"A Ciência criou-o. Agora o Chuck Norris tem de o destruir!". Esta é a tagline promocional do filme e é mesmo verdadeira. Acho que isto diz tudo de um filme e alerta para a "experiência" cinematográfica estranha que uma pessoa está prestes a ter. Na década de 80 fizeram-se alguns filmes muitos estranhos. Este é sem dúvida um deles. Pode-se classificar como um filme de acção/artes marciais/suspense/terror/ficção científica... ?!?... Mais ou menos isto. A grande questão é: "será possível misturar isto tudo num filme?" É sim senhor, e a resposta é Silent Rage, em que um ranger do Texas (Chuck Norris, ranger do Texas?!... onde é que já vi isto?) versado nas artes marciais tenta parar um assassino em série que não fala e que através da manipulação genética (?!) tem o super-poder de se regenerar e assim tornar-se praticamente imortal. Basicamente é um Wolverine, mas com tendências homicidas. Ou será o Michael Meyers do Halloween?... Mas o que acho mesmo engraçado neste filme é que o guião é praticamente o mesmo do Terminator que sairia uns anos mais tarde. Pode ser coincidência, mas lá que é parecido é... Mas também posso ser eu a tentar ver coisas onde elas não existem.
Ron Silver (uma dos poucos actores "verdadeiros" que entram neste filme), Toni Kalem (no papel da moça que frágil que foge e grita imenso) e Brian Libby (no papel de Terminator, perdão, no papel de psicopata imparável risível) são os únicos destaques possíveis. O resto do pessoal é demasiado mauzinho para mencionar... tal como o filme na generalidade. Mas é tudo desculpado porque esta é um peça vintage. Silent Rage (de Michael Miller) é para evitar, a não ser que uma pessoa seja fã e saudosista dos 80's e/ou se queira rir um bocado com esta raridade. ●○○○○
Estranho, surrealista, hipnótico, sei lá... que outras palavras tenho para este filme? é dificíil arranjar palavras para Seconds. É um filme estranho. Muito estranho. Não é ficção científica mas tem uns toques que fazem lembrar. Parece-me um episódio muito, muito quitado da Twilight Zone... mas para adultos. É muito à frente. Em 1966, John Frankenheimer filma de uma forma tão moderna, aparentemente tão avançada no tempo que parece que ainda não se conseguiu lá chegar. É uma lição de realização, de borla. É brilhante. É tão marcado, tão potente que nota-se automaticamente onde, por exemplo, o Gaspar Noé vai buscar aqueles planos malucos. Onde Lynch vai buscar todas aquelas personagens malucas. (bem... no caso do Lynch, pode não ser verdade...), onde Cronenberg vai buscar aquelas cenas hospitalares todas. É, de facto, um filme muito à frente do seu tempo.
Seconds é um daqueles filmes que me põe a pensar. Orgias "romanas", mudanças de identidade, cirurgias plásticas, morte planeada, tudo misturado num ar muito hipnótico com muitos close-ups extremos, planos de câmara muito oníricos e... estranheza.
Um banqueiro abastado está desligado da sua própria vida. Então decide requisitar os serviços duma Companhia que lhe promete mudar completamente a vida, mas não só: dão-lhe um aspecto e uma identidade completamente nova. O banqueiro velho e amorfo é sujeito a uma complexa operação plástica que o irá transformar num novo homem, renascido. Quem é que inventa estas histórias? Isto para mim, é fantástico.
Foi um dos filmes que mais me surpreendeu nos últimos tempos. É uma experiência cinematográfica.
Ver actores como John Randolph, Rock Hudson, Frances Reid e Salome Jens é ver outro nível. Há ali qualquer nos actores mais antigos que é único. Não sei explicar o que é. É diferente. Seconds é filme para muitas classificações. Muito provavelmente este é um filme que tem um culto de adoradores associados, porque tem exactamente essa aura estranha de cult movie. É mesmo estranho. Também é até hoje o melhor filme que vi daquele género muito particular que é o midlife crisis movie. E podia continuar por aqui fora... O melhor é mesmo ver e aprender com os mestres. Um clássico. ●●●●●
Seconds é um daqueles filmes que me põe a pensar. Orgias "romanas", mudanças de identidade, cirurgias plásticas, morte planeada, tudo misturado num ar muito hipnótico com muitos close-ups extremos, planos de câmara muito oníricos e... estranheza.
Um banqueiro abastado está desligado da sua própria vida. Então decide requisitar os serviços duma Companhia que lhe promete mudar completamente a vida, mas não só: dão-lhe um aspecto e uma identidade completamente nova. O banqueiro velho e amorfo é sujeito a uma complexa operação plástica que o irá transformar num novo homem, renascido. Quem é que inventa estas histórias? Isto para mim, é fantástico.
Foi um dos filmes que mais me surpreendeu nos últimos tempos. É uma experiência cinematográfica.
Ver actores como John Randolph, Rock Hudson, Frances Reid e Salome Jens é ver outro nível. Há ali qualquer nos actores mais antigos que é único. Não sei explicar o que é. É diferente. Seconds é filme para muitas classificações. Muito provavelmente este é um filme que tem um culto de adoradores associados, porque tem exactamente essa aura estranha de cult movie. É mesmo estranho. Também é até hoje o melhor filme que vi daquele género muito particular que é o midlife crisis movie. E podia continuar por aqui fora... O melhor é mesmo ver e aprender com os mestres. Um clássico. ●●●●●
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Não querendo entrar no campo dos realizadores subvalorizados e para não me repetir, vou só dizer que este é mais um (bom) filme do Robert Zemeckis. The Walk é baseado na história verídica de Philippe Petit, um equilibrista francês, que em 1974 decidiu unir as duas torres do Wall Trade Center com uma corda de 200 kgs de aço e atravessá-la a pé a mais de 400 metros de altura. Zemeckis dirige tão bem este filme que aposto que se for visto em formato 3D/IMAX deve dar umas tonturas valentes.
Contado na primeira pessoa e muitas vezes voltado directamente para o espectador, The Walk é mais parecido com um heist movie do que um biopic. Só para se ter uma noção, a primeira vez que Philippe Petit/Joseph Gordon-Levitt põe um pé naquele cabo de aço, já passou cerca de 1 hora e meia de filme. Empreender uma façanha deste tipo é muito mais do que simplesmente andar num cabo de aço mais fino do que o próprio pé. São anos de planeamento antecipado e meticuloso e muito trabalho nos locais só para montar uma coisa desta magnitude. Não deixa de ser extraordinário o golpe que fizeram. E depois, como se não fosse bastante, Petit ainda andou em cima do cabo durante largos minutos fazendo manobras arriscadas de equilibrismo. E com tudo isto, justamente, ficou para a história.
Todos os aspectos técnicos (como é normal com o RZ) são do melhor, o casting é jeitoso (Joseph Gordon-Levitt, Charlotte Le Bon, James Badge Dale, César Domboy, Ben Kingsley), está muito bem escrito e não há propriamente nada de mal a apontar a The Walk. Mas acho que falha na essência e algumas coisitas minúsculas. Exagera um pouco nos planos picados para mostrar a quem tem vertigens, a loucura que é estar em cima do WTC e olhar directamente para baixo. Está 10-15 minutos mais comprido do que o que devia. O aspecto (demasiado) formatado de biopic com discurso directo acaba por não ajudar porque a determinado momento parece um realmente um documentário da TV. Ainda assim, um documentário muito bom. Nota-se que é também uma prova sentida de homenagem à cidade de Nova York e às Torres do WTC, o que se compreende facilmente devido ao trama dos ataque de 11/9. É sentido e é facilmente perceptível na forma como Zemeckis aborda cada frame onde aparecem os prédios. É compreensível, mas acho que foi exactamente isso que fez o filme perder um pouco o foco. Mas é um filme que se vê muito bem. Só tenho pena é de não o ter visto num cinema 3D ou IMAX. Deve ser uma autêntica trip de vertigens... ●●●○○
Contado na primeira pessoa e muitas vezes voltado directamente para o espectador, The Walk é mais parecido com um heist movie do que um biopic. Só para se ter uma noção, a primeira vez que Philippe Petit/Joseph Gordon-Levitt põe um pé naquele cabo de aço, já passou cerca de 1 hora e meia de filme. Empreender uma façanha deste tipo é muito mais do que simplesmente andar num cabo de aço mais fino do que o próprio pé. São anos de planeamento antecipado e meticuloso e muito trabalho nos locais só para montar uma coisa desta magnitude. Não deixa de ser extraordinário o golpe que fizeram. E depois, como se não fosse bastante, Petit ainda andou em cima do cabo durante largos minutos fazendo manobras arriscadas de equilibrismo. E com tudo isto, justamente, ficou para a história.
Todos os aspectos técnicos (como é normal com o RZ) são do melhor, o casting é jeitoso (Joseph Gordon-Levitt, Charlotte Le Bon, James Badge Dale, César Domboy, Ben Kingsley), está muito bem escrito e não há propriamente nada de mal a apontar a The Walk. Mas acho que falha na essência e algumas coisitas minúsculas. Exagera um pouco nos planos picados para mostrar a quem tem vertigens, a loucura que é estar em cima do WTC e olhar directamente para baixo. Está 10-15 minutos mais comprido do que o que devia. O aspecto (demasiado) formatado de biopic com discurso directo acaba por não ajudar porque a determinado momento parece um realmente um documentário da TV. Ainda assim, um documentário muito bom. Nota-se que é também uma prova sentida de homenagem à cidade de Nova York e às Torres do WTC, o que se compreende facilmente devido ao trama dos ataque de 11/9. É sentido e é facilmente perceptível na forma como Zemeckis aborda cada frame onde aparecem os prédios. É compreensível, mas acho que foi exactamente isso que fez o filme perder um pouco o foco. Mas é um filme que se vê muito bem. Só tenho pena é de não o ter visto num cinema 3D ou IMAX. Deve ser uma autêntica trip de vertigens... ●●●○○
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Passado na Los Angeles dos anos 70, The Nice Guys conta a história de dois detectives muito particulares que investigam o aparente suicídio de uma artista porno. Esta investigação vai levá-los muito mais longe do que estavam à espera...
Os nice guys são Ryan Gosling e Russell Crowe e são dirigidos por um muito experiente Shane Black, que há muito se dedica (e bem) aos filmes policiais e de acção. Também uma miúda que parece ser muito talentosa Angourie Rice, mas nem isso é suficiente para dar mais "sabor" aos filme.
The Nice Guys até é um filme agradável mas de facto não tem muito sabor. Tem algumas piadas engraçadas e bem esgalhadas e até há uma boa química natural entre os dois protagonistas, mas sente-se que falta ali alguma coisa. Não sei muito bem o que é, mas falta. Vê-se bem, não chateia, dá para dar uma ou outra gargalhada, mas fica-se por aí. É demasiado inócuo para o meu gosto. Tem bons momentos, mas definitivamente podia ser melhor. ●●○○○
Os nice guys são Ryan Gosling e Russell Crowe e são dirigidos por um muito experiente Shane Black, que há muito se dedica (e bem) aos filmes policiais e de acção. Também uma miúda que parece ser muito talentosa Angourie Rice, mas nem isso é suficiente para dar mais "sabor" aos filme.
The Nice Guys até é um filme agradável mas de facto não tem muito sabor. Tem algumas piadas engraçadas e bem esgalhadas e até há uma boa química natural entre os dois protagonistas, mas sente-se que falta ali alguma coisa. Não sei muito bem o que é, mas falta. Vê-se bem, não chateia, dá para dar uma ou outra gargalhada, mas fica-se por aí. É demasiado inócuo para o meu gosto. Tem bons momentos, mas definitivamente podia ser melhor. ●●○○○
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De tanto ver chachadas de acção, filmes de super-heróis e restantes vendedores de pipocas, por vezes tenho mesmo necessidade de ver um bom filme. É quase como se começasse ressacar por filmes normais. Preciso não só de ver um filme normal, mas um bom filme. Daqueles que me imobilizam e me deixam calado até ao fim, e que quando acaba me obriga a deixar sair um desabafo do género: "estava mesmo a precisar de um bom filme como este".
Nocturnal Animals foi o último filme que vi e que literalmente me "calou" (Tenho a irritante tendência natural para falar durante os filmes). Ainda por cima não sabia nada do filme. Vi-o porque tinha três actores que gosto: Amy Adams, Jake Gyllenhaal e Michael Shannon. E sei logo à partida que estou a lidar com três excelentes actores, inteligentes e que costumam escolher muitíssimo bem os projectos em que se metem. E ainda não vi um mau filme com nenhum destes três como protagonista (e ainda se juntou mais uma grande performance de Aaron Taylor-Johnson). Tudo o resto era uma incógnita.
Nocturnal Animals é o tipo de cinema que adoro. É encontrar um filme assim que me faz suportar todos os restantes filmes. É simplesmente muito bom. É... uma experiência visual e sensitiva. Desde o soberbo arranque com toques de Lucian Freud ao final aberto e subjectivo.
A história é algo complexa porque é uma história dentro de uma história. A lindíssima Susan recebe o manuscrito de um livro escrito pelo seu ex-marido que não vê há muitos anos e que lhe dedica o livro. O problema é que o livro trata da história trágica de um homem que num ápice perde tudo o que tem (mulher e filha) numas férias que se transformam em tragédia, violência e dor. Parece quase uma chamada de atenção para o amor perdido entre os dois, muitos anos antes. Como se fosse para mostrar que não há segundas hipóteses para os verdadeiros sentimentos e que uma vez deixados para trás, mais cedo ou mais tarde, eles acabam por nos apanhar da maneira mais dolorosa possível.
Mal acabei de ver este Nocturnal Animals, tive de ir ver quem era o realizador, um tal de Tom Ford. E para grande surpresa minha era mesmo o Tom Ford que conhecia, o designer de moda. E já nem era a primeira vez que realizava e eu nem sabia. Outra grande surpresa. Não estava nada à espera que um estilista fizesse um filme assim, mas pensando bem, faz todo o sentido. Visual arrojado, intensidade dramática, angústia, vidas duplas, arte, despego emotivo, tudo remete de alguma forma estranha para o mundo da moda. Mas o que facilmente se poderia transformar em algo fútil mas visualmente deslumbrante, mistura-se perfeitamente com o drama, dando origem a um estilo novo, como se fosse uma pesada tragédia mitológica passada nos dias de hoje.
Nocturnal Animals é muito bom. Obrigaria-me a estar aqui horas a divagar sobre a história, as performances dos actores, as fantásticas imagens noturnas e tudo o mais. Mas vou-me conter e dizer apenas de uma forma sucinta que está muito bem escrito, tem actores excepcionalmente bons, uma excelente fotografia e uma realização ainda melhor que impregna todo o filme de um ritmo lento, pesado, mas ao mesmo tempo acutilante. Uma pérola recente para ver e rever. Perfeito. ●●●●●
Nocturnal Animals foi o último filme que vi e que literalmente me "calou" (Tenho a irritante tendência natural para falar durante os filmes). Ainda por cima não sabia nada do filme. Vi-o porque tinha três actores que gosto: Amy Adams, Jake Gyllenhaal e Michael Shannon. E sei logo à partida que estou a lidar com três excelentes actores, inteligentes e que costumam escolher muitíssimo bem os projectos em que se metem. E ainda não vi um mau filme com nenhum destes três como protagonista (e ainda se juntou mais uma grande performance de Aaron Taylor-Johnson). Tudo o resto era uma incógnita.
Nocturnal Animals é o tipo de cinema que adoro. É encontrar um filme assim que me faz suportar todos os restantes filmes. É simplesmente muito bom. É... uma experiência visual e sensitiva. Desde o soberbo arranque com toques de Lucian Freud ao final aberto e subjectivo.
A história é algo complexa porque é uma história dentro de uma história. A lindíssima Susan recebe o manuscrito de um livro escrito pelo seu ex-marido que não vê há muitos anos e que lhe dedica o livro. O problema é que o livro trata da história trágica de um homem que num ápice perde tudo o que tem (mulher e filha) numas férias que se transformam em tragédia, violência e dor. Parece quase uma chamada de atenção para o amor perdido entre os dois, muitos anos antes. Como se fosse para mostrar que não há segundas hipóteses para os verdadeiros sentimentos e que uma vez deixados para trás, mais cedo ou mais tarde, eles acabam por nos apanhar da maneira mais dolorosa possível.
Mal acabei de ver este Nocturnal Animals, tive de ir ver quem era o realizador, um tal de Tom Ford. E para grande surpresa minha era mesmo o Tom Ford que conhecia, o designer de moda. E já nem era a primeira vez que realizava e eu nem sabia. Outra grande surpresa. Não estava nada à espera que um estilista fizesse um filme assim, mas pensando bem, faz todo o sentido. Visual arrojado, intensidade dramática, angústia, vidas duplas, arte, despego emotivo, tudo remete de alguma forma estranha para o mundo da moda. Mas o que facilmente se poderia transformar em algo fútil mas visualmente deslumbrante, mistura-se perfeitamente com o drama, dando origem a um estilo novo, como se fosse uma pesada tragédia mitológica passada nos dias de hoje.
Nocturnal Animals é muito bom. Obrigaria-me a estar aqui horas a divagar sobre a história, as performances dos actores, as fantásticas imagens noturnas e tudo o mais. Mas vou-me conter e dizer apenas de uma forma sucinta que está muito bem escrito, tem actores excepcionalmente bons, uma excelente fotografia e uma realização ainda melhor que impregna todo o filme de um ritmo lento, pesado, mas ao mesmo tempo acutilante. Uma pérola recente para ver e rever. Perfeito. ●●●●●
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Elis é um biopic brasileiro sobre a vida conturbada daquela que é considerada a melhor cantora brasileira de sempre: Elis Regina.
Antes de mais nada, a confissão. Conheço uma ou outra música da Elis Regina... sei que se envolveu em alguns conflitos com a ditadura militar brasileira e que, tal como as grandes estrelas musicais irreverentes, morreu devido aos excessos com a bebida e as drogas. E é isto que sei sobre a cantora, admitindo que os pormenores são quase nenhuns. Não sou nada fã de música brasileira (muito menos Bossa Nova... [eu é mais Sepultura e Planet Hemp]), daí que Elis Regina seja para mim uma perfeita deconhecida.
Apanhei este filme na RTP2 e decidi dar-lhe uma hipótese, até porque já não me lembro de ver um mau filme brasileiro. Pelo contrário, todos os filmes brasileiros que tenho visto são excelentes. Precisamente por causa disso, Elis desiludiu-me um bocadinho. Esperava mais, ainda por cima, tendo como base, a melhor cantora brasileira de sempre. Afinal, Elis (realizado por Hugo Prata) é "apenas" um filmito brasileiro relativamente jeitoso. Não é que o filme seja mau, eu é que estava à espera de melhor. Tinha as expectativas demasiado elevadas. É quase uma mistura entre uma telenovela e um filme. Um telefilme?!? Não tem grande "presença", falta-lhe energia, mais drama e um ritmo mais vibrante, mas também não chateia.
Tem dois grande pontos positivos: o primeiro são os actores que são muito bons (não me lembro de ver um mau actor brasileiro) (Gustavo Machado, Caco Ciocle e Zécarlos Machado) mas obviamente o principal destaque vai para Andréia Horta. Brilhante, mesmo. Um verdadeiro tour de force. O outro ponto positivo foi dar-me a conhecer a figura de Elis Regina, de quem, pouco ou nada conhecia. Fiquei curioso e mal tenha oportunidade vou arranjar uns discos. Quando isto acontece depois de ver um filme é sempre bom. ●●○○○
Antes de mais nada, a confissão. Conheço uma ou outra música da Elis Regina... sei que se envolveu em alguns conflitos com a ditadura militar brasileira e que, tal como as grandes estrelas musicais irreverentes, morreu devido aos excessos com a bebida e as drogas. E é isto que sei sobre a cantora, admitindo que os pormenores são quase nenhuns. Não sou nada fã de música brasileira (muito menos Bossa Nova... [eu é mais Sepultura e Planet Hemp]), daí que Elis Regina seja para mim uma perfeita deconhecida.
Apanhei este filme na RTP2 e decidi dar-lhe uma hipótese, até porque já não me lembro de ver um mau filme brasileiro. Pelo contrário, todos os filmes brasileiros que tenho visto são excelentes. Precisamente por causa disso, Elis desiludiu-me um bocadinho. Esperava mais, ainda por cima, tendo como base, a melhor cantora brasileira de sempre. Afinal, Elis (realizado por Hugo Prata) é "apenas" um filmito brasileiro relativamente jeitoso. Não é que o filme seja mau, eu é que estava à espera de melhor. Tinha as expectativas demasiado elevadas. É quase uma mistura entre uma telenovela e um filme. Um telefilme?!? Não tem grande "presença", falta-lhe energia, mais drama e um ritmo mais vibrante, mas também não chateia.
Tem dois grande pontos positivos: o primeiro são os actores que são muito bons (não me lembro de ver um mau actor brasileiro) (Gustavo Machado, Caco Ciocle e Zécarlos Machado) mas obviamente o principal destaque vai para Andréia Horta. Brilhante, mesmo. Um verdadeiro tour de force. O outro ponto positivo foi dar-me a conhecer a figura de Elis Regina, de quem, pouco ou nada conhecia. Fiquei curioso e mal tenha oportunidade vou arranjar uns discos. Quando isto acontece depois de ver um filme é sempre bom. ●●○○○
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Aqui há uns tempos li algures uma frase que me ficou gravada. "Toda a geração tem o Jaws que merece". Parece-me uma frase absoutamente verdadeira.
O final dos anos 90 tiveram este Deep Blue Sea... para o bem e para o mal. A história é no mínimo estranha: um grupo de cientistas isolado numas instalações aquático-futuristas, tenta encontrar a cura para a doença de Alzheimer, fazendo experiências com tubarões vivos para lhe retirar do cérebro a tal cura. As experiências têm por base tornar os tubarões maiores e mais inteligentes, o que obviamente leva a que acabem por se virar contra os cientistas. Podia ser mais estranho mas era difícil. Mas também isso pouco interessa porque é apenas o disparo para as cenas de ação com tubarões digitais. E para poder dizer com toda a moralidade: "não deviam mexer com a natureza das coisas. Agora a presa tornou-se no caçador". É um enorme cliché mas também não é importante.
O que é mais estranho neste filme, é que apesar de ser ostensivamente uma chachada, de alguma forma entretém sem chatear. Tem acção. Tem suspense. Tem choque. E até uns toquezinhos cómicos aqui e ali. Na altura, a única grande estrela do elenco era o Samuel L. Jackson. E a personagem, chocantemente, nem sequer chega ao fim do filme. O restante pessoal, a funcionar apenas como "carne para canhão" (ou neste caso, "carne para tubarão") eram todos ilustres secundários (Thomas Jane, Saffron Burrows, Michael Rapaport, Stellan Skarsgård, LL Cool J) mas que funcionam perfeitamente bem. Renny Harlin é um bom realizador para este tipo de filmes de acção. Tem ritmo e introduz habilmente alguns elementos de comédia para o meio da tensão, o que eficazmente atenua a sanguinolência... E diga-se, até há bastante...
Apesar de toda a deficiência científica (para não dizer falhas graves), dos já maus efeitos especiais digitais (eram muito bons em 1999) e da história sem pés nem cabeça, Deep Blue Sea é um filme que estranhamente não me chateia nada (re)ver. Não tenho nenhuma explicação para este fenómeno. Deve ser só saudosismo... ●●○○○
O final dos anos 90 tiveram este Deep Blue Sea... para o bem e para o mal. A história é no mínimo estranha: um grupo de cientistas isolado numas instalações aquático-futuristas, tenta encontrar a cura para a doença de Alzheimer, fazendo experiências com tubarões vivos para lhe retirar do cérebro a tal cura. As experiências têm por base tornar os tubarões maiores e mais inteligentes, o que obviamente leva a que acabem por se virar contra os cientistas. Podia ser mais estranho mas era difícil. Mas também isso pouco interessa porque é apenas o disparo para as cenas de ação com tubarões digitais. E para poder dizer com toda a moralidade: "não deviam mexer com a natureza das coisas. Agora a presa tornou-se no caçador". É um enorme cliché mas também não é importante.
O que é mais estranho neste filme, é que apesar de ser ostensivamente uma chachada, de alguma forma entretém sem chatear. Tem acção. Tem suspense. Tem choque. E até uns toquezinhos cómicos aqui e ali. Na altura, a única grande estrela do elenco era o Samuel L. Jackson. E a personagem, chocantemente, nem sequer chega ao fim do filme. O restante pessoal, a funcionar apenas como "carne para canhão" (ou neste caso, "carne para tubarão") eram todos ilustres secundários (Thomas Jane, Saffron Burrows, Michael Rapaport, Stellan Skarsgård, LL Cool J) mas que funcionam perfeitamente bem. Renny Harlin é um bom realizador para este tipo de filmes de acção. Tem ritmo e introduz habilmente alguns elementos de comédia para o meio da tensão, o que eficazmente atenua a sanguinolência... E diga-se, até há bastante...
Apesar de toda a deficiência científica (para não dizer falhas graves), dos já maus efeitos especiais digitais (eram muito bons em 1999) e da história sem pés nem cabeça, Deep Blue Sea é um filme que estranhamente não me chateia nada (re)ver. Não tenho nenhuma explicação para este fenómeno. Deve ser só saudosismo... ●●○○○
Atomic Blonde é mais uma apropriação cinematográfica do vasto mundo da BD. Ou como lhe chamam agora, novela gráfica. Existe esta diferença importante, especialmente devido à temática. Lembro-me de quando era (mais) miúdo e as BD's eram muito mais inócuas no que dizia respeito à realidade do dia-a-dia. Daí que as BD's fizessem furor e tivessem sempre sucesso. As pessoas liam BD como uma forma de escape aos problemas do dia-a-dia e aos problemas do mundo. Entrava-se num mundo de fantasia e o truque do sucesso era exactamente esse. De há uns anos para cá as coisas foram-se misturando e as BD's tornaram-se mais realistas e começaram a tocar em temas que mais ninguém tinha coragem para tocar. Neste caso particular, o pano de fundo são o final dos anos 80 (outra vez?!), a eminente queda do Muro de Berlim e uma trama de espiões com tanta traição à mistura e tão confusa que a determinado ponto pensei que estava a ficar demasiado burro para entender o filme.
O que vale é que Atomic Blonde é um filme de acção. Tem uma uma loiraça "atómica" (percebi o trocadilho; e é uma loiraça cheia de estilo) e muitas cenas de porrada, por isso a história acaba por ser mais um acessório do que propriamente o fio condutor. Percebe-se bem porquê. David Leitch, como antigo duplo e director de cenas de porrada, é o realizador perfeito para este filme e isso nota-se nas cenas de acção impecavelmente realistas. Boas cenas de acção enquadradas numa grande fotografia, muito graças ao omnipresente néon rosa evocativo dos 80's. E claro, a música ajuda sempre, porque como já disse um milhão de vezes, não há música como a dos 80's...
Charlize Theron está impecavelmente sexy como sempre a que acresce uma agressividade pouco vista, mas o restante pessoal como James McAvoy, Eddie Marsan, John Goodman ou Toby Jones também ajudam.
Atomic Blonde é mais uma chiclete de acção, mas por estar tão bem feita e por ter aquele aspecto old school, até se vê bem. ●●○○○
O que vale é que Atomic Blonde é um filme de acção. Tem uma uma loiraça "atómica" (percebi o trocadilho; e é uma loiraça cheia de estilo) e muitas cenas de porrada, por isso a história acaba por ser mais um acessório do que propriamente o fio condutor. Percebe-se bem porquê. David Leitch, como antigo duplo e director de cenas de porrada, é o realizador perfeito para este filme e isso nota-se nas cenas de acção impecavelmente realistas. Boas cenas de acção enquadradas numa grande fotografia, muito graças ao omnipresente néon rosa evocativo dos 80's. E claro, a música ajuda sempre, porque como já disse um milhão de vezes, não há música como a dos 80's...
Charlize Theron está impecavelmente sexy como sempre a que acresce uma agressividade pouco vista, mas o restante pessoal como James McAvoy, Eddie Marsan, John Goodman ou Toby Jones também ajudam.
Atomic Blonde é mais uma chiclete de acção, mas por estar tão bem feita e por ter aquele aspecto old school, até se vê bem. ●●○○○
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O que acontece com os fãs quando uma grande franchise como a do Harry Potter termina? Mergulham numa grande depressão, voltam ao material inicial e compram todo o merchandising que consigam deitar aos mãos para aliviar as dores da alma. E depois seguem a sua vida ou mudam para "fanizar" outra franchise qualquer. Qual é a solução para este grave problema do mundo? Criar uma nova franchise, que sendo "nova", está intimamente ligada à franchise anterior. Daí o aparecimento deste Fantastic Beasts and Where to Find Them...
Sendo um novo produto cinematográfico não me vou alongar muito. Os actores são bons (Eddie Redmayne, Colin Farrell, Katherine Waterston, Dan Fogler) e dão algum colorido e comédia ao tom mais negro que é habitual nas sequelas de grandes êxitos. Também há umas presenças esporádicas de Ron Perlman, Jon Voight e Johnny Depp.
A história tem nexo e o filme um bom ritmo e está bem dirigido. Venha de lá então o "2" e conforme o box office, a terceira parte dividida em dois. Não vale a pena mexer em equipa ganhadora, não é verdade? Não há dúvidas que é um produto de consumo para a época de Natal, cheio de fantasia, acção e aventura, mas ao menos está bem feito. Vê-se... ●●○○○
Sendo um novo produto cinematográfico não me vou alongar muito. Os actores são bons (Eddie Redmayne, Colin Farrell, Katherine Waterston, Dan Fogler) e dão algum colorido e comédia ao tom mais negro que é habitual nas sequelas de grandes êxitos. Também há umas presenças esporádicas de Ron Perlman, Jon Voight e Johnny Depp.
A história tem nexo e o filme um bom ritmo e está bem dirigido. Venha de lá então o "2" e conforme o box office, a terceira parte dividida em dois. Não vale a pena mexer em equipa ganhadora, não é verdade? Não há dúvidas que é um produto de consumo para a época de Natal, cheio de fantasia, acção e aventura, mas ao menos está bem feito. Vê-se... ●●○○○
Houve um hype muito grande à volta deste filme. E como sempre acontece... fiquei um pouco desiludido. Quanto mais não seja porque sou naturalmente um pouco "anti-cena-que-está-na-moda" e fico logo de pé atrás. Mas vi e admito que gostei. Apesar de a partir de determinada altura me parecer algo previsível e de se assemelhar demasiado com a lógica paranóica da "substituição" de The Stepford Wives. Ou também podia ser muito bem um excelente episódio da Twilight Zone. Mas isto é um problema pessoal que tenho: vejo demasiadas coisas, demasiados filmes e depois tudo me parecem estranhamente "familiares"...
Apesar das minhas questões pessoais, Get Out é inegavelmente um filme muito bom. Não um filme genial como o pintaram, mas "simplesmente" muito bom.
Muito boa a realização de Jordan Peele, com muitos pontos de tensão latente, o que é extremamente difícil de conseguir. Tem um ritmo lento que potencia ainda mais a tensão, mas acelera nos sítios certos para manter uma pessoa sempre na pontinha da cadeira a roer as unhas. A direcção de actores é especialmente excelente, mas que é resultado de uma excelente escolha de actores, como Daniel Kaluuya, Allison Williams, Bradley Whitford ou qualquer um dos secundários. Todos muito bons.
Get Out tem montes de pontos positivos. Logo à partida mete um dedo na ferida da questão racial americana, que devido aos mais recentes desenvolvimentos presidenciais (digamos assim) está cada vez mais empolada e aprofundada. E, diga-se, trata a questão de uma forma frontal e muito ousada para um "simples" thriller. Afinal de contas, Get Out tem como pano de fundo um subúrbio elitista de brancos que atrai, rapta e hipnotiza... Bem, é melhor não dizer mais nada... Este é um assunto que dava pano para mangas e portanto não vou divagar muito, porque senão iria precisar de um blog inteiramente novo... Mas voltando ao filme... Grande ambiência de terror, excelente fotografia, realização impecável e uma história tensa muito bem escrita, repleta de personagens fortes, estranhas, mas ao mesmo tempo plausíveis... Não se pode pedir mais.
Get Out não é aquele filme absolutamente genial que todos diziam ser, mas é sem dúvida uma lufada de ar fresco no panorama cinematográfico actual. Espero sinceramente que este filme abra portas para outros filmes não tão comerciais como os que povoam actualmente as salas de cinema, porque tal como se provou, é possível fazer um filme sem personagens vestidas de lycra e mesmo assim ter boas prestações na bilheteira, boa reação da crítica e do mais importante aspecto do cinema: o público. ●●●●○
Apesar das minhas questões pessoais, Get Out é inegavelmente um filme muito bom. Não um filme genial como o pintaram, mas "simplesmente" muito bom.
Muito boa a realização de Jordan Peele, com muitos pontos de tensão latente, o que é extremamente difícil de conseguir. Tem um ritmo lento que potencia ainda mais a tensão, mas acelera nos sítios certos para manter uma pessoa sempre na pontinha da cadeira a roer as unhas. A direcção de actores é especialmente excelente, mas que é resultado de uma excelente escolha de actores, como Daniel Kaluuya, Allison Williams, Bradley Whitford ou qualquer um dos secundários. Todos muito bons.
Get Out tem montes de pontos positivos. Logo à partida mete um dedo na ferida da questão racial americana, que devido aos mais recentes desenvolvimentos presidenciais (digamos assim) está cada vez mais empolada e aprofundada. E, diga-se, trata a questão de uma forma frontal e muito ousada para um "simples" thriller. Afinal de contas, Get Out tem como pano de fundo um subúrbio elitista de brancos que atrai, rapta e hipnotiza... Bem, é melhor não dizer mais nada... Este é um assunto que dava pano para mangas e portanto não vou divagar muito, porque senão iria precisar de um blog inteiramente novo... Mas voltando ao filme... Grande ambiência de terror, excelente fotografia, realização impecável e uma história tensa muito bem escrita, repleta de personagens fortes, estranhas, mas ao mesmo tempo plausíveis... Não se pode pedir mais.
Get Out não é aquele filme absolutamente genial que todos diziam ser, mas é sem dúvida uma lufada de ar fresco no panorama cinematográfico actual. Espero sinceramente que este filme abra portas para outros filmes não tão comerciais como os que povoam actualmente as salas de cinema, porque tal como se provou, é possível fazer um filme sem personagens vestidas de lycra e mesmo assim ter boas prestações na bilheteira, boa reação da crítica e do mais importante aspecto do cinema: o público. ●●●●○
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Martin Scorsese é - provavelmente - neste momento o melhor realizador vivo. O homem faz filmes de toda a espécie e feitio e faz tudo bem. É um estudioso do meio, um perfeccionista e um executante exímio na sua arte. E isso nota-se bastante bem em Shutter Island. Pelo estilo visual e pela temática da insanidade, nunca diria que este é um "Scorcese". É um tipo de filme que nada tem a ver com Scorcese, que apresenta uma coisa e depois deixa-a desenvolver para outra completamente diferente. Todo o filme é um enorme twist de argumento, que diga-se, está exemplarmente bem escrito. Os actores são do melhor que há (Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams e Elias Koteas) e dispensam mais comentários.
Portanto, o que é que falha aqui? Para mim o que falhou foi a previsibilidade. Se calhar já vi muitos filmes deste género com twist ou então foram os anos seguidos a ver religiosamente o "Alfred Hitchcock Presents". Sinceramente, não sei. O que sei é que a meio do filme já estava a ver o que ia acontecer e isso chateou-me um bocado. Tudo me pareceu demasiado familiar, como se já tivesse visto este filme antes, ou algo muito parecido. Nesse aspecto, foi uma pequena desilusão. Vindo de um mestre como Martin Scorsese, surpreendeu-me por não me surpreender. Tirando este pequeno pormenor pessoal, Shutter Island é como uma peça de relojoaria cinematográfica, perfeitamente funcional e meticulosamente elaborada. A ver com atenção. ●●●○○
Portanto, o que é que falha aqui? Para mim o que falhou foi a previsibilidade. Se calhar já vi muitos filmes deste género com twist ou então foram os anos seguidos a ver religiosamente o "Alfred Hitchcock Presents". Sinceramente, não sei. O que sei é que a meio do filme já estava a ver o que ia acontecer e isso chateou-me um bocado. Tudo me pareceu demasiado familiar, como se já tivesse visto este filme antes, ou algo muito parecido. Nesse aspecto, foi uma pequena desilusão. Vindo de um mestre como Martin Scorsese, surpreendeu-me por não me surpreender. Tirando este pequeno pormenor pessoal, Shutter Island é como uma peça de relojoaria cinematográfica, perfeitamente funcional e meticulosamente elaborada. A ver com atenção. ●●●○○
É difícil separar o Mel Gibson-pessoa dos Mel Gibson-actor/realizador. Nos últimos anos tem estado um bocado proscrito precisamente porque o seu lado pessoal tem sobressaído demasiado e ainda por cima pelas piores razões. Depois de anos a criar uma figura de durão, homem violento e másculo (dentro e fora do cinema) é difícil de separar uma persona da outra. Eu gosto muito do Mel Gibson-actor/realizador e felizmente consigo separar as duas coisas.
Hacksaw Ridge tem o condão de reabilitar Mel Gibson para o cinema e para o grande público. (Ainda bem!) Apresenta uma história verdadeira com uma personagem pacifista, um objector de consciência que no meio de uma guerra brutal (EUA contra o Japão), se preocupa mais em defender os seus companheiros do que atacar os seus inimigos. É uma mensagem extremamente poderosa. O mais incrível de toda esta situação é que a personagem é real e a história também. Desmond Doss foi um soldado americano que apesar de todas as pressões internas do Exército dos EUA (foi a tribunal de guerra por se recusar a pegar em armas de fogo e foi alvo de constantes agressões pelos superiores hierárquicos e colegas de caserna durante a formação militar) levou a sua ideia de pacifismo avante e acabou condecorado como um grande herói de guerra pelos seus feitos: como soldado/médico salvou das trincheiras dezenas de militares (americanos e não só) de uma morte certa. O que fez é verdadeiramente heróico. Parece tão inacreditável que fui obrigado a ir confirmar. E é mesmo verdade. É uma daquelas histórias em que a realidade suplanta (e muito) a ficção e que merece ser contada e relembrada. Num mundo povoado por super-heróis de plástico e pipocas é bom saber que ainda há verdadeiros heróis e que alguém lhe dá o devido valor.
Para além da realização perfeita de Gibson, uma grande parte do valor de Hacksaw Ridge vem também dos actores: Andrew Garfield é excelente e foi muitíssimo bem escolhido; Sam Worthington, Hugo Weaving e Vince Vaughn complementam especialmente bem o protagonista e o resto do casting é muito homeogéno. As cenas de guerra são cruas e têm um "ar antigo", quase do tempo pré-efeitos especiais, o que lhe confere uma autenticidade incrível. Muito bom.
Hacksaw Ridge é muitas coisas. É um filme de guerra que é um autêntico manifesto anti-guerra sem cair em falsos moralismos. É um pedido de desculpas e de integração de Mel Gibson. Não é coincidência esta escolha da personagem. Apesar de todas as diferenças evidentes, Doss, tal como Gibson é também alguém que não é bem visto pelos seus pares, mas que prova em campo todo o seu valor e acaba por receber a atenção merecida. Noutro plano, é também a confirmação de um grande realizador que é tão bom que obviamente não precisa de enormes orçamentos para fazer bom cinema. Mas principalmente é um filme muito bom que merece ser visto. ●●●●○
Hacksaw Ridge tem o condão de reabilitar Mel Gibson para o cinema e para o grande público. (Ainda bem!) Apresenta uma história verdadeira com uma personagem pacifista, um objector de consciência que no meio de uma guerra brutal (EUA contra o Japão), se preocupa mais em defender os seus companheiros do que atacar os seus inimigos. É uma mensagem extremamente poderosa. O mais incrível de toda esta situação é que a personagem é real e a história também. Desmond Doss foi um soldado americano que apesar de todas as pressões internas do Exército dos EUA (foi a tribunal de guerra por se recusar a pegar em armas de fogo e foi alvo de constantes agressões pelos superiores hierárquicos e colegas de caserna durante a formação militar) levou a sua ideia de pacifismo avante e acabou condecorado como um grande herói de guerra pelos seus feitos: como soldado/médico salvou das trincheiras dezenas de militares (americanos e não só) de uma morte certa. O que fez é verdadeiramente heróico. Parece tão inacreditável que fui obrigado a ir confirmar. E é mesmo verdade. É uma daquelas histórias em que a realidade suplanta (e muito) a ficção e que merece ser contada e relembrada. Num mundo povoado por super-heróis de plástico e pipocas é bom saber que ainda há verdadeiros heróis e que alguém lhe dá o devido valor.
Para além da realização perfeita de Gibson, uma grande parte do valor de Hacksaw Ridge vem também dos actores: Andrew Garfield é excelente e foi muitíssimo bem escolhido; Sam Worthington, Hugo Weaving e Vince Vaughn complementam especialmente bem o protagonista e o resto do casting é muito homeogéno. As cenas de guerra são cruas e têm um "ar antigo", quase do tempo pré-efeitos especiais, o que lhe confere uma autenticidade incrível. Muito bom.
Hacksaw Ridge é muitas coisas. É um filme de guerra que é um autêntico manifesto anti-guerra sem cair em falsos moralismos. É um pedido de desculpas e de integração de Mel Gibson. Não é coincidência esta escolha da personagem. Apesar de todas as diferenças evidentes, Doss, tal como Gibson é também alguém que não é bem visto pelos seus pares, mas que prova em campo todo o seu valor e acaba por receber a atenção merecida. Noutro plano, é também a confirmação de um grande realizador que é tão bom que obviamente não precisa de enormes orçamentos para fazer bom cinema. Mas principalmente é um filme muito bom que merece ser visto. ●●●●○
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Esta (previsível) saga Deadpool é um case study. Não a percebo. Não entendo o super-herói e nem sequer entendo os seus poderes. Eu também conheço
muito pouco das bandas desenhadas e portanto nem sequer conheço este
super-herói. Ou melhor, este anti-super-herói. Basicamente é uma personagem que vai sendo alterada à medida que for
preciso. É impressão minha, ou havia um Deadpool completamente diferente num dos filmes do
Wolverine? Não interessa. Ignora-se.
Não consigo ver aqui nenhum significado e é insultuosa para tudo e todos, inclusivé para o próprio universo a que pertence. Tem a linguagem mais vulgar que me lembro de ver num filme mainstream. Parece que todos os personagens aprenderam a falar com um chulo dos anos 70. Sinceramente, mais que outra coisa qualquer, isto parece uma forma de escape para o pessoal da Marvel. Como se eles próprios quisessem criticar o seu próprio universo "vazio" mas não tivessem essa opção pois insultariam os milhões de fãs que os alimentam. Daí que Deadpool (de Tim Miller) funcione quase como uma válvula de escape para todo o ecossistema Marvel.
E mais. Pensando bem no assunto, o irónico de toda esta situação, é que Deadpool acaba por funcionar quase como uma caixa de ressonância para a crítica profissional: a personagem passa todo o filme a criticar exactamente os mesmos pontos que os críticos e diz aquilo que eles não podem dizer em público, mas que pensam enquanto assistem sorridentes nas ante-estreias. Pensando bem, este Deadpool é, se calhar, o super-herói favorito dos críticos. Quem sabe se Deadpool não é mesmo o derradeiro crítico profissional por baixo daquela fatiota vermelha? É uma incógnita com que o mundo vai ter de aprender a lidar...
Por muito que eu não goste deste filme, tenho de admitir que tem algumas piadas bem construídas e pela crítica inerente e imparável, acaba por funcionar como um antídoto aos "normais" filmes de super-heróis e foi algo totalmente diferente do que já tinha visto. E isso é positivo em qualquer situação. Até mesmo num filme como o Deadpool. ●●○○○
Depois do imenso êxito que foi insultar meio mundo "normal" e a totalidade do mundo dos "heróis", eis que chega a inevitável sequela, com Ryan Reynolds (o verdadeiro alter-ego de Deadpool...) e Morena Baccarin a regressarem aos seus papéis. Deadpool 2 (de David Leitch) acrescenta mais insultos ao anterior, mais quebras da "quarta parede" e o também inevitável super-vilão representado por um actor (Josh Brolin - excelente em qualquer situação) de renome principescamente pago para dar alguma credibilidade a um filme que não o tem e assim também chamar mais clientela para o balcão das pipocas. É receita garantida e funciona sempre, portanto "em equipa que ganha não se mexe" e assim aconteceu mais uma vez. Espera-se um buraco no longo rol de filmes de super-herois já agendados para os próximos anos, para assim poder encaixar um Deadpool 3, que de certeza será ainda mais vulgar e insultuoso. Isto só vai parar quando o público se chatear com um piada inofensiva qualquer... ●○○○○
Não consigo ver aqui nenhum significado e é insultuosa para tudo e todos, inclusivé para o próprio universo a que pertence. Tem a linguagem mais vulgar que me lembro de ver num filme mainstream. Parece que todos os personagens aprenderam a falar com um chulo dos anos 70. Sinceramente, mais que outra coisa qualquer, isto parece uma forma de escape para o pessoal da Marvel. Como se eles próprios quisessem criticar o seu próprio universo "vazio" mas não tivessem essa opção pois insultariam os milhões de fãs que os alimentam. Daí que Deadpool (de Tim Miller) funcione quase como uma válvula de escape para todo o ecossistema Marvel.
E mais. Pensando bem no assunto, o irónico de toda esta situação, é que Deadpool acaba por funcionar quase como uma caixa de ressonância para a crítica profissional: a personagem passa todo o filme a criticar exactamente os mesmos pontos que os críticos e diz aquilo que eles não podem dizer em público, mas que pensam enquanto assistem sorridentes nas ante-estreias. Pensando bem, este Deadpool é, se calhar, o super-herói favorito dos críticos. Quem sabe se Deadpool não é mesmo o derradeiro crítico profissional por baixo daquela fatiota vermelha? É uma incógnita com que o mundo vai ter de aprender a lidar...
Por muito que eu não goste deste filme, tenho de admitir que tem algumas piadas bem construídas e pela crítica inerente e imparável, acaba por funcionar como um antídoto aos "normais" filmes de super-heróis e foi algo totalmente diferente do que já tinha visto. E isso é positivo em qualquer situação. Até mesmo num filme como o Deadpool. ●●○○○
Depois do imenso êxito que foi insultar meio mundo "normal" e a totalidade do mundo dos "heróis", eis que chega a inevitável sequela, com Ryan Reynolds (o verdadeiro alter-ego de Deadpool...) e Morena Baccarin a regressarem aos seus papéis. Deadpool 2 (de David Leitch) acrescenta mais insultos ao anterior, mais quebras da "quarta parede" e o também inevitável super-vilão representado por um actor (Josh Brolin - excelente em qualquer situação) de renome principescamente pago para dar alguma credibilidade a um filme que não o tem e assim também chamar mais clientela para o balcão das pipocas. É receita garantida e funciona sempre, portanto "em equipa que ganha não se mexe" e assim aconteceu mais uma vez. Espera-se um buraco no longo rol de filmes de super-herois já agendados para os próximos anos, para assim poder encaixar um Deadpool 3, que de certeza será ainda mais vulgar e insultuoso. Isto só vai parar quando o público se chatear com um piada inofensiva qualquer... ●○○○○
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Para quem gosta verdadeiramente de cinema, há filmes que são obrigatórios. Some Like It Hot é um daqueles filmes que uma pessoa deve mesmo ver porque é simplesmente perfeito. Para quem não conhece, a história passa-se no final dos loucos anos 20 e é sobre um duo de músicos em sérias dificuldades financeiras que por azar testemunham um sangrento massacre feito por mafiosos. A única forma de fugirem imediatamente dos gangsters é ingressarem numa banda musical feminina que parte para a Flórida. Para isso, têm de se disfarçar de mulheres...
É uma comédia perfeita, escrita e realizada pelo génio de Billy Wilder. É mais que uma comédia. É uma comédia com um tom subtilmente sexual, cheio de personagens ricas, com várias formas. É um filme de disfarces e travestismo dentro de um daqueles filmes de gangsters durões a preto e branco. É simplesmente brilhante. Não estou a ver como poderia ser melhorado. Não dá sequer para pensar nisso... Para mim é um filme óptimo. Dá-me pouquíssimo trabalho. Já foi estudado, examinado, fruto de teses de doutoramento e diversas análises sociais. Já tudo foi dito sobre o filme e assim não preciso de dizer mais nada. Para mim, é simplesmente perfeito. Deixa-me sem palavras de elogio...
Some Like It Hot tem um conjunto de actores que só se juntam em décadas: Tony Curtis, Jack Lemmon e Marilyn Monroe são hilariantes, mas podia falar de Joan Shawlee ou de Joe E. Brown, que parece um desenho animado vivo. Tudo é cómico mas inteligente. Tudo é normal, mas memorável. "I Wanna Be Loved By You", cantado pela Marilyn Monroe é "só" uma das músicas do filme. Quer dizer... o que é que se pode dizer mais? Intemporal. Clássico. Moderno. Arrojado. Obrigatório. Perfeito. ●●●●●
É uma comédia perfeita, escrita e realizada pelo génio de Billy Wilder. É mais que uma comédia. É uma comédia com um tom subtilmente sexual, cheio de personagens ricas, com várias formas. É um filme de disfarces e travestismo dentro de um daqueles filmes de gangsters durões a preto e branco. É simplesmente brilhante. Não estou a ver como poderia ser melhorado. Não dá sequer para pensar nisso... Para mim é um filme óptimo. Dá-me pouquíssimo trabalho. Já foi estudado, examinado, fruto de teses de doutoramento e diversas análises sociais. Já tudo foi dito sobre o filme e assim não preciso de dizer mais nada. Para mim, é simplesmente perfeito. Deixa-me sem palavras de elogio...
Some Like It Hot tem um conjunto de actores que só se juntam em décadas: Tony Curtis, Jack Lemmon e Marilyn Monroe são hilariantes, mas podia falar de Joan Shawlee ou de Joe E. Brown, que parece um desenho animado vivo. Tudo é cómico mas inteligente. Tudo é normal, mas memorável. "I Wanna Be Loved By You", cantado pela Marilyn Monroe é "só" uma das músicas do filme. Quer dizer... o que é que se pode dizer mais? Intemporal. Clássico. Moderno. Arrojado. Obrigatório. Perfeito. ●●●●●
Breathless é um remake de um filme francês dos anos 60 (À bout de souffle - que ainda não vi -). Mas mais que um remake, Breathless é um filme dos anos 80 e está tudo dito. Tem um bocadinho de tudo: drama, romance, comédia, acção, roadtrip... Grandes músicas do Jerry Lee Lewis. Tem tudo. E claro, sendo um produto dos anos 80, sofre dos mesmos problemas que a própria década: excessivo, com coisas e cores a mais... Muitas vezes, tornava as coisas feias. Mas no meio de tantas coisas feias hvia sempre coisas verdadeiramente únicas e espectaculares. Em Breathless há momentos lynchianos misturados com cenas de telenovela. Há um Richard Gere (no seu pico de sex symbol global) nu, e a musa Valérie Kaprisky também... Há uma banda sonora que nitidamente influenciou Quentin Tarantino e o seu estílo "único" de filmar. Breathless é um daqueles filmes que imagino que o Tarantino viu e reviu enquanto trabalhava no videoclube...
Para ver com toda a atenção aos pormenores e muita mentalidade aberta para perdoar e esquecer as partes horríveis, como as filmagens de carro à "James Bond dos anos 60". Uma autêntica máquina do tempo. ●●●○○
Para ver com toda a atenção aos pormenores e muita mentalidade aberta para perdoar e esquecer as partes horríveis, como as filmagens de carro à "James Bond dos anos 60". Uma autêntica máquina do tempo. ●●●○○
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Ready Player One leva-nos para o ano de 2045 em que o mundo é merda, em que as casas são bairros de lata e há gente a mais para tão pouco espaço. A única forma de "sair" deste mundo distópico é através da realidade virtual, nomeadamente para para um universo virtual chamado OASIS. É um bocado como se passa hoje em dia com o Facebook e as outras redes sociais do género... Mas adiante.
Este é um daqueles filmes que me facilita a vida. Não há dúvidas que é um filme do Steven Spielberg e está tudo dito. Com este exagero digital em mãos alheias seria um descalabro total. Assim, como está, é perfeitamente comestível. Vindo de quem vem, estranhamente banal, mas comestível. Ready Player One falha em muitos níveis. Para mim falha logo no conceito temporal. Há aqui muita (demasiada?) nostalgia, até para um irremediável nostálgico como eu. Imensas referências aos "dourados" anos 80, que a maior parte do público alvo parece-me que não vai entender. Tantas referências que o meu cérebro sobreaqueceu de tanto voltar para trás e para a frente no tempo, sem conseguir arranjar nenhuma linha lógica de pensamento que una as duas coisas... Falha no elenco (Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn) porque não parece "colar" no filme. E por fim, ...como é que hei-de dizer isto, sem parecer um grandessísimo moralista??... falha no compasso moral do argumento. E isto é estranho num filme do Steven Spielberg. Porque pensando bem, os jovens do filme não estão a lutar por uma melhor realidade; estão sim, a lutar para melhorar a realidade virtual, para que fique livre de publicidade. E sendo assim, está tudo feliz nas suas vidas... Mas a "realidade" da qual terão que novamente "fugir" continuará a ser exactamente a mesma: a do ano de 2045 em que o mundo é merda, em que as casas são bairros de lata e há gente a mais para tão pouco espaço. ●●○○○ apenas por respeito ao mestre...
Este é um daqueles filmes que me facilita a vida. Não há dúvidas que é um filme do Steven Spielberg e está tudo dito. Com este exagero digital em mãos alheias seria um descalabro total. Assim, como está, é perfeitamente comestível. Vindo de quem vem, estranhamente banal, mas comestível. Ready Player One falha em muitos níveis. Para mim falha logo no conceito temporal. Há aqui muita (demasiada?) nostalgia, até para um irremediável nostálgico como eu. Imensas referências aos "dourados" anos 80, que a maior parte do público alvo parece-me que não vai entender. Tantas referências que o meu cérebro sobreaqueceu de tanto voltar para trás e para a frente no tempo, sem conseguir arranjar nenhuma linha lógica de pensamento que una as duas coisas... Falha no elenco (Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn) porque não parece "colar" no filme. E por fim, ...como é que hei-de dizer isto, sem parecer um grandessísimo moralista??... falha no compasso moral do argumento. E isto é estranho num filme do Steven Spielberg. Porque pensando bem, os jovens do filme não estão a lutar por uma melhor realidade; estão sim, a lutar para melhorar a realidade virtual, para que fique livre de publicidade. E sendo assim, está tudo feliz nas suas vidas... Mas a "realidade" da qual terão que novamente "fugir" continuará a ser exactamente a mesma: a do ano de 2045 em que o mundo é merda, em que as casas são bairros de lata e há gente a mais para tão pouco espaço. ●●○○○ apenas por respeito ao mestre...
A Hologram For The King é uma comédia (?) sobre o choque de culturas. Neste caso, um homem de negócios americano (Tom Hanks) procura sair da situação de falência em que se encontra, tentando vender um revolucionário aparelho holográfico de videoconferências ao Chefe de Estado Saudita himself. Pelo caminho cruza-se com uma médica saudita (Sarita Choudhury) e com um motorista (Omar Elba) um pouco alucinado mas assertivo. Estão assim reunidas todas as condições para uma boa comédia. E na realidade até é uma boa comédia. Não conhecia esta faceta do Tom Tykwer. Não apanhei o início dos créditos e portanto não sabia quem realizava. Aliás, não sabia nada deste filme. Foi um daqueles filmes que apanhei na TV e que nem fazia a mínima ideia que existisse. Simplesmente sentei-me no sofá, liguei a TV e estava a começar o filme. Prendeu-me logo de imediato, o que já é um ponto muito positivo. E depois, vai melhorando, em crescendo, entrando num tom muito particular que é ser uma comédia e um drama ao mesmo tempo. Gostei bastante. Só não gostei mais porque a determinada altura, ainda por cima perto do final, descamba para uma espécie de comédia romântica light, que não é mesmo nada o meu género de filmes... Foi pena, mas tudo bem. Gostei da surpresa. ●●●○○
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Bob Munro tem um problema. Tem um grande negócio em mãos e tem também as férias planeadas com a família disfuncional. Pensando bem, que famílias é que não são disfuncionais?... A solução? Alugar uma caravana, fazer uma road trip e tentar fazer o negócio pelo caminho às escondidas da família. Como é óbvio, este é o caminho da desgraça. E a comédia começa...
Não é fácil fazer uma comédia que não descambe para os "tombos" ou para a estupidez. Mas mais difícil ainda é eu ver uma comédia. Praticamente impossível é eu rir-me a ver uma comédia. Mas aconteceu. Tudo por culpa do Barry Sonnenfeld, que é na actualidade o melhor gajo a realizar este tipo muito particular de filmes e do Robin Williams que é sem dúvida nenhuma um dos maiores génios da comédia. De sempre. É mesmo bom. Totalmente genuíno. Cheryl Hines, Kristin Chenoweth e especialmente Jeff Daniels também são muito bons. Infelizmente o resto do casting estragou um bocado as coisas, mas é a vida... o que é que se há-de fazer?
Para "desanuviar as coisas" e variar de estilo, foi bom ver uma comédia. Melhor foi perceber que ainda há comédias feitas com inteligência à mistura. RV é brilhante? Não, é apenas melhor que a média. A tradução para português "Com a Casa às Costas" tem piada? Alguma. É light, mas é bom. Tem um bom feeling e isso é do mais que suficiente. Uma vénia para o Robin Williams. ●●●○○
Não é fácil fazer uma comédia que não descambe para os "tombos" ou para a estupidez. Mas mais difícil ainda é eu ver uma comédia. Praticamente impossível é eu rir-me a ver uma comédia. Mas aconteceu. Tudo por culpa do Barry Sonnenfeld, que é na actualidade o melhor gajo a realizar este tipo muito particular de filmes e do Robin Williams que é sem dúvida nenhuma um dos maiores génios da comédia. De sempre. É mesmo bom. Totalmente genuíno. Cheryl Hines, Kristin Chenoweth e especialmente Jeff Daniels também são muito bons. Infelizmente o resto do casting estragou um bocado as coisas, mas é a vida... o que é que se há-de fazer?
Para "desanuviar as coisas" e variar de estilo, foi bom ver uma comédia. Melhor foi perceber que ainda há comédias feitas com inteligência à mistura. RV é brilhante? Não, é apenas melhor que a média. A tradução para português "Com a Casa às Costas" tem piada? Alguma. É light, mas é bom. Tem um bom feeling e isso é do mais que suficiente. Uma vénia para o Robin Williams. ●●●○○
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Ora bem, como é que eu hei-de explicar isto? Tomb Raider é um filme que é um remake baseado num reboot do jogo que lhe deu origem... Humm... Já me perdi um bocado...
Mais uma versão do Tomb Raider, agora com Alicia Vikander, Dominic West, Walton Goggins a representarem papéis num filme realizado por Roar Uthaug.
Tomb Raider é igual ao jogo. Mesmo igual. Tudo copiadinho. Só que mais passivo, menos interessante e com mais pipocas. ●○○○○ pelo esforço técnico...
Mais uma versão do Tomb Raider, agora com Alicia Vikander, Dominic West, Walton Goggins a representarem papéis num filme realizado por Roar Uthaug.
Tomb Raider é igual ao jogo. Mesmo igual. Tudo copiadinho. Só que mais passivo, menos interessante e com mais pipocas. ●○○○○ pelo esforço técnico...
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E agora para algo completamente diferente... Steven Seagal. Os filmes do Steven Seagal não mudam muito. Até meio da década de 90 vi-os todos porque sempre fui fã dos filmes de artes-marciais, ou como se dizia da altura "filmes de porrada", e estes eram uma evolução para os filmes de acção típicos dos anos 80. O Steven Seagal tinha um estilo de porrada muito próprio e eu gostava disso. Mas a determinada altura os filmes parecem sempre o "mesmo" filme. Ele faz sempre o mesmo papel (um polícia/detetive incorruptível), na mesma história (alguém mata um dos seus familiares ou amigos e ele vai procurar vingança). Depois de 5 ou 6 filmes já não dá para aguentar mais. É como estar a ver Steven Seagal a fazer a personagem de... Steven Seagal... Mas, para a altura - e repito, para a altura -, os primeiros filmes até eram aceitáveis. Neste caso, o Out for Justice, o filme de acção típico naquela altura peculiar de transação entre os 80's e os 90's. Como não podia deixar de ser, Seagal faz de detetive em busca de vingança pela morte de um amigo polícia, às mãos de um mafioso tresloucado pelo abuso de drogas, neste caso interpretado pelo excelente William Forsythe. Este era um actor muito bom dos anos 90 que infelizmente não colou nos anos seguintes. O mesmo aconteceu com Jerry Orbach e Gina Gershon, outros nomes dos 90's que entretanto caíram (quase) no esquecimento. O problema é que entravam nestes filmes mais fraquinhos e não tinham tantas oportunidades como as que existem agora. Outros tiveram mais sorte como Julianna Margulies e John Leguizamo que só estavam a começar nesta altura e assim puderam aproveitar o boom nas produções cinematográficas.
Out for Justice tem como principal factor positivo não ser (ainda) ridículo apesar de muito datado no tempo. As cenas de acção até são boazitas e ainda actuais e a história apesar de banal, tem espinha dorsal e é totalmente aceitável. Classifico melhor estes filmes "antigos" do que grandes produções atuais, porque me lembram da simplicidade de outros tempos, do VHS, e de uma realidade de cinema que já não existe. É simplesmente um caso de puro saudosismo... ●●○○○
Out for Justice tem como principal factor positivo não ser (ainda) ridículo apesar de muito datado no tempo. As cenas de acção até são boazitas e ainda actuais e a história apesar de banal, tem espinha dorsal e é totalmente aceitável. Classifico melhor estes filmes "antigos" do que grandes produções atuais, porque me lembram da simplicidade de outros tempos, do VHS, e de uma realidade de cinema que já não existe. É simplesmente um caso de puro saudosismo... ●●○○○
High-Rise é mais um daqueles filmes de mixed feelings. Gostei imenso do aspecto retro-futurista do filme. Tem uma estética perfeita. Lembra-me o Clockwork Orange e aquela estranha sensação de estar a ver uma coisa antiga dos anos 70, mas que por alguma razão parece vinda do futuro. Há algo na estética dos 70's que é conflituosa em termos de passado e futuro. Deve ser por causa disso que High-Rise parece um filme de ficção cientifica, mas não tem absolutamente nenhum elemento sci-fy. A outra coisa que gostei foi que me deu a conhecer um autor que pouco conhecia: J.G. Ballard. Já tinha lido umas coisas sobre ele e sobre os seus escritos meio subversivos, meio alegóricos da sociedade, mas nunca li nenhum dos livros. Agora aguçou-me ainda mais a curiosidade e é sem dúvida um dos autores em que vou "investir" em breve.
A parte negativa advém directamente da positiva e a culpa é da (aparente) genialidade de Ben Wheatley. Este gajo parece ser mesmo bom, mas parece sofrer do mesmo defeito que já vi em muitos realizadores novos, que estão agora a aparecer: não sabem quando parar. O filme tem um visual bastante forte, mas perdura demasiado no tempo. Isto quer dizer o quê? Quer dizer que exagera no tratamento estético. Nunca deixa uma pessoas descansar os olhinhos. Todas as cenas são tão detalhadamente trabalhadas que acaba por se tornar cansativo. Está sempre num pico, falta-lhe alguma "normalidade". No início, ainda são aceitáveis, mas à medida que a história começa a descambar numa espiral de decadência e violência, torna-se quase insuportável. Fiquei com aquela sensação de estar a parar junto a um acidente e tentar sempre deixar de olhar, mas sem conseguir virar a cabeça. Ver High-Rise foi como estar a ver o desenrolar em câmara lenta de uma iminente catástrofe, cheia de belíssimas imagens de cores vibrantes até ao esperado final negro. Foi estranho. Foi verdadeiramente um mixed feeling...
Os actores são todos muitos bons: Jeremy Irons, Sienna Miller, Luke Evans, James Purefoy, mas especialmente o Tom Hiddleston, uma verdadeira surpresa. Para além da figura Marvel de irmão do Thor, nunca o tinha visto noutros papéis. Aqui está mesmo bem. Não imagino outro gajo neste papel.
A banda sonora também é muito boa, mas não consegue bater-se de igual para igual com a parte estética do filme, que diga-se é perfeita. No geral não há nada que falhe. A história é brilhante, subtilmente distópica, mas isso advém do próprio livro. Poderia ser melhor se fosse um bocado mais comedido visualmente, mas isso é apenas uma opinião pessoal.
High-Rise parece ser um daqueles filmes que por ser fora do normal e um pouco chocante, não se gosta logo à primeira e precisa de tempo para "decantar". Daqui por uns anos eu revejo-o (porque merece) e já sei avaliar melhor. ●●●○○
A parte negativa advém directamente da positiva e a culpa é da (aparente) genialidade de Ben Wheatley. Este gajo parece ser mesmo bom, mas parece sofrer do mesmo defeito que já vi em muitos realizadores novos, que estão agora a aparecer: não sabem quando parar. O filme tem um visual bastante forte, mas perdura demasiado no tempo. Isto quer dizer o quê? Quer dizer que exagera no tratamento estético. Nunca deixa uma pessoas descansar os olhinhos. Todas as cenas são tão detalhadamente trabalhadas que acaba por se tornar cansativo. Está sempre num pico, falta-lhe alguma "normalidade". No início, ainda são aceitáveis, mas à medida que a história começa a descambar numa espiral de decadência e violência, torna-se quase insuportável. Fiquei com aquela sensação de estar a parar junto a um acidente e tentar sempre deixar de olhar, mas sem conseguir virar a cabeça. Ver High-Rise foi como estar a ver o desenrolar em câmara lenta de uma iminente catástrofe, cheia de belíssimas imagens de cores vibrantes até ao esperado final negro. Foi estranho. Foi verdadeiramente um mixed feeling...
Os actores são todos muitos bons: Jeremy Irons, Sienna Miller, Luke Evans, James Purefoy, mas especialmente o Tom Hiddleston, uma verdadeira surpresa. Para além da figura Marvel de irmão do Thor, nunca o tinha visto noutros papéis. Aqui está mesmo bem. Não imagino outro gajo neste papel.
A banda sonora também é muito boa, mas não consegue bater-se de igual para igual com a parte estética do filme, que diga-se é perfeita. No geral não há nada que falhe. A história é brilhante, subtilmente distópica, mas isso advém do próprio livro. Poderia ser melhor se fosse um bocado mais comedido visualmente, mas isso é apenas uma opinião pessoal.
High-Rise parece ser um daqueles filmes que por ser fora do normal e um pouco chocante, não se gosta logo à primeira e precisa de tempo para "decantar". Daqui por uns anos eu revejo-o (porque merece) e já sei avaliar melhor. ●●●○○
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Maze Runner é a enésima adaptação para cinema do "tal" livro juvenil do momento que é um sucesso global de vendas. Reforço o "sucesso de vendas". É só por causa disto que se fazem filmes para adolescentes, ou como lhe gostam de chamar na especialidade, "jovens adultos". E há uma diferença importante entre estes dois grupos: os "jovens adultos" têm bastante mais poder de compra que os adolescentes "simples"... Assim vende-se muito mais pipocas... e tacos... Mas à parte disso, há Maze Runner, o filme. Ou melhor, os três filmes. Tem de ser uma trilogia, certo? Se fossem só dois filmes até seria insultuoso para os fãs... Toda a gente sabe que "coisas cinematográficas", com sucesso, vêm sempre em trios, não é verdade? Bem, não interessa. Adiante...
O primeiro Maze Runner surpreendeu-me um bocado pela positiva. Já ia a pensar que era outro Hunger Games ou outra cena de vampiros adolescentes, por isso estava desconfiado. Mas surprendentemente, Maze Runner até nem é totalmente desmiolado. Apesar da história não ser nenhuma novidade (um jovem sem memória, acorda num sítio misterioso e depois percebe que afinal está em perigo, sendo que nada parece o que é na realidade... - onde é que eu já vi isto?), o filme até tem algum ritmo, alguns dos míudos (Dylan O'Brien, Thomas Brodie-Sangster) são bons actores e está bem feito no geral. Alguma coisa a criticar? Apenas o facto de não ter alma, como é normal em filmes-produto deste género. Mas apesar de tudo, dentro deste género particular, até se vê bem. ●●○○○
Seguindo a lógica do "sucesso de bilheteira que tem de ser aproveitado com uma prevísivel sequela", eis que chega logo no ano seguinte Maze Runner: The Scorch Trials. E aqui as coisas começam a complicar-se para pior. A história já não tinha muitas novidades, mas para piorar ainda mais a coisa, juntou-se-lhe a febre da altura: um vírus que transforma as pessoas em zombies. Não são bem zombies, mas são iguais aos zombies. Bem, são zombies. E também uma omnipotente e maléfica corporação, chamada de..., rufar tambores... WCKD... Wicked?!?... bem, não vou dizer mais nada, porque de certeza seria insultuoso para milhões de fãs... É melhor ficar por aqui. Nestes filmes, para além dos guiões repetitivos, a previsibilidade é tão grande, que, na altura da estreia lembro-me de ler um artigo que já dava os ganhos globais de bilheteira, baseando-se no estudo original que foi feito para o primeiro filme, que diga-se, bateu certinho. Como uma folha de Excel... Uma folha de Excel, uma bolinha... ●○○○○
Devido ao sucesso das entregas anteriores tive medo que dividissem o final da trilogia em dois. Aliás, fiquei deveras supreendido que não tivesse acontecido. Depois vi o filme e percebi perfeitamente porquê. Era impossível. Não tem história suficiente. Numa situação normal, Maze Runner: The Death Cure dava para aí uns 20/25 minutos de filme. Não mais. Aqui foi esticado para uns impossíveis 140 minutos de contínuo "encher chouriços". Não dava para mais. São repetições em cima de repetições, um ram-ram contínuo para fazer valer o preço do bilhete e para satisfazer a curiosidade de "jovens adultos" que querem ver como aquilo vai acabar. E depois acaba. É isto. Deve haver por aí, no mercado, um novo "sucesso de vendas" livreiro para adaptar ao cinema e fazer mais uma trilogiazita qualquer. Sinceramente, espero que não... ○○○○○
O primeiro Maze Runner surpreendeu-me um bocado pela positiva. Já ia a pensar que era outro Hunger Games ou outra cena de vampiros adolescentes, por isso estava desconfiado. Mas surprendentemente, Maze Runner até nem é totalmente desmiolado. Apesar da história não ser nenhuma novidade (um jovem sem memória, acorda num sítio misterioso e depois percebe que afinal está em perigo, sendo que nada parece o que é na realidade... - onde é que eu já vi isto?), o filme até tem algum ritmo, alguns dos míudos (Dylan O'Brien, Thomas Brodie-Sangster) são bons actores e está bem feito no geral. Alguma coisa a criticar? Apenas o facto de não ter alma, como é normal em filmes-produto deste género. Mas apesar de tudo, dentro deste género particular, até se vê bem. ●●○○○
Seguindo a lógica do "sucesso de bilheteira que tem de ser aproveitado com uma prevísivel sequela", eis que chega logo no ano seguinte Maze Runner: The Scorch Trials. E aqui as coisas começam a complicar-se para pior. A história já não tinha muitas novidades, mas para piorar ainda mais a coisa, juntou-se-lhe a febre da altura: um vírus que transforma as pessoas em zombies. Não são bem zombies, mas são iguais aos zombies. Bem, são zombies. E também uma omnipotente e maléfica corporação, chamada de..., rufar tambores... WCKD... Wicked?!?... bem, não vou dizer mais nada, porque de certeza seria insultuoso para milhões de fãs... É melhor ficar por aqui. Nestes filmes, para além dos guiões repetitivos, a previsibilidade é tão grande, que, na altura da estreia lembro-me de ler um artigo que já dava os ganhos globais de bilheteira, baseando-se no estudo original que foi feito para o primeiro filme, que diga-se, bateu certinho. Como uma folha de Excel... Uma folha de Excel, uma bolinha... ●○○○○
Devido ao sucesso das entregas anteriores tive medo que dividissem o final da trilogia em dois. Aliás, fiquei deveras supreendido que não tivesse acontecido. Depois vi o filme e percebi perfeitamente porquê. Era impossível. Não tem história suficiente. Numa situação normal, Maze Runner: The Death Cure dava para aí uns 20/25 minutos de filme. Não mais. Aqui foi esticado para uns impossíveis 140 minutos de contínuo "encher chouriços". Não dava para mais. São repetições em cima de repetições, um ram-ram contínuo para fazer valer o preço do bilhete e para satisfazer a curiosidade de "jovens adultos" que querem ver como aquilo vai acabar. E depois acaba. É isto. Deve haver por aí, no mercado, um novo "sucesso de vendas" livreiro para adaptar ao cinema e fazer mais uma trilogiazita qualquer. Sinceramente, espero que não... ○○○○○
A história de Frankenstein é daquelas tão fantasticamente boas que irão andar sempre por aí. Não vale a pena contornar o assunto. Remake, remake, remake. Os estúdios são empresas que vendem cinema e precisam de fazer dinheiro e ter lucros. Isto quer dizer que inevitavelmente irão aparecer versões de filmes repetidamente, que não são mais do que acessórios de bilheteira. São pensados para única e exclusivamente venderem bilhetes, naquela altura específica, para aquele público específico. Compreendo perfeitamente este esquema. Deixa de ser cinema para ser um produto de consumo, como as pipocas. E este é o caso de I, Frankenstein. Uma grande produção de efeitos especiais, explosões e "super-heróis"... Sim, porque hoje em dia, se um filme de acção não tiver super-heróis, quem é que vai vê-lo? Como o modelo de vampiros contra lobisomens já estava um pouco esgotado na altura, aqui o "novo" modelo é ter demónios contra gárgulas... É verdade... Gárgulas. E pelo meio deles, no meio da confusão e dos estilhaços digitais, anda um sexy e musculado Frankenstein que para além de ser um super-herói, também é mestre em artes marciais. Stuart Beattie realiza, Bill Nighy intrepreta bem como sempre, e Aaron Eckhart dá alguma credibilidade à cena. E está tudo dito... Fico à espera de uma nova versão da brilhante, mas regularmente desprezada e maltratada história de Frankenstein. Isto é um produto já de 2014, portanto não deve falta muito para aparecer outra versão... ●○○○○
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O veterano da Guerra da Coreia Walt Kowalski é uma personagem de outros tempos. Tal como o seu precioso Ford Gran Torino de 1972, Kowalski também é uma relíquia dos anos 70 obrigada a viver num mundo totalmente diferente e antagónico do que sempre conheceu. Daí que a personagem seja bastante antipática, por vezes mal educada e até roçando mesmo o belicismo puro e duro. Para piorar ainda mais a situação, Kowalski - que já nem conseguia tolerar a família mais próxima - perde a mulher para a velhice, e o mundo envolvente (a vizinhança) muda radicalmente, deixando-o literalmente sozinho, isolado e cada vez mais intolerante.
Como se isto não fosse mau o suficiente, os novos vizinhos do lado são ironicamente de etnia asiática, o que eleva a sua insatisfação e irritabilidade para novos níveis. Pior ainda, é quando o miúdo do lado (Bee Vang), forçado por um gangue local, tenta roubar-lhe o Gran Torino. Isto leva-o para um caminho totalmente inesperado.
Sou grande fã do Clint Eastwood. Gosto daquelas personagens duras, republicanas e conservadoras. Mas só na ficção, que é onde ficam bem. Já vejo filmes há tantos anos com o Clint Eastwood que nem sequer consigo dissociá-lo do próprio cinema. É uma daquelas figuras tão carismáticas do meio cinematográfico e que passa por tantas gerações que ficou marcado para sempre, nos mais variados estilos e feitios. E apesar de parecer familiar também acaba por ser sempre diferente e surpreender pela positiva. Clint Eastwood é um senhor do cinema e está tudo dito. Nunca vi um mau filme onde entrasse ou que realizasse.
Gostei muito deste Gran Torino, que a princípio me parecia uma pequena ode ao racismo e intolerância, mas que lentamente vira para uma boa história de compreensão e redenção. É um filme muito pessoal. Parece quase uma mensagem para o grande público, dizendo que o mal encarado e durão Dirty Harry também tem coração e apesar de velho, ainda tem capacidade de mudar e de se adaptar e, mais importante ainda, de se regenerar... E paralelamente, como um verdadeiro símbolo da América, Kowalski também assenta que nem uma luva no novo enquadramento americano no mundo: isolado, abertamente menosprezado pela vizinhança e aparentemente antiquado. Daí que apesar de toda a simplicidade na história, Gran Torino é mais do que parece à primeira vista. Mas também posso ser eu a ver coisas onde elas não existem. Isso acontece frequentemente...
Gran Torino assenta essencialmente em Clint Eastwood mas é bem suportado por um elenco desconhecido mas muito coerente (Christopher Carley, Ahney Her) e é realizado de uma forma muito linear, com aquela mestria da simplicidade que Clint já habituou o pessoal. Não deslumbra, mas merece ser visto com atenção. ●●●○○
Como se isto não fosse mau o suficiente, os novos vizinhos do lado são ironicamente de etnia asiática, o que eleva a sua insatisfação e irritabilidade para novos níveis. Pior ainda, é quando o miúdo do lado (Bee Vang), forçado por um gangue local, tenta roubar-lhe o Gran Torino. Isto leva-o para um caminho totalmente inesperado.
Sou grande fã do Clint Eastwood. Gosto daquelas personagens duras, republicanas e conservadoras. Mas só na ficção, que é onde ficam bem. Já vejo filmes há tantos anos com o Clint Eastwood que nem sequer consigo dissociá-lo do próprio cinema. É uma daquelas figuras tão carismáticas do meio cinematográfico e que passa por tantas gerações que ficou marcado para sempre, nos mais variados estilos e feitios. E apesar de parecer familiar também acaba por ser sempre diferente e surpreender pela positiva. Clint Eastwood é um senhor do cinema e está tudo dito. Nunca vi um mau filme onde entrasse ou que realizasse.
Gostei muito deste Gran Torino, que a princípio me parecia uma pequena ode ao racismo e intolerância, mas que lentamente vira para uma boa história de compreensão e redenção. É um filme muito pessoal. Parece quase uma mensagem para o grande público, dizendo que o mal encarado e durão Dirty Harry também tem coração e apesar de velho, ainda tem capacidade de mudar e de se adaptar e, mais importante ainda, de se regenerar... E paralelamente, como um verdadeiro símbolo da América, Kowalski também assenta que nem uma luva no novo enquadramento americano no mundo: isolado, abertamente menosprezado pela vizinhança e aparentemente antiquado. Daí que apesar de toda a simplicidade na história, Gran Torino é mais do que parece à primeira vista. Mas também posso ser eu a ver coisas onde elas não existem. Isso acontece frequentemente...
Gran Torino assenta essencialmente em Clint Eastwood mas é bem suportado por um elenco desconhecido mas muito coerente (Christopher Carley, Ahney Her) e é realizado de uma forma muito linear, com aquela mestria da simplicidade que Clint já habituou o pessoal. Não deslumbra, mas merece ser visto com atenção. ●●●○○
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