assim como toda a restante gente... Parece que o Jobs vivia literalmente num daqueles camarins escuros e distante da realidade e era visitado regularmente por meio mundo que o vinha chatear mesmo antes de ele apresentar um produto novo qualquer... Parece uma paródia. Mas não é.
O que poderia ajudar muito a elevar o filme seriam os actores. Michael Fassbender, Kate Winslet, Seth Rogen e Jeff Daniels são muito bons, mas de alguma foram parecem desligados do enredo. Posso ser só eu, mas nunca consegui "ver" o Fassbender como Jobs. Há algo ali que não bate certo. Foi como estar a ver uma personagem ficcional com o mesmo nome do Jobs, mas que não era "o" Jobs. E ainda por cima dá a impressão que contaminou o resto do elenco.
Os grandes (Danny Boyle) também "falham" e este é o caso. Steve Jobs não é um mau filme, mas também não é um bom filme. Tendo por base, uma personagem tão rica como a figura de Jobs, vindo de um realizador que até é dos mais favoritos, e face à expectativa que foi criada na altura da estreia, Steve Jobs só pode ser classificado como uma enorme desilusão. ●●○○○
O filme retrata alguns aspectos marcantes do co-fundador da Apple em três momentos temporais distintos: em 1984 aquando do lançamento do Macintosh; em 1986, quando o mundo dos computadores ficou chocado com o despedimento de Jobs e sequente criação do enorme falhanço que foram os computadores pretos da NEXT; e em 1997 com o regresso à casa onde "nasceu" para lançar o iMac, o pequeno computador colorido que foi um sucesso porque toda a gente queria ter um só por ser extremamente giro.
Eu não tenho problema nenhum com filmes "partidos". Muito pelo contrário. Gosto muito de argumentos não-lineares. E neste caso, como é costume, Aaron Sorkin não desilude e consegue habilmente costurar três histórias "diferentes" e distantes no tempo. MAs para mim há algo que falha. A demasiada incidência na vida de Steve Jobs por "trás da cortina" (percebe-se a lógica, já que os fãs tratavam-no [e ainda tratam] como um verdadeiro Feiticeiro de Oz [com todas as implicações que isso traz...]), acabou por transformar um biopic de Jobs no filme em que Jobs vive a sua vida inteira nos bastidores, vãos de escadas, passagens estreitas e garagens subterrâneas. Não me lembro bem, mas acho que há apenas uma única cena de exteriores... A determinada altura o filme torna-se repetitivo e por vez até maçador. A ex-mulher e a filha estão presentes, mas aparecem e desaparecem, assim como toda a restante gente... Parece que o Jobs vivia literalmente num daqueles camarins escuros e distante da realidade e era visitado regularmente por meio mundo que o vinha chatear mesmo antes de ele apresentar um produto novo qualquer... Parece uma paródia. Mas não é.
O que poderia ajudar muito a elevar o filme seriam os actores. Michael Fassbender, Kate Winslet, Seth Rogen e Jeff Daniels são muito bons, mas de alguma foram parecem desligados do enredo. Posso ser só eu, mas nunca consegui "ver" o Fassbender como Jobs. Há algo ali que não bate certo. Foi como estar a ver uma personagem ficcional com o mesmo nome do Jobs, mas que não era "o" Jobs. E ainda por cima dá a impressão que contaminou o resto do elenco.
Os grandes (Danny Boyle) também "falham" e este é o caso. Steve Jobs não é um mau filme, mas também não é um bom filme. Tendo por base, uma personagem tão rica como a figura de Jobs, vindo de um realizador que até é dos mais favoritos, e face à expectativa que foi criada na altura da estreia, Steve Jobs só pode ser classificado como uma enorme desilusão. ●●○○○
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Full Metal Jacket é um daqueles filmes que não precisa de apresentações. É simplesmente um dos melhores filmes de guerra que já vi. E esta apreciação é mais ou menos unânime entre os cinéfilos, críticos e público em geral, o que por si só já é uma referência de qualidade. Mas eu tenho um problema com este filme. E esse problema é a dualidade.
O génio do cinema, Stanley Kubrick sempre filmou com base em referências de alguma forma mitológicas e/ou conceptuais. Em todos os filmes dele há uma característica bem marcada que me diz que tudo o que aparece ou é dito tem sempre outro significado, que quer dizer algo mais. Em Full Metal Jacket essa "marca" é a dualidade, que está presente mesmo antes do filme começar, quando uma pessoa olha para o (excelente) poster promocional e temos uma frase como "Born to Kill" escrita ao lado de um pin com o símbolo da paz... Já durante o filme, a dualidade é omnipresente e o próprio personagem principal, a determinada altura, faz precisamente menção à dualidade do homem e da guerra. Eu percebo a lógica, mas neste caso, a lógica aparece-me de certa forma inconsistente, ou então o Kubrick foi longe demais nesse lado duplo das coisas e não conseguiu passar bem a mensagem. Como aquele match cut no 2001, em que se salta instantaneamente do osso para a nave espacial. Ou é algo que eu não percebi ou algo que não está bem. Seja como for, para mim é uma marca profunda, porque o problema não está na dualidade do argumento, do tratamento das personagens ou outra coisa qualquer; o problema está na espinha dorsal do filme. Por vezes dou por mim a pensar se este não será um tipo de filme totalmente novo. Um filme com duas partes totalmente distintas que se interligam no final. Mas não me parece que assim seja. Acho que mentalmente só estou a tentar ver as coisas de outra forma para "desculpar" o "erro" de cálculo do Kubrick. Já vi este filme pelo menos umas 5 vezes e não consigo deixar de pensar que na realidade são dois filmes excepcionais "colados" a meio. Falta-me a ligação que deveria ser a personagem do Matthew Modine, só que a personagem principal do primeiro filme (devido à prestação excepcional) acaba por ser, sem dúvida, o Vincent D'Onofrio. E aqui é que começam verdadeiramente os problemas.
A primeira parte trata da desumanização do treino militar. Não é por nada que o filme começa com o rapar das cabeças dos recrutas, uniformizando-os numa "massa" desprovida de individualidade. Depois o tratamento miserável que sargento Hartman (um incomparável, inesquecível e icónico R. Lee Ermey) dá aos moços, relega-os para o ponto mais baixo da subserviência e controlo. Alguns aguentam o tratamento duríssimo (Arliss Howard), enquanto outros (Vincent D'Onofrio) acabam por enlouquecer e sucumbir mesmo antes de entrarem no teatro de guerra. A segunda parte leva-nos para a loucura e para a surrealidade da guerra. Somos transportados para o Vietname, onde os soldados americanos esperavam ser recebidos como salvadores mas afinal acabam por perceber que não são bem-vindos. Os cenários aumentam mas ritmo de acção diminui. Talvez por isso sinta que esta segunda parte do filme acaba por se tornar mais fraca do que a primeira. Parece quase um epílogo da história anterior. Não tem propriamente um início nem um fim, apenas uma informação breve sobre o que aconteceu a alguns dos protagonistas do "primeiro" filme e o encontro com novas personagens (Adam Baldwin). É esta dualidade forçada, entre as duas partes do filme, que acho que o prejudicam. A primeira parte é muito mais forte que a segunda, a ligação pelo meio perde-se e isso acaba por ofuscar o resultado final.
Mas tenho de esclarecer aqui uma coisa. Por muito pretensioso (ou faccioso?!?...) que possa parecer, Full Metal Jacket só tem algo de criticável precisamente por ser realizado pelo Stanley Kubrick. O homem era um génio e isso vê-se na sua filmografia. Todos os filmes são perfeitos e alguns até são mais que perfeitos! Por isso mesmo a "barra" está sempre muito, muito lá em cima. É essa a única razão que me leva a escalpelizar tanto ao pormenor e a ser tão exigente.
Mas tirando este meu complexo das "duas metades", Full Metal Jacket é um filme único e imperdível. Banda sonora excepcional, uma atenção aos detalhes absolutamente minuciosa, cenários e fotografia belíssima, planos de câmara fantásticos e recheado de personagens e situações tão icónicas que ainda hoje continuam a ser copiadas e algumas já entraram e enraizaram-se na cultura pop como é o caso do sargento Hartman e do seu temperamento irascível. É um filme obrigatório para qualquer pessoa que gosta de cinema. Um filme com a marca e a qualidade Stanley Kubrick. Imperdível. ●●●●○
(se este fosse um filme realizado por outra pessoa qualquer, seria de caras para levar 5 estrelas; ao Kubrick, não consigo perdoar esta "falha" por muito mínima que seja...)
O génio do cinema, Stanley Kubrick sempre filmou com base em referências de alguma forma mitológicas e/ou conceptuais. Em todos os filmes dele há uma característica bem marcada que me diz que tudo o que aparece ou é dito tem sempre outro significado, que quer dizer algo mais. Em Full Metal Jacket essa "marca" é a dualidade, que está presente mesmo antes do filme começar, quando uma pessoa olha para o (excelente) poster promocional e temos uma frase como "Born to Kill" escrita ao lado de um pin com o símbolo da paz... Já durante o filme, a dualidade é omnipresente e o próprio personagem principal, a determinada altura, faz precisamente menção à dualidade do homem e da guerra. Eu percebo a lógica, mas neste caso, a lógica aparece-me de certa forma inconsistente, ou então o Kubrick foi longe demais nesse lado duplo das coisas e não conseguiu passar bem a mensagem. Como aquele match cut no 2001, em que se salta instantaneamente do osso para a nave espacial. Ou é algo que eu não percebi ou algo que não está bem. Seja como for, para mim é uma marca profunda, porque o problema não está na dualidade do argumento, do tratamento das personagens ou outra coisa qualquer; o problema está na espinha dorsal do filme. Por vezes dou por mim a pensar se este não será um tipo de filme totalmente novo. Um filme com duas partes totalmente distintas que se interligam no final. Mas não me parece que assim seja. Acho que mentalmente só estou a tentar ver as coisas de outra forma para "desculpar" o "erro" de cálculo do Kubrick. Já vi este filme pelo menos umas 5 vezes e não consigo deixar de pensar que na realidade são dois filmes excepcionais "colados" a meio. Falta-me a ligação que deveria ser a personagem do Matthew Modine, só que a personagem principal do primeiro filme (devido à prestação excepcional) acaba por ser, sem dúvida, o Vincent D'Onofrio. E aqui é que começam verdadeiramente os problemas.
A primeira parte trata da desumanização do treino militar. Não é por nada que o filme começa com o rapar das cabeças dos recrutas, uniformizando-os numa "massa" desprovida de individualidade. Depois o tratamento miserável que sargento Hartman (um incomparável, inesquecível e icónico R. Lee Ermey) dá aos moços, relega-os para o ponto mais baixo da subserviência e controlo. Alguns aguentam o tratamento duríssimo (Arliss Howard), enquanto outros (Vincent D'Onofrio) acabam por enlouquecer e sucumbir mesmo antes de entrarem no teatro de guerra. A segunda parte leva-nos para a loucura e para a surrealidade da guerra. Somos transportados para o Vietname, onde os soldados americanos esperavam ser recebidos como salvadores mas afinal acabam por perceber que não são bem-vindos. Os cenários aumentam mas ritmo de acção diminui. Talvez por isso sinta que esta segunda parte do filme acaba por se tornar mais fraca do que a primeira. Parece quase um epílogo da história anterior. Não tem propriamente um início nem um fim, apenas uma informação breve sobre o que aconteceu a alguns dos protagonistas do "primeiro" filme e o encontro com novas personagens (Adam Baldwin). É esta dualidade forçada, entre as duas partes do filme, que acho que o prejudicam. A primeira parte é muito mais forte que a segunda, a ligação pelo meio perde-se e isso acaba por ofuscar o resultado final.
Mas tenho de esclarecer aqui uma coisa. Por muito pretensioso (ou faccioso?!?...) que possa parecer, Full Metal Jacket só tem algo de criticável precisamente por ser realizado pelo Stanley Kubrick. O homem era um génio e isso vê-se na sua filmografia. Todos os filmes são perfeitos e alguns até são mais que perfeitos! Por isso mesmo a "barra" está sempre muito, muito lá em cima. É essa a única razão que me leva a escalpelizar tanto ao pormenor e a ser tão exigente.
Mas tirando este meu complexo das "duas metades", Full Metal Jacket é um filme único e imperdível. Banda sonora excepcional, uma atenção aos detalhes absolutamente minuciosa, cenários e fotografia belíssima, planos de câmara fantásticos e recheado de personagens e situações tão icónicas que ainda hoje continuam a ser copiadas e algumas já entraram e enraizaram-se na cultura pop como é o caso do sargento Hartman e do seu temperamento irascível. É um filme obrigatório para qualquer pessoa que gosta de cinema. Um filme com a marca e a qualidade Stanley Kubrick. Imperdível. ●●●●○
(se este fosse um filme realizado por outra pessoa qualquer, seria de caras para levar 5 estrelas; ao Kubrick, não consigo perdoar esta "falha" por muito mínima que seja...)
O ano é o longínquo 2057. Um grupo internacional de astronautas segue na nave Icarus em direcção ao Sol. A sua missão: detonar uma arma nuclear para reactivar o Sol que entretanto entrou num estado de latência, ameaçando a vida na Terra. Icarus falha e é então enviada uma nova vaga de astronautas para terminar a missão anterior. Mas nem tudo corre como planeado.
Sunshine até nem é um mau filme, mas fico com a sensação que é... apressado. É isso, apressado. Parece que o Danny Boyle (gajo muitíssimo bom atrás da câmara e que aprecio bastante) quis sair da sua zona de conforto e fazer um filme de ficção cientifica, mas lá para o meio chateou-se, percebeu que aquele não era o tipo de filme que gosta de fazer e então decidiu apressar o final do filme. Mas no geral é um bom filmito de ficção científica. Toca em muitos pontos interessantes: as conotações religiosas; o poder enigmático, magnético, hipnótico e quase surreal do sol está muito bem conseguido; as relações de demasiada proximidade (e intimidade) de um grupo de pessoas restrito e fechado tanto tempo no mesmo sítio é exemplar.
Sunshine tem um bom grupo de actores (Mark Strong, Cillian Murphy, Michelle Yeoh, Hiroyuki Sanada, Chris Evans), uma excelente fotografia e especialmente, tem pés e cabeça. É uma história cientificamente credível que sustenta todo o filme. E tem também aquele toquezinho de Solaris que fica sempre bem. É um bom filme, mas a sensação que fica é de que Danny Boyle esteve desconfortável fora do seu meio habitual. É pena, porque fora essa sensação latente e estranha que ficou entranhada, é um filme que se vê muito bem. Podia ser melhor, mas é o que é... ●●○○○
Sunshine até nem é um mau filme, mas fico com a sensação que é... apressado. É isso, apressado. Parece que o Danny Boyle (gajo muitíssimo bom atrás da câmara e que aprecio bastante) quis sair da sua zona de conforto e fazer um filme de ficção cientifica, mas lá para o meio chateou-se, percebeu que aquele não era o tipo de filme que gosta de fazer e então decidiu apressar o final do filme. Mas no geral é um bom filmito de ficção científica. Toca em muitos pontos interessantes: as conotações religiosas; o poder enigmático, magnético, hipnótico e quase surreal do sol está muito bem conseguido; as relações de demasiada proximidade (e intimidade) de um grupo de pessoas restrito e fechado tanto tempo no mesmo sítio é exemplar.
Sunshine tem um bom grupo de actores (Mark Strong, Cillian Murphy, Michelle Yeoh, Hiroyuki Sanada, Chris Evans), uma excelente fotografia e especialmente, tem pés e cabeça. É uma história cientificamente credível que sustenta todo o filme. E tem também aquele toquezinho de Solaris que fica sempre bem. É um bom filme, mas a sensação que fica é de que Danny Boyle esteve desconfortável fora do seu meio habitual. É pena, porque fora essa sensação latente e estranha que ficou entranhada, é um filme que se vê muito bem. Podia ser melhor, mas é o que é... ●●○○○
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Para dar um pouco de descanso ao cérebro, esta semana só vou falar de uma chiclete: Power Rangers. Uns adolescentes (tinha de ser, pois o grupo etário consumidor deste tipo de produtos está na faixa dos 8-15 anos) descobrem umas pedras coloridas e todos ganham super-poderes numa altura em que o mundo corre perigo devido ao mau da fita (neste caso, "a" má da fita [parece que foi uma imposição do MLMC [Movimento Libertário das Mulheres no Cinema]) e aos fiéis monstros digitais que vêm junto.
Não sou conhecedor do "meio". Lembro-me vagamente de uma série de TV com monstros ridiculamente falsos, lutas de artes-marciais e umas fatiotas coloridas. Pouco mais. Aliás, vi tão poucas vezes os Power Rangers (e acho que nunca vi um episódio inteiro), que na minha cabeça está organizado juntamente com os Teletubbies (porque dava mais ou menos na mesma altura e também por causa das cores da fatiotas), o que demonstra claramente o meu nível de conhecimento da coisa...
Já sabia ao que ia e portanto as expectactivas eram mesmo muito baixas. Talvez por causa disso (ou então porque estava cansado e com muito sono...) até foi melhor do que pensava. Melhor dizendo, não foi tão "mentalmente ofensivo" quanto esperava... Ainda assim é um produto. É um produto da marca Saban, mas que também já foi da Walt Disney e que não tarda nada irá ser um produto com a chancela da marca Hasbro. Um produto e uma fórmula de sucesso, portanto. Uma "coisa" para vender aos saudosistas e aos novos miúdos que nunca viram a série original. Tal como diz a música: "E como tudo que é coisa que promete, A gente vê como uma chiclete, Que se prova, mastiga e deita fora"... ●○○○○
Não sou conhecedor do "meio". Lembro-me vagamente de uma série de TV com monstros ridiculamente falsos, lutas de artes-marciais e umas fatiotas coloridas. Pouco mais. Aliás, vi tão poucas vezes os Power Rangers (e acho que nunca vi um episódio inteiro), que na minha cabeça está organizado juntamente com os Teletubbies (porque dava mais ou menos na mesma altura e também por causa das cores da fatiotas), o que demonstra claramente o meu nível de conhecimento da coisa...
Já sabia ao que ia e portanto as expectactivas eram mesmo muito baixas. Talvez por causa disso (ou então porque estava cansado e com muito sono...) até foi melhor do que pensava. Melhor dizendo, não foi tão "mentalmente ofensivo" quanto esperava... Ainda assim é um produto. É um produto da marca Saban, mas que também já foi da Walt Disney e que não tarda nada irá ser um produto com a chancela da marca Hasbro. Um produto e uma fórmula de sucesso, portanto. Uma "coisa" para vender aos saudosistas e aos novos miúdos que nunca viram a série original. Tal como diz a música: "E como tudo que é coisa que promete, A gente vê como uma chiclete, Que se prova, mastiga e deita fora"... ●○○○○
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Mark e David Schultz são dois irmãos que são também campeões olímpicos de luta greco-romana. Apesar das vitórias, Mark leva uma vida fora da ribalta, treinando na obscuridade e praticamente no anonimato. A juntar a esta falta de reconhecimento, Mark sente que vai estar sempre na sombra do irmão que talvez por ser mais sociável acaba por ser mais apoiado. A determinado ponto entra em cena o milionário excêntrico John du Pont, uma misteriosa personagem que sente que Mark não é suficientemente reconhecido e por isso quer mudar todo o paradigma desportivo, trazê-lo para a ribalta e mostrá-lo ao mundo (americano) como um exemplo do trabalhador dedicado e do que a América faz de melhor. Para isso, monta uma equipa (Equipa Foxcatcher) e toda a estrutura de treino na sua enorme mansão com o intuito de participar nos Jogos Olímpicos de 1988 e vencer a medalha de ouro. Só que à medida que Mark e John se tornam mais íntimos, a difícil conciliação de personalidades, faz com que tanto Mark como John acabem por trilhar um caminho de tragédia.
Foxcatcher é um filme estranho. Para já porque é baseado numa história verídica e como toda a gente sabe, a realidade é mais estranha que a ficção. Todos os eventos inacreditáveis do filme são realmente verdadeiros. Li e confirmei a história e parece-me... inacreditável. É daquelas coisas que uma pessoa só consegue pensar: "isto é mesmo verdade?", "isto aconteceu mesmo assim?". E é. É mesmo verdade. Por isso a história é um dos pontos positivos e basilares deste Foxcatcher. A outra coisa boa é o ritmo/tom do filme. Só quando me informei melhor do assunto é que percebi porque é que o filme parece destinado apenas a ser visto por pessoas fortemente medicadas com Prozac. É que tem um ambiência e um tom mesmo estranho. É beje, mas tem uma qualidade quase onírica... Parece que o próprio filme está sob o efeito de uma droga qualquer. Encaixa perfeitamente bem no tema. É (muito) monótono mas ao mesmo tempo é tenso. Nota-se algo no ar, como se uma pessoa estivesse muito calma mas prestes a explodir num violento episódio psicótico. Calmo, mas desconfortável. É essa a sensação. Nota-se que se passa algo de errado e que aquelas personagens estão a caminho de algo mau, mas não se percebe o quê nem porquê nem quando. Só faz sentido no final. Um grande polegar levantado para Bennett Miller. Excelente realização.
Um outro ponto muito positivo são os actores. Channing Tatum (muitíssimo bem), Mark Ruffalo e Vanessa Redgrave dão cartas na representação, mas quem partiu a louça toda foi o Steve Carell. Uma surpresa de tamanho olímpico. Uma transformação total e completa e não estou a falar da parte das próteses faciais. É mesmo da parte psicológica. Ver Steve Carell a fazer papéis cómicos e vê-lo a fazer de alucinado milionário John du Pont é como ver pessoas/actores totalmente diferentes. Até o olhar é diferente. Está irreconhecível... para melhor.
Foxcatcher surpreendeu-me imenso pela positiva. Sem dúvida nenhuma um filme para ver. ●●●○○
Foxcatcher é um filme estranho. Para já porque é baseado numa história verídica e como toda a gente sabe, a realidade é mais estranha que a ficção. Todos os eventos inacreditáveis do filme são realmente verdadeiros. Li e confirmei a história e parece-me... inacreditável. É daquelas coisas que uma pessoa só consegue pensar: "isto é mesmo verdade?", "isto aconteceu mesmo assim?". E é. É mesmo verdade. Por isso a história é um dos pontos positivos e basilares deste Foxcatcher. A outra coisa boa é o ritmo/tom do filme. Só quando me informei melhor do assunto é que percebi porque é que o filme parece destinado apenas a ser visto por pessoas fortemente medicadas com Prozac. É que tem um ambiência e um tom mesmo estranho. É beje, mas tem uma qualidade quase onírica... Parece que o próprio filme está sob o efeito de uma droga qualquer. Encaixa perfeitamente bem no tema. É (muito) monótono mas ao mesmo tempo é tenso. Nota-se algo no ar, como se uma pessoa estivesse muito calma mas prestes a explodir num violento episódio psicótico. Calmo, mas desconfortável. É essa a sensação. Nota-se que se passa algo de errado e que aquelas personagens estão a caminho de algo mau, mas não se percebe o quê nem porquê nem quando. Só faz sentido no final. Um grande polegar levantado para Bennett Miller. Excelente realização.
Um outro ponto muito positivo são os actores. Channing Tatum (muitíssimo bem), Mark Ruffalo e Vanessa Redgrave dão cartas na representação, mas quem partiu a louça toda foi o Steve Carell. Uma surpresa de tamanho olímpico. Uma transformação total e completa e não estou a falar da parte das próteses faciais. É mesmo da parte psicológica. Ver Steve Carell a fazer papéis cómicos e vê-lo a fazer de alucinado milionário John du Pont é como ver pessoas/actores totalmente diferentes. Até o olhar é diferente. Está irreconhecível... para melhor.
Foxcatcher surpreendeu-me imenso pela positiva. Sem dúvida nenhuma um filme para ver. ●●●○○
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O ano é 2022 e a realidade é um distopia viva. O mundo do detective Thorn (Charlton Heston) dá uma volta de 180 graus quando lhe é designada uma investigação de homicídio numa zona rica e exclusiva da cidade. Mas o mundo de Thorn é também um mundo superpovoado (40 milhões de pessoas só em Nova York), poluído e de recursos sobreexplorados e escassos. É um mundo onde a eutanásia é uma matéria de estado que tem centros próprios para acabar com os idosos, que no momento em que são envenenados e esperam a morte, podem finalmente rever num monitor o extinto mundo natural em todo o seu esplendor... É neste mundo pessimista e terminal que Thorn conhece Shirl (Leigh Taylor-Young), uma "mobília". Soylent Green tem conceitos muito fixes e muito avançados. "Mobília", por exemplo é o que se chamam às mulheres que fazem parte do contrato de arrendamento que os ricos assinam quando vão para os tais apartamentos chiques na "alta" e vivem numa realidade paralela dos milhões de pessoas a viver em vãos de escadas... As pessoas são tantas que são literalmente tratadas como lixo... O próprio termo "soylent" é uma mistura de soja (soybeans) e lentilhas o
que me lembra imediatamente a mudança nos conceitos alimentares
relativamente recentes...
Soylent Green foi adaptado do livro de Harry Harrison, "Make Room! Make Room!", e lida com temas extremos como a conspiração, distopia, canibalismo, homicídio e destruição ecológica à escala planetária. E é uma obra negra, pessimista e que não acaba bem. É mesmo típico dos filmes dos 70's. Os anos 70 foram ao mesmo tempo o pináculo e a década do nascimento da verdadeira ficção científica. Foi quando se começou a aliar a lógica e o pensamento científico ao espectáculo do cinema. Apesar de só ter contacto com este e outros filmes do género muito mais tarde (nos 80's), isso teve um efeito profundo em mim. Neste caso específico, fez com que começasse a estar alerta para a ecologia e começou a incutir-me a curiosidade de como o mundo natural funcionava e como o homem o poderia desestabilizar ou até mesmo o destruir. Até essa altura eu não tinha noção que isso seria sequer possível. Não tinha conhecimentos nem inteligência suficiente para perceber. Soylent Green foi um filme que literalmente mudou o meu mundo e que mudou a forma como via o mundo. E também mudou a forma como via os filmes. Aquele final simplesmente explodiu-me com o cérebro... E teve o condão de o pôr a funcionar de outra forma. Aquilo seria possível? Seria possível a Terra e o Homem chegarem àquele ponto? Quem eram aquelas pessoas que conseguiam imaginar um futuro assim? Ainda hoje, sempre que ouço um camião do lixo a carregar ao longe, lembro-me sempre do Soylent Green. Claro que é um filme que está datado no tempo e faltam-lhe muitas "coisas" de 2022. Mas quem é que consegue imaginar o mundo daqui a 50 anos e mostrá-lo exactamente como será viver nele? É preciso dar o desconto devido...
Este foi o último filme de Edward G. Robinson que se debatia com um cancro, embora ninguém soubesse. Na cena da eutanásia, Heston estava mesmo a chorar devido à actuação "real" de Robinson... Pensando bem, é de facto, cruel. A última coisa que filmou foi a sua "morte", o que viria realmente a acontecer uns dias depois do final das filmagens. Mais um elemento mítico a juntar ao próprio carácter mítico do filme em si.
Soylent Green é um clássico intemporal, imperdível e imprescindível. É daqueles filmes que tem uma história que dá para infindáveis dissertações e discussões. Mas o melhor é ver. Diria que é mesmo obrigatório ver. E que seja a uma terça-feira, pois terça-feira é dia de Soylent Green... ●●●●● + ●
Soylent Green foi adaptado do livro de Harry Harrison, "Make Room! Make Room!", e lida com temas extremos como a conspiração, distopia, canibalismo, homicídio e destruição ecológica à escala planetária. E é uma obra negra, pessimista e que não acaba bem. É mesmo típico dos filmes dos 70's. Os anos 70 foram ao mesmo tempo o pináculo e a década do nascimento da verdadeira ficção científica. Foi quando se começou a aliar a lógica e o pensamento científico ao espectáculo do cinema. Apesar de só ter contacto com este e outros filmes do género muito mais tarde (nos 80's), isso teve um efeito profundo em mim. Neste caso específico, fez com que começasse a estar alerta para a ecologia e começou a incutir-me a curiosidade de como o mundo natural funcionava e como o homem o poderia desestabilizar ou até mesmo o destruir. Até essa altura eu não tinha noção que isso seria sequer possível. Não tinha conhecimentos nem inteligência suficiente para perceber. Soylent Green foi um filme que literalmente mudou o meu mundo e que mudou a forma como via o mundo. E também mudou a forma como via os filmes. Aquele final simplesmente explodiu-me com o cérebro... E teve o condão de o pôr a funcionar de outra forma. Aquilo seria possível? Seria possível a Terra e o Homem chegarem àquele ponto? Quem eram aquelas pessoas que conseguiam imaginar um futuro assim? Ainda hoje, sempre que ouço um camião do lixo a carregar ao longe, lembro-me sempre do Soylent Green. Claro que é um filme que está datado no tempo e faltam-lhe muitas "coisas" de 2022. Mas quem é que consegue imaginar o mundo daqui a 50 anos e mostrá-lo exactamente como será viver nele? É preciso dar o desconto devido...
Este foi o último filme de Edward G. Robinson que se debatia com um cancro, embora ninguém soubesse. Na cena da eutanásia, Heston estava mesmo a chorar devido à actuação "real" de Robinson... Pensando bem, é de facto, cruel. A última coisa que filmou foi a sua "morte", o que viria realmente a acontecer uns dias depois do final das filmagens. Mais um elemento mítico a juntar ao próprio carácter mítico do filme em si.
Soylent Green é um clássico intemporal, imperdível e imprescindível. É daqueles filmes que tem uma história que dá para infindáveis dissertações e discussões. Mas o melhor é ver. Diria que é mesmo obrigatório ver. E que seja a uma terça-feira, pois terça-feira é dia de Soylent Green... ●●●●● + ●
Li há uns tempos atrás que em 1830, o ketchup era vendido como medicamento. Isto demonstra que o consumidor pode facilmente ser enganado quando compra um produto. O mesmo acontece com Rampage, mais uma chachada igual a tantas outras, mais um produto digital "falso", que é vendido como se fosse mesmo um filme de cinema. Rampage é um bom produto de merchandising para miúdos porque tem animais gigantes a destruírem cidades. De Brad Peyton, com Dwayne Johnson e Jeffrey Dean Morgan. Parece que também há outros actores, mas só lá estão para levarem com destroços digitais... ●○○○○
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Jobs conta a história de Steve Jobs, desde que desiste da universidade até chegar ao patamar de guru criativo e um dos empresários de maior sucesso no século XX, à frente da empresa tecnológica mais valiosa do mundo. É um período de tempo extremamente alargado (1973-2000) o que leva a que muitos pontos de interesse da história da Apple e do Jobs sejam omitidos ou erroneamente dramatizados. É uma das grandes falhas do filme. Mas essencialmente é um filmito que se vê bem. Parece um telefilme ou um documentário quitado. Acho que o melhor que deveriam ter feito era acrescentar mais umas duas horitas (até porque há material relevante que ficou de fora: a relação conturbada com a filha, as Silicon Valley Wars, etc.) e transformar isto numa mini-série de luxo. Acho que ficava muito melhor e os apple fans podiam ter mais uma coisita para adorarem e juntarem aos mini-altares do Jobs lá de casa. ;-) Assim, tal como estreou, é só mais um filmito que nem aquece nem arrefece. Ashton Kutcher como Steve Jobs até nem está mal, mas também não mostra grande garra. Muitos nomes de relevo juntaram-se à parada como Matthew Modine, J.K. Simmons, Kevin Dunn e James Woods, só para mencionar alguns. Jobs (o filme, não o homem) não teve muito sucesso e levou com muita crítica negativa principalmente daqueles que se intitulam como apple fans (?). Passados 2 ou 3 anos saiu uma nova versão da história... Mas essa ainda não consegui ver. Fica para breve. ●●○○○
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Uma das frases mais conhecidas de Thomas Hobbes é "conhecimento é poder"... Partindo daqui o que poderia dizer sobre este Titan? É um filme sem poder absolutamente nenhum. Diria mais: é uma fraude. É tão ridículo que nem sei o que dizer... Mas o que é se passa com os filmes de hoje em dia? Como é que alguém num estúdio, vê uma coisa destas e manda-a cá fora para as salas de cinema? Acham que o público é todo estúpido? Fazem product placement à escâncara e sem pejo nenhum... Ridicularizam todo o conhecimento científico... Sinceramente não entendo. The Titan tem um argumento estúpido e um final ainda mais estúpido. É um filme que só faz sentido por 23 segundos... A make-up é horrível. É tudo mau. Nada se aproveita a não ser a base da história que até tinha imenso potencial: fazer um filme de ficção cientifica sem efeitos especiais. Mas ficou-se por aí. E eu nem vou perder mais tempo com "isto"... Este filme é um insulto à minha inteligência... ○○○○○
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Não sei porquê, mas tenho-me lembrado muito do Chuck Norris. É um daqueles gajos que "está cá dentro". Cresci com o VHS e a derreter dinheiro em videoclubes só para ver filmes como este. Adorava estes filmes de porrada e aventura. Mas também tinha 15 anos e não havia mais filmes para ver, ou os que havia ainda eram piores. É preciso ter noção do panorama da altura. Havia coisas muito, mas muito piores. Estes filmes eram dos poucos filmes de acção que havia...
Neste caso, Firewalker, que se já era mau em 1986, então agora é quase ridículo. É um sucedâneo, que como tantos outros filmes desta altura tentaram cavalgar o género da aventura/arqueólogo lutador, muito em voga devido ao sucesso global do Indiana Jones. Mas só se fica pelo sucedâneo...
Tem uma busca pelo ouro perdido dos Maias ou Incas ou Índios (ou lá o que é...), cenas de porrada que acabam invariavelmente em cima de mesas de bar ridiculamente fracas, piadas infantis, risos maléficos guturais, tiroteios com som de ricochete, algumas explosões e um final feliz. Também tem um dos super-star da altura, Louis Gossett Jr., a belíssima Melody Anderson e uma breve aparição de John Rhys-Davies. O que é que um gajo pode pedir mais? ●○○○○
Neste caso, Firewalker, que se já era mau em 1986, então agora é quase ridículo. É um sucedâneo, que como tantos outros filmes desta altura tentaram cavalgar o género da aventura/arqueólogo lutador, muito em voga devido ao sucesso global do Indiana Jones. Mas só se fica pelo sucedâneo...
Tem uma busca pelo ouro perdido dos Maias ou Incas ou Índios (ou lá o que é...), cenas de porrada que acabam invariavelmente em cima de mesas de bar ridiculamente fracas, piadas infantis, risos maléficos guturais, tiroteios com som de ricochete, algumas explosões e um final feliz. Também tem um dos super-star da altura, Louis Gossett Jr., a belíssima Melody Anderson e uma breve aparição de John Rhys-Davies. O que é que um gajo pode pedir mais? ●○○○○
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