Neste planeta apenas uma pessoa poderia derrotar o John Rambo; essa pessoa seria John Matrix, a estrela de Commando. Bem, a estrela de Commando é o Terminator..., perdão, Arnold Schwarzenegger, mas é quase a mesma coisa. E está tudo dito. Commando, de Mark L. Lester é o protótipo do filme de acção dos anos 80. Durão, másculo, cheio de armas de todas as formas e feitios, socos, joelhadas e porradas variadas, perseguições inusitadas, violência gratuita, cheio de explosões de gasolina (para dar aquela espectacular "bola de fogo"), duplos que voam e/ou caem de grandes alturas e figurantes repetidos em várias cenas, que só apontam mas nunca falam. Não esquecer a cena obrigatória em que o herói se prepara para a luta final com close-ups das pinturas de guerra e o carregamento de toda a artilharia pesada. Menção também para as típicas "bocas" sarcásticas, tipo: depois de matar um gajo num avião, Matrix avisa a hospedeira para não incomodar o homem porque ele está "morto de cansaço".
Foi este tipo de filmes que construiu a reputação dos grandes heróis de acção dos anos 80. E ainda chegam aos dias de hoje. Aliás, o modelo de filme continua a ser copiado por ser tão simples: raptam alguém da família do herói, normalmente uma filha adolescente (que tem um ar mais indefeso) e o herói persegue os malfeitores, acabando por matá-los a todos, culminando na luta final com o "boss". Também há a variante do herói que foge com a filha adolescente e é perseguido por uma horda de malfeitores, o que invariavelmente acaba na mesma situação anterior. É só o movimento do herói que muda, mas isso não interessa para nada.
Commando é um dos "grandes" filmes de acção dos anos 80. Tinha tudo o que um gajo queria ver quando tinha para aí uns 15 anos de idade: acção contínua, perseguições com carros, porrada da grossa, tiros a todo o minuto, explosões enormes e ainda por cima tinha o Arnold Schwarzenegger que estava no topo de forma. O homem estava com um "cabedal" que até parecia um super-herói. Tinha músculos em todo o lado e conseguia disparar todas as armas existentes no mercado só com uma mão. O resto do elenco tem algum pessoal que é repetente como secundário de outros heróis de acção (David Patrick Kelly, Bill Duke, Vernon Wells, Dan Hedaya) e as "miudas" obrigatórias (Alyssa Milano, Rae Dawn Chong).
Claro que também tenho de mencionar a música. Excelente, ou não fosse música feita nos loucos anos 80. Típico e obrigatório. ●●●○○
Para descrever correctamente Swamp Thing, vou socorrer-me do trailer: agentes do governo, cientistas, soldados, criminosos mascarados, fórmulas secretas, monstros e um anão. Bem, só por aqui já dá para perceber que não é flor que se cheire... E não é mesmo... A melhor parte do filme é... o cartaz.
Wes Craven, gajo que até curto particularmente, pega num dos super-heróis de segunda linha do universo da DC Comics, vai filmar para algo parecido com um pântano, atira para lá o Ray Wise (nunca o tinha visto tão novo; quase não o reconhecia), um Louis Jourdan (já em muito final de carreira) e Adrienne Barbeau (com as maminhas ao léu), e faz um filme tão horrível que mete inveja a qualquer produção (muito baixa) do SyFy. Sangue que parece xarope de groselha, actores inacreditavelmente maus, efeitos de plasticina que parecem ter sido feitos por um miúdo de 7 anos... Enfim... Ser de 1982 não é justificação. Nesse mesmo ano saiu, por exemplo, o Blade Runner, que comparativamente parece um filme realizado 20 anos depois... e noutro planeta. Não há justificação para tanta coisa mal feita e horrível. É mau demais. Lá está, é tão mau, que por vezes chega a ser engraçado. Mas é só por isso. Não tem nada que se aproveite. É pena. Este é um dos poucos filmes que espero que façam mesmo um remake. Tinha toda a lógica, porque afinal, Swamp Thing é um defensor do meio ambiente. Faria todo o sentido reinventá-lo para os dias de hoje. Se alguém tiver o contacto dos senhores da Warner Bros/DC Comics avisem-nos porque têm aqui boa uma oportunidade para fazer algo diferente. ○○○○○
Wes Craven, gajo que até curto particularmente, pega num dos super-heróis de segunda linha do universo da DC Comics, vai filmar para algo parecido com um pântano, atira para lá o Ray Wise (nunca o tinha visto tão novo; quase não o reconhecia), um Louis Jourdan (já em muito final de carreira) e Adrienne Barbeau (com as maminhas ao léu), e faz um filme tão horrível que mete inveja a qualquer produção (muito baixa) do SyFy. Sangue que parece xarope de groselha, actores inacreditavelmente maus, efeitos de plasticina que parecem ter sido feitos por um miúdo de 7 anos... Enfim... Ser de 1982 não é justificação. Nesse mesmo ano saiu, por exemplo, o Blade Runner, que comparativamente parece um filme realizado 20 anos depois... e noutro planeta. Não há justificação para tanta coisa mal feita e horrível. É mau demais. Lá está, é tão mau, que por vezes chega a ser engraçado. Mas é só por isso. Não tem nada que se aproveite. É pena. Este é um dos poucos filmes que espero que façam mesmo um remake. Tinha toda a lógica, porque afinal, Swamp Thing é um defensor do meio ambiente. Faria todo o sentido reinventá-lo para os dias de hoje. Se alguém tiver o contacto dos senhores da Warner Bros/DC Comics avisem-nos porque têm aqui boa uma oportunidade para fazer algo diferente. ○○○○○
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Lost in Translation tem algo que o transcende como filme. Tal como Trainspotting uns anos antes, é mais que um filme, é uma marca geracional. Não é pela história de amor estranha e diferente, não é pela cultura e modo de vida japonês tão próprio, não é pelo contexto de deslocamento, nem é por nada em especial. É por conseguir identificar-se com toda uma geração que nessa altura (2003) também parecia que estava deslocada do seu habitat natural, que estava desiludida com o que tinha à mão deixado por uma incompreensível geração anterior, um futuro incerto sem caminho delineado, a querer o que não podia ter, à espera de algo que nunca chega.
Nos anos 90, Douglas Coupland popularizou o termo Geração X, para identificar um grupo de jovens que estava meio perdido num mundo em mudança acelerada e que queria lutar contra qualquer coisa que não sabia muito bem o que era. Mas nunca fui adepto destas classificações porque são muito estanques, e esta coisa das gerações é muito subjectiva. Mas para mim, Lost in Translation tem um significado especial, porque fecha o ciclo duma geração que tinha visto o mundo mudar radicalmente desde os anos 90. Era altura de deixar de "lutar" contra a desilusão e aceitar a realidade o melhor possível. Lost in Translation também tem qualquer coisa disto à mistura... Estou a divagar...
O mérito vai todo para o génio de Sofia Coppola que conseguiu capturar os pormenores, mais que o the big picture. Muitas vezes ouço dizer que o mais importante é ver o contexto geral, mais isso faz com que estejamos todos muitos distantes, não é verdade? E assim acabamos por não conseguir ver nenhum dos pormenores, que por vezes são muito mais importantes e belos que a imagem no seu todo... E estou a divagar novamente...
Lost in Translation é um filme sem falhas mas de difícil catalogação: é um drama, um romance, uma comédia? Não consigo definir. A história de Coppola é envolvente, humana, dramática, tocante, divertida, romântica e bipolar, tal como a vida é. Tem dois excepcionais actores, Bill Murray e Scarlett Johansson, que são totalmente a "alma" do filme. Fazem o par mais romântico, mas também mais improvável dos últimos anos. São imensamente diferentes um do outro, mas nota-se uma química genuína. Tem uma fotografia lindíssima que dá logo vontade de viajar até Tóquio para cantar karaoke e tem uma banda sonora alternativa (que guardo religiosamente) ainda melhor. Está perfeitamente escrito e realizado por Sofia Coppola. Um clássico instantâneo. Não tenho nada a apontar... Para ver sempre que possível. ●●●●●
Nos anos 90, Douglas Coupland popularizou o termo Geração X, para identificar um grupo de jovens que estava meio perdido num mundo em mudança acelerada e que queria lutar contra qualquer coisa que não sabia muito bem o que era. Mas nunca fui adepto destas classificações porque são muito estanques, e esta coisa das gerações é muito subjectiva. Mas para mim, Lost in Translation tem um significado especial, porque fecha o ciclo duma geração que tinha visto o mundo mudar radicalmente desde os anos 90. Era altura de deixar de "lutar" contra a desilusão e aceitar a realidade o melhor possível. Lost in Translation também tem qualquer coisa disto à mistura... Estou a divagar...
O mérito vai todo para o génio de Sofia Coppola que conseguiu capturar os pormenores, mais que o the big picture. Muitas vezes ouço dizer que o mais importante é ver o contexto geral, mais isso faz com que estejamos todos muitos distantes, não é verdade? E assim acabamos por não conseguir ver nenhum dos pormenores, que por vezes são muito mais importantes e belos que a imagem no seu todo... E estou a divagar novamente...
Lost in Translation é um filme sem falhas mas de difícil catalogação: é um drama, um romance, uma comédia? Não consigo definir. A história de Coppola é envolvente, humana, dramática, tocante, divertida, romântica e bipolar, tal como a vida é. Tem dois excepcionais actores, Bill Murray e Scarlett Johansson, que são totalmente a "alma" do filme. Fazem o par mais romântico, mas também mais improvável dos últimos anos. São imensamente diferentes um do outro, mas nota-se uma química genuína. Tem uma fotografia lindíssima que dá logo vontade de viajar até Tóquio para cantar karaoke e tem uma banda sonora alternativa (que guardo religiosamente) ainda melhor. Está perfeitamente escrito e realizado por Sofia Coppola. Um clássico instantâneo. Não tenho nada a apontar... Para ver sempre que possível. ●●●●●
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A primeira coisa que aparece em Apocalypto é uma frase que diz: "A great civilization is not conquered from without until it has destroyed itself from within", Will Durant
Com base em tudo o que lá li sobre História, parece-me que não podia ser mais verdadeira. Sempre me intrigou a queda dos grandes impérios. Como é possível que os Maias, os Romanos, os Babilónios e outros grandes impérios tenham dominado o seu mundo mas no final tenham sucumbido e praticamente desaparecido da face de Terra? Neste aspecto, e sem ser uma obra filosófica (muito pelo contrário), Apocalypto responde a algumas questões.
No período final da civilização Maia, uma tribo indígena vive os seus dias pacificamente, aproveitando o que a Natureza tem para lhes oferecer. Até ao dia em que são brutalmente atacados, mortos ou levados à força por guerreiros de outro sítio que desconhecem. Arrastados pela floresta densa até uma povoação gigante, mais "citadina", repleta de templos e grandes pirâmides, as mulheres acabam vendidas como escravas e os homens são sacrificados vivos aos deuses Maias. Tudo isto tem uma "razão" de ser: os sacrifícios servem para apaziguar o descontentamento dos deuses que exigem sangue. Na realidade, é mais o descontrolo humano e ambiental, secundado por uma ignorância profunda e por uma necessidade de controlo social.
Entre eles está Jaguar Paw, um jovem que milagrosamente consegue fugir graças a um eclipse solar. Mas a fuga é apenas o primeiro passo. Agora ele tem de regressar à sua vila para salvar a mulher grávida e o filho que escondeu dos guerreiros num buraco profundo. E começa uma perseguição sem descanso pela floresta...
Mais do que dar grandes respostas filosóficas sobre como terminam os impérios, Apocalypto é um filme de acção, que tem como pano de fundo o fim de uma civilização. Até acaba por responder a essas questões, mas acima de tudo é um grande filme de acção. Assim que começa, nunca mais abranda. É rápido, visceral e incrivelmente realista. Excepcionalmente bem dirigido pelo Mel Gibson (mais uma vez), que aqui parece juntar todo o conhecimento técnico, visual e argumentativo de Braveheart e Passion of Christ, muito bem escrito, bem montado, com boa fotografia e grandes prestações de actores amadores/desconhecidos (Rudy Youngblood, Jonathan Brewer e especialmente Raoul Trujillo). Sinceramente, até fiquei na dúvida. Pensei mesmo que eram actores profissionais com próteses ou algo assim do género. Mas não. Provavelmente, é mesmo o melhor filme que já vi com actores totalmente desconhecidos ou amadores. Muito bom. A ver com atenção. ●●●●○
Com base em tudo o que lá li sobre História, parece-me que não podia ser mais verdadeira. Sempre me intrigou a queda dos grandes impérios. Como é possível que os Maias, os Romanos, os Babilónios e outros grandes impérios tenham dominado o seu mundo mas no final tenham sucumbido e praticamente desaparecido da face de Terra? Neste aspecto, e sem ser uma obra filosófica (muito pelo contrário), Apocalypto responde a algumas questões.
No período final da civilização Maia, uma tribo indígena vive os seus dias pacificamente, aproveitando o que a Natureza tem para lhes oferecer. Até ao dia em que são brutalmente atacados, mortos ou levados à força por guerreiros de outro sítio que desconhecem. Arrastados pela floresta densa até uma povoação gigante, mais "citadina", repleta de templos e grandes pirâmides, as mulheres acabam vendidas como escravas e os homens são sacrificados vivos aos deuses Maias. Tudo isto tem uma "razão" de ser: os sacrifícios servem para apaziguar o descontentamento dos deuses que exigem sangue. Na realidade, é mais o descontrolo humano e ambiental, secundado por uma ignorância profunda e por uma necessidade de controlo social.
Entre eles está Jaguar Paw, um jovem que milagrosamente consegue fugir graças a um eclipse solar. Mas a fuga é apenas o primeiro passo. Agora ele tem de regressar à sua vila para salvar a mulher grávida e o filho que escondeu dos guerreiros num buraco profundo. E começa uma perseguição sem descanso pela floresta...
Mais do que dar grandes respostas filosóficas sobre como terminam os impérios, Apocalypto é um filme de acção, que tem como pano de fundo o fim de uma civilização. Até acaba por responder a essas questões, mas acima de tudo é um grande filme de acção. Assim que começa, nunca mais abranda. É rápido, visceral e incrivelmente realista. Excepcionalmente bem dirigido pelo Mel Gibson (mais uma vez), que aqui parece juntar todo o conhecimento técnico, visual e argumentativo de Braveheart e Passion of Christ, muito bem escrito, bem montado, com boa fotografia e grandes prestações de actores amadores/desconhecidos (Rudy Youngblood, Jonathan Brewer e especialmente Raoul Trujillo). Sinceramente, até fiquei na dúvida. Pensei mesmo que eram actores profissionais com próteses ou algo assim do género. Mas não. Provavelmente, é mesmo o melhor filme que já vi com actores totalmente desconhecidos ou amadores. Muito bom. A ver com atenção. ●●●●○
Crocodile Dundee II é a sequela, diria obrigatória, de Crocodile Dundee. O sucesso do primeiro filme foi tão grande que tinham mesmo de fazer um "II". É igual ao primeiro, mas com o argumento ao contrário. Desta vez, Mick Dundee (Paul Hogan) e Sue (Linda Kozlowski) começam na cidade e depois é que vão para o mato. Para justificar o resto do filme e a acção, inventaram um barão da droga (Hechter Ubarry), secundado pelo típico braço-direito do mal (Juan Fernández), que "caíram" assim na história, sem mais nem menos.
Crocodile Dundee II é mais do mesmo, apesar de ainda ter alguma piada. Mas já tinha perdido o encanto inicial e a surpresa... ●○○○○
Crocodile Dundee II é mais do mesmo, apesar de ainda ter alguma piada. Mas já tinha perdido o encanto inicial e a surpresa... ●○○○○
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Durante a década de 80, uma das grandes "cenas" eram os filmes de aventura com pitadas de romance. Há muitos exemplos disso. Dentro deste género muito específico, um dos maiores sucessos mundiais dessa altura foi, sem dúvida, Crocodile Dundee.
Sue Charlton (Linda Kozlowski), uma repórter americana, viaja até aos confins australianos para conhecer e entrevistar um excêntrico e carismático caçador de crocodilos chamado Michael J. 'Crocodile' Dundee (Paul Hogan). Após uma série de aventuras com Dundee - sempre com o seu fiel, mas desajeitado amigo, Walter Reilly (John Meillon) -, Sue apaixona-se por ele e acaba por o convidar a regressar com ela até Nova York... E a verdadeira comédia começa.
(parece que a parte do romance e do apaixonarem-se não foi só para o filme; pelo que li, eles apaixonaram-se mesmo durante as filmagens, casaram e ainda continuam juntos até hoje. Afinal, não foi só representação...)
Crocodile Dundee é a típica história do gajo deslocado no espaço que ganha a admiração de todos devido à sua autenticidade. Neste caso, que passa do outback australiano para a selva urbana de Nova York. Vendo bem as coisas, se calhar, os cenários não são assim tão diferentes.... É do género My Fair Lady ou Pretty Woman mas em versão aborígene, com um gajo sem medos, de sotaque australiano pesadíssimo, que anda sempre com o seu grande facalhão do mato, dorme no chão e tem um jeito especial para tratar os animais. É divertido. É inocente. Tem acção. Tem romance. Tem aventura. Tem as fantásticas paisagens australianas. Tem aquelas músicas malucas, mas muito fixes, típicas dos anos 80. O que é que se podia pedir mais naquela altura?
Crocodile Dundee foi um sucesso monumental em todo o mundo. Paul Hogan tornou-se, de um dia para o outro, numa estrela mundial. Ainda bem, Paul Hogan é um gajo fixe. E será sempre o Crocodile Dundee. ●●●○○
Sue Charlton (Linda Kozlowski), uma repórter americana, viaja até aos confins australianos para conhecer e entrevistar um excêntrico e carismático caçador de crocodilos chamado Michael J. 'Crocodile' Dundee (Paul Hogan). Após uma série de aventuras com Dundee - sempre com o seu fiel, mas desajeitado amigo, Walter Reilly (John Meillon) -, Sue apaixona-se por ele e acaba por o convidar a regressar com ela até Nova York... E a verdadeira comédia começa.
(parece que a parte do romance e do apaixonarem-se não foi só para o filme; pelo que li, eles apaixonaram-se mesmo durante as filmagens, casaram e ainda continuam juntos até hoje. Afinal, não foi só representação...)
Crocodile Dundee é a típica história do gajo deslocado no espaço que ganha a admiração de todos devido à sua autenticidade. Neste caso, que passa do outback australiano para a selva urbana de Nova York. Vendo bem as coisas, se calhar, os cenários não são assim tão diferentes.... É do género My Fair Lady ou Pretty Woman mas em versão aborígene, com um gajo sem medos, de sotaque australiano pesadíssimo, que anda sempre com o seu grande facalhão do mato, dorme no chão e tem um jeito especial para tratar os animais. É divertido. É inocente. Tem acção. Tem romance. Tem aventura. Tem as fantásticas paisagens australianas. Tem aquelas músicas malucas, mas muito fixes, típicas dos anos 80. O que é que se podia pedir mais naquela altura?
Crocodile Dundee foi um sucesso monumental em todo o mundo. Paul Hogan tornou-se, de um dia para o outro, numa estrela mundial. Ainda bem, Paul Hogan é um gajo fixe. E será sempre o Crocodile Dundee. ●●●○○
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I am Number Four é um filme de D.J. Caruso, com e para adolescentes que gostam de romance e seres do espaço. Provavelmente foi feito para colmatar uma lacuna de produto destinada àqueles miúdos que já estão fartos de filmes de adolescentes com a temática do romance e vampiros.
A história é simples. É mais ou menos copiada da do Super-Homem: rapaz com poderes chega à Terra perseguido pelo general Zod... Não é o Zod. É um parecido mas com dentes afiados e tatuagens. Rapaz apaixona-se por rapariga. Rapariga fica em perigo. Rapaz vence o general Zod, salva a rapariga e o mundo. O cãozinho salva-se no final só com uma patinha ferida...
Previsível como tudo. Segue também a lógica de ser baseado num best seller... também para adolescentes. Tem o final em aberto para dar hipótese às respectivas sequelas, mas graças aos céus não deve ter tido muito sucesso. Ufa! Que sorte!
Tem uns miúdos mais velhos a fazerem que têm 15 anos (Alex Pettyfer e Dianna Agron) e dois actores adultos bonzitos (Timothy Olyphant e Kevin Durand) mas que estão lá só para tornar o filme menos medíocre.
Pode ter sido da minha cabeça, mas o que destaco mais neste I am Number Four, é uma muito forte referência sexual, quase subliminar, da descoberta da sexualidade. E não é pela historinha de amor à Twilight. É o aparecimento dos poderes na adolescência (o moço está numa cena sensual com uma miúda na praia e sem saber o que se passa, começa a "jorrar" uma luz das mãos...), a desobediência ao poder superior do protector que o moço trata como "pai"; o aparecimento da loiraça sensual, mais velha, para lhe ensinar uns truques novos... Ou então não... O filme é tão mau, que se calhar estava entretido a tentar encontrar significados para coisas onde elas não existem. Não sei...
Uma perda de tempo. É preferível ver um gelado a derreter ao sol... Se calhar é melhor não. É que isto tem produção do Michael Bay, portanto o gelado estaria a derreter ao pôr-do-sol, em cima do capot de um superdesportivo, cheio de brilhos e lens flare, com a bandeira americana desfraldada ao vento em pano de fundo. É melhor apenas não ver... ○○○○○
A história é simples. É mais ou menos copiada da do Super-Homem: rapaz com poderes chega à Terra perseguido pelo general Zod... Não é o Zod. É um parecido mas com dentes afiados e tatuagens. Rapaz apaixona-se por rapariga. Rapariga fica em perigo. Rapaz vence o general Zod, salva a rapariga e o mundo. O cãozinho salva-se no final só com uma patinha ferida...
Previsível como tudo. Segue também a lógica de ser baseado num best seller... também para adolescentes. Tem o final em aberto para dar hipótese às respectivas sequelas, mas graças aos céus não deve ter tido muito sucesso. Ufa! Que sorte!
Tem uns miúdos mais velhos a fazerem que têm 15 anos (Alex Pettyfer e Dianna Agron) e dois actores adultos bonzitos (Timothy Olyphant e Kevin Durand) mas que estão lá só para tornar o filme menos medíocre.
Pode ter sido da minha cabeça, mas o que destaco mais neste I am Number Four, é uma muito forte referência sexual, quase subliminar, da descoberta da sexualidade. E não é pela historinha de amor à Twilight. É o aparecimento dos poderes na adolescência (o moço está numa cena sensual com uma miúda na praia e sem saber o que se passa, começa a "jorrar" uma luz das mãos...), a desobediência ao poder superior do protector que o moço trata como "pai"; o aparecimento da loiraça sensual, mais velha, para lhe ensinar uns truques novos... Ou então não... O filme é tão mau, que se calhar estava entretido a tentar encontrar significados para coisas onde elas não existem. Não sei...
Uma perda de tempo. É preferível ver um gelado a derreter ao sol... Se calhar é melhor não. É que isto tem produção do Michael Bay, portanto o gelado estaria a derreter ao pôr-do-sol, em cima do capot de um superdesportivo, cheio de brilhos e lens flare, com a bandeira americana desfraldada ao vento em pano de fundo. É melhor apenas não ver... ○○○○○
Hercule Poirot é um detective privado de nacionalidade belga, mas que passou a maior parte da sua vida radicado em Inglaterra. Isso não o impediu de usar as suas poderosas "pequenas células cinzentas" para investigar e infalivelmente desvendar crimes por toda a Europa, África, Ásia e numa boa parte da América do Sul, juntamente com os seus inseparáveis colegas: Inspector Japp e Capitão Hastings. Poirot é excêntrico, cheio de maneirismos e de obsessões compulsivas. Gosta do estilo Arte Déco, é extremamente pontual e leva tudo ao limite da perfeição obsessiva, como por exemplo a sua conta bancária, onde tem exactamente 444 libras, 4 xelins e 4 pence.
Hercule Poirot é uma personagem ficcional criada por Agatha Christie que... Bem, não vale a pena alongar mais sobre quem é Poirot... Toda a gente sabe quem é. Mesmo quem não é grande apreciador da personagem - como eu - conhece-o e reconhece o valor das histórias de Agatha Christie. E são tantas que também não vale a pena mencioná-las, porque precisaria de outro site só para isso.
Mas sendo uma série de tv, o que está Poirot a fazer num site de cinema? Um pequeno à parte...
Apesar de parecer lógico, não há um termo geral para a definição de longa metragem. Dependendo do local ou de quem avalia, uma projeção para ser considerada como longa metragem terá de ter 40, 70, 80 ou mais minutos de duração. Para mim, parece-me mais lógico o limite dos 70 minutos. E por vezes nem sequer é uma questão de duração, se dá na TV ou passa no cinema, mas sim o contexto ou outros aspectos do filme que o tornam numa longa metragem.
Já vi filmes como La Jetée (de Chris Marker), que não é mais que uma colecção de fotografias narradas com apenas 30 minutos, mas que me parece de facto um filme completo. Ou Un Chien Andalou (de Luis Buñuel) que tem 15 minutos, pela sua importância visual e no desenvolvimento de outros filmes posteriores. Ou ainda Le voyage dans la lune (de Georges Méliès), comummente aceite como um dos primeiros filmes de ficção cientifica, só tem 13 minutos. Apesar de serem tecnicamente curtas metragens, em termos de contexto para a própria história do cinema, acho que estes exemplos mais "curtos" se elevam para verdadeiras longas-metragens. Por outro lado, Modern Times Forever, do grupo de arte dinamarquês Superflex, com 240 horas é actualmente o filme de maior duração. Mas está previsto para 2020, a estreia de Ambiancé, de Andy Weberg com 720 horas. Mas estes exemplos são "instalações" ou documentários artísticos e eu não os consideraria como sendo um "filme de longa metragem", apesar da questão técnica da duração. Estou a divagar...
Voltando a Poirot... Se se considerar os 70 minutos como o primeiro patamar para identificar tecnicamente uma longa metragem, Poirot tem pelo menos 34 "episódios" com mais de 90 minutos e isto "apenas" entre 1989 e 2013. Isto quer dizer que, objectiva e tecnicamente falando, Poirot é a mais longa série de filmes da história!!!
Só para servir de exemplo, a temática James Bond, que é actualmente a saga mais longa - e já cá anda desde os anos 60 - "só" tem 20 e tal distribuições... Coitadito. O James Bond ainda é um "menino" quando comparado o grande Hercule Poirot.
Não se pode mencionar Poirot sem mencionar David Suchet. O detective privado foi interpretado ao longo dos tempos no grande e no pequeno ecrã por uma série de grande actores como José Ferrer, Peter Ustinov, Ian Holm, Kenneth Branagh, Charles Laughton e até Orson Welles fez uma adaptação radiofónica. Mas sem dúvida nenhuma que Hercule Poirot é David Suchet e David Suchet é Hercule Poirot. Há actores que "nascem e vivem" para um papel, e este é um dos casos mais exemplares... Não deixa de ser curioso que Suchet, antes de ser "o" Poirot, tenha interpretado a personagem do Inspector Japp, em Thirteen at Dinner, de 1985, sendo que Peter Ustinov é que ficou com o papel principal... Curioso, não?
Hercule Poirot faleceu em 1949 (ou dependendo da versão, 1975?!) com direito a ser a única personagem de ficção a aparecer no obituário da primeira página do The New York Times., mas o seu legado continua a apaixonar novas gerações. Acho que vai ser assim por muitos mais anos, pois tem algo de estranhamente intemporal.
Por tudo isto, e por ser absolutamente merecido o reconhecimento, como uma das grandes personagens literárias de sempre, a devida e respeitosa vénia para Hercule Poirot e para a maior série de filmes até hoje. ●●●●●
"The truth, however ugly in itself, is always curious and beautiful to the seeker after it."
Hercule Poirot, em The Murder of Roger Ackroyd
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Não conhecia muito bem a BD de Dick Tracy criada por Chester Gould. Sabia que era um detective durão que combate o crime organizado numa cidade corrupta, cheia de gangsters e vilões sem escrúpulos. Lembro-me que ele tinha uma série de gadgets como por exemplo, um relógio de pulso com rádio com que comunicava com a Polícia. Isso era muito fixe. Por isso mesmo, parabéns ao Warren Beatty por trazer Dick Tracy para o grande ecrã, para o público em geral e em particular para a minha pessoa que gosta muito de filmes de gangsters...
Em 1990, os filmes de super-heróis/adaptações da BD (re)começavam a surgir no cinema com alguma regularidade, mas ainda estavam numa fase muito embrionária. Na altura, Dick Tracy, foi completamente diferente de tudo o que já tinha visto. Mas ainda hoje, é uma das melhores adaptações da BD para cinema. Continua diferente, absolutamente peculiar e único. Tenho pena que na altura o público não estivesse muito na "onda" e o filme tivesse sido um flop comercial. Mas uma coisa é a parte financeira, outra é o filme como obra de arte e de autor.
Warren Beatty, Madonna, Al Pacino, Dustin Hoffman, James Caan e outros mais secundários, mas não menos excelentes como William Forsythe, Ed O'Ross, Kathy Bates, Paul Sorvino, Dick Van Dyke e mais uma troupe interminável de bons actores. Eis o casting de Dick Tracy. Parece que toda a gente queria entrar neste filme. É normal. Warren Beatty é um gajo com muito currículo em Hollywood e Dick Tracy parecia um filme que iria ficar na história. E até acho que ficou, apesar de estar incompreensivelmente esquecido.
Warren Beatty já tinha todo o crédito cinematográfico do mundo, mas com este filme, conseguiu (re)marcar o seu estatuto como realizador. Apesar de ser um daqueles filmes que se ama ou se odeia, não se lhe consegue ficar indiferente.
Grande destaque para a genial fotografia e para o make-up que literalmente transformou os actores em personagens da BD, mas deixou-lhes margem de manobra para representar. E as cores... do outro mundo. É provavelmente um dos filmes mais coloridos de sempre. E digo isto no bom sentido. Tem uma estética excelente.
Apesar de ser por vezes exageradamente BD, Dick Tracy é um filme que tem mesmo de se ver. ●●●●○
Em 1990, os filmes de super-heróis/adaptações da BD (re)começavam a surgir no cinema com alguma regularidade, mas ainda estavam numa fase muito embrionária. Na altura, Dick Tracy, foi completamente diferente de tudo o que já tinha visto. Mas ainda hoje, é uma das melhores adaptações da BD para cinema. Continua diferente, absolutamente peculiar e único. Tenho pena que na altura o público não estivesse muito na "onda" e o filme tivesse sido um flop comercial. Mas uma coisa é a parte financeira, outra é o filme como obra de arte e de autor.
Warren Beatty, Madonna, Al Pacino, Dustin Hoffman, James Caan e outros mais secundários, mas não menos excelentes como William Forsythe, Ed O'Ross, Kathy Bates, Paul Sorvino, Dick Van Dyke e mais uma troupe interminável de bons actores. Eis o casting de Dick Tracy. Parece que toda a gente queria entrar neste filme. É normal. Warren Beatty é um gajo com muito currículo em Hollywood e Dick Tracy parecia um filme que iria ficar na história. E até acho que ficou, apesar de estar incompreensivelmente esquecido.
Warren Beatty já tinha todo o crédito cinematográfico do mundo, mas com este filme, conseguiu (re)marcar o seu estatuto como realizador. Apesar de ser um daqueles filmes que se ama ou se odeia, não se lhe consegue ficar indiferente.
Grande destaque para a genial fotografia e para o make-up que literalmente transformou os actores em personagens da BD, mas deixou-lhes margem de manobra para representar. E as cores... do outro mundo. É provavelmente um dos filmes mais coloridos de sempre. E digo isto no bom sentido. Tem uma estética excelente.
Apesar de ser por vezes exageradamente BD, Dick Tracy é um filme que tem mesmo de se ver. ●●●●○
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Qualquer semelhança deste Hollow Man com o clássico The Invisible Man é pura coincidência. Uns cientistas que trabalham para o governo em instalações secretas, conseguem fazer com que animais fiquem invisiveis. Tudo se complica quando um deles experimenta em si próprio e não consegue voltar à sua forma visível.
Hollow Man é um filme jeitoso de acção/ficção científica/terror. Quer dizer, não é bem terror, o Paul Verhoeven é que é sempre um bocado violento e visceral, a descair para o gore... Até nos diálogos... Já para não falar nas inúmeras referências sexuais, mais ou menos subtis. Faz parte do seu estilo muito próprio. Sou fã dele exactamente por causa disso. Bom elenco principal com Elisabeth Shue, Kevin Bacon e Josh Brolin e, na altura (se bem que se aguentam muito ainda hoje) com uns efeitos especiais espectaculares.
É absolutamente prevísivel, mas não deixa de ser um bom filmito que se vê bastante bem. E fica a pergunta no ar: o que é que uma pessoa faria se pudesse ficar invisível?... ●●●○○
Hollow Man é um filme jeitoso de acção/ficção científica/terror. Quer dizer, não é bem terror, o Paul Verhoeven é que é sempre um bocado violento e visceral, a descair para o gore... Até nos diálogos... Já para não falar nas inúmeras referências sexuais, mais ou menos subtis. Faz parte do seu estilo muito próprio. Sou fã dele exactamente por causa disso. Bom elenco principal com Elisabeth Shue, Kevin Bacon e Josh Brolin e, na altura (se bem que se aguentam muito ainda hoje) com uns efeitos especiais espectaculares.
É absolutamente prevísivel, mas não deixa de ser um bom filmito que se vê bastante bem. E fica a pergunta no ar: o que é que uma pessoa faria se pudesse ficar invisível?... ●●●○○
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The Invisible Man
Baseado numa história verídica, The Elephant Man mostra os últimos capítulos da vida atribulada de John Merrick (apesar do verdadeiro nome ser Joseph Merrick), após ser descoberto pelo médico Frederick Treves que o retira duma vida degradante como atração de circo.
Devido a ter o corpo horrivelmente deformado e em consequência ser rejeitado pela sociedade vitoriana, é usado como mero objecto de demonstração por Bytes, um homem sem escrúpulos. É-lhe negado qualquer tipo de humanidade, conforto ou vislumbre de felicidade.
The Elephant Man é uma história excepcional sobre a elevação do ser humano. É a história da luta da inclusão e do humanismo contra a humilhação, o ódio pela diferença, o medo do desconhecido e principalmente contra a ignorância. Sempre ouvi dizer que a realidade é muito mais estranha que a ficção. The Elephant Man é a prova disso.
Dificilmente conseguiria imaginar outros actores aqui. Tudo verdadeiros "senhores" do cinema: Anthony Hopkins, Anne Bancroft, John Gielgud e Freddie Jones, com o óbvio destaque para o John Hurt, que apesar de não aparecer (na sua forma "original", digamos assim), tornou-se imediatamente num dos meus actores favoritos de sempre.
The Elephant Man é uma obra prima cinematográfica de David Lynch. Parece óbvio que vai buscar muita inspiração visual (e sonora) ao alucinado Eraserhead, feito uns anos antes, como por exemplo a fotografia a preto e branco que é do outro mundo. A música de John Morris encaixa perfeitamente... É uma verdadeira obra de arte audiovisual. Foi nomeado para inúmeros prémios e ganhou outros tantos, desde Óscares a BAFTAS. É muito bom. Gosto imenso do David Lynch e de todos os seus filmes (mesmo que por vezes não os entenda), mas se calhar, elejo este como o melhor. Não consigo apontar-lhe defeitos ou algo que pudesse estar melhor. Intemporal e obrigatório. ●●●●● + ●
Devido a ter o corpo horrivelmente deformado e em consequência ser rejeitado pela sociedade vitoriana, é usado como mero objecto de demonstração por Bytes, um homem sem escrúpulos. É-lhe negado qualquer tipo de humanidade, conforto ou vislumbre de felicidade.
The Elephant Man é uma história excepcional sobre a elevação do ser humano. É a história da luta da inclusão e do humanismo contra a humilhação, o ódio pela diferença, o medo do desconhecido e principalmente contra a ignorância. Sempre ouvi dizer que a realidade é muito mais estranha que a ficção. The Elephant Man é a prova disso.
Dificilmente conseguiria imaginar outros actores aqui. Tudo verdadeiros "senhores" do cinema: Anthony Hopkins, Anne Bancroft, John Gielgud e Freddie Jones, com o óbvio destaque para o John Hurt, que apesar de não aparecer (na sua forma "original", digamos assim), tornou-se imediatamente num dos meus actores favoritos de sempre.
The Elephant Man é uma obra prima cinematográfica de David Lynch. Parece óbvio que vai buscar muita inspiração visual (e sonora) ao alucinado Eraserhead, feito uns anos antes, como por exemplo a fotografia a preto e branco que é do outro mundo. A música de John Morris encaixa perfeitamente... É uma verdadeira obra de arte audiovisual. Foi nomeado para inúmeros prémios e ganhou outros tantos, desde Óscares a BAFTAS. É muito bom. Gosto imenso do David Lynch e de todos os seus filmes (mesmo que por vezes não os entenda), mas se calhar, elejo este como o melhor. Não consigo apontar-lhe defeitos ou algo que pudesse estar melhor. Intemporal e obrigatório. ●●●●● + ●
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The Elephant Man
Ando com muita sorte no que toca a filmes brasileiros. Quando consigo apanhar um (não é nada fácil), é sempre muito bom.
(Se levantar uma pedra da calçada, é muito provável que encontre lá uns episódios de uma telenovela brasileira qualquer, mas encontrar um filme é muito mais difícil)
O penúltimo que vi foi este Estômago, uma fábula adulta de poder, sexo e gastronomia.
(Já agora, o último que vi, também foi muito bom, mas isso fica para outra altura)
A história de Estômago é a de um gajo que vem do interior brasileiro para a grande cidade, de modos muito simples, chamado Raimundo Nonato que é muito bom a cozinhar. Mas mesmo muito bom. E mesmo sem ser um gajo com muita ambição, consegue sempre o que quer graças ao seu peculiar dom da culinária. É assim que consegue arranjar trabalho, um sítio onde dormir, a companhia de uma prostituta com um apetite insaciável e até a forma de subir na hierarquia da prisão. É preciso ver para perceber, mas é fixe.
Os actores são do melhor. João Miguel (Nonato), Babu Santana (Bujiú) e especialmente Fabiula Nascimento (Íria) interpretaram umas personagens que são absolutamente memoráveis. Tão cedo não me saem da cabeça.
Estômago, muito bem escrito e realizado por Marcos Jorge é divertido, inteligente, espiritual, despreocupado e... saciante. É mesmo! Fez-me lembrar uma daquelas rulotes com aspecto duvidoso na berma da estrada, mas que depois serve uma espectacular comida gourmet. É um filme muito boa onda, com uma história muito fixe, original e repleta de excelentes diálogos.
Mesmo sendo em português (do Brasil) aconselho vivamente a tentarem arranjar uma versão com legendas, porque às vezes os sotaques são cerradíssimos e quase que não se consegue perceber o que dizem...
Recomendadíssimo. "Gorgonzola?" ●●●●○
(Se levantar uma pedra da calçada, é muito provável que encontre lá uns episódios de uma telenovela brasileira qualquer, mas encontrar um filme é muito mais difícil)
O penúltimo que vi foi este Estômago, uma fábula adulta de poder, sexo e gastronomia.
(Já agora, o último que vi, também foi muito bom, mas isso fica para outra altura)
A história de Estômago é a de um gajo que vem do interior brasileiro para a grande cidade, de modos muito simples, chamado Raimundo Nonato que é muito bom a cozinhar. Mas mesmo muito bom. E mesmo sem ser um gajo com muita ambição, consegue sempre o que quer graças ao seu peculiar dom da culinária. É assim que consegue arranjar trabalho, um sítio onde dormir, a companhia de uma prostituta com um apetite insaciável e até a forma de subir na hierarquia da prisão. É preciso ver para perceber, mas é fixe.
Os actores são do melhor. João Miguel (Nonato), Babu Santana (Bujiú) e especialmente Fabiula Nascimento (Íria) interpretaram umas personagens que são absolutamente memoráveis. Tão cedo não me saem da cabeça.
Estômago, muito bem escrito e realizado por Marcos Jorge é divertido, inteligente, espiritual, despreocupado e... saciante. É mesmo! Fez-me lembrar uma daquelas rulotes com aspecto duvidoso na berma da estrada, mas que depois serve uma espectacular comida gourmet. É um filme muito boa onda, com uma história muito fixe, original e repleta de excelentes diálogos.
Mesmo sendo em português (do Brasil) aconselho vivamente a tentarem arranjar uma versão com legendas, porque às vezes os sotaques são cerradíssimos e quase que não se consegue perceber o que dizem...
Recomendadíssimo. "Gorgonzola?" ●●●●○
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Antes de mais nada, uma pequena declaração de interesses: sou fã do Paul Thomas Anderson desde o excepcional Boogie Nights e do Daniel Day-Lewis, bem, acho que desde sempre...
Portanto tinha mesmo que ver o There Will Be Blood. Depois de o ver fiquei com um pouco de azia... É que gostei muito de uma parte do filme, mas também não gostei da outra parte. Deixou-me com um sabor agridoce que não estava nada à espera. Acho que tinha as expectativas demasiado elevadas.
A primeira parte do filme em que Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) anda com o "filho" a lutar incansavelmente pelo seu negócio do "ouro negro", está simplesmente brilhante. Grandes imagens e grandes interpretações em grandes momentos memoráveis de cinema. Mas depois o filme começa a descambar numa trip de seitas religiosas e aí tenho de admitir que me começou a mexer com os nervos. Fiquei nitidamente com a sensação que There Will Be Blood são dois filmes num só: a parte do petróleo e a parte religiosa. Coincidência ou não, o filme seguinte de P.T. Anderson é o The Master que é precisamente um mergulho no mundo... das seitas religiosas. Parece-me que ele ficou demasiado fascinado pela ideia... É pena. Estive uma grande parte do filme à espera que voltasse ao tema inicial.
Nunca poderia dizer que There Will Be Blood tem algo de errado, porque não tem. O que tem é uma inclinação para um tema que me faz alguma impressão. E para piorar a situação, o filme acaba mesmo por ser tomado de assalto pelos gritos histéricos e pela obsessão religiosa.
Umas palavrinhas finais para o Daniel Day-Lewis, que é para mim, sem dúvida nenhuma, o melhor actor da actualidade: uma tela de cinema é demasiado pequena para ele. Até me faz confusão: ele não interpreta, ele literalmente transfigura-se na personagem. É verdadeiramente impressionante. Quer dizer, não ofuscou toda a gente; Paul Dano também merece obviamente destaque. O gajo tem "pinta", tem presença e é um actor excelente.
There Will Be Blood desiludiu-me um bocadito, mas tenho a certeza que o Paul Thomas Anderson no futuro irá compensar com outra das suas obras-primas. ●●●○○
Portanto tinha mesmo que ver o There Will Be Blood. Depois de o ver fiquei com um pouco de azia... É que gostei muito de uma parte do filme, mas também não gostei da outra parte. Deixou-me com um sabor agridoce que não estava nada à espera. Acho que tinha as expectativas demasiado elevadas.
A primeira parte do filme em que Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) anda com o "filho" a lutar incansavelmente pelo seu negócio do "ouro negro", está simplesmente brilhante. Grandes imagens e grandes interpretações em grandes momentos memoráveis de cinema. Mas depois o filme começa a descambar numa trip de seitas religiosas e aí tenho de admitir que me começou a mexer com os nervos. Fiquei nitidamente com a sensação que There Will Be Blood são dois filmes num só: a parte do petróleo e a parte religiosa. Coincidência ou não, o filme seguinte de P.T. Anderson é o The Master que é precisamente um mergulho no mundo... das seitas religiosas. Parece-me que ele ficou demasiado fascinado pela ideia... É pena. Estive uma grande parte do filme à espera que voltasse ao tema inicial.
Nunca poderia dizer que There Will Be Blood tem algo de errado, porque não tem. O que tem é uma inclinação para um tema que me faz alguma impressão. E para piorar a situação, o filme acaba mesmo por ser tomado de assalto pelos gritos histéricos e pela obsessão religiosa.
Umas palavrinhas finais para o Daniel Day-Lewis, que é para mim, sem dúvida nenhuma, o melhor actor da actualidade: uma tela de cinema é demasiado pequena para ele. Até me faz confusão: ele não interpreta, ele literalmente transfigura-se na personagem. É verdadeiramente impressionante. Quer dizer, não ofuscou toda a gente; Paul Dano também merece obviamente destaque. O gajo tem "pinta", tem presença e é um actor excelente.
There Will Be Blood desiludiu-me um bocadito, mas tenho a certeza que o Paul Thomas Anderson no futuro irá compensar com outra das suas obras-primas. ●●●○○
O Conde de Monte Cristo foi um dos primeiros livros que li por vontade própria. Desde então, tornou-se numa das minhas histórias favoritas. É que tem tudo: uma história de amor e traição, acusações infundadas e castigos injustos, reclusão numa ilha isolada, fuga impossível da prisão, aventura no mar, piratas, caça ao tesouro, sede de vingança e um final como deve ser. Até tem um padre português... Uma história intemporal, e diria mesmo, perfeita do grande Alexandre Dumas.
Em relação a este The Count of Monte Cristo de Kevin Reynolds, a única coisa que posso dizer é que é bastante jeitoso. Jim Caviezel e especialmente Guy Pearce fazem uma dupla de antagonistas muito boa, mas o resto do elenco (Richard Harris, James Frain, Dagmara Dominczyk e o Michael Wincott, gajo muito menosprezado mas que curto bastante) também é bom. O filme "rola" bem e não há propriamente nada que possa apontar como estando mal. Apesar disso, não deixa de ser apenas mais uma versão da história. Torna tudo muito... previsível, não é verdade?
E a única coisa que não gostei foi precisamente a alteração da história. Não é que esteja mal "reajustada", mas neste caso específico, deu-me para o purismo. Não acho que se deva alterar uma história perfeita, mas até pela questão anterior da previsibilidade, compreendo perfeitamente a opção. ●●○○○
Em relação a este The Count of Monte Cristo de Kevin Reynolds, a única coisa que posso dizer é que é bastante jeitoso. Jim Caviezel e especialmente Guy Pearce fazem uma dupla de antagonistas muito boa, mas o resto do elenco (Richard Harris, James Frain, Dagmara Dominczyk e o Michael Wincott, gajo muito menosprezado mas que curto bastante) também é bom. O filme "rola" bem e não há propriamente nada que possa apontar como estando mal. Apesar disso, não deixa de ser apenas mais uma versão da história. Torna tudo muito... previsível, não é verdade?
E a única coisa que não gostei foi precisamente a alteração da história. Não é que esteja mal "reajustada", mas neste caso específico, deu-me para o purismo. Não acho que se deva alterar uma história perfeita, mas até pela questão anterior da previsibilidade, compreendo perfeitamente a opção. ●●○○○
Nos anos 80, máquinas extraterrestres pousam em Nova York, numa altura em que a cidade está em grande revolução urbanística. Em particular, pousam num bloco de apartamentos cujos inquilinos se recusam a abandonar, apesar das muitas pressões de um negociador imobiliário sem escrúpulos. Será tudo destruído para ser substituído pela construção de novos blocos mais modernos. (Parece que o problema da gentrificação não é novo...)
Não, não é mais um filme de ficção científica com extraterrestres tão grandes que não cabem na tela de cinema a invadirem ou a destruírem tudo com as suas avançadíssimas armas.
Este é um filme fofo. É a única palavra que me vem à cabeça quando me lembro de *Batteries not included. Fofo.
É o típico filme de família. Os aliens mecânicos são ternurentos, frágeis e amorosos, as personagens (Hume Cronyn, Jessica Tandy, Frank McRae, Elizabeth Peña) são queridas e inocentes e até os vilões são... fofos.
*Batteries not included (traduzido como O Milagre da Rua 8) é um filme para miúdos e as suas famílias, mas está muito bem feito portanto atinge todos os escalões etários. É normal: o realizador é o desconhecido Matthew Robbins, mas a produção é obviamente do Steven Spielberg. Não admira que faça lembrar outras produções memoráveis como ET ou os Goonies... Os efeitos especiais - na altura eram simplesmente espectaculares, agora nem tanto -, a história é tão fixe e a inocência que emana do filme é tão grande (e a nostalgia também) que não consigo deixar de o recomendar. Fofo. ●●●○○
Para vingar a morte da irmã, Lee, um exímio lutador, vai ter de se infiltrar numa exclusiva competição de artes marciais patrocinada pelo enigmático e diabólico Han. Na realidade, toda a organização de Han (sediada numa ilha particular muito ao estilo dos vilões do James Bond) é uma fachada para negócios pouco recomendáveis como a produção e tráfico de ópio e a prostituição.
Pode parecer banal, mas a história linear de vingança do Enter the Dragon tornou-se no standard que todos os filmes de porrada dos anos 70 e 80 acabaram por seguir.
(Tenho de me desviar um bocadinho do assunto só para mencionar a qualidade gráfica do cartaz. É simplesmente cool a todos os níveis...)
Aprendi muita coisa com o Enter the Dragon. Fiquei a saber que esta foi a primeira produção de Hollywood de um filme chinês de artes marciais; que o John Saxon (conhecia-o de outros filmes que não eram de porrada) só foi contratado porque era cinturão nego em karaté e finalmente percebi porque o Han (Kien Shih) tinha uma pronúncia tão estranha: na realidade ele não falava inglês, apenas imitava o movimento de lábios e depois teve de ser dobrado... Após muitas visualizações do filme (em miúdo via-o, rebobinava a cassete de VHS e depois via novamente...), até notei que o Jackie Chan aparece em algumas das cenas de porrada.
Outro pormenor que gosto muito é a banda sonora do Lalo Schifrin, que é um gajo que raramente falha. Acompanha perfeitamente todo o filme. Muito boa.
As cenas de acção dirigidas por Robert Clouse não são espectaculares, mas para além de parecem realistas, têm algo de diferente: o Bruce Lee, que é simplesmente uma lenda do cinema. E nota-se porquê: tem aquele carisma natural, tem uma aura de estrela, tem aquela inexplicável atracção e tem uma força na tela que se sente.
Bruce Lee é um daqueles gajos estranhos. É magrito e baixo, mas tem ali um crazy eye qualquer que faz como eu não quisesse pegar-me à porrada com ele. Bruce Lee pertence a uma classe totalmente à parte no cinema. Pertence à classe das grandes estrelas. Das lendas. Dos ícones. Lembro-me de ver um documentário sobre ele e ver as filas intermináveis para assistir à estreia deste filme. Também não será alheio o facto de ele ter morrido umas semanas antes da estreia. Até no pormenor trágico da morte prematura, parece que ele estava destinado ao grande Panteão do Cinema. Foi uma pena. Fui, sou e sempre serei um fã incondicional do Bruce Lee. E fica a pergunta no ar: se não fosse o Bruce Lee e o Enter the Dragon, será que os filmes de artes marciais alguma vez teriam chegado em força ao cinema ocidental? ●●●●○
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Robert Clouse,
VHS
Nunca pensei dizer isto, mas vi uma comédia romântica... e até gostei. Bem, Words and Pictures não é bem uma comédia romântica... é mais uma comédia romântica dramática.
Um professor de letras absolutamente irascível entra em confronto ideológico com uma professora de artes, apenas para perceber que encontrou o amor da sua vida. Eles lutam não só um contra o outro, mas também contra eles próprios. Ela tem uma doença degenerativa e ele perde-se no fundo dos copos.
Já tinha o Fred Schepisi debaixo de olho desde a excelente série Empire Falls, mas agora rendi-me totalmente. Excelentes actuações de Clive Owen e Juliette Binoche, que curiosamente são dois actores com quem nem vou muito à bola... A história - uma luta levada ao limite da dureza para perceber o que é mais importante: as letras ou as imagens - é muito boa, bem escrita e os diálogos são inteligentes. Surpreendentemente bom. ●●●○○
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Cenas apocalípticas, sinais premonitórios, escatologia cristã, confusão, amadorismo, actores de terceira categoria, mediocricidade e o Nicolas Cage para fazer passar a ideia que o filme até é "normal". Como é que o Nicolas Cage se meteu nisto?! Estaria a precisar desesperadamente de dinheiro para umas obras em casa? Não tinha nada para fazer e apareceu lá no set para filmar, sem saber onde se estava a meter? Não percebi. É que isto é filme para arruinar uma carreira... Eis algumas coisas que caracterizam este Left Behind, realizado por Vic Armstrong e inspirado num best seller de Tim LaHaye and Jerry B. Jenkins. Nunca li, mas depois de ver este filme, dificilmente irei ler... Fiquei traumatizado...
Left Behind é uma perda de tempo. Não vejam. É muito mau. ○○○○○
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Vic Armstrong
Após saber da morte do irmão nos EUA, Lyon, um desertor da Legião Francesa, envolve-se em perigosas lutas clandestinas para arranjar dinheiro e assim ajudar a sua nova família. E também vingar a morte do irmão...
Lionheart (traduzido como o Lutador sem lei [mas vá-se lá perceber porquê, também já o apanhei com outros títulos]) é uma piada. Parece um filme amador ou uma paródia ao filmes de artes marciais. As cenas de porrada são obviamente e tão coreografadas que parecem pancadaria em câmara lenta. Do género, Van Damme só dá uma cotovelada na cabeça do adversário, dois segundos depois de levar uma joelhada na barriga. É de rir. Tudo é básico e com um aspecto muito amador. Apesar disso tem dois actores que até se destacam da mediocridade: Deborah Rennard e Brian Thompson.
Quando o vi pela primeira vez, adorei. Mas também tinha para aí uns 15 anos e não havia muitos filmes de porrada/acção para alugar em VHS...
Lionheart é um filme fraquíssimo, mas ainda assim é um ícone kitsch, um digno representante do cinema de acção dos anos 80 (apesar de já ter chegado nos 90's). Uma bolinha para o Jean-Claude Van Damme, só porque é um gajo que se meteu nas drogas e depois saiu limpo. É um gajo fixe. ●○○○○
Lionheart (traduzido como o Lutador sem lei [mas vá-se lá perceber porquê, também já o apanhei com outros títulos]) é uma piada. Parece um filme amador ou uma paródia ao filmes de artes marciais. As cenas de porrada são obviamente e tão coreografadas que parecem pancadaria em câmara lenta. Do género, Van Damme só dá uma cotovelada na cabeça do adversário, dois segundos depois de levar uma joelhada na barriga. É de rir. Tudo é básico e com um aspecto muito amador. Apesar disso tem dois actores que até se destacam da mediocridade: Deborah Rennard e Brian Thompson.
Quando o vi pela primeira vez, adorei. Mas também tinha para aí uns 15 anos e não havia muitos filmes de porrada/acção para alugar em VHS...
Lionheart é um filme fraquíssimo, mas ainda assim é um ícone kitsch, um digno representante do cinema de acção dos anos 80 (apesar de já ter chegado nos 90's). Uma bolinha para o Jean-Claude Van Damme, só porque é um gajo que se meteu nas drogas e depois saiu limpo. É um gajo fixe. ●○○○○
O Sapo Cocas, a Miss Piggy, o Fozzie, o Animal, o Monstro das Bolachas, o Gonzo, o Chef Sueco e a restante troupe de Jim Henson vão até Manhattan, para tentar a sua sorte no mundo complicado e competitivo dos musicais da Broadway. Pelo caminho, cruzam-se com as estrelas do momento (Joan Rivers, Elliott Gould, Brooke Shields, Liza Minnelli e para quem estiver mesmo atento, até os pais do Martin Scorcesse aparecem por lá). A princípio tudo corre mal, mas como este é um filme para a família, no final tudo acaba bem.
The Muppets Take Manhattan, dirigido por Frank Oz, não é um dos melhores filmes dos Marretas. Aliás, acho até que é um dos mais chochos que vi. As piadas são fraquitas, as músicas passam despercebidas... Mas o que é que isso importa? Tem todos os Marretas e só isso chega. ●●○○○
Uther Pendragon aceita a ajuda do mago Merlin para vencer o Duque de Cornwall. Uther quebra o pacto com Merlin e tem uma relação com Igraine, a mulher do Duque. Dessa noite de paixão, nasce um bastardo, Arthur que acaba por ficar ao cuidado de Merlin. Depois de perseguido por clãs leais ao Duque e mesmo antes de morrer, Uther Pendragon enterra a sua espada numa pedra, afirmando que só quem a conseguisse retirar poderia ser o próximo rei. Ninguém consegue retirar a espada da pedra. E assim começa o mito da espada do poder, Excalibur. Anos mais tarde, um jovem Arthur aproxima-se da espada e o inesperado acontece.
Eis Excalibur, a espada mágica forjada por um deus, prevista por um feiticeiro e encontrada por um Rei. Esta não é só mais uma versão cinematográfica da mítica espada: esta "é" a versão. Já vi muitas tentativas de contar a história do Rei Artur, mas Excalibur, de John Boorman, é sem dúvida nenhuma a melhor de todas.
O filme tem uma estranha aura à sua volta. E não estou a falar daquele glow verde... Tem mesmo uma qualidade visual mística. É estranho. A forma como está produzido e realizado quase que nos leva para o mundo alternativo, atmosférico de Camelot, dos Cavaleiros, da Távola Redonda e da demanda pelo Santo Graal.
Para mim, a razão é simples: é um filme de fantasia, mas não tem praticamente efeitos especiais. É tudo realista e muito baseado no trabalho de câmara e especialmente no trabalho com os actores. Basta reparar que que muitos dos nomes conhecidos nos dias de hoje deram o primeiro passo precisamente em Excalibur: Gabriel Byrne (Uther), Helen Mirren (Morgana), Liam Neeson (Gawain), Patrick Stewart (Leondegrance). E depois ainda há um outro bom leque de actores que apenas nunca deram o "grande" salto como Nigel Terry (Rei Arthur), Nicholas Clay (Launcelot), Cherie Lunghi (Guenevere) e Nicol Williamson (Merlin).
Toda esta envolvência mágica está embrulhada numa banda sonora portentosa de Richard Wagner e Carl Orff. E aqui, a música faz para aí um 1/3 do filme. É brilhante. John Boorman não precisa de muitos comentários: é um artesão brilhante de filmes. Basta dizer isso...
Misticismo e mitologia, reinos e demandas, mundos mágicos e submundos, ninfas e Damas do Lago, cavaleiros leais e insurgentes, lutas de espadas e de honra, amor, traição, sexo, sangue e entranhas... há de tudo em Excalibur, uma história intemporal que mostra a transição da Era da Magia para a Era da Razão. Um dos meus filmes preferidos de aventura e fantasia... de sempre. ●●●●○
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Quando vi este filme, lembrei-me logo de um slogan muito popular há uns anos: "Punk is not dead". Percebo que este seja um slogan que só faz sentido para pessoas que viveram nos finais dos 70's/princípios de 80's e que assistiram à "morte" do movimento e da música punk. Para mim, obviamente, nunca fez muito sentido. Mas agora entro numa fase do "Rock is not dead" e começo a perceber perfeitamente o significado do slogan original.
Tinha por isso muita expectativa com este Rock of Ages. Sabia que era escrito pelo Justin Theroux, tinha visto umas imagens (aparentemente boas) com o Tom Cruise... e pouco mais.
Estou tão chateado que não me vou alongar: é uma magistral desilusão. Até em termos musicais, conseguiram arruinar o filme, que mais parece uma mistura de filme musical de Disney com uma paródia à música dos anos 80. Não é admirar: Adam Shankman é realizador de musicais e filmes light, tipo Disney. É que nem Catherine Zeta-Jones, nem Alec Baldwin e nem Paul Giamatti conseguem salvar isto. Devia ter investigado mais e devia-me ter ficado apenas pela expectativa...
Quase que me leva a acreditar que de facto "Rock is dead"... ●○○○○
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Contact começa com uma sequência inicial que é absolutamente genial: suga-nos directamente para os confins do Universo. Este é só um dos muitos pormenores de realização fantásticos - como a miúda que vem a correr em direcção à câmara e depois percebe-se que afinal é um reflexo no espelho - do excepcional mas sempre esquecido e menosprezado Robert Zemeckis.
Toda a parte técnica do filme está irreprensível como é comum nos filmes de Zemeckis: o som é excelente, especialmente o som criado para dar a impressão da "descoberta", os efeitos são muito bons, a montagem fluída consegue dar um andamento rápido a um filme que não é o típico de efeitos especiais/explosões/perseguições, e os actores, para além de serem muitos e bons, estão também muito bem dirigidos. Aliás, é uma mini-parada de estrelas: Jodie Foster, Matthew McConaughey, Tom Skerritt, Angela Bassett e James Woods, só para mencionar os mais conhecidos.
Contact conta a história do primeiro contacto extraterrestre à Humanidade. É uma história de Carl Sagan que curiosamente começou como um guião de cinema e que se acabou por transformar num livro. Mais tarde, daria este filme. Curioso, não? Tratado mais como ciência do que propriamente como ficção científica, Contact tem de facto um toque muito realista. Quase que parece que se fossemos mesmo contactados por extraterrestres, provavelmente a história iria desenrolar-se mais ou menos desta forma. Cientificamente falando, faz todo o sentido.
O argumento, brilhantemente escrito, baseia-se muito naquela observação do Carl Sagan que diz que "a ausência de evidências não é evidência de ausência". Por outro lado, Sagan também observou que "alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias". Isto basicamente é a premissa de base para a procura de vida extraterreste. Mas isto tem implicações graves. Porque imaginemos que se encontra mesmo vida extraterrestre inteligente. A acontecer, diga-se, deitaria por terra praticamente todas a religiões. Basta pensar que a maior parte delas, pelo menos as mais divulgadas, têm por base a criação original e exclusiva da Humanidade. Portanto se existirem extraterrestres, o conceito de Deus criador, exclusivo, que é como o conhecemos, deixa de fazer sentido, não é verdade? E se assim for, qual seria a lógica para continuarem a existir religiões?....
Mas por outro lado, pergunto eu: então e o conceito de Deus, não é explicado por esta mesma argumentação de Carl Sagan? Parece-me que o argumento funciona para os dois lados...
Contact é por isso, mais que um filme de ficção científica, um duelo teórico: quem acredita nos extraterrrestres? Quem acredita em Deus? Quais as provas mais objectivas de um e do outro lado? Algum dia existirão provas irrefutáveis da existência de um ou do outro? E se um dia, se provar alguma coisa, irá a fé sobrepor-se à ciência? Ou vice-versa?
Carl Sagan e Robert Zemeckis tentam puxar o cobertor para os dois lados, porque também existe uma inversão óbvia na argumentação. Por exemplo, no final, é o não crente no divino (o "crente científico" por assim dizer) que acaba por ficar desamparado, implorando aos outros que acreditem em algo sem provas físicas, pedindo que tenham fé... É a suprema ironia. É provar exactamente o mesmo veneno. Se não há provas científicas que comprovem um acontecimento, como é que as pessoas vão acreditar a não ser recorrendo a esses estranho fenómeno chamado de fé?
Contact é uma disputa teológica e filosófica, sem respostas definitivas ou peremptórias. É uma tentativa séria de fazer ficção científica baseada no rigor científico. Talvez seja esta a única falha: por um lado tem uma grande carga teórica (científica e até teológica), mas por outro tenta ser "acessível" demais. O que Zemeckis quis aqui é impossível: uma mistura de precisão cientifica e filme de bilheteira. Acaba por não ser nem uma coisa nem outra. Mas isto é apenas um pormenor crítico. Sem ser a derradeira obra de ficção científica, Contact é um dos grandes filmes de ficção científica que nunca perco a oportunidade de (re)ver. ●●●●○
Em 2047, uma equipa de salvamento espacial liderada pelo Capitão Miller (Laurence Fishburne) voa até à nave Event Horizon para responder a um pedido de socorro. Mas a Event Horizon não é uma nave qualquer. Ela foi desenhada pelo brilhante Dr. William Weir (Sam Neill) e tem a particularidade de conseguir criar um buraco negro e assim viajar instantaneamente para qualquer ponto do Universo. O problema é que na sua viagem experimental, a nave desapareceu sem deixar rasto apenas para reaparecer 7 anos depois... vazia... mas com muita história para contar.
Vi o Event Horizon no cinema e foi uma surpresa monumental. Lembro-me perfeitamente de escolher o filme pelo cartaz e pelo Sam Neill - tinha-o visto no Jurassic Park, no Piano e no semi-desconhecido In the Mouth of Madness. Mas nunca tinha ouvido falar deste filme. Nem sequer sabia do que se tratava. Só sabia que era de ficção científica por causa da nave no cartaz. Foi uma surpresa enorme...
Acho que hoje em dia perde-se muito do impacto dos filmes pela excessiva promoção que lhes é feita. Anos antes de uma estreia já se sabe tudo sobre um filme. São os teasers, os trailers, as entrevistas, os making-offs... Praticamente já se viu o filme todo, só que aos bocados. O impacto da surpresa praticamente desapareceu. E acho que isso também é importante para "marcar" um filme. Esta foi uma das últimas vezes que um filme me surpreendeu.
Event Horizon é a união perfeita de ficção científica e terror. E quando digo terror, quero mesmo dizer gore. É como se fosse uma mistura de 2001 com Hellraiser. Como sou fã destes dois filmes (e parece que o Paul W. Anderson também), isso enche-me totalmente as medidas. Apesar de não ser totalmente original - esta é a história clássica do navio fantasma encontrado à deriva sem a tripulação, mas transposto para o espaço - Event Horizon funde muito bem acção, terror, suspense e uma história muito boa. Dentro deste género muito específico, é um dos melhores filmes. ●●●●○
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